FOICE E MARTELO BRANCO





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Este blog foi feito por duas garotas indignadas - pra não dizer PUTAS - com essa situação da geopolítica internacional. Não aguentamos mais ficar sem fazer nada, assistindo a felicidade da Fatima Bernardes pela TV ... Queremos agir! Sair às ruas, chocar, explodir a casa branca, ou envenenar o chá do Bush e do Blair . Enfim, queremos fazer alguma coisa para demonstrar nossa raiva ao mundo!... queremos PAZ agora! Ou, pelo menos JUSTIÇA...

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Quarta-feira, Abril 30, 2003


Agora a notícia da Folha que prometi. Mas não pode faltar a minha pergunta favorita:

Liberdade de expressão?? (parte 3!)

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"EUA matam 15 manifestantes iraquianos
As tropas americanas no Iraque mataram pelo menos 15 pessoas e feriram outras 75 durante uma manifestação contra a presença militar dos EUA em Fallujah, 50 km a oeste de Bagdá, na noite de anteontem. Os militares disseram que agiram em reação a tiros disparado pelos manifestantes.
O incidente -precedido pela morte de seis iraquianos horas antes em confronto com soldados americanos em Mossul (norte)- acirrou as tensões antiamericanas no país e expôs a falta de domínio da administração provisória americana sobre a segurança.
Para amenizar o problema, o governo americano anunciou o envio de entre 3.000 e 4.000 soldados e policiais militares nos próximos dez dias para a região de Bagdá, sem dar mais detalhes. Hoje há cerca de 150 mil militares americanos no Iraque, sendo aproximadamente 12 mil na capital.
Em Bagdá, o Exército assumiu o controle da segurança, que era dos marines, porque teria melhor estrutura para policiar a cidade. Mas embora o fornecimento de eletricidade e água tenha sido restabelecido em cerca de 75% da capital desde então, saques e violência permanecem.
Segundo o general Glenn Webster, subchefe das tropas terrestres dos EUA no Iraque, a prioridade no momento é reunir membros da ditadura derrubada no último dia 9, autoridades civis e estudiosos para debater a questão da segurança na capital.
(...) Testemunhas em Fallujah afirmaram que os soldados abriram fogo sem aviso prévio contra uma multidão desarmada -em meio a qual haveria crianças- que protestava, na noite de anteontem, contra a instalação de cerca de 150 soldados da 82ª Divisão Aerotransportada em uma escola local. Após o incidente, os militares se retiraram da escola.
Já os americanos dizem que teriam reagido após serem atacados a tiros. O tenente Christopher Hart afirmou que seus homens teriam matado 'entre sete e dez iraquianos' após sofrerem disparos de dois homens com rifles.
Fallujah é vista como um reduto do Baath, partido do ex-ditador Saddam Hussein, desaparecido desde o último dia 9. (...)"



Os caixões dos perigosíssimos manifestantes assassinados (hoje estou mais irônica que o normal!)


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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TODOS os textos no site da Novae sobre a discussão em cima de Cuba (execução dos três cubanos e tal) estão excelentes!!! Vou postar aqui só o de Fabiano Queiroga, que foi meu favorito e que está diferente de todos os textos que já li a respeito do assunto. Mas visitem o site para ler os outros artigos! Ah, o tema pode não ter muito a ver com a questão do Iraque, mas diz muito sobre o imperialismo norte-americano e as resistências a ele. Ou seja, tudo a ver com o FMB.

"CADÁVER ENTRE OS DENTES
- Por Fabiano Queiroga, de San Francisco

'Quem fala em revolução sem praticá-la no seu dia-a-dia, fala com um cadáver entre os dentes'. Esta frase estava pichada perenemente numa das paredes da minúscula sala do Diretório Central dos Estudantes do CEUB (Centro de Ensino Universitário de Brasília), entidade que ajudei a fundar e da qual fui o segundo presidente. O autor da pichação atribuia a frase a Berthold Brecht e pode mesmo ser que o poeta alemão a tenha proferido. Não tenho o conhecimento acadêmico necessário para afirmá-lo. Mas, independente da autoria da máxima, nunca algo me pareceu tão verdadeiro, especialmente agora, momento em que assistimos o início de uma ofensiva que se configura definitiva contra a revolução cubana. No meu entender a frase afirma que aqueles que apenas pregam a revolução e não a defendem de fato, emitem palavras mortas, inertes qual cadáver, inúteis, inócuas, dispensáveis. Pois bem, chegou a hora de saber quem, na esquerda dita revolucionária tem entre os dentes um cadáver.

Quem acompanhou o circo armado pelos Estados Unidos para varrer o Iraque do mapa, teve a oportunidade de aprender um pouco sobre o 'modus-operandi' da propaganda político-ideológica norte americana. Com muita competência a Casa Branca criou toda uma situação de contra-informação para justificar a invasão do Iraque, embora não tenha conseguido de fato convencer o mundo. Agora a metralhadora giratória ianque aproveita o embalo para mirar num antigo desafeto, a ilha de Cuba, seu povo, sua revolução. Não pretendo aqui desfiar o rosário dos motivos de tal atitude. Todos os conhecemos muito bem. Todos sempre soubemos, inclusive, que entre a surra levada na Baía dos Porcos, até uma segunda tentativa de invasão da ilha, seria uma questão de tempo. Sabemos que, talvez retraídos diante da derrota militar nas auroras da revolução cubana, Washington optou pelo jogo sujo dos mercenários, das tentativas de interferência na política cubana, na manipulação da opinião pública mundial, da chantagem econômica formadora do bloqueio comercial e das tentativas covardes de assassinato do líder Fidel Castro. Em qualquer parte do mundo, principalmente nas páginas do New York Times, tais atos seriam definidos como terrorismo, fossem eles praticados contra a federação americana. E contra o terrorismo, nas palavras de George Bush, não deve haver clemência. Mas o eterno cinismo dos dois pesos e duas medidas é utilizado agora à guisa de régua e compasso para traçar o caminho que será percorrido, em breve, pelos marines.

O que preocupa, muito mais até do que a cínica estratégia, é perceber a vacilação do pensamento esquerdista mundial ante aos pretextos que começam a surgir para que se esmague de forma irreversível o único foco decente de resistência ao imperialismo americano. A vacilação se configura, pela dificuldade, principalmente da intelectualidade progressista em lidar com a execução de três pessoas, num auto-patrulhamento ideológico que beira o inverossímel. Ora, fala-se em revolução, fala-se em tomada de poder, fala-se em resistência, fala-se até em luta armada, mas ninguém tem coragem de puxar o gatilho? Enquanto a intelectualidade de esquerda define como 'vidas ceifadas' os três mercenários da contra revolução que Cuba executou, a intelectualidade de direita define os milhares de civis indefesos mortos no iraque como 'danos colaterais'. E não tem pudor nenhum nisso. Falar em revolução é muito bonito e rende, não raro, fama, cartaz, destaque, visibilidade. Defender de fato a revolução é mais difícil e talvêz não seja tão glamouroso. A pergunta que se faz necessária é: quem, além do povo cubano, vai de fato defender sua revolução? A resistência ao imperialismo que tanto se apregoa, não pode ser feita apenas com textos bonitos e bem escritos. É preciso coragem para assumir e defender posições. A guerra já começou e não foi Fidel quem deu o primeiro tiro. Você, de que lado está?"



No site da Novae, na sessão Manifeste-se, esse artigo criou polêmica. Antes que alguém diga isso (acho que alguém deve dizer), não acho que, em momento algum, Fabiano Queiroga minimizou as três vidas perdidas. Ele apenas deu um enfoque diferente ao fato, mostrando como é cínico fazer o alarde que vem sendo feito, logo após testemunharmos a morte, mutilação e humilhação de milhares de iraquianos. Não três, mas milhares deles. Em nome de quê? Da "libertação e democratização" do Iraque? OH! Vocês devem estar acompanhando os jornais, que mostram o número de manifestações do povo iraquiano contra a presença norte-americana lá. De grande parte do povo iraquiano. Mas, o que é isso?! Eles não gostaram de sua libertação?? Como pode?? Pois é, acho que nenhum deles pediu que suas famílias fossem massacradas pelos invasores em nome de uma suposta libertação. Vou postar uma notícia da Folha aqui daqui a pouco (esqueci de fazer isso mais cedo). É que, na última manifestação do povo iraquiano, os soldados ianques mataram 15 manifestantes. Pura e simplesmente. Mas, afinal, o que são 15 iraquianos num universo de quase 2 mil iraquianos mortos? É assim que funciona o pensamento do governo dos EUA e que eles querem reverter a partir do momento que foi Fidel, o cruel e sanguinário ditador de Cuba, que assassinou 3 (!!!) pessoas, vítimas daquela ditadura. "Libertemos Cuba! Democratizemos a ilha rebelde! Viva os EUA!" (que os leitores sensíveis perdoem minha ironia em excesso). É sobre isso que Fabiano Queiroga escreve - ele não banaliza as mortes, mas faz críticas aos que se deixam levar pela propaganda ideológica pregada pela Casa Branca. Resolvi falar isso depois que li comentários absurdos no Manifeste-se da revista; como o seguinte: "Quando a esquerda pura e dura pensa assim, que em nome do socialismo e da revolução toda a barbárie se justifica, é caso para ter medo, muito medo...". Vocês poderão ver meu comentário (e resposta) por lá também.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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:::::::::::::::::::::::::::NOVA ENQUETE ESTÁ NO AR!!!!!!

Pois é! para vc que já tinha desistido de olhar para o nosso famoso cantinho esquerdo em busca de novas perguntas pra suas respostas.... anime-se!!!!

Apesar de não ser um tema surpresa (cristina já havia comentado que seria este) é muito importante a sua colaboração!!!!!!

A partir desta pesquisa remodelaremos nosso blog ( não necessáriamente seguindo a opção mais votada, mas mudando de acordo com a votação)!!!!

Leia atentamente todas as alternativas (dessa vez foi a cristina que fez, por isso estão enooooooormes) e siga seu coração! (ou seja irônico)...


QUAL VAI SER O DESTINO DO NOSSO BLOG??????????? VC DECIDE!!!



:::::: A bomba
dobra todas as línguas à sua turva sintaxe



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Terça-feira, Abril 29, 2003



Samir Amin, pensador egípcio neomarxista, escreveu este artigo publicado na edição de Caros Amigos que já elogiei. Amin brilhantemente explica a lógica de dominação dos EUA e como ela poderá ser rompida - e convida a todos os povos para que iniciem esse processo. O artigo inteiro está muito bom e recomendo sua leitura no site da revista. Aqui vou postar apenas alguns trechos, para não encher demais o blog.

"A ambição desmedida e criminosa dos EUA

(...) Quais são esses interesses 'nacionais' que a classe dirigente dos Estados Unidos se reserva o direito de invocar como melhor lhe pareça? Na verdade, essa classe possui um único objetivo - 'fazer dinheiro' -, tendo o Estado americano se colocado aberta e prioritariamente a serviço do segmento dominante do capital constituído pelas transnacionais dos Estados Unidos.

Esse projeto é imperialista no sentido mais brutal, pois não se trata de gerenciar o conjunto das sociedades do planeta para integrá-las num sistema capitalista coerente, mas somente de saquear os seus recursos. A redução do pensamento social aos postulados de base da economia vulgar, reforçada pela disposição dos meios militares que se conhecem, é responsável por essa derivação bárbara que o capitalismo carrega em seu interior e que o desembaraça de todo sistema de valores humanos, substituído pela submissão às pretensas leis do mercado. Pela história de sua formação, o capitalismo americano se prestava a esse reducionismo de modo ainda melhor do que o das sociedades européias. Pois o Estado americano e sua visão política foram formados para servir a economia e nada mais, abolindo por isso mesmo a relação contraditória e dialética entre a economia e a política. O genocídio dos índios, a escravidão dos negros, a sucessão de ondas de migrações substituindo a maturação da consciência de classe pelo confronto de grupos que partilhariam pretensas identidades comunitárias (manipuladas pela classe dirigente) produziram uma gestão política da sociedade por um partido único do capital, em que os dois segmentos partilham as mesmas visões estratégicas globais, partilham retóricas adequadas para se dirigir a cada um dos "eleitorados" da pequena metade da sociedade que crê no sistema o bastante para se dar o trabalho de ir votar. Privada da tradição pela qual os partidos operários social-democratas e comunistas marcaram a formação da cultura política européia moderna, a sociedade americana não dispôs de instrumentos ideológicos que lhe permitissem resistir à ditadura do capital.

Se esse projeto deve se desenvolver durante ainda um certo tempo, ele não gerará mais do que um caos crescente, exigindo uma gerência cada vez mais brutal a cada golpe, sem visão estratégica a longo prazo. No limite, Washington não buscará mais reforçar alianças verdadeiras, o que imporia fazer concessões. Governos fantoches, como o de Karzai no Afeganistão, cumprem melhor a tarefa enquanto o delírio da potência militar levar à crença da "invencibilidade" dos Estados Unidos. Hitler pensava assim.

(...) O sistema produtivo dos Estados Unidos está longe de ser "o mais eficiente do mundo". Ao contrário, quase nenhum de seus segmentos teria certeza de vencer os seus concorrentes num mercado verdadeiramente aberto como o imaginado pelos economistas liberais. É prova disso o déficit comercial do país que se agrava de ano para ano, tendo passado de 100 bilhões de dólares em 1989 a 450 bilhões em 2000. Além disso, tal déficit se refere a praticamente todos os segmentos do sistema produtivo. Mesmo o excedente de que se beneficiavam os Estados Unidos no domínio dos bens de alta tecnologia, que era de 35 bilhões em 1990, desde então deu lugar a um déficit. A concorrência entre o Ariane e os foguetes da Nasa, o Airbus e o Boeing mostra a vulnerabilidade da vantagem americana. Diante da Europa e do Japão para os produtos de alta tecnologia, da China, da Coréia e dos outros países industrializados da Ásia e da América Latina para os bens manufaturados triviais, diante da Europa e do Cone Sul da América Latina para a agricultura, os Estados Unidos não triunfariam, provavelmente, sem o recurso dos meios "extra-econômicos" que violam os princípios do liberalismo impostos aos seus concorrentes! (...) Washington não busca "partilhar com eqüidade" os lucros de sua liderança. Os Estados Unidos se empenham, ao contrário, em tornar vassalos seus aliados, e dentro desse espírito não estão preparados para deixar a seus aliados subalternos do trio mais do que concessões menores.

(...) As causas que estão na origem do enfraquecimento do sistema produtivo dos Estados Unidos são complexas. Mas são estruturais. A mediocridade dos sistemas de ensino geral e da formação, produto de um preconceito tenaz que favorece sistematicamente o "privado" em detrimento do serviço público, é uma das razões mais importantes da crise profunda que a sociedade dos Estados Unidos atravessa.

A opção militarista dos Estados Unidos ameaça todos os povos. É proveniente da mesma lógica que foi no passado a lógica de Adolf Hitler. (...) O combate para pôr em xeque o projeto dos Estados Unidos é, com certeza, multiforme. Comporta aspectos diplomáticos (defender o direito internacional), militares (se impõe o rearmamento de todos os países para enfrentar as agressões projetadas por Washington - nunca esquecer que os Estados Unidos utilizaram armas nucleares quando tinham o seu monopólio e renunciaram a elas durante o tempo em que não tinham mais esse monopólio) e políticos (notadamente no que se refere à construção européia e à reconstrução de uma frente dos não-alinhados).

O combate contra o imperialismo dos Estados Unidos e sua opção militarista é o combate de todos os povos, de suas vítimas maiores da Ásia, África e América Latina, dos povos europeus e japoneses condenados à subordinação, mas também igualmente do povo americano. (...) A classe dominante dos Estados Unidos será capaz de voltar atrás do projeto criminoso a que aderiu? Uma pergunta que não é fácil de ser respondida.

(...) Se tivessem reagido em 1935 ou 1937, os europeus teriam conseguido deter o delírio hitlerista. Reagindo somente em setembro de 1939, eles se infligiram dezenas de milhões de vítimas. Atuemos para que, diante do desafio dos neonazistas de Washington, a resposta seja mais precoce."


Charge do Rucke, publicada no site ChargeOnline.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Este fim de semana assisti a um filme muito bom::::: 1984, pois é... feito em 1984 mesmo por Michael Radford (baseado em um livro de George Orwell) , sobre uma sociedade a beira do total controle mental de seus individuos , o pano de fundo de outro filme mais recente, gatacca, lembra bem este filme, não que tenha algo a ver com genética mas a lavagem cerebral ...a mudança de comportamento ( em 1984 ao invés da apologia a felicidade de gattaca, é eliminado e taxado como errado as formas de prazer).......

Bom , gostaria que todos assistissem este filme porque por mais absurda que a situação daquela sociedade pareça a primeira vista, não difere tanto do que vivemos hoje, que, penso eu, seja pior do que a realidade mostrada no filme... ( aqueles que já viram comentem!!!!)



Frase que me marcou em um momento do filme::::::::::

(em uma cena de propaganda do governo daquela sociedade)::::


guerra é paz; liberdade é escravidão; e ignorância é força


PS:
1. é deste livro--filme que vem o termo " big brother" ---- só curiosidade mesmo
2. página com boa avaliação do livro !aqui!

:::::: A bomba
mata só de pensarem que vem aí para matar

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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"'O pensamento de que, após esta guerra, a vida possa prosseguir normalmente, ou de que a civilização possa ser reconstruída - como se a reconstrução da civilização por si só já não fosse a negação desta - é uma idiotice.' Isso foi escrito por Theodor Adorno em 1944, por ocasião da Segunda Guerra."

(tirado daqui)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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O trecho seguinte é de uma deliciosa crônica feita por Sérgio Kalili sobre o povo iraquiano e suas impressões daquele país, às vésperas da Guerra. Também publicada nessa edição especial da Caros Amigos (leiam a crônica completa no site; ela é enorme, mas vale a pena!).

"(...) - É muito difícil tratar os pacientes por causa do embargo?
- Há escassez de todo e qualquer suprimento para o nosso povo. Chegamos a uma situação em que temos de usar as mesmas luvas para operar diferentes pacientes. Você não pode imaginar... Mas temos de fazer isso para salvar a vidas das pessoas.
- O governo paga os salários de vocês?
- Não, não, esqueça dos salários (rindo para não chorar), estamos trabalhando sem salário porque, você precisa saber, estamos trabalhando por nosso povo, pelo nosso lar, nossa terra.
- Por que você tem tanto orgulho de Bagdá?
- Porque continua de pé, apesar de tudo.
- Você tem medo dos americanos?
- Não temos medo dos americanos porque Deus é muito, muito maior. E acreditamos em Deus.
- Você perdeu amigos durante a guerra de 1991?
- Evidente. Muitos civis, muitos de nós perdemos amigos, irmãos...
- Vocês continuam indo ao cinema, bibliotecas, bares, restaurantes?
- Claro, estamos vivos apesar do embargo. Temos nossas datas especiais, nossas vidas especiais, nossos amores...
- As pessoas vivem com medo?
- Não. (não resiste e dá uma gostosa e prolongada gargalhada) Não, porque estamos acostumados. Antes, depois, é sempre assim.
- Os bombardeios sobre Basra matam civis?
- Às vezes matam civis. Eu gostaria de perguntar: o que Alemanha, França, Rússia farão se realmente essa guerra começar? O que farão que realmente desagrade os Estados Unidos? Nada, nada...
- O que você pensa sobre o presidente americano, George W. Bush?
- Eu não penso nele.
Nesse momento, Samir, o palestino que vai me levar a Bagdá, não resiste:
- Ele é um louco. Um moleque doido, raivoso, mimado.
E Afrah arremata:
- Ele quer controlar o mundo. Não se importa com as pessoas. Não importa quantos serão mortos para que ele consiga seus objetivos. Talvez ele nem pense, talvez seja apenas uma marionete.
- Você acessa a CNN?
- Não, porque eles usam propaganda, guerra psicológica contra o nosso povo. Muitas notícias são distorcidas, é difícil saber quando é verdade e quando não é.(...)"


Crianças iraquianas, à saída da escola em Bagdá, uma semana antes do início dos bombardeios.


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Trecho de artigo da Caros Amigos deste mês (ela está muito boa, vale a pena até comprar e guardar de lembrança!), escrito por Georges Bourdoukan.

"A Víbora

(...) No capitalismo, os direitos humanos são uma quimera, a ecologia uma ficção e a arqueologia... ora, a arqueologia.
O pecado de Bush foi acreditar que a informação continuava refém da mídia oficialesca. Esqueceu a Internet, no momento principal veículo de comunicação do planeta. Queria fazer crer que a invasão do Iraque era um ato de vingança contra o terrorismo.

Nem os latidos do poodle inglês convenceram.

Bush não é energúmeno. Tem pressa. Ele e seus sicários sabem que a economia americana está à deriva, sem tempo a perder. Hoje é o Iraque, amanhã, com certeza, será a Venezuela, que os Estados Unidos pretendem transformar num posto militar avançado, a exemplo de Israel, para o domínio total da Amazônia.

E, para quem acha um exagero incluir a Amazônia, cito o general Patrick Hughes, então chefe da Defense Intelligence Agency, do governo Clinton: "Se os Estados Unidos entenderem que o Brasil anda fazendo mau uso da Amazônia, estarão prontos a tomar as providências cabíveis".

Essa é a verdadeira face do capitalismo. Quem tem mais poder não dá a mínima para os Protocolos de Kioto sobre Mudanças Climáticas, torna letra morta o Tratado de Mísseis Antibalísticos, nega-se a cumprir as convenções de Genebra sobre o tratamento a prisioneiros de guerra e vota contra a criação do Tribunal Penal Internacional.
É preciso mais?"

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Liberdade de expressão??

"AMERICANOS ESTRAGAM FESTA PARA SADDAM

Não foi suficiente bombardear seus palácios, derrubar estátuas e tirá-lo do poder. Tropas norte-americanas também estragaram a comemoração do aniversário do ex-ditador Saddam Hussein, cujo paradeiro segue desconhecido. Ontem, ele completou - ou completaria - 66 anos.
Para lembrar a data, dezenas de moradores de Tikrit saíram às ruas na cidade natal do ex-ditador, 180 km ao norte de Bagdá, carregando um bolo e uma pintura do aniversariante.
Meninas com vestidos vermelhos carregavam retratos do ex-ditador enquanto cantavam: 'Sacrificaremos nossas almas e nosso sangue por Saddam'.
As pequenas festas de rua para Saddam, no entanto, tiveram curta duração -foram interrompidas por veículos de combate Bradley e patrulhas de soldados com rifles M-16.
'Voltem para suas casas. O que vocês estão fazendo é proibido', alertavam mensagens em árabe transmitidas por alto-falantes. 'Ou usaremos a força.'
'Nós apenas queremos celebrar pacificamente', disse o professor de ensino fundamental Sabahan Harez, 50. 'Onde está a liberdade de expressão que os americanos tanto se gabam?'(...)"

(da Folha)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Segunda-feira, Abril 28, 2003



O cara é contra a ALCA, pacifista, contra as políticas internas do governo Bush, contra as violações das liberdade civis. E o detalhe fundamental: é um estadunidense e existe! Pode ser também um candidato à presidência em 2004, concorrendo, quem sabe, com Mister Bush. Alguém quer saber minha opinião a respeito?

Matéria publicada na Novae (hoje estamos com fontes bem diversificadas, hein?).



"O CANDIDATO DA PAZ
Por Ruth Conniff, do The Progressive

Dennis Kucinich está claramente conquistando a ala esquerda da bancada de disputantes presidenciais do Partido Democrata para a próxima eleição norte-americana de 2004. O co-dirigente do caucus (reunião de líderes políticos do mesmo partido) progressista no Congresso, um defensor da não-violência, que propôs ao governo americano a criação do Departamento da Paz, um vegetariano advindo da sua crença na 'sacralidade de todas as espécies' , e um ambientalista defensor das classes trabalhadoras que marchou nas ruas de Seattle e Washington, Kucinich é, sem dúvida, o candidato progressista. O argumento para a sua candidatura, apesar de improvável, é que ela representa um ponto de vista com que os Democratas serão forçados a lidar.

O antigo garoto-prefeito de Cleveland, hoje com 56 anos, é o mais forte oponente verbal da guerra com o Iraque na Câmara dos Deputados. Há um ano atrás, começou a fazer discursos apaixonados sobre o tema, e ultimamente está se mostrando no circuito de talk-shows como uma voz solitária para a paz. Meet the Press, Crossfire, Hardball, e The NewsHour com Jim Leher, entre outros programas, têm-no tido debatendo a política da Administração Bush referente ao Iraque - apesar do establishment de Washington não estar considerando a sua aposta presidencial seriamente. (O New York Times o posiciona em alguma colocação abaixo de Al Sharpton como um 'candidato viável', e seu anúncio de fevereiro em Iowa de que estaria se candidatando foi saudado com um retumbante manto pela maior parte da grande mídia).

Kucinich acha que os eruditos terão uma surpresa. 'Eles tentam fazer parecer que as posições que estou tomando são inusitadas, mas elas não são', ele me disse ao telefone recentemente. 'À medida que o esforço de guerra continue, penso que mais e mais pessoas juntar-se-ão e envolver-se-ão com a campanha'.

Steve Cobbles concorda. Um estrategista político progressista de longa data, que trabalhou para Jesse Jackson, Cobble compara Kucinich a Jackson em 1988. Ele acha que seu desempenho pode ser muito maior que o esperado, graças ao apoio de pessoas que os políticos de Washington não percebem.

'As pessoas que estão repudiando Kucinich são as mesmas que estão chocadas por seu grande movimento anti-guerra que teve um enorme crescimento em tão pouco tempo', diz Cobble, que assessora o candidato. Como o finado senador Paul Wellstone, Kucinich é fértil em idéias e escasso em brilho. Ele não é nem alto nem fotogênico, nem rico nem bem conectado. E, é claro, seu nome tem reconhecimento nacional mínimo.

Mas ninguém votou em Ralph Nader 'o Sr. Carisma' há cinco anos atrás, salienta Cobble, e Nader era um pop star nos campi das faculdades durante a campanha de 2000. 'Os jovens responderam à campanha de Nader em 2000', diz Cobble. 'Foram as idéias e o senso de integridade e não sopros ao vento. Dennis trará as mesmas vibrações'.

Entretanto, é aí que as comparações com Nader terminam. 'Eu não tenho interesse numa candidatura por um terceiro partido', diz Kucinich. 'Eu quero fazê-lo de outro jeito: trazer outros partidos para dentro do Partido Democrata e ter apoio para as primárias'. Levar muitas das mensagens de Nader para dentro do Partido Democrata pode ser um objetivo louvável. Mas quão longe Kucinich pode chegar?

Se muitos dos progressistas estão de ressaca da última eleição presidencial e se sentem desiludidos, Kucinich e sua equipe de campanha estão energizados pelas massivas demonstrações anti-guerra e anti-globalização ao redor do mundo e pelo sentimento de que um novo e ativo movimento popular está surgindo e se fazendo ouvir.

Kucinich, que se opõe a ALCA, é o único candidato a dar uma voz altiva ao movimento pelo comércio justo. E sua oposição às armas no espaço e violações das liberdades civis sob o Patriot Act são bem-vindas dentro de uma base Democrata ansiosa por uma forte oposição a Bush.

'Enquanto todo mundo fala coisas como 'eu deveria ter usado este avião ou talvez deveríamos usar este míssil ao invés daquele outro', ele será um clarim para a paz' diz o advogado trabalhista e progressista de Wisconsin Ed Garvey. Agora um apoiador de Kucinich, Garvey foi tocado pela experiência de ouví-lo falar abertamente contra a guerra do Iraque. 'A paixão e profundidade intelectual de seu discurso foi realmente impressionante'.

Certamente, Kucinich, que cita longas passagens de poesia e tem uma profunda qualidade intelectual não é seu candidato padrão. Será então Kucinich o candidato do movimento pacifista, como Eugene McCarthy em 1968?

'Este movimento precede uma guerra. O movimento de 1968 ocorreu anos após o início da guerra', diz Kucinich. Sua campanha baseia-se não só na guerra mas num complexo elenco de questões domésticas e internacionais.

Kucinich denuncia toda a filosofia política da administração Bush de 'projetar a agressão sobre o mundo'. As questões de sua campanha são império vs. democracia, globalização vs. igualdade, guerra vs. paz, um sistema privado de seguro-saúde que deixa 75 milhões de pessoas intermitentemente descobertas vs. um sistema de assistência médica nacional, o Patriot Act vs. The Bill of Rights. Deixe ele ir, e ele assoprará de volta no seu ouvido com uma ladainha de notícias calamitosas.

'As pessoas têm medo', diz Kucinich. 'Minha candidatura dá um passo adiante e diz: 'Hei, pare! Espere! Estamos perdendo o que é caro ao nosso país? Nós temos uma política externa que está preparando o palco para novas guerras. Nós estamos falando agora de uso dissuasivo de armas nucleares. Nós ainda temos armas químicas e biológicas, o que nos desqualifica para o tratado de armas químicas e biológicas. As calotas polares ainda estão derretendo. Ilhas no Pacífico estão vendo as águas subirem. Mudanças meteorológicas sugerem que a alteração no clima global está aqui para ficar. As propostas do Protocolo de Kyoto são urgentes. Os Estados Unidos devem reconhecer a interconectividade e a interdependência do mundo. Não estamos fazendo isto. Estou olhando para toda a estrutura da nossa sociedade e dizendo: 'como pode o governo ser relevante'?

Uau, diz Kucinich. Paixão e profundidade intelectual? Sim. Político lisonjeiro? Não exatamente.

Kucinich tem um grande problema com a base popular progressista: sua posição sobre o aborto. Até o ano passado, manteve um histórico quase perfeito nas votações da National Right to Life, e pontuou um zero absoluto no cálculo dos votos mantidos pela Abortion Rights Action League. Desde então, diz ele, sua posição evoluiu e ele rompeu fileiras com seus antigos colegas de legislação anti-aborto.
(...) 'Não acredito em aborto mas acredito na escolha', diz ele.

Como isto funciona?

(...) Ele agora encara a questão como 'uma questão de igualdade' se acaso uma mulher é igual na sociedade e tem garantias constitucionais. As mulheres não serão iguais aos homens se esta proteção constitucional for negada. 'Criminalizar o aborto é anticonstitucional'.

Kucinich diz que quer superar a natureza nós-eles do debate sobre o aborto apoiando um ambiente nutriente para mulheres e crianças, incluindo o pleno emprego, um salário decente, assistência médica universal e serviços de creches acessíveis e de alta qualidade. Ele quer que o aborto seja legal, porém raro.

'Não é errado apoiar a vida e não é errado apoiar o direito de escolha da mulher,' diz ele. 'Nós temos que permitir que ambos os pontos de vista tenham expressão. (...)'.

Kucinich pensa que pode mudar radicalmente a política na América. Ele cita seu sucesso como o prefeito mais jovem da nação, defendendo a privatização dos serviços públicos de Cleveland , assim como vindo ajudar a sua indústria do aço e seus hospitais quando eles estavam a ponto de serem fechados. 'Nós mudamos os resultados', diz ele. 'O Governo apresentou estímulos para a criatividade'.

Cobble cita Barry Goldwater e George McGovern, candidatos azarões que não se elegeram presidentes mas transformaram a política. 'Vale a pena levar este florescente movimento pacifista para dentro do partido, não importando se um candidato que tenha votado a favor da resolução de guerra ganhe', diz Cobble. 'Nós temos um grupo de pessoas na Casa Branca que ostensivamente coloca o império, ataque preventivo e a ocupação de outros países sobre a mesa', acrescenta. 'Precisamos de uma ampla discussão sobre isto, e não muitas pessoas estão se voluntariando para o posto'.

Mesmo o ex-governador de Vermont Howard Dean, que está concorrendo a candidatura com uma postura anti-guerra, não está abordando o tema da maneira que Kucinich está.

'Precisamos de alguém como Dennis que tem a coragem de assumir esta causa', diz Cobble.

Kucinich diz: 'Se eu puder ganhar algumas das primeiras primárias eu poderei mover estas questões domésticas diretamente para o topo das questões de campanha do partido...'

'Franklin Delano Roosevelt disse em 1933 que não devemos temer nada a não ser o próprio temor. Podemos criar um novo mundo. É possível'."

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Importante: Antes que alguém diga, isso não é uma campanha política. Não estou sendo paga pelos democratas para colocar isso no blog. Só acho importante que a gente conheça outras alternativas para o governo estadunidense, que hoje está atolado em conservadorismo e unilateralismo, que afeta a todos nós. Para um blog indignado e sobre um conflito criado pelo governo Bush, nada mais apropriado que esse texto.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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O texto seguinte, do Leonardo Boff, publicado no JB (25/04), é cheio de lugares-comuns e frases clichês, mas a idéia é bonitinha. É aquele tipo de idéia que todo mundo adora pregar, sem ter muita certeza se é real, mas com fé de que seja. Enfim, vou postar aqui porque esta também é a idéia do Foice e Martelo Branco. As pretensões do nosso blog, de alcançar grande número de pessoas e atingi-las com nossas idéias, seguem a linha de raciocínio do Efeito Borboleta. E a gente torce para que esse efeito não se prenda à teoria...



"Paz e efeito borboleta

Tudo no mundo é dialético, não porque Hegel e Marx o disseram e, antes deles, o pré-socrático Heráclito. Mas porque essa é a lei das coisas, regida pelo caos e pelo cosmos e pelo sim-bólico (o que une) e pelo dia-bólico (o que desune).
O efeito dialético da guerra da vergonha movida por Bush contra o Iraque é o triunfo do movimento pela paz através do mundo inteiro. Os operadores da paz não são apenas os grupos pacifistas, mas a própria sociedade civil mundial, que se convenceu (enfim) de que a guerra não é solução para nenhum problema. Ela mesma é um problema para a humanidade, pois, se não for controlada, vai acabar com a humanidade. E desta vez não podemos vacilar.

Nos dias que antecederam a guerra e mesmo após, continuaram pelo mundo as manifestações em favor da paz. Um interlocutor cético do interior da selva amazônica me informou por e-mail que, também lá, se fizeram com índios, seringueiros e ribeirinhos, manifestações pela paz, levando cartazes e gritando consignas. E pedia minha opinião, pois estimava que tudo isso não adianta nada, porque o século XXI será o século dos Estados Unidos e que a guerra ''inteligente'' é o meio insuperável para impor a ''pax americana''. E perguntava: que significa esse gesto, realizado no mais ignoto dos lugares, para a paz mundial?

Eu respondi mais ou menos nos termos que seguem. Há uma convicção do senso comum da humanidade de que a luz, por mais fraca que seja, vale mais do que todas as trevas juntas, porque basta um palito de fósforos aceso para exorcizar toda a escuridão de uma sala e mostrar a porta de saída. A luz, por sua natureza, faz o seu curso misterioso pelo espaço e será sempre captada por espíritos de luz. Escrevi ainda que o bem possui uma força singular, como a força do amor. Por isso, no seu termo, nada resiste ao bem. Ele acaba triunfando. Semelhante à força das gotas de chuva sobre os imensos incêndios na Amazônia. Uma gota faz muito pouco, tanto quanto a água trazida pelo beija-flor, que solidário, quer dar também a sua contribuição. Mas a chuva não é feita de gotas? São muitas gotas, milhões de gotas, quais milhões de minúsculos beija-flores que apagam, em poucas horas, o incêndio mais persistente. É a força invencível do pequeno.

Importa crer na força secreta da boa vontade, por menor que seja. O bem não permanece restrito à pessoa que o pratica. O bem é como a luz, uma realidade de irradiação. Como uma onda, segue seu curso pelo mundo, evocando o bem que está em todos e fortalecendo a corrente do bem. O bem é a referência para qualquer ética humanitária.

Essas reflexões óbvias vêm confirmadas pela moderna teoria do caos. Ela alude ao efeito borboleta: um farfalhar de asas de borboleta do meu jardim pode produzir uma tempestade sobre o Pentágono. Quer dizer, tudo é interdependente. Às vezes, o elo aparentemente mais insignificante é responsável pela irrupção do novo. Um desconhecido aponta na rua, com o dedo para o alto, e grita: ''Olha, lá, olha lá''. Pode ser qualquer coisa, quem sabe um objeto não identificado. E, num momento, grupos e multidões começam a olhar na mesma direção. Deu-se o efeito borboleta. O pequeno produziu o grande.

Nessa concatenação, quem poderá negar que a paz não poderá ser deslanchada a partir dessa ignota aldeia do Amazonas? Sim, do pequeno poderá vir a força secreta da paz."



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Mais uma entrevista, esta publicada na Folha de S. Paulo. Jean Baudrillard é um filósofo e sociólogo francês que aqui expõe um ponto de vista um pouco esquecido: o de que o conflito no Iraque é uma conseqüência - e, por isso, menos considerável - dos atentados no 11 de setembro; estes sim importantes. Para ele, o terrorismo é o que está por trás de todos os conflitos contemporâneos e o que realmente confronta os interesses norte-americanos. Dessa forma, o conflito no Iraque foi apenas um "não-acontecimento". Apesar de eu discordar de algumas coisas, achei tudo muito interessante. É bom frisar que ele não está minimizando o problema no Iraque, nem desconsiderando suas vítimas, apenas acredita que a discussão não deve ser por aí (assim como a questão do 11 de setembro não deve estar focalizada em suas vítimas do WTC). A concepção de "Guerra Fria" dele também é algo para se pensar. Não deixem de ler, para entender melhor essas idéias.


Folha - Que relação o senhor vê entre os atentados de 11 de setembro e a guerra contra o Iraque?
Jean Baudrillard -
Há, evidentemente, uma lógica na estratégia, no acontecimento político e militar. Há um tipo de encadeamento, mas também uma antinomia. Para mim, isso é o mais importante. O único e verdadeiro acontecimento foi o 11 de setembro, e a guerra é o não-acontecimento, algo que foi feito para eliminar o primeiro. A relação entre os dois não é lógica, mas é uma contratransferência. A guerra é uma reação, um meio de vencer um desafio. É uma guerra à imagem do conflito do Golfo, são quase guerras clonadas. Elas não têm sentido, são injustificáveis, mas isso já é outra coisa. A questão não é "a favor ou contra", mas saber o que significa essa guerra.

Folha - E qual é o significado?
Baudrillard -
Ela existe por outra coisa, não tem sentido nela mesma e nem mesmo tem um objetivo direto. Saddam Hussein não era mais do que a sombra de um fantasma, ao contrário de Bin Laden, que tem uma outra dimensão. Há, inclusive, essa história sobre a estátua de Saddam derrubada na praça no centro de Bagdá: foi dito que era a estátua de um sósia de Saddam. Gosto muito dessa história, pois é a imagem de todo o resto, tudo é sósia, tudo é artefato. Foi um acontecimento truncado. O 11 de setembro foi algo simbólico no sentido mais forte. Já a guerra é algo no qual tudo foi encenado, programado e mesmo vencido de antemão. Foi um acontecimento sem surpresa. Mesmo assim, houve um pequeno momento no qual se pensou que o Iraque iria resistir, e o não-acontecimento estava quase se tornando um acontecimento.

Folha - Num recente debate com o filósofo Jacques Derrida, o sr. teve sua teoria questionada. Como dizer que uma guerra é virtual quando há milhares de mortos reais?
Baudrillard -
Derrida dizia que os mortos iraquianos, o petróleo, tudo isso não é virtual, é real. Acho um erro. Se começamos a debater baseados no argumento das vítimas etc, não há discussão, não há mais nada a dizer. Mas o que eu quero é compreender - é ainda um direito do homem, não? Não quero ser enganado. E nesse caso há um mistificação.
Também sou contra essa superpotência mundial, mas não nessa forma antiglobalização. Sou radicalmente contra, mas quero saber de que ponto de vista podemos realmente combatê-la. Se deploramos as vítimas do World Trade Center, do Iraque e nos detemos nessa moralização, acabou. O problema, infelizmente, se tornou muito mais simples, mais violento e mais radical. E minha teoria é a de que a análise seja também mais violenta e mais radical. E nesse momento, evidentemente, ela se torna tão inaceitável quanto o acontecimento. Mas, num sentido, ela faz parte do acontecimento, como as imagens. Ela participa um pouco do mal.
Hoje, os movimentos antiglobalização, no fundo, querem ser mais moralistas do que o sistema, mais humanos. Tudo muito respeitável, mas creio que estrategicamente, politicamente não serve. Hoje, não há nada mais a fazer senão colocar o problema a partir do terrorismo. É o único contraponto. E o terrorismo não é forçosamente violento. Certamente, há formas violentas. Mas há um terrorismo "soft", mesmo no nível dos indivíduos e dos grupos. Ainda precisa ser feita uma genealogia da violência. Há a violência nos subúrbios, os carros incendiados e tudo mais. Pode-se dizer que, se eles tivessem o que comer, tudo seria tranqüilo. Não é verdade. Há os que têm o que comer, o conforto absoluto, mas, numa determinada hora, há um tipo de recusa, de negação de uma situação que se tornou insuportável. Se vamos longe demais no conforto, na superabundância, num dado momento ocorre algo de perverso.

Folha - Como o senhor acompanhou a guerra?
Baudrillard -
Somos tomados pelas imagens e forçados a saber o que acontece. É algo espetacular, mas bastante abjeto, obsceno, aterrorizante pelo lado da superpotência americana e pelo outro lado, no qual não há inimigo, não há confrontos. A guerra foi um objeto perdido, não se sabe o que fazer dela. No imaginário, estamos sempre ao lado das vítimas, mas, objetivamente, estamos do lado da superpotência que ataca, e é uma situação insolúvel.
Para os americanos, não há inimigo, mas sim um terrorismo fantasma a ser eliminado, dentro da estratégia da prevenção. É o caso do filme "Minority Report", que trata da prevenção do crime antes que ele ocorra e, portanto, não se saberá nunca se ele existirá. A guerra é algo programado à repetição, ela não começa verdadeiramente, mas também não terminará. É interminável. Já o acontecimento é totalmente imprevisível e, quando ocorre, termina, e ele é, de uma certa maneira, indestrutível. Nesse confronto, há um antagonismo no qual o terrorismo é, ao mesmo tempo, agente e metáfora. E não é somente o terrorismo islâmico, mas tudo o que resiste, toda singularidade, toda recusa a essa espécie de império unilateral. A verdadeira guerra é essa, e não o confronto que se viu no Iraque.
Essa é a quarta guerra mundial. Nunca houve um verdadeiro front de guerra islâmico. Bin Laden e todo o resto não são um front. Não há uma verdadeira solução para essa guerra. Os americanos não têm verdadeiros inimigos, pois não há um face a face, não há combates. Ao mesmo tempo, eles são perdedores, pois o inimigo desapareceu, e isso é o pior que poderia ter acontecido.

Folha - O sr. coloca a verdadeira vitória do terrorismo na imposição ao Ocidente de uma obsessão pela segurança e fala de uma nova Guerra Fria.
Baudrillard -
O terrorismo de seguridade é uma Guerra Fria estendida a todos os países, a todas as populações. Veja o que ocorreu no teatro de Moscou, quando o poder se voltou contra sua própria população para exterminar os terroristas e os reféns ao mesmo tempo. Essa é a verdade da situação em que vivemos. O terrorismo que está aí é, ao mesmo tempo, o produto e o contraproduto da situação atual. Ele não é o anarquismo do passado, nem também o terrorismo palestino. Não é o terrorismo suicida perdedor. Ele coloca a contestação, também pela morte, mas não tem os meios, pela globalização, de combater a superpotência segundo sua própria lógica.

Folha - O choque de civilizações é uma teoria que já teria nascido ultrapassada?
Baudrillard -
Não são as civilizações que estão em questão, nem as culturas ou as religiões. Há um choque, mas é um "choque e pavor", como dizia o outro. Nesse choque, há um só conjunto, que é a globalização. Não se trata de um choque entre duas coisas. Mas é a superpotência em si que se desfaz e se desintegra. O terrorismo é o agente, o operador dessa desintegração interna da superpotência. Isso é o importante, e sem isso não compreendemos nada.
Hoje não há mais duas superpotências adversas. Já há muito tempo os americanos estudam estratégias da guerra assimétrica, na qual os dois inimigos não estão no mesmo plano. A chave da situação é que toda superpotência globalizada não pode mais lutar, na falta de inimigos, de adversidades, de alteridade. Dizer que o terrorismo tem uma causa, seja da violência histórica, do islamismo, é menos grave do que dizer que, no fundo, o terrorismo é a autodestruição da superpotência mundial.

Folha - O sr. diz que o terror está no ar e que o terrorismo não faz mais do que cristalizar partículas em suspensão.
Baudrillard -
A situação do império deflagra, não só no Islã, uma reação. Daí essa espécie de júbilo, de fascinação em relação ao 11 de setembro. Podemos nos sentir espantados, transtornados, mas isso não impede essa coexistência no nosso imaginário do transtorno e do júbilo, mesmo naqueles que depois fizeram todo tipo de considerações morais. Não é racional, mas é algo profundo da ambivalência das coisas.
As imagens do 11 de setembro são midiáticas. Elas fazem parte do acontecimento. É um momento, como o ato em si, instantâneo e terá quase uma repercussão viral. E agora vemos o vírus asiático, as catástrofes, os acidentes, tudo isso, objetivamente, é terrorismo. Mesmo uma catástrofe natural é terrorismo. A natureza é destruída, domesticada, explorada e, de vez em quando, se vinga. Racionalmente, isso não tem sentido. Mas, simbolicamente, sim.
O terrorismo apanha tudo, é epicentral. E, depois, tudo o que se produz e que desestabiliza um poder qualquer se torna terrorismo. O próprio poder faz essa dedução, pois tudo que o ataca é designado como terrorismo. Em vez de se dizer que é uma contestação política ou algo parecido, é mais simples definir como terrorismo.
Fala-se em eixo do mal, quando as coisas são bem mais complicadas. Não há um eixo, mas um paraeixo, o eixo que passa mesmo no centro da superpotência. Não é mais um eixo, mas uma nebulosa terrorista, uma nebulosa do mal. É preciso exterminar tudo se se quer resolver o problema.

Folha - Os valores universais, segundo o sr., tiveram sua chance histórica, mas a perderam.
Baudrillard -
Os valores universais, na esfera da modernidade, foram dizimados, aniquilados. Não há mais valores de transcendência, estamos num funcionamento total, operacional, estratégico. Valores como a democracia ou direitos humanos são instrumentalizados a serviço da própria superpotência, que age em contraponto ou mesmo em contradição com seus próprios valores.
O problema é que todas as soluções apresentadas ao terrorismo e à violência recorrem a esses valores universais. Prega-se a volta à política no sentido tradicional, aos valores morais. Não tenho ilusões em relação a isso. Nessa guerra, por exemplo, vimos Jacques Chirac e a ONU proferirem seus discursos morais, que foram logo varridos de cena.

Folha - Vivemos hoje uma confusão de valores?
Baudrillard -
O que está em questão é a modernidade. A modernidade como progresso contínuo, como história. Com o pós-moderno, já temos um questionamento da modernidade, já é uma passagem além do "tudo é aceitável", do "não há mais valores absolutos", os grandes ideais acabaram. Já é uma decomposição da modernidade. Hoje, o global talvez seja também uma ruptura. Não é o contrário, mas uma outra coisa. É algo instável e que joga com a instabilidade. Não há mais meios de encontrar uma ética qualquer. Tenta-se encontrá-la no nível genético e outros, mas não se consegue. Não se consegue saber onde está o limite do humano.
Não conseguimos mais definir nem mesmo os direitos humanos. Há direitos para todo mundo hoje. Há o direito da vítima e do carrasco, o direito do bebê de não nascer. Chegamos a uma espécie de confusão, não há mais demarcações. Não sabemos onde estamos na questão do verdadeiro e do falso, do bem e do mal. Hoje há, novamente, uma tentativa desesperada de fazer com que existam o bem e o mal. Uma tentativa também dos que estão no poder nos EUA, os falcões americanos. É uma tentativa de recriar valor, reencontrar o real depois de toda essa realidade virtual, "Matrix" e tudo mais. Refazer o real e dizer "isso é real".

Folha - Ouvindo o sr. falar, é difícil vislumbrar uma saída para esse impasse deste início de século.
Baudrillard -
No momento, efetivamente, estamos numa situação insolúvel. É uma boa coisa que essa grande superpotência mundial seja radicalmente questionada por algo que a atinja realmente, que a deslegitimize, que seja provado que ela não é invencível. É a única chance de se poder tentar pensar em outra coisa. Em relação aos atentados do 11 de setembro, aos terroristas, certamente suas razões e motivações são más e não são aceitáveis, mas não se deve levar isso em conta, e sim o acontecimento em si mesmo.
Quando meu amigo Paul Virilio [pensador francês] fala de uma guerra civil planetária, ele não está errado. Há uma desintegração interna. O poder elimina seu próprio objeto. O objeto sobre o qual ele vai exercer um poder, ele também o extermina."
(Fernando Eichenberg)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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A entrevista seguinte foi publicada na Época. Jacques Attali não fala muitas novidades, mas algumas análises são interessantes. Ele também comentou bastante sobre o governo Lula, não deixem de ler no site da revista!

"ÉPOCA - O que o senhor acha da posição antiguerra assumida pelo governo Jacques Chirac?
Jacques Attali -
Sou contra a guerra, mas acredito que muitos países, entre eles a França, cometeram um erro ao ir tão longe. Bastava dizer que eram contra. A França resolveu fazer uma campanha diária contra a guerra. Isso foi inútil.

ÉPOCA - O secretário de Estado americano, Colin Powell, disse que a França se arrependeria por ter se oposto à guerra. O senhor acredita em retaliação?
Attali -
Haverá dificuldades, um esfriamento nas relações entre os dois países, algumas disputas. Mas nada trágico. A França e os Estados Unidos são aliados muito importantes. A França apenas cometeu um erro, sendo excessiva.

ÉPOCA - Mitterrand teria cometido o mesmo erro?
Attali -
Não posso falar pelos mortos. Digo o que penso. Em minha opinião, a França deveria assumir uma posição contra a guerra, mas de forma mais discreta.

ÉPOCA - Como fica o mundo depois da guerra?
Attali -
A primeira conseqüência será a volta da atenção da opinião pública para o conflito entre Israel e a Palestina. A situação do Iraque vai demorar muito para ser resolvida e terá uma evolução do tipo libanês, com movimentos religiosos, disputa de terras e um caos político muito grande. Mas, se os americanos e os europeus se mostrarem capazes de colocar em andamento o projeto de criação de um Estado na Palestina, poderemos ter um período muito positivo, com uma estabilização durável na região e a eliminação dos movimentos terroristas.

ÉPOCA - Mesmo com instabilidade no Iraque?
Attali -
A situação vai continuar caótica porque há um vazio político. Mas será um caos relativamente localizado se a situação entre Israel e a Palestina se resolver. Do contrário, o Oriente Médio vai tornar-se uma espécie de caos gigantesco.

ÉPOCA - A paz na região vai depender de quem?
Attali -
Infelizmente, a Europa não tem muito a dizer sobre essa questão. Há um acordo entre os americanos, os europeus, os russos e as Nações Unidas para agir juntos. Mas é claro que os EUA têm um papel mais relevante.

ÉPOCA - Qual será a conseqüência para o futuro da Europa da divisão entre os países europeus sobre a guerra no Iraque?
Attali -
A Europa ficou muito dividida. O problema será reencontrar uma dinâmica de unidade. Os europeus já viveram crises como essa antes e os ingleses sabem que, sem a Europa, nada podem fazer. Portanto, eu penso que os europeus vão procurar pontos de acordo. Não sou pessimista sobre o futuro da Europa.

ÉPOCA - A França e a Alemanha vão continuar a ser o principal eixo da integração européia?
Attali -
A chave da integração vai ser agora a aliança entre a França e a Inglaterra. A Inglaterra mudou e não é mais hostil à Europa como antes. Ao mesmo tempo, tem uma posição estratégica importante. Não haverá um sistema de defesa europeu, como se pretende, sem a Inglaterra. É uma potência militar - como mostrou no Iraque."

(Guilherme Evelin e Tito Montenegro)


Jacques Attali, economista francês


Não acho, pessoalmente, que França e Rússia exageraram em sua campanha contra a guerra. Está claro que fizeram isso muito mais por verem que a opinião pública estava a seu lado, do que propriamente por condenarem a guerra. E aí começaram a atacar a atitude autoritária dos EUA, diplomaticamente. Discordo de Attali ao dizer que exageraram. Parto do princípio de que os EUA foram os primeiros a exagerar, assumindo uma postura autoritária, confrontando a ONU, inventando desculpas absurdas e injustificáveis para a invasão (armas de destruição em massa que até hoje não foram encontradas) - que teve motivos de interesse deles, óbvios para todos nós.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Domingo, Abril 27, 2003


Outra do caderno mais na folha de hoje::::::

(só um grande trecho,... leiam o resto!)

EXCESSO E CARÊNCIA DE DEMOCRACIA
por Slavoj Zizek



"Democracia" não é simplesmente o "poder do, pelo e para o povo"; não basta afirmar que na democracia a vontade e os interesses (os dois de modo nenhum coincidem automaticamente) da grande maioria determinam as decisões de Estado. Democracia -da maneira como o termo é usado hoje- envolve sobretudo o legalismo formal: sua definição mínima é o cumprimento incondicional de certo conjunto de regras formais que garantem que os antagonismos sejam totalmente absorvidos no jogo agonístico. "Democracia" significa que, seja qual for a manipulação eleitoral que ocorra, cada agente político respeitará incondicionalmente os resultados. Nesse sentido, as eleições presidenciais nos Estados Unidos em 2000 foram efetivamente "democráticas": apesar das óbvias manipulações eleitorais e da patente insignificância do fato de que algumas centenas de votos da Flórida decidiram quem seria o presidente, o candidato democrata aceitou sua derrota.

Comentário amargo

Nas semanas de incerteza após as eleições, Bill Clinton fez um comentário apropriadamente amargo: "O povo americano falou; apenas não sabemos o que ele disse". Esse comentário deveria ser levado mais a sério do que ele mesmo pretendia: ainda hoje não sabemos -e, talvez, porque não houvesse nenhuma "mensagem" substancial por trás do resultado. É nesse sentido que deveríamos interpretar a democracia problemática: por que deveria a esquerda sempre e incondicionalmente respeitar as "regras do jogo" da democracia formal? Por que não deveria, pelo menos em certas circunstâncias, questionar a legitimidade do resultado de um processo democrático?

De modo interessante, há pelo menos um caso em que os próprios democratas formais (ou pelo menos uma parte substancial deles) tolerariam a suspensão da democracia: e se as eleições formalmente livres forem vencidas por um partido antidemocrático cuja plataforma prometa a abolição da democracia formal? (Isso de fato aconteceu na Argélia alguns anos atrás, entre outros lugares, e há uma situação semelhante no Paquistão hoje.) Nesse caso, muitos democratas admitiriam que a população ainda não está "madura" o suficiente para ter acesso à democracia e que é preferível algum tipo de despotismo esclarecido, cujo objetivo será educar a maioria para ser adequadamente democrata. Essa suspensão estratégica da democracia está atingindo novos cumes hoje. Os EUA exerceram uma tremenda pressão sobre a Turquia, onde, segundo pesquisas de opinião, 94% da população era contra a presença de tropas americanas para a guerra contra o Iraque -onde está a democracia? Todo velho esquerdista lembra a resposta de Marx no "Manifesto Comunista" aos críticos que censuravam os comunistas por pretenderem minar a família, a propriedade etc.: é a própria ordem capitalista com sua dinâmica econômica que está destruindo a ordem familiar tradicional (incidentalmente, um fato mais verdadeiro hoje que na época de Marx), assim como expropriando a grande maioria da população. Na mesma linha, não são exatamente aqueles que hoje posam como defensores globais da democracia que a estão efetivamente minando? Em uma perversa distorção retórica, quando líderes favoráveis à guerra são confrontados com o fato brutal de que sua política está fora de sintonia com a maioria da população, eles recorrem à sabedoria comum de que "um verdadeiro líder lidera, não segue" -isso vindo de líderes normalmente obcecados por pesquisas de opinião... Quando os políticos começam a justificar diretamente suas decisões em termos éticos, podemos ter certeza de que a ética é mobilizada para encobrir alguma perspectiva sombria e ameaçadora. É a própria inflação de retórica ética abstrata nas recentes declarações públicas de George W. Bush (do tipo "O mundo tem coragem para agir contra o mal ou não?") que manifesta a total pobreza ética da posição americana -a função da referência ética aqui é simplesmente mistificadora, serve apenas para mascarar os verdadeiros interesses políticos (que não são difíceis de discernir).


::::::A bomba
quer é manter acordados nervosos e sãos, atletas e paralíticos



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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::::::Para rir e temer:::::::::

AMÉRICA
Marco Villa

O sonho de Simon Bolívar da união da América acabou se realizando em 2010, quase cem anos após a sua formulação. Com a aprovação da Carta do Panamá, quando estiveram reunidos todos os chefes de Estado da América, foi criada a Comunidade de Estados Americanos (CEA) e estabelecidas regras de transição para a unificação econômica do continente. Na primeira década da CEA foram estipuladas as normas que regulamentam a unificação e buscam soluções harmônicas, isso em um continente tão plural como o americano. Mas foi nos anos 2020 que o processo de unificação se completou, não sem traumas e rupturas. Em 2023, três grandes acontecimentos marcaram o ano na América. O primeiro foi a eclosão de uma revolução no México. O país vinha passando por sérios problemas econômicos havia décadas. A adesão ao Nafta [Acordo de Livre Comércio da América do Norte] tinha diminuído a autonomia mexicana a tal ponto que 90% do seu comércio exterior era realizado com os Estados Unidos e o Canadá. As sucessivas crises do capitalismo estadunidense, que se manifestaram desde a vitória contra o Iraque, em 2003, enfraqueceram ainda mais a economia mexicana. Greves, invasões de terra e a tentativa de golpe militar, liderada pelo general Rafael Campos, agravaram ainda mais o quadro político. A emigração em grande escala para os Estados Unidos e o Canadá serviu para diminuir as tensões sociais. Mesmo assim, a revolta camponesa não parou de crescer até a eclosão da revolução, em 2023. O segundo acontecimento foi o agravamento da crise econômica estadunidense. Os gastos militares, que cresceram em grande escala desde a Guerra do Iraque, obrigaram o governo a cortar os gastos sociais, absorvidos em sua maioria pelos negros, hispânicos e árabes, estes chegados ao país após a transformação da Mesopotâmia -denominação dada ao Iraque em 2005- em protetorado dos EUA. Como consequência, ocorreram distúrbios em várias cidades, contidos graças à ação repressora da Guarda Nacional. O mais grave incidente foi em Chicago, em 2022, quando a zona norte da cidade ficou sob controle dos insurretos durante quatro dias, obrigando o governo a declarar o "estado de guerra interno", suspendendo as garantias constitucionais e impondo a censura, com a autorização da Suprema Corte. O terceiro grande acontecimento de 2023 ocorreu no Brasil. Depois de duas décadas de reformas econômicas e de um crescimento do PIB de 10% em média nos anos de 2010, o país se transformou na segunda economia do continente americano. A prosperidade econômica facilitou o processo de integração política com a Argentina, que foi aprovado no plebiscito de 2019, realizado nos dois países. Desde então, a CAB (Comunidade Argentino-Brasileira) passou a representar os interesses de 220 milhões de habitantes. Em 2023, estava na presidência rotativa da CAB -o mandato é de dois anos- [o político e ex-automobilista argentino" Carlos Reutmann. Canadá "europeu" O Canadá formalizou sua saída da Comunidade de Estados Americanos em 2022. O premiê Edward Thompson comunicou ao presidente do conselho da comunidade, John Mills, que, para os canadenses, sempre interessou fazer parte de uma zona de livre comércio, isto desde os tempos do Nafta, mas a livre circulação dos cidadãos criou inúmeros problemas ao país: aumento indiscriminado da população, crescimento dos índices de criminalidade e degradação do nível de vida. O ápice do processo foi a solicitação de um plebiscito na Província de Vancouver, de maioria hispânica, propondo que o castelhano fosse a língua oficial local. Os protestos ocorridos em todo o país, especialmente na costa leste, pressionaram o Parlamento, que aprovou a proposta do primeiro-ministro. Em seguida, o Canadá solicitou oficialmente a admissão na Comunidade Européia.
Se no Cone Sul a democracia se consolidou, o mesmo não ocorreu na Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela. No último, a luta guerrilheira liderada pelo ex-presidente Hugo Chavez transformou algumas regiões em "territórios liberados". Chavez criou a República Bolivariana de Maracaibo, que não obteve o reconhecimento diplomático de nenhum país. Na Colômbia, as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) comemoraram 65 anos de fundação, ocupando durante três dias a cidade de Cali, para depois voltarem à selva. No Equador, um golpe militar derrubou o presidente Lucas Galván, que tinha iniciado um projeto de reforma agrária: os golpistas prometeram convocar eleições em um futuro próximo.
Peru e Bolívia, que tinham iniciado um processo de fusão em 2017, quando eram governados por presidentes de origem indígena, Juan Gutierrez e Pablo Aymar, respectivamente, acabaram se separando por divergências políticas e econômicas, dois anos depois. Nos dois países, com um intervalo de um ano, golpes militares levaram ao poder novamente os generais.
Os países da América Central continental, por proposta do presidente da Costa Rica, Jose Hernandez Villegas, resolveram criar uma federação: os Estados Unidos da América Central (EUAC). Foi eleito pelo Congresso dos Deputados dos EUAC como presidente interino Daniel Ortega, ex-guerilheiro e socialista que passou pela Presidência da Nicarágua para, depois, se consolidar como próspero empresário e defensor da livre iniciativa.
Nas Antilhas o maior problema continuou sendo Cuba. Após a morte de Fidel Castro em 2007 e o fracasso do sucessor, Raul Castro, derrubado por um golpe militar em 2008, foram convocadas eleições meio século após a vitória dos guerrilheiros do movimento 26 de Julho. O vencedor foi Danny Gutierrez, cubano nascido em Miami. Acusado de vinculações com o narcotráfico, sofreu um processo de impeachment em 2011, aprovado pelo Congresso. Uma nova eleição acabou tendo como vencedor o irmão de Danny, Teddy Gutierrez, o que motivou novo golpe militar, liderado pelo general Lucio Cabañas com o discreto apoio estadunidense. No Haiti, Pierre Duvalier, neto do ditador François Duvalier, o "Papadoc", venceu as eleições de 2018. Usou como arma eleitoral a epidemia de Aids, ocorrida nos anos 2016-2017, que levou à morte 1/3 da população da ilha. Segundo Duvalier, a epidemia era uma represália divina contra a expulsão da sua família, durante 30 anos, do Haiti. Um ano após as eleições, fechou o Congresso e impôs nova ditadura ao país. Em 2023 foi coroado rei.
Em dezembro de 2023, no Panamá, durante a reunião anual dos Chefes de Estado da CEA, foi aprovado como hino da comunidade a composição dos brasileiros Gilberto Gil e Capinam "Soy Loco por Ti América".



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Marco Antonio Villa é professor de história no departamento de ciências sociais da Universidade Federal de São Carlos (SP) e organizador de "Canudos, História em Versos" (Imprensa Oficial de SP/Edufscar/ed. Hedra).



Folha caderno mais hoje

::::::A bomba
não admite que ninguém acorde sem motivo grave

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Sábado, Abril 26, 2003



Nossos leitores mais freqüentes já devem ter percebido que o número de textos postados aqui vem diminuindo bastante. É que a TT e eu estamos ficando sem muito tempo livre para trabalhar no blog. Além disso, as notícias sobre o conflito no Iraque estão cada vez mais escassas em todos os jornais que lemos - não realmente porque o conflito acabou ou o assunto não seja mais tão importante como era há três semanas, mas porque ele já perdeu o interesse para a grande mídia. Os jornais agora só publicam notícias repetitivas e nada que venha a interessar a um blog com as pretensões do nosso. Por tudo isso, nossos últimos textos vêm sendo, em sua maioria, artigos (quando estes também não estão apenas repetindo artigos anteriores...).

Mas o números de visitas diárias aqui no Foice e Martelo Branco também vem diminuindo. Isso pode ser tanto uma conseqüência do fato de não estarmos atualizando muito, como uma queda no interesse das pessoas pelo assunto. Por tudo isso, estamos pensando em abordar outros temas, nacionais ou internacionais, que estejam dentro da lógica do "tamos com raiva" - ou seja, que também venham causando nossa indignação. Talvez nossa próxima enquete seja sobre isso, para que possamos saber o que vocês acham dessa idéia.


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Alguém aí é capaz de dizer quantas mentiras foram ditas neste conflito do Iraque? E qual foi a verdade? Este excelente artigo de Emir Sader, que não sei onde foi publicado (chegou por email), esclarece essas questões.

"Festival de mentiras

Mentiu-se mais nesta guerra do que se poderia imaginar. Mentiu Collin Powell quando disse que os EUA teriam maioria no Conselho de Segurança, 48 horas antes que seu governo decidisse desistir de conseguir aprovar uma nova resolução no Conselho. Mentiu o governo Bush quando afirmou que tinha provas concretas de que o Iraque dispunha de armas químicas, que suas próprias tropas não encontraram. Mentiu Saddam Hussein quando prometeu uma guerra sem trégua contra a ocupação norte-americana. Mentiu quando disse que suas tropas batalhariam à morte em Bagdá contra o inimigo. Mentiu quando disse que preferia morrer lutando.

Mentiu Rumsfeld quando disse que o povo iraquiano estava prestes a se rebelar e que se trataria de uma guerra de libertação do povo iraquiano. Mentiram os norte-americanos quando disseram que seriam recebidos vitoriosamente pelo povo iraquiano. Mentiram quando disseram que os xiitas os apoiariam, quando estes se comportaram como iraquianos diante de um invasor.

Mentiu a mídia norte-americana, que se comportou como imprensa oficial de um governo em guerra, sacrificando abertamente a informação e a verdade em favor do seu compromisso com o governo Bush e sua guerra. Mentiram os cronistas brasileiros que se comportaram como que sob um clima de guerra fria, nada contemporâneos do presente do mundo, em que nada pode ser compreendido fora da hegemonia imperial unilateral dos EUA.

Mas houve também verdades nessa guerra. Antes de tudo a verdade do imperialismo. Seja os que - como o ex-presidente FHC - se apressaram a dizer que o imperialismo já não existia mais, seja os que desconhecem a dinâmica imperial dos EUA -, muitos se embaralharam nas contraditórias declarações do governo Bush ou nos debates sobre se a guerra era movida a petróleo, a dólar, a eleições internas ou a qualquer outro fenômeno setorial, sem se dar conta da dinâmica imperial que move os EUA.

O governo Bush se assume como "império do bem". Os que ainda vivem no clima de guerra fria podem discutir se do bem ou do mal. O certo que o argumento norte-americano é de que há zonas do mundo - cada vez mais amplas, pela evolução do seu discurso - que não conseguem governar a si mesmas e requerem tutela, a que o imperialismo vem atender.

Houve também a verdade da opinião pública mundial, que independentemente de governos, manifestou força em sua rejeição à guerra. Mostrou que é possível deslegitimar uma ação militar como a norte-americana com a massividade e a combatividade das demonstrações populares por todo o mundo.

A maior verdade desta guerra é que a hegemonia imperial é a referência fundamental do mundo atual, sem a qual tudo ou quase tudo se torna impossível de compreender."
(23/4/2003)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Sexta-feira, Abril 25, 2003


Parece que caiu a ficha do Bush, ou ele resolveu deixar de ser cínico:

"'Levará tempo para achá-las', disse Bush sobre as supostas armas químicas e biológicas do Iraque. 'Mas sabemos que elas existem e precisamos saber se Saddam as removeu ou as destruiu. Uma coisa é certa: Saddam não ameaça mais os EUA com armas de destruição em massa.'"

(Folha de S. Paulo, "Bush admite que armas proibidas do Iraque podem ter sido destruídas")

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Cinismos. ""notícias"" do pós guerra


Bush se diz fã do ministro da Informação do Iraque

Agora que a campanha para derrubar Saddam Hussein parece ter acabado, até o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, reconheceu ser fã do estilo do ex-ministro da Informação do Iraque Mohammed Saeed al-Sahaf. "Ele é o cara, ele era formidável", disse Bush em uma entrevista com o jornalista da NBC Tom Brokaw nesta quinta-feira. "Alguém nos acusou de tê-lo contratado e o colocado lá. Ele era um clássico".
Bush disse ter feito questão de ver pela televisão, Sahaf e as imagens simbólicas como a derrubada de uma enorme estátua de bronze de Saddam Hussein. "Assisti a alguns trechos", disse. "Recebia muita informação de segunda mão, mas no caso da estátua ou de Sahaf, alguém me dizia que ele estava se preparando para falar e eu deixava uma reunião e assistia à TV", afirmou o presidente dos EUA.

Sahaf conquistou uma legião de fãs em todo o mundo. Um site com o endereço welovetheiraqiinformationminister.com (nós amamos o ministro da Informação do Iraque) foi obrigado a sair do ar devido ao número excessivo de visitas no início do mês. A página na Web chegou a receber 4 mil visitantes por segundo.

Com uma tradicional boina preta, Sahaf virou uma figura cult na televisão com seus informes diários sobre a guerra, aparecendo atrás de um mar de microfones, e qualificando os norte-americanos de "infiéis" e "cobras" enquanto negava descaradamente o avanço militar dos EUA no Iraque.



terra


:::::: A bomba
tem supermercado circo biblioteca esquadrilha de mísseis, etc.



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Quinta-feira, Abril 24, 2003



Matéria da Folha de S.Paulo de hoje:

"EUA amenizam discurso sobre armas iraquianas

Depois de vasculharem, sem sucesso, 80% dos principais locais suspeitos de ocultarem armas de destruição em massa no Iraque, os EUA baixaram a expectativa de encontrá-las. A Casa Branca informou ontem que o sucesso da ação depende não mais da apreensão das armas, mas de informações de sua existência por iraquianos ligados ao programa.
O premiê britânico, Tony Blair, maior aliado dos EUA na ação contra o Iraque, defendeu ontem uma "busca independente" a ser "discutida com a ONU e os principais países aliados".
Em mais de um mês de campanha militar, nenhuma prova ou depósito de armas foi achado -poucas substâncias foram analisadas inconclusivamente.
"É claro que eles não iam tropeçar em armas", disse o chefe de inspeção de armas da ONU, Hans Blix. As supostas armas de destruição em massa foram a principal justificativa usada pelos EUA para invadirem o Iraque."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Resposta:::::::::::::::::::::::::




:::::: A bomba
tem a seu serviço música estereofônica e mil valetes de ouro,
cobalto e ferro além da comparsaria

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Quarta-feira, Abril 23, 2003



Bush praticando diplomacia: "Meu pai man-dou in-va-dir esse daaaa... qui!". BUM!

(Segundo Zé Simão, ou charge do Zé Dassilva)



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Este editorial da Folha de hoje ficou bom. Vou colocá-lo, em vez de postar apenas a notícia sobre a declaração de Blix.

"FARSAS DE GUERRA
São bastante graves as acusações feitas pelo chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix, de que os EUA e o Reino Unido utilizaram documentos falsos para tentar defender a ação contra o Iraque.
Já era chocante o fato de as tropas invasoras não terem ainda localizado nenhuma das tão temidas armas de destruição em massa, que oficialmente motivaram a intervenção militar. Agora Blix revela que parte "importante" dos documentos em que Washington e Londres se basearam para tentar convencer a comunidade internacional de que o conflito era justo não passava de falsificação.
A prudência exige que se pare um pouco antes de acusar os governos norte-americano e/ou britânico de terem forjado eles próprios os documentos. Como bem observou Blix, o fato de Washington e Londres terem utilizado papéis falsos não significa necessariamente que fraude tenha sido perpetrada pela Casa Branca ou por Downing Street.
O benefício da dúvida, contudo, não explica como os serviços secretos americano e britânico deixaram de perceber -e apontar- que os documentos empregados não eram autênticos. O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, utilizou pessoalmente esses papéis em comunicação que fez ao Conselho de Segurança da ONU. E Blix muito oportunamente lembrou que bastou à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) obter uma cópia de um suposto contrato de compra de 500 kg de urânio entre o Iraque e Níger citado por Powell para concluir que o acordo não passava de uma fraude.
A guerra seria condenável mesmo se George W. Bush tivesse atacado o Iraque por acreditar sinceramente que Saddam Hussein possuísse armas de destruição em massa. Há, porém, agora a plausível hipótese de que os próprios governos americano e/ou britânico tenham forjado ou utilizado fraudulentamente "provas" para deflagrar o conflito. Se essa suspeita se confirmar, Bush e seus asseclas terão destruído aquele mínimo de decência que se esperava dos líderes dos EUA e do Reino Unido."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quais são os interesses da França na questão do Iraque? Leiam esta matéria da Folha; é importante pensar a respeito, tendo em vista a afirmação do embaixador francês sobre o fim das sanções no Iraque.

"CHIRAC NÃO QUER PERDER DINHEIRO E FICAR ISOLADO
João Batista Natali

A dívida do Iraque com a França é de US$ 8 bilhões. Empresas francesas negociavam com o regime deposto contratos de US$ 7,4 bilhões em petróleo. Nenhum país seria insensato ao ponto de atirar tanto dinheiro pela janela.
Ao recuar de sua antiga intransigência e passar a apoiar a suspensão do embargo econômico contra o Iraque -o que foi defendido por George W. Bush na semana passada-, a França pode ser vista como um parceiro diplomático "realista", que leva em conta um quadro de fatos consumados.
A começar do desfecho da guerra contra o Iraque e a presença militar norte-americana naquele país. Seria inútil bater em teclas (como a transição política administrada pela ONU) que contrariem os interesses imediatos dos Estados Unidos.
Mas há outras formas de entender as declarações de Jean-Marc de la Sablière, embaixador francês na ONU, que ontem não mais condicionou o fim do embargo a um hipotético atestado dos inspetores daquele organismo de que o Iraque não mais teria armas de destruição em massa.
A França apostou que a guerra seria longa e difícil. Ela foi rápida, e a vitória da coalizão anglo-americana, relativamente fácil. Com isso o presidente Jacques Chirac, que condicionava o início das operações militares a um aval do Conselho de Segurança, ficou isolado.
Internamente, os partidos de sua base parlamentar vinham cobrando uma abertura na direção dos norte-americanos. Externamente, Chirac não manteria uma linguagem anti-EUA que Alemanha, Rússia e China já haviam abandonado.
As relações franco-americanas tendiam rapidamente a se deteriorar. O telefonema que Chirac deu a Bush, na semana passada, foi qualificado pelo porta-voz da Casa Branca de "frio como uma conversa entre dois homens de negócios".
Anteontem, segundo o jornal "Libération", Paul Wolfowitz, o segundo na hierarquia do Pentágono, apresentou em reunião um texto no qual propunha marginalizar a França do núcleo das decisões da aliança atlântica.
O Departamento de Estado se oporia a esse isolamento. Mesmo assim, Paris ouviu o sinal de alarme. E passou a multiplicar sinais de reconciliação.
Um deles: o A-M400M, avião europeu de transporte militar que só voará em 2009, mas que tem como núcleo de produção os franceses da Airbus, tenderá a se equipar com turbinas norte-americanas da Pratt & Whitney, em detrimento da indústria francesa (Scecma) ou britânica (Rolls-Royce). Foi anunciado ontem.
E ainda: no Quai d'Orsay, sede da diplomacia francesa, o porta-voz do ministro Dominique de Villepin fez ontem ginásticas retóricas para se dissociar da proposta russa de credenciar os inspetores da ONU como os únicos capazes de certificar que o Iraque está desarmado."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Coloco agora trecho do artigo de Marcio Varella, também publicado na Novae. Questiona o papel do Jornalismo e critica a Coca, dentre outras coisas.

" Jornalismo e a Coca velha de Guerra

(...) Em brilhante artigo na Folha de S.Paulo do dia 10 de abril, a jornalista Eliane Cantanhêde pôs a verdade nua e crua pra fora. E pergunta: cadê as armas químicas (fabricadas por ingleses e americanos e vendidas a Saddam) terríveis que poderiam destruir o mundo? Cadê o exército de terroristas poderosíssimo que ameaçava a humanidade? Cadê as imagens abertas que poderiam mostrar um diminuto grupo de saqueadores iraquianos saudando os americanos? Cadê os 5 milhões de habitantes de Bagdá?

Por ironia do destino, o jornal onde Eliane trabalha publicou, naquele mesmo dia, três fotos fechadas da "tomada" de Bagdá. Tudo não passou de grande palhaçada, de uma armação combinada com os subservientes países dependentes do FMI. Pareceu-me que as matérias mostradas nas emissoras de TV foram editadas em Washington.

Quando o jornalista é impedido de fazer uma matéria, seu meio de comunicação publica o fato, reclama, protesta. Neste caso, ninguém protestou quando o comando militar americano impediu os jornalistas de trabalharem direito. Mesmo assim, 11 jornalistas perderam a vida nesta invasão. E nós, cidadãos comuns, e os livros de história ficarão sem saber como os EUA promoveram o fim de uma civilização, de uma cultura milenar, como humilharam uma religião sem o menor constrangimento. Não sabemos quem é o pior: se aquele que destruiu as torres gêmeas ou se o aquele que ordenou a invasão ao Iraque. Dois podem ser um.

O que é que está havendo com o jornalismo brasileiro? Com qual cor devemos qualificá-lo agora? Já foi verde-oliva, depois collorido", mais tarde "marrom". E hoje, devemos adotar as cores da bandeira americana? Não me lembro de uma linha sequer sobre a guerrilha no Sudão, que já matou dois milhões de pessoas nos últimos cinco anos. Não me lembro de uma linha sequer, naqueles quadros que nos remetem à memória, sobre a atuação de EUA, França e Inglaterra na África, na Ásia e na América Latina, quando dezenas de culturas foram dizimadas em nome de uma suposta democracia, que escondia por trás a ambição pelo lucro fácil.

A história está sentindo falta das imagens das centenas de crianças iraquianas mortas sob as bombas e os tiros disparados à queima-roupa por soldados psicóticos, a história está sentindo falta das imagens dos hospitais e das escolas e mesquitas transformadas em hospitais para atender feridos e amputados. Como será o futuro deste país, agora um protetorado americano? Qual será o futuro cultural de uma criança sobrevivente, que viu seus pais serem mortos e o país bombardeado até hoje não se sabe por quê? Seu coração será transformado em pedra ou em ira? Como elas recuperarão seu equilíbrio emocional? Daqui por diante, a velha dicotomia, o bem e o mal, terá um só caminho, o da vingança?

Matar crianças é mais do que um crime contra a humanidade. É um crime contra a Criação, é o maior dos desrespeitos a uma obra divina, o Homem.

O colunista Paulo Santana, do jornal gaúcho Zero Hora, nos lembra que 40 litros de gasolina, no Iraque, custam hoje US$ 1. Ou seja: é o mesmo valor de um litro de água mineral, que custa aqui no Brasil R$ 0,50. Resultado: o preço da gasolina no Iraque custa a metade do que custa o litro de água no Brasil. Mas até quando? Estarão os jornalistas atentos para o preço da gasolina no Iraque a partir do momento em que um senhor de pijama assumir a chefia do mais novo protetorado americano?

Conversinha no céu
Outra coisa: já é assunto velho essa história de americano fabricar armas químicas de destruição em massa. Com base num relatório escrito pelo ortopedista paulista Renato de Medeiros Silva, especialista em Medicina Natural, acuso George W. Bush de derramar sobre a humanidade uma arma química de destruição maciça chamada coca-cola.

[aqui ele colocou aquele texto que compara água e Coca Cola, já postado no nosso blog]

(...) E ao Pequeno Bush, um recado de todas as crianças do mundo: obrigado por realçar, ainda mais, o papel de vítimas a que nós, povos humildes do planeta, sempre fomos submetidos. Nos encontraremos no céu, para uma conversinha com seu superior."



(do Latuff, também na Novae).

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Coloquei um trecho de artigo muito bom do jornalista Luiz Carlos Pires. Se quiserem ler na íntegra, recomendo visita ao site da Novae.

"(...) E foi simbolicamente em Athenas que os países europeus pularam para um tom mais suave contra os Estados Unidos e sugeriram a participação da ONU na reconstrução do Iraque. Apesar de Saddam agora ter entrado na lista dos mais procurados, a morte de civis em Bagdá e o saque aos tesouros da humanidade, a Operação Iraque foi considerada um sucesso pelos países da coalizão. Agora só resta fazer a cabeça de uns 5 bilhões de seres humanos.

A questão é repensarmos ou não esse modelo democrático ocidental que começa a ser imposto pela força ao resto do planeta. Platão pensara utopicamente a sua República, mas Aristóteles, seu discípulo, pode colocar em prática algumas idéias do mestre no governo de Hérmias, um mercenário grego que se apossou pela força de Atarneus, um rincão da Ásia Menor. No estado real de Aristóteles, Hérmias não precisaria ser o filósofo-rei sugerido por Platão. Bastava seguir as idéias de uma classe de cavalheiros cultos, como ele e empreender algumas ações, por vezes maquiavélicas, para controle do Estado. Uma postura religiosa comporia o quadro de um tirano moderado. Essa empreitada serviu de estágio para Aristóteles que depois assessorou um dos maiores megalomaníacos do planeta, Alexandre, o Grande.

No ideário da Doutrina Bush existem os ingredientes deste pensamento democrático, até mesmo a classe de cavalheiros, representada pelos falcões. Pela primeira vez o mundo assiste os movimentos iniciais da grande confrontação entre o Ocidente e o Oriente, entre o capitalismo liberalizante americano que pulveriza companhias e poupanças individuais de uma vida e a sua versão chinesa, de proporções gigantescas, com um começo de mão de obra escrava e sob controle ferrenho do Estado. De um lado estará o aperfeiçoado pragmatismo aristotélico e de outro o capitalismo-metafísico-religioso que também se julga evoluído e pragmático. Qual modelo governará o planeta?"

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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ONDE ESTÁ SADDAM?????? (resposta daqui a alguns posts!)



PS: achou fácil? pois é... além de saddam ainda existem 3 sósias...


::::::A bomba
é uma inflamação no ventre da primavera


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Terça-feira, Abril 22, 2003


Como hoje a TT postou um texto enooooorme (e muito bom!) de Miguel Urbano Rodrigues, não vou escrever mais nada. Mas com uma condição: de que vocês leiam o texto todinho!

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Esse é do Latuff, na Novae!!



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Deus é brasileiro, pede licença a Churchil e manda avisar que se Bush invadir o inferno vai ficar do lado do diabo.
(Conde de Saracuruna)


Hehehe, ótima essa... tirei do blog::::::: http://www.mirolopes.blogger.com.br/


:::::: A bomba
é um cisco no olho da vida, e não sai

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Hummmmmmmm! teorias de conspiração! adoro textos que exploram as possibilidades de acontecimentos futuros!!
:::::leiam este :::::::



A luta contra o neofascismo tende a assumir dimensão planetária
por Miguel Urbano Rodrigues


A longo prazo, o sistema de poder dos EUA será confrontado com a derrota do seu projecto de dominação mundial perpetua.

O fracasso da estratégia planetária neofascista que determinou a agressão contra o Iraque acentuará a crise económica e política ¿ muito real embora pouco visível ¿ que a grande republica atravessa.

A curto prazo, o grupo que controla o poder em Washington extrairá benefícios da capitulação dos governos da União Europeia. A linguagem e o conteúdo do documento aprovado na Cimeira de Atenas não surpreenderam. O telefonema de Chirac a Bush, dias antes, antecipou aquilo que iria passar-se.

O recuo do presidente francês e do chanceler alemão expressou a nova correlação de forças na UE e as pressões de poderosas transnacionais europeias. Na Europa dos 25, a entrada dos países ex-socialistas ¿ embora estes ainda não possam participar nas votações ¿ deixou aberto o caminho à aceitação das teses da submissão.
desenho de Scott Cunningham
A contradição entre a atitude dos povos e a dos governantes que pretendem representá-los assume assim facetas explosivas. Enquanto milhões de cidadãos saem às ruas para condenar o genocídio iraquiano e a sangrenta repressão desencadeada pelas forças de ocupação, Chirac e Schroeder, uma metamorfose rapidíssima, trocam amabilidades com Bush e Blair. Arquivaram o discurso sobre a guerra ilegítima, violadora da Carta da ONU, aceitam a pata americana sobre o Iraque, declaram-se dispostos a aceitar uma fatia na partilha dos despojos e não reivindicam mais o papel central para a ONU no debate sobre o futuro do pais. Olham já para o Iraque como as potências imperiais europeias contemplavam a África no final do século XIX, após a Conferencia de Berlim, quando Disraeli e Bismark a haviam tratado como se fora um gigantesco jardim zoológico.

O comportamento dos estadistas caricaturais que, abusivamente, falam por dois grandes povos, o francês e o alemão, contrariando os seus sentimentos e aspirações, deveria, em condições normais, levantar uma onda de criticas na comunicação social.

Não foi o que aconteceu. Na União Europeia o sistema mediático funciona, como nos EUA, sob controlo quase hegemónico de poderosos grupos que no fundamental apoiaram a guerra.

Dos princípios éticos violados pela agressão não escrevem nem falam os editorialistas de serviço nos grandes mass media. A luta do povo iraquiano opondo-se à ocupação, prenunciando, talvez, uma Intifada de novo tipo, não inspira interesse. A violência repressiva das forças ocupantes é noticiada em meia dúzia de linhas pela grande imprensa. O saque do Museu de Arqueologia de Bagdad e a destruição e roubo do seu património ocupam já menos espaço do que os elogios aos directores de grandes museus, com o British Museum, que lamentam o acontecido e oferecem os seus préstimos para ajudar no que for possível... Cadeias de televisão e influentes diários mostram-se sensibilizados com o caso do menino iraquiano, mutilado pelos bombardeamentos, que foi transferido para uma clinica do Koweit. Solidariedades farisaicas nascidas de crimes cometidos são elogiadas como exemplos do humanismo do ocidente; os prisioneiros estadunidenses que regressaram do cativeiro à civilização têm as biografias e os rostos em centenas de jornais que identificam nesses boys paradigmas da grandeza do soldado norte-americano. O mobiliário das residências de Sadam e a vida intima dos seus parentes (obviamente perversos, cruéis e debochados) tornam-se temas de reportagens especiais. Os videogames sobre a guerra lideram as vendas.

Chovem elogios sobre os políticos que Washington tirou da manga do casaco para os jogar no cenário iraquiano como candidatos democráticos dispostos a contribuir para a felicidade de um «povo libertado». Mas o povo real do Iraque, bombardeado como rebanho de gente contaminada por uma peste maldita, esse não é assunto. Não há estatísticas sobre o numero de mortos. Diz-se que foram alguns milhares. Mas a questão é tida por irrelevante, sem interesse.

O petróleo e o seu destino, e a reconstrução polarizam atenções. Os colunistas do «Wall Street Journal » e do «Financial Times» dedicam ao tema analises exaustivas. Os executivos das Sete Irmãs acompanham o debate, emitem declarações prudentes .

A guerra, no fim de contas, aparece-lhes já exclusivamente sob a faceta de uma opção lúcida que permitirá negócios fabulosos.

As nuvens que na Europa prenunciavam tensões políticas e económicas de larga duração com os EUA dissiparam-se a nível de governos. Submissos, Chirac e Schroeder estão impacientes por aprofundar o dialogo. Quanto ás Nações Unidas, o seu papel na chamada «reconstrução» não será no fundamental pomo de discórdia. Na Casa Branca já se levanta a hipótese de a ONU ser incumbida de uma tarefa que os EUA exigem, mas não querem, por motivos óbvios, desempenhar: levar aos tribunais os iraquianos que apontem como criminosos de guerra...

A vaga de hipocrisia que dá a volta ao planeta talvez não tenha precedentes. As grandes agencias e os cadeias de televisão que dominam o mercado levam aos confins da terra as opiniões dos senhores do mundo transmutadas em verdades universais.

Ora na realidade transmitem uma colossal mentira. O crime aparece já como acto civilizatório.

O mundo regrediu mais de um século. A linguagem dos media do «Ocidente civilizado em conflito com a barbárie de um remoto pais islâmico» faz lembrar a da época do fastígio vitoriano, quando a Inglaterra enviava da Índia um exército imperial (com elefantes a puxar os canhões) para depor o imperador etíope que ofendera um representante de Sua Majestade. Teodoro, o monarca, era um déspota sanguinário, mas essa evidencia não podia conferir legitimidade à invasão britânica.

O cinismo é o mesmo, embora o poder imperial tenha mudado de mãos e a informação seja hoje instantânea e universal.

Diariamente milhares de artigos e programas de sub intelectuais ao serviço da estratégia de Washington massacram as consciências com analises em que emerge, afinal, a apologia do neofascismo .

É de náusea a minha reacção perante a linha editorial adoptada pela maioria dos grandes jornais dos EUA e da Europa. Com poucas excepções, a matilha de epígonos oscila entre a adesão ao coro de elogios ao vencedor e uma atitude de resignação cristã perante o crime.

Há dias caiu-me nas mãos um exemplar de um jornal português, o «Diário de Noticias». Uma folha decadente de um pequeno pais cujo governo assumiu nas vésperas da guerra um papel de vassalagem ao patrocinar nos Açores o encontro de Bush, com Blair e Aznar.

Feliz com o desfecho, mais do que esperado da cruzada iraquiana, um tal Luís Delgado, alude ao arrependimento de Chirac e Schroeder, «que perderam o pé e a influencia num momento em que o sangue frio e os princípios deveriam imperar». O conceito de ética desse imitador de jornalista aparece expresso na conclusão de que «foi preciso ter muita coragem política e capacidade de analise prospectiva para estar no lado certo, no momento em que era necessário».

O desabafo do homem é daqueles que dispensa comentários. É gente como essa que, pelo vasto mundo, constitui a infantaria do exército da propaganda da estratégia do sistema de poder neofascista dos EUA.

O GRANDE MEDO

Ainda explodiam bombas sobre a terra martirizada do Iraque quando Washington começou a ameaçar a Síria. O ataque foi previamente discutido. Primeiro foi Colin Powell, depois Rumsfeld; finalmente o Presidente entrou no jogo.

Inicialmente acusaram o governo de Damasco de não colaborar com os EUA. Sendo elíptica a fórmula, foi dito que fornecera equipamento para o combate nocturno, que estava a admitir quadros iraquianos que atravessavam a fronteira, etc. Posteriormente Bush afirmou que a Síria possuía armas químicas, armas de extermínio maciço. Repetia-se sem imaginação a lenga lenga (desacreditada) que servira para justificar a agressão ao Iraque. A Casa Branca subiu o tom dos ataques e admitiu a hipótese de aplicar sanções à Síria se o seu governo «não colaborasse». Israel logo apoiou a ideia.

A cada desmentido de Damasco, Washington respondia com um acréscimo de agressividade.

O tema ocupou as manchetes. Muitos analistas admitiram que a Síria seria o próximo alvo dos EUA.

Tudo parece indicar que isso, pelo menos nos tempos mais próximos, não ocorrerá. Estaríamos perante uma manobra de guerra psicológica. É significativo que quase simultaneamente ameaças diferentes, mas inquietantes, foram endereçadas ao Irão e a Cuba.

Washington trata de extrair benefícios da sua «vitoria » militar. O «destino» do Iraque é apresentado como exemplo do que pode acontecer a países cujos governos não se submetam incondicionalmente a todas as exigências dos EUA.

A mensagem intimidatória não foi endereçada apenas à Síria. Pretendeu também impressionar aliados que não cooperaram directamente na agressão ao Iraque, como a Turquia, que não a aprovaram oficialmente, como o Egipto e a Arábia Saudita, ou assumiram uma atitude ambígua como o Sultanato do Qatar, que foi sede do Quartel General de Tommy Franks, mas tolera no seu território a Al Jazeera, a televisão qatarense de idioma árabe que pela sua independência mais problemas causa a Washington.

O recado, indirectamente, dirigia-se igualmente a outro tipo de interlocutores. Aos aliados europeus considerados recalcitrantes Washington lembrava que hoje são os EUA, exclusivamente, quem manda no mundo. A sua vontade faz a lei, situando-se acima das Nações Unidas.

O «destino» do Iraque, reconduzido a um status colonial, demonstraria a inutilidade de todas as tentativas de resistir à nova ordem imperial norte-americana. Cabia, portanto, aos países do Terceiro Mundo com veleidades de seguir um caminho próprio meditar sobre os acontecimentos que haviam destruído o estado iraquiano após três semanas de resistência.

Os mecanismos do medo funcionam e a Administração Bush tem consciência disso

Mas apenas parcialmente os objectivos da operação intimidatória contra a Síria foram atingidos. O governo de Damasco defende-se com dignidade de acusações falsas.

Washington não conseguiu resolver os complexos problemas do seu relacionamento com a Turquia e o Egipto, para citar dois casos expressivos. E o motivo dessas dificuldades não está no dialogo com os dirigentes desses países, dispostos a todas as cedências ao poderoso aliado. Quem se opõe à política da vassalagem são os povos turco e egípcio.

Na Casa Branca e no Pentágono sabe-se também que a viragem à direita, capituladora, de Chirac e Schroeder somente contribuirá para reforçar a condenação da política irracional de dominação mundial que o sistema de poder dos EUA tenta impor pela violência. Na Grã Bretanha e na Espanha, a submissão dos governos de Blair e Aznar, não impede milhões de pessoas de desautorizarem nas ruas, em manifestações colossais o alinhamento com Washington.

CUBA E A COLÔMBIA
ONDE O MEDO NÃO FUNCIONA


A eficácia da política de intimidação está longe de ser absoluta.

Na América latina, quatro países preocupam de modo especial Washington, porque o México, um dos gigantes da Região, encontra-se sob controle: o Brasil, a Venezuela, Cuba e a Colômbia.

No caso do primeiro, o governo de Lula tem desenvolvido até agora uma política econômica de recorte neoliberal que corresponde aos interesses da Administração Bush. Para a Casa Branca trata-se de impedir que as forças de esquerda, integradas na coligação da Frente Popular, consigam alterar o rumo das coisas, arrancando para a política de mudanças sociais prevista pelo próprio programa do PT.

No tocante à Venezuela, Hugo Chavez evita atritos com os EUA, mas mostra-se disposto a levar adiante o projecto da Revolução Bolivariana. Conseguiu derrotar o lock out promovido pela direita que quase paralisou o sector petrolífero durante dois meses. Actuando como sujeito da história, o povo, com o apoio das Forças Armadas, foi o vencedor da crise.

Chavez não está preocupado com a possibilidade do referendo, do qual sairia vencedor e reforçado. Não desconhece que a Revolução Bolivariana, se avançar, levará a uma confrontação inevitável com a potência imperial. Mas simula ignorar as mensagens dirigidas por Washington aos Estados que pretende recolonizar totalmente através da ALCA.

O governo e o povo de Cuba estão conscientes das novas ameaças vindas do Norte. Mas não se submetem. A Administração Bush intensificou nas últimas semanas as provocações, coincidindo com a agressão ao Iraque. Jeb Bush, o irmão do Presidente, e o embaixador dos EUA na República Dominicana foram explícitos na transmissão de um recado do chefe. Ameaçaram Cuba com uma sorte igual à do Iraque. Simultaneamente George Bush, segundo o New York Times, prepara novo pacote de sanções contra a Ilha: a suspensão das remessas de dólares para as famílias de cubanos residentes dos EUA; e a supressão dos voos charters entre Miami e Havana.

As manobras de intimidação e chantagem vão prosseguir. Mas não produzirão efeito. A Administração estadunidense sabe que a Ilha não capitulará. E não é crível que passe da chantagem e das ameaças a acções de guerra aberta. Girón está presidente na memória da equipa do Presidente.

Um ataque directo a Cuba teria um preço político inaceitável para os EUA, poderia provocar crises imprevisíveis em alguns países da América Latina e teria um alto custo em vidas norte-americanas.

Nestes dias, precisamente quando o governo Bush intensifica manobras intimidatórias, a pequena Cuba, com a sua firme resistência, chama a atenção para os limites do poder imperial.

Outro motivo de dores de cabeça para Washington é a situação criada na Colômbia. A intervenção militar indirecta é, há muito, ali uma realidade. Bush e o grupo falcoeiro que o rodeia desejariam ir mais longe e passar à intervenção directa com o objectivo de aniquilar as FARC e o ELN. Mas a complexidade da conjuntura paralisa a máquina imperial.

Como intervir, o que fazer?

A US Air Force não poderia bombardear as cidades, controladas pelo governo de Uribe Velez, o presidente amigo, um político neofascista com a qual Bush declara ter «grande empatia».

O inimigo está em todos os Departamentos do país e em parte alguma. É inatingível em combate frontal. As FARC-Exercito do Povo constituem uma força avaliada em 18 mil combatentes. Há 38 anos que resistem vitoriosamente a todas as ofensivas desencadeadas para as destruir.

O governo mobilizou recentemente milhares de soldados para tentar recuperar os três agentes gringos da CIA aprisionados pelas FARC. Dois aviões caíram durante as buscas. E nada.

O que bombardear? --repito-- perguntam os generais do Pentágono. Não sabem responder.

As campanhas de calunias contra as FARC e a perseguição movida aos seus dirigentes (que têm a cabeça a prémio) pelas polícias de dezenas de países não conseguem ocultar a evidencia: o discurso intimidatório dos EUA não funciona na Colômbia, onde uma heróica guerrilha, com a sua resistência, ilumina fragilidades do sistema imperial .

LUTAS EM ASCENSÃO

Em Mossul, no norte do Iraque, os marines abriram por duas vezes fogo contra manifestantes. Saldo da chacina: quase vinte mortos e dezenas de feridos.

No próprio dia em que escrevo, milhares de pessoas protestaram em Bagdad contra a ocupação estadunidense. Os dirigentes títeres impostos pelos invasores são vaiados onde quer que aparecem.

Pelo mundo fora as manifestações contra a escalada norte-americana são diárias. Intelectuais de dezenas de países mobilizam-se para combater o perigo fascista.

A economia americana, cada dia mais parasitária, vai mal, como nos lembra Samir Amin (ver A ambição desmedida e criminosa dos EUA ) e essa realidade é difícil de ocultar.

A resistência do povo de Cuba e o combate de organizações revolucionarias como as FARC-EP confirmam que em determinadas circunstancias e lugares, o poder imperial não encontra soluções para vencer aqueles que se lhe opõem, recusando a submissão.

A luta, muito diversificada nas suas formas, tende a assumir dimensão planetária, tal como a ambição do projecto imperial neofascista.

Não há motivo para se perder a confiança no futuro. A humanidade ultrapassará esta crise.



Havana, 18 de Abril de 2003



Retirado !daqui!

::::::A bomba
pula de um lado para outro gritando: eu sou a bomba

(esse verso é muito interessante)

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Segunda-feira, Abril 21, 2003



Vocês devem ter notado que não fizemos outra enquete esta semana. Estamos sem idéias...!!!! Se algum leitor criativo quiser nos ajudar, estaremos abertas às sugestões!

Na enquete atual, venceu a opção "Porque o Bush quer e ninguém vai impedir!!". Fiquei satisfeita com isso (apesar de achar todas as opções bem plausíveis), pois mostra que 66% dos nossos leitores concorda conosco que o presidente dos EUA é um ignorante, que não está muito disposto a ouvir conselhos de ninguém... Mas acredito que talvez ele ouça o conselho dos amiguinhos republicanos, que acham que um combate na Síria (ou no Quirguistão, que seja), depois desse no Iraque, pode não ficar muito bonitinho no currículo de um candidato a presidente das próximas eleições. Nem sei o que é pior: pensar que a Síria pode ser atacada, ou pensar que Bush pode se reeleger!


Charge de Jorge Braga publicada no jornal de Goiânia O Popular:



(meio fraquinha, mas vai essa mesmo...)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Hahaha! Por isso eles não esperavam...!

Primeiro jornal a circular em Bagdá no pós-guerra é comunista
Reuters

BAGDÁ (Reuters) - Essa não seria a primeira escolha de Washington, mas foi o que aconteceu: o Partido Comunista iraquiano, proscrito durante anos, ganhou no domingo a corrida para publicar o primeiro jornal em Bagdá desde a queda de Saddam Hussein.

O jornal de oito páginas "Caminho do Povo" foi entregue de graça e agarrado ansiosamente por transeuntes ansiosos por notícias de qualquer espécie, desde que a invasão americana erradicou a mídia estatal.

"Queda de um ditador", dizia a manchete da primeira página, publicada debaixo do emblema do martelo e foice e seguida por um artigo criticando os abusos do "reino terrorista e sangrento de Saddam".

"Com a queda do ditador, todos os anseios da imensa maioria do povo iraquiano se realizaram", disse o jornal em legenda que cerca a foto de uma criança vítima da guerra, com a cabeça enfaixada e uma lágrima escorrendo pelo rosto.

Quando as forças americanas entraram em Bagdá, 11 dias atrás, pondo fim ao governo de Saddam e derrubando uma estátua grande dele, elas criaram um vazio de informação e autoridade. A população ficou praticamente sem eletricidade, sem jornais, sem televisão e sem instâncias oficiais às quais recorrer.

Outros setores já procuram preencher esse vazio. Líderes religiosos influentes criaram serviços para a comunidade, mas o Partido Comunista foi o primeiro a publicar um jornal.

No centro de Bagdá, os iraquianos pararam para ler o jornal, espantados por ver Saddam sendo criticado por escrito. "O jornal fala de Saddam e como ele prejudicou nosso país", disse Khudair, de 27 anos. "É claro que já sabíamos disso, mas nunca antes o vimos escrito num jornal".

Não ficou claro onde o jornal foi impresso, mas ele fez vários elogios a líderes curdos do norte do Iraque, que ficou fora do controle de Saddam por uma década e onde operavam pequenas células do Partido Comunista.

Durante os 24 anos de governo de Saddam, as bancas iraquianas vendiam apenas jornais aprovados pelo Estado. O jornal de maior circulação era o Babel, pertencente a Uday, o filho mais velho de Saddam, e o Thawra era o porta-voz oficial do Partido Baath.

Esses dois jornais foram o último vestígio do governo de Saddam. A última edição do Babel, que chegou às ruas na manhã de 9 de abril, quando os tanques americanos entraram em Bagdá, trazia em sua primeira página um editorial dizendo "o grande Iraque vai resistir com firmeza".

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Defensores da democracia?!

"Al Jazira" é impedida por britânicos de trabalhar em Basra
Agência EFE

A rede de televisão "Al Jazira" afirmou hoje, domingo, que as forças britânicas impediram sua equipe de trabalhar em Basra.

Segundo o correspondente da rede em Basra, Mohamed Mohsen Sayed, soldados britânicos pediram para ver suas credenciais de jornalistas antes de detê-los por mais de duas horas em um acampamento militar.

Sayed explicou que os soldados não aceitaram suas credenciais emitidas pelo deposto regime de Saddam Hussein e disseram que permitiriam o livre trânsito apenas aos jornalistas que chegaram a Basra com as tropas britânicas.

O argumento de que a equipe da "Al Jazira" estava trabalhando há mais de um mês em Basra não foi aceito pelos britânicos, que confiscaram seus equipamentos, além dos telefones.

Depois de duas horas de interrogatório, durante os quais não foi permitido que entrassem em contato com a sede central da rede, em Doha, foram postos em liberdade sob a condição de não retomar seus trabalhos até novo aviso, concluiu o correspondente.

Durante a campanha militar anglo-americana contra o Iraque, "Al Jazira" foi o único meio credenciado pelo regime iraquiano para informar a partir de Basra.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Nosso leitor Raimundo Vasconcelos nos enviou algumas notícias muito boas por email. Aproveito agora para desculpar o fato de só estar publicando coisas a esta hora. Hoje o dia foi meio cheio para nós duas...

Iraquianos lutam para sobreviver em país devastado por guerra
Por Huda Majeed Saleh

BAGDÁ (Reuters) - Onze dias depois de as forças norte-americanas terem marchado sobre Bagdá, os moradores da capital iraquiana enfrentam uma luta diária pela sobrevivência.

Os serviços básicos na cidade fortemente bombardeada e que abriga cinco milhões de pessoas entraram em colapso. Ainda não há energia elétrica nem telecomunicações e há uma desesperadora falta de água e remédios.

As pessoas não culpam as três semanas de guerra por sua situação e sim a catástrofe que se seguiu ao conflito, a destruição dos prédios públicos, o saque de escritórios do governo e o colapso da lei e da ordem. Muitos culpam os ocupantes norte-americanos.

O país está paralisado. A guerra deixou o sistema de saúde estropiado, interrompeu os suprimentos de comida administrados pelo governo e deixou quase todos desempregados.

Famílias da classe-média que dependiam dos salários do governo estão agora sem emprego, disse Abbas Kadhim, um empregado do Ministério da Indústria. "Quando eles ficarem sem dinheiro, eles vão ou morrer de fome ou começar a saquear."

Kadhim disse que milhares que serviram no Exército agora se preocupam com seu futuro.

"Nós exigimos que as tropas norte-americanas restaurem a lei e a ordem e instalem um governo interino o mais rápido possível e devolvam os empregos às pessoas", disse Kadhim.

"Nós já sofremos bastante nos últimos 35 anos e agora esperamos viver em paz, mas nossas esperanças parecem obscuras quando vemos os dias se passarem sem nada acontecendo para fazer a vida voltar ao normal", acrescentou.

Carros, ônibus e caminhões transitam pelas ruas de Bagdá, muitas lojas, padarias e restaurantes reabriram suas portas e as pessoas saíram às ruas. Mas esta aparência de normalidade não corresponde à realidade.

PROTESTOS QUASE DIÁRIOS

Iraquianos furiosos protestam quase diariamente em frente ao Hotel Palestine, no centro de Bagdá, onde as tropas dos Estados Unidos estão baseadas.

Cansados do caos e da anarquia, eles exigem a retirada das tropas norte-americanas e um retorno rápido à vida normal.

O Exército dos EUA disse que suas tropas já mataram ao menos sete iraquianos na semana passada durante um protesto contra sua presença. Outras três pessoas foram mortas num assalto a um banco, disse uma autoridade local.

"Nós estamos cansados da guerra", disse Ahmed Hassan, 30, um funcionário público que fez parte de um protesto. "Nós queremos levar uma vida normal, segura e tranquila, sem ameaças. Nós queremos sonhar com o futuro sem medo."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Excelente entrevista publicada na Época!! Leiam, vale a pena.

FALTAM AS PROVAS
Alexandre Mansur

As evidências de que está cada vez mais difícil encontrar armas de destruição em massa em meios aos escombros da guerra do Iraque não surpreendem o americano Scott Ritter. Até 1998, ele dirigiu as equipes de inspeção da ONU encarregadas de encontrá-las no país. Convencido de que elas não existem - e nem mesmo poderiam existir em quantidade suficiente para ameaçar o mundo -, Ritter saiu da missão atirando. Há dois anos dirigiu um documentário, exibido em 20 países, onde denunciava que agentes da CIA eram infiltrados em grupos da ONU para descobrir brechas na segurança pessoal de Saddam Hussein. Depois, acusou seu sucessor, Hans Blix, de se amedrontar diante dos americanos. As críticas de Ritter atraíram antipatias nos Estados Unidos e provocaram episódios nebulosos em sua biografia. Em 2000, ele foi preso sob a acusação de tentar atrair uma adolescente até uma lanchonete para exibir atos obscenos. A garota, soube-se depois, era uma policial disfarçada. Por falta de provas, o caso foi arquivado. Mas em janeiro deste ano, quando se preparava para embarcar para o Iraque, investigadores federais trouxeram a história à tona - e ele foi impedido de sair do país. Em entrevista a ÉPOCA, Ritter acusa o governo americano de plantar mentiras para justificar a guerra.



ÉPOCA - O Iraque foi atacado porque supostamente tinha armas de destruição em massa. Onde estão elas?
Scott Ritter -
Essas armas não existem mais. O Iraque foi desarmado pelo programa de inspeção da ONU em 1998. Suas armas químicas, seus agentes biológicos e seus mísseis de longo alcance foram destruídos, assim como as fábricas que os produziram. Nunca fui convencido pelo argumento do governo Bush de que o Iraque representava perigo para o mundo. Não posso garantir que nada vá ser encontrado. Mas está claro que os EUA, no mínimo, exageraram na magnitude do problema. O Iraque não mostrou nada que se aproximasse da capacidade bélica descrita por Collin Powell em fevereiro deste ano, diante do Conselho de Segurança da ONU. O mundo precisa cobrar onde estão essas armas. Agora, temos a obrigação de investigar como isso aconteceu. Precisamos saber como o Congresso autorizou o presidente a travar uma guerra baseada em mentiras.

ÉPOCA - Em 1998, o senhor deixou as equipes de inspeção dizendo que o Iraque não estava cooperando. Agora afirma que o país tinha se desarmado. O que mudou?
Ritter -
Mudaram as circunstâncias. Antes era o Iraque que resistia à lei internacional. Eles destruíram 95% de seu arsenal, mas a comunidade internacional exigia 100%. Agora, a situação é que os EUA afirmaram que o Iraque ameaçava o mundo, mesmo sabendo que não era verdade. O desarmamento não foi o motivo real para a guerra. Essa guerra faz parte de um projeto republicano para substituir o papel das Nações Unidas e implantar uma nova doutrina no mundo. A idéia é mostrar que quem manda são os EUA e só eles têm o direito de decidir o que é justo para outros países. Trata-se de um projeto de expansão imperialista americano.

ÉPOCA - Saddam forneceu armas para terroristas internacionais?
Ritter -
Não há evidências de contatos entre ele e terroristas. As pessoas lançam teorias fantasiosas para aproveitar o clima de medo que tomou conta dos EUA. Tudo para que a população americana apóie a política imperialista dos republicanos.

ÉPOCA - Mas não é verdade que Saddam ameaçava os países vizinhos, com declarações belicistas?
Ritter -
Isso é absurdo. Como Saddam poderia ameaçar alguém? De que meios ele dispunha? Não tinha armas poderosas nem conexões com grandes organizações terroristas. Era um ditador sanguinário. Devia ser responsabilizado por seus crimes contra a população iraquiana. Mas não ameaçava a ordem global.


ÉPOCA - Deixando de lado as considerações diplomáticas, não se deve celebrar a queda de um tirano como Saddam?
Ritter -
Devemos aplaudir quando um criminoso é linchado na rua sem julgamento? Ninguém levou Saddam para um tribunal internacional em Haia. Qual é o dano para a sociedade quando prevalece a justiça dos caubóis do Velho Oeste? Meu país agiu de forma não-civilizada.

ÉPOCA - O senhor encontrou documentos secretos durante suas inspeções no Iraque. O que eles diziam?
Ritter -
Alguns traziam informações sobre produção de armas. Outros continham dados pessoais, como nomes e endereços de pessoas ligadas ao governo iraquiano. Saddam temia que esses papéis, uma vez apreendidos por nós, fossem parar nas mãos de agentes secretos americanos infiltrados no Iraque.

ÉPOCA - Os membros da equipe de inspeção não eram neutros?
Ritter -
Os EUA usaram seu acesso às equipes da ONU para espionar líderes iraquianos e conseguir informações sobre o esquema de segurança de Saddam. Quando se ofereceram para ajudar as equipes de inspeção, sugeriram agentes da CIA que tinham conhecimento técnico nesse tipo de invetigação. A ONU não tinha como recusá-los. Devíamos confiar nas boas intenções dos EUA. O máximo que podíamos fazer era tentar evitar que levassem adiante missões secretas.

ÉPOCA - Havia espiões da CIA nas equipes de Hans Blix também?
Ritter -
Não posso afirmar isso.

ÉPOCA - O senhor recebeu US$ 400 mil de um homem de negócios iraquiano para fazer o filme denunciando como os EUA pressionaram equipes da ONU. Foi correto?
Ritter -
A produtora de cinema que montei para fazer o documentário recebeu dinheiro de um americano de origem iraquiana. Ele não tinha controle editorial sobre o conteúdo do filme e não tinha ligação com o governo iraquiano. Era uma fundação privada. Os conservadores preferem atacar minha integridade que encarar minhas críticas.

ÉPOCA - Por que o senhor planejava ir ao Iraque em janeiro deste ano?
Ritter -
Eu havia enviado um plano de paz, que havia sido aceito preliminarmente pelas autoridades iraquianas. Minha idéia era ir em janeiro com outros observadores internacionais para tentar conseguir que o Iraque assinasse e anunciasse publicamente isso.

ÉPOCA - Por que o senhor não foi?
Ritter -
Sofri um processo por questões de comportamento pessoal e fiquei impossibilitado de sair do país.

ÉPOCA - O senhor acredita que os investigadores federais resolveram levantar o caso agora para atrapalhar seus planos no Iraque?
Ritter -
Não tenho provas. Mas a coincidência das datas é bastante suspeita.

ÉPOCA - A promotora que absolveu o senhor foi demitida. Isso também é suspeito?
Ritter -
Toda a história parece estranha. Há muitas coisas mal contadas nessa investigação. Mas não vou levar a vida como um esquizofrênico. Não tenho nada a esconder. Estou tranqüilo porque tenho certeza de que não represento perigo para os EUA. Continuarei a contar sempre a verdade, mesmo que o FBI cometa algum abuso de poder. Acho que, se um país está levando adiante uma guerra como essa no Iraque, é de seu interesse silenciar as vozes mais críticas.

ÉPOCA - A Síria tem armas químicas e biológicas?
Ritter -
Provenientes do Iraque, não. Mas não sei se o país criou um programa próprio para desenvolver seu arsenal. Eles mesmos alegam ter essas armas e deve ser verdade. Sei que têm mísseis Scud, possivelmente com algum agente químico na ogiva. Mas é pura especulação. Por outro lado, a Síria precisa responder à escalada armamentista israelense. Todos sabemos que Israel possui um considerável poderio atômico. Era isso que deveríamos estar discutindo.

ÉPOCA - Mas Israel é uma democracia...
Ritter -
Isso não interessa. Não há nenhum estatuto da ONU determinando que todo país deve ser uma democracia. Os países têm obrigação de obedecer aos acordos que controlam as armas de destruição em massa. Nesse caso, o que importa é que Israel violou as leis internacionais de proliferação de armas nucleares.

ÉPOCA - Onde estará Saddam?
Ritter -
Pode estar morto ou escondido. Mas ele é um líder tribal. Sempre haverá grupos dispostos a escondê-lo. Acho que ele mandou parte de sua tropa de elite desistir da guerra agora para ajudar seus dois filhos a assumir posições importantes junto aos clãs mais leais. Talvez acredite que um deles possa voltar ao poder. Mas não creio que a família de Saddam volte a mandar.

ÉPOCA - O governo americano manifestou recentemente sua decepção com a falta de apoio brasileiro à guerra. Devemos temer alguma retaliação?
Ritter -
A Casa Branca tem exibido incapacidade para tolerar opiniões divergentes. É irônico que nos declaremos como defensores da democracia. Creio que o governo brasileiro não pode se submeter aos caprichos dos Estados Unidos."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Domingo, Abril 20, 2003


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por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Jânio de Freitas, na Folha de hoje, fala sobre a aparição de Saddam e o que significa o fim das sanções ao Iraque, proposto por Bush.

"Palavras em cena
Os ditadores também são amados. Agora revelada, a reaparição de Saddam Hussein em praça pública, no dia mesmo em que Bagdá era invadida, é mais do que outro dos divertidos deboches do ditador com Bush e com o aparato que atacou o Iraque. O vídeo mostra, além da desafiadora permanência de Saddam na própria capital, uma empolgação do povo, ao vê-lo e ouvi-lo, maior do que a soma de tudo o que as câmeras ocidentais captaram de boas-vindas iraquianas aos "libertadores".

Diante da péssima repercussão mundial ao arruinamento do Iraque, o que restava a Bush e a Tony Blair era a desculpa da "libertação": nem remotos vestígios de armas de destruição em massa foram encontrados.As crescentes manifestações de repúdio à presença anglo-americana, com a pitada desmoralizante acrescentada pelo ditador caçado, põem em xeque a "libertação".

A cena da semana foi proporcionada por Saddam, mas a frase mais importante foi de Bush, dita em discurso: "Agora que o Iraque está libertado, as Nações Unidas deveriam suspender o bloqueio econômico". A mídia não se interessou pelo alcance da frase.

A decretação do bloqueio há 13 anos, liderada na ONU pelos Estados Unidos, deixou sua suspensão condicionada à comprovada inexistência de armas de destruição em massa. Ao propor o desbloqueio, Bush reconhece a inexistência das armas, que tanto afirmou ter provas de existirem. E declara a falsidade dos motivos que levaram à guerra.
Ninguém mais indicado para fazê-lo."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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De Robert Fisk, correspondente do The Independent. Enviado por email pelo nosso leitor camarada Rafael Moreira Furtado. Leiam, é muito bom!!!

"Os saqueadores de Bagdad roubaram e destruíram tudo o que os norte-americanos lhes permitiram tomar e incendiar, e um percurso de duas horas pela cidade em automóvel mostrou claramente o que é que os Estados Unidos têm interesse em proteger, presumivelmente para o seu próprio uso.

Depois de dias de incêndios premeditados e pilhagem, eis aqui um balanço breve mas revelador. As tropas norte-americanas recuaram e permitiram àquelas hordas arrasar e a seguir queimar os Ministérios da Planificação, Educação, Irrigação, Comércio, Indústria, Assuntos Exteriores, Cultura e Informação. Mas não fizeram nada para evitar que os saqueadores destruíssem os tesouros sem preço da história iraquiana contidos no Museu Arqueológico de Bagdad e no da cidade de Mossul, e despojassem três hospitais.

Em contra-partida, dois ministérios iraquianos permanece intactos - e intocáveis - porque por dentro e por fora postaram-se tanques, veículos blindados e jipes, bem como centenas de homens armados. E quais são esses ministérios tão importantes para os norte-americanos? Bem, o do Interior, naturalmente - com sua vasta riqueza de informação de inteligência sobre o Iraque - e o do Petróleo. Os arquivos relativos ao bem mais apreciado do Iraque - seus campos de petróleo e, ainda mais importante, suas vastas reservas, talvez as maiores do mundo - estão a salvo da turbas e dos saqueadores, prontos para serem compartilhados, como é certamente a intenção de Washington, com as companhias petrolíferas norte-americanas.

Isto lança luz para uma reflexão interessante acerca dos supostos objectivos da guerra norte-americana. Na sua ansiedade para "libertar" o Iraque, permite que a população destrua a infraestrutura do governo e a propriedade privada dos esbirros de Saddam. Os norte-americanos insistem em que o Ministério do Petróleo é parte vital da herança iraquiana, que os campos petrolíferos serão colocados num fideicomisso "para o povo do Iraque". Mas por acaso o Ministério do Comércio - que foi novamente iluminado este domingo por um incendiário empreendedora - não é vital para o futuro do povo iraquiano? Os Ministérios da Educação e da Informação - que ainda ardiam hoje - não são de importância crucial para o novo govêrno do país?

Os estadunidenses, segundo sabemos agora, puderam enviar 2 mil soldados para cuidar dos campos petrolíferos de Kirkurk, que contem as reservas provavelmente maiores do mundo, mas não puderam destinar nem sequer 200 homens para proteger de ataques o Museu de Mossul.

Hoje falou-se muito da "nova postura" dos estadunidenses. Imediatamente apareceram patrulhas de infantaria e blindadas nas ruas dos bairros de classe média da capital, ordenando aos jovens que transportavam refrigeradores, móveis e televisores que depositassem no pavimento os objectos cuja propriedade não pudessem comprovar. Era de dar pena. Depois de milhares de milhões de dólares de edifícios governamentais, computadores e arquivos terem sido destruídos, os norte-americanos detêm adolescentes que levam carroças puxadas por mulas carregadas com cadeiras de segunda mão, sem valor algum.

Este dia houve uma indignação especial entre a multidão que agora se manifesta todas as tardes diante dos militares norte-americanos, do lado de fora do Hotel Palestina. No sábado cantavam "Paz, paz, paz, queremos um novo governo iraquiano que nos dê segurança". Hoje alguns manifestantes gritavam "Bush-Saddam, os dois são a mesma coisa".
14/Abr/2003

Publicado no http://resistir.info.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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E agora uma charge do Laerte:



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Bem, nosso blog falou falou da invasão no Iraque - ou a 3ª Guerra do Golfo -, mas pouco falamos sobre os fatos históricos muito antes dela. Como são importantes, resolvi colocar aqui um texto tirado do site de História, escrito por Voltaire Schilling.

"Golfo: intervenção norte-americana

Apoiado na resolução nº 678 da ONU - que ordenava ao Iraque a imediata evacuação do Kuwait até o dia 15 de janeiro de 1991 - , o presidente dos Estados Unidos, George Bush mobilizou a opinião publica mundial contra Saddam Hussein. Era indefensável a guerra de anexação que o ditador se lançara. Organizando a Operação Escudo do Deserto, o presidente americano conseguiu a adesão de 28 países na sua campanha anti-Iraque, fazendo também com que as despesas da operação fossem pagas por diversos países interessados na estabilidade do Golfo Pérsico (especialmente o Japão e a Europa Ocidental).
Como Saddam Hussein não podia voltar a trás sob pena de desmoralizar-se frente à coalizão ocidental, (especialmente das tropas anglo-americanas), no dia 17 de janeiro teve início a Operação Tempestade do Deserto. Durante 47 dias, Bagdá e outras cidades importantes do Iraque foram bombardeadas, sendo que o exército iraquiano capitulou no dia 27 de fevereiro depois de um devastador ataque dos anglo-saxãos, sob o comando do general Norman Schwartkopf. Batendo em retirada, Saddam Hussein determinou a destruição e o incêndio de mais de 300 poços de petroleo do Kuwait, o que causou uma descomunal tragédia ecológica no Golfo Pérsico.

Os Estados Unidos ocupam a região

A ação bem sucedida dos americanos devia-se a um motivo bem simples. Por razões estratégicas, econômicas e geopoliticas, os Estados Unidos, a única hiperpotência do planeta e o maior consumidor de petróleo do mundo (*), não podiam aceitar que as mais importantes reservas do ouro negro de toda a Terra caíssem no controle de um homem só. A conseqüência direta disso foi que os Estados Unidos resolveram então acampar definitivamente ao redor da Península Arábica, montando bases militares, terrestres, aéreas e navais, nos emirados da região (no Kuwait, no Catar, no Bahrain, no Iêmen e em Omã, e igualmente na Arábia Saudita).

Com a poderosa 6º frota navegando no Mar Mediterrâneo e outra esquadra dominado o Mar Arábico e o Golfo Pérsico, o mundo árabe viu-se cercado por todos os lados. Exatamente por isso, por não retirar suas tropas depois da Guerra do Golfo em 1991, os Estados Unidos se viram alvos de atentados dos fundamentalistas muçulmanos, liderados por Osama Bin Laden, que consideram a presença dos soldados americanos uma profanação ao Ummã, a terra sagrada do Islã.

(*) o consumo de petróleo dos EUA é de 33/barris-dias por habitante. O da Europa é 22 barris/p/habitante e o do Brasil é de 4.

A punição ao Iraque

Além de ter estimulado os xiitas no sul e os curdos no norte a rebelarem-se contra Saddam Hussein, os Estados Unidos fizeram com que fossem adotadas severíssimas sanções contra o regime iraquiano, isolando-o do mundo. Duas Zonas de Exclusão Aérea foram fixadas no Iraque, uma no paralelo 33° e outra no paralelo 36°, a pretexto de proteger os curdos e os xiitas de um possível ataque aéreo. Elas se tornaram uma verdadeira camisa de força na qual o Iraque ficou preso. Além disso, o Iraque somente poderia exportar petróleo no valor de 5 a 6 bilhões de dólares/ano, valor insuficiente para atender as necessidades alimentares e as carências gerais da população iraquiana.

Medidas essas que fizeram com que, em dez anos de embargo, de 500 a 600 mil crianças perdessem a vida por falta de assistência e de remédios. E, como humilhação definitiva, o Iraque deveria acolher uma equipe de inspetores da ONU para verificarem e supervisionarem in loco o desmantelamento de todas as possíveis armas de destruição em massa que ainda teriam restado nas mãos do regime de Saddam Hussein (químicas, biológicas ou nucleares). Em 1998, os inspetores da ONU foram denunciados por acolherem em seu meio espiões a serviço da CIA e o Iraque exigiu então que eles fossem expulsos do país. De fato, eles recolheram informações que serviram aos bombardeios pontuais que a aviação anglo-americana continuou fazendo sobre alvos iraquianos nas Zonas de Exclusão Aérea, além de tentarem inutilmente localizar o paradeiro de Saddam Hussein para que um comando especial pudesse vir a assassiná-lo."

Se quiserem saber sobre a região do Oriente Médio anterior a isso tudo, clique aqui.

"As guerras do Golfo Pérsico

Guerra Irã-Iraque (1980-88): vitória militar não conclusiva do Iraque. Amos os países se debilitaram

Guerra do Kuwait (1990-91): o Iraque foi obrigado a retirar-se do Kuwait pela Operação Tempestade no Deserto liderada pelos EUA.

Guerra da Zona de Exclusão Aérea (1998-2003): limitada aos sistemáticos bombardeios da aviação anglo-americana sobre alvos iraquianos selecionados.

Guerra anglo-americana contra o Iraque (2003): ocupação anglo-americana do Iraque, dissolução do regime de Saddam Hussein."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Músicas para se ouvir em tempos de guerra II


Nosso querido leitor Guto Rastaman enviou essas sugestões:::::

One Love - Bob Marley
War - Bob Marley
Imagine - John Lennon
Por que não Paz - Dread Lion
Eu Luto Pela Paz - Dread Lion
Monte Castelo - Legião Urbana
Pais e Filhos - Legião Urbana
A Paz - Gilberto Gil (a letra desta música já foi publicada no blog)

E minha querida irmã pimentinha sugeriu :::
Engenheiros do Hawaii - BEIJOS PRA TORCIDA


( Leiam a letra aqui no blog e procurem escutar Ani Difranco - Self Evident!!)


::::::A bomba
respeita os poderes espirituais, os temporais e os tais


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Para não dizerem que não postei nenhuma charge hoje...



Publicada no Diário de Pernambuco por Laílson.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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"As forças americanas soltaram cerca de 900 prisioneiros iraquianos, anunciou o Pentágono.
'Não vamos prender ninguém por mais tempo do que o absolutamente necessário', disse o major Ted Wadsworth, porta-voz do Pentágono. Depois da liberação, o número de prisioneiros iraquianos com a coalizão ficou em 6.850, disse Wadsworth."

Ah, claro.... Soltam 900 e mantêm 6.900 presos! E ainda têm a cara-de-pau de dizerem que não vão prender ninguém por mais que o necessário.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Também vou postar na íntegra a notícia sobre o caso-Síria, que me interessa. Da Folha.

"Árabes rejeitam 'ameaças' dos EUA à Síria

Oito países do Oriente Médio debatendo ontem em Riad (Arábia Saudita) o Iraque pós-Saddam rechaçaram a 'ameaça dos EUA' à Síria, no primeiro fórum regional depois do fim das operações militares americanas.
Entre os países, estava a própria Síria, acusada por Washington de abrigar integrantes do governo de Saddam e desenvolver armas químicas. A Síria nega as acusações.
A reunião em Riad foi convocada pela Arábia Saudita para discutir as consequências para a região da vitória militar dos EUA. Os chanceleres de Turquia, Irã, Síria, Kuait, Jordânia, Egito e Bahrein compareceram.
Uma declaração de abertura criticava o que afirmava ser a ameaça dos EUA contra a Síria e pedia que a ocupação americana do Iraque fosse a mais breve possível.
'Recusamos absolutamente a ameaça recente contra a Síria, que só pode aumentar a probabilidade de um novo ciclo de guerra e ódio, especialmente sob a luz da contínua deterioração da situação palestina', afirmava a declaração, lida pelo chanceler saudita, Saud al Faisal. 'Pedimos que os EUA usem o diálogo com a Síria e ativem o processo de paz no Oriente Médio', dizia, acolhendo uma possível visita à Síria do secretário de Estado, Colin Powell.
Os países também pediram um papel central para a ONU, a retirada das forças dos EUA 'o mais rápido possível' e 'um governo constitucional iraquiano de base ampla'. Com exceção de Síria e Irã, todos são aliados dos EUA."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Sábado, Abril 19, 2003


É. No regime de Saddam as manifestações religiosas eram muitas vezes reprimidas, já que o governo era sunita e 60% da população do país é xiita. Agora que os EUA "libertaram bondozamente aquele país", os religiosos querem sua revolução islâmica à la Irã. Saem agora às ruas gritando "Fora EUA!". Já agradeceram os "libertadores", agora dizem TCHAU. E, diga-se de passagem, isso é direito deles, não é não? fazer o que bem quiserem do governo de seu país. Essa confusão ainda pode acabar gerando uma guerra civil... E o tiro dos EUA vai sair pela culatra.

"Bagdá tem maior protesto anti-EUA

Milhares de iraquianos, em sua maioria xiitas, foram às ruas em vários pontos de Bagdá para protestar contra a presença americana e defender a instauração de um regime islâmico no Iraque. Estima-se que 20 mil tenham participado das manifestações após as orações da sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos.
"Não aos EUA, não a Saddam! Nossa revolução é islâmica!", gritavam os manifestantes do bairro Al Azamiyah. Alguns carregavam cartazes com dizeres em inglês e árabe: "Deixem o nosso país. Queremos ter paz".
Além dos slogans antiamericanos, os bagdalis pediram a unidade de xiitas, sunitas e curdos -os três principais grupos étnico-religiosos que compõem o país.
Num momento de tensão, os manifestantes se encontraram com um pelotão de marines que vinha na direção contrária. Com os punhos levantados os iraquianos começaram a gritar: "Os EUA são inimigos de Deus!"
Os marines evitaram o confronto entrando numa rua lateral.
Temia-se que ocorressem incidentes semelhantes aos de Mossul (norte do país), nesta semana, quando soldados americanos atiraram contra manifestantes em duas ocasiões. O comando militar dos EUA alega que os soldados estavam respondendo ao ataque de franco-atiradores -médicos de Mossul dizem que ao menos 14 iraquianos morreram.
Nas orações da manhã, em Bagdá, o xeque Ahmed al-Kubeisy disse aos presentes na mesquita de Abu Haneefa al-Nu'man que as "tropas de ocupação dos EUA devem deixar o país logo ou serão expulsas pelos iraquianos".
Em Kazimiyeh, outro bairro da capital iraquiana, milhares de fiéis também saíram direto das orações para protestar nas ruas, cantando slogans islâmicos.
As manifestações reforçam os temores americanos de que esteja se fortalecendo um movimento semelhante ao que instalou no Irã, em 1979, um regime islâmico xiita hostil a Washington.
Milhares de xiitas, repetindo o gesto característico de bater no peito e carregando as tradicionais bandeiras verdes e pretas, celebraram em Najaf (sul) o início de uma peregrinação que inclui Karbala em seu trajeto.
Essa peregrinação, um dos eventos mais importantes do calendário religioso xiita, esteve proibida durante a ditadura de Saddam, sunita que reprimia curdos e xiitas.
"No regime de Saddam nós não podíamos ir a Najaf em grupos. Tínhamos de ir pelos campos, longe das estradas e evitando ser vistos pelas forças de segurança", afirmou Ruda Diwan. "Se não fosse assim, acabaríamos presos", completou Qassem Itzab.
Os muçulmanos xiitas compõem cerca de 60% da população do Iraque, mas o poder sob o regime de Saddam foi exercido pelos muçulmanos sunitas, que são cerca de 20% da população de 23 milhões do país -os curdos, que se distinguem etnicamente dos árabes sunitas e xiitas, são 15%.
Apesar do júbilo dos fiéis ontem, há grande tensão no sul do país, região que concentra a maioria dos xiitas. Teme-se que o clima de enfrentamento possa até evoluir para uma guerra civil.
No dia 10, dois líderes xiitas foram mortos em Najaf, elevando as tensões entre grupos rivais. Um, Abdul Majid al Khoei, exortara a população a apoiar os EUA; o outro, Haider al Kadar, era criticado por suposta submissão a Saddam. Em aparente gesto de conciliação, os dois se reuniram na mesquita de Ali, um dos locais sagrados dos xiitas. Membros de outro grupo xiita insultaram Al Kadar. Al Khoei teria sacado arma para reagir, e ambos foram mortos."

(Notícia da Folha de SP)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Gente, este texto do João Ubaldo Ribeiro está ótimo! Nos faz pensar sobre um montão de coisas, de modo bastante irônico. Para começar, sobre o tão falado imperialismo norte-americano. Depois, sobre como os EUA poderiam interferir no nosso país. E, por último, sobre como os iraquianos devem estar se sentindo agora, lá, com essa invasão estrangeira em seu território e em sua cultura, interferindo radicalmente em seu modo de vida e causando uma confusão enorme. Ele fala num tom meio de brincadeira, mas a coisa é bem séria. É o tipo de texto que desperta um alarmezinho dentro da gente piscando "já vi isso antes!!!". Na História, sim, muitas vezes o tio Sam fez essa intervenção. Às vezes cinicamente (como agora), às vezes como quem não quer nada, apenas invadindo território alheio. O Brasil é um país riquíssimo... por que não ele?
Não sei onde o texto foi publicado, infelizmente.


"FELIZES PARA SEMPRE
- João Ubaldo Ribeiro

Se vocês pensam que hoje não estou falando na guerra do Iraque porque não quero, devo esclarecer que não é verdade. O assunto que não me sai da cabeça é essa guerra e continuaria falando nela o tempo todo porque, para mim, como já devem saber os pacientíssimos leitores habituais, estamos começando uma nova era na história da Humanidade e, se ela ainda for mudar, já teremos de muito ido desta para melhor, ou pior. Mas não adianta falar. Como já estava previsto, o assunto cansou e agora vem a parte mais tediosa, pelo menos inicialmente, que é como vão administrar os espólios e como vão continuar a salvar o povo iraquiano. Claro, toda sorte de pepino surgirá nessa administração dos espólios, mas outra vez serão pepinos distantes e chatíssimos, de que ninguém aqui vai querer saber.
Para nós, a parte que interessa diretamente, ao que tudo indica, está bastante longe. Os Estados Unidos não se acostumaram direito a ser os donos do mundo, tem sido fácil demais. Quer dizer, acostumar, acostumaram, mas ainda não conseguiram um modus faciendi administrável, que nos leve, por exemplo, no caso dos ibero-americanos, a aprender com facilidade a ser cucarachas em nossa própria terra. Vão conseguir, naturalmente, até porque os brasileiros, a julgar pela fartura de exemplos que nos cercam nas grandes cidades, morrem de vontade de ser americanos, mesmo na condição de cucarachas. Já visualizo acontecimentos no futuro nos quais toquei aqui um par de vezes, mas não custa tocar de novo, porque ninguém lembra mesmo.
Imagino, por exemplo, que, com a falta de água no planeta e a desagradável circunstância de não podermos beber petróleo, vamos ser invadidos para assumirem controle sobre nossa água (não esquecendo nossa ração, espartana mas suficiente para beber sem exageros e para um banho de 30 segundos por mês), embora não da forma grosseira ainda empregada no Iraque. Vai ser coisa mais fina, conquanto sem nenhuma novidade de fato, apenas truques velhos com novas roupagens, pois até para os americanos vale o nihil sub sole novum, nada de novo sob o sol. Claro, uma possibilidade prática muito atraente, já posta em prática por eles, será inventar o Brasil do Norte e o Brasil do Sul, no que, aliás, já temos sido ajudados, aqui e ali, por brasileiros mesmos.
O Brasil do Norte, envolvendo a Amazônia e uns pedaços interessantes do Nordeste (existem umas coisas economicamente interessantes lá; ninguém acredita, mas existem, assim como existe gente de verdade e nem toda ela emigra para o Sul, a fim de fortalecer a indústria de carros blindados) teria uma História completamente diferente da do Brasil do Sul e, com facilidade, bastando assistir a algumas novelas da Globo passadas lá, provar-se-ia até que falam línguas diferentes. Daí para o surgimento de hostilidades, com um esquema de propaganda bem-feito, seria um passo. E, um belo dia, dar-se-ia o primeiro tiro nessa guerra entre nações tão diferentes, com o oprimido Norte rebelando-se contra o sugado Sul. Não existiram Vietnã do Norte e do Sul, assim como existem Coréia do Norte e Coréia do Sul?
Os Estados Unidos, paladinos dos oprimidos, apoiariam o Norte. Não porque lá fica a água, mas por uma questão de religiosidade caritativa, que, como sabemos, é o que move o presidente Bush e seus assessores. O Sul reagiria, com sua frota moderna de caças a jato de 35 anos e outros armamentos que hoje nos tornam uma potência temível, mas logo seria derrotado, sem que o Norte precisasse de usar a mãe de todas as bombas, eis que, no caso, uma tia ou mesmo prima em terceiro grau serviria, principalmente no caso de a guerra estourar num feriadão, com a conseqüente relutância do povo em lutar em dias de folga. Decidido o conflito, a Bahia seria declarada independente e com uma constituição outorgada que só permitisse a indústria do lazer, e os estados mais áridos iniciariam, ainda com o generoso apoio americano, programas de irrigação destinados à produção de alimentos, tão necessária a um mundo em constante crescimento populacional.
Quanto ao resto dos vencedores, promover-se-iam plebiscitos nas terras indígenas, pela autodeterminação do povos. Assim, áreas como a dos ianomâmis, depois do plebiscito em que a autonomia triunfaria (com o apoio discreto de associações assistencialistas internacionais, dando aos índios desde facões e carros a voluntárias de ONGs pela liberdade sexual), se tornariam independentes, embora sob a forte influência dos americanos, que aproveitariam todas as riquezas naturais da região, mas recompensando amplamente seus habitantes originais. O mesmo aconteceria em outras regiões, habitadas por povos únicos ou não, pois, se não fossem habitadas, logo o seriam, por refugiados sem terra, de outras partes necessitadas do mundo, ainda sob a égide protetora americana.
O que mais vai ocorrer não sei, mas vai ser mais ou menos assim. Os brasileiros poderiam aspirar a um status no início levemente inferior ao dos porto-riquenhos, pois, afinal, estes são associados aos Estados Unidos há bem mais tempo e antiguidade é posto. Mas nos permitiriam circular pela maior parte do nosso ex-território e nossos direitos seriam praticamente iguais aos dos cidadãos plenos, ou seja, os novos ocupantes da terra. Pensando bem, não vejo por que nos incomodarmos com isso. Se soei incomodado, foi sem querer. E, se deixei vocês incomodados, desculpo-me profusamente. A verdade é que, assim, a vida vai melhorar. Abandonamos brasilidades e nacionalismos antiquados e destrutivos, assumimos a nova realidade e, não nos esqueçamos, poderemos ser as afortunadas cobaias de remédios docemente abestalhantes que a cada dia se desenvolvem mais e poderiam até mesmo ser despejados no suprimento (racionado) de água potável de nossas cidades, para que vivêssemos felizes para sempre. Pois é, podemos viver felizes para sempre e ficamos complicando a vida."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Esta poesia saiu no caderno mais da folha de domingo passado, bem legal:::::::


Cabeças inclinadas
Sebastião Uchoa Leite

Das cavernas do passado
vem de volta o grito
WOLLT IHR DEN TOTALEN KRIEG?
do líder da propaganda
do Terceiro Império
Hoje o Senhor global
diz: "Este é um pais que reza"
São três os contritos de joelhos:
o da Defesa
o do Estado
e Ele no meio
Dois só com as cabeças inclinadas
Ele com as mãos cruzadas em frente
Todos querendo a guerra total
Contritamente
SEM PRESSA PARA AVANÇAR
4 mil mártires a postos!
Asseguram a passagem
Bombas de fragmentação explodem no ar em Bagdá
"Só o uso decisivo da força
poderá encurtar a guerra"
Diz Ele
Guerra é teste para a Doutrina
A cidade fundada no século 8
tinha um milhão de habitantes em 1200
Era a MAIOR do mundo
Um iraquiano senta sobre os escombros
Razzaq Kazen Al-Kafaj sofre entre os caixões
às margens do Eufrates
onde ficava a antiga Babilônia



Sebastião Uchoa Leite é poeta, tradutor e ensaísta, autor de "A Regra Secreta" (ed. Landy), "A Espreita" (ed. Perspectiva) e "A Uma Incógnita" (ed. Iluminuras), entre outros.






Para os nossos visitantes frequentes::::
desculpem as poucas atualizações, cristina deve estar no sítio e eu estou com a saúde meio debilitada, estive metade do dia de cama.....


::::::A bomba
continnua a envenená-las no curso da vida

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Sexta-feira, Abril 18, 2003



Meu desejo de hoje para todos (atrasadíssimo):

Espero que gostem de peixe...


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Bem, como hoje não postei nada de útil, acho que tenho que postar as notícias do dia (meio atrasadas, mas vai lá). Não vou fazer análises imensas embaixo, mas vou colocar um resumindo. Minha fonte dessa vez foi a Folha. Hoje aconteceram coisas muito interessantes no mundo do pós-invasão....

1) Barzan Ibrahim Hasan, meio-irmão de Saddam, foi preso ontem pelos EUA. Ele montou uma rede financeira para esconder a fortuna de Saddam por todo o mundo. A fortuna seria de 2 a 40 bilhões de dólares (diferença pequena, não?).

2) Dois jornais árabes afirmaram que Saddam estava em Badgá no dia da tomada do centro da cidade pelas tropas da "coalizão". Depois da derrubada da tal estátua, símbolo de 24 anos de ditadura, ele teria saído às pressas com seu filho. Essa coalizão é tão incompetente que ficou colocando bandeirinhas em estátuas, em vez de pescar o grande ratão...

3) Depois que Bush-bonzinho (uma de suas personalidades favoritas) pediu o fim das sanções do Iraque, ontem o grupo europeu se pronunciou a respeito. Eles estão obviamente cautelosos e temem "que a suspensão sem que as funções da ONU no pós-guerra estejam claras esvazie ainda mais o poder da entidade sobre o Iraque". E provavelmente também temem que isso seja uma estratégia espertíssima da Casa Branca, tentanto mudar a opinião pública e legitimar uma guerra que não merece legitimação. É bom lembrar que os EUA tinham apoiado o embargo em 1991. Agora mudaram de opinião subitamente demais... A ONU quer, primeiro, enviar seus inspetores para confirmar que realmente não existem aramas de destruição em massa no Iraque, antes de autorizar o fim das sanções. Epa, peraí... a existência dessas armas não era o motivo da "guerra"? Pois é, mas as tropas ocidentais vasculharam até cansar e não encontraram nenhuma arminha sequer...!

4) Enquanto isso... O povo do Iraque não está mais agüentando os saques e a confusão que vêm imperando no país sem governo e sem autoridade. Muitos dizem que não gostavam da ditadura mas, naquela época, a situação estava menos pior que agora. As tropas norte-americanas prometem voltar com a eletricidade, acabar com os saques e colocar alguém no poder, mas nada foi feito. Por enquanto, estão ocupados demais tentando achar Saddam. Tentando preencher esse vazio no poder, um homem do grupo opositor CNI se declarou vizir da capital. Ele disse ter sido eleito por um conselho formado por xiitas, sunitas, cristãos e escritores e a populaçao local aprovou a nomeação. O governo dos EUA disse ignorar essa "eleição". Só um detalhe: o grupo CNI era apoiado pelos EUA.

5) O aiatolá, líder do maior partido de oposição xiita no Iraque, convocou a população para se dirigir à cidade de Karbala e manifestar oposição a um governo controlado pelos EUA. Eles pedem um governo iraquiano. Será que é pedir demais?!

6) Curdos estão expulsando todos os árabes do Norte. Eles reivindicam aquela região para formar seu país independente, o Curdistão, com capital em Kirkuk. Os palestinos não são mais os únicos a despertar a atenção mundial... E os árabes que viviam no norte e foram expulsos? Serão contra a formação do Curdistão? São culpados? Daqui a pouco, o ódio será étnico, tanto quanto em Israel... Pós-guerra medonho.

7) Governo da Síria se nega a abrir país para inspeções da ONU. Antes, tinha dito que só permitiria inspeções, caso elas se extendessem a todos os países do Oriente Médio, incluindo Israel (que todos sabem que realmente possui as tais armas). Mais uma crise à vista...

Não tem fotos dessa vez... :-(

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Descobri hoje que aqueles símbolos da foice e martelo que tirei de um site chamado "Foice" foram tirados do site do PCdoB. Lá eles exlicam a evolução do símbolo, e onde os desenhos foram publicados. Parece que vocês não estão conseguindo visualizar os símbolos aqui no blog... Sugiro que apertem o botão direito do mouse em cima da figura e cliquem "mostrar figura" (Depois dêem seu voto pelo logotipo do blog!). Se não der certo e estiverem interessados, dêem uma passada no site.
por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Rafael furtado ataca novamente!!! dica do nosso correspondente::::::::


o blog é muito legal, apesar de não colocar as fontes devidas....



::::::A bomba
envenena as crianças antes que comece a nascer




por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Quinta-feira, Abril 17, 2003


Quem não declarar seu amor por Ani Difranco depois desta música:::::::::::::::
(sempre fui sua fã incondicional..... se vc sabe inglês, leia a letra até o final, vale a pena...)
ani

SELF EVIDENT

yes,
us people are just poems
we're 90% metaphor
with a leanness of meaning
approaching hyper-distillation
and once upon a time
we were moonshine
rushing down the throat of a giraffe
yes, rushing down the long hallway
despite what the p.a. announcement says
yes, rushing down the long stairs
with the whiskey of eternity
fermented and distilled
to eighteen minutes
burning down our throats
down the hall
down the stairs
in a building so tall
that it will always be there
yes, it's part of a pair
there on the bow of noah's ark
the most prestigious couple
just kickin back parked
against a perfectly blue sky
on a morning beatific
in its indian summer breeze
on the day that america
fell to its knees
after strutting around for a century
without saying thank you
or please

and the shock was subsonic
and the smoke was deafening
between the setup and the punch line
cuz we were all on time for work that day
we all boarded that plane for to fly
and then while the fires were raging
we all climbed up on the windowsill
and then we all held hands
and jumped into the sky

and every borough looked up when it heard the first blast
and then every dumb action movie was summarily surpassed
and the exodus uptown by foot and motorcar
looked more like war than anything i've seen so far
so far
so far
so fierce and ingenious
a poetic specter so far gone
that every jackass newscaster was struck dumb and stumbling
over 'oh my god' and 'this is unbelievable' and on and on
and i'll tell you what, while we're at it
you can keep the pentagon
keep the propaganda
keep each and every tv
that's been trying to convince me
to participate
in some prep school punk's plan to perpetuate retribution
perpetuate retribution
even as the blue toxic smoke of our lesson in retribution
is still hanging in the air
and there's ash on our shoes
and there's ash in our hair
and there's a fine silt on every mantle
from hell's kitchen to brooklyn
and the streets are full of stories
sudden twists and near misses
and soon every open bar is crammed to the rafters
with tales of narrowly averted disasters
and the whiskey is flowin
like never before
as all over the country
folks just shake their heads
and pour

so here's a toast to all the folks who live in palestine
afghanistan
iraq

el salvador

here's a toast to the folks living on the pine ridge reservation
under the stone cold gaze of mt. rushmore

here's a toast to all those nurses and doctors
who daily provide women with a choice
who stand down a threat the size of oklahoma city
just to listen to a young woman's voice

here's a toast to all the folks on death row right now
awaiting the executioner's guillotine
who are shackled there with dread and can only escape into their heads
to find peace in the form of a dream

cuz take away our playstations
and we are a third world nation
under the thumb of some blue blood royal son
who stole the oval office and that phony election
i mean
it don't take a weatherman
to look around and see the weather
jeb said he'd deliver florida, folks
and boy did he ever

and we hold these truths to be self evident:
#1 george w. bush is not president
#2 america is not a true democracy
#3 the media is not fooling me
cuz i am a poem heeding hyper-distillation
i've got no room for a lie so verbose
i'm looking out over my whole human family
and i'm raising my glass in a toast

here's to our last drink of fossil fuels
let us vow to get off of this sauce
shoo away the swarms of commuter planes
and find that train ticket we lost
cuz once upon a time the line followed the river
and peeked into all the backyards
and the laundry was waving
the graffiti was teasing us
from brick walls and bridges
we were rolling over ridges
through valleys
under stars
i dream of touring like duke ellington
in my own railroad car
i dream of waiting on the tall blonde wooden benches
in a grand station aglow with grace
and then standing out on the platform
and feeling the air on my face

give back the night its distant whistle
give the darkness back its soul
give the big oil companies the finger finally
and relearn how to rock-n-roll
yes, the lessons are all around us and a change is waiting there
so it's time to pick through the rubble, clean the streets
and clear the air
get our government to pull its big dick out of the sand
of someone else's desert
put it back in its pants
and quit the hypocritical chants of
freedom forever

cuz when one lone phone rang
in two thousand and one
at ten after nine
on nine one one
which is the number we all called
when that lone phone rang right off the wall
right off our desk and down the long hall
down the long stairs
in a building so tall
that the whole world turned
just to watch it fall



and while we're at it
remember the first time around?
the bomb?
the ryder truck?
the parking garage?
the princess that didn't even feel the pea?
remember joking around in our apartment on avenue D?

can you imagine how many paper coffee cups would have to change their design
following a fantastical reversal of the new york skyline?!

it was a joke, of course
it was a joke
at the time
and that was just a few years ago
so let the record show
that the FBI was all over that case
that the plot was obvious and in everybody's face
and scoping that scene
religiously
the CIA
or is it KGB?
committing countless crimes against humanity
with this kind of eventuality
as its excuse
for abuse after expensive abuse
and it didn't have a clue
look, another window to see through
way up here
on the 104th floor
look
another key
another door
10% literal
90% metaphor
3000 some poems disguised as people
on an almost too perfect day
should be more than pawns
in some asshole's passion play
so now it's your job
and it's my job
to make it that way
to make sure they didn't die in vain
sshhhhhh....
baby listen
hear the train?


::::::A bomba
não é séria, é conspicuamente tediosa


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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ATENÇÃO:

Não deixem de votar para que possamos decidir qual será o logotipo do nosso blog!

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Já tinha lido o texto seguinte há bastante tempo atrás. Desde que criei o blog venho tentanto encontrá-lo de novo e não consegui até que hoje fui ao blog da Vanessinha, o Nerdsnews, e vi o texto postado lá. Não deixem de ler, é bastante interessante!

"Água ou Coca-Cola?

ÁGUA

Um copo de água corta a sensação de fome durante a noite para quase 100% das pessoas em regime. É o que mostra um estudo na Universidade de Washington. Falta de água é o fator nº 1 da causa de fadiga durante o dia.
Estudos preliminares indicam que de 8 a 10 copos de água por dia poderia aliviar significativamente as dores nas costas e nas juntas em 80% das pessoas que sofrem desses males.
Uma mera redução de 2% da água no corpo humano pode provocar incoerência na memória de curto prazo, problemas com matemática e dificuldade em focalizar uma tela de computador ou uma página impressa.
Beber 5 copos de água por dia diminui o risco de câncer no cólon em 45%, pode diminuir o risco de câncer de mama em 79% e em 50% a probabilidade de se desenvolver câncer na bexiga.
Você está tomando a quantidade de água que deveria todos os dias?

COCA-COLA

Em muitos estados nos EUA os patrulheiros rodoviários carregam dois galões de Coca-cola no porta - malas para ser usado na remoção de sangue da pista depois de um acidente.
Se você puser um osso em uma tigela com Coca-cola ele se dissolverá em dois dias.
Para limpar privadas: despeje uma lata de Coca-cola dentro do vaso e deixe a "coisa" decantar por uma hora e então dê descarga. O ácido cítrico na Coca-cola remove manchas na louça do vaso.
Para remover pontos de ferrugem dos pára-choques cromados de automóveis: esfregue o pára- choque com um chumaço de papel de alumínio (usado para embrulhar alimentos) molhado com coca- cola.
Para limpar corrosão dos terminais de baterias de automóveis: despeje uma lata de Coca-cola sobre os terminais e deixe efervescer sobre a corrosão.
Para soltar um parafuso emperrado por corrosão: aplique um pano encharcado com Coca-cola sobre o parafuso enferrujado por vários minutos.
Para remover manchas de graxa das roupas: despeje uma lata de Coca-cola dentro do tanque com as roupas com graxa, adicione detergente e bata em ritmo regular. A Coca-cola ajudará a remover as manchas de graxa.
A Coca-cola também ajuda a limpar o embasamento do pára-brisa do seu carro.
Para sua informação: O ingrediente ativo na Coca-cola é o ácido fosfórico. Seu PH é 2.8. Ele dissolve uma unha em cerca de 4 dias. Ácido fosfórico também rouba cálcio dos ossos e é o maior contribuidor para o aumento da osteoporose. Há alguns anos, fizeram uma pesquisa na Alemanha para detectar o porquê do aparecimento de osteoporose em crianças a partir de 10 anos (pré-adolescentes). Resultado: excesso de Coca-cola, por falta de orientação dos pais.
Para transportar o xarope de Coca-cola, os caminhões comerciais devem ser identificados com a placa de Material Perigoso que é reservado para o transporte de materiais altamente
corrosivos.
Os distribuidores de Coca-cola têm usado a coca para limpar os motores de seus caminhões há pelo menos 20 anos.
Mais um detalhe: A Coca Light tem sido considerada cada vez mais pelos médicos e pesquisadores como uma bomba de efeito retardado, por causa da combinação Coca + Aspartame, suspeito de causar lúpus e doenças degenerativas do sistema nervoso.

A pergunta é: 'Você gostaria de um copo de água ou um copo de Coca-Cola?'
Dr. Renato de Medeiros Silva
Ortopedia/ Medicina Natural "

OBS: Não tenho certeza quanto a veracidade dessas afirmações... Mas minha amiga Ana Clara me disse uma vez que seu pai testou a dica de limpar a privada com Coca e deu certo. Bem, já sei o que fazer quando faltar desinfetante aqui em casa...

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Qual destes símbolos vocês preferem? Um deles pode se tornar o logotipo do nosso blog...















(fonte: site Foice)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Que lindo! Como o Bush é esperto, não? Agora as sanções podem terminar, a guerra será legitimada, a ONU será esquecida e papai Bush virou herói...! Quem sabe ele não gosta da tática e resolve acabar com o embargo em Cuba também?

Reportagem de Fernando Canzian na Folha:

"O presidente dos EUA, George W. Bush, pediu ontem às Nações Unidas a suspensão completa das sanções econômicas contra o Iraque, vigentes desde que o ditador Saddam Hussein invadiu o Kuait, em agosto de 1990.
'Agora que o Iraque foi liberado, as Nações Unidas deveriam suspender as sanções sobre o país', declarou Bush durante visita a uma fábrica da Boeing em St. Louis, no Missouri (sul).
'A resistência militar organizada praticamente acabou, e as maiores cidades iraquianas foram liberadas. Há uma semana, Bagdá estava cheia de estátuas e imagens do ditador [Saddam Hussein]. Elas são difíceis de se encontrar hoje', disse Bush.
No final, acrescentou o presidente, 'o povo iraquiano terá uma vida melhor do que qualquer coisa que teve em gerações'.
O pedido do presidente colocou contra a parede seus principais antagonistas na questão do Iraque na ONU. França e Rússia, principalmente, não apoiaram a guerra e agora dificilmente terão argumentos contrários à suspensão das sanções. Críticos das sanções afirmam que elas reduziram extremamente o padrão de vida iraquiano enquanto o regime de Saddam enriquecia lucrando com o mercado negro oriundo delas.
Com o pedido, Bush também espera legitimar a ação militar americana e britânica sem ter de abrir a concessão de dar à ONU um papel importante na estabilização e reconstrução do Iraque.
Depois de ter dito, há uma semana, que a ONU teria um 'papel vital' no Iraque, Bush não tocou mais no assunto.(...)"

(grifos meus)

Que patético!



Estudantes do Texas saúdam o presidente Bush na Casa Branca, antes de ele partir para St. Louis

(Folha de São Paulo)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Notícias do pós-Guerra

Pronto. A economia do Iraque já está nas mãos dos EUA. O texto seguinte foi publicado na Folha. Repórter: Roberto Dias.

"O governo americano começou a enviar notas de US$ 1 e de US$ 5 para os primeiros trabalhos de reconstrução do Iraque.
O dinheiro sai do Federal Reserve de Nova York, um dos braços do banco central dos EUA, e vai de avião para o país, onde será usado no pagamento de servidores civis, segundo publicou o 'Wall Street Journal', numa informação confirmada ontem por oficiais americanos em Bagdá.
A atitude, na prática, dá início a um processo de dolarização da economia iraquiana e responde a uma das muitas dúvidas que há sobre os caminhos que o governo dos EUA adotará no pós-guerra. Resta saber, por exemplo, se a dolarização será total ou parcial e se será provisória.
Os primeiros dólares serão utilizados ainda nesta semana. O salário médio será de US$ 20 -um profissional de nível superior ganhava cerca de US$ 50.
Os carregamentos estarão lastreados no US$ 1,7 bilhão em investimentos iraquianos recentemente confiscados pela administração de George W. Bush. O Fed de Nova York se recusou a detalhar quanto dinheiro está sendo enviado ao Iraque.
'Não havia outra escolha para o governo americano', afirma Benn Steil, diretor do Centro para Estudos Geoeconômicos Maurice R. Greenberg. 'Até mesmo o mais nacionalista dos iraquianos gostará agora de ter dólares em vez de dinares', diz ele.
Até o início da guerra, havia duas moedas no Iraque, ambas chamadas dinar. Uma delas era emitida pelo governo de Bagdá e trazia a imagem do ditador Saddam Hussein estampada em suas notas. Outra, conhecida como 'dinar suíço' em referência ao país onde suas notas eram impressas, circulava, sob limitações de volume, no norte do país, na área controlada pelos curdos.
A moeda do regime de Saddam conheceu enorme flutuação durante a última década.
Antes do embargo determinado pela ONU na sequência da Guerra do Golfo (1991), um dinar valia US$ 3,20. A desvalorização, porém, fez com que antes do início do atual conflito fossem necessários 2.500 dinares para comprar um dólar. Com os saques a bancos após a tomada de Bagdá, a cotação chegou a atingir picos de 16 mil dinares por dólar, e a moeda foi à venda no eBay, site de leilão na internet, como relíquia.
Embora seja plausível supor que o governo americano queira tirar do mercado as notas que trazem a imagem de Saddam, isso pode levar tempo. 'Mecanicamente, não é fácil fazer isso. Primeiro, porque tem de ser trocado por algo. Além disso, não sabemos nem mesmo quanto desse dinheiro existe', afirma Steil.
O mais provável, aponta ele, é que o Iraque conviva nos próximos dois anos com três moedas (o dólar e os dois dinares). A escolha da moeda definitiva do país seria feita após a instalação de um novo governo, mas há dúvida sobre as repercussões que o uso do dólar no Iraque terá nos vizinhos árabes, já que a medida pode ser vista como imperialista.
Após o conflito na antiga Iugoslávia, a Bósnia introduziu como meio de pagamento o marco, da Alemanha, a maior economia da Europa."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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MENSAGEM PARA ESTA SEMANA SANTA


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::::::A bomba
sofre de hérnia estranguladora, de amnésia, de mononucleose, de verborréia

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Quarta-feira, Abril 16, 2003


Bob Marley:

"... Emancipate yourself from mental slavery;
None but ourself can free our minds.
Have no fear for atomic energy,
'Cause none of them can stop the time.
How long shall they kill our prophets,
While we stand aside and look?
Some say it's just a part of it:
We've got to fulfil de book.
Won't you help to sing
Another song of freedom? -
'Cause all I ever have:
Redemption songs...
"



"Veja-os lutando pelo poder, mas eles não sabem a hora de parar. Então eles subornam com seu dinheiro e suas armas."


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Durante a invasão do Iraque, fiz questão de postar todos os textos de Antônio L. M. C. da Costa, publicados na CartaCapital, geralmente muito bons. Dessa vez vou postar apenas um trechinho, referente ao dia 10 de abril, que explica o que as pessoas aprenderam com esse conflito. Segundo ele, todos aprenderam alguma coisa. Os jornalistas, aprenderam que são alvos (pelo menos aqueles que realmente querem informar). Os iraquianos aprenderam a saquear seus próprios hospitais e universidades. Já a Coréia do Norte, aprendeu que precisa se rearmar urgentemente. Leiam o artigo inteiro na seção Nosso Mundo. Foi bastante irônico (adoro isso...!).

"(...) Bush e Blair fazem um discurso supostamente dirigido ao povo iraquiano, mas em Bagdá ninguém os ouve: a cidade continua sem energia e sem tevê. Os EUA convidam três países para a primeira conferência sobre a reconstrução do Iraque: Reino Unido, Austrália e Polônia (que enviou 50 soldados). É o verdadeiro tamanho da 'coalizão' que Colin Powell, a Fox e a CNN diziam incluir 45 países.
Os curdos, ajudados pelos norte-americanos, tomam a cidade de Kirkuk, rica em petróleo, que seus líderes sonham transformar em capital de um Curdistão independente. A Turquia volta a ameaçar com uma intervenção. Washington assegura que os combatentes curdos serão rapidamente tirados da cidade.
Entre os mortos, contam-se, além dos jornalistas, 105 soldados norte-americanos (sem contar as perdas das últimas 48 horas) e 30 britânicos. Quantos iraquianos? O comando norte-americano nada tem a dizer: 'Não contamos corpos', disse o general Tommy Franks.
Mas o site independente http://www.iraqbodycount.net/ mantém uma contabilidade das mortes de civis registradas pela imprensa: 1.140 a 1.376 até a tarde de quinta-feira. Mas, só em Basra, os hospitais estimam ter lidado com mil a 2 mil cadáveres. Os feridos, na última contagem do governo iraquiano (dia 3), haviam chegado a 5.103. Depois da invasão de Bagdá, devem ter sido muito mais. Só a mídia árabe ousa mostrar as cenas brutais de crianças agonizantes e mutiladas.
Sobre militares iraquianos, nenhuma informação confiável. Em Bagdá, uma divisão de 10 mil soldados parece ter sido toda destruída. Mas como distinguir civis e militares, ou mesmo chegar a um número em meio a tantos corpos carbonizados e despedaçados?
E quanto às famosas armas de destruição em massa? Com exceção das bombas de fragmentação norte-americanas, não apareceu nenhuma, nem mesmo na hora mais desesperada do regime de Saddam. 'Tenho muita curiosidade em saber se de fato a encontrarão', diz Hans Blix, o inspetor da ONU. 'Talvez já devessem ter encontrado algum deles (os laboratórios que as estariam produzindo), se existissem'. Mas será que mais alguém realmente se importava se elas existiam ou não?
Donald Rumsfel ameaça mais uma vez a Síria: 'Nós demos um aviso preciso para não ajudar o Iraque. Eles parecem ter tomado a decisão consciente de ignorá-lo'. John Bolton, subsecretário de Estado, diz esperar que o Irã, a Síria e a Coréia do Norte tenham aprendido a lição.
Pyongyang aprendeu, sim: 'A guerra do Iraque, lançada pelo ataque preventivo dos EUA, prova claramente que uma guerra só pode ser evitada e a segurança de um país e de uma nação só pode ser assegurada quando se tem uma força de contenção física', divulga a agência de notícias norte-coreana. Nada de curvar-se a exigências de desarmamento para facilitar a invasão."

(grifos meus)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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..... especial para os utópicos e revolucionários e poéticos e músicos.....



Para ouvir em tempos de guerra....

Ani di Franco - Self Evident
Beastie Boys- In A World Gone Mad
Billy Bragg - The Price of Oil
Green Day - Life During Wartime
John Kasper - We're the Enemy
John Mellencamp - To Washington
John Trudell - Bombs Over Baghdad
Lenny Kravitz - We Want Peace
Michael Franti - Bomb The World
Paula Cole - My Hero, Mr. President
R.E.M. - The Final Straw
Saul Williams - Not in My Name (DJ Spooky Remix)
Stephan Smith, Pete Seeger - I Will Not Fight Your War
Zach de la Rocha and DJ Shadow - March of Death

::::::A bomba
industrializou as térmites convertendo-as em balísticos interplanetários



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Petróleo é mais protegido do que civis
A Anistia Internacional condenou ontem a atuação da coalizão anglo-americana no Iraque pós-Saddam. Em documento divulgado em seu site na Internet, a entidade de defesa dos direitos humanos afirmou que EUA e Reino Unido destinaram mais recursos para proteger os campos de petróleo do que para garantir a segurança da população iraquiana. A Anistia definiu como "chocantemente inadequada" a atuação dos militares dos dois países para conter a desordem que tomou conta do Iraque após a queda do regime de Saddam Hussein. "Tropas de combate não costumam ter treinamento e equipamento adequados para exercer funções policiais."


Folha

::::::A bomba
tem 50 megatons de algidez por 85 de ignomínia

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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O texto abaixo foi publicado na Novae e escrito por Tanira Lebedeff. Discute até que ponto a queda da estátua de Saddam foi uma coisa aplaudida pelo povo iraquiano - e até que ponto foi apenas um espetáculo montado pela mídia norte-americana. Está muito bom e não é tão grande assim...



"'Se você contar uma mentira poderosa e a repetir continuamente, as pessoas irão eventualmente acreditar em você. A mentira pode ser mantida enquanto o Estado puder evitar que o povo conheça as conseqüências políticas, econômicas ou militares dessa mentira. E importante, portanto, que o Estado use todos seus poderes para reprimir a oposição, porque a verdade e inimiga mortal da mentira, e portanto, a verdade e inimiga mortal do Estado.' ·

Los Angeles - A teoria acima e atribuída ao Ministro da Propaganda alemão Joseph Goebbels. Sim, aquele que trabalhou com Hitler. Infelizmente, essa ainda parece ser a regra, em pleno século XXI. Parece que nada aprendemos.

Mas não somos tão ingênuos, nem nossas fontes de informação são tão limitadas. Por isso, hoje custamos acreditar no que ouvimos, vemos, lemos. Quem perde? O Jornalismo.

No dia 9 de abril uma das imagens "mais memoráveis" da II Guerra do Golfo nos foi apresentada, com tropas americanas ajudando iraquianos a derrubar a estatua de Saddam Hussein da praça chamada Fardus Square, no centro de Bagdá.

Vista através de planos fechados, e fácil de admirar o simbolismo da imagem - o ditador cai, assim como a estatua de Lênin e o Muro de Berlim um dia também caíram. Mas, Será que foi mesmo o povo iraquiano que fez isso?

A denuncia esta sendo feita através da Internet, em sites como o do Centro de Pesquisas sobre Globalização. Veja o link

Vista por um plano mais aberto, a cena parece mais um espetáculo orquestrado pelo governo americano. A área circulada em vermelho mostra onde a imprensa, os soldados americanos e simpatizantes se reuniram para testemunhar à derrubada da estátua. Não havia mais de 150 pessoas, diz o relato. A praça estava cercada por tanques americanos (circulados em amarelo). A cena ocorreu em frente ao Hotel Palestine, que serve de QG para Jornalistas do mundo inteiro em Bagdá. Os pró-americanos envolvidos no evento são simpatizantes de Ahmed Chalabi, que chegou ao Iraque no dia 6 de abril. Chalabi e um exilado que vive nos EUA, e é um dos favoritos para liderar um novo governo, sob a tutela de Bush & Cia. Uma das imagens mostra simpatizantes de Chalabi comemorando a ¿derrubada¿ da imagem de Saddam.

Ouça, veja, leia, e acredite no que quiser.

Um amigo me contou uma lenda indiana. Numa vila, vivia uma menina muito levada, que cuidava de um rebanho. Todos os dias, após passar algumas horas no campo, ela voltava aos gritos "Jacal! Jacal!", fazendo com que todos os moradores corressem para socorre-la da fera. Mas era tudo uma brincadeira. E assim se passou muito tempo. "Jacal! Jacal!", todos corriam assustados, e a menina ria da própria molecagem. "Jacal! Jacal!", e não havia fera alguma ameaçando a menina, o rebanho, ou a vila. Até que um dia a menina gritou, desesperada: "Jacal! Jacal!". Ninguém acreditou. "Jacal! Jacal!" Ninguém veio socorre-la. "Jacal! Jacal!" Os gritos cessaram. A menina nunca mais foi vista.

O que vai prevalecer? A teoria de Goebbels?

Ou nossa necessidade de saber a verdade?

No te creo nada, no te creo nada, no te creo nada. No te creo mas."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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O texto seguinte explica porque o canal português RTP foi considerado por muitos como o que ofereceu melhor cobertura para a invasão do Iraque. Eu não posso comentar muito a respeito, já que não tenho acesso à RTP na minha casa. Mas o texto é interessante, como tudo o que diz respeito à imprensa, especialmente numa situação como a do conflito atual. Escrito por Mário Marona, na CapitalGaúcha.

"Zé comanda a melhor tevê da guerra
(20/03)

A melhor cobertura jornalística da invasão do Iraque é de uma emissora de tevê que fala português. Em apenas 48 horas de guerra, a RTP de Portugal acumula algumas vitórias importantes sobre todas as grandes emissoras do mundo. Foi a primeira a transmitir o ataque inicial americano a Bagdá; foi a única a mostrar um repórter trabalhando diante do cenário do conflito, obrigado a elevar a voz para se fazer ouvir em meio às explosões; e nenhuma concorrente, nem CNN, nem BBC, nem Fox ou qualquer outra gigante exibiu imagens tão próximas do confronto.

As grandes emissoras americanas decidiram transmitir a guerra em forma de pool. O recurso, se barateia a cobertura e facilita o trabalho das equipes, tem o defeito de empobrecer as imagens e torná-las, todas, parecidas. A vantagem da RTP começou aí. A emissora estatal portuguesa não participou do pool. Quem zapeava em busca de informações diante da tevê só encontrava diferença na imagem tecnicamente pobre, mas jornalisticamente riquíssima, transmitida de Bagdá para Lisboa pelo videofone da RTP. Mas que ninguém pense que a emissora lusitana acabou levando vantagem apenas por ter sido excluída da panelinha das grandes, de cujas imagens, por sinal, não deixou de fazer uso sempre que necessário.

O melhor da RTP foi o estilo, que privilegia o conteúdo, mesmo que em detrimento da técnica; dá preferência à informação sem submeter-se à ditadura do formato. A falta de solenidade acaba virando a própria forma que, de tão simples e direta, torna-se inovadora. A naturalidade não é improviso, é opção.

- O âncora, bem informado, competente, calmo, comanda verdadeiramente a transmissão: descreve as cenas que estão no ar, presta atenção aos detalhes, auxilia o repórter que está no ar ao vivo, passa-lhe instruções ¿ novidades, diante dos apresentadores estilo 'bonitinho-com-voz-de-homem' a que estamos acostumados.

- Ao lado do âncora, na bancada principal do telejornal, uma jornalista com enormes fones de ouvido acompanha as demais emissoras e a cobertura das agências para interrompê-lo, sempre que necessário, com informações novas ou esclarecimentos que complementem ¿ até corrijam - o texto dos correspondentes.

- Enquanto todas as emissoras transmitiam a entrevista coletiva do porta-voz da Casa Branca, a RTP se dava ao luxo de, pela segunda vez consecutiva, ser a primeira a exibir, ao vivo, mais um ataque americano a Bagdá, numa evidente opção preferencial pela notícia exclusiva.

- Da bancada, o âncora comanda de fato. Pede que dividam a tela para mostrar duas cenas ao mesmo tempo, determina que 'não tirem a imagem de Bagdá do ar' e acaba chegando a detalhes técnicos: em meio ao ataque americano, sugere ao cinegrafista que experimente uma mudança na abertura do diafragma da câmera para melhorar a qualidade da imagem.

- O cinegrafista Nuno Patrício não é bom só com a câmera nas mãos. Num momento em que o correspondente Carlos Fino deixara o posto para verificar a extensão do ataque através de outro ponto de observação, é Patrício quem pega o microfone para responder, com informações precisas, a uma pergunta do âncora.

Na cobertura da RTP, a informalidade esta a serviço do conteúdo. E os correspondentes nem perdem tempo com os nomes de José Carlos e José Roberto, que dividem o comando da transmissão. No ar, ao vivo, em plena guerra, os repórteres chamam-nos de 'Zé'."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Olha que foto bonitinha:


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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::::::PS:::::



Apesar deste ser um blog sobre a guerra e anti-neo-imperialismo-americano, devido a nossa tendência esquerdista, acho interessante comentar sobre os ocorridos em Cuba, enquanto as atenções se voltavam para o oriente... Coloco a carta do escritor José Saramago (o mesmo do nosso manifesto ), e logo depois um editorial da folha (de ontem) que expressa os meus pensamentos agora...


"Até aqui cheguei. De agora em diante, Cuba seguirá seu caminho, e eu fico onde estou. Discordar é um direito que se encontra e se encontrará inscrito com tinta invisível em todas as declarações de direitos humanos passadas, presentes e futuras. Discordar é um ato irrenunciável de consciência. Pode ser que discordar leve à traição, mas isso sempre tem de ser mostrado com provas irrefutáveis. Não creio que se tenha atuado sem deixar lugar a dúvidas no julgamento recente de onde saíram condenados a penas desproporcionais os cubanos dissidentes. E não se entende por que, se houve conspiração, não tenha sido expulso já o encarregado do escritório de interesses dos EUA em Havana, a outra parte da conspiração.
Agora chegam os fuzilamentos. Sequestrar um barco ou um avião é um crime severamente punível em qualquer país do mundo, mas não se condenam à morte os sequestradores, sobretudo ao ter em conta que não houve vítimas. Cuba não ganhou nenhuma heróica batalha fuzilando esses três homens, mas sim perdeu minha confiança, fraudou minhas esperanças, destruiu minhas ilusões. Até aqui cheguei."


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CRIMES DE FIDEL

Aproveitando-se de que os olhares do mundo estavam voltados para os desmandos dos EUA no Iraque, o ditador cubano, Fidel Castro, resolveu endurecer o regime e deflagrou uma nova onda de repressão na ilha caribenha.
Num intervalo de 20 dias entre captura e sentença, 75 dissidentes cubanos foram condenados a penas que variam de seis a 28 anos de cadeia. As acusações são as de atentar contra a "segurança do Estado" e conspirar "a favor de potência estrangeira".
Num desenvolvimento paralelo, Havana condenou à morte e fuzilou três pessoas que haviam sequestrado um barco de passageiros e tentado desviá-lo para a Flórida. O plano fracassou e os perpetradores foram detidos. Deve-se reconhecer que, diferentemente de presos políticos, os sequestradores cometeram um crime grave. Mas isso não basta para justificar a aplicação da pena capital -já condenável em si mesma- para um delito que não causou mortes.
Fidel Castro poderia muito bem aproveitar-se de um momento em que a opinião pública mundial está majoritariamente contra seu maior inimigo -os EUA- para reforçar os pleitos de Cuba diante da comunidade internacional. Se tivesse dado sinais de distensão e abertura, conseguiria trazer para si a simpatia do mundo, e quem sabe também algum apoio político para tentar colocar um fim ao embargo econômico que Washington impõe aos cubanos. Mas, atuando com a miopia típica dos tiranetes, Fidel preferiu apostar numa saída de força, numa atitude criminosa que já lhe valeu ampla gama de condenação internacional.
Nos próximos dias, o caso será apreciado pela Comissão de Direitos Humanos da ONU, da qual Havana poderá receber nova censura. Mas não convém esperar muito de uma comissão de direitos humanos presidida pela Líbia de Muammar Gaddafi -mais um sinal destes tempos confusos em que vivemos.


::::::A bomba
faz week-end na Semana Santa


(bem sugestivo não?)



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Depois de votar na nossa enquete, vc provavelmente se pergunta:::

Por que os EUA atacariam a Síria?????????
Então reuni alguns dados:

>>>> Nome: REPÚBLICA ÁRABE DA SÍRIA
>>>> A síria não possui reserva significativa de petróleo
>>>> O exército sírio (assim como o Iraquiano) é muito atrasado
>>>> Não se trata de um país grande uma vez que Síria tem uma área de só 185.000 Km quadrados.
>>>> A oeste faz limites com Mar Mediterrâneo, Líbano, e Palestina, ao sul com Jordânia a leste com Iraque e Turquia(estratégico?)
>>>> população - 16,1 milhões
>>>> Religião: islamismo 86% (sunitas 74%, xiitas 12%), cristianismo 8,9%, drusos 3%, outras 2,1%
>>>> Protagonista do conflito árabe-israelense, a Síria reivindica a devolução das estratégicas Colinas de Golã, ocupadas por Israel na Guerra dos Seis Dias (1967) e que permanecem sob seu domínio até hoje. Como pressão, o governo sírio dá suporte a guerrilheiros extremistas que, baseados no Líbano - país onde a Síria mantém 35 mil soldados -, lançam ataques contra o território israelense. Em junho de 2000 morre Hafiz el-Assad, ditador da Síria por quase 30 anos. Ele é sucedido pelo filho Bachar, de 34 anos. (este conflito com Israel pode ser um dos motivos pelos quais os EUA querem "organizar" a síria...)
>>>> Abriga os grupos terroristas que atacam Israel: Hezbollah e Hamas (sem comentários....)

Página que explica o envolvimento da síria com a causa palestina::::: http://www.vozarabe.jor.br/atual/pagina_04.htm


::::::A bomba
chora nas noites de chuva, enrodilha-se nas chaminés



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Terça-feira, Abril 15, 2003


Sem querer ser repetitiva:::::::::

Deja vu:

"Cremos que haja armas químicas na Síria."

George W. Bush, presidente dos EUA, ontem na Folha.

::::::A bomba
multiplica-se em ações ao portador e portadores sem ação




por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Ótimo editorial da Folha de hoje


NINGUÉM ESTÁ A SALVO

Praticamente encerrada a guerra no Iraque, as baterias retóricas norte-americanas estão-se voltando contra a Síria. Ao longo dos últimos dias, funcionários de vários escalões do governo dos EUA -de subsecretários ao próprio presidente- se puseram a assacar a Damasco uma série de acusações, que vão de produzir e testar armas químicas a dar refúgio a membros da cúpula do regime de Saddam Hussein.
No mais recente "raid" contra o governo do presidente sírio, Bashar al Assad, ontem, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, ameaçou Damasco com sanções "diplomáticas, econômicas ou de outra natureza", e o porta-voz-chefe da Presidência dos EUA, Ari Fleischer, classificou o país como "nação delinquente", que "há muito tempo frequenta a lista de países terroristas". Na véspera, o próprio presidente George W. Bush havia dito que a Síria possui arsenais químicos.
É possível que a Casa Branca esteja apenas querendo colocar um pouco de pressão sobre Al Assad. Mas, uma vez que o bom senso e o comedimento não têm sido a marca da administração Bush, é possível também que o governo dos EUA, encantado com a facilidade com que obteve a vitória militar sobre o Iraque, esteja fabricando o pretexto para lançar-se, agora ou no futuro próximo, numa guerra contra a Síria.
Os "falcões" de Washington já provaram que não são contidos por instrumentos como a diplomacia ou a opinião pública internacional. E vale registrar que, em termos estritamente legais, nada impede a Síria de possuir armas químicas ou dar asilo a membros do governo de Saddam. Após a derrota na primeira Guerra do Golfo o Iraque se comprometeu a destruir seu armamento não-convencional (o que parece ter mesmo feito), mas a Síria não é signatária da Convenção de Armas Químicas.
Os EUA já passaram por cima do direito internacional no caso do Iraque e não há por que acreditar que leis os deteriam agora ou no futuro. Washington parece ter decidido exercer sua vocação imperial. Até que Bush e seus "falcões" deixem a Casa Branca, nenhum país está seguro.


PS: Feliz aniversário para a minha irmã Mariana!


::::::A bomba
tem horas que sente falta de outra para cruzar


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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>::::::::::Como previsto::::::::::::

"""""""Mas boicotes, atrasos e protestos apontaram para os problemas a serem enfrentados no futuro. Em Nassiriya, próximo de Ur, milhares de iraquianos realizaram uma manifestação para pedir a saída dos norte-americanos, que não seriam mais necessários depois da queda de Saddam Hussein.

"Não à América. Não a Saddam", gritavam os iraquianos xiitas. Os xiitas, maioria da população iraquiana, viviam há muito tempo oprimidos pelo governo de Saddam, sunita. Um canal de TV árabe afirmou que o protesto reuniu cerca de 20 mil pessoas.

Nas negociações iniciadas com atraso em Ur, ceticismo era o sentimento dominante entre os grupos unidos por pouco mais que a satisfação pela derrubada de Saddam e o desconforto com a aproximação dos EUA. Mesmo o líder do Congresso Nacional Iraquiano, Ahmad Chalabi, temendo ser visto como uma marionete dos norte-americanos, escolheu não participar do encontro, para o qual enviou um representante.

O principal grupo de xiitas exilados resolveu não comparecer. "Não podemos contribuir com um processo que acontece sob a supervisão de um general norte-americano", afirmou um porta-voz do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque (SCIRI).

Garner deverá chefiar a Agência de Reconstrução e Ajuda Humanitária (ORHA) do Pentágono (sede das Forças Armadas dos EUA) até que os iraquianos reassumam o controle do país, dentro de seis a 12 meses. O comando militar dos EUA, sob a chefia do general Tommy Franks, deve continuar no país por mais tempo.

Autoridades norte-americanas dizem desejar que os iraquianos formem seu próprio órgão decisório antes da realização de eleições. A criação de um governo estável no Iraque, porém, é uma tarefa espinhosa. Os exilados querem participar do processo, assim como os que viveram durante anos sob o controle de Saddam. """"""""


Terra


::::::A bomba
é redonda que nem mesa redonda, e quadrada




por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Segue entrevista com o indiano Muqtedar Khan, integrante da comunidade muçulmana nos EUA, onde vive há 11 anos, e participante do conselho do Centro de Estudos do Islã e da Democracia. Foi publicada na Folha de SP de hoje e está muito boa!

Folha - Boa parte dos iraquianos parece ter comemorado a queda de Saddam. Como o senhor interpreta isso?
Muqtedar Khan -
Saddam era um ditador e os iraquianos gostariam de ter se livrado dele há muito tempo. A maioria dos muçulmanos vem pedindo mudanças de regime no Oriente Médio há décadas. Mas a questão-chave, de uma perspectiva geopolítica, é se a guerra ilegal e ilegítima de Bush e sua estratégica de ataques preventivos estão sendo legitimadas pela reação dos iraquianos.

Folha - Estão?
Khan -
Não. Bush não atacou o Iraque para libertar o povo iraquiano, mas para encontrar armas de destruição em massa. Mesmo que encontrem alguma coisa agora, o fato é que Saddam Hussein, mesmo na perspectiva de ser derrotado, não usou armas químicas. Bush terá que responder por isso diante da opinião pública americana e internacional.

Folha - A opinião pública americana vai cobrar isso?
Khan -
Mais de 55% dos americanos acreditam que Saddam foi responsável pelos atentados de 11 de setembro. O problema para Bush agora não vem da maioria da população, mas do fato de que alguns líderes democratas terão como resgatar seu caráter e perguntar: onde estão as armas de que vocês falavam? Além disso, existe uma disputa interna no Partido Republicano, entre os conservadores tradicionais que eram próximos de Bush pai e os novos caubóis, que ganharam um voto de confiança e não fizeram jus a ele. Para os EUA, a questão agora é ganhar a paz. Se a ONU não tiver papel preponderante no pós-guerra, serão vistos como um poder colonial. Tony Blair, ao pretender retomar a questão do Estado palestino, tenta impedir que o governo Bush comece a pensar na próxima guerra.

Folha - O senhor acredita que esse será o próximo passo?
Khan -
Bush não será capaz de demonstrar internamente a necessidade de atacar a Síria ou o Irã. A campanha presidencial começa e será complicada para ele, por mais que agora desfrute do aplauso da população. O governo tem um déficit de credibilidade. Não achou Bin Laden, não achou o mulá Omar, não achou sequer a pessoa que estava mandando cartas com antraz. A única coisa que fez foi baixar impostos barbaramente no mesmo ano em que entrou em uma guerra.

Folha - Na sua opinião, o nacionalismo árabe está vivo?
Khan -
Não. Hoje ele é representado por regimes decrépitos como o de Mubarak no Egito e o de Assad na Síria. O autoritarismo e a intolerância no mundo árabe vêm dos regimes seculares. Os movimentos islâmicos foram mantidos fora do poder pela repressão e nunca tiveram a oportunidade de falhar ou se legitimar.

Folha - Em sua origem, o nacionalismo árabe defendia a soberania, a República, alguma separação entre religião e Estado. Qual seria a alternativa?
Khan -
Há outro modo de examinar o nacionalismo árabe, como instrumento do colonialismo inglês. O que chamamos de "revolta árabe" durante a Primeira Guerra Mundial foi instigada pela Grã-Bretanha, para abrir uma nova frente contra o império otomano. O nacionalismo é essencialmente uma idéia britânica para minar a idéia pan-islâmica do califado. Os partidos religiosos, por sua vez, assumem que o Islã vai resolver todos os problemas e não têm nem uma boa análise de quais sejam os problemas do Oriente Médio nem políticas específicas para resolvê-los.

Folha - Se houvesse eleições livres nos países árabes, eles seriam vitoriosos?
Khan -
Os partidos religiosos chegariam ao poder não por causa de seu programa, mas como uma expressão do antiamericanismo. O que se chama de fundamentalismo islâmico é outra expressão do sentimento anticolonial. Os muçulmanos sentem que se livraram apenas fisicamente do colonialismo. Agora, pensam que têm que resgatar sua cultura e sua identidade. Quando os partidos religiosos dizem que 'só Deus é soberano' num Estado islâmico, estão dizendo 'a América não tem soberania sobre nós'.

Folha - O senhor acredita que esse partidos devem ter a oportunidade de governar?
Khan -
Claro. A secularização, a modernização e a democratização da Europa aconteceram após cem anos de guerras religiosas. Esperamos que isso não aconteça no Oriente Médio, mas os muçulmanos precisam passar pela experiência de levar movimentos islâmicos ao poder democraticamente. O filósofo iraniano Karim Soroush, assessor do presidente Mohamed Khatami, disse recentemente que o que houve em 1979 foi uma rejeição em massa da ocidentalização. Não foi uma revolução islâmica, mas antiocidental, e foi na verdade liderada por esquerdistas e comunistas. Para ele, a atual revolução no Irã, por liberdade e democracia, é a verdadeira revolução islâmica. O Irã está amadurecendo há 20 anos. Talvez devêssemos dar ao Oriente Médio 20 anos de experiência com a solução islâmica. Quem sabe?

Folha - O que se diz é que, uma vez no poder, os movimentos islâmicos acabam com a democracia.
Khan -
Na Turquia, os islâmicos chegaram ao poder três vezes, em 1969, 1996 e agora. Nas duas primeiras, foram os militares que minaram a democracia para derrubá-los. Na Indonésia, eles também entregaram o poder.

Folha - Mas será que no Oriente Médio terão essa oportunidade?
Khan -
No caso do Iraque, ninguém está falando em eleições livres. O que estão dizendo é que querem um governo representativo de todos os povos do país, o que significa que vão escolher indivíduos, alguns curdos, alguns sunitas, alguns xiitas, como no Afeganistão. No Afeganistão, [o presidente] Hamid Karzai não pode nem sair na rua sem a proteção de marines. Essa análise de que o 11 de setembro aconteceu porque não há democracia no Oriente Médio é errada, porque a democratização significaria que não haveria nenhum regime no mundo islâmico, incluindo na Arábia Saudita, que iria cooperar com os EUA como os atuais.

Folha - Quais foram então as razões?
Khan -
A Al Qaeda tem uma pauta de um só ponto. Quer levar o Estado islâmico a todo o mundo muçulmano e a chave é a conquista da Arábia Saudita. A razão para isso é a presença das forças americanas, que estão lá para defender a monarquia da revolução interna. O objetivo da Al Qaeda é forçar os EUA a se retirarem de lá. Lembra do atentado contra os marines em Beirute, em 1983? O Hizbollah acredita que, com 3.000 combatentes, expulsou os EUA do Líbano e depois Israel. A Al Qaeda se deu conta de que essa guerra não-convencional é o meio de superar a relação assimétrica de poder. Acreditava que com atentados os EUA se retirariam do Oriente Médio. Mas seu cálculo deu errado e o 11 de setembro se transformou em uma oportunidade para os EUA exercitarem seu poder militar e garantir a continuidade da dominação.

(de Cláudia Antunes)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Segunda-feira, Abril 14, 2003


Oi, gente!

Tenho uma curiosidade: vcs andam lendo os textos enoooormes que tenho postado ultimamente? Já percebi que quando os textos são curtinhos, sempre aparecem comentários embaixo; quando são extensos, ao contrário, ninguém diz nada no "Fala aí". Isso me dá a sensação de que é porque as pessoas não andam lendo os textos grandes ou, por qualquer motivo, não querem discutir nenhuma questão proposta.

Gostaria de saber oq vcs acham disso, já que são nossos leitores. E declarar que estes últimos textos gigantes que postei estão realmente bons e quem não ler estará realmente perdendo bastante...

Minha sugestão é que vcs leiam meu comentário que vem antes de cada texto, para saber se o assunto interessa.
É isso aí! =)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Notícias de hoje:

1) Forças aliadas invadiram Tikrit, cidade natal de Saddam. Desde sábado vêm bombardeando o lugar, e ontem a "coalizão" travou batalhas com povo da cidade. Líderes tribais estão negociando sua rendição com as tropas anglo-americanas. O ataque foi intenso e a maior parte da população de 100 mil habitantes fugiu de lá.

2) Watban Ibrahim, meio-irmão de Saddam, foi preso por curdos na fronteira do Iraque com Síria. Logo será entregue à "coalizão".

3) Ainda não se sabe se Saddam está vivo ou morto. Um analista político iraquiano disse à Al-Jazeera que o ditador estaria morto. Tommy Franks, comandante das tropas norte-americanas no Iraque, disse que os EUA posuem amostras do DNA de Saddam, que seriam usadas para identificar seu corpo. E eu me pergunto, como conseguiram estas amostras?? Mas Franks não disse...

4) Os curdos foram um dos povos que mais comemoraram a queda de Saddam Hussein, já que isso representaria, teoricamente, a próxima possibilidade de formação do Estado independetente curdo. As comemorações foram suspensas, no entanto, já que os EUA vêm evitando ao máximo a questão do Curdistão, para evitar conflito diplomático com a Turquia. É bom lembrar que os curdos foram fundamentais para a vitória das tropas anglo-americanas no norte do Iraque, já que o governo turco havia proibido a passagem das mesmas por sua fronteira. (quem leu meu post de alguns dias atrás, vai se lembrar de um comentário que fiz: "tomara que os curdos não sejam desiludidos". Muita coisa ainda está por vir nessa questão, que é tão complicada quanto a dos palestinos.

5) George Bush declarou que os EUA "acreditam na presença de armas químicas na Síria". Não sei se estou enganada, mas a questão do Iraque começou de maneira bem parecida... Nos últimos dias várias pessoas de alto escalão da Casa Branca pressionaram Damasco no mesmo sentido, ameaçando inclusive sanções ao país. Israel se juntou aos EUA e acusou Síria de ajudar grupos terroristas (como o Hizbollah, que nem é mais tão terrorista como antigamente...). Ministro sírio rebateu dizendo que único país no Oriente Médio que possui armas de destruição em massa é Israel. Isso ainda vai dar confusão...



Fonte: JB
Charge: Latuff, na Novae

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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::::::::::::LEMBRETE!!!!


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por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Trecho do site do Michael Moore (é, aquele pacifista que foi vaiado no Oscar):::::::::

vale apena visitar!!!!

"""""Caros amigos,

Parece que a administração de Bush terá sucedido em colonizar o Iraque em poucos dias . Este é um erro de tal magnitude -- nós pagaremos por ele por anos para vir. Este erro não valeu a vida de um único americano, além de ter deixado sozinhos os milhares de iraquianos que morreram ---- minhas condolências e orações são para eles.

Então, onde são todas aquelas armas da destruição maciça que era o pretexto para esta guerra? Ha! Há muito para dizer sobre este assunto , mas eu deixarei para mais tarde.

Estou mais interessado agora em todos vocês -- maioria dos americanos que não suportaram esta guerra no primeiro momento -- para que não sejam silenciados ou intimidados por essa grande vitória militar. Agora, mais do que nunca, as vozes da paz e a verdade devem ser ouvidas. Tenho recebido cartas de pessoas que estão sentindo um profundo desespero e acreditam que suas vozes foram afogadas pelos tambores e bombas deste patriotismo falso. Alguns estão receosos da retaliação no trabalho ou na escola ou em suas vizinhanças porque foram vozes da defesa da paz. Foram ditos repetidamente que não é "apropriado" protestar uma vez o país está na guerra, e que seu dever é ,agora, "suportar as tropas."


( ele faz um relato das restrições feitas a ele desde que se expressou pela paz, passem no site)



(site em inglês)


::::::A bomba
vai a todas as conferências e senta-se de todos os lados


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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É importantíssimo questionarmos o papel da imprensa nesta "guerra" do Iraque. É a imprensa que forma opiniões pelo mundo inteiro e seu papel é tão importante que os envolvidos com a invasão não deixaram de pensar um segundo nisso, tentando ganhar a guerra através dela. Muitas vezes lemos um jornal, ou assistimos a um telejornal, pensando estarmos de frente com a melhor notícia, a mais verdadeira e mais imparcial. Mal percebemos alguns tipos de manipulações, através de certos verbos usados, certos adjetivos maniqueístas ou edição de imagens que podem generalizar uma situação que só se passa com uma minoria. Por exemplo, no dia da tomada de Bagdá todos os noticiários mostraram a comemoração de uns poucos iraquianos, que ajudaram a derrubar a estátua de Saddam. E os outros tantos milhões de habitantes, estariam comemorando também? Esse tipo de manipulação disfarçada (embora existam algumas descaradas) ajuda a formar o consenso que Washington quer que seja formado - e vem sendo formado, lá nos EUA. Não é à toa que a maioria do povo estadunidense apoiou esta invasão. Eles assistem CNN. É muito difícil descobrir um jornal que seja realmente sério - mas um bom começo para isso é discutir o Jornalismo e sua atuação hoje.

Segundo Flávio Aguiar, nas suas Cartas Ácidas (publicadas na Agência Carta Maior e n'OPasquim21), "a credibilidade dos jornais norte-americanos e das agências internacionais foi tão bombardeada quanto Bagdá". Além disso, ele também discute se a guerra realmente já terminou, como propagam muitos jornais. Este é um dos melhores textos que li esta semana; dêem uma olhadinha!

"O FIM DA GUERRA E A GUERRA SEM FIM
- Flávio Aguiar (9/4/2003)

Desde seu começo os Estados Unidos e a Grã-Bretanha tentaram ganhar a guerra pela imprensa. E a imprensa fez o seu papel indigno. Toda e qualquer informação que vinha do lado iraquiano era descrita como suposta.

Desde o último fim de semana um ar de fim de guerra tomou conta do noticiário nacional e internacional sobre a invasão do Iraque. Quando digo 'internacional' me refiro ao que tem origem nas agências norte-americanas e européias. Sabemos que a situação na agência Al-Jazira e na agência iraniana que cobrem a guerra é outra. Na madrugada do dia 8 (hora de Brasília) esse ar de conclusão se intensificou com a notícia de que um avião norte-americano havia jogado quatro bombas sobre uma mansão em que se encontrariam Saddam Hussein e seus filhos, levantando-se a hipótese de que eles teriam
morrido.

A notícia repetiu a que deu início à invasão: um bombardeio (naquela ocasião com mísseis) que põe em dúvida a sobrevivência ou a integridade de Saddam, pondo em dúvida portanto a credibilidade do regime de Bagdá.

Desde seu começo os Estados Unidos e a Grã-Bretanha tentaram ganhar a guerra pela imprensa. Na primeira e na segunda tentativa isso não deu certo, ainda que os invasores ganhassem de antemão a imprensa para a guerra. A primeira tentativa de lançar dúvida sobre se Saddam estava vivo não colou; a tentativa subseqüente de criar um clima de 'recepção amistosa' e de 'guerra rápida' também não colou.

Estamos agora na terceira tentativa de definir o fim da guerra pela imprensa: confirmada ou não, a 'morte' de Saddam 'põe fim' ao conflito. Os norte-americanos teriam conseguido aquilo que não conseguiram com Osama Bin Laden: um cadáver para expor ao mundo. Se for o cadáver certo, é outra história.

A imprensa fez o seu papel indigno, ainda que de modo arranhado. Toda e qualquer informação que vinha do lado iraquiano era descrita como 'suposta'. Os iraquianos raramente tinham uma ação descrita de modo cabalmente afirmativo: sempre 'tentavam' alguma coisa. As expressões mais nobres como 'segundo fontes', por exemplo, eram sempre reservadas para os norte-americanos e britânicos.

'Segundo o comando norte-americano dez tanques iraquianos foram destruídos'; 'os iraquianos supostamente destruíram dois helicópteros'; 'o comando britânico informou ter avançado em direção ao centro de Basra'; 'os iraquianos tentaram oferecer uma resistência bombardeando as posições britânicas'; afirmações deste tipo conotavam sempre a confiabilidade das informações dos invasores e as dúvidas sobre as informações dos defensores.

Além destas, houve sempre outras fórmulas: imagens de Saddam eram sempre acompanhadas por dúvidas sobre se era ele mesmo, ou sobre quando as imagens teriam sido feitas. Como num cantochão medieval, grande parte da imprensa se rendeu e ficou entoando a mesma ladainha. Desconsiderou-se, por exemplo, que mesmo com essa repetição enfadonha ficou claro que os comandos invasores mentiam descaradamente, ao lançar suspeitas sobre não terem sido eles os responsáveis pelos bombardeiros de posições civis. As inevitáveis e pungentes imagens de crianças feridas e de mortos, as dúvidas sobre o destino ou a condição de luta dos pára-quedistas norte-americanos lançados no norte do Iraque, tudo isso foi minando a credibilidade das informações transmitidas. Mas isso não parece afetar nem os generais, nem os comandantes ou soldados da imprensa.

A imprensa brasileira também foi afetada por esse clima. Apesar da posição do governo brasileiro ser contra a guerra, e de haver uma maciça opinião pública contrária, alguns jornais chegaram a brandir o termo 'aliados' para descrever os invasores, quando nem estes ousaram empregá-lo, para não constranger italianos e japoneses. Na TV, no começo, houve uma série de entrevistas com analistas contrários à guerra; mas pouco a pouco, por exemplo, foi penetrando o termo 'o inimigo', para referir-se às forças iraquianas.

Houve casos curiosos, como os de algumas entrevistas com membros da Escola Superior de Guerra. Quase todos eles, ao se referirem ao avanço das tropas invasoras, utilizavam um discurso que em retórica se chama de 'indireto livre', aquele que nos põe na pele e no ponto de vista do personagem em ação. Só que nas palavras destes analistas o 'indireto livre' assumia uma forma curiosa de 'plural majestático': 'se nós quisermos avançar rapidamente para Bagdá', 'para nós tomarmos as pontes sobre o Tigre e o Eufrates' etc. e tal.

Este uso do 'plural majestático' tornou-se tão freqüente e escandaloso que uma jornalista, âncora da Globo News, chegou a perguntar a um dos entrevistados: 'nós quem, almirante?' O almirante se atrapalhou todo e saiu dando explicações que o Brasil devia seguir de perto a guerra, e as estratégias, tinha muito que aprender etc.

Na verdade, com Saddam ou sem Saddam a guerra está longe de seu fim. A invasão e a eventual rendição de Bagdá marca apenas seu começo, ou recomeço, se pensarmos na guerra do Golfo, de 91. Que pensam os iraquianos, e os generais de Bagdá? Esta, repito como na semana passada, é a chave da questão. Há uma coleção de perguntas cujas respostas só serão dadas com o passar do tempo. Algumas talvez jamais sejam respondidas. Ou ainda, as respostas dadas a elas permanecerão desacreditadas. Quantos morreram em cada lado? O que foi destruído no caminho? Havia armas químicas ou de destruição em massa no Iraque? Saddam é na verdade prisioneiro de seus generais
tanto quanto estes são prisioneiros da imagem do ditador? Se aparecer um cadáver de Saddam, quem atestará a sua veracidade? Quais serão as ramificações do partido de Saddam nos outros países árabes? Haverá uma luta de guerrilhas em Bagdá e no Iraque? Os norte-americanos e britânicos poderão (ou pretenderão) de fato algum dia deixar a colônia conquistada, se a conquistarem de fato?

Terão os generais de Bagdá incidido num erro de cálculo, ao contarem que a oposição à invasão poderia impedi-la? Ou detê-la, se a resistência durasse? Ou estariam desde o início dispostos à guerra por saber que a batalha do Iraque seria apenas a primeira de um enfrentamento inevitável entre o neo-expansionismo ocidental e os povos muçulmanos, moradores dos territórios hoje cobiçados? O partido de Saddam é hoje uma caricatura dos movimentos reformistas nos países árabes que surgiram logo depois da Segunda Guerra; mas a caricatura sempre guarda algumas características do original.

As potências do Ocidente conseguiram bloquear estes movimentos, para manter monarquias corruptas e regimes opressivos. Na verdade abriram espaço para a emergência dos fundamentalismos e fanatismos arregimentadores, onde aqueles regimes não conseguiram se sustentar. Os Estados Unidos compraram e reformularam o Saddam Hussein que emergiu em meio a esses movimentos. Agora, quando e se conseguirem se livrar dele, o que vai emergir?

Uma coisa é certa. Não temos mais uma imprensa, no plano internacional, capaz de dar conta dessas perguntas, sequer de investigá-las. Talvez na Inglaterra, talvez em casos isolados, como o Monde, na França, ou outros semelhantes. A credibilidade dos jornais norte-americanos e das agências internacionais foi tão bombardeada quanto Bagdá. Teremos talvez que esperar pelas universidades, pelos historiadores, e como sempre pelos romancistas, poetas e dramaturgos."




(Orgulhoso de morrer por meu país - charge de Latuff, tirada da Novae)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Gente, sei que este texto é imenso, mas vale a pena ler. César Benjamin faz uma análise um pouco filosófica do Estado moderno e de como ele vem sendo modificado pelos EUA, no governo Bush. E relaciona tudo isso com a invasão do Iraque. Muito bom! Publicado na Caros Amigos.

"APRENDIZES DE FEITICEIRO
- por César Benjamin
De golpe em golpe, o governo Bush atenta contra todos os fundamentos da civilização.

O grupo fundamentalista que governa os Estados Unidos desde o golpe de Estado que levou George W. Bush ao poder lançou-se recentemente em um segundo golpe de Estado, mais abrangente, dessa vez dirigido contra o sistema jurídico e político internacional. Sua doutrina, expressa no chamado Project for the New American Century, fala em implantar uma 'dominação de espectro amplo', baseada principalmente na consolidação de uma esmagadora superioridade militar e justificada moralmente pela necessidade de expandir para todo o mundo os valores norte-americanos, identificados com o bem. De Bíblia em punho, Bush discursou sobre o 'Deus verdadeiro' antes de assinar sua mais recente declaração de guerra.

Em menos de três anos no poder, agindo sempre de forma unilateral, esse grupo atentou contra todos os fundamentos, internos e externos, da democracia e da civilização: aboliu direitos civis dentro dos Estados Unidos; boicotou o Protocolo de Kioto sobre o clima; retirou-se do Tratado de Mísseis Balísticos; impediu o avanço das negociações para a Convenção contra Armas Biológicas; recusou-se a submeter seus soldados à jurisdição do Tribunal Penal Internacional, criado para julgar crimes de guerra; não assinou o acordo mundial para banimento das minas terrestres; incrementou a tensão militar entre as duas Coréias e entre China e Formosa; instalou, pela primeira vez, bases militares na América do Sul; apoiou uma política genocida na Palestina; ameaçou intervir em pelo menos meia dúzia de países do chamado 'Eixo do Mal'; humilhou a Organização das Nações Unidas.

Na esfera militar, os dados são impressionantes: os gastos dos Estados Unidos com armamentos superam hoje, com folga, a soma de gastos realizada pelos outros catorze países que integram a lista dos quinze mais bem armados do mundo. O sentido de tal acumulação de poder é constituir uma nova ordem internacional, cujos contornos estão claros. Em vez de um mundo regido por regras e instituições, por exemplo, teremos aquilo que Donald Rumsfeld, secretário de Defesa, chamou de 'coalizões de vontade', ou seja, agrupamentos provisórios, criados para fins específicos. A invasão do Iraque tem sido apresentada como uma espécie de projeto piloto dessa nova postura.

Creio que a profundidade da mudança em curso ainda não foi captada. Em última análise, ela nos remete de volta ao mundo pré-moderno, àquela pré-modernidade high tech que Hollywood antecipou em muitos filmes, de gosto duvidoso, feitos nos últimos anos.
A constituição dos Estados nacionais modernos - e, depois, a constituição do sistema interestatal - foi um fenômeno histórico centrado inicialmente na Europa e decorrente da imperiosa necessidade de pôr fim às guerras religiosas que ensangüentaram o continente durante mais de cem anos. O maior teórico dessa transição foi Hobbes: para sair do estado de natureza, caracterizado pela guerra de todos contra todos, e inaugurar o estado civil é necessário instituir um poder - o Leviatã - que, em vez de tentar impor um princípio moral universalmente válido, legitima-se, única e exclusivamente, por sua capacidade de garantir a paz, estabelecendo regras mínimas de convivência entre pessoas e grupos.

Por isso, o advento da modernidade ocidental foi marcado pela separação dos eixos bem/mal e paz/guerra, o que correspondeu a uma separação entre moral (remetida à esfera privada) e política (submetida à razão de Estado). Nasceu assim o Estado moderno - cuja primeira forma foi a monarquia absoluta -, que passou a concentrar em si o monopólio da violência legítima dentro de determinado território. Junto com ele, nasceu o conceito de soberania política. (Não é preciso enfatizar que o processo histórico vivido por outras sociedades, inclusive as muçulmanas, foi muito diferente.)

A partir de então, no espaço europeu abrangido por essa transformação, a invocação de teologias e leis morais deixou de ser um meio legítimo para estabelecer uma ordem política, dado o risco de reabrir a qualquer momento, com aquela invocação, a guerra de todos contra todos. Vattel estendeu o mesmo princípio às relações interestatais, fundando a possibilidade de instaurar a paz com base em regras internacionais de natureza também essencialmente política. Essa idéia acabou ganhando forma duradoura na elaboração do conceito de equilíbrio de poder, amplamente predominante, em diferentes arranjos, desde o Tratado de Viena, de 1815, até o fim da União Soviética, em 1991.

Ao misturar novamente os eixos bem/mal e paz/guerra, e ao romper o princípio do equilíbrio de poder, o que o grupo de Bush contesta, em última análise, são os dois pilares fundantes da modernidade política ocidental. Pode parecer estranho que esse movimento parta de um Estado republicano e democrático. Com efeito, o projeto de paz perpétua, de Kant, formulado no século 18, pressupunha que todos os Estados nacionais assumissem justamente a forma republicana de governo, por ela ser considerada menos propensa a decisões arbitrárias: 'Se o consentimento dos cidadãos tiver de ser solicitado para decidir se a guerra deve ser travada ou não, nada mais natural que eles reflitam longamente, antes de iniciar um jogo tão ruim, pois se decidirem promovê-la recairão sobre eles mesmos as calamidades da guerra'. A mesma idéia aparecera em Montesquieu. No século 19, no entanto, Tocqueville já não era tão otimista, afirmando profeticamente que o individualismo e o confinamento das pessoas na esfera privada preparariam as condições para a emergência de um novo tipo de despotismo, que chamou de 'despotismo democrático': 'Essa espécie de servidão, regulada, doce e pacífica, poderá conjugar-se mais facilmente do que se imagina com algumas das formas exteriores da liberdade, e não será impossível estabelecê-la sem que seja necessário retirar a soberania do povo'.

Os tempos atuais dão mais razão a Tocqueville que a Kant. Embora, pelo seu pragmatismo, a sociedade norte-americana tenha desenvolvido excepcionalmente a técnica, os chamados 'Estados Unidos profundos' - de onde vem toda a equipe de Bush - nunca viveram a experiência do iluminismo, nem incorporaram plenamente o conceito de razão. Sua origem, ao contrário, está em grupos religiosos fechados, messiânicos e dogmáticos que agora fornecem o discurso ideológico legitimador da política desejada pelos grandes monopólios capitalistas em crise.

Os dois movimentos que articulam esse discurso são complementares, pois a tarefa anunciada de levar os valores norte-americanos a sociedades não ocidentais, sendo aistórica, exige a construção de um superpoder capaz de agir de fora para dentro das sociedades a serem 'ocidentalizadas'. Criar esse superpoder é romper o equilíbrio de poder. Estamos diante de um novo Leviatã, dessa vez não hobbesiano ou até anti-hobbesiano. Pois ele não se constitui para impor a paz, mas para fazer a guerra. Daí o paralelo possível, sentido intuitivamente pelas pessoas, com a experiência nazista.

A existência de um poder desse tipo é uma contradição em termos. Ao buscar para si uma legitimação moral - não importa se fundada em religião, costumes ou raça -, ele recusa a política. Ao fazê-lo, recria as condições da guerra de todos contra todos. Com um agravante: ao contrário de impérios que desfrutaram de supremacia em outros tempos históricos, a única superioridade que os Estados Unidos podem reivindicar para si, com veracidade, é a superioridade militar. Em todas as outras esferas - econômica, política, cultural ou moral, por exemplo -, essa superioridade pode ser questionada.

Estamos diante de um salto no escuro em direção à pré-modernidade, que pode ser vislumbrada também na abolição, pelos mesmos Estados Unidos, do exército de cidadãos e na recriação de um exército de mercenários profissionais. Agora, porém, com armas nucleares. Só uma certeza podemos ter: não vai dar certo. A espantosa resistência do povo iraquiano, neste momento, já é um sinal de luz. Esperemos que o cogumelo atômico não escureça tudo, de vez."



(charge de Latuff, da Novae)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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É interessante questionar o choque de civilizações existente na invasão norte-americana no Iraque. De um lado, os muçulmanos, árabes, do oriente. De outro, os estadunidenses, ocidentais, cristãos. São culturas diferentes - senão opostas - que entraram em choque. Não apenas durante a guerra, nas batalhas, mas também agora, no processo do pós-guerra. Afinal de contas, Bush está colocando pessoas dos EUA para controlar o novo governo iraquiano. Aí entra uma imposição de uma cultura ocidental num mundo completamente diferente. E, pior de tudo, esta imposição parte de um país sem identidade, que contrasta radicalmente com a História de Bagdá, berço de uma civilização riquíssima em todas as áreas (na matemática, nas línguas, astronomia, etc). Este choque, definido por Leonardo Boff como uma "ocidentoxicação" do mundo árabe, deve ser questionado de todas as maneiras possíveis e a partir de agora. Leiam este texto (não tenho certeza de onde foi publicado).

"CHOQUE DE CIVILIZAÇÕES?
- Leonardo Boff (11/04/2003)

Samuel T. Huntington, Diretor de Estudos Estratégicos da Universidade de Harvard, sustenta em seu discutido livro 'O choque das civilizações e a recomposição da ordem mundial' (1996) a hipótese de que as guerras na nova era da história mundial serão sobretudo guerras de civilizações, marcadas fundamentalmente pelas religiões. O primeiro enfrentamento, segundo ele, seria entre o
Ocidente e o Islã. A guerra de 1991 e esta de agora, ambas contra o Iraque, parecem confirmar sua hipótese. Pouco importam as motivações, se místicas, econômicas ou políticas, o fato é que Bush visa estabelecer a 'pax americana' e uniformizar o mundo nos moldes do estilo de vida americano. Após o 11 de setembro, decidiu que isso se fará utilizando a força. Ninguém poderá desafiar esta sua pretensão, senão conhecerá, de imediato, o poderio avassalador dos Estados Unidos.

Destarte, Bush prolonga e leva até as suas últimas consequências a marca intrínseca do paradigma ocidental: a vontade de submeter todo o mundo, vale dizer, de implantar um império universal. Em concreto, a assim chamada globalização não é outra coisa senão a ocidentalização, ou 'ocidentoxicação' do mundo. Por que o primeiro enfrentamento está se dando, fatalmente, com o Islã? Porque o Islã é o único que, objetivamente, desafia o Ocidente e Bush nos dois pontos básicos de sua pretensão, no religioso e no econômico.

No religioso, o Islã se apresenta como religião superior, porque surgiu depois do judaísmo e do cistianismo, sintetizando-os e melhorando-os. Tal pretensão questiona a legitimidade última do Ocidente, que embora secularizado, ainda se sente portador da
única religião verdadeira e superior, o cristianismo, como recentemente o reafirmou ainda o Card. Joseph Ratzinger em nome do Vaticano, no documento 'Dominus Jesus'.

À base da religião islâmica se sedimentou uma cultura de reconhecida grandeza, não obstante sua expressão patológica, o fundamentalismo. Nessa cultura se unifica política e religião, coisa que o Ocidente soube distinguir, para escândalo dos muçulmanos que o consideram ateu.

No econômico, o mundo islâmico e árabe joga um papel decisivo, pois aí se encontram as maiores e últimas jazidas de petróleo do mundo. O Ocidente e, nomeadamente, os Estados Unidos, podem deter o controle da produção do capital e do saber técnico e científico. Mas nenhum carro se move, nenhum avião levanta vôo, nem uma bomba inteligente é lançada sem o petróleo árabe. Daí a pressão e vigilância das potências ocidentais sobre os países árabes, dividindo-os e mantendo-os sob severo controle.

Há grande decepção e mesmo raiva nos povos árabes e muçulmanos face ao Ocidente e aos Estados Unidos. Apesar de sua centralidade no funcionamento do sistema mundial, eles sentem que não contam para nada na moldagem da globalização e do futuro do mundo. E sua religião, a melhor e mais alta, é apenas vista como nicho de terrorismo.

No passado o Islã ameaçou por duas vezes o Ocidente, no cerco de Viena em 1529 e em 1683. Hoje, na percepção de Bush, a ameaça volta, sob o espectro das armas de destruição em massa e do terrorismo feroz. Daí o dever de enfrentá-lo militarmente. Importa captar estas estruturas ocultas para se entender melhor os porquês da guerra atual."




(foto publicada na Novae, na página do cartunista Latuff)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Domingo, Abril 13, 2003


Pois é, como disse a TT, saiu uma retranca sobre nosso blog no jornal mineiro Hoje em Dia, de hoje. Como não foi publicada na internet, "escaneei" foto e matéria para que vocês pudessem ler. A TT foi a entrevistada e a matéria ficou boa - o que nos deixou muito satisfeitas e com expectativas de que o reconhecimento de um grande jornal como o Hoje em Dia possa aumentar o alcance do nosso "Foice e Martelo Branco".

A matéria:



(minha única ressalva é que quem escreveu a introduçãozinha do nosso blog, sobre a Fátima Bernardes, queremos paz ou justiça, etc, fui eu - e a repórter Renata Matta Machado escreveu: "enfatiza Maria Tereza Novo Dias")
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A foto:



(Vejam como a TT ficou bem...!)
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O Manifesto:



(Aí vem outro problema. O jornal publicou um trecho enorme do manifesto do blog, mas se esqueceu de dizer o autor! José Saramago, espero que nos perdoe. Em nenhum momento colocamos este manifesto como forma de plágio; escolhemos o excelente texto de Saramago por acreditarmos que ele traduzia perfeitamente a idéia do nosso blog e por isso o adotamos, orgulhosamente, como nosso manifesto.)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Alguém mais sofre com o boicote da Coca cola???? Pois é.... leiam::::::



"Esquecer seletivamente o passado" é um conselho importante e, ao mesmo tempo difícil de ser seguido. The Coca-cola Company é, mais uma vez, referência de Marketing ao fazer um teste de produto que mistura elemento tradicional - a clássica Coca-cola - com uma estratégia absolutamente inusitada: a embalagem e o nome do produto. Na verdade a ausência do nome.

(etc etc... )

A Coca-cola não é a única a inovar no Marketing. A concorrência está sempre à busca de oportunidades para tomar parte do bilionário mercado de refrigerantes. Um dos exemplos de sucesso é a Mecca-Cola que escolheu como nicho de mercado os cidadãos em todo o mundo que praticam a religião islâmica.


A Mecca-Cola Beverage Company informa na embalagem do produto que vinte por cento dos lucros com a venda das bebidas vão para obras humanitárias palestinas e associações que trabalham pela paz no mundo. Ela está seguindo o conselho de Prahalad: gerenciando o presente com competência.
A empresa escolheu um nicho bem específico e está obtendo sucesso explorando o anti-americanismo.
Pode-se conhecer melhor o produto no site www.mecca-cola.com.

fonte: cidade virtual

PS:::: ainda não chegou no Brasil, mas acho que daqui a pouco já está chegando

::::::A bomba
mente e sorri sem dente

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Ainda bem que eles lembram, senão a gente já tinha esquecido:::::::

Colin Powell:::::


"O período de combate terminou, e agora podemos mudar nossa atenção para encontrar armas de destruição em massa...Há forte evidência e não há duvida sobre o fato de que há armas de destruição em massa,"
"Encontraremos armas de destruição em massa."
"Esta operação terá um final de sucesso quando houver um novo governo no Iraque escolhido pelo povo do Iraque e quando o povo do Iraque renegar qualquer forma de apoio ao terrorismo e quando não houver armas de destruição em massa,"


E é claro::::

"Vamos finalizar com ou sem Saddam Hussein. Gostaríamos de saber o que exatamente aconteceu a Saddam Hussein, mas ele já não está no comando de nada,"


::::::A bomba
não está no fundo do cofre, está principalmente onde não está


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Recado para os mineiros::::::::::::::

Comprem o jornal Hoje em dia de hoje!!!
No caderno MINAS, pag 27, uma matéria sobre o nosso blog (com uma foto minha :P)!

PS: o trecho do nosso blog que saiu na reportagem é de autoria de !!!José Saramago!!!.
daqui a pouco mais comentários! (cristina vai escaniar e colocar aqui)


::::::A bomba
amanhã promete ser melhorzinha mas esquece



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Sábado, Abril 12, 2003


A guerra ainda não acabou.....


Queda da cidade natal de Saddam não acaba guerra


Quando as forças norte-americanas tomarem Tikrit, a cidade natal de Saddam Hussein, não significará necessariamente que a guerra terá terminado no Iraque. "Se Tikrit cair e for como as outras cidades nas quais entramos, e se houver o fim de qualquer presença do regime e nenhum controle do regime, e a retirada das forças militares, será apenas mais uma cidade. Pode ainda haver outras regiões", disse hoje o general norte-americano do Comando Central, no Qatar, Vincent Brooks.
De acordo com ele, Tikrit não é o único lugar onde pode haver presença das forças do regime ou líderes do regime ou atividades do regime. "Ainda há trabalho a ser feito além da queda de Tikrit", afirmou.

O militar acrescentou que os Estados Unidos também têm outros objetivos além de derrubar Saddam, principalmente o de acabar com a possibilidade de o Iraque produzir armas nucleares, químicas ou biológicas. "Há um número de objetivos que nós projetamos no início desta operação. Nós ainda temos uma tremenda quantidade de trabalho a fazer com relação ao programa de armas de destruição em massa", disse Brooks a jornalistas. "Nós ainda continuamos convencidos de que elas estão dentro do país e as encontraremos. Vai levar tempo."

Com o colapso do governo de Saddam em Bagdá e a rendição sem luta de suas forças em Mosul, todos os olhos - e não poucas armas - agora se concentram em Tikrit, uma cidade de 200 mil pessoas, 175 quilômetros ao norte da capital. As forças lideradas pelos EUA estão bombardeando Tikrit há semanas, devastando o que se supõe serem as mais fortes posições da Guarda Republicana já vistas no Iraque.

Tikrit pode ser testemunha do fim de Saddam
Tikrit é a cidade natal de uma das grandes figuras do Islã, Saladino, que expulsou os cruzados de Jerusalém. Hoje, pode ser também a principal testemunha do fim do regime de outro de seus filhos, Saddam Hussein.

Situada a 170 quilômetros ao norte de Bagdá, Tikrit é o último reduto nas mãos das tropas leais a Saddam Hussein, após a queda de Mossul, a grande cidade petroleira do Norte do Iraque. A cidade, cuja existência remonta ao século IX a.c. é também a cidade onde Saddam Hussein nasceu há 65 anos, o feudo de seu poder tribal e a fortaleza da minoria sunita que governou o Iraque, majoritariamente xiita.

Um porta-voz do Comando Central americano (Centcom) no Qatar declarou à AFP que as forças da coalizão estão preparando o terreno para a ocupação da cidade, em referência aos bombardeios aéreos contra a guarda republicana, a corporação de elite de Saddam Hussein. Alguns desses homens estariam postados em torno da cidade, mas o porta-voz do Centcom se recusou a estimar o número.

O general Stanley McChrystal declarou hoje no Pentágono que a coalizão tinha de preparar-se para uma grande batalha. Os membros importantes do regime que sobreviveram podem estar em Tikrit, onde durante os 24 anos de reinado, Saddam Hussein distribuiu favores aos membros de sua família e de sua tribo para conseguir um apoio total. Se Saddam Hussein ainda vive, também pode estar em Tikrit, já que antes do início da guerra, jurou que morreria em sua terra natal.

O líder do Congresso Nacional Iraquiano (CNI, oposição), Ahmed Chalabi, que conta com o apoio do Pentágono, afirmou na quarta-feira que os principais dirigentes iraquianos fugiram para as montanhas de Hamrien e para a região de Tikrit, onde teriam bunkers e armas escondidas.

Cidade privilegiada
Depois da tomada do poder no Iraque pelo partido Baath, em 1968, Tikrit foi transformada em uma cidade moderna e nela foram construídos vários edifícios e palácios presidenciais, o último e mais importante em 1991. A cidade, de 100 mil habitantes, possui também várias bases militares, importantes hospitais, escolas e infra-estruturas viárias, assim como uma universidade.

Antes da guerra, a entrada da cidade estava enfeitada por um arco gigantesco com uma reconstituição da cúpula da rocha da Esplanada das Mesquitas de Jerusalém, o retrato de Saddam Hussein empunhando uma arma e o de Saladino, com a espada ao ar. Saladino, um curdo, é considerado como um dos mais brilhantes estrategistas militares do Islã, uma reputação que adquiriu em seus combates contra os cruzados e principalmente com a tomada de Jerusalém em 1187.

Terra


::::::A bomba
não tem preço não tem lugar não tem domicílio

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Sexta-feira, Abril 11, 2003


MENSAGEM PARA TODOS:::::::::::::

Legião Urbana::::::

A CANÇÃO DO SENHOR DA GUERRA
(Renato Russo)

Existe alguém esperando por você
Que vai comprar a sua juventude
E convencê-lo a vencer

Mais uma guerra sem razão
Já são tantas as crianças com armas na mão
Mas explicam novamente que a guerra gera empregos
Aumenta a produção

Uma guerra sempre avança a tecnologia
Mesmo sendo guerra santa
Quente, morna ou fria
Pra que exportar comida?
Se as armas dão mais lucros na exportação

Existe alguém que está contando com você
Pra lutar em seu lugar já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer

E quando longe de casa
Ferido e com frio o inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando novos jogos de guerra

Que belíssimas cenas de destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação
Veja que uniforme lindo fizemos pra você
E lembre-se sempre que Deus está
Do lado de quem vai vencer

O senhor da guerra
Não gosta de crianças
O senhor da guerra
Não gosta de crianças
O senhor da guerra
Não gosta de crianças
O senhor da guerra
Não gosta de crianças
O senhor da guerra
Não gosta de crianças
O senhor da guerra
Não gosta de crianças




::::::A bomba
dorme no domingo até que os morcegos esvoacem

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Não é só a vida dos civis no Iraque que ficou ameaçada com a guerra. Essa matéria da revista Galileu online, do dia 21/03/03, mostra uma vítima da guerra de que poucos se lembram e que é muito importante para a História: a arqueologia.

"Guerra no Iraque ameaça as riquezas da antiga Mesopotâmia

A guerra dos EUA contra o Iraque pode causar um estrago irreparável para a história. Além dos milhares de inocentes que podem morrer, as riquezas arqueológicas do berço da civilização moderna podem ser atingidas no confronto.

Entre os rios Tigre e Eufrates, onde hoje se localiza o Iraque, existia, há mais de 5.000 anos, a região da Mesopotâmia, ocupada pelos assírios e babilônios. Esses povos foram os responsáveis pela criação das primeiras cidades e pelo início de uma sociedade hierarquizada e organizada.

Também foi na região que surgiram os primeiros textos, em escrita cuneiforme. Dessa forma foi possível escrever as leis que regiam aquela civilização, como o famoso Código de Hamurabi.

O Iraque tem hoje cerca de 10 mil sítios arqueológicos identificados, sem contar os inúmeros que devem estar debaixo da terra, de acordo com a previsão dos especialistas.

Arqueólogos norte-americanos, temendo uma tragédia cultural, entregaram ao Pentágono uma lista de 4.000 sítios arqueológicos que devem ser preservados. O grupo, que faz parte do Instituto Arqueológico Americano, teme também a ocorrência de saques, a exemplo do que ocorreu após a Guerra do Golfo, em 1991.

Reforçando esse manifesto, a edição da revista 'Science' (www.sciencemag.org) desta sexta-feira traz um artigo salientando que o futuro parece amargo para os sítios arqueológicos do Iraque. O texto,
assinado por McGuire Gibson, da Universidade de Chicago, lembra que a ameaça vem tanto dos ataques propriamente ditos quanto dos possíveis embargos econômicos contra o país."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Comentário da Cris: "A TT tinha postado umas fotos enoooormes com montagens do Bush amiguinho de Saddam (um do tipo que eu postei aqui). Mas como elas não estão carregando, resolvi apagar. Não vou deletar o post, para não perder um dos versos do poemas do Dru-dru, com que a TT costuma assinar seus posts..."

::::::A bomba
é grotesca de tão metuenda e coça a perna


(meu verso predileto!)

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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NOVA ENQUETE NO AR!!!

Pois é, depois de atacar o Iraque pelas "armas químicas" (???), George Bush já está de olho em outro alvo!!!!! E quem somos nós para limitar o poder de persuasão deste grande SÁBIO??? Quirguistão é um país da Ásia Central, ninguém nunca lembra do coitadinho, mas nada o impede de ser o próximo!!



PS: este possível ataque é só uma suposição das autoras deste blog com falta de criatividade !!


::::::A bomba
é estúpida é ferotriste é cheia de rocamboles

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Quinta-feira, Abril 10, 2003


OOOOHHHH! Finalmente consegui colocar os links dos blogs amigos e da maioria das fontes que usamos! Confiram para ver se seu blog é considerado amigo pelo Foice e Martelo Branco (em alguns casos, pode ser só esquecimento mesmo...)!
Quanto às fontes, ainda faltam algumas, mas vamos colocando com calma.
Como eu disse, hoje estou cansada. Então boa noite para todos!

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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A charge de hoje do Charges.com.br está excelente! Bush cantando "Papa don't preach" e dançando para o Papa João Paulo. Dêem uma olhada. Uma verdadeira Madonna...!
por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Bem, eu tenho que postar alguma coisa hoje, apesar de me sentir um pouco desanimada. Vou começar com as notícias do dia, seguidas de comentários meus (com asterisco).

1) O regime de Saddam está quase chegando ao fim e a guerra também tem os dias contados. O centro de Bagdá foi tomado ontem. Mas a guerra ainda não terminou: algumas batalhas ainda poderão acontecer ao norte do país. Hoje, soldados norte-americanos derubaram uma estátua de Saddam numa praça central e vários iraquianos aplaudiram o ato e jogaram pedras na estátua.
* Ninguém duvida que Saddam seja odiado por seu povo. Quando ele morrer, acho difícil que alguém chore e diga "Coitado daquele ditador bonzinho...!". Isso é fácil de se ver na comemoração de alguns iraquianos. Mas é como disse um dos árabes que foram entrevistados (e apareceu na Globo...): "Eles se entregaram muito fácil aos EUA". Disse tudo. Afinal, ainda é cedo demais para comemorar. Como a TT comentou, ninguém conhece o próximo governante que os EUA vão colocar no poder. Saddam tinha pelo menos uma vantagem: não se submetia à Casa Branca (mas não me peçam para listar suas trocentas desvantagens neste pequeno espaço). Já o próximo governo iraquiano será provavelmente uma marionete nas mãos de um ventríloquo que fala inglês...

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2) * A pergunta agora não se cala: Saddam morreu? Aquela história de explosão num restaurante onde ele almoçava calmamente com seu filho é bem duvidosa. Não a explosão, mas o fato de ele almoçar calmamente, é claro. Nos últimos 20 anos, ele construiu túneis subterrâneos e esconderijos para fugir quando precisasse. Ou seja, não vai ser muito fácil capturá-lo. E descobrir o corpo dele parece tarefa ainda mais impossível, mesmo por DNA. Acho que no futuro ele vai virar uma espécie de mito à la Elvis Presley e os livros de História vão registrar a impossibilidade de certeza da morte de Saddam Hussein. Mistério...



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3) Os curdos comemoraram muito a tomada de bagdá.
* Quero ver até quando vão comemorar, levantando suas bandeirinhas dos EUA e Reino Unido. Tomara que não sejam desiludidos...

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4) Conselho norte-americano, para Síria, Irã e Coréia do Norte, supostos detentores de armas de destruição em massa: "aprendam a lição do Iraque!". Segundo pesquisa, metade dos estadunidenses apoia ataque ao Irã, se o país tiver armas de destruição em massa e 42% apoiam ataque a Síria, caso o país esteja ajudando o Iraque.
* Para mim isso não foi um conselho, foi uma ameaça.
* Será que ninguém vai pedir aos EUA que entreguem SUAS as de destruição em massa?!?
* Só 42% dos norte-americanos apoiam ataque a Síria. Acho que é porque a maioria não sabe onde fica a Síria...(quanta maldade!)


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5) O governo dos EUA e representantes do Iraque se reunirão no sábado para discutir a criação do novo governo iraquiano. O ex-general Jay Garner é o provável administrador da reconstrução iraquiana. Assessores civis americanos devem ficar nos maiores postos de reconstrução do país. Segundo Rumsfeld, em pouco tempo eles entregariam o poder a autoridade transitória iraquiana, mas as áreas de Defesa e espionagem ainda ficariam nas mãos dos EUA (*alguém duvida?).

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6) A UE liberou 9,5 milhões de euros para ajuda humanitária ao país, especialmente à sua região Sul. Essa quantia é parte dos 21 milhões de euros que serão gastos pela UE na reconstrução.

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7) Em Basra, cidade sem governo ou policiamento, reina o caos. Saques, assassinatos, roubos por todo canto, e 15 mil soldadinhos britânicos tentando controlar a situação. * Ou melhor, "tentando" controlar a situação. Muitas vezes a falta de trato destes soldados e a humilhação que impuseram a alguns civis (é bom lembrar que Basra ficou, desde o início da invasão, sem energia para bombeamento de água e sujeita a desastre humanitário segundo a Cruz Vermelha) são grandes causadoras deste caos. Em Bagdá também ocorre onda de saques. Soldados dos EUA atiraram em uma ambulância, matando duas pessoas e ferindo outras duas. Desculpa: "achamos que a ambulância poderia levar uma bomba"...



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8) Dados. Segundo o Pentágono, 96 soldados norte-americanos morreram desde o início da "guerra", há três semanas, e dez estão desaparecidos. Segundo governo inglês, 30 soldados britânicos morreram (*gostaria de saber quantos morreram por fogo-muy-amigo!). Já nas tropas iraquianas, pelo menos 2.320 militares foram mortos em combate e, segundo o Ministério da Informação, mais de 1.250 civis perderam a vida (* ô, eufemismo!).
* Esses números mostram a disparidade das armas dos dois países. E eu me pergunto, como tantos outros já perguntaram: quem é que tem armas de destruição em massa - o Iraque ou os EUA?!

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9) Esta é a notícia que mais quero comentar: a coalizão montou um novo canal de TV no Iraque, com o belíssimo nome de "Towards Freedom" (rumo à liberdade). Blair e Bush apareceram com seus rostinhos na tela, falando em inglês com legendas em árabe. Com as rugas no lugar certo, marcando uma face preocupadíssima com o bem-estar dos civis recém-massacrados, Bush disse duas coisas, dentre outras:
- O governo iraquiano não será de responsabilidade dos EUA, ou da Inglaterra, muito menos da ONU. Será do povo iraquiano.
* Que lindo! Alguém aí acredita? Então por que temos lido notícias nas últimas semanas dizendo que a Casa Branca não quer entregar o Iraque ao cuidado da ONU, porque prefere manter as patas norte-americanas sob o controle de tudo? Bem, mesmo que o governo "democrático" que substituirá o de Saddam seja mesmo formado por iraquianos, duvido com convicção que este governo represente o "povo iraquiano". Para mim, como já disse, será uma belíssima marionete montada ao gosto dos ianques. E a outra frase (acho que do Blair, mas não estou certa):
- O dinheiro do petróleo será do povo iraquiano.
* Hahaha! Acredito! Se bem que, seguindo a lógica da primeira frase, o dinheiro será realmente entregue ao "povo iraquiano", não é mesmo? Depois dessa, vou até tentar mudar minha nacionalidade...


Por hoje é só!
Fonte: Jornal do Brasil
Comentários ácidos: da minha mente cansada...

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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COMENTÁRIO::::::::

o momento de euforia lá no Iraque, depois da "queda" de Saddam,

Será que essas mulheres e homens iraquianos sabem se o que vem por aí vai ser melhor do que o governo ditatorial de Saddam???

Quem vai tomar o controle segundo nosso amado Bush .... um general AMERICANO para um governo de transição,:::em uma sociedade muçulmana:::, um líder ocidental, ainda por cima da nação mais alienada de outras culturas, o que isso pode significar? Um golpe da oposição? Um golpe dos próprios partidários de Saddam????? Uma futura guerra civil??? E se estes golpes ocorrerem, os EUA vão entrar com seus soldadinhos de ferro em ação de novo? Ou um tratado comercial, que favoreça as relações dos EUA com aquela região, vai deixar a população Iraquiana à mercê de um novo ditador sanguinário (possivelmente o mesmo que daqui a 20 anos os mesmos EUA vão tentar derrubar)???

Será que o povo curdo não se sentirá com o direito (ou: terá direito) de "fazer justiça com as próprias mãos", neste momento de fragilidade?

Será que as estratégias militares para os novos ataques, talvez no Irã, quem sabe Síria, já estão postas à mesa do Pentágono... Será que um "eu não concordo" dito por um destes países ao grande Bush fará estourar uma bomba???

Respostas para essas perguntas nos próximos 2 meses!





::::::A bomba
é o produto quintessente de um laboratório falido

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Quarta-feira, Abril 09, 2003


Para quem não teve a chance de acompanhar os primeiros passos do nosso blog::::::: em um dos primeiros posts coloquei a poesia do Carlos Drummond (vulgo drudru) A BOMBA... A partir de hoje a cada mensagem que postar deixarei um dos versos como "assinatura"::::::::

comentando a enquete:::::: Concordo com o que a Cristina disse, apesar de achar que, por enquanto, não podemos pensar em perder empregos gerados pelas multinacionais no quadro de desempregos em que o Brasil se encontra... mesmo se a situação se invertesse a médio prazo......


Situação Atual do Iraque (Bagdá):::::::



Fonte : Terra


::::::A bomba
é uma flor de pânico apavorando os floricultores



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Esta música é para as 7 pessoas que votaram "Acho essa idéia de boicote infantil e sem fundamento!" na nossa enquete. Na minha opinião, a coisa do boicote deveria acontecer desde muito tempo, com a valorização dos produtos nacionais e a expulsão das multinacionais, que só fazem levar os lucros de nossa mão-de-obra e de nossa matéria-prima para o exterior. Não deveria ocorrer só no período da invasão do Iraque - mas apenas ter seu primeiro impulso agora, e muita continuidade nos próximos anos. O que a princípio prejudicaria os trabalhadores brasileiros que são mão-de-obra nessas empresas (como já disseram alguns economistas por aí), no futuro seria responsável pela transferência dessa mesma mão-de-obra para as empresas nacionais, que teriam mais chances de prosperar e gerar novos empregos. Mas é claro que, para isso acontecer, a adesão deveria ser imensa e os resultados demorariam muito a aparecer.

Por outro lado, o Capitalismo já existe como sistema há muito tempo e, desde seu começo, somos obrigados a consumir cada vez mais o que é tido consensualmente como o melhor. Os EUA já são potência há quase um século e vêm contribuindo para que o Capitalismo e o Consumismo (de seus produtos) ganhem força, sem que ninguém se dê conta disso. Até chegar a um nível tão descontrolado, a ponto de guerras serem travadas em nome de produtos lucrativos! Por tudo isso, a Coca-Cola, McDonalds, Pizza Hut, a Pepsi, a Microsoft, Texaco, Nike e os filmes de Hollywood entraram em nossas vidas com facilidade e será muito difícil mudar nossos costumes de repente. Mas, gradativamente, e com esforço geral, não será impossível dar força a um boicote. É difícil? É. E não faz muito sentido sair pelas ruas pregando o não-consumo de hambúrgueres do McDonalds, mas com um Nike novinho no pé! É preciso ter alguma coerência e muita força de vontade.

A idéia é infantil? De certa forma, sim. Mas sem fundamento? Definitivamente não! Não tenho números nem dados, mas tenho a convicção de que a quantidade de dinheiro enviada aos EUA por essas multinacionais é imensa. E quanto o governo norte-americano está gastando com as armas da guerra? Bilhões. De onde tiram esse dinheiro? Pimba!

Deixar de consumir produtos estadunidenses não é questão meramente ideológica - é muito mais prática do que parece. É difícil, porque eles certamente fabricam produtos de grande qualidade, alguns sem substituintes à altura (como a Microsoft). Devemos começar por uma pequena seleção, e tentar expandir nosso boicote ao longo dos anos. O futuro agradece.

GERAÇÃO COCA-COLA
- Legião Urbana

Quando nascemos fomos programados
A receber o que vocês nos empurraram
Com os enlatados dos USA, de 9 às 6.

Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês.

Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Nós somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola.

Depois de vinte anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do jogo sujo
Não é assim que tem que ser?

Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então, vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis.


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Do teólogo Leonardo Boff, em entrevista publicada hoje pelo Estado de Minas:

EM - Politicamente, o que mais a Igreja Católica poderia fazer em protesto contra a ação de George Bush, um protestante?

LB - A Igreja Católica não poderia excomungá-lo, porque isso só pode acontecer a quem é católico, a expulsão da comunidade católica. Para aqueles que não pertencem à Igreja, nada pode ser feito. A não ser, claro, por meio da própria tradição de Jesus Cristo, o Papa poderá amaldiçoar Bush. Dizer, por exemplo: "Malditos vós que trazeis guerra preventiva, as bombas inteligentes, mais maldita seja a inteligência de quem as fez. Ai de vós, senhores da guerra, inimigos da vida e da natureza e assassinos de meus irmãos e irmãs do Islã. Raça de víboras peçonhentas, por que não escutastes o clamor da humanidade suplicando diálogo, negociação e paz?". George Bush blasfema ao usar o nome de Deus para fazer guerra. Aliás, os tanques americanos trazem a inscrição: God bless our troops (Deus abençõe nossas tropas). Hipocrisia e blasfêmia.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Esta análise que se segue é para aqueles que ignoram a superioridade bélica dos EUA - e, graças a essa ignorância, acabam desconsiderando o massacre que o povo iraquiano está sofrendo.

"EXÉRCITO DE SADDAM HUSSEIN SE DISSOLVEU
Ricardo Bonalume Neto

A guerra urbana em Bagdá ainda pode trazer surpresas desagradáveis aos atacantes. Mas, ao contrário do que os próprios americanos temiam, a luta no interior das cidades está sendo bem menos letal a eles do que aos iraquianos -tanto combatentes quanto civis pegos no fogo cruzado.
As cenas de bombardeio e tiroteio mostradas pela televisão podem dar uma visão equivocada da intensidade do conflito. As imagens de tanques Abrams disparando seus canhões de calibre 120 mm são impressionantes, ainda mais porque esse é o tipo de cena raras vezes mostrada ao vivo nas coberturas de guerra.
A chave do sucesso americano é o uso concentrado do poder de fogo contra qualquer resistência encontrada. A ação combinada de tanques, blindados de infantaria, helicópteros e aviões de ataque consegue avassalar o inimigo rapidamente, com poucas baixas.
Em certos locais, tem sido usada a tática tradicional, de buscas de casa em casa, segundo o relato dos correspondentes 'encaixados' nas unidades militares. Mas, quando surge um bolsão de resistência iraquiano, a tática envolve concentrar todas essas armas de uma só vez, de preferência a partir de várias direções. Funciona, contra um inimigo mal armado.
Tanques foram inventados para dar aos exércitos a chamada 'mobilidade no campo de batalha', isto é, a capacidade de se movimentar em meio a tiros inimigos com razoável grau de proteção.
Canhões como o de calibre 120 mm do Abrams permitem tiro preciso a 4 quilômetros de distância, por isso os terrenos abertos são ideais para esse tipo de veículo blindado (é por isso, por exemplo, a maior parte dos tanques brasileiros ainda está concentrada nos pampas gaúchos).
O Pentágono revelou ontem que até agora foram feitas 30 mil saídas de aeronaves (excluindo helicópteros), o que dá uma mostra da intensidade do poder de fogo utilizado.
A última grande experiência americana em guerra urbana foi um desastroso reide em Mogadício, na Somália, em 1993, no qual 18 soldados dos EUA morreram.
As cenas do corpo de um desses soldados sendo arrastado pelas ruas causou comoção nos Estados Unidos, embora seja fácil esquecer que os americanos ganharam o tiroteio, pois mataram centenas de somalis. E o fizeram mesmo sem apoio de fogo de tanques ou aviões, nem mesmo de blindados de transporte de tropas.
O fato é que um exército de 350 mil homens está se desmanchando aos poucos face aos ataques anglo-americanos.
Um correspondente do 'The New York Times' junto a uma unidade de fuzileiros navais (marines) dos EUA a oeste da cidade de Amara, perto da fronteira com o Irã, revelou que a 10ª Divisão Blindada do Exército regular iraquiano praticamente se dissolveu.
Segundo um coronel americano, os habitantes informaram aos marines que os soldados iraquianos simplesmente empilharam as armas, estacionaram os veículos e foram embora.
Os fuzileiros navais também relataram ter encontrado tanques suficientes para equipar um batalhão, abandonados na vila de Kumayt, sem nenhum soldado por perto. Um batalhão blindado costuma ter em torno de 50 tanques."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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"BUSCA POR ARMAS QUÍMICAS SÓ TEM ALARMES FALSOS

'Nós sabemos que assim que o regime entre em colapso, nós vamos encontrá-las.' O breve comentário de ontem do premiê britânico, Tony Blair, se referia às armas de destruição em massa que foram o motivo para a invadir o Iraque. Até agora, a varredura feita pelas tropas anglo-americanas não conseguiu provar a existência desses armamentos.
Só ontem oficiais dos EUA tiveram de negar duas notícias sobre armas químicas.
Foi 'alarme falso' que cinco soldados, com náusea e bolhas na pele, teriam sido contaminados por gás mostarda após visita a um arsenal iraquiano em Najaf (centro-sul do país). Por outro lado, Stanley McChrystal, do Estado-Maior Conjunto, afirmou que não aconteceu ainda um achado confirmado de armas químicas.
Atrás da ofensiva, três laboratórios móveis especializados na detecção de armas químicas avançam em território iraquiano. Até o momento, eles só receberam pesticidas e outros químicos inofensivos para análise.
Enquanto isso, na mídia norte-americana diariamente aparecem latões ou caixas sob suspeita em fazendas ou dependências estatais.
A rádio NPR, citando fonte na 1ª Força Expedicionária dos Fuzileiros Navais, relatou que soldados acharam no aeroporto de Bagdá 20 mísseis BM-21 camuflados e dotados de ogivas com gases sarin e mostarda. O Pentágono não confirmou."

(Matéria tirada da Folha de hoje, complementando entrevista que a Maria Tereza postou.)

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"Melhor frase sobre a guerra: Prefiro um presidente sem dedo do que um presidente sem cérebro".

(José Simão, na Ilustrada de hoje)

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Frase:
"Bin Laden e Bush só se diferenciam
porque o primeiro destruiu duas torres
e o segundo um país inteiro
."

(de Ives Gandra Martins, da seção Tendências/Debates, da Folha de hoje)

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Outros trechos da Folha:::::::

Caderno Mundo::::::

Entrevista com Hans Blix:::::

(peguei só algumas perguntas, com as quais acho que dá para ter uma idéia da submissão da ONU, e o modo como a invasão vai ser tratada........ É impossível, mesmo sendo o presidente da Comissão de Vigilância, Verificação e Inspeção das Nações Unidas (Unmovic) deixar de usar a ironia)

Entrevista feita por Ernesto Ekaizer do "El País", em Estocolmo

Pergunta - Até agora não foram localizados rastros de armas químicas e biológicas. As equipes especiais do Exército americano dizem que isso se deve ao fato de que elas estariam armazenadas em Bagdá. O sr. acredita nisso?
Blix - Tanto os EUA quanto o Reino Unido sempre nos disseram que o Iraque possuía essas armas. Nunca aceitamos essas alegações como fato comprovado. Pois nisso consistia o nosso trabalho. Lamentavelmente, ambos os governos se mostraram muito impacientes, nos primeiros dias de março. E não deixaram concluir a tarefa. Alguns meses mais de trabalho nos teriam permitido saber se o governo iraquiano dispunha de armas desse tipo. Tenho muita curiosidade em saber se de fato as encontrarão. Não creio que ninguém se interesse por isso mais que eu.

Pergunta - A informação que os serviços de inteligência forneceram ao sr. para que suas equipes conduzissem as investigações se referia apenas a Bagdá?
Blix - Não, os serviços de inteligência americanos nos forneceram informações sobre depósitos de armas de destruição em massa em vários pontos do país. Como se sabe, não localizamos nada. Visitamos os lugares. E nada.

Pergunta - Para o sr., qual o sentido dessa guerra?
Blix - Não sei, há quem diga que se trata de uma guerra por petróleo. Mas creio que o fundamental seja o 11 de setembro de 2001. Os atentados mudaram toda a perspectiva. A idéia de uma guerra contra a proliferação de armas de destruição em massa estava no ar há algum tempo. Desde pelo menos a crise dos mísseis de Cuba nos anos 60. O tema claro daquele episódio foi deter a proliferação.
E pode-se recordar também o ataque de Israel contra um reator nuclear iraquiano em 81. Depois tivemos os ataques a um complexo químico na Líbia e, mais recentemente, ataques ordenados pelo governo Clinton contra o Sudão.
Mas não resta dúvida de que o 11 de setembro converteu o que poderiam ser apenas incursões ocasionais em um objetivo central. Isso aconteceu no Afeganistão. Então surgiu a teoria do eixo do mal. Agora é a vez do Iraque.

Pergunta - Mas o que o sr. denomina de combate à proliferação enviou o sinal oposto. O Iraque não tinha armas nucleares e foi atacado. Se um país tem esse tipo de armas, se torna mais difícil atacá-lo, não?
Blix - Os EUA sustentam que se trata de mandar, com a guerra do Iraque, um sinal aos demais países para que se mantenham longe das armas de destruição em massa. Temos a declaração divulgada pelo governo da Coréia do Sul no último domingo de que, se você deixa que os inspetores entrem, como aconteceu no Iraque, termina atacado. O problema é importante. Se um país tem a percepção de que sua segurança está garantida, não tem necessidade de pensar em armas de destruição em massa. Essa garantia de segurança é a primeira linha de defesa contra a proliferação de armas de destruição em massa.


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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HOJE na FOLHA::::::::::::::::::::::::::

(vou colocar trechos, visitem o site, comprem o jornal - propaganda gratuita)

"AS MENTIRAS QUE OS EUA CONTAM
Há algum setor das forças militares norte-americanas que passou a odiar a imprensa e quer tirar do caminho jornalistas que estejam em Bagdá?
Robert Fisk

Primeiro mísseis americanos atingiram o correspondente da Al Jazeera e seu cinegrafista. Depois -num intervalo de quatro horas- os EUA atacaram o escritório da Reuters, em Bagdá, e atingiram um de seus câmeras, pai de uma criança de oito anos, além de outros integrantes da equipe e um cinegrafista do canal espanhol Telecinco.
É possível acreditar que isso tenha sido um acidente? Ou é possível que a palavra certa para as mortes decorrentes desses ataques seja assassinato? (...)

Em 2001, os Estados Unidos atingiram com um míssil o escritório da Al Jazeera em Cabul, no Afeganistão -de onde vídeos de Osama bin Laden ganharam exibição para todo o mundo. Explicações nunca foram dadas.
Mais perturbador, no entanto, é o fato de que a Al Jazeera -a rede de televisão árabe independente, que conseguiu despertar a fúria de autoridades norte-americanas e iraquianas por sua cobertura ao vivo da guerra- havia informado ao Pentágono as coordenadas de seu escritório em Bagdá há dois meses e recebeu a garantia de que o local não seria atingido.
O ataque seguinte veio logo depois, quando um tanque Abrams apontou seu canhão em direção ao hotel Palestine, onde jornalistas estrangeiros estão hospedados na capital iraquiana.-palestina Samia Nakhoul, além de José Couso, do canal espanhol Telecinco.

(...) Eu conheci Tareq Ayyoub-jornalista que estava no prédio bombardeado da al jazeera. Disse-lhe o quão fácil esse escritório de Bagdá seria, como alvo, para os americanos, se eles quisessem destruir a cobertura que faziam -vista em todo o mundo árabe-, com imagens das vítimas civis dos bombardeios.
Taras Protsyuk dividia por vezes o elevador inacreditavelmente lento do hotel Palestine comigo. Samia, aos 42 anos, é uma amiga desde a guerra civil libanesa entre 1975 e 1990. Ontem à tarde, estava coberta de sangue, num hospital de Bagdá.
E o general Blount insinua que essa mulher e seus bravos colegas eram francos-atiradores. O que isso, me pergunto, nos diz sobre a guerra no Iraque?"

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Terça-feira, Abril 08, 2003


Esta é uma montagem feita por Fabrício Kather, um dos nosso visitantes:


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Em menos de 20 dias no ar, nosso blog anti-"Guerra" já ultrapassou a marca das mil visitas! Estamos muito contentes com o alcance e esperamos que ele seja ainda maior nos próximos dias.
A partir de agora, como disse a TT, nosso contador registra por visitas feitas, não mais por IPs.

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O obvio ululante na voz de xeque Ahmad Zaki Yamani.
Yamani foi ministro de energia da Arábia Saudita,um dos principais produtores de petróleo no mundo, de 1962 até 86::::::::::::




BBC: O senhor desconfia das motivações dos EUA?

Yamani: Em 2000 havia um comitê presidido pelo vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, que queria reduzir gradualmente a dependência do petróleo do Golfo Pérsico e especialmente da Arábia Saudita.

Depois dos atentados de 11 de setembro acusaram o meu país de ser a principal fonte de atividades terroristas, por seu dinheiro e ideologia.

O comitê queria uma solução rápida e a melhor forma de consegui-la era tendo acesso ao petróleo do Iraque. Sabemos que o Iraque pode exportar até seis milhões de barris a partir do Mar Mediterrâneo o que significaria que os EUA já não teriam que depender do Estreito do Ormuz (a saída para o Mar da Arábia a partir do Golfo Pérsico).

Por isso acho que o principal objetivo da guerra impulsionada por Washington é o petróleo.

BBC: O senhor acredita que é correto lançar uma ofensiva militar com esse objetivo?

Yamani: Obviamente não. Acredito que é a arrogância do poder. A guerra é muito arriscada.

BBC: Imaginemos que a guerra acabe muito rapidamente e o novo regime de Bagdá tenha uma atitude mais pró-Ocidente. Quais seriam as conseqüências disto para o mercado de petróleo?

Yamani: Pode haver uma vitória rápida considerando o poder militar dos EUA. Mas não tenho a certeza de que vão poder controlar o Iraque com todos os grupos étnicos e religiosos. Não sei.

Mas vamos imaginar que conseguirão. Aí o preço do petróleo vai baixar. A Arábia Saudita pagará as conseqüências e terá que reduzir sua produção (para estabilizar o preço do petróleo) e um dia não poderá fazê-lo mais e será o fim da Opep.

BBC: O senhor acredita que o fim da OPEP é um outro motivo para a guerra?

Yamani: Definitivamente não. Os EUA precisam de um preço de petróleo estável, nem muito alto nem muito baixo. A razão é que alguns de seus Estados são também produtores e sua economia poderia ser muito afetada.

BBC: Mas a situação que o senhor descreve a longo prazo - a queda nos preços de petróleo - podia ao mesmo tempo ser uma ajuda aos países que importam petróleo, um incentivo para o crescimento...

Yamani: É verdade. Mas não podemos nos esquecer que os países produtores sofreriam um colapso enconômico, provavelmente também politico e isso acabará com a estabilidade do petróleo.

Não estamos brincando com qualquer coisa, estamos brincando com fogo.

Retirado do site da BBC (em português)


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NOVIDADE NO QUEM SOMOS NÓS!!!
NOSSOS AUTO-RETRATOS

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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EUA = País democrático????

Vejam esta foto:


>Essa é uma manifestante que foi agredida pela polícia da Califórnia, simplesmente porque protestava contra a guerra, em um ato em Oakland.

(foto tirada da Folha)

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Agora matéria de hoje, comprovando o já dito no artigo. Também tirei da Folha.

"SOB SUSPEITA

EUA acham barris que podem conter agentes químicos ou só pesticidas
Militares americanos disseram ontem que os primeiros testes em substâncias apreendidas perto de Karbala (centro do Iraque) sugerem a presença de agentes químicos proibidos, mas admitiram a possibilidade de que sejam simples pesticidas.
Segundo o major Michael Hamlet, da 101ª Divisão Aerotransportada, 14 barris achados num campo de treinamento militar iraquiano anteontem podem conter quantidades dos agentes sarin e tabun (que agem no sistema nervoso) e do gás levisita (que provoca bolhas).
Mas o general Benjamim Freakly, da mesma divisão, disse que testes de amostras coletadas no campo e em uma área agrícola próxima podem revelar que as primeiras são um tipo de pesticida ou de um agente químico sem fins militares.
Os EUA e o Reino Unido invadiram o Iraque sob o argumento de que o ditador iraquiano, Saddam Hussein, possuiria armas de destruição em massa e poderia transferi-las a grupos terroristas internacionais.
Mas as tropas anglo-americanas não conseguiram comprovar a existência de armas do tipo no país. E o regime iraquiano ainda não as utilizou contra as forças invasoras, apesar de Bagdá, coração do país, já estar parcialmente invadida."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Artigo de Clóvis Rossi na Folha de SP de hoje:

"As armas e o 'problema'

WASHINGTON- Robert D. Novak, colunista do jornal The Washington Post, reproduz, em texto publicado ontem, declaração de um funcionário do Departamento de Estado que ele não identifica:
Se terminarmos esta guerra sem encontrarmos armas de destruição em massa, estaremos com problemas internacionalmente.
É verdade, mas não é toda a verdade nem é a pior parte da verdade: a credibilidade do governo George W. Bush foi tão abalada (fora dos Estados Unidos, é óbvio) que, mesmo que diga ter encontrado as tais armas, muita gente vai achar que os EUA 'plantaram-nas', como maus policiais fazem para produzir flagrante de porte de entorpecentes ou de alguma outra violação da lei.
O próprio Novak já antecipa que o Iraque de Saddam Hussein 'claramente não está perto de desenvolver capacidade nuclear ou de transformar em armamento equipamentos biológicos. Restam armas químicas, que poucos peritos militares colocam na categoria de armas de destruição em massa'.
Vistas as coisas de outra maneira: a maior democracia do mundo está disputando um torneio de mentiras com um dos mais hediondos ditadores do planeta, e corre o risco de perdê-lo, na visão não de um estrangeiro, de um anti-americano ou de um comunista, mas na de um colunista de um dos principais jornais do país.
Novak acha que está em jogo, com a questão das armas de destruição em massa, as 'fraturadas relações internacionais dos Estados Unidos'.
É possível, mas esse não parece ser um ponto que preocupe a atual administração. Se preocupasse, teria dado mais tempo para a diplomacia, até porque se está vendo, pelo desenrolar da guerra até agora, que o 'perigo para o mundo' que Bush viu em Saddam Hussein não consegue nem mesmo defender a sua própria capital. O que dirá ameaçar de verdade o mundo."

E charge do Lute, publicada no jornal mineiro Hoje em Dia:


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MENSAGEM PARA OS VISITANTES FREQUENTES!!
(mensagem meio inútil, mas serve para divulgar as partes obscuras do blog)


Para quem já está acostumado com o nosso blog, sabe onde fica a enquete, o mostrador de pessoas onlines, sabe que existe a nossa apresentação na parte quem somos nós,o manifesto "plagiado" do blog, exite o guestbook e o guestmap (este último é frequentemente deixado de lado), o contador de vítimas civis no iraque, os links (agora a nova parte de blogs e fontes), um emeio para contato e lá no finalzinho (se vc teve a coragem de ler os textos enormes inteiros, e se o blog conseguiu carregar direito) abaixo do link do blogger::: o contador de visitas:::: essa mensagem vai para avisar que logo estaremos mudando o estilo de contagem, atualmente o contador registra somente uma vez por IP, quando chegarmos a maravilhosa marca de 1000 visitantes (!!) começará a registrar uma vez por visita.

PS: se vc gostou muito do nosso blog e quer colocar um link no seu blog ou site, naum se preocupe em pedir permissão! Nós deixamos!!

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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:::::::: IRONIA:::::::


Folha teen ontem:


Democracia dos EUA em ação

Um adolescente de 16 anos da cidade de Madison (EUA) foi acusado de tentativa de incêndio após ter, supostamente, tentado queimar bandeiras norte-americanas. As bandeiras estavam sendo penduradas em apoio às tropas do país que combatem no Iraque. O garoto foi preso na terça-feira da semana passada e, até o fechamento desta edição, ele não tinha sido apresentado a um juiz. As autoridades locais dizem não saber se o seu ato tinha motivações políticas.




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LINKS::::::::: A SUA ESQUERDA:::::: ABAIXO DO LINK DO GUEST MAP::::::::: BLOGS AMIGOS E OUTROS!
por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Segunda-feira, Abril 07, 2003


Parte do artigo publicado na CartaCapital desta semana. Visitem seu site e cliquem em "Nosso Mundo", para saberem acontecimentos da semana passada através de visão crítica do jornalista Antonio L. M. C. da Costa.


"A REALIDADE IMITA A FICÇÃO
Destituídos e imigrantes atrás da cidadania reencenam, involuntariamente, Resgate do Soldado Ryan e Tropas Estelares

Em 2 de abril, os jornais norte-americanos também comemoram o resgate da soldado Jessie Lynch. Desaparecida em ação perto de Nassiriyah, em 23 de março, foi localizada, em um hospital iraquiano, gravemente ferida, mas viva e decentemente tratada.
O resgate foi planejado de forma a envolver as três mais famosas forças especiais 'Força Delta, Rangers e Seals'. Enquanto tanques e blindados distraíam os iraquianos simulando atacar o centro de Nassiriyah, esses soldados entraram no hospital, levaram a prisioneira e 11 cadáveres que julgaram ser de seus companheiros, desejaram boa sorte aos médicos e pacientes e foram embora. Um bonito triunfo para acalmar as tropas e o público, nervosos com o atoleiro em que a invasão já ameaçava se transformar.

E também um presente para Hollywood. Perfeito para um remake do Resgate do Soldado Ryan, com a vantagem de que a vítima é mais simpática e todos os seus salvadores saíram vivos.
Esperemos que o filme não se esqueça de contar que a risonha garota de 19 anos sonhava ser professora, mas se alistou, como muitas jovens sem recursos, para ter meios para prosseguir os estudos e fugir do desemprego de 15% de sua cidadezinha, ironicamente chamada Palestine.
Será demais pedir que também se lembre desse dia como o primeiro em que um dos convocados disse não a Bush? Convocado como reforço, o reservista Stephen Funk, de 20 anos, só vestiu o uniforme para se entregar à prisão da base em San José, Califórnia. Recusa-se a servir porque 'esta guerra é muito imoral e muito hipócrita'.
Nascido em Seattle e meio filipino, Funk foi treinado em um dos mais duros campos de adestramento dos marines, onde os jovens recrutas têm que gritar 'Matar! Matar!' e são encorajados a se ferir uns aos outros.
Sua história lembra um pouco a do Johnny Rico de Tropas Estelares. Mas o herói de ficção científica desafiou os pais milionários para entrar na infantaria, por acreditar piamente na propaganda do recrutamento. Já Funk foi seduzido pela possibilidade de completar o curso de Biologia que não pudera pagar, mas soube perfeitamente distinguir a propaganda da realidade.
No futuro descrito nesse filme inspirado pelo romance escrito por Robert Heinlein em 1959, prestar o serviço militar e matar 'insetos alienígenas' no deserto de um mundo estranho era a condição indispensável para se obter cidadania plena, direitos políticos e acesso a cargos públicos.

As elites não aplicaram a sugestão de Heinlein a si mesmas. Dos 535 membros do Congresso dos EUA, poucos prestaram o serviço militar e só um deles tem um filho alistado nas Forças Armadas. Dos membros do governo, só um (Colin Powell) esteve numa guerra. Mas a tornaram realidade para milhares de jovens portadores de green card em busca da naturalização como o cabo guatemalteco José Gutiérrez, primeira vítima norte-americana da guerra e um número muito maior de norte-americanos natos sem recursos para pagar uma educação superior, condição necessária (não suficiente) de uma vida minimamente digna no assim chamado país das oportunidades."

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Artigo publicado na revista CartaCapital desta semana.

"BUSH, O FUNDAMENTALISTA
Um fanatismo napoleônico transforma o presidente dos EUA em aiatolá da fé democrática

- Por Mino Carta

Saddam Hussein, tirano sanguinário. George W. Bush, presidente de um país democrático (a despeito das suspeitas que cercam sua eleição). Figuras profundamente distintas no governo de nações idem. Há, porém, entre as duas personagens algo em comum, que o conflito confirma.
Saddam exibe o fanatismo de quem se considera escolhido por Deus, com poder de vida e morte sobre seu povo. Bush em teoria reconhece o direito do povo de elegê-lo (na prática não foi bem assim), mas se atribui a missão de levar a democracia a todos os rincões do planeta. É evidente nele uma dose de fanatismo napoleônico.
Mal comparando, Bonaparte pretendia criar um império à sombra dos princípios e valores da Revolução Francesa. Bush quer o império da democracia ianque, nascida da guerra da independência que se confunde com uma revolução anterior à da França.
Sobre a qualidade da democracia dos Estados Unidos pairam algumas dúvidas. A julgar, por exemplo, a partir do panorama social que os EUA oferecem hoje em dia, chega-se facilmente à conclusão seguinte: a democracia americana, ao cabo de mais de dois séculos de existência, está longe de ser perfeita.
Nada disso abala os propósitos de Bush, ayatollah da fé democrática. Esta forma de fundamentalismo é tão assustadora quanto quaisquer outras. Mesmo porque a cada dia surgem provas da adesão da nação ianque ao credo do profeta-presidente, cuja pregação merece o aval de 70% da opinião pública americana.
Ligamos a tevê. Em meio às explosões, dos campos ensangüentados e dos escombros das cidades bombardeadas, surge Bush, a prometer a salvação dos corpos e das almas, e os fiéis se acotovelaram à volta do púlpito, em êxtase guerreiro. Só falta caírem de joelhos.
Existem, aliás, diversas maneiras de executar genuflexões. Tome-se a NBC, a network. Cede às pressões da Casa Branca e despede o enviado a Bagdá, o lendário Peter Arnett, punido por declarações a uma emissora iraquiana.
'Os americanos subestimaram a determinação dos soldados de Saddam e agora são obrigados a rever os planos', disse Arnett. Foi o bastante para ser rifado. Aos 68 anos, é o mais experiente correspondente de guerra da televisão dos EUA, rosto de inúmeros eventos bélicos, profissional de reconhecida competência, dono de um Prêmio Pulitzer. O currículo não o poupou da condenação sumária.
O episódio tem força de símbolo. O jornalismo americano já se notabilizou por sua clareza e isenção. Agora, no embalo da cruzada de Bush e com raras exceções, presta-se ao papel de instrumento do fundamentalismo de Bush."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Domingo, Abril 06, 2003


A gente já sabe que um monte de gente apois a guerra nos EUA, e um monte é contra a guerra na Itália, Espanha, França, Alemanha, Reino Unido..... Mas tinha a pergunta que não se calava: quem apoia a guerra no Brasil? Finalmente a Datafolha faz uma pesquisa. Leiam a matéria e vejam que interessante a unanimidade contra a Guerra e a minoria disposta a fazer boicote (aliás, isso é notável em nossa nova enquete, também).

"No Brasil, 90% são contra a guerra

Feita entre 31 de março e 1º de abril, a pesquisa ouviu 5.729 pessoas maiores de 16 anos, em 229 municípios de todos os Estados. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.
A oposição à guerra é majoritária em todos os segmentos da sociedade. Ela está presente em 87% dos homens e 92% das mulheres, em 86% de pessoas no Norte/ Centro-Oeste e em 92% dos que moram no Sul, em 91% dos simpatizantes do PT e 86% dos que preferem votar no PFL.
As oscilações são também pouco significativas quando se comparam segmentos que reagem de forma bem contrastada em pesquisas eleitorais.
Opõem-se à guerra 92% dos que têm de 25 a 34 anos e 86% dos que têm 60 anos ou mais. Quanto ao grau de escolaridade, a diferença (89% a 91%) oscila dentro da margem de erro. O mesmo ocorre com relação à renda familiar.
A coalizão anglo-americana provocou uma quase unanimidade, raríssima na história recente da opinião pública brasileira.
Entre os entrevistados, 86% tomaram conhecimento do ataque ao Iraque. Consideram-se bem informados 26%, e, mais ou menos informados, 46%.

Apoio ao presidente
Indagados sobre o pronunciamento do presidente da República contra a guerra, 86% disseram que ele agiu bem. O resultado é praticamente o mesmo em se tratando de entrevistados de 45 a 59 anos (88%), escolaridade superior (89%) ou renda familiar até cinco salários mínimos (86%).
Não há diferenças significativas no apoio a Lula entre empresários (83%), funcionários públicos (86%), estudantes (89%) ou desempregados (81%).
Quando está em jogo a preferência partidária do entrevistado, a menor aprovação vem dos simpatizantes do PSB (64%), e a maior, previsivelmente, dos simpatizantes do PT (91%).
O Datafolha perguntou se o entrevistado pretendia deixar de comprar produtos ou serviços que tenham como origem países envolvidos na guerra.
A resposta foi sim para 20% e não para 79% dos entrevistados. Entre os que responderam afirmativamente, 79% pretendem boicotar produtos norte-americanos, 18%, produtos iraquianos, e 15%, produtos do Reino Unido.
Coca-Cola (17%), McDonald's (11%) e Nike (4%) foram marcas lembradas pela minoria disposta ao boicote. Seguem-se, com 1%, Pepsi, Reebok e Microsoft.
Produtos de origem britânica foram lembrados de um modo genérico. Quanto aos produtos iraquianos, a memória do consumidor é confusa, mesmo porque, com o embargo comercial em vigor naquele país desde 1991, o Iraque só foi autorizado a exportar o petróleo necessário para importar alimentos e remédios."

(por João Batista Natali)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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No dia 4/4, postei uma charge com a frase "Hoje o Petróleo, Amanhã a Amazônia". Como a internacionalização da Amazônia é uma questão que afeta diretamente a nós, brasileiros - e que está diretamente ligada ao imperialismo norte-americano, hoje atuando na "guerra" do Iraque - vou postar um texto enviado também por Rafael Furtado, que discute as riquezas dessa região sul-americana. É importante ser lido e faz muito sentido num blog anti-guerras como o Foice e Martelo Branco.

"O geólogo Pike, integrante da International Petroleum Company (Standard Oil do Peru) esteve no Amazonas para fazer o levantamento geológico das zonas concedidas à Amazon Corporation. Este levantamento se estendeu desde a região formada pelo rio Purus até Paratinins. Na véspera do seu embarque, o geólogo Pike afirmava ao prefeito de Manaus, Carvalho Leal: "No Amazonas há mais petróleo do que água!" De volta ao Peru, Pike entregou à Standard Oil os resultados de suas pesquisas.

Parece redundante. Porém isso foi em 1932. E muito antes disso já se conhecia a imensa potencialidade da Amazônia. No Império, os Estados unidos já reinvidicava ao Brasil o direito à livre navegação no Amazonas, que foi negado pelo Imperador D. Pedro II. Em 1913, o ex-presidente Theodore Roosevelt percorreu o Norte e o Centro-oeste não pelo espírito de aventura, e sim para pesquisar suas riquezas (Ele sabia das imensas potencialidades). Agora, pasmem! A idéia de internacionalização da Amazônia não é nova. Na Conferência de Versalhes, em 1919, ela já tinha sido proposta pelo presidente dos Estados Unidos (sempre eles!!), Woodrow Wilson, sendo rejeitada por Lloyd George, primeiro-ministro da Grã-Bretanha. Afinal de contas, já naquela época se sabia que internacionalizar a Amazônia significava submetê-la ao controle dos Estados Unidos. E Lloyd George não era como o poodle Tony Blair.

Convém lembrarmos que a Amazônia possui a maior bacia hidrográfica do planeta. E sabemos que daqui a vinte anos a principal causa das guerras será a água. Resta-nos saber o que nossa classe dirigente fará para manter nossa soberania sobre os nossos recursos hídricos. Agora entende-se a enorme pressão norte-americana em relação à ALCA. Essa área de "livre comércio" permitirá livre acesso sobre os nossos recursos hídricos, e os serviços de distribuição de água seguirão a lógica do mercado. A água é um dos poucos bens nossos que ainda não foram privatizados.

Em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, encontra-se a maior reserva de nióbio do mundo (98% das reservas mundiais). Debaixo da Amazônia talvez se encontre uma das maiores reservas de gás natural do planeta, jazidas petrolíferas de altíssima qualidade, além de ouro, ferro, bauxita (de onde se extrai o alumínio), cassiterita (de onde se extrai o estanho), além de um patrimônio genético incalculável, que está sendo roubado graças à ação de contrabandistas disfarçados de missionários. A maior parte desse patrimônio foi entregue a um preço ridículo com a venda da Vale do Rio Doce, uma empresa que era um dos maiores exemplos de empresa de mineração e logística bem-administrada, que gerava lucro na época em que foi "doada" pelo governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso. Resta saber quais foram as razões para tal insanidade.

Sabemos que todo esse processo de privatização foi minuciosamente orquestrado pelo pessoal do norte justamente para assegurar o acesso aos nossos recursos estratégicos e assim manter esse modelo apodrecido que se apóia em uma moeda que não passa de papel pintado (pois não tem lastro) chamada DÓLAR. O mais revoltante é que essa dívida externa monstruosa e os empréstimos concedidos pelo FMI são todos financiados nesse papel pintado. E impõem como condição para esses empréstimos privatizar nossas estatais, abocanhando assim nossas riquezas. Além de assinar acordos desiguais altamente lesivos aos interesses nacionais. Estão se apoderando de nossos patrimônios estratégicos a troco de nada. E sem dar um tiro sequer (É lógico. A História já provou que é impossível ocupar militarmente países de dimensões continentais e com grandes populações, como o Brasil.) E tudo isso foi conseguido graças à ação de verdadeiros traidores. (...) como Roberto Campos, Pedro Malan, Armínio Fraga, Gustavo Franco e outros malditos tecnocratas."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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E, enviada pelo nosso correspondente Rafael Furtado, uma charge do Gilmar:


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Já que falar em utopias sempre é bom, vou postar umas fotos (com montagens) muito boas para a cabeça. Digamos que é uma espécie de terapia, nesses tempos de guerra...



Quem dera esses dois ditadores estivessem numa boa, para evitar essa guerra. Como dizem por aí, "é mais divertido fazer guerra, quando não se está lutando nela..."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Marcio Varella, em artigo na Novae, discute a mídia (inclusive a sua imparcialíssima Globo, TT) e seus próprios ideais. Vou postar só um trecho.

" Pela Globalização da História

(...) Mas não é isso que se vê na mídia. Os meios de comunicação ocidentais mostram a invasão ao Iraque, por exemplo, da maneira que o governo americano gostaria que o mundo inteiro visse, de acordo com seus interesses econômico-financeiros. O poder pela força. E sempre com a mesma desculpa: Saddam é um ditador (nunca vi a TV Globo chamar o Médici, o Geisel ou o Figueiredo de ditadores - chamavam-no, carinhosamente, de presidentes), Pinochet e Jango eram comunistas, o Vietnã do Norte queria impor uma ditadura socialista ao Vietnã do Sul, e por aí vai. Não é à toa que o governo americano investe US$ 300 bilhões/ano em novos armamentos. Têm de mostrar os equipamentos, senão o pátio das fábricas ficam lotados, aí tem greve, aquela coisa toda.

Na verdade, os países ocidentais subdesenvolvidos (ou em desenvolvimento, que é pra não humilhar) são todos, o Brasil entre eles, subjugados aos desmandos dos EUA, em todos os setores. Basta ligar o rádio, a TV, ler os jornais e as revistas. Todos em defesa dos EUA, chamando, como o governo americano quer, a invasão ao Iraque de Guerra. Gostaria de saber se existe algum jornalista brasileiro decididamente corajoso que tenha colhões para substituir a palavra GUERRA por aquela que dá verdadeiro e real sentido ao fato: INVASÃO.

Seria pedir demais, eu sei, já somos dependentes do way of life americano. Só com terapia mesmo.

Mas, para que eu possa mostrar a linha de raciocínio que me veio à mente, ao assistir mais uma vez aquele repórter de beiço mole da Globo no Kwait fazer suposições sobre assunto sério, é preciso sonhar um pouco. Aliás, sonhar não é proibido. Claro que não se trata de mostrar aqui os meus sonhos diuturnos preferidos, que são o de ligar a TV aberta e não encontrar o Faustão, o Gugu, o Sílvio, o Ratinho, o BBB, o Chitãozinho, o Xororó, e muito menos seus filhos que ainda não aprenderam (e talvez nunca aprendam, mesmo porque não têm talento) a cantar. E nem também o super herói Fernandinho Beiramar, elevado a esta condição pela falta de coragem absoluta dos jornalistas brasileiros em mostrar a realidade do país aos telespectadores.

O sonho é o seguinte: todas essas invasões e bombardeios provocados pelos EUA nunca aconteceram. As guerras pararam de vez, uma vez morto Hitler, Mussolini e seus asseclas contemporâneos (digo contemporâneos porque seguidores do fascismo e do nazismo existem por aí aos montes).

No sonho, vejo crianças do mundo inteiro - negras, brancas, amarelas, cafuzas, mestiças etc - aprendendo a cantar, pela internet (com canal de som e vídeo), via satélite, sem comerciais, os hinos dos países de seus coleguinhas. Trocando idéias, contando as histórias de fadas e de princesas e príncipes de cada cultura. Vejo, no sonho, essas crianças crescerem praticamente juntas, separadas apenas por ondas eletromagnéticas. Contando a história de seus países umas às outras, acabaram percebendo que as histórias estavam intrinsecamente ligadas, atadas uma às outras, como se fossem milhões de cordões umbilicais interligados alimentando um único bebê, chamado VIDA.

Rejubilaram-se com isso, pois, cientes da história, puderam ver com transparência as dificuldades de cada povo, suas doenças, suas fraquezas, seus limites, sua coragem, suas habilidades, seus talentos, sua criatividade. Trocando conhecimentos, e usando o fundo de reserva que tinham criado para si (que rendia exatamente US$ 300 bilhões/ano), puseram fim às doenças cruzando pesquisas; puseram fim à fome plantando as terras férteis (sem necessidade de agrotóxicos); puseram fim à pobreza distribuindo as mesmas oportunidades sempre de acordo com a capacidade de cada ser; puseram fim aos preconceitos respeitando a cultura de cada região, respeitando a capacidade de cada povo em evoluir de acordo com sua vontade.

Esses seres recriaram a democracia, globalizaram a História. Mostraram que ninguém pode ser VIDA sem saber conviver com seu vizinho. Foram felizes, e Deus, vendo tudo aquilo acontecer no espaço de uma geração, pensou: "Subestimei a raça humana. Eles souberam usar com inteligência essa grande arma de construção massiva chamada capacidade de pensar".

Mas, de repente, acordei. Olhei em volta, liguei a TV e vi um repórter de beiço mole anunciando que aquelas crianças do meu sonho, pelo menos 175 mil delas, haviam sido assassinadas na invasão do Iraque. (...)"

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Democracia?!
"O que restou da 'democracia' nos EUA foram só duas coisas: o Demo e a CIA."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Segue trecho de artigo publicado pela Agência Carta Maior e escrito por Leonardo Boff.

"O Imperialismo de Bush (3/4/2003)

(...) Três valores Bush quer globalizar: a liberdade, a
democracia e o livre comércio. Valores preciosos, mas
deturpados pela versão capitalista. A liberdade é a
independência individual sem ligação social. Significa
ganhar dinheiro e acumular, a mais não poder,sem qualquer
escrúpulo. Democracia é a delegatícia e formal, só
funciona na política mas não na economia, na escola e na
vida, como valor universal. O livre comércio é livre para
os mais fortes que impõem a sua lógica, de pura
competição sem qualquer cooperação. O sonho americano à
la Bush é transformar o Globo num imenso mercado comum,
onde tudo vira mercadoria, o capital material (bens) e o
capital simbólico (valores) e onde tudo é racionalmente
administrável, também o afeto, a imagem e a morte.

O imperialismo ocidental é a nossa doença, porque
continuamos a achar que somos os melhores. Mas também, a
duras penas, criamos um antídoto que é a auto-crítica.
Demo-nos conta do mal que fizemos aos povos e a nós
mesmos. Afinal, somos uma cultura e uma religião entre
outras. A cura reside no diálogo incansável, na abertura
aos outros, na troca que nos enriquece e nos faz humildes.

Essa guerra irrompeu pela recusa ao diálogo, pela
satanização do outro e pela pura arrogância. É uma
tragédia."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Este artigo de Emir Sader foi publicado pela Agência Carta Maior. A direita havia ressurgido com força na Europa nas últimas eleições, como conseqüência do aumento da xenofobia e das discussões sobre a UE. Agora, com a Guerra do Iraque e o unilateralismo norte-americano apoiado pelos neo-fascistas da Itália e Espanha, Emir Sader aponta a possibilidade do ressurgimento da Esquerda naquele continente, pronta para peitar as decisões de Washington. Tomara.

"O Mundo pelo Avesso
- Emir Sader (3/4/2003)

Roma ¿ A guerra de George W. Bush contra o Iraque teve
efeitos colaterais não desejados por Washington. Um dos
mais importantes é o renascimento da esquerda européia,
fortalecida pelo apoio maciço a suas mobilizações pela
paz.
Aliados de Bush como os líderes britânico Tony Blair, o
italiano Silvio Berlusconi e o espanhol José María Aznar
vêem-se debilitados pelo apoio que dão a Washington, sem
respaldo na população dos seus países, enquanto forças
alternativas de oposição surgem ou se fortalecem e passam
a incidir decisivamente nos destinos desses três países
fundamentais para a Europa.

Se as mobilizações contra a globalização neoliberal já
haviam tido na Inglaterra, na Itália e na Espanha seus
maiores sucessos, agora, quando Bush politiza a guerra e
coloca o movimento diante da necessidade de enfrentar
diariamente o império norte-americano, esse avanço molda
as forças de esquerda do continente com novos contornos.
Na Espanha, as eleições municipais do próximo mês
encontrarão um partido socialista (o PSOE) favorito, com
uma cara mais combativa de quando foi governo e uma
Esquerda Unida em claro processo de fortalecimento,
diante do enfraquecimento do Partido Popular de Aznar.

Na Inglaterra, Blair sente a necessidade de fazer o
perigoso jogo de divergir dos EUA sobre o futuro do
Iraque, para tentar recuperar o prestígio perdido pela
sua posição suicida de apoio a Washington. Ninguém se
arrisca a prognosticar um futuro político para Blair,
sequer no seu partido, em que volta a existir uma
oposição de esquerda a seu governo.

Na Itália, o surgimento do movimento chamado Abril cria
uma crise na moderada DS (Democracia de Esquerda), fatia
maior do antigo Partido Comunista Italiano (PC), promove
um giro à esquerda, junto ao fortalecimento de Refundação
Comunista (outro fatia do PC) ¿ essa ¿mudança¿ deve se
expressar tanto na greve geral do dia 12 contra a guerra,
quanto no referendo que estende o direito ao trabalho, em
junho.

Nesse quadro geral, o isolamento norte-americano tornou-
se uma conseqüência inevitável do unilateralismo de Bush
e de seu reivindicado direito de atuar preventivamente
contra o que considera um perigo potencial a seu poderio.
Sem que ele menos espere, outros focos políticos de
rejeição à sua política se articularão como subprodutos
do unilateralismo de Washington."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Esta entrevista foi publicada pela Revista Época. Michael Klare é um cientista político norte-americano defensor da idéia de a guerra ter como objetivo os poços de petróleo iraquianos. Não contém muitas novidades, mas é bastante clara e discute muitas idéias. Vale a pena ser lida.

ÉPOCA - Por que os EUA fazem tanta questão de lançar um ataque militar contra o Iraque?
Michael Klare - A insistência do presidente Bush de ir à guerra não tem nada a ver com armas de destruição em massa, nem com o terrorismo, nem com a democratização do Iraque. Essencialmente, o que move os EUA é uma questão de poder. Essa guerra está sendo desencadeada com o objetivo de dominar o Golfo Pérsico e suas vastas reservas de petróleo ao longo das próximas décadas. Com a região sob seu controle, os EUA ficarão em posição de ditar as regras do mercado mundial do petróleo e impor condições aos países dependentes do combustível importado - os europeus, o Japão e a China. A guerra tem a ver com o petróleo como fonte de poder. A partir do Iraque, os EUA pretendem controlar politicamente todo o Oriente Médio.

ÉPOCA - Como seria esse controle?
Klare - O governo Bush quer garantir seus interesses na região, com destaque para o petróleo e a defesa de Israel. O próximo alvo dos EUA será provavelmente o Irã, um dos integrantes do chamado eixo do mal. Bush deverá usar sua esperada vitória em Bagdá para pressionar o governo iraniano a renunciar a suas armas de destruição em massa e parar de apoiar o terrorismo, sob pena de enfrentar o mesmo destino do Iraque. Os EUA também devem pressionar a Síria para que se submeta a Israel em questões-chave como as Colinas de Golan (atualmente sob ocupação israelense). Outro objetivo de Bush é impor uma solução para o conflito israelense-palestino em termos altamente favoráveis a Israel.

ÉPOCA - Por que as relações dos EUA com a Arábia Saudita, seu tradicional aliado, estão se deteriorando?
Klare - Um dos motivos é que a família real saudita vem perdendo o apoio de seus súditos por ter se alinhado tão intimamente aos EUA, que por sua vez apóiam Israel, um país odiado por muitos muçulmanos por maltratar os palestinos. Para acalmar os descontentes, a família real deu muito dinheiro aos grupos islâmicos radicais. Uma parte desse dinheiro, aparentemente, foi parar nas mãos de Osama Bin Laden, o que deixou os americanos furiosos. Outro fator de discórdia é o fato de o príncipe Abdullah (o governante de fato da Arábia Saudita) ter assumido uma atitude mais crítica em relação ao apoio dos EUA a Israel.

ÉPOCA - Qual é a importância do petróleo do Iraque para a economia americana?
Klare - Ele é cobiçado devido a sua enorme quantidade. Os EUA se tornam cada vez mais dependentes do petróleo importado, ao mesmo tempo em que as reservas domésticas estão se esgotando rapidamente. Em vez de buscar fontes alternativas de energia, o governo americano se empenha em aumentar a disponibilidade de petróleo no Exterior. Está disposto a assegurar os suprimentos pela força, se for preciso. Por isso o controle do Iraque é tão importante para o país.

ÉPOCA - Como isso beneficiaria os EUA?
Klare - Com um governo pró-americano no lugar de Saddam Hussein, os EUA adquirem uma posição de força em futuros conflitos com a Arábia Saudita em torno do preço do petróleo. Se os sauditas fecharem as torneiras a fim de elevar as cotações, os EUA podem aumentar a produção do Iraque e, assim, reduzir o preço.

ÉPOCA - Vários integrantes do governo americano, como o vice-presidente, Dick Cheney, a assessora de Segurança Nacional, Condoleeza Rice, e o próprio Bush têm vínculos com a indústria petroleira. O senhor acredita que essas ligações têm influência na tomada de decisões?
Klare - Essas pessoas entendem claramente quanto a economia americana depende do fornecimento de petróleo importado, abundante e barato. E é claro que elas gostariam de ver as empresas americanas de petróleo prosperar. Um regime pró-americano no Iraque seria muito bom para os negócios. Para começar, o novo governo de Bagdá terá de gastar bilhões de dólares para consertar os poços de petróleo e levá-los à plena produção. Empresas como a Halliburton (que até 2000 tinha Cheney como presidente) devem obter uma grande fatia dos contratos. As companhias americanas também esperam obter as concessões para perfurar poços em áreas promissoras ainda inexploradas. De acordo com o Departamento de Energia dos Estados Unidos, o Iraque tem 200 bilhões de barris em reservas de petróleo ainda não mapeadas, além do estoque já conhecido de 112 bilhões.

ÉPOCA - Como ficarão os contratos que o Iraque já assinou com companhias petroleiras da França, da Rússia e da China?
Klare - Se esses países votarem contra os EUA nas Nações Unidas, provavelmente perderão os contratos. Os grupos de exilados iraquianos apoiados pelos EUA avisaram que, uma vez no poder, não vão cumprir os acordos assinados sob o regime atual, sobretudo no caso de países que não os ajudaram a eliminar Saddam.

ÉPOCA - Quais são os riscos do ataque americano ao Iraque?
Klare - O governo Bush teme que a guerra não termine rapidamente e que as forças iraquianas resistam, obrigando os americanos a combater casa por casa, em Bagdá. Isso causaria muitas vítimas civis e atiçaria o sentimento antiamericano em todo o Oriente Médio. Novos ataques terroristas podem ocorrer. Mesmo que a guerra seja breve, os EUA ainda enfrentam as ameaças ligadas às divisões étnicas no Iraque. Há o risco de uma rebelião curda e de que os sunitas e os xiitas entrem em choque pelo controle do país.

ÉPOCA - O que acontecerá com o preço do petróleo?
Klare - Terá um alta abrupta logo que a guerra começar. Isso reduzirá a demanda. Logo em seguida, o preço cairá. Mas levará alguns anos para que o Iraque consiga produzir tanto óleo a ponto de influenciar o mercado mundial. A preocupação imediata é a violência e o caos que a guerra provocará em todo o Oriente Médio. Enquanto a região continuar conturbada, será difícil ampliar a produção de petróleo e os preços ficarão elevados, agravando a recessão mundial.

ÉPOCA - A revista inglesa The Economist, que defende a ação militar contra o Iraque, admite que a guerra terá um nítido 'sabor imperialista'. O senhor concorda?
Klare - Uma invasão do Iraque será inevitavelmente sucedida por uma ocupação prolongada do país por tropas americanas. Muitos árabes vão encarar essa ocupação como uma forma de imperialismo. Haverá muito ressentimento. Afinal, a maioria dos países da região foi vítima do domínio colonial. No fim das contas, creio que a presença americana no Iraque provocará tanta hostilidade que os EUA se verão obrigados a reconsiderar sua estratégia.

ÉPOCA - Haverá no futuro outras guerras por causa do petróleo?
Klare - A disputa pelo acesso a recursos vitais, como o petróleo, a água, a terra cultivável e os minerais estratégicos, está se intensificando no mundo inteiro. Isso tem a ver com o crescimento populacional, com a competição econômica e com o aumento dos padrões de consumo nos países ricos. O resultado é o rápido esgotamento dos recursos naturais e o crescente risco de conflito em torno dos estoques que restam. Nesse contexto, os governos tendem a enxergar os recursos vitais como uma questão de segurança nacional, o que significa que estão dispostos a ir à guerra caso considerem que seus suprimentos correm perigo. Por exemplo, o Egito diz que lutará pela água do Rio Nilo; Israel, pelo controle dos mananciais do Rio Jordão; os EUA, pelo petróleo do Golfo Pérsico. Se nós não aprendermos a dividir esses recursos de um modo pacífico e eqüitativo, haverá mais e mais guerras por sua posse

(por Igor Fuser)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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retirado de:::::: PCO

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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SITE BEM LEGAL::::

MÍDIA INDEPENDENTE



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Dados a mais, mas acho que todo mundo já tem uma idéia::::::::


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Um documento do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários datado de 7 de janeiro de 2003 estima que 30% das crianças com menos de 5 anos no Iraque devem morrer de desnutrição em caso de guerra e outras 10 milhões de pessoas devem passar fome:::::::::
(em inglês)
Doc

Publicado no site Campanha contra as Sanções ao Iraque

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Sábado, Abril 05, 2003


Protesto cristão::::::::::::::::::

BELÉM - A Igreja da Natividade, situada no lugar em que se acredita ter nascido Jesus Cristo, decidiu proibir a entrada ao presidente dos EUA George Bush; ao seu secretário da Defesa Donald Rumsfeld; ao primeiro-ministro britânico Tony Blair e ao seu secretário de Relações Exteriores Jack Straw. O privilégio de visitar um dos mais sagrados santuários da cristandade foi-lhes formalmente retirado.

Esta atitude da Igreja da Natividade foi adoptada como protesto pela "guerra agressiva que estes dirigentes têm travado contra o Iraque", afirmou o principal responsável da igreja.

O Pai Paroquiano Panaritius (Church Parishioner Father Panaritius) tornou pública a decisão numa demonstração maciça de protesto organizada em 2 de Abril pelas instituições ortodoxas frente à Igreja da Natividade.

"Êles são criminosos de guerra e assassinos de crianças. Portanto a Igreja da Natividade decidiu banir-lhes o acesso ao interior do santuário sagrado", afirmou o responsável.

visto em ::: resistir.info


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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A conquista do mundo

por César Príncipe
(Jornalista / Escritor )



Um dos tiros de pólvora seca para justificar a guerra preventiva contra o Iraque parte do pressuposto de que Saddam é um perigo equiparável ao da ascenção de Hitler na década de 30. É uma tese das lavandarias de cérebros, na luta pelo domínio da opinião publicada e da opinião pública. Como é dos manuais, tal cassette veio preencher uma das prateleiras da retórica intervencionista, vazia de legitimações sérias e alargadas. O argumento não suporta uma análise de superfície. Qualquer atirador de médio calibre reconhecerá que nenhum paralelismo se poderá fixar entre o regime de Saddam de 2003 (ano do clamor das armas de destruição maciça) e o regime de Hitler de 1933 (ano em que o Adolf foi empossado chanceler). A inconformidade dos tempos e dos contextos e a desproporcionalidade de países, potencialidades e poderes é tão manifesta que a metodologia da sensatez logo anula este míssil psicológico.

Bastaria um relance pelo século XX para se demonstrar o inverso: os Estados Unidos são o maior produtor, o maior detentor e o maior empregador de armas de destruição massiva e maciça (nucleares, químicas e biológicas). Algumas delas (como o antraz) foram gentilmente cedidas pelo libertador Rumsfeld ao ditador de Bagdad para ensaiar em iranianos, xiitas e curdos. Também a Inglaterra está pejada de armas químicas, biológicas e nucleares. Também Israel está bem dotado de armas químicas, biológicas e nucleares. Também o Paquistão, reconciliado com os donos do Mundo, está bem guarnecido de armas proibidas. Uns já as aplicaram, outros ameaçam despejá-las, aqui e ali, nomeadamente no Iraque. Portanto, quem poderá e a quem estará interdito desferir armas a favor e contra a Humanidade? Portanto, quais as democracias e as ditaduras com «via verde» para cometer genocídios e ecocídios? Não foi Jacques Straw, na qualidade de ministro do Interior britânico, que tudo fez para que Pinochet se evadisse de Londres, escapando ileso à indignação cívica e à Justiça Internacional? Não é Jacques Straw, na qualidade de ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, que tudo fez e tudo faz para abater ou julgar Saddam?

Se pretendermos também ensaiar uma provocação, talvez mais aliciante e menos inconsistente-eis um perfil-robô para um III Reich, o Anglo-Saxónico: em 2003, o Iraque emerge como país-laboratório, teatro experimental do complexo militar-industrial anglo-saxónico; em 1936, a Espanha desempenhou, para o nazi-fascismo, esse tablado de musculação continental e de manobra estratégica.

É certo que, nesse mesmo ano, a Alemanha de Hitler reocupou a Renânia, dando também aí um pontapé de partida expansionista, um sinal de abertura do trânsito para os carros de assalto da Globalização Germânica ou da Política do Espaço Vital. Todavia, a Espanha funcionou, nessa dinâmica de redesenhamento de fronteiras e de incorporação e gestão de recursos, como símbolo da arrancada imperial da Pax Germana. Desenrolou-se, então, no mapa e nos palcos das lideranças, um teste às democracias parlamentares e às democracias populares, repto transitoriamente ganho pelo nazi-fascismo.


ALIADOS-MORDOMOS

Assentava a coligação da Pax Germana no Eixo (Alemão, Italiano e Japonês, para lá de aliados-mordomos, como Portugal, Hungria ou Roménia). Hoje, a coligação da Pax Americana assenta no Eixo (Americano, Inglês e Australiano, para lá de aliados-mordomos, como Portugal, Hungria ou Roménia).

O nazismo disparava vários scuds doutrinários, a partir das rampas do Arianismo, baseado na «raça pura», alta, robusta e loira, com forte sentido étnico e que, na fase mais ingénua da História Ariana, adorou a vaca e cozeu tijolos. Visava o nazismo, entre os desígnios territoriais, económicos e militares, erradicar o judaísmo, o cristianismo e o comunismo. O bushismo também exterioriza uma gramática de pedigree anglo-saxogénico. O clã bushiano (que, de momento, lidera o processo de globamericanização) alardeia o divino encargo de expulsar o «eixo do mal» Paraíso, periodicamente renovando a lista dos párias e obsessivamente se propondo libertar os povos com porta-aviões de última performance , miséria mínima garantida e urânio devidamente empobrecido, embargos de alimentos e medicamentos, versículos sobre os crânios renitentes. Nesta cruzada, o bushismo sintoniza-se com o sionismo-sharonismo. As voltas e as cambalhotas que o Eixo deu entre 1933 e 2003!

Com tal background de afinidades, interesses e intrigas, não admira que a libertação do Iraque comporte duas tipologias de bombas: na vaga da invasão, as propriamente ditas; na vaga da ocupação, as de gasolina.

Atentemos, pois, sem vendas no olhar, na ofensiva contra o Iraque: os exércitos do Novo Eixo premeditaram e accionaram o «Objectivo Bagdad», que não passa de uma escala técnica para atacar e protectorar uma série de, apertar o cerco à Europa, redefinir os padrões-alvos da NATO e desautorizar as Nações Unidas. Entretanto, ainda não foi apresentada qualquer prova de perigo mundial das armas inconvencionais de Saddam, um dos embustes para varrer o Iraque à bomba. Entretanto, ainda não foi apresentada qualquer prova da ligação de Saddam, ex-aliado americano, a Bin Laden, ex-aliado americano. Pelo contrário, há quem tema (por exemplo, o presidente do Egipto, Hosni Mubarak ou o ex-presidente de Portugal, Mário Soares), que a guerra contra o Iraque e as respectivas sequelas inaugurem mais e superlotadas escolas de terrorismo. É evidente que há de ensino clandestinos e oficiais. Estamos a reportar-nos ao terrorismo impróprio para a convivência internacional e não ao terrorismo amigo. Mubarak estima mesmo em 100 mil os predispostos a alistar-se no Terrorismo Inimigo, nessa Academia de West Point do Desespero, nesse Pentágono dos Pobres.

O ESTOFO DE BUSH

E George Bush, como responde às inquietações e destas personalidades, tão gratas de tantas administrações americanas? Que estofo de estadista e de visionário revelará Bush II na governação dos Estados Unidos e das Nações Desunidas? Antes do «11 de Setembro» apontado como «ex-drogado», «ex-alcoólico», «administrador falhado», eleito por falcatruas e cabeça de abóbora, foi transfigurado em confidente do Criador, Messias da Lockheed, da Shell e dos Povos Oprimidos. Tomado de arrebatamentos místicos, optou por relações directas com o Além, dispensando as Religiões Tradicionais (incluindo a sua, a Metodista, que condena a guerra do seu ex-devoto). Convertida a Rússia ou a URSS, conforme o espírito de cruzada, a White House e o White Power impõem, sem disfarces nem compagnons de route , a Teologia do Mercado.

Acontece que, tal como em 1933/36/42, o Novo Eixo corre para Estalinegrado, para a Normandia, para Pearl Harbor, para o maquis electrónico, para o confronto sem limites. O balanço resultará trágico em vidas (civis e militares) e patrimónios (económicos, ambientais e culturais). Acontece que entre o Admirável Mundo Novo, Brave New World (1932), de Aldous Huxley e O Triunfo dos Porcos, Animal Farm (1945), de George Orwell, hão-de as vítimas e os reservistas da paz encontrar uma saída, uma alternativa ao III Reich. Numa guerra de armas inteligentes e manejadores diminuídos, conta-se com a Nova Potência, a consciência das ruas, constituindo a mobilização interna americana um dado promissor na cadeia de esperança para alterar a marcha da Morte. Os americanos têm especiais condições e obrigações para conter o americanismo. Os europeus, principalmente estes, têm especiais condições e obrigações para conter o anti-americanismo. Mas jamais se poderá conter a lucidez, a honra, a justiça, a liberdade. E a contenção requer reciprocidade e multilateralidade. O que, nas presentes circunstâncias, permanece no domínio angélico, embora se augure que desça à Terra. Descida que impele as forças da Paz para intensificação dos diálogos em rede, a reorganização das fortalezas sociais, sindicais e culturais, a internacionalização das causas. Na agenda das causas, temos na ordem do dia e da noite, a guerra contra o Iraque, contra um povo orgulhoso de haver nascido num dos berços da agricultura e da escrita, nas rotas de caravanas da civilização, que tem em Bassorá um dos arquivos milenares da Sabedoria e da Estética e que já mereceu que Bagdad fosse enaltecida como capital do Mundo, a Nova Iorque do séc. XIII.

E agora, que dizer do Iraque?

No séc. XIX, sentenciou-se na Inglaterra: «Quando um inglês fala em Deus quer dizer Carvão». No séc. XX, sentenciou-se nos Estados Unidos: «Tudo o que é bom para a General Motors é bom para a América e tudo o que é bom para a América é bom para a General Motors». No século XXI, sentencia-se: Tudo o que um bom americano diz um bom inglês repete . Está bom de ver que os Estados Unidos ocuparam o lugar da Inglaterra no Mundo e que o Deus-Carvão foi substituído pelo Deus-Petróleo. A teocracia ou petrocracia anglo-saxónica arrasta os povos para limiares de «choque e espanto». E os povos tendem a fascinar-se pelo catastrofismo: Tudo o que é mau para a América é bom para o Mundo . Ora, esta espiral de opostos assume um carácter de After Day permanente, que urge suster nos quadros do Direito Internacional, das dignidades nacionais e das dignidades pessoais. Como, perante tanta arrogância e tanta ganância, tanta concentração da violência e tanta rarefacção da resistência?

BUSINESSGAME & VIDEOGAME

É claro que o Novo Eixo detém maiores capacidades do que o Antigo Eixo, incluindo o instrumental nuclear, de telecomando, de telespionagem, de teledestruição, de condicionamento das massas críticas, bem como meios de sedução e dissuasão de natureza económico-financeira. Felizmente os povos estão mais despertos: o regime de Saddam é um risco controlável, o regime de Bush é um risco sem controlo. O «Objectivo Bagdad» e a «Liberdade para o Iraque», consignas pressurosamente adoptadas para titulagens dos media, micro-actores e servidores do Novo Eixo, a partir das fontes de caução da guerra (porta-vozes militares e enlatados CNN) estão desacreditados pela evolução dos factos e pela voracidade dos empreiteiros da reconstrução. Não emergiu, na conquista das primeiras posições, logo a task force do abocanhamento de contratos, envolvendo figuras da Presidência, da Secretaria de Estado da Defesa, da Segurança e do Planeamento Estratégico? Os apoiantes desta guerra dividem-se em duas categorias: os indecentes e os inocentes. Todos úteis para os senhores das petroleiras e das canhoneiras. Uns fazem da guerra um negócio, o businessgame ; outros um ócio, o videogame .

E não obstante a profusão de suportes propagandísticos, salta à vista que os criativos do Pentágono, de Wall Street e da Casa Branca têm dificuldades de audiência. Apesar da overdose de editoriais, destacamento de especialistas e sistemáticas convocatórias da Imprensa em Washington e no Qatar (por exemplo, os écrans portugueses parecem ocupados militarmente, num arremedo de golpe de Estado, com «capitães» de Março ou da Coligação a exibirem peitorais-cabides de medalhas, exprimindo-se num dialecto pretensamente técnico e neutralista), os falcões e os falconetes não conseguiram vender esta guerra. O equívoco tomou proporções, que seriam risíveis se não fosse o drama em curso: os iraquianos, talvez por ingratidão, talvez por «fanatismo», segundo um director das antenas da Pátria, preferiram bater-se a receber os libertadores com pétalas dos Jardins Suspensos da Babilónia, com beijos das Mil e Uma Noites, com danças de ventre nos bunkers das cidades e nas tendas dos desertos. Vai daí o Novo Eixo decidiu-se por uma política de gente queimada: todo o iraquiano é um objectivo militar.

Salta à vista que a coligação anglo-saxónica estaria a dois passos de perder a guerra se não detivesse o exclusivo aéreo e se tivesse de sujeitar-se à implacabilidade da exposição física e à endurance das convicções. Os prisioneiros anglo-saxónicos e alguns expedicionários com microfone aberto apenas alegam que «foram mandados», que «obedecem a ordens», que «lhes pagam para cumprir». É um discurso sem defesas ideológicas ou afectivas. As tropas do Novo Eixo sentem-se orfãs de um pretexto, de um valor meritório e não brutalmente mercenário. Mas estão ali para ganhar algum e salvar a pele. Que postura deprimente para trezentos mil efectivos e mais cem mil a caminho da Libertação do Iraque: desconfiam das areias que pisam e das pessoas que lhes acenam. Que paradigma de democracia o Ocidente exporta para o Oriente. É o espectáculo da logística contra a lógica, da guerra sem princípios mas com objectivos: o saque das multinacionais e o soldo dos operacionais.

Assim tem sido desde a Suméria, a Acádia, a Babilónia, a Assíria.
Assim foi com persas e gregos, selêucidas e romanos, partos e sassânidas.
Assim foi com bizantinos, omíadas, abássidas, mongóis, safévidas.
Assim foi com otomanos, ingleses e americanos.
Assim foi com Ciro, Alexandre e Tamerlão.
Assim será com Bush & Blair.



*** Contribuição do nosso "camarada" Rafael Furtado! retirado de http://resistir.info/

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Sexta-feira, Abril 04, 2003


NOVA ENQUETE NO AR!!!!
O que vc não conseguiria deixar de consumir durante o boicote?????

aproveitando link:::::::::::::: http://www.motherearth.org/USboycott/index.php





PS: Devido à degeneração da capacidade criativa das autoras deste blog pedimos sugestões para novas enquetes!!!

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Mensagem para todos os blogueiros amigos!!!!!
Logo, logo, a gente coloca uma parte do blog só para links de blogs de quem a gente conhece
(até para retribuir um monte de link nosso que eles colocaram nos blogs deles)...

Enquanto isso, não deixem de nos visitar!!!!
e::::
LEMBRETE::::::::::::::::::::
Se vc entrou no nosso blog e ficou por mais de 2 minutos, não esqueça de:
*Comentar o post que vc leu, dando sua opinião, xingue, elogie:: é fácil, clique no fala aí... ( se der erro vai no do da mensagem de cima)
*Se vc tiver paciencia: assine nosso guest book com uma mensagem legal!
*Ler nosso manifesto (o site dele tá meio ruinzinho, mas vale a pena pelo texto!)
*Marcar sua presença no nosso mapinha:: ele já abre em outra janela!! é só clicar no link guestmap!
* Ler sobre nós em quem somos nós?
* Votar na nossa enquete! ( é computado só um voto por dia, e a enquete é semanal)

PS: se tiver dando muito xzinho ao invés de figura, clica com o botão direito em cima da figura e logo depois: mostrar figura

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Esta charge nos foi enviada por email pela Bibi. Muito boa!



Essa frase foi repetida várias vezes ontem na manifestação de BH. E deve ser repetida muitas outras vezes....

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Esta entrevista que se segue também foi publicada pela Folha de hoje e tem umas idéias interessantes de um professor da Universidade da Califórnia, especialista em terrorismo religioso.

"Folha - Saddam Hussein divulgou mensagem nesta semana na qual fez um forte apelo ao "jihad", embora seu regime seja historicamente laico (não religioso). Que efeito terá no Iraque e no Oriente Médio?
Juergensmeyer
- O apelo ao "jihad" pode ser ouvido não porque tenha sido feito por Saddam, em quem muçulmanos militantes não confiam, mas porque a agressão americana é vista como uma violação do solo muçulmano.

Folha - O sr. acha que haverá ataques suicidas em grande escala?
Juergensmeyer
- Não acho que haja, no momento, uma paixão religiosa no Iraque e pelo Iraque a tal ponto. Logo, não acho que ataques suicidas serão usados como uma técnica para defender o país. Mas poderá haver um encorajamento de ataques suicidas não para proteger Saddam, mas para se opor ao invasor estrangeiro. Estamos numa situação curiosa em que o presidente dos EUA, George W. Bush, poderá estar fomentando uma reação islâmica extremista. Se você analisa a ideologia de Osama bin Laden [líder da rede Al Qaeda, responsável pelos atentados de 11 de setembro], ela se sustenta na idéia de que os EUA são uma potência global beligerante que força seu caminho mundo afora. Quanto mais os EUA agirem dessa maneira, mais crescerá o apoio ao extremismo. Embora de forma não intencional, os EUA estão dando credibilidade a Osama bin Laden.

Folha - Não é intencional, mas o governo dos EUA está bem ciente de que isso aconteceria.
Juergensmeyer
- É verdade. Pessoas como eu, que estudam o extremismo muçulmano, alertaram sobre essa possibilidade. O apelo ao "jihad" terá maior ou menor eco dependendo da duração da guerra e do que acontecerá depois. Se os EUA transferirem a tarefa de estabilizar o Iraque a uma força de paz da ONU e estruturarem uma administração civil iraquiana o mais rápido possível, as chances de que ocorra diminuem.

Folha - Assim como Saddam, Bush também cita Deus em seus pronunciamentos sobre a guerra. Que análise o sr. faz da conotação religiosa do conflito entre os dois?
Juergensmeyer
- Foi uma grande surpresa para mim a resposta do governo dos EUA após o 11 de setembro. Antes, os EUA viam os ataques terroristas islâmicos como criminosos, mas não como atos de guerra cometidos por uma rede terrorista global poderosa. Mas o mais perturbador é que os EUA passaram a adotar uma retórica similar à de Bin Laden. Bush dividiu o mundo em termos absolutos -preto e branco, bem e mal, verdade e escuridão. Essa é a visão da Al Qaeda do mundo, e é muito perturbador ver os EUA adotarem essa lógica. Espero que essa lição seja aprendida."

(por Otávio Dias)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Figura nos enviada por emeio pelo nosso amigo de Portugal, Antonio:::





Tirado da revista portuguesa Visão

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Outra música feita com o tema PAZ (atual)::::::



We want peace
Lenny Kravitz


Come on people
It's time to get together
It's time for the revolution!

Here is once again in our face
Why haven't we learn from our past
We're at the crossroads of our human race
Why are we kicking our own ass

We want peace
We want it yes
We want peace
We want it yes
We want peace
And We want it fast

We want peace
We want it yes
We want peace
We want it yes
We want peace
And We want it fast

We're on the eve of destruction my friends
We are about to go to far
Politicians think that war is the way
But we know that love has the power

We want peace
We want it yes
We want peace
We want it yes
We want peace
And We want it fast

We want peace
We want it yes
We want peace
We want it yes
We want peace
And We want it fast

The solution is simple and fame
There won't be peace if we don't try
In a war there is nothing to gain
When so many people will die

We want peace
We want it yes
We want peace
We want it yes
We want peace
And We want it fast

We want peace
We want it yes
We want peace
We want it yes
We want peace
And We want it fast

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Entrevista interessante (mas pequena) com o editor do site da TV estatal do Qatar (Al Jazeera), que vem transmitindo a todo mundo as imagens da "guerra". Publicada na Folha.

"Folha - O site em inglês da Al Jazeera ficou no ar durante apenas um dia. Um de seus editores acusou o Pentágono pelo ataque. Há alguma evidência disso?
Abdulaziz al Mahmoud
- Não, ele não deveria ter afirmado aquilo. Não há nenhuma evidência de quem atacou o nosso site.

Folha - Bush e o premiê Tony Blair reclamaram da cobertura da Al Jazeera. De que forma essas pressões afetam o trabalho diário?
Al Mahmoud
- Estamos sob uma enorme pressão, mas a política da Al Jazeera é mostrar a guerra de ambos os lados. Mostramos prisioneiros de guerra iraquianos sendo maltratados por soldados britânicos, corpos mutilados de crianças, mas também mostramos o outro lado da guerra, até mesmo prisioneiros de guerra e soldados americanos mortos.

Folha - Muitos analistas ocidentais consideram que os EUA estão perdendo a "guerra da propaganda" contra o Iraque e que a Al Jazeera tem um papel fundamental nisso. O sr. concorda?
Al Mahmoud
- Eu entendo esse ponto de vista. No início do conflito, eles disseram que havia um levante em Basra. Nosso correspondente na cidade entrevistou várias pessoas, andou pelas ruas e não encontrou nada contra Saddam Hussein. Isso mostra que eles mentem.

Folha - Ao se contrapor à estratégia americana, o sr. concorda que isso favorece o Iraque?
Al Mahmoud
- Não, se o Iraque mentir, nós mostraremos. Se o Iraque disser que os EUA estão a 100 km de Bagdá, mas estiverem a 50 km, nós mostraremos isso.

Folha - Como o sr. analisa a cobertura da mídia americana?
Al Mahmoud
- O patriotismo está em alta nos EUA, veja o que aconteceu com Peter Arnett, despedido depois de conceder entrevista à TV iraquiana, que não é nenhuma área proibida. Se alguém é entrevistado pela CNN ou BBC, também é expulso pelo governo iraquiano? Nesta guerra, a mídia iraquiana está mais estável e madura do que a mídia americana.

Folha - A Al Jazeera pertence ao governo do Qatar, que apóia os EUA. Como é a relação entre a emissora e o governo?
Al Mahmoud
- O governo não interfere na emissora, pois sabe que o sucesso da Al Jazeera vem disso."

(por Fabiano Maisonnave)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Só lembrando para quem ainda não visitou::::::::::::: Este site é muito legal::::::::




por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Quinta-feira, Abril 03, 2003


Mapa da situação atual do Iraque::



Folha

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Bem, vou falar agora como foi a manifestação pela Paz que ocorreu aqui em BH hoje à tarde.

Pra começo de conversa, foi um evento muito mal divulgado. Se os organizadores tinham a pretensão de criar um Dia Mineiro pela Paz, deixaram muito a desejar. Eles marcaram o começo da concentração na Praça Afonso Arinos para as 15 horas. Eu cheguei às 15h15 e só havia cerca de vinte pessoas (!). Como sou meio ceguinha, custei a reconhecer aquilo como uma manifestação... Resumindo: não era nada que chamasse muito a atenção. Eles tinham pedido que fôssemos de branco, mas ninguém estava de branco (se eu soubesse, teria ido com minha blusa vermelha do Che!).

Para ocupar o tempo, fiquei distribuindo o jornalzinho que a Secretaria de Campanha Jubileu Sul fez. Metade do jornal falava contra a guerra e a outra metade era contra a ALCA. Logo chegaram uns ativistas da UJS (União de Jovens Socialistas) e do PCdoB que estavam com abaixo-assinados pedindo um plebiscito oficial sobre a ALCA. Tudo bem, nada a ver com a guerra, mas também é um assunto interessante que envolvia diretamente a questão norte-americana. Eles levaram cartazes com os seguintes dizeres: "BUSH, TIRE AS PATAS DO IRAQUE".

O "evento" foi organizado pela prefeitura, CUT, sindicatos diversos (da polícia civil, dos psicólogos, dos bancários e por aí vai), Fórum Nacional de Lutas, Fórum Social Mundial/MG, Fórum Mineiro dos Direitos Humanos, MST, UNE, UBES, UMES, AMES, UEE, CMP, CNBB, Movimento Nacional dos Direitos Humanos, PT, PCdoB, PCB, PSTU, PCO e vários outros. Durante as três horas que estive na praça, várias pessoas discursaram contra a guerra, representando essas organizações. Enquanto isso, as cerca de quinhentas pessoas que acabaram por se reunir (finalmente!) na praça, balançavam suas bandeiras vermelhas, colocavam suas faixas brancas da testa, mas estavam desanimadíssimas e mal aplaudiam ou faziam coro aos apelos dos discursos. (Um deles: "Brasil, Iraque, América Central/ A Luta pela Paz/ é internacional") Esse foi um ponto fraquíssimo a um manifesto pela paz. A música "A Paz", de Gilberto Gil, foi escolhida como hino ao evento, mas poucos conheciam a letra. Mais para o final, nos foi entregue um papel com a letra, para que todos pudessem participar desse "hino".

Também durante esse tempo de concentração na praça, algumas pessoas dançaram (um grupo de mulheres que esqueci como chama) e vários bonés, panfletos e jornais foram distribuídos. Entre eles: jornal do Sindicato dos metalúrgicos de Betim, jornal do PSTU, do PCO, panfleto do PCdoB e outros textos. A presença do PT era mínima e não me lembro de nenhum representante do partido discursando. O discurso do representante do PCO fez questão de alfinetar o governo, dizendo mais ou menos que "Lula não foi duro com a guerra. Ele apoiou a ONU, mas a ONU é organização pelo imperialismo, não pela paz". Algumas pessoas levavam a bandeira do Iraque e um representante dos Árabes e Palestinos no Brasil também foi discursar. Mas, como já comentei, não houve empolgação nenhuma por parte do povo reunido.

Acho que o que todos queriam mesmo era sair pelas ruas protestando. Mas, quando fui embora às 18 horas, a passeata ainda não havia começado...

Da próxima vez, vamos organizar algo melhor, hein! Divulgar para a imprensa, chamar muitas pessoas pela internet, e fazer um evento memorável pela Paz. Para que esse blog também tenha uma função mais prática.

A Paz (música escolhida como hino da manifestação)
- Gilberto Gil, João Donato

A paz
invadiu o meu coração
De repente me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais
A paz, fez o mar da revolução
Invadir meu destino, a paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão na paz
Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz
Eu vim, vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais".

Alguns panfletos que foram distribuídos:



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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PRÓXIMA ENQUETE POR VIR
por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Texto muiiiito legal nos enviado por emeio pela Tati:::

DEUS E O DIABO
- por Jorge Furtado, 19/03/2003 - 21:12

Vamos ver se você está bem informado. Complete o seguinte texto:
"No dia ..... (a) de setembro de ..... (b) uma explosão destruiu...... (c). A responsabilidade de tal ato não foi fixada com precisão até hoje, mas os ..... (d) acusaram imediatamente a ..... (e). A civilização ocidental está pronta para ser submetida a outra grande prova da sua capacidade de sobreviver ao desastre. Mais uma vez, o mundo marcha para a guerra. Os líderes mundiais não atentaram nas lições da terrível provação da última guerra e sucumbiram às tentações do poder e da cobiça.

Uma das principais causas da guerra foi a adoção de uma polí­tica isolacionista pelos Estados Unidos, que não aceitaram as resoluções da....... (f). Muitos acreditam que a posição americana é obra exclusiva dos reacionários ferrenhos e dos nacionalistas impenitentes. Espalha-se pelo mundo a convicção de que Tio Sam fora meter-se no que não era da sua conta.

A política da Inglaterra com respeito à manutenção da paz é quase que o oposto da polí­tica francesa. Separados do resto da Europa pelo Canal da Mancha, os ingleses não se sentem levados a preocupar-se tanto com a segurança nacional. A política partidária americana também desempenhou papel considerável no caminho para a guerra. As eleições de outubro de ...... (g) foram vencidas pelos republicanos. Embora uma análise posterior demonstrasse que a maioria do eleitorado havia votado nos democratas, os votos estavam distribuí­dos de tal maneira que os republicanos ganharam o controle tanto do Senado como da Câmara.

Foram feitas diversas tentativas para salvar a paz. Importantes intelectuais, através de artigos no New York Times, desafiavam o governo norte-americano a aceitar a proposta francesa. Todas as tentativas de desarmamento fracassaram. Começou a correr o mundo a idéia de uma guerra preventiva.

...... (h) anunciou que as operações militares haviam começado. Como justificativa, alegava que ...... (i) já havia mobilizado e cometido atos hostis contra ...... (j) e que a "bárbara perseguição" contra homens, mulheres e crianças ...... (l) já não podia ser tolerada por uma grande nação."

Se você respondeu (a) 11, (b) 2001, (c) o World Trade Center, (d) americanos, (e) Al Qaeda, (f) ONU, (g) 2000, (h) Bush, (i) o Iraque, (j) os Estados Unidos e (l) iraquianas, errou tudo.

As respostas certas são (a) 18, (b) 1931, (c) Estrada de Ferro da Manchúria, (d) japoneses, (e) China, (f) Liga das Nações, (g) 1918, (h) Hitler, (i) a Polônia, (j) a Alemanha e (l) alemãs. Todas as frases do texto são do livro "História da Civilização Ocidental", de Edward McNall Burns (Editora Globo, 1975), no capítulo que trata das causas da Segunda Guerra Mundial, que matou 50 milhões pessoas.

Saddam é um milionário que chegou ao poder de forma ilegítima, é um fanático religioso e um assassino, mata criancinhas em nome de Deus e da pátria.
Bush é um milionário que chegou ao poder de forma ilegítima, é um fanático religioso e um assassino, mata criancinhas em nome de Deus e da pátria.

Salman Rushdie tem razão: "o nome do problema é Deus". Não o Deus de cada um, mas o Deus coletivo, evocado pelos tiranos para mandar inocentes ao matadouro. Na luta entre o deus de Bush e o deus de Saddam, o diabo ri.

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Essa manifestação foi muito pouco divulgada e sua organização não foi muito boa. Mas estou indo mesmo assim.... Se alguém animar, nos vemos por lá! Depois vou escrever no blog contando como foi e se valeu a pena.
por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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ATENÇÃO::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Notícia quentinha da Rádio Alvorada. Essa é para os belorizontinos!! Leiam e participem!!

"Hoje é Dia Mineiro pela Paz, de acordo com os organizadores da manifestação contra a guerra do Iraque, marcada para esta tarde, a partir das três horas. A concentração será na Praça Afonso Arinos, no Centro de Belo Horizonte. Quem quiser participar deve ir de roupa branca. Um dos organizadores, a arquidiocese de Belo Horizonte, pediu também que sejam estendidos tecidos brancos nas janelas, casas e escolas. Na lista dos organizadores estão a União Nacional dos Estudantes, a Cut Minas e os sindicatos de trabalhadores filiados, o Fórum Mineiro dos Direitos Humanos e muitos outros."

(José de Castro)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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A palavra de George W. Bush Jr.
(frases cômicas, de tão imbecis)

* "Eu gostaria de ter estudado latim, assim eu poderia me comunicar melhor com o povo da América Latina."
* "A grande maioria de nossas importações vem de fora do país."
* "Se não tivermos sucesso, corremos o risco de fracassarmos."
* "O Holocausto foi um período obsceno na História da nossa nação. Quero dizer, na História deste século. Mas todosvivemos neste século. Eu não vivi nesse século." (15/09/95)
* "Uma palavra resume provavelmente a responsabilidade de qualquer governante. E essa palavra é 'estar preparado'." (06/12/93)
* "Eu tenho feito bons julgamentos no passado. Eu tenho feito bons julgamentos no futuro."
* "Eu não sou parte do problema. Eu sou Republicano."
* "O futuro será melhor amanhã."
* "Nós vamos ter o povo americano melhor educado do mundo". (11/09/97)
* "Eu mantenho todas as declarações erradas que fiz."
* "Nós temos um firme compromisso com a OTAN. Nós fazemos parte da OTAN. Nós temos um
firme compromisso com a Europa. Nós fazemos parte da Europa."
* "Um número baixo de votantes é uma indicação de que menos pessoas estão a votar."
* "Nós estamos preparados para qualquer imprevisto que possa ocorrer ou não." (22/09/97)
* "Para a NASA, o espaço ainda é alta prioridade."
* "O povo americano não quer saber de nenhuma declaração errada que George Bush possa fazer ou não."
* "Não é a poluição que está prejudicando o meio-ambiente. São as impurezas no ar e na água que fazem isso."
* "É tempo para a raça humana entrar no sistema solar."

(Como é que um cara desses pode ser considerado normal?)

fonte: desconhecida. Mas não duvido que ele tenha dito tudo isso...

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quarta-feira, Abril 02, 2003


Nosso blog tem mania de chamar o conflito no Iraque de "Guerra". Mas já nos criticamos e já nos criticaram por isso. Porque é bem claro que isso não é guerra coisíssima nenhuma. Esse trecho de um artigo de Mino Carta publicado na CartaCapital explica bem o porquê. (Agora nos redimimos...)

"A mídia gosta de pronunciar a palavra guerra. Pode-se esbanjar o termo e não perde o impacto, jamais deixa de despertar ecos formidáveis. No fundo, e a rigor, guerra não soa, porém, como vocábulo correto, sem contar a imensa desigualdade das forças envolvidas.
Trata-se é de invasão, perpetrada sem o aval das organizações internacionais e contra a vontade das nações. O raís é ditador feroz, no entanto, nada há de democrático na ação de Bush e Cia. E nem mesmo as palmeiras imperiais do Jardim Botânico hão de se comover com a retórica da ¿guerra de libertação¿. Libertação de quem? Do povo iraquiano ou dos poços de petróleo?
Ataque contra regras antigas, conceitos morais ainda na ativa, equilíbrios resistentes. Contra crenças e ideais que já custaram a vida de milhões. Contra a razão e o senso comum. Ninguém chorará o fim de uma tirania crudelíssima. Ninguém pode louvar, contudo, a prepotência da decisão americana."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Oooooooopa...! Alguém votou "Em Nome da Democracia" na nossa enquete!! Gostaria de saber se foi um "em nome da democracia" irônico, ou se foi pra valer! Daria tudo para o dono do voto isolado se identificar!...
por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Notícias de hoje:

* Segundo informações iraquianas, um avião norte-americano atacou, ontem, dois ônibus com pacifistas europeus e norte-americanos, que iriam servir de escudo-humano para proteger civis de ataques das tropas anglo-americanas. Os feridos foram levados para um hospital perto da fronteira com Jordânia. O general Vincent Brooks desconhece o ataque. Centenas de ativistas tinham ido a Bagdá semanas antes do início da guerra para apoiar o povo iraquiano contra a invasão. Acabou nisso... (como diz um monte de gente: "Fogo MUY AMIGO!"). Frase irônica: "Os valentes americanos dispararam contra os americanos valentes" (Al Sahaf, Ministro da Informação iraquiano).

** O Sul do Iraque é terra com abundância de água, que está vivendo uma seca artificial causada pela Guerra, desde que tropas "aliadas" interroperam energia elétrica para bombear a água. Alguns habitantes vêm tentando buscar água de longe, em carros-pipa, mas têm que enfrentar burocracia de tirar documentos na base britânica. O fornecimento da água é de maior urgência.

*** Ontem Powell chegou à Turquia, numa tentativa de "fazer as pazes", já que o Parlamento de Ancara negou uso de bases turcas por soldados americanos. Amanhã ele deve ir para Bruxelas, onde vai discutir a situação iraquiana do pós-guerra com líderes da UE e OTAN. Crítica: "Não nos opomos a este encontro, mas teria sido bom se Powell tivesse tomado esta iniciativa antes da guerra" (porta-voz do governo grego). Alguém aí discorda disso?

**** Os mantimentos do Unicef estão chegando ao fim. Já distribuiram 280 kits de primeiros socorros em Bagdá, mas os estoques devem acabar em quatro semanas.

***** 33 civis foram mortos e mais de 300 ficaram feridos num bombardeio lançado pelas tropas anglo-americanas no sul do Iraque, provícia de Babilônia. Quinze pessoas de uma mesma família morreram (as fotos publicadas na Folha de SP foram muito tristes). Pelo visto nosso contador aí ao lado não vai parar de registrar aumentos...


****** Os soldados da "coalizão" estão a cerca de 80km de Bagdá, mas desde o início da Guerra vêm lançando bombas aéreas, para enfraquecer a defesa da cidade e facilitar o domínio pelas tropas terrestres. É na capital que as batalhas mais sangrentas devem ocorrer. Os bombardeios aéreos continuam. Nas últimas 24h, cerca de 24 civis morreram. (Como bem ironizou José Simão no artigo que postei ontem, para ser atingido por um míssil americano, basta escrever na camiseta: "CIVIL").

******* E a notícia que está em todas as manchetes de hoje: Ontem Saddam Hussein fez um comunicado pedindo que os iraquianos lutem numa guerra santa (jihad) contra os invasores. Teria dito: ''Ataquem, lutem contra eles em todo lugar''. Assim, Saddam deu à guerra um cunho religioso, justificando os ataques como ataques ao islamismo. O vice-presidente do país disse que mais de 3 mil voluntários árabes já estão dispostos a fazer ataques suicidas.

(fonte: JB)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Piada velha::::::



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Eu adoro o Ique, talvez até mais que o Angeli! Suas charges, publicadas no Jornal do Brasil, são muito boas. Vejam esta.


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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É, TT. Eu ia postar agora esse artigo! Que bom que já postou; é realmente excelente e o melhor de hoje na Folha.
por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Batido, clichê, jargão... mas vale a pena ler mais uma vez::::::::::::

CLÓVIS ROSSI - folha de São Paulo

Há mortos e mortos

SÃO PAULO - O jornalista Peter Arnett, que foi catapultado à fama internacional pela cobertura da primeira Guerra do Golfo, não é exatamente um "falcão" fundamentalista, desses que tomaram o poder em Washington.
Por isso mesmo, uma de suas frases na entrevista a Sérgio Dávila, publicada ontem por esta Folha, é ainda mais reveladora do esquema mental que está por trás da invasão do Iraque e do morticínio consequente.
Diz o jornalista sobre os mortos civis até agora: "A realidade é que esta é uma cidade de 5 milhões de habitantes. Até agora, talvez cem pessoas tenham morrido. (...) Não parece tanto assim, parece?".
Pois é. Agora, transponha o raciocínio para outra cidade, outro momento, outras mortes. Tomemos Nova York e os 3.000 mortos nos atentados de 11 de setembro. Como Nova York tem 8 milhões de habitantes, se se seguir à risca o obsceno raciocínio de Arnett, seria possível dizer que os mortos "não parecem tantos assim, parecem?".
Parecem sim, meu Deus. Se, em Nova York como no Iraque, um só civil inocente tivesse sido morto, em vez de centenas ou milhares, ainda assim seria inaceitável se o mundo não tivesse se brutalizado.
No caso do Iraque, não são apenas os mortos. Milhares, talvez milhões, de pessoas estão sendo obrigadas a deixar suas casas ou estão vivendo precariamente sem luz e sem água, como até a TV norte-americana não pára de mostrar.
O diabo é que os mortos e os dramas dos "estrangeiros" não contam nas capitais imperiais. Oficiais britânicos, por exemplo, não estão indignados com os civis iraquianos mortos, mas com suas próprias vítimas, atingidas pelo chamado "fogo amigo" dos "caubóis" americanos.
Os mortos britânicos são branquinhos. Os outros mortos são o "resto". É a sórdida realidade.




por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Link para uma página que lista blogs engajados pela paz!


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Terça-feira, Abril 01, 2003


Vou mandar agora uma carta escrita pelo escritor de Moçambique, Mia Couto. Ela é enorme, mas de fácil leitura. Não vou cortar nenhum trecho, porque é excelente!

"Senhor Presidente:

Sou um escritor de uma nação pobre, um país que já esteve na vossa lista negra. Milhões de moçambicanos desconheciam que mal vos tínhamos feito.
Éramos pequenos e pobres: que ameaça poderíamos constituir? A nossa arma de destruição massiva estava, afinal, virada contra nós: era a fome e a miséria.
Alguns de nós estranharam o critério que levava a que o nosso nome fosse manchado enquanto outras nações beneficiavam da vossa simpatia. Por exemplo, o nosso vizinho - a África do Sul do 'apartheid' - violava de forma flagrante os direitos humanos. Durante décadas fomos vítimas da agressão desse regime. Mas o regime do 'apartheid' mereceu da vossa parte uma atitude mais branda: o chamado 'envolvimento positivo'. O ANC esteve também na lista negra como uma 'organização terrorista!'.
Estranho critério que levaria a que, anos mais tarde, os taliban e o próprio Bin Laden fossem chamadas de 'freedom fighters' por estrategas norte-americanos.
Pois eu, pobre escritor de um pobre país, tive um sonho. Como Martin Luther King certa vez sonhou que a América era uma nação de todos os americanos. Pois sonhei que eu era não um homem mas um país. Sim, um país que não conseguia dormir. Porque vivia sobressaltado por terríveis factos. E esse temor fez com que proclamasse uma exigência. Uma exigência que tinha a ver consigo, Caro Presidente. E eu exigia que os Estados Unidos da América procedessem à eliminação do seu armamento de destruição massiva.
Por razão desses terríveis perigos eu exigia mais: que inspectores das Nações Unidas fossem enviados para o vosso país. Que terríveis perigos me alertavam? Que receios o vosso país me inspiravam? Não eram produtos de sonho, infelizmente. Eram factos que alimentavam a minha desconfiança. A lista é tão grande que escolherei apenas alguns:
- Os Estados Unidos foram a única nação do mundo que lançou bombas atómicas sobre outras nações;
- O seu país foi a única nação a ser condenada por 'uso ilegítimo da força' pelo Tribunal Internacional de Justiça;
- Forças americanas treinaram e armaram fundamentalistas islâmicos mais extremistas (incluindo o terrorista Bin Laden) a pretexto de derrubarem os invasores russos no Afeganistão;
- O regime de Saddam Hussein foi apoiado pelos EUA enquanto praticava as piores atrocidades contra os iraquianos (incluindo o gaseamento dos curdos em 1988);
- Como tantos outros dirigentes legítimos, o africano Patrice Lumumba foi assassinado com ajuda da CIA. Depois de preso e torturado e baleado na cabeça o seu corpo foi dissolvido em ácido clorídico;
- Como tantos outros fantoches, Mobutu Seseseko foi por vossos agentes conduzido ao poder e concedeu facilidades especiais à espionagem americana: o quartel-general da CIA no Zaire tornou-se o maior em África. A ditadura brutal deste zairense não mereceu nenhum reparo dos EUA até que ele deixou de ser conveniente, em 1992;
- A invasão de Timor Leste pelos militares indonésios mereceu o apoio dos EUA. Quando as atrocidades foram conhecidas, a resposta da Administração Clinton foi 'o assunto é da responsabilidade do governo indonésio e não queremos retirar-lhe essa responsabilidade';
- O vosso país albergou criminosos como Emmanuel Constant, um dos líderes mais sanguinários do Taiti, cujas forças para-militares massacraram milhares de inocentes. Constant foi julgado à revelia e
as novas autoridades solicitaram a sua extradição. O governo americano recusou o pedido.
- Em Agosto de 1998, a força aérea dos EUA bombardeou no Sudão uma fábrica de medicamentos, designada Al-Shifa. Um engano? Não, tratava-se de uma retaliação dos atentados bombistas de Nairobi e Dar-es-Saalam.
- Em Dezembro de 1987, os Estados Unidos foi o único país (junto com Israel) a votar contra uma moção de condenação ao terrorismo internacional. Mesmo assim, a moção foi aprovada pelo voto de cento e cinquenta e três países.
- Em 1953, a CIA ajudou a preparar o golpe de Estado contra o Irão na sequência do qual milhares de comunistas do Tudeh foram massacrados.
A lista de golpes preparados pela CIA é bem longa.
- Desde a Segunda Guerra Mundial, os EUA bombardearam: a China (1945-46), a Coreia e a China (1950-53), a Guatemala (1954), a Indonésia (1958), Cuba (1959-1961), a Guatemala (1960), o Congo (1964), o Peru (1965), o Laos (1961-1973), o Vietname (1961-1973), o Camboja (1969-1970), a Guatemala (1967-1973), Granada (1983), Líbano (1983-1984), a Líbia (1986), Salvador (1980), a Nicarágua (1980), o Irão (1987), o Panamá (1989), o Iraque (1990-2001), o Kuwait (1991), a
Somália (1993), a Bósnia (1994-95), o Sudão (1998), o Afeganistão (1998), a Jugoslávia (1999)

- Acções de terrorismo biológico e químico foram postas em prática pelos EUA: o agente laranja e os desfolhantes no Vietname, o vírus da peste contra Cuba que durante anos devastou a produção suína naquele país.
- O Wall Street Journal publicou um relatório que anunciava que 500 000 crianças vietnamitas nasceram deformadas em consequência da guerra química das forças norte-americanas.
Acordei do pesadelo do sono para o pesadelo da realidade. A guerra que o Senhor Presidente teimou em iniciar poderá libertar-nos de um ditador.
Mas ficaremos todos mais pobres. Enfrentaremos maiores dificuldades nas nossas já precárias economias e teremos menos esperança num futuro governado pela razão e pela moral. Teremos menos fé na força reguladora das Nações Unidas e das convenções do direito internacional.
Estaremos, enfim, mais sós e mais desamparados.
Senhor Presidente: O Iraque não é Saddam. São 22 milhões de mães e filhos, e de homens
que trabalham e sonham como fazem os comuns norte-americanos. Preocupamo-nos com os males do regime de Saddam Hussein que são reais. Mas esquece-se os horrores da primeira guerra do Golfo em que perderam a vida mais de 150.000 homens.
O que está destruindo massivamente os iraquianos não são as armas de Saddam. São as sanções que conduziram a uma situação humanitária tão grave que dois coordenadores para ajuda das Nações Unidas (Dennis Halliday e Hans Von Sponeck) pediram a demissão em protesto contra
essas mesmas sanções. Explicando a razão da sua renúncia, Halliday escreveu:
'Estamos destruindo toda uma sociedade. É tão simples e terrível como isso. E isso é ilegal e imoral'. Esse sistema de sanções já levou à morte meio milhão de crianças iraquianas.
Mas a guerra contra o Iraque não está para começar. Já começou há muito tempo. Nas zonas de restrição aérea a Norte e Sul do Iraque acontecem continuamente bombardeamentos desde há 12 anos. Acredita-se que 500 iraquianos foram mortos desde 1999. O bombardeamento incluiu o uso massivo de urânio empobrecido (300 toneladas, ou seja 30 vezes mais do que o usado no Kosovo). Livrar-nos-emos de Saddam. Mas continuaremos prisioneiros da lógica da guerra e da arrogância. Não quero que os meus filhos (nem os seus) vivam dominados pelo fantasma do medo. E que pensem que, para viverem tranquilos, precisam de construir uma fortaleza. E que só estarão seguros quando se tiver que gastar fortunas em armas. Como o seu país que dispende 270.000.000.000.000 dólares (duzentos e setenta biliões de dólares) por ano para manter o arsenal de guerra. O senhor bem sabe o que essa soma poderia ajudar a mudar o destino miserável de milhões de seres.
O bispo americano Monsenhor Robert Bowan escreveu- lhe no final do ano passado uma carta intitulada 'Porque é que o mundo odeia os EUA?' O bispo da Igreja Católica da Florida é um ex--combatente na guerra do Vietname. Ele sabe o que é a guerra e escreveu: 'O senhor reclama que os EUA são alvo do terrorismo porque defendemos a democracia, a liberdade e os direitos humanos. Que absurdo, Sr. Presidente ! Somos alvos dos terroristas porque, na maior parte do mundo, o nosso governo defendeu a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvos dos terroristas porque somos odiados. E somos odiados porque o nosso governo fez coisas odiosas. Em quantos países agentes do nosso governo depuseram líderes popularmente eleitos substituindo-os por ditadores militares, fantoches desejosos de vender o seu próprio povo às corporações norte-americanas multinacionais? E o bispo conclui: O povo do Canadá desfruta de democracia, de liberdade e de direitos humanos, assim como o povo da Noruega e da Suécia. Alguma vez o senhor ouviu falar de
ataques a embaixadas canadianas, norueguesas ou suecas? Nós somos odiados não porque praticamos a democracia, a liberdade ou os direitos humanos. Somos odiados porque o nosso governo nega essas coisas aos povos dos países do Terceiro Mundo, cujos recursos são cobiçados pelas nossas multinacionais.'
Senhor Presidente: Sua Excelência parece não necessitar que uma instituição internacional legitime o seu direito de intervenção militar. Ao menos que possamos nós encontrar moral e verdade na sua argumentação. Eu e mais milhões de cidadãos não ficamos convencidos quando o vimos justificar a guerra. Nós preferíamos vê- lo assinar a Convenção de Kyoto para conter o efeito de estufa. Preferíamos tê-lo visto em Durban na Conferência Internacional contra o Racismo.
Não se preocupe, senhor Presidente. A nós, nações pequenas deste mundo, não nos passa pela cabeça exigir a vossa demissão por causa desse apoio que as vossas sucessivas administrações concederam a não menos sucessivos ditadores. A maior ameaça que pesa sobre a América não são
armamentos de outros. É o universo de mentira que se criou em redor dos vossos cidadãos. O perigo não é o regime de Saddam, nem nenhum outro regime. Mas o sentimento de superioridade que parece animar o seu governo.
O seu inimigo principal não está fora. Está dentro dos EUA. Essa guerra só pode ser vencida pelos próprios americanos. Eu gostaria de poder festejar o derrube de Saddam Hussein. E festejar
com todos os americanos. Mas sem hipocrisia, sem argumentação e consumo de diminuídos mentais. Porque nós, caro Presidente Bush, nós, os povos dos países pequenos, temos uma arma de construção massiva: a capacidade de pensar."

Mia Couto

(grifos meus)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Agora um trecho do artigo de Mino Carta, publicado na mesma revista.

"Não é que as autoridades americanas não se prestem ao ridículo. O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, fala em 'bombardeios humanitários'. O general Tommy Franks, amigo íntimo do presidente Bush, acusa os iraquianos de 'guerra suja', porque se disfarçam de civis para surpreender as forças invasoras. O porta-voz Vincent Brooks, apertado no Qatar pelos repórteres, tranqüiliza: 'Nós estamos matando muito mais que eles'.
Nada de surpresas em um conflito que emprega 'bombas inteligentes' e mata debaixo de 'fogo amigo'. Amigo? Muy amigo."

Aproveito o espaço para perguntar aos leitores do blog se copiar trechos de revistas e jornais impressos é anti-ético. Eu, pessoalmente, acho que sim. Mas tendo em vista o fato de os sites dos jornais estarem abertos a qualquer um, e o fato de eu colocar links para esses sites e fazer referências às fontes, talvez eu não esteja sendo tão anti-ética assim. De todo modo, o que vale é a intenção. E nossa intenção, com esse blog, é discutir o máximo possível sobre a guerra, esclarecer os mais alienados e buscar as fontes mais diversas para poder informar as pessoas de todo o país sobre o massacre que vem sendo cometido no Iraque (e na Turquia, Irã...). Espero que esteja sendo válido, mesmo que não seja muito correto. (Se alguém quiser me processar, posso alegar que estou fazendo propaganda gratuita das revistas CartaCapital, Época, Caros Amigos, do jornal Folha de São Paulo, Jornal do Brasil e de dezenas de repórteres e articulistas por aí...)

Comentando o comentário da TT mais abaixo: às vezes também não me conformo só com o fato de informar e tenho muita vontade de fazer algo mais, TT. Mas o que podemos fazer?! Enquanto não nos surge nenhuma outra idéia mirabolante, vamos nos conformar com nosso modesto blog e tentar fazer o melhor possível...

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Hoje a Alice (amiga) me deu de presente o livro "10 Dias que Abalaram o Mundo", que sempre tive vontade de ler. (valeu, Lilice!!) Aproveitando a paródia, envio trechos do artigo de Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa, da CartaCapital.

"TRÊS DIAS QUE ABALAM OS NERVOS
Crônica muito resumida de algumas jornadas infames que a espécie humana foi chamada a acompanhar

Terça-feira 25
As tropas anglo-americanas avançam rápidas no deserto, mas empacam nas cidades. Só neste sexto dia conseguem controlar, mais ou menos, a cidade iraquiana mais próxima da fronteira do Kuwait. Os marines de Blair ainda disputam Umm Qasr com os fedayin iraquianos quando os empresários de seu país reclamam por ter sido excluídos da licitação que deu à norte-americana SSA a concessão de seu porto, o único no Iraque para navios de grande calado.
É o segundo butim da guerra. O primeiro, um contrato para apagar incêndios em poços de petróleo, coubera à Halliburton, do vice Dick Cheney. Os britânicos esperam, ao menos, ser subcontratados. Restos e sobras lhes interessam.
Setenta quilômetros adiante, Basra, um dos primeiros objetivos da invasão, ainda resiste. Havia sido noticiado, no sábado, que a cidade havia caído e os invasores haviam sido bem recebidos. Os britânicos dizem ter ocorrido um levante anti-Saddam. Pode até ser verdade, mas não se segue que seja a favor dos invasores.
Para a oposição do sul do Iraque, o ditador de Bagdá pode ser um pequeno Satã, mas o grande mora em Washington. Bush pai, em 1991, preferiu ver o regime iraquiano massacrá-los a apoiar um novo poder xiita no Golfo.


(...) Bush pede US$ 75 bilhões para pagar o custo da guerra. Isso inclui US$ 8 bilhões rotulados como ajuda humanitária e reconstrução, US$ 5,5 bilhões dos quais premiarão Paquistão, Israel, Jordânia e Turquia por serviços prestados à coalizão. Sobram US$ 2,5 bilhões para os iraquianos.
Ainda teriam mais sorte do que os afegãos, para os quais Bush não propôs nem um centavo. O Congresso teve de emendar o orçamento para acrescentar US$ 300 milhões em ajuda humanitária a esse país. Mesmo assim, parece que o>grosso da conta vai sobrar para a ONU e para os próprios iraquianos e ainda dar lucro aos norte-americanos.

Quarta-feira 26
O Pentágono adia a tentativa de tomar Bagdá, talvez por semanas. Envia 30 mil reforços. Diz ter matado mil soldados iraquianos em Karbala, onde se concentra o grosso da infantaria norte-americana. Os iraquianos reconhecem duzentas perdas, até agora. Os anglo-americanos, 44 mortos e 12 desaparecidos.
Mil pára-quedistas dos EUA são lançados no norte do Iraque, para substituir os 60 mil que a Turquia não deixou passar. 'Fogo amigo' atinge mais 37 marines em Nassiriyah.
Fica evidente que o regime de Saddam continua intacto e articulado. Recoloca no ar a tevê estatal bombardeada durante a madrugada. A capital ainda tem recursos suficientes para enviar reforços não só a Karbala, como também a Kut, ameaçada pelos marines.
Em Umm Qasr, franco-atiradores continuam a atuar. A distribuição de alimentos pelos britânicos acaba em caos. Dois motoristas de caminhão quenianos, terceirizados pelo Exército britânico, são capturados e mostrados na Al-Jazira.
Na Alemanha, vários restaurantes recusam-se a servir um famoso refrigerante: 'tudo fica melhor sem Coca-Cola'.

Quinta-feira 27
Oito mortos em um bairro residencial da periferia de Bagdá, talvez porque há casas de funcionários do Ministério do Meio Ambiente. O ministro iraquiano da Saúde diz que há, até agora, 350 mortos e 3.650 feridos civis.
Uma coluna de 14 tanques sai de Basra em um ataque suicida aos marines britânicos, que destroem todos na maior batalha de tanques desde a Segunda Guerra Mundial.
Blair voa a Camp David para reafirmar sua disposição de lutar até a vitória e denunciar a execução de dois prisioneiros britânicos por iraquianos, mas também leva as queixas dos empresários britânicos e tenta persuadir Bush a deixar a futura administração do Iraque nas mãos da ONU, hipótese que Colin Powell havia explicitamente rejeitado no dia anterior.
A Al-Jazira mostra outro helicóptero derrubado. Dois marines se afogam ao tentar nadar no canal Saddam com fuzis e equipamento completo.
Um míssil Patriot faz mira em um F-16 dos EUA. Desta vez, o piloto é o mais rápido. A bateria 'amiga' é destruída."

(grifos meus)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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"Era Bush: White House vira White Horse!
(José Simão, Folha de São Paulo de hoje)

(...) E um amigo meu de Campinas quer boicotar o Marcos Uchôa do videofone: "É que ele entrou na minha tevê sem o aval da ONU". (...)E quer ser atingido por um míssil americano? É só escrever na camiseta: "CIVIL". Civil que não tem nada a ver com isso. Bomba! (...) Mas uma leitora me disse que o único problema em fazer um blow job no Bush é quebrar o queixo no Blair, que tá pendurado no saco.
(...) E a democracia americana é como o Manuel falando pra filha: "Você pode casar com quem quiser, contanto que seja com o Joaquim". É a democracia americana: você pode falar o que quiser, contanto que seja a favor do Bush. Abertos ao diálogo desde que seja elogio!"

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Site-agenda para as manifestações, muito legal para quem é de SP, legal para quem é de outros lugares




por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Está cada dia mais óbvio que os eua já estão arranjando alvo para um próximo ataque, aproveitando provavelmente o apoio popular que estão recebendo dos americanos (PS: vcs lembram que são estes mesmos 70% que apoiam a guerra que vão votar nas próximas eleições, e que bush pode se reeleger...) por lá, o já posicionamento das tropas lá pelo oriente... A fama que bush já conquistou...

Síria e Irã são os mais cotados, mas basta inventar um motivo e qualquer país pode se transformar em "portador de armas químicas", "suportador de grupos terroristas" ou simplesmente "produtor de petróleo". Coitadinha da Coréia, tá lá, esperando a chance de ser atacada.

Isso me leva a questão: o que nós, pacifistas, anti- imperialismo americano, podemos fazer para evitar que esta guerra se transforme em um plano expansionista? realmente já está me dando desespero esta minha inutilidade crônica... informar basta? bom, naum consigo me conformar com só isso e ao mesmo tempo o q fazer?


Síria e Irã são advertidos a se manterem longe da guerra ao Iraque
(reportagem da revista epoca)

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Relato do jornalista iraquiano sobhi haddad sobre os bombardeios::::::::

Ruído ensurdecedor

Houve um bombardeio intenso em Bagdá durante toda a noite (de domingo) e também nesta manhã (de segunda-feira). Os mísseis caíram muito perto de onde eu vivo, no norte de Bagdá. Parece que os britânicos e os norte-americanos não diferenciaram os alvos militares e os civis. Parece que ficaram escolhendo as áreas mais povoadas de Bagdá.

Minha casa sacudiu várias vezes com os bombardeios, as janelas vibraram. Caíram pelo menos 15 mísseis. Esta é uma área residencial, povoada principalmente por professores universitários e intelectuais, pessoas que não têm nada a ver com os militares.

O outro dia visitei um hospital e vi centenas de crianças, mulheres, idosos e homens jovens. Os hospitais estavam repletos de feridos, alguns com ferimentos muito sérios. Algumas pessoas estavam em estado de choque.

O ruído era ensurdecedor dentro do hospital: crianças gritando, chorando. Algumas das mães que as acompanhavam também estavam feridas. Havia crianças que haviam perdido suas mães. A cena era assustadora, não tenho palavras para descrevê-la.

Os médicos me falaram de um menino de dez anos morto por um míssil. Seu pai escutou o ruído do impacto do projétil na casa e quando correu em direção a ela encontrou a seu filho morto.

Outro iraquiano me disse que seu irmão de 23 anos e seu sobrinho de sete morreram a caminho do hospital. Outro senhor encontrou a seu filho de 12 anos morto, com seu corpo em pedaços por causa de uma explosão.

Neste momento posso escutar os B-52s voando sobre nossas cabeças. Não consigo dormir, estou com gripe e os mísseis caem perto de onde moro. Minhas filhas estão aterrorizadas.


PS: tirado do portal terra, que está fazendo uma cobertura meio sensacionalista da guerra, mas, de vez em quando, coloca alguma coisa para ser lida...


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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