FOICE E MARTELO BRANCO





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Tudo aquilo que nos deixa indignadas. Estar com raiva não é sempre um sentimento negativo - também serve para despertar a consciência política nas pessoas, despertar um desejo de que as coisas mudem para melhor. Este blog, que começou como um espaço pacifista , prossegue com ideais de Justiça e Paz. Principalmente de paz de espírito - aquela só alcançada quando não temos mais motivos para estar com raiva. Esperamos alcançar não só os que querem nos ouvir, mas principalmente os que costumam tapar os ouvidos para nós.

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Segunda-feira, Junho 30, 2003



Uma análise muito interessante do Le Monde sobre a África, publicada na Folha de hoje. Clique aqui.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Domingo, Junho 29, 2003



Acabei de receber um email muito divertido. Divertidíssimo. Ele "explica" por que as esquerdas estão "pregando" o antiamericanismo no mundo. Eu até concordo que esse sentimento, sem razões lógicas ou históricas, seja uma enorme bobagem. É errado culpar os EUA por tudo de ruim que acontece no mundo, é errado generalizar os norte-americanos como sendo todos concordantes da política externa do governo estadunidense e é errado transformar esse sentimento em algo irracional, parecido com o anti-semitismo do século passado - ou com qualquer outro sentimento preconceituoso. Ninguém discorda disso, eu espero.
Mas daí a culpar as esquerdas pelo antiamericanismo, e usando argumentos tão ridículos como os seguintes, é de fazer rir. Coloco este email para divertir um pouco nossos leitores:


"Esquerdas: a verdade oculta detrás da onda 'anti-estadunidense'

Por detrás da recente onda anti-estadunidense, insuflada pelas esquerdas do mundo inteiro e amplificada por importantes meios de comunicação, subjazem dois motivos sobre os quais ninguém fala:

Primeiro, o surdo ressentimento comuno-progressista contra os países livres, em particular, contra os Estados Unidos, provocado pela derrocada do império soviético em 1990. Derrocada que deixou ao coletivismo marxista como um experimento fracassado e superado, que se perde na História com um triste saldo de miséria, opressão e sangue; e que, com sua queda, enterrou os mitos com os quais o comunismo enganou a tantos, durante décadas.

Segundo, a tendência conservadora de setores importantes da opinião pública americana, que foi-se consolidando nos últimos anos, influenciando os rumos do país e constituindo um obstáculo incômodo ao avanço revolucionário.

Para ocultar estas verdadeiras motivações e tentar levar atrás de si a opinião pública mundial, as esquerdas impulsionaram essa onda anti-estadunidense emocional e irracional, que parece condenar indiscriminadamente tudo o que provenha dos Estados Unidos.

Na realidade, no seio desse país-continente existe uma enorme diversidade de idéias e de culturas, muitas delas, antagônicas. Dentro do próprio governo norte-americano, apresentado pelo anti-americanismo irracional como monolítico, coexistem tendências diferentes e até contraditórias, um tema que torna-se indispensável abordar no momento oportuno.

Nesta diversidade norte-americana, tudo aquilo que foi e é contrário aos princípios da civilização cristã nos planos social, cultural, político e religioso, resulta censurável. Porém, não é isto o que incomoda e irrita ao comuno-esquerdismo e sim, aquilo que os Estados Unidos têm feito de bom, em particular, em defesa da liberdade.

Em política, o que se apresenta de maneira exagerada, sem os indispensáveis matizes, corre o risco de cair no descrédito e terminar na insignificância. A atual onda esquerdista anti-estadunidense, ainda contando com as caixas de ressonância de grandes meios de comunicação, é sumamente vulnerável por suas parcialidades, exageros e omissões, que agridem o bom senso.

A causa da civilização cristã exige de cada um de nós um esforço que contribua a deixar em evidência a artificialidade de tal manobra de envergadura mundial. Desta maneira, poderemos exclamar, parafraseando o escritor Hans Christian Andersen: 'O anti-americanismo irracional está nu!'"

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Sábado, Junho 28, 2003


É... A "guerra" não acabou:

"Americanos matam iraquiano de 11 anos

Um soldado dos EUA foi gravemente ferido ontem ao receber um tiro na nuca enquanto examinava uma banca de camelô no subúrbio de Kadhimiya, noroeste de Bagdá. Em outro incidente na capital, um menino de 11 anos foi morto por soldados que o tomaram por um homem armado.
Segundo o major Sean Gibson, porta-voz militar dos EUA, os soldados atiraram ao ver uma pessoa com um fuzil AK-47 movimentando-se sobre a laje de uma casa. 'Só ao procurarem [o corpo] descobriram se tratar de um menino de 11 anos', disse Gibson.
Os americanos estão em estado de alerta no Iraque após sofrerem 21 baixas em 'situações hostis' -como o Comando Central Americano (Centcom) chama as mortes em confronto com iraquianos- desde que o fim das principais operações de combate foi declarado, em 1º de maio.
Ontem, em viagem presidencial à Califórnia, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, minimizou os ataques das últimas semanas, mas lamentou as baixas. 'O presidente [George W. Bush] está determinado a fazer o que prometeu: ajudar a estabilizar o Iraque. E o Iraque está se tornando, em muitos pontos, mais estável. A violência está em locais isolados.'
No incidente com o soldado ontem, testemunhas disseram que o tiro veio de uma aglomeração e que não foi possível identificar o agressor. Ninguém foi preso.
Em contrapartida, o Centcom anunciou a detenção de seis iraquianos suspeitos pelo desaparecimento de dois soldados na região de Balad, 90 km ao norte de Bagdá, anteontem. As buscas pelos soldados prosseguem.
Em Bagdá, onde a tensão é alimentada pela constante falta de eletricidade, um caminhão americano foi atingido por explosivos, mas não houve vítimas. Em Baquba, 70 km a noroeste da capital, dois americanos foram feridos em um ataque com granadas de morteiro. E em Basra (sul), soldados britânicos descobriram um lança-mísseis dentro de um hospital -durante a guerra, o então ditador Saddam Hussein infiltrou tropas e armamentos em bairros residenciais para dificultar os bombardeios anglo-americanos.
O Pentágono anunciou ontem o retorno dos cinco guardas de fronteira sírios feridos por suas tropas no último dia 18, durante ataque a uma caravana iraquiana que cruzava a fronteira supostamente levando foragidos. Os EUA ainda não esclareceram o envolvimento sírio no incidente, tampouco em que lado da fronteira o ataque ocorreu."

(Folha)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Sexta-feira, Junho 27, 2003



Amei esta charge do Ique (JB)...!



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Colocarei as partes que mais dão raiva em negrito. A matéria é da Folha de hoje.

"Tortura é prática comum, denuncia Anistia

A tortura continua sendo uma prática comum em todo o mundo e tem assumido novas formas, conclui relatório da Anistia Internacional (AI) divulgado ontem, Dia Internacional de Apoio às Vítimas de Tortura. A entidade de direitos humanos afirma que recebeu denúncias de tortura vindas de 106 países em 2002 -a ONU tem 191 países-membros.
A lista aumenta para mais de 150 países se se considera o período entre 1997 e 2000. Nesses anos, houve casos de morte por tortura em mais de 80 países. O relatório da AI não quantificou os casos.
A AI afirma que, em muitos casos de torturas relatados em todo o mundo, os responsáveis são agentes de Estado, apesar de a prática ser considerada ilegal em quase todos os países.
Israel é o único país onde a tortura é legalizada, diz a Anistia. A legislação permite que interrogadores usem o argumento chamado de 'bomba-relógio' -ou seja, é justificável torturar para tentar evitar um atentado, por exemplo. As maiores vítimas são palestinos suspeitos de envolvimento com o terrorismo.

A entidade também afirma que o recente avanço na legislação contra a tortura em vários países do mundo não tem evitado a prática. O relatório cita o Peru e Brasil como exemplos de países onde isso ocorre.
'A incidência de tortura não vem diminuindo', diz Eric Prokosch, responsável pelo relatório.
Para a Anistia, a tortura também é comum em casos de detenções prolongadas, quando adota formas distintas das tradicionais.
'No mundo, um grande número de prisioneiros vive em condições que prejudicam seu bem-estar físico e mental, representando uma ameaça para as suas vidas', diz Prokosch. A Anistia considera essas condições como equivalentes à tortura.

Brasil
A Anistia afirma que a tortura é prática comum em investigações policiais e nas prisões brasileiras. O relatório cita um levantamento feito em 2000 para afirmar que a tortura é rotineira na maioria do país. Segundo a AI, os promotores têm pouco conhecimento da Lei de Tortura ou são coniventes com a prática.
As grandes exceções positivas são o trabalho de promotores em Minas Gerais e a adoção de presídios pequenos, como a Penitenciária Juiz Plácido de Souza, em Caruaru (PE)."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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De olho em 2006...

Garotinho foi expulso do PSB. Mecanismo simples, vencido por unanimidade: não recadastramento de sua filiação. Motivo: não seguir as orientações do partido, que é base de apoio do governo Lula. Estopim: organização de ato público contra o governo, em troca de sanduíche e ônibus fretado...

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quinta-feira, Junho 26, 2003


Recebi o seguinte texto por email, do amigo Paulo Caixeta. Não sei quanto à veracidade das contas, mas o fato é que os bancos são realmente os que mais lucram neste país. Então vale a pena passar pra frente e protestar:

"Juros e dividendos

Se um correntista tivesse depositado R$ 100,00 (Cem Reais) na Poupança num banco, no dia 1º de julho de 1994 (data de lançamento do real), ele teria hoje na conta a fantástica quantia de R$ 374,00 (Trezentos Setenta e Quatro Reais).

Se esse mesmo correntista tivesse sacado R$ 100,00 (Cem Reais) no Cheque Especial,na mesma data, teria hoje uma dívida de R$ 139.259,00 (Cento e Trinta e Nove Mil e Duzentos Cinqüenta e Nove Reais), no mesmo banco.

Ou seja: com R$ 100,00 do Cheque Especial, ele ficaria devendo 9 Carros Populares, e com o da poupança, conseguiria comprar apenas 4 Pneus.

Não é à toa que o Bradesco teve quase R$ 2.000.000.000,00 (Dois Bilhões de Reais) de lucro liquido somente no 1º semestre, seguido de perto do Itaú e etc... Dá para comprar um outro banco por semestre!

E os Juros Exorbitantes dos cartões de crédito?
VISA......................10,40 % ao Mês
CREDICARD...........11,40 % ao Mês
POUPANÇA............0,79 % ao Mês"


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quarta-feira, Junho 25, 2003



Para quem tem blogs, é interessante o projeto Viajantes da Blogosfera. Cliquem na figura abaixo (segurando o SHIFT...) pra saberem ais a respeito - e vejam o trecho:



"A comunidade Viagente cria um novo canal em harmonia com o 'Movimento da Blogosfera'. O termo, surgido na nova sociedade do conhecimento, identifica o universo da mais surpreendente forma de comunicação desses tempos de reinvenção e criação de novos conceitos: os blogs.

Espalhados pelo mundo, em metrópoles, cidades, vilas e vilarejos, o movimento revela as verdadeiras vozes que demonstram o mais honesto panorama da realidade atual, abandonado por uma mídia mais preocupada com seus interesses mercantilistas do que com o franco diálogo entre as comunidades. As idéias que fervilham e que não param de retratar um novo mundo, onde a voz tem um encontro constante com a tecnologia e desenha o real cenário do futuro.
"

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Adorei a charge do Angeli de hoje! Principalmente pela escolha da música...



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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A coluna do Fernando Rodrigues na Folha de hoje está muito boa! Ele faz uma análise voltando no tempo e comparando a era Sarney com a era atual, de milhares de pessoas de acotovelando pelas vagas de gari. Tudo de uma maneira muito sintética e simplificada.

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"Contar até dez
- Fernando Rodrigues


Cerca de 15 mil pessoas se acotovelaram no Rio por algumas vagas de gari. Só estava convocado quem tivesse nome começando pelas letras 'A' e 'B'. Havia gente com curso superior. Salário: R$ 610.
O episódio é emblemático. Há na história exemplos de como a situação econômica pressionou a atuação política do governo.
A crise do final dos anos 70 contribuiu para o enterro do governo militar. Surgiu então o novo sindicalismo no ABC. O PT veio em seguida.
Em 1986, José Sarney fez o Plano Cruzado. Houve uma sensação de alívio imediato por um tempo. Depois, o caos. Nesse cenário, Fernando Collor foi eleito em 89. Confiscou o dinheiro depositado nos bancos.
Apesar de absurdo, o Plano Collor fez a inflação cair. Deu um certo refresco momentâneo para a população. Era ilusão. O impeachment encerrou esse ciclo.
Com FHC, veio o Plano Real em 94. Novamente uma sensação forte de bem-estar quase instantâneo. O preço do pãozinho estacionou.
O artificialismo ficou evidente em 98, com a reeleição do tucano. Constatou-se ser uma loucura o real estar cotado em um dólar. Ato contínuo, Lula elegeu-se presidente.
O petista anuncia um espetáculo de crescimento. O superministro José Dirceu culpa a 'herança maldita' pelo atraso. Esse é o pastel de vento oferecido, e a popularidade presidencial fica nas alturas. Enquanto isso, o desemprego dispara e advogados tentam uma vaga de gari no Rio.
Ontem, Lula usou uma de suas frases de gosto duvidoso para explicar a volta do crescimento. Disse ter aprendido a 'contar até dez, apesar de só ter nove dedos'.
Essa retórica popular está alicerçada em pesquisas e no carisma do presidente. Funciona. Mas tem um prazo de validade.
Os 15 mil quase se matando no Rio para serem garis já representam uma parcela da população pouco disposta a contar até dez. É um aviso."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Terça-feira, Junho 24, 2003



Já que nosso blog andou fazendo várias críticas ao governo Lula - e tendo em vista que nós duas votamos nele, com empenho, e muito esperamos de seu governo -, resolvi postar algumas análises mais otimistas nos últimos dias. Se o princípio do Jornalismo é ouvir os dois lados, nada mais justo que colocássemos um texto de alguém do governo, defendendo todas as causas de nossas frustrações. Meu escolhido é José Genoino, atual presidente nacional do PT, em análise publicada na Novae. Leiam o trecho e, se se interessarem, não deixem de visitar o site e ver tudo o que o político escreveu.



"A crítica, no entanto, embora deva ser sempre livre, pode se tornar estéril e nociva se assumir uma perspectiva meramente destrutiva. Além de lançar as luzes do esclarecimento sobre a realidade e os acontecimentos, a crítica deve ter o intuito de construir alternativas e indicar saídas. Posta neste horizonte positivo, a crítica pode suscitar um debate produtivo no próprio ambiente da intelectualidade, entre os intelectuais e os políticos e entre os intelectuais e outros agentes sociais. Posta de forma destrutiva, a crítica não passará de uma fúria do nada, de um desencanto com o mundo."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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A revolução cubana de 1959 foi a maior resistência da América Latina contra o imperialismo norte-americano. Hoje a ilha está arrasada pelo isolamento e não participa nem mesmo do Grupo do Rio, criado em 1986 e formado pelos países da América do Sul e Central. Agora os EUA querem impor suas vontades políticas e econômicas através da integração do continente em blocos como a ALCA. E Cuba está lá, aquele símbolo de resistência... O que Bush pretende fazer? O mesmo que fez com o Panamá, Afeganistão, e com o Iraque. É sobre esse risco que o jornalista Jose Arbex Jr. fala em seu artigo da Caros Amigos. É grande, mas muito completo - não deixem de ler.


"De olho na Alca, Bush aperta o cerco a Cuba
- por José Arbex Jr.


Cuba, mais do que nunca, está em perigo. Multiplicam-se
os sinais de alarme. O mais claro foi dado no dia 18 de
maio, pela rede de televisão estadunidense ABC, que,
citando um 'alto funcionário do governo', informou que
Jeb Bush, governador da Fórida, pediu ao seu irmão
George, presidente dos Estados Unidos, que ordene a
invasão da ilha. A intervenção de Jeb não é casual:
reflete os vínculos da família Bush com a máfia cubana
residente na Flórida, Estado que assegurou a eleição de
júnior, mediante o recurso a expedientes fraudulentos.
Tampouco é casual o fato de um grande número de cubano-
americanos ocupar posições-chave no governo federal,
incluindo Otto Reich, assessor especial do Departamento
de Estado para a América Latina. Esse quadro, por razões
óbvias, tornou-se mais sombrio após a invasão do Iraque.

No início de abril, o embaixador estadunidense na
República Dominicana, Hans Hertell, esclareceu o vínculo
entre as coisas, ao afirmar que a intervenção no
Iraque 'enviará um sinal muito positivo e exemplo muito
bom para Cuba', e que a invasão do país árabe era só o
começo de uma 'cruzada libertadora que abarcará todos os
países do mundo, Cuba incluída'. Indagado por
jornalistas, o secretário da Defesa Donald Rumsfeld
declarou que Cuba 'por enquanto' não teria o mesmo
destino do Iraque, 'mas, bom, se no futuro constatássemos
que em Cuba há armas de destruição em massa, então,
teríamos de agir'. Repete-se, assim, o mesmo velho
esquema que preparou a intervenção no Afeganistão e no
Iraque. Consiste em criar uma atmosfera de tensão,
mediante a alusão a crises e confrontações fictícias,
observa o jornalista cubano Manuel Medina: 'Eles mudaram
só o ritmo e a freqüência. Aconteceu em Granada, no
Panamá, em Kosovo, no Afeganistão e, há pouco, no Iraque'.

A Casa Branca, recorrendo a um cinismo sem limites, acusa
Cuba de promover, artificialmente, uma 'crise migratória'
nos Estados Unidos, mediante o envio, para a Flórida, de
massas de imigrantes ilegais. O objetivo seria gerar
naquele Estado uma situação social insustentável: 'Se
houver uma imigração volumosa, ilegal e desorganizada,
será nossa responsabilidade responder. Cuba ameaça uma
crise migratória na qual não estamos interessados',
afirma Kevin Whittaker, chefe do escritório de Cuba no
Departamento de Estado. Pena que esse senhor se esqueceu
de esclarecer que, durante os últimos quarenta anos,
Washington estimulou a emigração ilegal de Cuba para seu
território, mediante a aplicação da chamada Lei de
Ajuste. Imigrantes cubanos ilegais são os únicos que
recebem, automaticamente, permissão para permanecer
indefinidamente nos Estados Unidos. Apenas para comparar,
os emigrantes mexicanos ilegais recebem tratamento
subumano, quando não são simplesmente assassinados ao
tentarem cruzar o rio Grande. Agora, a Casa Branca quer
transformar esse assunto em pretexto para a invasão.

Dentro de Cuba, os preparativos da invasão são comandados
por James Cason, chefe da Seção de Interesses dos Estados
Unidos em Cuba. Cason é o encarregado de recrutar e
organizar agentes provocadores e, se possível, 'grupos de
resistência' - como foi o caso do Exército de Libertação
do Kosovo (ELK), durante a Guerra da Iugoslávia, e da
Aliança do Norte, no Afeganistão, ambos conhecidas
organizações de narcotraficantes. Os três 'dissidentes'
fuzilados pelo regime de Fidel Castro eram criminosos
comuns, parte do lumpesinato integrante da rede recrutada
por Cason. Isso, por si só, não justifica nem torna
aceitável a aplicação da pena de morte, mas explica o seu
contexto. A execução abriu brecha para
que 'especialistas', 'comentaristas' e 'humanistas' se
apressassem em condenar a própria revolução cubana,
apresentando-se como virgens horrorizadas com
o 'totalitarismo' de Fidel Castro, com a mesma
despudorada sem-vergonhice com que ocultam, ou no máximo
minimizam, as violações dos direitos humanos praticadas
pelos Estados Unidos e aliados.

Também no campo da mídia, portanto, repete-se a operação
muitas vezes já vista no passado. Quem não se recorda das
dezenas, centenas, milhares de artigos de condenação à
violência do Taleban no Afeganistão, quando se preparava
a invasão daquele país? E agora? Alguém se lembra de ter
lido alguma denúncia sobre os narcotraficantes da Aliança
do Norte empossados por Baby Bush? Ou será que a Aliança
do Norte se tornou sóbria respeitadora dos direitos
humanos? Ou então: quantos dos intelectuais e humanistas
que condenaram o Taleban por ter cometido a bárbara
explosão da estátua gigante de Buda proclamaram o seu
horror face à destruição das riquezas arqueológicas do
Iraque promovida pelos Estados Unidos?

Em reação à sensação de perigo que paira no ar, vários
ganhadores do Prêmio Nobel, intelectuais e artistas
famosos - da escritora Rigoberta Menchú ao ator Danny
Glover -, divulgaram um apelo em defesa da revolução
cubana, no início de maio. Depois, foi a vez de dezenas
de intelectuais respeitados - incluindo István Mészáros,
Samir Amin e Marta Harnecker -, todos participantes do
encontro Karl Marx e os Desafios do Século 21, realizado
em Havana, lançarem um novo manifesto. Não é apenas a
brutalidade de Bush que cria a sensação de perigo
iminente. É, sobretudo, o fato de que o cerco a Havana é
coerente com a estratégia adotada pela Casa Branca para a
América Latina, que combina a multiplicação de bases
militares com pressões para a formação da Área de Livre
Comércio das Américas (ALCA).

Esse é um ponto central da atual conjuntura
internacional, e permite compreender as razões de Bush
para promover um ataque sem tréguas a Cuba. Com a
economia em séria crise, os Estados Unidos elevam ao
máximo a pressão pela ALCA, como tentativa de ganhar
fôlego. Como parte dessa estratégia, e para demonstrar a
sua urgência, os Estados Unidos exigem que os países da
América Central também formem uma área de livre comércio
(Cafta, na sigla em inglês). A idéia é aprofundar o
processo de subordinação das economias daqueles países
aos interesses das transnacionais estadunidenses, e ao
mesmo tempo isolar o Brasil no contexto latino-americano,
como forma de aumentar as pressões sobre o governo de
Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse contexto, Cuba aparece
como um dado insuportável para Bush. É intolerável que
uma pequena ilha desafie a superpotência, não por uma
questão econômica, mas por seu aspecto simbólico. A queda
de Cuba teria o significado de uma catastrófica derrota
para os povos latino-americanos, e pavimentaria, por
isso, o caminho para a implantação definitiva da ALCA.

É isso, precisamente, que coloca para cada latino-
americano a necessidade de defender a revolução cubana.
Não se trata de nenhuma relação de solidariedade
abstrata, nem de mero dever moral. Trata-se de sustentar
um bastião contra um poder imperial que deseja anexar
economicamente todo o hemisfério, e ocupar militarmente
as suas reservas de petróleo e biodiversidade. Defender
Cuba é defender o Brasil e todos os países latino-
americanos contra o inimigo comum.



Lula propõe integração de Havana

'Confesso não ver nenhum sentido no fato de Cuba estar
fora desse grupo, mas, como não sei quais são as razões
que levaram o país a não ser convidado, vou querer
saber', afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
dia 24, em Cuzco, Peru. Lula se refere, no caso, ao Grupo
do Rio, criado em 1986, como um mecanismo de consulta
política de seus dezenove membros da América Latina e do
Caribe. No próximo ano, o Brasil assumirá a presidência
do grupo. Com isso, abre-se um caminho para que Cuba
rompa quatro décadas de total isolamento diplomático a
que foi submetida no hemisfério, por pressão dos Estados
Unidos.

Ao discursar, no encerramento da 17a reunião do fórum, no
Parque Arqueológico de Saqsaywamam, no Templo de Adoração
ao Sol, Lula afirmou: 'Pretendo consultar todos os
membros do Grupo do Rio para que Cuba possa participar
pelo menos como convidada especial do nosso encontro'. A
proposta de Lula ganha ainda mais significado quando se
recorda que, pressionados pela Casa Branca, México,
Chile, Paraguai, Guatemala, Uruguai, Peru e Costa Rica
votaram a favor de uma resolução que pedia o envio de um
representante das Nações Unidas para a ilha, com o
objetivo de investigar a situação dos direitos humanos.

Participam do grupo: Peru, Brasil, Argentina, Bolívia,
Colômbia, Costa Rica, Chile, Equador, El Salvador,
Guatemala, Guiana, Honduras, México, Nicarágua, Panamá,
Paraguai, República Dominicana, Uruguai e Venezuela."



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Segunda-feira, Junho 23, 2003


O jornalista Luciano Martins Costa faz uma análise sobre a Folha de S.Paulo e sua postura anti-Lula desde o início do governo. Como temos postado muitas notícias de lá, acho muito válido para o FMB. Também vale a pena como uma crítica ao jornalismo brasileiro e sobre como a parcialidade pode ser prejudicial (embora imparcialidade seja utopia). Mas não é a Folha que sempre diz que "não tem rabo preso"...?
Cliquem (com a mão no SHIFT) da foto abaixo para lerem o texto completo, publicado na Novae:




trecho: "A economia, como todos sabem, não é uma ciência exata. Muito menos a filosofia. A elevação de economistas à condição de oráculos, promovida nos anos de inflação por jornalistas embasbacados, ajudou muitos espertalhões a ganhar muito dinheiro à custa dos brasileiros, com aquelas célebres previsões auto-realizáveis. A elevação de acadêmicos à condição de deuses é demonstração de provincianismo. Sabemos todos que os acadêmicos não conseguiram nem mesmo nos oferecer um modelo satisfatório de universidade. Afirmar que a esperança acabou porque o presidente não leu o sr. Arantes não é apenas pretensão e arrogância intelectual. É mau jornalismo. "

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Hoje na Folha -- Caderno Ilustrada
:::::AUTO-RETRATO:::::

De Gutenberg à blogosfera


NELSON ASCHER


A impressão com caracteres móveis (tipografia), desenvolvida em meados do século 15 por Johannes Gutenberg (1397-1468), decorreu menos de qualquer invenção original do que da convergência de inúmeros avanços técnicos que, em áreas tão variadas como a produção de vinho e azeite (onde se usava a prensa), o comércio (que permitiu a difusão na Europa do papel inventado pelos chineses) ou a metalurgia, vinham se acumulando havia séculos.
Se, de início, limitando-se aos textos com os quais a autoridade religiosa se justificava, essa maneira de produzir livros favoreceu as forças da tradição, em meio século, graças aos exemplares exponencialmente multiplicados por impressores e tradutores, uns tão heréticos quanto os outros, a Bíblia, tornando-se acessível a novos leitores, incentivou alguns destes a usar a letra dos textos sagrados para questionar o monopólio oficial de interpretá-los.
As relações entre produção em massa de livros, reforma protestante, alfabetização universal, separação entre igreja e Estado, democracia representativa e autonomia do indivíduo são infinitamente complexas, mas nem por isso menos óbvias. Já faz pelo menos meio milênio que a liberdade política se nutre do acesso desimpedido à informação e de sua contrapartida natural, o direito de supri-la. O adjetivo "desimpedido" equivale à garantia de que qualquer um possa fornecer e/ou receber a informação que bem entender, avaliando-a, em última instância, segundo suas próprias luzes. Quinhentos anos de tentativas e erros demonstraram que todo monitoramento de sua circulação resulta sempre na corrosão da liberdade.
Uma das principais razões da derrocada dos regimes comunistas europeus em 1989 foi a contradição, afinal irresolúvel, entre, por um lado, a necessidade crescente do trânsito de informações em sociedades cada vez mais complexas e, por outro, um modelo político incapaz de sobreviver sem controlá-lo. Não há ideologia autoritária de esquerda ou direita que simpatize com os meios de comunicação de massa, exceto, é claro, quando se encontram nas mãos de seus seguidores.
O surgimento da blogosfera no mundo anglófono e sua transformação qualitativa, em menos de dois anos, numa instância ou espaço dotado de características específicas e de dinâmica própria resultaram igualmente de uma longa série de progressos tecnológicos graduais convergindo num momento histórico preciso que, por diversas razões, quase parecia requerer sua criação.
A blogosfera, por exemplo, se não o rompe de todo, seguramente relativiza o nexo que a tecnologia pesada da televisão reforçara entre difusão de informação e poder econômico ou estatal, resolvendo, através de uma "terceira via", o impasse entre quem pregava soluções estatizantes para o controle empresarial dos meios de comunicação e os que combatiam seu controle estatal propondo alternativas empresariais. A terceira via em questão nada mais é que uma devolução de poder à sociedade civil.
Se bem que seja cedo demais para saber quão profunda há de ser a influência da blogosfera anglo-americana, seu efeito sobre a mídia impressa e eletrônica, ou mesmo se se trata de algo que veio para ficar, pode-se dizer que ela se assemelha, por enquanto, a um exército ou a um corpo de bombeiros formado de voluntários, pois, reunindo-se em momentos de crise, tende a dispersar-se tão logo esta se resolva. Aos meses de "blogagem" frenética que acompanharam primeiro o conflito diplomático que precedeu a guerra no Iraque e, então, a própria guerra, seguiu-se um período substancialmente mais ralo. Como a massa crítica de blogs políticos surgidos no contexto da guerra quente entre os EUA e o islamismo radical são mais ou menos monotemáticos, eles não têm com o que (nem por que) encher seu espaço virtual quando o conflito esfria temporariamente, algo que nem a imprensa nem a TV podem deixar acontecer.
Outro fator importante é que, na maioria das vezes, a blogosfera não produz informação: somente a discute, coteja, filtra. Uma de suas funções tem sido justamente a triagem de notícias. Embora a internet coloque à disposição do leitor centenas ou milhares de jornais, revistas, webzines, quem é que dispõe de tempo para ler uma parte significativa do total? E mesmo se tempo não fosse um problema, caso consideremos a altíssima taxa de redundância, valeria a pena? Os blogs, de acordo com seus interesses, preferências e pendores ideológicos, oferecem comentários e estabelecem os links que julgam necessários, enquanto o leitor, por seu turno, após visitar vários, voltará, por razões de utilidade e/ou afinidade e/ou credibilidade, a alguns poucos, tornando-se seu frequentador. Assim, se a blogosfera concorre diretamente com as páginas editorialísticas e de opinião da grande imprensa, ela não substitui e pode, aliás, estimular o que esta faz melhor (quando o faz): reportagens, sobretudo as investigativas.
Muitos comentaristas, constatando que os modelos políticos e econômicos adotados pelos países que falam inglês se parecem mais entre si do que com os do resto do planeta, inclusive os da Europa continental, começaram a adotar o termo "anglosfera". O atual emaranhamento acelerado das malhas da internet, além de representar um novo capítulo da globalização, envolve um desdobramento que não deixará os antiglobalistas felizes, pois, estreitando os vínculos informais entre americanos, britânicos, australianos etc. e incorporando mais internautas ao universo da anglofonia, ele aumenta a influência da língua inglesa e de tudo o que esta veicula.



:::::PROPAGANDA:::::
Cristina está desenvolvendo um projeto na faculdade:::: Um blog (!)::::, pois é, e o assunto explorado pelo grupo dela é " notícia na internet".... Para quem quiser saber mais sobre o assunto:::::: NOTÍCIA NA INTERNET


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Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Domingo, Junho 22, 2003


Nilson Nobuaki Yamauti, doutor em ciências políticas pela USP, faz uma análise sobre as questões que envolvem o governo Lula, além de pensar no futuro do Capitalismo e nas relações políticas do mundo pós-moderno em que vivemos. Colocarei alguns trechos, já que o texto original é enorme - mas visitem o site da Caros Amigos para ler tudo.

"EXISTEM SAÍDAS EFETIVAS DE CURTO PRAZO PARA O GOVERNO LULA?
- por Nilson Nobuaki Yamauti


(...) Após alguns meses da posse, o governo do PT prossegue atrelado ao catecismo neoliberal do FMI: juros bastante elevados, corte nos gastos públicos, manutenção de um certo nível de reservas em moeda estrangeira e preservação, enfim, de condições de solvência do país para manter a confiança dos investidores internacionais. Quanto à preocupação do governo Lula com o problema da fome, ela apenas coincide com a reorientação da ortodoxia neoliberal efetuada pelo Banco Mundial durante a década de 90.
Na verdade, não parece possível vislumbrar soluções de curto prazo para o Brasil. Vargas, Quadros, Goulart e Collor enfrentaram crises na balança de pagamentos do país associadas à insuficiência de poupança para alavancar o desenvolvimento econômico e promover a integração social da massa de excluídos. Não conseguindo equacionar os impasses crônicos do padrão brasileiro de acumulação capitalista, todos os presidentes citados se viram diante do problema da governabilidade, que, direta
ou indiretamente, impediu que concluíssem os seus mandatos.
O governo Lula recebeu como herança certas condições bastante propícias para uma crise de governabilidade. Ocorre que em 2002, com a intenção, certamente, de manter o Brasil integrado ao sistema financeiro internacional, o FMI ofereceu um empréstimo de 30 bilhões de dólares ao país, sendo 24 bilhões de dólares liberados durante o primeiro ano de governo Lula desde que este se mantivesse fiel às suas recomendações neoliberais. Recusar esse empréstimo e decretar uma
moratória unilateral a fim de tornar o Brasil independente dos especuladores internacionais significaria para o governo ter de enfrentar uma crise econômica de curto prazo de proporções indescritíveis. O
Brasil poderia passar por uma tempestade semelhante à que viveu a Argentina e talvez até mais grave em termos de convulsão sócia, por apresentar um dos piores índices de distribuição da renda do planeta. Com ações voluntaristas, de forma apressada, orientado pela boa intenção de construir um modelo econômico independente, menos excludente, oposto ao modelo neoliberal, o governo
Lula poderia não sobreviver à violenta crise de governabilidade que resultaria do desequilíbrio na
balança de pagamentos e da paralisação de setores produtivos que dependem da importação de insumos e de financiamento de exportações e que correriam ainda o risco de ter suas mercadorias confiscadas no exterior. A ruptura do cordão umbilical que tornou o país dependente do sistema financeiro internacional, a partir sobretudo da megalomania dos militares pós-64, não pode ser
efetivada pela simples vontade de um governo eleito em conjuntura não abertamente revolucionária que precisa administrar um padrão de acumulação capitalista dependente de poupança externa e gerir um Estado atolado em dívidas, sob pressão do mercado globalizado, precisando atender a demandas emergenciais de milhões de brasileiros excluídos.
Por outro lado, o grande dilema do governo do PT é que, se prosseguir subordinado às prescrições neoliberais do FMI, não conseguirá estabelecer as bases da governabilidade no médio prazo, que, no contexto atual do país, consistem no desenvolvimento econômico sustentado e na distribuição de emprego e renda. Por isso, é difícil discutir uma saída de curto prazo para o Brasil: se correr imediatamente para o modelo de desenvolvimento independente, o bicho pega; se ficar atrelado ao modelo neoliberal, o bicho come.

QUESTÕES ESTRUTURAIS GLOBAIS
(...) A questão, agora, é que não existe uma democracia em nível global para domesticar a fúria e a voracidade do capital que se desgarra da camisa-de-força da democracia no plano nacional.
Esse fenômeno histórico é mais perverso em países periféricos, como o Brasil, que não conseguiram
desenvolver ainda um Estado de bem-estar dotado de recursos suficientes para amenizar o problema, inerente à economia capitalista, da exclusão social. Com a globalização do mercado, a democracia nesses países torna-se insuficiente para moderar os impulsos irracionais autodestrutivos do processo de acumulação de capital.
Por isso, não devemos esperar do governo Lula nem dos governos seguintes saídas milagrosas para um problema histórico-estrutural que, segundo as elites internacionais, não tem mais solução. A inexistência de processos democráticos de representação da coletividade cosmopolita - que pudessem instituir um poder político capaz de refrear efetivamente os ímpetos irracionais do mercado globalizado - favorece a formação de nuvens sombrias que escurecem os horizontes da humanidade.

A TERCEIRA REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA
Estamos tendo o privilégio de presenciar uma revolução tecnológica que será provavelmente a mais convulsiva de toda a história do gênero humano, em razão da velocidade e da amplitude das mudanças em cadeia que acarreta (...). Essa revolução já propiciou o fenômeno da globalização do mercado financeiro que colocou em crise certos fundamentos do Estado nacional e da democracia. Parece estar na origem da desestruturação de crenças, de valores e de identidades. Torna obsoletos certos princípios teóricos elaborados pelas ciências sociais. Produz transformações profundas no mundo do trabalho a ponto de deixar perplexos os dirigentes sindicais. A terceira revolução tecnológica libera forças de desagregação inauditas que estão abalando estruturas e superestruturas, dissolvendo concepções de mundo, independentemente da vontade de elites e de partidos, sejam estes conservadores, sejam revolucionários - se é que existem ainda grupos que tenham tal pretensão. Mas propicia, ao mesmo tempo, oportunidades promissoras para a construção de uma nova realidade mundial.

CAMINHOS PRESUMÍVEIS
Nesse contexto conturbado, estamos vivendo uma crise da economia capitalista semelhante à que transbordou em 1929. Só que dessa vez o terremoto tem sido menos rumoroso, mais gradativo e mais bemr administrado pelas instituições e pelas elites internacionais. Trilhões de dólares estarão se evaporando das bolsas de valores e outros trilhões poderão se evaporar do mercado financeiro virtual provavelmente sem grandes cataclismos. Se a crise se agravar a ponto de provocar uma estagnação prolongada em nível global, poderá surgir para o Brasil a oportunidade de fazer a opção inevitável por novos caminhos, como ocorreu em 1930. Tivemos naquela ocasião a chance de escolher a rota da
industrialização dirigida à substituição de certas importações que, com a crise, se tornaram proibitivas
para a economia brasileira. Uma nova crise profunda da economia capitalista pode, quem sabe, demandar concepções de ordenamento do espaço nacional diversas daquelas formuladas pelas ciências econômica, social e política clássicas.
(...) Se nesse processo histórico longínquo a economia mundial for ainda capitalista, supõe-se que esse Estado de direito supranacional, sob controle democrático de uma sociedade civil robusta, teria recursos e condições para domesticar as forças da economia de mercado, tornando viável uma redução substancial da jornada de trabalho como saída para o desemprego mundial. Se nesse contexto a sociedade civil vier a ser orientada por novos valores, princípios e estilos de vida, a superação gradativa da economia de mercado parece ser algo quase natural.
O que soa hoje improvável é a possibilidade de construção do socialismo em âmbito nacional em um
contexto de revolução tecnológica e de globalização sob as trevas de uma ditadura de partido único condenada ao burocratismo, à corrupção e à degeneração do poder, como ficou comprovado pela história do século 20. (...)
No Brasil, estão brotando milhares de pequenas e silenciosas experiências de organização da sociedade civil implementadas e financiadas por ONGs de todo tipo ou desencadeadas por iniciativa de movimentos sociais espontâneos. Essas experiências poderiam ser compreendidas como pequenas gotículas que vão enchendo o grande reservatório de água denominado sociedade civil internacional. São ações cotidianas anônimas que se multiplicam, promovendo mudanças quantitativas irreversíveis, de baixo para cima, lenta e inexoravelmente, sem qualquer estardalhaço revolucionário. Uma visão de história de longo período poderá um dia constatar a relevância dessas micromudanças que se acumulam independentes de grandes projetos teóricos e políticos de transformação social, podendo relativizar, assim, a importância do momento do transbordamento qualitativo, bem como a importância do papel dos heróis e dos acontecimentos explicitamente revolucionários.
O trabalho teórico parece necessário, contudo, para o ordenamento cognitivo dos fatos e do movimento da realidade, a fim de proporcionar um mínimo de lucidez às ações empreendidas no processo histórico de transformações sociais. Necessário, portanto, para tentarmos surfar na gigantesca onda que ameaça nos arremessar contra as rochas pontiagudas incrustadas na praia da pós-modernidade. Se não possuímos ainda recursos políticos para controlar essa onda revolucionária, podemos tentar descobrir, entretanto, condições para que ela nos conduza para onde conscientemente desejamos - liberdade como consciência da necessidade."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Sábado, Junho 21, 2003


O texto seguinte, do cientista político José Luís Fiori, foi publicado na Agência Carta Maior. Trata da Guerra do Iraque sob uma perspectiva do mundo pós-Guerra Fria. Quais são as mensagens que o eixo anglo-americano quis passar para as outras potências mundiais? E qual a mensagem que passaram para os países periféricos? Qual a importância dessa invasão no Iraque dentro da estratégia geopolítica mundial? Qual a relação disso com a História e com o tabuleiro imperialista que as potências criaram, desde o longíquo Congresso de Viena? Este artigo é uma verdadeira aula de História e vale a pena ser lido e analisado por todo mundo, mesmo por aqueles que acham já terem lido tudo sobre essa recente invasão no Oriente Médio. Surpreendam-se...

"Ataque econômico preventivo
- José Luís Fiori
- 16/6/2003

'O imperialista, com os olhos duros e lúcidos, contempla a multidão dos povos e vê, olhando para todos eles, a sua própria nação'
Rudolf Hilferding, O Capital Financeiro, 1910


Quase tudo o que é possível já foi dito sobre a última Guerra do Iraque. Foi quase um ano de preparação militar, para dezoito dias de guerra, e afinal, na medida em que o tempo passa, ela vai ficando cada vez mais parecida com uma guerra colonial de tipo clássico. Unilateral, localizada e envolvendo duas grandes potências contra um estado periférico; fora do núcleo central do sistema mundial e apoiada por argumentos frágeis e acusações quase desnecessárias. Uma espécie de guerra de um lado só, para ocupação de um território com alta dotação de petróleo, seguida da derrubada do seu governo, como tantas outras que aconteceram, durante a segunda metade do século XIX, e também durante o XX. O
que chama a atenção, é o fato de que apesar deste perfil clássico, esta nova guerra no Iraque se transformou num verdadeiro conflito 'mundial', uma espécie de 'guerra hegemônica', envolvendo, de uma forma ou outra, todas as demais Grandes Potencias, e um número significativo de estados de segunda e terceira importância, dentro da hierarquia geopolítica mundial. Além disto, seus efeitos abalaram várias dimensões e instituições mundiais e sacudiram todos os tabuleiros geopolíticos mundiais, atingindo o próprio 'círculo dos criadores da moralidade internacional' de que falava Edward Carr, no seu clássico The Twenty Years' Crisis, 1919-1939.

O mais provável é que isto tenha acontecido porque esta guerra foi uma espécie de proxi do fim Guerra Fria e da Guerra do Golfo. E neste sentido, faz parte de um lento processo de 'rendição' dos derrotados, que não aconteceu, e de um 'Acordo de Paz' entre os vencedores, que tampouco existiu. Acordo sobre a divisão dos territórios conquistados, e sobre a definição das novas regras de funcionamento do sistema político mundial. Se for assim, a nova Guerra do Iraque contém vários sinais e mensagens enviados ao mundo, pela mesma coalizão anglo-americana que definiu as bases e diretrizes da ordem mundial, depois II Guerra. Quais serão este sinais, e a quem foram dirigidos? Tomará ainda muito tempo para decifrá-los, mas algumas coisas já podem ser lidas, e são mais urgentes.

Em primeiro lugar, não é difícil de entender a lógica da ocupação territorial americana que iniciou depois da vitória de 1991 e culminou com a tomada de Bagdad. O movimento seguiu ma linha bastante clara: começou pelo Báltico, atravessou em paz, a Europa Central, a Ucrânia e a Bielorrussia, se transformou em guerra nos Bálcãs, e depois de confirmada a aliança com a Turquia, chegou até a Ásia Central e o Paquistão, com a guerra do Afeganistão, e até Bagdad e a Palestina, com a última guerra do Iraque. Portanto, com a exceção da Síria e do Irã, os Estados Unidos reina hoje, soberano, em quase todo o 'Rimland' , a área geopolítica mais importante do mundo, para o exercício do poder global, segundo
Nicholas Spykman, o grande geopolítico norte-americano, da primeira metade do século XX. Depois da guerra, não fica difícil de ver no mapa das bases militares norte-americanas, através do mundo, que os Estados Unidos já construíram um 'cinturão sanitário', separando a Alemanha da Rússia, e a Rússia da China. Deixando claro, portanto, que se não acontecerem grandes novidades, os seus novos concorrentes estratégicos, além da China, seguirão sendo os mesmos da Inglaterra, desde o Congresso de Viena, e sobretudo depois do nascimento da Alemanha, em 1871.

Deste ponto de vista, a mensagem mais importante da última guerra foi dirigida diretamente ao clube das Grandes Potências, onde têm assento todos os antigos aliados americanos, da Guerra Fria, e na Guerra do Golfo. São eles os maiores produtores de armas de destruição de massas, e os principais destinatários da nova Doutrina Bush, que prevê e defende ataques preventivos contra os seus detentores. Na verdade, os Estados Unidos já fizeram uso deste 'direito' em inúmeras outras ocasiões, durante os séculos XIX e XX, mas quase sempre contra países pequenos ou periféricos, ou sob os auspícios da Guerra Fria. A novidade não está neste ponto, está no anuncio claro e inequívoco de que o
objetivo último da nova doutrina é impedir o aparecimento, em qualquer ponto, e por um tempo indefinido, de qualquer outra nação ou aliança de nações que rivalize com os Estados Unidos. Uma estratégia de 'contenção', como a que foi sugerida por George Kennan e adotada pelos Estados Unidos, com relação à União Soviética, depois de 1947, só que agora visando o exercício de um poder global que envolve uma prevenção permanente e universal. Nenhuma das Grandes Potências se opôs à deposição de Saddam Hussein, nem a uma intervenção coletiva no Iraque. Sua oposição foi à forma
unilateral que os Estados Unidos impuseram ao processo, agravando um quadro que já vem dos anos 90, de distanciamento cada vez maior entre os Estados Unidos e seus dois maiores 'protetorados militares', decisivos para o sucesso econômico mundial do pós-II Guerra Mundial: a Alemanha e o Japão. Não é difícil de perceber que na década de 80, a economia americana cresceu mais do que os outros dois, como acontece sempre nos período de preparação e escalada pré-bélica. Mas a União Soviética se dissolveu sem guerra, e na década de 90, a economia americana seguiu crescendo, enquanto o Japão e a Alemanha afogavam-se num imenso poço de liquidez e de 'imobilismo satisfeito', desarmados que foram de seus velhos projetos nacionais. Se for assim, estaremos assistindo apenas o início de uma nova rodada de competição e conflito dentro do clube das Grandes Potências.

Em segundo lugar, a recente guerra no Iraque trouxe uma mensagem muito clara para a periferia do sistema mundial, situada fora do Oriente Médio e da Ásia Central. Cerca de 100 países independentes, a maioria muito pouco desenvolvida e situada na escala inferior do poder e da riqueza mundial. Mas alguns deles, maiores, com melhores perspectivas de expansão econômica e com algum tipo de projeção política regional. Quase todos eles foram colônias européias em algum momento de suas histórias, e a maioria se mantém até hoje na condição de 'quase-estados', com soberanias extremamente limitadas pela contínua intervenção das Grandes Potências. Estes estados cresceram geometricamente, depois da II Guerra Mundial, sob auspícios da política competitiva dos EUA e da URSS, partidários da auto-determinação dos povos e do direito ao desenvolvimento econômico nacional. Durante a Guerra Fria, a competição global e bipolar entre a União Soviética e os Estados Unidos funcionou como um cinturão de segurança que foi capaz de manter a 'ordem' neste universo, enquanto o socialismo e o desenvolvimentismo mantinham uma expectativa de mobilidade fundamental para legitimar o poder dos dois dentro desta galáxia de novos estados nacionais. No fim da década de 1970, entretanto, o 'desenvolvimentismo' já perdera fôlego na maioria dos países periféricos, e logo depois, o socialismo também entrou em crise. Depois do fim da Guerra Fria, e durante a década de 1990, o rápido crescimento econômico americano, e o aumento do fluxo internacional de capitais, junto com a utopia da globalização conseguiram manter as expectativas coletivas, contribuindo para a manutenção da ordem geral. Depois do ano 2000, entretanto, a estagnação mundial e a volta da guerra ao centro do sistema internacional, junto com o crescimento pífio dos 'mercados emergentes', recolocaram uma questão pendente, desde o fim da Guerra Fria, sobre o que as Grandes Potências devem fazer, neste novo milênio, com suas ex-colônias, e com os todos os estados que elas 'inventaram' na América, no Oriente Médio, na Ásia e na África.

A resposta já estava dada nos anos 90, mas ficou escondida pelo brilho da vitória americana, e pelo deslumbramento com a utopia da globalização e da 'sociedade em redes'. Em 1996, o assessor internacional de Tony Blair, Richard Cooper, publicou um pequeno livro, The Post-ModernState and World Order, onde explica com toda clareza as diretrizes estratégicas do projeto globalitário e otimista da era Clinton-Blair. Segundo Cooper, o objetivo foi sempre o da construção de três novos tipos de 'imperialismos, aceitáveis ao mundo dos direitos humanos e dos valores cosmopolitas'. Um 'imperialismo cooperativo', para o mundo das Grandes Potências; um 'imperialismo baseado na lei das selvas', para os 'estados pré-modernos'; e um 'imperialismo voluntário da economia global', para os 'estados que se abram e aceitem pacificamente a interferência das organizações internacionais e dos Estados estrangeiros'.

Desta perspectiva, fica mais bem mais fácil de compreender a mensagem enviada pela última Guerra do Iraque aos países periféricos: em primeiro lugar, foi uma confirmação de que os anglo-americanos estão realmente decididos a aplicar a 'lei da selva', com relação aos povos incapazes de se manter dentro das regras definidas por eles mesmos. Mas além disto, a nova guerra traz junto, e bem empacotada, uma outra mensagem, que já foi decifrada pelo norte-americano John Mearsheimer, no seu recente Tragedy of Great Power Politics, quando diz, falando da China, que 'a política dos Estados Unidos na China está mal orientada., porque uma China rica não será um poder que aceite o status quo internacional. Pelo contrário, será um estado agressivo e determinado a conquistar uma hegemonia regional. Não
porque a China ao ficar rica venha a ter instintos malvados, mas porque a melhor maneira para qualquer estado maximizar as suas perspectivas de sobrevivência é se tornar um hegemon na sua região do mundo. Agora bem, se é do interesse da China ser o hegemon no nordeste da Ásia, não é do interesse da América que isto aconteça'. (2001; pp402)

Eis aí uma mensagem decisiva da nova doutrina e da última guerra. A tese de Mersheimer é sobre a China, mas deve ser lida como um novo princípio estratégico universal. Como não é possível a existência de uma verdadeira potência política, sem poder econômico, a competição econômica se transforma numa prolongação da guerra e vice-versa. Neste sentido, o primeiro ataque preventivo contra potencias emergentes e bem comportadas, não deverá ser militar, será econômico, e consistirá na contenção ou bloqueio do seu desenvolvimento."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Sexta-feira, Junho 20, 2003


(há quanto tempo....)

Para quem tem notado minha ausência:::::::::::
Estou meio alienada para me preparar para o vestibular (paradoxo?)... Pois é, ontem, por acaso, peguei o final de uma reportagem do Jornal Nacional sobre o programa de medicamentos genéricos para AIDS, e a parte que assisti me fez lembrar do que havia dito (1° de junho) sobre a hipocrisia do G8 e as doações para medicar a AIDS na África:::::::::

O uso de remédios genéricos em países em desenvolvimento, como o Brasil, tem sido criticado pelos países mais ricos. Isto levou o Brasil a defender, esta semana, em Washington o seu programa de Aids.

Segundo o coordenador do programa brasileiro de Aids, alguns cientistas teriam questionado a qualidade dos genéricos produzidos no Brasil.

"Este tipo de informação colocando em dúvidas a capacidade dos países em desenvolvimento de prover adequadamente tratamento é um risco muito grande para as milhões de pessoas que estão esperando ter acesso aos medicamentos", acredita Paulo Roberto Teixeira, coordenador do programa de Aids.

Em resposta às críticas, Paulo Roberto apresentou ao Banco Mundial, que financia projetos de combate à Aids, uma pesquisa sobre a taxa de rejeição ao tratamento, que no Brasil é de 6,6%, menor que em países como Alemanha, França e Espanha.

A questão da Aids foi incluída na agenda do encontro que os presidentes Bush e Lula terão amanhã em Washington. O governo americano autorizou um gasto de US$ 15 bilhões, nos próximos cinco anos, para combater a doença na África e no Caribe, fornecendo remédios para dois milhões de pacientes.

O projeto de Bush está sofrendo críticas. Segundo Rachel Cohen, do grupo Médico Sem Fronteiras, o dinheiro americano pode acabar no bolso dos laboratórios. A organização, que usa genéricos brasileiros, atesta que as drogas são eficazes, e diz que o genérico do AZT produzido no Brasil é 94% mais barato do que o vendido por um grande laboratório.

Mas no Congresso americano, o projeto de Bush foi aprovado sem a emenda que obrigaria os Estados Unidos a combater a Aids na África e no Caribe usando os remédios mais baratos do mercado.


Ou seja, essa "doação" pode ser má aproveitada (vai ser), para favorecer esses grandes laboratórios....


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Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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É... Neste momento Lula e Bush estão reunidos na Casa Branca, tomando seu uísque e discutindo a criação de comissões bilaterais nas áreas de energia, agricultura, ciência e tecnologia. Essas negociações contribuirão enormemente para a implantação da ALCA no prazo estipulado (janeiro de 2005). Este é, portanto, o momento ideal para começarmos a discutir e questionar a ALCA e os benefícios/prejuízos que ela trará ao Brasil.
Como já tenho a opinião formada sobre o assunto, vou colocar uma entrevista com o economista Paulo Nogueira Batista Jr. que traz alguns pontos interessantes. Saiu na Folha de hoje:


"Folha - Por que o sr. avalia que a negociação para implementação da Alca é "altamente problemática" para o Brasil?
Paulo Nogueira Batista Jr -
Não interessa ao Brasil participar de áreas de livre comércio com economias muito mais desenvolvidas e poderosas como a dos Estados Unidos ou a da União Européia. Há diferenças enormes no grau de desenvolvimento entre essas economias e a brasileira que tornam inconveniente uma abertura total ou muito ampla do mercado que implicaria a Alca.

Folha - O que aconteceria se o Brasil aceitasse a atual proposta?
Nogueira Batista -
Do jeito que ela vem se configurando, vai haver um profundo esvaziamento da política econômica nacional. A ambição norte-americana é tanta, em tantos temas, que o Brasil perderia todo um conjunto de instrumentos em políticas públicas. Não é exagero dizer que o país ficaria sem condições de ter um projeto de desenvolvimento nacional. Por exemplo, não seria mais possível favorecer os fornecedores nacionais em compras públicas, instrumento que pode ser utilizado para fomentar o desenvolvimento regional.

Folha - A Alca traria vantagens como mais acesso ao mercado norte-americano para a indústria brasileira e o setor de serviços?
Nogueira Batista -
O Congresso norte-americano e o Executivo estão indicando claramente que não pretendem fazer concessões expressivas nas áreas de interesse do Brasil. Eles querem retirar da Alca certas questões que são fundamentais para o Brasil e, por outro lado, incluir temas problemáticos para o Brasil. [Além disso], mesmo que a Alca não saia, o Brasil pode ampliar e diversificar suas relações comerciais. A prioridade é a consolidação do Mercosul e sua ampliação. O Brasil está intensificando relações com outros países, como África do Sul, China e Índia. Nada impede que nossas relações com eles cresçam mesmo sem a Alca. Não existe área de livre comércio entre EUA e União Européia, nem intenção de negociá-la, e o comércio entre eles tem aumentado.

Folha - Como o sr. avalia a forma como o governo trata o tema?
Nogueira Batista -
Acho que a política externa brasileira no campo comercial é um aspecto positivo do governo Lula. Há uma expressiva diferença para melhor em comparação com o governo FHC. O Brasil indicou que não está satisfeito com o formato da negociação e indicou que, se temas importantes como antidumping e agricultura serão tratados na OMC, então temas com os quais o Brasil tem dificuldade também terão de ser tratados nesse âmbito."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Carlos Henrique de Brito Cruz, reitor da Unicamp, faz uma interessante análise sobre a Reforma da Previdência e como ela afetará a vida dos professores universitários. Não concordo com algumas coisas, principalmente tendo em vista que ele fala com a visão (muito parcial) de um professor, mas há o que se discutir. Cliquem no trechinho (depois de apertarem a tecla shift!) abaixo para ler a versão completa que foi publicada na Folha de S.Paulo de hoje:

"No mundo contemporâneo, o desenvolvimento das nações é dependente do conhecimento e da educação. A curtíssimo prazo, uma reforma da Previdência visando gerar caixa pode até aliviar as despesas do Estado, mas, a médio e a longo prazos, seus efeitos, em especial sobre a universidade pública, trarão prejuízos irrecuperáveis ao desenvolvimento socioeconômico do país."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quinta-feira, Junho 19, 2003


A redução de 0,5% dos juros foi tão significativa que vou colocar algumas charges aqui para comemorar!!


Ademir Paixão, do Gazeta do Povo (PR)


Fausto, do Diário de S. Paulo


Lute, do Hoje em dia (MG)


Jorge Braga, do O Popular (GO)


Willy, do Tribuna da Imprensa (RJ)


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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A Revista Forum publicou o seguinte manifesto, assinado por vários economistas (inclusive petistas), fazendo críticas à política econômica do governo Lula e apresentando sugestões. Redução de meio porcento da taxa de juros?? Acorda Palocci!

"A agenda interditada

O Brasil está sendo levado a um beco sem saída de
estagnação e desemprego por uma política econômica que
capitulou à insensatez do totalitarismo de 'mercado'.
Desde os anos 90 o debate sobre alternativas de
desenvolvimento foi virtualmente interditado com o
recurso ao dogma de que o 'mercado', sábio e virtuoso, se
deixado a si mesmo promoverá a prosperidade coletiva.
Passado mais de um decênio em que o experimento
neoliberal vem sendo praticado no Brasil, é hora de um
balanço, e de um questionamento: até quando o crescimento
com redistribuição de renda será negado à sociedade
brasileira?

A interdição do debate econômico nos últimos anos
pretendeu desqualificar como anacrônica toda crítica a
qualquer aspecto da política econômica. Hoje, repetindo o
que aconteceu na última década, a sociedade vem sendo
privada de participar ou acompanhar um debate genuíno
sobre medidas alinhadas com a verdade do príncipe, num
peculiar movimento contraditório pelo qual toda a força
do Estado foi colocada a serviço dos que querem privar o
Estado de qualquer força.

O 'mercado' não debate, apenas ameaça. E aqueles que
deveriam debater em seu nome tomam a ameaça de suas
reações como suficientes para cancelar o próprio debate.
Os pontos-chave da política econômica são encapsulados
numa cadeia de tabus porque a simples menção de discuti-
los é descartada em face do risco da especulação
do 'mercado', pelo que o 'mercado' obtém uma franquia
para continuar atuando lucrativa e livremente, sem
contestação, à sombra da proteção do Estado.

Basta. Queremos abrir a agenda da economia política
brasileira e expor a caixa preta da política econômica ao
debate aberto. É um imperativo moral que reconheçamos o
alto desemprego, sem precedentes em nossa história, como
o mais grave problema social brasileiro, resultante
diretamente das políticas monetária e fiscal restritivas,
assim como da abertura comercial sem restrições. É um
imperativo político, em face dos direitos de cidadania e
tendo em vista a preservação da democracia, que se
promova uma política de pleno emprego para garantir a
retomada do desenvolvimento com justiça social e
estabilidade.

Há alternativa. Ela não passa por mudanças tópicas em um
ou alguns dos aspectos da 'coerente' política neoliberal
em curso, mas pela inversão de toda a matriz da política
econômica. Isso significa reforçar a interferência do
Estado no domínio econômico, a exemplo do que ocorreu
historicamente em situação similar com o New Deal, nos
Estados Unidos, para corrigir as distorções provocadas
pelo 'livre mercado', sobretudo o alto desemprego, que
compromete a estabilidade social e política do País. Em
linhas gerais, implicaria, enquanto perdurar o alto
desemprego, um conjunto simultâneo de medidas do tipo:

1. Controle de capitais externos e controle do câmbio em
nível real favorável às exportações; condição necessária
para:

2. Enquanto perdurar o alto desemprego, redução do
superávit primário até sua eventual eliminação pelo
aumento responsável do dispêndio público, a fim de
ampliar a demanda efetiva agregada induzindo a retomada
do desenvolvimento e do emprego;

3. Ampliação, em consequência, dos gastos públicos nos
três níveis da administração, com prioridade para
dispêndio com ampliação dos serviços de educação, saúde,
segurança, assistência e habitação, grandes geradores de
empregos, e de competência também dos estados e
municípios - o que implica a restauração da saúde
financeira da Federação, inclusive mediante renegociação
das dívidas de Estados e Municípios;

4. Redução significativa da taxa básica de juros, como
complemento indispensável da política fiscal de estímulo
à retomada dos investimentos privados;

5. Promoção de investimentos públicos e privados em
saneamento e infra-estrutura (logística e energia), para
assegurar a melhoria da competitividade sistêmica da
economia; incentivo a investimentos imediatos em setores
privados próximos da plena capacidade;

6. Manutenção e ampliação da política de incentivo às
exportações;

7. Política de rendas pactuada para controle da inflação.

Sustentamos que o Brasil tem diante de si uma alternativa
de política econômica de prosperidade. O atual Governo,
que foi eleito em função de expectativas de mudança, tem
diante de si a responsabilidade de evitar que a crise
social herdada se transforme numa crise política de
proporções imprevisíveis, a exemplo do que tem ocorrido
em outros países da América do Sul contemporaneamente, e
do que ocorreu historicamente na Europa, nos anos 20 e
30.

Colocamos o foco na promoção do pleno emprego porque se
trata de uma política estruturante da solução de outros
problemas sociais e econômicos - miséria, subemprego,
marginalidade, iníqua distribuição de renda, violência,
insegurança -, assim como da crise fiscal do setor
público - neste caso pela previsível aumento de receitas
(sem aumento de carga tributária) e queda de algumas
despesas sociais na medida em que o desemprego se reduza.
Contudo, este não é um projeto estritamente econômico,
nem um projeto fechado. É uma contribuição de economistas
à busca de um novo destino nacional, base do resgate da
cidadania e condição para uma sociedade solidária.

Nenhuma das medidas propostas ou seu conjunto são um
anátema à luz da história econômica real dos países que
experimentaram algum êxito econômico e social. Desafiamos
os que se escondem nas sombras, por trás da onipotência
do deus 'mercado', que sustentem à luz da discussão
pública seu receituário de fórmulas abstratas que, uma
vez testadas na prática, têm resultado em destruição
permanente do tecido social, da atividade econômica e da
soberania nacional. Queremos o debate já. Queremos o
exercício democrático da controvérsia. Chega de
interdição."

Rio de Janeiro, junho de 2003.

Assinado por mais de duas centenas de economistas,
encabeçados por Plínio Arruda Sampaio e Luiz Gonzaga
Beluzzo.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quarta-feira, Junho 18, 2003


"FERNANDO RODRIGUES

FHC conta sua história


BRASÍLIA - O PSDB divulgou no seu site na internet um texto de FHC em formato de entrevista. O tucano usa 6.269 palavras. Critica duramente o governo de Lula -a quem cita quatro vezes nominalmente. José Serra não é mencionado de forma direta nem uma vez. Freud explica.
A "entrevista" começa com o PSDB. Mas o ex-presidente fala mais do PT (30 vezes) do que da sigla tucana (28 vezes). Há de tudo na longa fala. É divertido o esforço para reescrever parte da história. Ou as críticas a ações de Lula, quase idênticas às do tucanato. Três exemplos:
1) o terror na eleição - "Nunca levamos a campanha para a idéia do "ou nós ou o caos'", diz FHC. Errado. Num jingle de Serra, ouvia-se que o Brasil se transformaria numa Argentina. A atriz Regina Duarte apareceu espavorida na TV para dizer, como num filme de Hitchcock, que estava com medo. A campanha tucana apoiou-se em grande parte no suposto desarranjo que o PT causaria;
2) troca-troca partidário - FHC afirma que "as pessoas são votadas para a oposição e vão para o governo. Isso não é possível. Está errado".
Ocorre que o PSDB elegeu 63 deputados federais em 1994. Em outubro de 1997, a bancada tucana chegou a 100 deputados. Um aumento de 58,7% com a cooptação de 37 congressistas na bacia das almas no processo de compra de votos para aprovar a emenda da reeleição;
3) juros - "Será que é preciso manter por tanto tempo as taxas de juros tão altas?", pergunta FHC. Poderia também indagar se foi necessário, em janeiro de 1999, aumentar a taxa básica de 25% para 45%.
Num trecho, FHC fala sobre loteamento de cargos: "Acho que houve um retrocesso, porque está havendo uma penetração na máquina pública muito maior do que no meu tempo". Pode ser. Parece um alerta de quem sabe o que diz. O tucano sofreu com a nomeação do tesoureiro de campanha Ricardo Sérgio Oliveira para uma diretoria do Banco do Brasil."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Terça-feira, Junho 17, 2003


Uma hora o antiamericanismo ia acabar aparecendo com força. Um país com uma política externa tão agressiva quanto a dos EUA não ficaria ileso por muito tempo. Pelo menos na opinião pública.

Bush não é mais bem visto pela opinião pública, diz pesquisa

A opinião pública está contra o presidente norte-americano George W. Bush, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela BBC. O estudo diz ainda que as pessoas acham que os Estados Unidos estavam errados ao invadir o
Iraque. Foram entrevistadas 11 mil pessoas de 11 países. Do total, 57% afirmaram ter 'uma opinião muito desfavorável ou bastante desfavorável do presidente norte-americano'. Já 57% dos ouvintes disseram que os norte-americanos não deveriam ter invadido o Iraque. Na Rússia e na França, esses números sobem para 81% e 63%, respectivamente. Na Jordânia e na Indonésia, países islâmicos, mais da metade dos entrevistados acha que os EUA representam um risco maior para a estabilidade mundial do que a rede Al Qaeda.
Em cinco dos países entrevistados, a maioria considera os Estados Unidos um país mais perigoso que o Irã, cujo regime aparece na lista de inimigos que Bush chama de 'eixo do mal.' Em oito países, os EUA são vistos como mais
perigosos que a Síria, cujo governo é acusado pelos EUA de patrocinar o terrorismo. Mesmo assim, a atitude frente aos EUA continua ligeiramente positiva.
Metade dos entrevistados têm uma visão favorável da superpotência, e 40% têm uma visão desfavorável. Para 81% dos australianos, seu país está ficando cada vez mais parecido com os EUA. Na Grã-Bretanha, 64 por cento dos
entrevistados têm essa opinião.
A pesquisa foi feita entre maio e junho pela BBC e por institutos contratados. Ela abrangeu Austrália, Brasil, Grã-Bretanha, Canadá, França, Indonésia, Israel, Jordânia, Coréia do Sul, Rússia e os próprios Estados Unidos. Os resultados serão apresentados em um especial de TV chamado 'O que o Mundo Pensa da América'."

Fonte: Equipe BRfree


Essa tirei do blog do Lumi!


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Lula gosta de se reunir com freqüência com os intelectuais petistas. Isso é uma boa, porque essas pessoas ajudaram a construir uma base ideológica sólida ao longo dos vinte anos de PT. E agora que o partido chegou ao poder, precisa ouvir as críticas e receber os puxões-de-orelha que forem necessários. Renato Janine Ribeiro, professor de Ética e Filosofia Política da USP, participou de uma dessas reuniões e escreveu a respeito na Nova-e. Cliquem na figura de Lula para ler os debates que ocorreram nesse encontro.



"(...) Foi uma reunião do Presidente com um grupo de intelectuais, dos quais a maior parte (mas não eu) filiados ao Partido dos Trabalhadores. Esse grupo se reúne com ele há vários anos, incluindo os professores Aziz AbSaber, Presidente de Honra da SBPC, Fabio Konder Comparato, Maria Vitória Benevides, Paul Singer e os críticos Maria Rita Kehl e Eugenio Bucci, além de outros.(...)"

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Acho que todo mundo sabe que qualquer coisa está diretamente ligada a interesses políticos e comerciais, no mundo de hoje. Não poderia ser diferente com as metas na área de Saúde. O problema é que quem sofre são os habitantes de países pobres. Doenças como malária e tuberculose - praticamente erradicadas de países desenvolvidos - ainda são endêmicas nessas regiões. Por que ninguém cuida disso? Porque a reunião do G8 apenas piorou a situação? Clique na figura abaixo para ler o texto na íntegra (o trechinho é muito pequeno...). Da Novae.



"(...) Durante a reunião em Okinawa, os líderes do G8 prometeram combater as doenças infecciosas, estipulando metas para 2010 como a redução dos índices de jovens infectados pelo HIV em 25%, redução do índice de mortalidade por tuberculose e de casos de malária em 50%. Esses objetivos, no entanto, estão longe de serem alcançados. Dados epidemiológicos indicam que a situação dessas três enfermidades piorou nos últimos 3 anos.

O número de crianças infectadas pelo HIV triplicou, pulando de 1,3 milhão, em 2000, para 3,2 milhões, em 2002. A prevalência da tuberculose cresceu 1,5% nos dois últimos anos, sendo que na África esse crescimento foi de 4%. E o número de novos casos de malária permanece inalterado, apesar da mortalidade de crianças com menos de 5 anos de idade ter crescido cinco vezes em algumas partes da África devido ao aumento da resistência aos medicamentos utilizados contra a doença. (...)"


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Já que tem um monte de gente criticando Cristóvam Buarque de maneira errada, vou colocar as informações certas aqui. Se alguém quiser manter as críticas, ao menos estará no lugar certo. Eu não sou completamente contrária a essa alíquota que Buarque defende. Acho que esse tipo de proposta deve ser debatido em toda a sociedade.

Ministro nega que queira cobrar mensalidade em universidade pública
03/Jun/2003 20h51, do JC Online

Em nota oficial divulgada na tarde desta terça-feira (03/06), o ministro da Educação, Cristovam Buarque, negou que tenha defendido a cobrança de mensalidades nas universidades públicas.

O ministro afirmou que apóia um debate sobre a proposta de cobrança de ex-alunos do ensino público que ganham mais de R$ 30 mil por ano. Segundo a nota, eles pagariam uma 'pequena alíquota' do imposto de renda, que seria revertida diretamente para a instituição em que se formaram.

De acordo com Cristovam Buarque, este é o conteúdo do projeto de emenda constitucional PEC nº 573/2002, do ex-deputado, Padre Roque, do PT. O projeto se baseia numa experiência inglesa, que consiste na cobrança de ex-alunos bem sucedidos para ajudar suas universidades.

'Sou favorável a que o projeto seja debatido no Congresso Nacional e com a sociedade. Não sou contra a idéia. Porém, ela não tem nada a ver com ensino pago. Lamentavelmente, o projeto não vem sendo debatido com a devida importância', afirma o ministro na nota.

Nesta manhã, coluna do jornalista Gilberto Dimenstein informou que o ministro defendia a cobrança parcial de mensalidades dos estudantes das universidades públicas.

Para o tributarista de São Paulo, Leo Amaral Filho, pela Constituição o governo não pode vincular um imposto a órgão, fundo ou despesa específicos. 'Não ser tributado por imposto vinculado é uma garantia constitucional'.

O advogado acredita que o governo poderá conseguir a aprovação de um imposto extra para as universidades públicas, a ser pago exclusivamente por ex-alunos, graças a uma emenda, criada no ano 2000, que autoriza o imposto vinculado a serviço público de saúde ou educação.

Para Amaral, não existe a possibilidade de o projeto tributar alunos que hoje já concluíram seus cursos em universidades públicas. 'A lei não retroage para prejudicar o contribuinte, mas é possível cobrar quem se formar depois da promulgação da lei, caso aprovada'.

Leo Amaral Filho faz parte da equipe de tributaristas do escritório Pinheiro Neto e Associados, um dos maiores do país.

Fonte: UOL Educação"

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Editorial do Le Monde Diplomatique, sobre as reformas da Previdência em todo o mundo - e os interesses por trás delas... Muito interessante!

Morrer de trabalho
Enquanto se orquestra um ataque ao sistema de aposentadorias em todo o mundo, sem qualquer aumento da participação das empresas ou do capital na pensões de seus empregados, pesquisa da OIT denuncia que 5 mil pessoas morrem por dia no trabalho


Ignacio Ramonet*


Escondido pelos grandes meios de comunicação, um documento decisivo passou desapercebido: o relatório, divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), denunciando que, anualmente, 270 milhões de assalariados são vítimas de acidentes de trabalho e 160 milhões contraem doenças profissionais no mundo inteiro. O estudo revela que o número de trabalhadores mortos no exercício de sua profissão passa de dois milhões por ano... Portanto, o trabalho mata 5 mil pessoas por dia! "E estes números", salienta o relatório, "estão abaixo da realidade."

Na França, segundo a Caisse Nationale d'Assurance Maladie (CNAM), 780 trabalhadores morrem devido ao trabalho por ano (mais de dois por dia!). Também aqui, "os números são subestimados". E ocorrem cerca de 1,35 milhão de acidentes de trabalho, o que corresponde a 3.700 vítimas por dia. Considerando-se uma jornada de oito horas, isso significa oito feridos por minuto...

"Imposto do sangue"
Antigamente, os defensores do povo chamavam esse sofrimento em silêncio, esserda (Chirac e Jospin, no caso da França), decidiram, por ocasião da reunião de cúpula em Barcelona, em março de 2002, aumentar em cinco anos a idade da aposentadoria. O que pressupõe uma séria regressão social e o abandono do projeto de construir sociedades mais equilibradas e mais igualitárias.

O desmantelamento do sistema de aposentadorias
Enquanto as classes médias são desbastadas, empobrecidas, a riqueza continua se concentrando no topo: há trinta anos, um empresário ganhava quarenta vezes mais do que o salário de um trabalhador; atualmente, ganha mil vezes mais10... E pode aguardar, serenamente, a hora de parar suas atividades. O que está longe de ser o caso dos assalariados comuns, em especial dos professores.

Centenas de milhares de professores multiplicaram paralisações - na Itália, na Espanha, na Alemanha, na Grécia, na Áustria, na França... - em protesto contra o desmantelamento do sistema de aposentadorias que, no entanto, deve ser reformado. Porque diminui o número de profissionais na ativa, enquanto aumenta o dos aposentados. E porque o peso das pensões, que hoje representa 11,5% do PIB, será de 13,5% em 2020, de 15,5% em 2040 e se tornará uma despesa insuportável para o Estado.

Reforma às expensas dos assalariados
Apesar da crise da Bolsa de Valores, que acarretou uma perda de 20% do valor dos fundos de pensão, a opção de uma aposentadoria por capitalização é menos descartada na medida em que a reforma do sistema de contribuição só é considerada às expensas dos assalariados. Como se tratasse de um problema meramente técnico, sem conseqüências para o conjunto da sociedade. Todas as variáveis - o montante e a prorrogação das prestações, a idade da aposentadoria, o montante das pensões - são sistematicamente modificadas em detrimento do assalariado e da remuneração do trabalho. Não foi discutida nenhuma solução alternativa, como incluir as empresas na contribuição ou impor uma taxa sobre os lucros financeiros.

Considera-se normal que dois assalariados percam a vida no trabalho diariamente e que oito outros sejam sacrificados, por minuto, em nome do bem-estar das empresas. Mas não se considera normal que estas, ou o capital, tenham maior participação nas pensões de seus empregados. Como deixar de compreender a raiva dos trabalhadores?

(Trad.: Jô Amado)

* Diretor-presidente de Le Monde diplomatique.

- A explosão de doenças do aposentado torna particularmente repugnante o ataque ao regime das aposentadorias comandado pelos motores da globalização liberal

- Há 30 anos, um empresário ganhava quarenta vezes mais do que o salário de um trabalhador; atualmente, ganha mil vezes mais

- O peso das pensões, que hoje representa 11,5% do PIB, será de 13,5% em 2020, de 15,5% em 2040 e se tornará uma despesa insuportável para o Estado

- Todas as variáveis, como a idade da aposentadoria e o montante das pensões, são modificadas em detrimento do assalariado e da remuneração do trabalho


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Domingo, Junho 15, 2003


Para não ficar sem postar nada hoje, uma charge que dá em que pensar:



Mário Vale, Hoje em Dia.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Sábado, Junho 14, 2003



Sou contra o sistema carcerário hoje. Além de ser uma escola de bandidos, ainda oferece péssimas condições aos presos, proliferando doenças de todo tipo. Vejam o artigo de Emir Sader, publicado na Agência Carta Maior, sobre esse sistema preocupante.

"EUA: drama nas prisões

De 9 milhões de pessoas detidas e liberadas em 2002, mais
de um milhão e 300 mil saíram como portadores do vírus da
hepatite C, 137 mil estavam contaminados pelo vírus da
aids e 12 mil tinham pego tuberculose. As prisões
contemporâneas têm se tornado não apenas escolas do
crime, mas também fábricas que multiplicam os problemas
de saúde. Há dados assustadores nas prisões norte-
americanas: de 9 milhões de pessoas detidas e liberadas
em 2002, mais de um milhão e 300 mil saíram como
portadores do vírus da hepatite C, 137 mil estavam
contaminados pelo vírus da aids e 12 mil tinham pego
tuberculose.
Esses dados, revelados pela Comissão Nacional sobre Saúde
Penitenciária dos EUA - e publicados pelo Le Monde
Diplomatique em junho - representam respectivamente 29%,
13% a 17% e 35% do número total de norte-americanos
afetados por essas doenças.

Os presos nos EUA, com a histeria das políticas de
tolerância zero - isto é, de absoluta intolerância ',
fizeram com que, durante o governo Clinton, a população
carcerária norte-americana se multiplicasse por dois,
passando de um para dois milhões de pessoas. É a mais
alta do mundo, em termos absolutos e também relativos -
686 presos por 100 mil habitantes (no Brasil, o número
oficial é de 240 mil presos, 137 por 100 mil habitantes).
Essa 'epidemia de aprisionamento' - como se refere a ela
o Le Monde Diplomatique - produziu uma incubação maciça
de doenças infecciosas nos centros de detenção.

O uso de drogas, a prostituição, a violência sexual -
tudo leva à multiplicação e ao descontrole das doenças.
Ao mesmo tempo, seringas e camisinhas não são de uso
corrente, faltando até mesmo água para a higiene básica
dos presos. Além disso, a tatuagem e o piercing também
tornam-se transmissores de aids e de hepatite.

O mais dramático é que, apesar disso tudo, pela retração
dos serviços públicos de saúde nas duas últimas décadas
nos EUA, as prisões se tornaram agências públicas de
primeiros-socorros. No entanto, médicos punidos por erros
ou por incapacidade profissional seguem trabalhando nas
prisões. Porque atualmente, nos EUA, fora das prisões, 41
milhões de pessoas não têm cobertura médica e outros 71,5
milhões estão parcialmente - isto é, uma parte do ano -
sem essa cobertura. Ruim dentro, pior ainda fora."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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E a política econômica do governo? Qual o risco para o PT de se manter nessa linha liberal? Quem são os responsáveis por ela e até que ponto a oposição coloca a teoria na prática? Quais os rumos dessa política econômica? O artigo - muito bom e muito ácido - foi publicado na Caros Amigos.

ELES USAM BLACK-TIE
- por Marcelo Manzano


Tudo o que deveria ser dito sobre a insensata política
monetária da dupla Palocci-Meirelles já foi dito. Após
quatro meses de paciência e trégua em nome da
governabilidade, é quase unanime entre os analistas a
opinião de que a ortodoxia passou dos limites - a exceção
evidentemente fica por conta dos executivos do mercado
financeiro.
Mas, para além dos estragos provocados pelas taxas de
juros penduradas na cumeeira e pelos superávits fiscais
mais-que-perfeitos, o que preocupa na política econômica
do governo é que, na sua sanha positivista, ela joga por
terra toda uma construção teórica alternativa que desde a
escola cepalina vem subsidiando as esquerdas na crítica à
ordem liberal e na proposição de um desenvolvimento
econômico singular, isto é, que leve em conta as
peculiaridades de nossa industrialização tardia. Em
outras palavras, a desfaçatez com que o governo trata o
debate de fundo sobre o modelo econômico em que estamos
metidos, esvaziando de legitimidade um dos principais
esteios de sua própria história política, produz um
perigoso vácuo de alternativas que nem a queda do muro
nem a mente de Mrs. Thatcher tinham sido capazes de impor
ao Brasil.
Nas estrelinhas das falas do Ministro da Fazenda e,
talvez, até à revelia de sua consciência, transbordam
referências a uma semântica econômica que remete ao mais
estrito conservadorismo. As metáforas de um organismo na
UTI que não pode ter seu tratamento interrompido
escancaram a adesão a uma concepção do mundo econômico
onde a ordem e o equilíbrio parecem ser o desfecho
natural da dinâmica capitalista. Ora, desde que o médico
Quesnay concebeu a economia como um organismo cuja
harmonia dependerá do pleno funcionamento das suas
partes, muita água já passou por debaixo da ponte.
Autores como Marx, Keynes e Schumpeter gastaram seus
tutanos para demonstrar que no capitalismo o
desequilíbrio e a instabilidade são a regra e,
consequentemente, é a partir deles que se deve pautar a
política econômica.
Quando o governo se apresenta como conservador na
política econômica e progressista na área social (ordem e
progresso?), desdenha de sua razão de ser, correndo o
risco de se inscrever na história como a pá de cal sobre
um longo esforço de desconstrução do discurso econômico
dominante. E este sim é um risco de implicações de fato
muito mais deletérias do que as circunstâncias econômicas
de curto prazo, sempre passíveis de reversão. A
capitulação do PT ao liberalismo econômico é grave porque
simbolicamente representa o fracasso de uma alternativa
que sequer foi testada, e que poderá ficar marcada
injustamente como mera retórica oposicionista. Ao
persistirem na cegueira conservadora, além de estarem nos
conduzindo ao degredo econômico, os timoneiros da área
econômica estarão finalmente dando vida ao pensamento
único, que até a chegada do PT ao poder não se efetivava
justamente porque, na oposição, o PT representava uma
alternativa concreta à unanimidade liberal.
Infelizmente, os ditos 'radicais' do partido, dos quais
poderíamos esperar este resgate de um modelo alternativo
de desenvolvimento, encerram-se nos mesmos limites de
incompreensão do funcionamento do capitalismo
contemporâneo. Assim como a cúpula que hoje os trai,
os 'radicais' tem sua militância política fundada apenas
na negação do capitalismo. Perdem-se acusando o PT de se
desvirtuar de sua missão histórica através de suas
alianças com o PL do vice José de Alencar ou com o neo-
companheiro Sarney, e esquecem-se de observar que estes
dois, por exemplo, são hoje muito menos ortodoxos, em seu
pragmatismo econômico, do que os puro-sangue do partido.
Esses, agora, em seu casuísmo tático, transformam-se em
defensores de um modelo de organização da economia que
coloca o Estado a serviço dos rentistas, à custa do
emprego e dos tributos de um mar de mal nascidos."

* Marcelo Manzano é economista.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Definitivamente não existe muma explicação coerente para que o governo tenha impedido a formação de CPI do Banestado. É mais um ponto para se juntar aos muitos da minha listinha de falhas do (meu) governo Lula. O artigo seguinte é da Agência Carta Maior:

"AS RAZÕES
- Mauro Santayana


Pode ser que haja alguma transcendental razão para que o governo do PT continue agindo como vem agindo. Pode ser que essa razão transcendental explique porque os juros continuam pendurados nas altas nuvens e porque o governo da União pretenda concentrar ainda mais os recursos tributários nacionais. Mas é difícil encontrar uma razão transcendental para emperrar a CPI do Banestado, atitude que vem sendo atribuída a próceres do PT. Sempre se falou nos esqueletos escondidos no armário. A expressão é atribuída ao general Golbery, que pregava a necessidade de a ditadura reconhecer os cadáveres que produzira, durante os seus anos mais sombrios, que foram os do general Médici. Mas há uns esqueletos e os outros. Os mais complicados esqueletos morais pertencem a tempos recentes, tempos do governo Fernando Henrique. Se não retirarmos esses cadáveres do armário, e se não os submetermos a uma acurada necropsia, suas almas continuarão a nos atormentar e, mais do que isso, a
estimular outros atos de grossa corrupção.

Só os inocentes não percebem que parte do sistema financeiro - e vemos que bancos oficiais também participavam da roubalheira - tem servido ao crime organizado, porque o integra. O que nos espanta é que o Banco Central nunca tenha percebido as evidências de lavagem de dinheiro, via contas CC-5, quando lhe cabe a fiscalização das instituições financeiras e não faltaram advertências de que o mecanismo era o instrumento dos criminosos. Como foi possível ao Banco Central engolir as moscas de quilo e meio que foram as contas fictícias do Banco Nacional (se é que as coisas se deram como nos contaram)? E como foi possível ao Banco Central não perceber a saída de US$ 30 bilhões (conforme se divulga) tendo como ponto de baldeação o Banco do Estado do Paraná?

Como se recorda, logo no início do governo Fernando Henrique, tivemos o caso do Banco Econômico, logo seguido dos outros, entre eles o exemplar, do Banco Nacional, salvo temporariamente por uma providência de fim de semana. Pediu-se uma CPI, e o governo articulou-se, rapidamente, para impedi-la. Qual era mesmo o argumento? Fernando Henrique não queria que uma CPI tumultuasse as reformas constitucionais em andamento, todas elas contra o interesse nacional, como as que autorizaram o crime das privatizações e a que acabou lhe permitindo um segundo mandato.

O governo, é o que se diz nos corredores do Congresso, não deseja, agora, que uma CPI venha a tumultuar a discussão e aprovação das reformas no sistema previdenciário e no sistema tributário. Ora, sempre haverá matérias relevantes de interesse do governo nas duas casas do Congresso. Se o governo partir do princípio que só em tempos amenos possam funcionar as CPIs
cabeludas (como é a do Basnestado) que envolvam altas personalidades políticas, jamais teremos uma ordem ética na atividade política brasileira.

Se existe uma razão transcendental para que continuemos na mesma, convinha ao governo expô-la à nação. Se a nação dela se convencer, amém. Se, não, é melhor obedecer à razão soberana do povo."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Sexta-feira, Junho 13, 2003



Já que Matrix está na moda (não à toa..), recomendo a leitura de um artigo muito bom de Maurício F. Pinto que compara o mito do filme com a realidade em que vivemos. Coloquei um trechinho, mas sugiro que cliquem na foto para lerem na íntegra a matéria da Novae.



"A 'Matrix' é um mundo de fantasia, onde a Humanidade pensa viver feliz quando, na verdade, é mantida escrava. Num plano mais simbólico, talvez nossa realidade compartilhe desta fantasia: alheios ao sofrimento dos outros, pensamos viver num mundo individual perfeito, mantido por bens de consumo e pacotes de sentimentos fugazes fornecidos pelas 'fábricas de sonhos' do capitalismo mundial. Nos libertar da 'Matrix' talvez seja isso: descobrir que o mundo real é muito mais sofrimento e a superação deste obstáculo demanda reconhecimento de que todos nós somos responsáveis pela vida em sociedade. Opor resistências à dominação real - não das máquinas, mas do homem pelo homem - é nosso dever. Tomenos, pois, a pílula vermelha."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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E o jornalismo? Fazia tempo que eu não lia um artigo tão interessante sobre o jornalismo, que discute também a Democracia, a manipulação de informações e o modo como o sistema neoliberal deturpa os valores do jornalismo. Como o texto de Dioclécio Luz é muito grande, vou colocar apenas os tópicos principais e o link para que vocês possam ler na íntegra na página da Novae.

O texto trata dos seguintes assuntos, dentre outros:
- O fim do jornalismo
- A submissão dos grandes jornais ao sistema ou aos EUA ("o jornalismo se escondeu atrás de uma máscara de imparcialidade para retransmitir a mentira oficial").
- Sobre como a Globo manipulou informações durante a invasão do Iraque (leia isso, TT)
- Sobre outras falsas informações passadas pela grande imprensa durante a invasão no Iraque (e como muitas cena sreais foram omitidas)
- Sobre a submissão do jornalismo ao Sistema, que faz com que ele se enquadre num modelo definido e pouco profissional, imposto por poucas famílias
- Sobre a inexistência de imparcialidade e a existência de manipulação de informações na mídia
- Os jornais/revistas que pregam isenção (e a hipocrisia de VEJA e Folha de SP)
- O que deve ser feito para resgatar os valores do jornalismo


Eu sei, faço jornalismo, sou apaixonada pela profissão e tudo o que tem a ver com o assunto me desperta um grande interesse. Mas acho que essa discussão é importante em toda a sociedade - e é por isso que coloco as idéias aqui no blog. O fatod e o jornalismo estar ou não submetido ao sistema tem enorme relação com o processo democrático do mundo. Com a ética. Com as dependências entre os países. Com escravidão ideológica. Para lerem o artigo direitinho e com atenção (recomendo!), cliquem na figura abaixo:



E boa reflexão!


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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E o plano de Paz entre palestinos e israelenses? Tenho evitado comentar sobre o assunto porque acho que esse conflito no Oriente Médio ainda tarda a terminar. Principalmente tendo em vista que Bush é o principal articulador dos planos e SSharon continua no poder. É difícil imaginar Israel cedendo - e conseqüentemente difícil imaginar os ataques terroristas dos palestinos tendo um fim. Para cada ataque palestino, há uma resposta israelense. Como esperar que esse problema se resolva de uma maneira pacífica? Colocarei abaixo as opiniões de dois analistas - um judeu e um palestino -, publicadas na Folha de ontem. Não há muito o que discordar das duas, porque são um pouco óbvias. Mas vai lá:



A visão palestina...


Folha - Qual sua opinião sobre o começo do novo plano de paz?
Edward Abington -
Acho que o que aconteceu é o que já vimos no passado, quando havia uma possibilidade de deixar a violência de lado para algum tipo de negociação: extremistas trouxeram de volta a violência. A tentativa de Israel de assassinar o líder do Hamas ontem certamente criou uma situação muito instável. Temo que as bombas que aconteceram hoje [ontem], infelizmente, eram muito previsíveis.

Folha - O sr. acha que Abu Mazen pode acabar tendo o mesmo destino de Iasser Arafat?
Abington -
O problema é que Abu Mazen está numa situação muito frágil. Para ter sucesso, ele precisa da cooperação de Israel e de um apoio muito forte dos EUA. Acho que ele tem o apoio americano, mas está ficando sem a cooperação israelense. Se ele falhar, a situação vai descambar para o caos total.

Folha - E Sharon, o sr. acha que ele pode falhar em conter a pressão de grupos extremistas?
Abington -
Há gente no governo Sharon, e incluiria Sharon entre eles, que pensam que a violência contra os palestinos é a única maneira de resolver os problemas. Sharon aprovou a tentativa de assassinato ontem.
É difícil acreditar que ele não entenda o quanto isso poderia prejudicar o primeiro-ministro [palestino]. Acho que o atual governo de Israel, nos últimos dois anos, tem sido muito duro nas negociações com os militantes palestinos. Mas não creio que se vá resolver esse problema com força militar. Não acredito que a política israelense tenha funcionado. Tudo o que ela fez foi perpetuar a violência. Há uma política contraditória sendo seguida. Por um lado, Sharon aceita o plano de paz. Por outro, toma essas atitudes recentes."



... e a visão israelense...

Folha - Qual sua opinião sobre o começo do plano de paz?
Zeev Schiff -
O plano começou bem, com belas declarações. Mas, como de hábito, as ações falharam. Tende-se a esquecer que, mesmo depois de Oslo, na época de Rabin e Peres, do Partido Trabalhista, nós tivemos cenas de terror do Hamas incluindo ataques suicidas matando civis. Mas, naquela época, ao menos tínhamos alguma cooperação entre as organizações palestinas de segurança e Israel de maneira a lidar com os terroristas.
Agora, apesar de todas essas lições, nós estamos testemunhando algo que se repete. Estamos enfrentando a mesma situação. Não sei aonde ela vai nos levar. O terror respondeu imediatamente após a ação israelense. Uma revanche leva a outra revanche, não há fim para isso. Temo que isso levante grande dúvida sobre o futuro do plano.

Folha - O sr. acha que Abu Mazen possa acabar tendo o mesmo destino que Iasser Arafat?
Schiff -
Não. Quando Arafat liderava, ninguém atrapalhava o líder. Abu Mazen tem Arafat, e Arafat não está contente com a situação, porque ele foi excluído. Ele quer mostrar que Abu Mazen não pode fazer o que ele falhou em fazer. Por que permitir que Abu Mazen faça? Abu Mazen tem um problema. Seu maior problema não é na verdade o Hamas.

Folha - Sharon pode falhar em conter a pressão de extremistas?
Schiff -
Seus maiores problemas são os colonos e a extrema direita. Ele só pode lidar com isso seguindo em frente e integrando o Partido Trabalhista. A diferença entre os colonos e o Hamas é que os colonos não estão matando. É uma diferença gigantesca. Sem cooperação dos palestinos e dos Estados árabes, será um fracasso."


Charge do Willy para essa sexta-feira 13. Da Tribuna da Imprensa de hoje.


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Pela primeira vez, desde que começamos com o FMB no dia 20 de março, deixamos de atualizar o blog em um dia (11/06). A Maria Tereza anda meio ocupada e meu computador teve que ser reinstalado (pegou um vírus). Pedimos desculpas aos leitores diários (nossos favoritos!) e vamos tentar compensar o tempo perdido com boas matérias. Aproveito para desejar um feliz Dia dos Namorados (atrasado) para os comprometidos que passarem por aqui! Sei que a data é bem comercial, mas o que vale é o clima que fica no ar - como no Natal e nos outros feriados. Aos que estão namorando há muito tempo, lembrem-se de que hoje é dia do santo casamenteiro...

Quero dar continuidade àquela campanha contra o cigarro com uma matéria sobre as drogas. 40% dos alunos da USP já usaram alguma droga ilícita. Muito diferente do resto do país? Duvido. A matéria foi tirada do Jornal da Tarde de ontem:


"Na USP, o crescente uso de drogas

Entre 38% e 40% dos alunos da Universidade de São Paulo (USP) - o equivalente a quase 20 mil jovens - já experimentaram algum tipo de droga ilícita na vida. Mas cerca de 70% deles tiveram seu primeiro contato com um cigarro de maconha ou com um comprimido de ecstasy durante o ensino básico.

O álcool é disparado a droga mais consumida pelos universitários.

Estas são algumas das informações e projeções encontradas em uma pesquisa divulgada ontem sobre uso de drogas, lícitas e ilícitas, entre os estudantes da maior e universidade do País.

Entre as drogas proibidas, a maconha lidera a preferência dos alunos da USP.

Nada menos que 35,3% dos entrevistados disseram que já a usaram pelo menos uma vez. Quando perguntados se haviam fumado um cigarro de maconha nos últimos 30 dias - o que os pesquisadores classificam como uso freqüente - 16,91% disseram sim. No mesmo período, 70,04% dos entrevistados consumiram álcool e 20,16%, tabaco.

A pesquisa, do psicólogo Vladimir de Andrade Stempliuk, doutorando em Ciências pelo Departamento de Fisiopatologia Experimental da Faculdade de Medicina da USP, ouviu 2.837 alunos da graduação em 2001.

Em comparação com dados de 1996, houve um aumento no consumo de maconha, inalantes (como lança-perfume e éter) e anfetaminas (como o ecstasy).

Apesar de o primeiro contato se dar ainda na escola, Stempliuk diz que na faixa etária dos universitários há uma tendência de aumento no consumo de drogas. 'Os estudantes encontram uma cultura diferente da do 2º grau passam a ter mais liberdade, mais dinheiro e ficam mais afastados da família.'

'Comecei uns quatro anos antes de entrar na USP', diz um aluno do Curso de Letras, que confessa nunca ter pensado em abandonar a droga. 'Fumo aqui porque é cômodo, só tem de ter discrição e bom senso, não vou ficar fumando nos corredores do prédio.'

Bebidas na Unicamp
O prefeito da Cidade Universitária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Carlos Alberto Bandeira Guimarães, proibiu a venda de bebidas alcoólicas no campus.* O anúncio ocorreu anteontem, exatamente uma semana depois da morte do estudante Daniel Rangel Pereira, de 22 anos, baleado num assalto no fim de uma festa promovida no Observatório a Olho Nu da Unicamp.

A universidade de Campinas negou que haja relação entre os fatos e afirmou que a decisão do prefeito é irrevogável. A alegação de Guimarães é de que a regra existe desde 1993, mas ainda não havia sido efetivada.

Apesar da proibição, o consumo de bebidas ainda não acabou. O coordenador de Movimentos Externos do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unicamp, Ronald Alexandre Giraldeli, disse que os alunos compram latas de cerveja fora da universidade para bebê-las no campus.

Giraldeli disse que a medida vai estimular o surgimento de um 'mercado paralelo' ao redor do campus para venda de bebidas."
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*As bebidas alcóolicas já são proibidas no campus da UFMG



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quinta-feira, Junho 12, 2003


12 de Junho - Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil



A Organização Internacional do Trabalho (OIT) instituiu, em 2002, dia 12 de junho como Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil. Este ano, as nações vão se mobilizar em função de um problema que atinge milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo. A situação no Brasil não é diferente. Dados da última Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios 2001 (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da OIT, revelam que 2,2 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 14 anos trabalham no Brasil. Na faixa de 5 a 17 anos, o número chega a 5,5 milhões, com mais de um milhão de crianças fora da escola e 49% sem qualquer remuneração. A pesquisa mostrou ainda que chega a 245 milhões o número de crianças e adolescentes que trabalham no mundo. Desse total, mais de 59 milhões têm entre cinco e 14 anos.

O Dia Mundial contra o Trabalho Infantil visa à promoção da vontade política e do compromisso dos governantes e de toda a sociedade para a erradicação desse grave problema até junho de 2004. Desde a ratificação das convenções 182 - sobre as piores formas de trabalho infantil - e 138 - sobre a idade mínima para o trabalho- , a OIT vem promovendo discussões em todo o mundo para alertar sobre o problema.


Comissão Tripartite

Na tentativa de combater o problema, foi instituída, em 2000, a Comissão Tripartite, composta pelo Governo Federal, representantes de empregadores e trabalhadores e Ministério Público. A Comissão elaborou uma lista com os tipos de trabalho exercidos no Brasil que são considerados como piores formas. Entre eles destacam-se o trabalho infantil doméstico, o envolvimento com o comércio de drogas e entorpecentes e a exploração sexual comercial.

Frente Parlamentar

Outra iniciativa do governo é a Frente Parlamentar de Defesa da Infância, coordenada pela senadora Patrícia Saboya Gomes (PPS-CE) e pelas deputadas Maria do Rosário (PT-RS) e Telma de Souza (PT-SP). Uma das principais lutas da Frente é pelo aprimoramento dos programas de combate ao trabalho infantil, tais como o Peti e a Bolsa-Escola, e pela adoção de estratégias de incentivo ao Primeiro Emprego, voltadas para jovens entre 16 e 24 anos.

O que você pode apurar na sua região::::::

Ainda existem no Brasil diversas formas de exploração do trabalho. Nas grandes cidades, crianças costumam trabalhar nos lixões ou nas ruas vendendo doces e balas, engraxando sapatos e, o mais grave, sendo exploradas sexualmente. Na zona rural, é comum o trabalho delas em carvoarias, plantações de cana e tomates e olarias.

O que fazer?

Procure identificar quais tipos de trabalho são exercidos por crianças e adolescentes em sua região, saber quais são as políticas públicas adotadas para evitar a exploração da mão-de-obra infantil e se existem ações articuladas com a sociedade civil. Como sugestões de fontes, procure as delegacias regionais de trabalho, as delegacias de proteção à criança e ao adolescente e o Ministério Público de sua região para conhecer as iniciativas voltadas à erradicação do trabalho infantil.



Fonte::: Agência de notícias dos direitos da criança

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Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Olhem que gracinha...!


Henrique, do Tribuna da Imprensa (RJ)


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Terça-feira, Junho 10, 2003



Dentre as formas de governo conhecidas, a Democracia ainda é a melhor delas. Mas isso não significa que a "democracia" que vemos na prática é a mesma da teoria, ou que ela seja perfeita, e que não mereça críticas e questionamentos. O grande problema dos governos ditos "democráticos" é que seu povo se acomoda a seu modelo e não questiona novas possibilidades. Cria-se uma ilusão de que tudo vai muito bem, obrigada. Mas não é bem assim. Aqui neste blog já cansei de discutir a ilusão que é a democracia estadunidense - e mesmo a brasileira -, por exemplo. Os EUA possuem dois partidões praticamente idênticos, controlando toda a política; não há discussões ideológicas na sociedade, mesmo porque a mídia é bastante conservadora e atrelada ao governo; a política externa é incoerente com a proposta de política interna democrática, já que o país sempre se manteve ao lado de governos ditatoriais ou reacionários que seguiram à risca seus interesses; há um rígido controle de censura-disfarçada e até mesmo a Internet é monitorada pela CIA; as escolas ensinam um nacionalismo acrítico que prejudica discussões sobre as decisões do governo; as eleições são indiretas e, mesmo assim, sujeitas a todo tipo de fraudes... Mas alguém discute a "democracia"? Não. Mesmo que, como mostra a seguinte matéria, da Folha, as pessoas não estejam mais tão iludidas com essa forma de governo:

Brasil lidera crítica à democracia na AL
Clóvis Rossi


O Brasil é, entre 17 países da América Latina, aquele em que o apoio à democracia se mostra mais débil: apenas 37% dos pesquisados dizem que 'a democracia é preferível a qualquer outra forma de governo'.
O dado surge na pesquisa 'Latinobarómetro' de 2003, um levantamento conduzido desde 1995 por uma instituição chilena com o mesmo nome, financiada por organismos internacionais como o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento).
O apoio à democracia no Brasil vem caindo sistematicamente desde 1998, o ano da reeleição de Fernando Henrique Cardoso e da crise que conduziu à desvalorização do real, no ano seguinte.
Até então, eram 48% os brasileiros que preferiam a democracia a qualquer outro modelo. Caíram para 39% em 2000, para 30% em 2001 e, embora subam agora para 37%, ficam atrás de qualquer outro país, conforme o registro feito pela agência France Presse.
No levantamento anterior, era El Salvador o país em que aparecia o menor suporte à democracia.
O mais próximo, na debilidade do apoio à democracia, são os colombianos (39%), o que é mais fácil de entender: a Colômbia está em guerra há 40 anos, o que abala inevitavelmente a vigência das regras democráticas.
No geral da América Latina, 56% dizem que a democracia é o melhor dos regimes.
Mas o apoio teórico à democracia coincide com a insatisfação crônica com a maneira pela qual ela está sendo conduzida na prática.
Sessenta por cento dos pesquisados se dizem 'nada satisfeitos' ou 'só um pouco satisfeitos' com o funcionamento da democracia.
(...) Os países em que há maior número de democratas insatisfeitos são Argentina, México e Peru. (...)
A insatisfação com certeza deriva do fator apontado pela chanceler chilena: alto grau de exclusão social, que castiga todos os países latino-americanos, sofram ou não de instabilidade causada pela volatilidade de capitais financeiros.
A pesquisa é considerada representativa do sentimento dos 480 milhões de latino-americanos, do Rio Grande, na fronteira mexicana, a Punta Arenas, no extremo sul do Chile e do subcontinente."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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No sábado postei matéria da Folha sobre criação do "G3", grupo diplomático formado por Brasil, África do Sul e Índia. Completo o assunto com artigo de Emir Sader, publicado ontem na Agência Carta Maior:

"Nova geopolítica
Diz-se que quando os homens toleram que as mulheres invadam uma profissão, seria porque esta perdeu importância. O mesmo acontece com os ramos da economia: quando o centro transfere um setor para a periferia do capitalismo, é porque tecnologicamente deixou de ser de ponta. Quando os ricos aceitam pobres nas suas reuniões, é porque não vão decidir nada de importante nelas. Foi assim na reunião do G-8 em Evian. À falta de uma pauta importante a discutir e decidir, depois que a nova doutrina estratégica dos Estados Unidos exclui qualquer forma de multilateralismo no mundo, os governantes dos países centrais do capitalismo resolveram convidar a governantes de países da periferia para sua festa esvaziada.

O presidente dos EUA esteve lá durante 24 horas, um tempo menor ao que levou viajando no seu avião presidencial até o Oriente Médio e retornando aos EUA, só para dizer que foi. Não é de se estranhar, portanto, que nem sequer referência às propostas de Lula seja feita no documento final, que ainda guarda certo ar protocolar e não reserva lugar para 'bravatas', como a taxação da indústria bélica - da qual os grandes patrões estavam todos presentes - para fins de políticas sociais.

Mas, apesar disso tudo, a geografia política do mundo vai mudando. À unipolaridade norte-americana, governos da semiperiferia do sistema - na ausência de respostas consistentes por parte de governos do centro - se articulam para organizar e dar expressão política ao Sul do mundo, excluído dos três megamercados mundiais.

A reunião dos primeiros mandatários de Brasil, África do Sul e Índia é a notícia mais importante na nova configuração política mundial desde o fim da multipolaridade. Porque ela pode representar a expressão dos 85% da população mundial, situada na periferia do sistema, que divide pessimamente 15% da renda mundial, e assim começar a reverter um desequilíbrio de poder no mundo a favor da grande maioria da humanidade.

Da mesma forma, a reunião do Mercosul em Assunção aponta na mesma direção. Resolvida positivamente a eleição na Argentina, estão dadas as condições para a retomada, o fortalecimento e a expansão do Mercosul, conforme as propostas do governo brasileiro, colocando-o efetivamente no lugar privilegiado em relação à Alca.

A reunião da OMC em Cancún, em setembro deste ano, por sua vez, está esvaziada, pelo clima geral mundial - bélico e recessivo -, revelando como os tempos de crise não são propícios para avançar no livre-comércio. Resta aos países do Sul organizar seus espaços protegidos e integrados para enfrentar uma recessão prolongada e profunda do capitalismo mundial e a 'guerra infinita' do governo Bush.

O mundo já é outro, ao final da primeira década de unilateralismo. A superioridade militar dos EUA não é suficiente para impor sua hegemonia sobre um sistema mundial diversificado e ferido por políticas liberais e de guerra, que abrem um espaço para lideranças alternativas na construção de um mundo multipolar."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Segunda-feira, Junho 09, 2003


Fritz Utzeri e seu incorrigível pessimismo:

"'I don't ispique inglish' (JB)

Hoje é dia de morder a língua. Enganei-me ao acreditar e defender publicamente que Luiz Inácio da Silva estivesse preparado para o poder. Preparado está. Está adorando ser presidente, achando-se um superstar, agarrado por onde passa, popularidade em alta, dando autógrafos e distribuindo platitudes e acacianismos do tipo: 'antes de colher é preciso plantar'. Em discurso na CUT fez defesa pública da ignorância ao afirmar que não precisava falar inglês para ser respeitado.

De fato, em reuniões internacionais, durante os discursos solenes, o presidente da República deve falar português, evitando a exibição, jeca e submissa, de falar inglês ou francês mais ou menos, como fazia FHC. O problema está nos intervalos. Aí é constrangedor ver o presidente, como em Evian, na França, cercado de itamaratecas para esconder o fato de que, no momento da informalidade, Luiz Inácio não poderia conversar com ninguém, nem entender o que estava a ser conversado.

Luiz Inácio está se achando um sábio e, como boa parte dos presidentes brasileiros, adora os holofotes da mídia internacional, as viagens e os salamaleques miúdos com que é recebido lá fora. Faz propostas ingênuas, jogando para o público interno, como a taxação do comércio internacional de armas para ajudar os Fome Zero do mundo. Recebe acolhida condescendente dos grandes, que lhe dizem mais ou menos isto: 'Ok quanto a taxar revólveres e fuzis, mas tanques, aviões, mísseis e bombas não pode!'. Durante oito anos vimos um presidente que ficava mais tempo lá fora do que aqui e pelo jeito a coisa vai continuar.

Escrevo a um velho amigo brasileiro que mora na Itália, Giulio Sanmartini. Falo da minha desesperança com o andar da carruagem e ele responde, tirando-me as palavras da boca. Faço minhas as observações dele: 'Entendo perfeitamente seu desencanto com a nova administração brasileira. As mudanças prometidas, em que a maior parte dos eleitores acreditou, a cada dia se parecem mais com 'bravatas' de campanha. Dois tipos de pessoas tentam o poder, uns para poder servir a comunidade que os escolheu, promovendo melhoras na qualidade de vida através de realizações perenes que os levarão a fazer parte da História; outros tão-somente pelas benesses e privilégios que o poder lhes pode propiciar. O atual presidente brasileiro a cada dia mais se aproxima desse segundo grupo. Pratica o que ele realmente gosta, discursos, viagens, cafés da manhã, almoços, jantares, churrascos, peladas, e tudo fica como antes.

Os seus 'companheiros' de governo não se entendem, tudo parece letra de samba, as brigas entre senadores, deputados e ministros do PT lembram uma de Martinho da Vila: 'na minha casa ninguém liga pra intriga/todo mundo xinga, todo mundo briga'. A relação presidente-vice-presidente lembra outra de Adoniran Barbosa: 'Pafuncia, que pena que nossa amizade virou bagunça'.

O presidente pede aos seus ministros 'mais ação e menos discursos', vejam só quem fala?, Lula, nos cinco primeiros meses de governo, em média, fez um discurso a cada dois dias. Está entrando no perigoso caminho do culto à sua pessoa, tal qual Mussolini, Hitler, Stalin, não está longe o dia em que, falando de si próprio, o fará na terceira pessoa. Descobriu um novo brinquedo, as metáforas, que tanto agradam a seus ouvintes e à mídia, mas metáforas sem realizações são, como se diz no sertão brasileiro, conversa mole para menino dormir com fome.

Nós pertencemos a uma geração que viu a queda do getulismo, que viveu duas décadas de regime militar, que teve que aturar um Sarney, um Collor e um Itamar, mas o Brasil continuará a ser nosso futuro, pois é aí que temos nossos descendentes, temos que continuar a acreditar nele, este é um país de gente honesta, de uma grande massa popular que paga suas dívidas em dia, que paga impostos pela alimentação antes de comê-la, que acorda de madrugada para ir ao trabalho e volta noite alta para um pequeno repouso. Os quase 600 deputados e senadores não são nada, dependem do voto, e o brasileiro, apesar de eleger bandidos, corruptos, ladrões, assassinos, também elege gente de bem e um dia aprenderá a separar esses últimos dos primeiros, que são realmente uma escória humana.'"

Eu me esforço para gostar do (meu) governo Lula. Mas fica cada diz mais difícil...

Charge de Mário Vale no Hoje em Dia:



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Vamos dar a devida importância às crises na África, quase sempre ignoradas pelos grandes jornais:

"Trégua em Ruanda
- Augusto Nunes


Com a ligeireza habitual, em notas encurtadas pelo tédio, parte da imprensa brasileira registrou, no dia 28 de maio, o referendo que aprovou a nova Constituição de Ruanda, um dos grotões da África profunda. O texto estabelece que nenhum partido poderá ter mais de 50% das vagas no parlamento. Nem poderão pertencer à mesma legenda política o presidente, o vice-presidente e o chefe do Poder Legislativo.

Caridosamente, alguns redatores comunicaram que a passagem do bastão presidencial por meio de eleições, convocadas para agosto, atendia à cláusula mais relevante do acordo de paz assinado no ocaso do século. Segundo tal item, tutsis e hutus, em guerra desde o dia da criação, passariam a alternar-se no poder.

A nova constituição foi aprovada por 93% dos votos, num referendo que mobilizou 87% dos ruandeses. Se o Brasil não fosse surdo às vozes da África, a imprensa teria anunciado o fato com pompas e fitas, em espaços sensivelmente ampliados. Milagres genuínos merecem.

Pouco antes do referendo, a paz entre as duas etnias parecia condenada a arder na fogueira dos ódios ancestrais. Um governo compartilhado pode existir em democracias ultradesenvolvidas do Primeiro Mundo. Como implantar a fórmula em Ruanda? Naqueles confins dilacerados, a alternância no poder, ou qualquer tipo de partilha sem barulhos, afigurava-se tão improvável quanto um jantar à luz de velas, com violinos ao fundo, entre George Bush e Osama Bin Laden. E no entanto o acerto vai tomando forma sem sobressaltos visíveis.

Se a paz vingar por lá, valerá manchete. Será uma esplêndida notícia, sobretudo porque originária do mais infeliz dos continentes, e de paragens cobertas de sangue. Ao longo dos tempos, antagonismos étnicos seculares vêm semeando pela África massacres e matanças extraordinariamente brutais. Mas tutsis e hutus se mostraram insuperáveis nesse campeonato da selvageria. Metidos numa guerra que parecia interminável, cruzaram todas as fronteiras do horror.

A abjeção sem limites emerge nos primeiros capítulos 'Os órfãos de Ruanda', de Elmore Leonard, recentemente lançado no Brasil. Autor de bons romances policiais, Leonard costuma escrever sobre lugares que conhece. Depois de reunir informações sobre aquele país africano, nem precisou recorrer aos dotes de ficcionista para produzir os capítulos mais perturbadores do livro. Descrevem o extermínio de centenas de tutsis, acuados numa igreja reduzida a matadouro. O episódio, real, registrou-se em 1997.

Leonard conta que tutsis e hutus se identificavam facilmente pelo biotipo inconfundível. Os tutsis são magros e altos. Os hutus, baixos e atarracados. Aborrecidos com a diferença de centimetragem, os hutus aprenderam a eliminá-la com facões longos e muito afiados. Os tutsis alcançados na igreja tiveram as pernas amputadas, com apavorante precisão, logo acima dos tornozelos. Dezenas ainda viviam quando foram reduzidos à estatura dos assassinos.

Também os tutsis promoveram massacres de dimensões inverossímeis, também eles esbanjaram crueldade, também abrigaram homicidas patológicos. Só em 1994, em três meses, rebeldes tutsis trucidaram 800 mil hutus e tutsis moderados, num dos mais sangrentos genocídios do século. Esses dois bandos supostamente irreconciliáveis podem ter encontrado o caminho que conduz ao convívio dos contrários.

Em Ruanda se travou, décadas a fio, outra guerra esquecida. Que ao menos seja noticiado o advento da paz."

(Jornal do Brasil)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Charge da Folha e matéria do Jornal do Brasil:



"Britânicos admitem falhas sobre Iraque

LONDRES E LOS ANGELES - O governo britânico escreveu para os serviços de segurança e inteligência a fim de reconhecer as falhas no segundo dossiê produzido sobre as armas do Iraque.

Alastair Campbell, diretor de Comunicações do primeiro-ministro Tony Blair, desculpou-se e disse que o relatório não teve a 'exatidão necessária em trabalhos deste porte'. O jornal The Observer informou que o próprio Blair deve reconhecer os erros caso uma comissão parlamentar levante as questões.

Esse segundo dossiê, apresentado em fevereiro, foi amplamente criticado quando emergiu a informação de que parte dele tinha sido copiada de uma tese de doutorado de um estudante americano e que muitas das informações poderiam ter tido origem em fontes inseguras da internet.

O primeiro documento que explicava a necessidade de uma guerra no Iraque, publicado em setembro passado, está sendo investigado por parlamentares.

Nos Estados Unidos, uma reportagem publicada pelo jornal Los Angeles Times indica que o regime de Saddam Hussein mantinha uma rede de pequenos laboratórios de pesquisa sobre armas químicas e biológicas, mas que não tinha armas.

Segundo um ex-general iraquiano, que pediu anonimato, apesar de não ter tais armas, o governo de Bagdá estava numa situação propícia para desenvolvê-las.

Para o iraquiano, o objetivo dos laboratórios era mesmo reconstruir um programa de armas proibidas pela ONU. O general ainda disse que alguns desertores entrevistados pelos EUA são agentes duplos do Iraque."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Domingo, Junho 08, 2003


VEJA abre o jogo:




Reparem no "desce" atribuído a Aloízio Mercadante. Querem mais motivos para eu ter raiva dessa revista?

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Por que o "doutor" Enéas ganhou as eleições com tantos votos? Questão de imagem. Ele é uma figura "exótica", que já aparece no cenário político nacional há um tempão, vendendo propostas absurdas e divertindo os entediantes horários eleitorais ao lado de sujeitos "sérios" como Collor, FH e Lula. Careca, óculos fundo-de-garrafa, barba pretíssima, voz grossa e o eterno bordão "Meu nome é Enéas!!". Além disso, em vez de prometer projetos para educação, saúde ou geração de empregos, ele prometia o curioso incentivo à bomba atômica nacional. De motivo para piada, tornou-se o deputado federal mais votado da história do país. Qual o motivo para isso? Os eleitores tinham conhecimento dos projetos de Enéas? E das ideologias do Prona? Meu palpite é de que ele ganhou única e exclusivamente por causa de sua imagem apelativa.
E meu palpite é certo. Quando ele foi eleito (e ainda teve toda aquela polêmica com compra de legenda e tudo mais), resolvi visitar um Fórum cuja pergunta era "O que você acha de Enéas?" (ou alguma coisa assim). Quase 90% das respostas que eu vi diziam: "Ele é um comunista radical". Como explicar para esse povo que ele é, na verdade, de direita - e, sim, muito radical? Aquelas longas barbas pretas dizem muito mais que as palavras reacionárias do político...
Agora ele já está lá, no Congresso. Não faz nada, não apresenta nenhum projeto, assume postura de "observador", bastante crítico às "imundícies" propostas pelo governo Lula. Seus eleitores estão decepcionados? Imagino que desconheçam demais, para poderem cobrar qualquer coisa. É por essas e outras coisas (que me deixam com muita raiva), que acho importante a publicação das notícias em todos os canais de comunicação, em especial na internet. Para que o povo vote consciente, e não comprado por uma imagem. Para que os que votaram critiquem. A informação é a maior (e única?) arma contra a ignorância.
Atendendo à sugestão do nosso leitor Guto, dono do blog queropaz, coloco aqui uma matéria da Reuters sobre a "eficiência" desse político. Com um comentário: eu, pessoalmente, prefiro vê-lo quietinho, apenas observando, do que vê-lo propondo suas loucuras fascistóides...




Deputado Enéas não tem projeto, pouco fala e só observa

BRASILIA (Reuters) - Passados mais de quatro meses desde o início dos trabalhos no Congresso, o deputado federal mais votado da história do país, Enéas Carneiro (Prona-SP), não apresentou nenhum projeto, fez apenas dois discursos na tribuna e não se considera obrigado a fazer nada além de 'observar'.

'Se me perguntarem o que é que eu faço, eu digo que sou um observador. Onde é que está escrito que eu tenho que apresentar projeto? Eu apresentarei algum quando julgar conveniente', disse o deputado à
Reuters em entrevista concedida em seu gabinete no Congresso.

Sempre sentado bem ao fundo do plenário da Câmara, o doutor Enéas, como gosta de ser chamado, diz 'acompanhar a maneira como o Legislativo aprova tudo que o Executivo manda'. Ele prefere ficar quieto e criticar à distância as reformas do governo, às quais chama de 'imundície'.

'Meu único projeto é um projeto nacional, a ruptura com o sistema internacional, a declaração de independência econômica', afirma, com a voz exaltada, escancarando os olhos por trás das enormes armações de óculos. Mas admite que, no Congresso, não conseguirá viabilizar suas idéias. 'Aqui dentro
não dá'.

Em outubro do ano passado, logo depois de ter arrebanhado históricos 1,57 milhão de votos no Estado de São Paulo, Enéas disse à Reuters que sua voz ficaria muito mais 'tonitruante' do que já era, agora que ele teria um microfone à disposição na Câmara. Suas atividades parlamentares, no entanto, vêm provando que o deputado é antes um ouvinte do que um falante.

'Só me pronunciei quando a indignação chegou ao clímax', desabafou. Em março, Enéas enviou uma mensagem bordada com seu intrincado vocabulário ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual defendeu que o período da guerra no Iraque era 'ideal' para a ruptura com sistema internacional,
'porque os Estados Unidos não poderiam atacar dois países ao mesmo tempo'. Dono de um peculiar bom humor, Enéas critica a 'falta de coragem' de Lula e ainda defende a construção 'pacífica' da bomba atômica no país. A imprensa, que ele considera 'suja e vendida', também não escapa das críticas.

Enéas diz não se importar com o que as pessoas falam sobre ele e adora dar autógrafos por onde passa. 'Os meus eleitores não querem saber o que está escrito nas páginas dos jornais. Eu me comunico com eles pela televisão', disse. O Partido da Reedificação da Ordem Nacional (Prona),
no entanto, não exibiu programas políticos desde o início da legislatura e não tem nenhum marcado na agenda.

Quando não está em Brasília, o médico Enéas divide o tempo entre São Paulo e Rio de Janeiro, onde dá aulas de cardiologia a platéias de até 500 alunos. Nos fins de semana, gosta de ler e conversar com a filha caçula que cursa medicina. Aos 64 anos, Enéas confessa estar cansado da maratona.(...)"

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Sábado, Junho 07, 2003


::::::::Nada a declarar::::::::



PEGOS NA MENTIRA


Vão-se avolumando os indícios de que os governos dos Estados Unidos e do Reino Unido faltaram com a verdade e pressionaram funcionários de seus serviços secretos para que fabricassem provas contra o Iraque, a fim de justificar a guerra que depôs Saddam Hussein. A cada dia que passa surge um novo testemunho ou documento a indicar que Washington e Londres agiram com o que os juristas chamam de "intenção dolosa".
Oficialmente, os dois governos ainda insistem que as chamadas armas de destruição em massa serão encontradas, mas fica cada vez mais claro que a maior parte dos dados levantados contra o Iraque às vésperas da guerra foi forjada para convencer a opinião pública interna e externa da "necessidade" de intervir.
Numa rara inconfidência, Paul Wolfowitz, subsecretário de Defesa dos EUA e um dos principais formuladores da nova política externa norte-americana, admitiu que as armas não passaram de um pretexto. O argumento foi usado por "razões burocráticas", para utilizar as palavras do ideólogo neoconservador. "Chegamos à conclusão de que as armas de destruição em massa eram o único ponto com o qual todos concordariam", emendou Wolfowitz.
A pressão para esclarecer o caso é especialmente intensa no Reino Unido, onde o premiê Tony Blair já enfrenta duas CPIs. Nos EUA, o presidente George W. Bush, segue sem grandes questionamentos.
Ninguém é ingênuo a ponto de acreditar que grandes potências só iniciam guerras observando rigorosamente o "due process of law", o devido processo legal, mas é sempre chocante constatar o impudor e a desfaçatez com que Bush e Blair tentaram manipular governos aliados e a opinião pública mundial.
E é claro que a prepotência demonstrada por Washington no caso iraquiano está entre os ingredientes que vão tornando, em paragens cada vez mais extensas do planeta, os EUA uma nação tão malvista.

Editorial da folha de hoje


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Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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A entrevista seguinte, com um historiador iraniano, vale muito a pena. Publicada na Folha de hoje.

"Folha - O sr. acredita que o Irã tenha vínculos com a Al Qaeda?
Fakhreddin Azimi -
Eu não posso ver nenhuma boa razão para o governo iraniano abrigar ou apoiar membros da Al Qaeda. Ao contrário, o governo teria muito a perder com essa ligação. A Al Qaeda é predominantemente sunita. Muitos de seus membros são da Arábia Saudita, e eles são muito próximos ao wahabbi, uma interpretação do islã que se contrapõe ao xiismo iraniano. E deve ser lembrado que, quando a Al Qaeda estava associada ao regime do Taleban, no Afeganistão, havia muita hostilidade contra o governo iraniano. Um dos primeiros atos do Taleban [milícia extremista que governava a maioria do Afeganistão até ser expulsa pelos EUA em 2001] foi executar vários diplomatas iranianos. Sob a perspectiva histórica, não há nenhuma razão para acreditar que haja afinidades religiosas ou políticas.
A fronteira do Irã com o Afeganistão é muito extensa e difícil de controlar. Alguns membros da Al Qaeda podem ter entrado no Irã por causa disso, mas o mesmo acontece com o Paquistão, só que ninguém está acusando o governo paquistanês de proteger a Al Qaeda. O Irã tem tentado reduzir as tensões com o EUA, por isso eu também acredito que o país não tenha armas nucleares.

Folha - O Irã está ladeado por dois países ocupados por tropas lideradas pelos EUA. Como isso tem afetado o dia-a-dia do país?
Azimi -
O país está obviamente sob uma pressão tremenda, que tem gerado muito debate. Um dos aspectos interessantes do Irã é que há uma dinâmica democrática no país. É uma sociedade bastante diferente das outras situadas no Oriente Médio. O país atravessou duas grandes revoluções no século 20, foi o primeiro país islâmico a passar por uma revolução constitucional [em 1921]. Mas o debate democrático pode ser abortado por causa dessa pressão. Os oponentes da democracia podem associar o movimento democrático com a pressão estrangeira e assim deslegitimizá-lo.

Folha - O sr. está sugerindo que a pressão americana pode fortalecer o conservadorismo no Irã?
Azimi -
Essa pressão pode não beneficiar os moderados. Pode ser contraprodutivo, abre a possibilidade de as forças de direita se projetarem como guardiões dos valores iranianos e ao mesmo tempo associarem seus oponentes com desejos de dominação estrangeira no Irã. Provavelmente, a melhor coisa para o processo democrático seria a não interferência externa. Qualquer transformação no país terá vir de dentro. A política americana pode resultar no oposto do que os EUA imaginam que venha a acontecer.

Folha - Os EUA têm acusado o Irã de influenciar a política interna do Iraque por meio da população xiita iraquiana. Qual é a ligação entre o governo iraniano e os xiitas do país vizinho?
Azimi -
Os EUA realmente precisam da boa vontade do Irã se quiserem ter êxito em criar um governo viável no Iraque, já que 60% da população iraquiana é xiita, e o Irã tem uma influência considerável sobre eles. Mas não se pode generalizar sobre a população xiita iraquiana. Há uma variedade: seculares, tribais, rurais, há clérigos xiitas que não estão interessados em política e outros que estão. Sem dúvida, há afinidades sentimentais e culturais, além das religiosas, entre os xiitas dos dois países. E certamente segmentos do establishment iraniano têm ligações com clérigos no Iraque."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Definitivamente a política externa do governo atual está me agradando bastante. Agora resolveram criar o "G3", grupo diplomático do Brasil com África do Sul e Índia, com a finalidade de dar força aos países "em desenvolvimento" na hora de negociar com os países ricos da UE e com os EUA. Vejam matéria da Folha de hoje:

"Brasil, Índia e África do Sul criam 'G3' de países em desenvolvimento
André Soliani


Brasil, Índia e África do Sul anunciaram ontem a criação de um grupo, espécie de 'G8 dos pobres', que reunirá os três para aumentar o poder de barganha dos países em desenvolvimento nos fóruns internacionais. A iniciativa faz parte da estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de fortalecer a cooperação em os países em desenvolvimento.
'É claro que, como antes, mas agora de maneira mais incisiva, devemos falar o quanto pudermos com uma única voz', afirmou o ministro das Relações Exteriores da Índia, Yashwant Sinha, depois de se reunir em Brasília com seus colegas Celso Amorim (brasileiro) e Nkosazana Dlamini-Zuma (sul-africana).
Apelidado de G3 pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim-numa referência ao G8 (clube que reúne as sete maiores economias do mundo mais a Rússia)-, o nome oficial do grupo é IBSA, a união das iniciais em inglês dos três países.

Divergências
Os três chanceleres afirmaram que os seus países têm muitos pontos em comum, embora reconheçam divergências em alguns temas. Eles se comprometeram a minimizar as diferenças para que os países desenvolvidos não as utilizem contra os próprios interesses do Brasil, da Índia e da África do Sul.
O grupo, que pretende se transformar numa instituição representativa dos países do sul -em desenvolvimento- poderá ser ampliado. 'Não é um grupo excludente. Esse G3 pode ser G5', disse Amorim, ao ser questionado sobre a possibilidade da China e da Rússia integrarem o grupo.
No início, no entanto, Amorim avalia que seria mais eficiente manter apenas os três países para facilitar os diálogos, a criação de consensos e a organização das reuniões. Os três ministros gostariam que os chefes de Estado dos seus respectivos países se encontrassem ainda este ano.
Na ONU, os novos sócios pressionarão pela reforma do Conselho de Segurança (CS), que incluiria entre seus membros permanentes países em desenvolvimento. No comunicado conjunto, distribuído ontem, não havia menções ao apoio mútuo à candidatura do três países ao CS.
Segundo o ministro brasileiro, cada região tem suas próprias complexidades, portanto, a questão de quem teria assento no CS ainda não foi discutida. Anteontem, no entanto, Índia e Brasil se comprometeram a trocar apoio."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Sexta-feira, Junho 06, 2003


Para provar que nosso blog é sério, já que postamos a notícia sobre o Paul Wolfowitz:

"Barriga é pouco
- Paulo Leite (*)


Algumas manchetes da imprensa brasileira hoje:

Página de notícias do Terra: 'Petróleo foi o motivo da guerra, admite Wolfowitz'

Folha Online: 'Vice de Rumsfeld diz que razão de guerra no Iraque foi petróleo'

Estadão: 'Razão do ataque foi o petróleo, diz Wolfowitz'

GloboNews.com: 'Wolfowitz dispara: 'Principal motivo da guerra ao Iraque foi o petróleo'

A notícia, com palavras um pouco diferentes, pode ser encontrada em praticamente todos os jornais e sites brasileiros, que em sua maioria citam o jornal The Guardian como fonte. Estranhamente, porém, não consegui encontrar uma linha sobre o assunto na imprensa americana. Sinal da subserviência desta à administração Bush? Não, sinal de que os jornais americanos ainda se preocupam em checar as informações que publicam. A bombástica 'confissão' Paul Wolfowitz é falsa.

Quem vai ao site do britânico The Guardian, seguindo o link que muitos sites colocaram para a notícia, recebe apenas um 'Sorry! We haven't been able to serve the page you asked for'. Procurando um pouco pela seção 'Corrections & Clarifications' é possível ler:

'Uma reportagem que foi publicada em nosso site no dia 4 de junho com a manchete 'Wolfowitz: guerra do Iraque foi sobre petróleo' interpretou de maneira equivocada declarações do vice-secretário de Defesa dos Estados Unidos, Paul Wolfowitz, fazendo parecer que ela havia dito que o petróleo tinha sido a principal razão para a guerra contra o Iraque. Ele não disse isso. Ele disse, de acordo com a página do Departamento de Defesa, 'A (...) diferença entre a Coréia do Norte e o Iraque é que nós não tínhamos virtualmente nenhuma opção econômica contra o Iraque, porque o país flutua num mar de petróleo. No caso da Coréia do Norte, o país está à beira do colapso econômico e eu creio que esse é um grande ponto de alavancagem apesar do quadro militar ser muito diferente daquele do Iraque.' O sentido era claramente o de que os EUA não tinham opções econômicas através das quais conseguir seus objetivos, não que o valor econômico do petróleo motivou a guerra. A reportagem apareceu apenas no website e já foi removida.'

Eu quero ver a imprensa brasileira, que fez a festa com a falsa notícia, vai dar o mesmo destaque ao desmentido. Por via das dúvidas, pretendo esperar sentado." (A Folha de SP de ontem deu a notícia sobre a falha do The Guardian com bastante destaque. Paulo Leite não teve que esperar sentado por muito tempo...)

(*) Colunista do site Mídia Sem Máscara em Washington,DC.

(Mas reconheçam que foi muito divertido ver uma notícia sobre o Paul dizendo a verdade - e tão raro...!)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quinta-feira, Junho 05, 2003


Para mais um texto que vale a pena, clique aqui.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Mando agora outro texto da Novae, bastante explicativo.

"A luta pela água
- Por Isabel Guimarães
, (tradução livre de trechos do original)

O Petróleo abastece a guerra, mas a luta pela água provavelmente será pior, com Estados competindo por escassos recursos hídricos e companhias encarando-os como uma mercadoria para tirar proveito dos pobres.

De 16 a 23 de março, no terceiro Fórum Mundial da Água, milhares de delegados discutiram se água deve ser um direito humano básico ou uma mercadoria possuída por companhias privadas. Enquanto a maioria dos delegados eram representantes corporativos vestindo a camisa dos interesses na privatização, havia lá também uma isolada presença de movimentos de cunho popular. De qualquer maneira, mesmo com o texto final não tendo podido tirar uma resolução última para essa questão, água já é um négócio de $400 milhões de dólares.

Consequências da privatização da água no hemisfério Sul já podem ser vistas na Argentina, Bolívia e África do Sul onde os preços decolaram e a qualidade despencou. (...) ... países ocidentais também têm buscado a privatização da água através do WTO General greement on Trades in Services (GATS). (...)

Uma conseqüência da privatização da água é que o dinheiro tira proveito da escassez. Em Cochabamba, Terceira maior cidade da Bolívia, a indústria da água era um negócio da Bechtel Corp. O povo sofreu as conseqüências, como preços extremamente elevados. Após assumir o sistema de água de Cochabamba em 2000, a companhia impôs maciças tarifas crescentes, as quais resultaram em difundidos protestos combatidos por força militar que matou uma pessoa e feriu 175 outras. Enquanto seu CEO Riley Bechtel é o 51º homem mais rico nos EUA (...) Em São Fransisco, ativistas pela paz fecharam a Bechtel Corp, na manhã de protesto de 20 de março,no início da guerra no Iraque,devido ao seu papel no complexo indistrial norte-americano e seu recente contrato para recontrução do Iraque após a guerra.

Além disso, o povo na África do Sul tem que conviver com o serviço de água privatizado. Em Orange Town, um assentamento informal com 1.5 milhões de pessoas, ao sul de Johannesburg, com elevada taxa de desemprego, o povo tem que comprar uma cota fixa de créditos de água. Medidores têm sido instalados para prevenir o 'uso excessivo' de água. Os serviços de água agora são propriedade da French company Suez Lyonnaise des Eaux. Esta gigante multinacional também possui o sistema de água de Bergen County, New Jersey e enfrenta protestos lá por vender área preservada para exploradores.

Em 8 de fevereiro, em Orange Farm, a ativista do Fórum Anti-Privatização e do Orange Farm Water Crisis Committee (OWCC), de 61 anos, Emily Nengolo, foi assassinada em sua casa por dois assaltantes desconhecidos em um ataque que parece politicamente motivado.

Desde que a África do Sul começou a negociar seus serviços de água, 10 milhões de cidadãos tiveram sua água cortada e dezenas de milhares morreram de cólera e diarréia após serem forçados a confiarem nas águas de rios poluídos.

Também na capital da Argentina, Buenos Aires, o consórcio da primeira região privatizada aumentou os preços, cortou 7.500 empregos e deteriorou o sistema por falta de manutenção. (...)
Uma pessoa vivendo nos EUA usa em média 250 a 300 litros d'água por dia, enquanto a média Somali não chega a 9 litros por dia. Estima-se que 2.7 bilhões de pessoas enfrentarão escassez de água em 2025. Mais que 1.2 bilhão de pessoas atualmente carecem de acesso à água segura e 3 bilhões não têm tratamento sanitário adequado. Isto lidera as moléstias que matam mais de 5 milhões de pessoas a cada ano, mais de 2 milhões delas crianças com menos de 5 anos que sucumbem à diarréia e doenças relacionadas. Conforme documento das Nações Unidas, as reservas mundiais de água estão secando rapidamente devido às mudanças climáticas e à poluição."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Como hoje é Dia Mundial do Meio Ambiente, nada mais justo que as relações do homem com o meio-ambiente sejam o tema de hoje aqui no blog. E como a falta de água é o maior problema que a humanidade vai enfrentar neste século, vou começar por aí.

Vocês conseguem imaginar um mundo em que as fontes de água deixam de ser um bem público e passam a ser um bem privado, vendidas e comercializadas? Esse mundo já existe, e a Nestlé é a maior exploradora dessas águas minerais no mundo todo. Aqui em Minas Gerais, na cidade de São Lourenço, a empresa suíça já adquiriu controle sobre as fontes naturais de água, através de vários procedimentos ilegais.



A Novae dessa semana resolveu divulgar essas coisas. Não vou postar a reportagem aqui, porque está muito grande. Mas recomendo que visitem o site (cliquem aqui), para verem todas as acusações graves que a empresa vem sofrendo, conhecerem detalhes sobre os aqüíferos e sua importância no ecossistema, conhecerem o Movimento Cidadania pelas Águas, verem resposta oficial da empresa, entenderem os problemas que a Nestlé vem causando em São Lourenço e perceberem como esse problema da "privatização das águas" é grave para todo o mundo, especialmente para os países mais pobres (que, coincidentemente, são os que mais possuem água), que serão mais uma vez vítimas da concentração de riquezas. A água é a maior riqueza do planeta, mas se esgotará rapidamente se for consumida pelo sistema capitalista da mesma forma que outros produtos como petróleo e ouro. Conseguimos viver sem petróleo. Mas sobreviveremos sem água?



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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DIA DO MEIO AMBIENTE



Quando isso tudo começou?


O Dia Mundial do Meio Ambiente foi criado pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas - ONU, de 1972, para marcar a abertura da 1a Conferência Mundial de Meio Ambiente, em Estocolmo, na Suécia. Na mesma ocasião, outra resolução criou também a UNEP - o Programa da ONU para o Meio Ambiente.

Celebrado de várias maneiras (paradas e concertos, competições ciclísticas ou até mesmo lançamentos de campanhas de limpeza nas cidades), esse dia é aproveitado em todo o mundo para chamar a atenção política para os problemas e para a necessidade urgente de ações.

Se há assunto que consegue igualar todas as pessoas nesse planeta é a questão ambiental: o que acontece de um lado, para bem ou para mal, vai sempre afetar o outro!

Nessa data, chefes de estado, secretários e ministros do meio ambiente fazem declarações e se comprometem a tomar conta da Terra. As mais sérias promessas têm sido feitas, que vão do be-a-bá ao estabelecimento de estruturas governamentais permanentes para lidar com gerenciamento ambiental e planejamento econômico, visando conseguir a vida sustentável no planeta.


Podemos, cada um de nós, já fazer a nossa parte para a preservação das condições mínimas de vida na Terra, hoje e no futuro, ou seja, investir mais naquilo que temos de valioso, que é a nossa inteligência, para aprender a consumir menos o que precisamos economizar: os recursos naturais. E é sempre bom lembrar que o Brasil, identificado como um dos nove países-chave para a sustentabilidade do planeta, já é considerado uma superpotência ambiental!



(Amazônia)


"Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos Guerreiros do Arco-Íris."

Profecia feita há mais de 200 anos por "Olhos de Fogo", uma velha índia Cree



Fontes::::::
Terra
http://www.meioambiente1.hpg.ig.com.br
Greenpeace


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Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Quarta-feira, Junho 04, 2003


Isto não é novidade para ninguém: o objetivo da invasão do Iraque era o petróleo e as armas de destruição em massa foram um belo de um pretexto. Acho que ninguém caiu nesse conto de fadas que a Casa Branca inventou. Tá, ninguém caiu. Mas é uma delícia ver um próprio membro da Casa Branca admitindo a desculpa esfarrapada, né? E ninguém menos que Paul Wolfowitz! Segue matéria do jornal OGlobo de hoje, enviada por email pelo nosso leitor Daniel Borges (visitem o blog dele!!):



"Wolfowitz dispara: 'Principal motivo da guerra ao Iraque foi o petróleo'

O petróleo foi a principal razão para a guerra contra o Iraque. A afirmação não foi feita por um manifestante pacifista ou por políticos contrários ao ataque anglo-americano ao regime de Saddam Hussein. A frase, que confirma as análises e temores de todos opositores da guerra, saiu da própria Casa Branca: seu autor foi o vice-secretário de Defesa dos EUA, Paul Wolfowitz, um dos mais entusiasmados falcões do governo de George W. Bush. Wolfowitz fez o comentário num discurso a delegados de uma cúpula sobre segurança em Cingapura no fim de semana. A frase foi reproduzida nesta quarta-feira pelos jornais alemães 'Der Tagesspiegel' e 'Die Welt'. Versões eletrônicas de jornais britânicos como o 'Guardian' também se apressaram em dar destaque às declarações, pois, semana passada, Wolfowitz minou os argumentos do premier Tony Blair, obrigado a enfrentar as pressões de opositores que não acreditam na justificativa das armas de destruição em massa. Wolfowitz chamou a alegação de Blair de 'desculpa burocrática para a guerra'.

No congresso no fim de semana ele foi mais longe, ao afirmar que o motivo real da guerra era o fato de o Iraque 'nadar num mar de petróleo'. Indagado por que uma potência nuclear como a Coréia do Norte tinha suas ameaças aos EUA confrontadas com promessas de diálogo, Wolfowitz afirmou:

- Vejamos isto de forma simples. A maior diferença entre a Coréia do Norte e o Iraque é que, economicamente, não tínhamos escolha no iraque. O país nada num mar de petróleo.

Os comentários de Wolfowitz se seguem à já famosa declaração dada à revista 'Vanity Fair' no mês passado, quando ele disse: 'por razões que têm muito a ver com a burocracia do governo americano, decidimos por um assunto com que todos podiam concordar: armas de destruição em massa'."



(Desculpem, mas estou com uma tremenda vontade de xingar o Paul Wolfowitz com um palavrão bem cabeludo. Como o nosso blog tenta ser o mais sério possível, vou colocar só as siglas - bem ao estilo Pasquim -, beleza? QUE FDP!)



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Só para não perder o costume...


(sugestão do nosso amigo Rambler Kasparaitis)


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Eu sei que o tema de Educação está muito interessante - e ainda há muito o que falar -, mas essa coluna do Elio Gaspari de hoje é leitura obrigatória. E é bem atual, levando-se em conta que os juros foram aumentados, que está acontecendo o G8, que o Zé Alencar está malhando a política econômica do seu próprio governo, que o PT está sendo criticado por "fogo amigo", etc. É importante esclarecer como esse aumento de juros é um argumento insustentável - a menos que seja feito sob ponto de vista dos bancos. É absurdo ver o tanto que os bancos vêm lucrando nesses cinco meses de governo Lula. Isso merece destaque:

"Chega de sábios, precisa-se de bravatas
Viva o bravateiro. Viva o vice-presidente José Alencar. É um prazer ouvi-lo: 'Nunca houve na história do Brasil maior transferência de renda oriunda do trabalho em benefício do sistema financeiro'.
Se Lula fizer com a banca metade do que vem fazendo com o funcionalismo e com o pedaço do PT que pensa como ele deixou de pensar, os juros cobrados à patuléia caem sem que seja necessário mexer na taxa Selic do governor Henrique Meirelles. Em abril Lula comemorou com uma festa no Planalto a doação de R$ 13 milhões dos 'meus amigos da Febraban' para as cisternas do Fome Zero. Louvando as mudanças da vida, disse assim:
'Quem é que imaginava, há dois meses, que a Febraban viria hoje dizer que iria começar com um plano piloto de 10 mil cisternas? Ninguém'.
Muita vela para pouco lastro. Banqueiro dá cisterna, panela, até vestido de noiva, desde que lhe dêem juros. R$ 13 milhões são o equivalente ao que a Viúva paga a cada dois dias por um só ponto percentual dos juros que o governo mantém a 26,5% ao ano. Noutra conta, R$ 13 milhões equivalem a dois dias do lucro do Bradesco durante os três primeiros meses de governo de Lula.
Lula podia chamar a Febraban de volta ao Planalto para saber por que a taxa anual de juros de um cheque especial varia de 35% a 200%. Ou por que a taxa de juros para uma empresa pode ir de 30% a 80%. Infelizmente, nos últimos nove anos, sempre que se fala nisso, quem sai em defesa dos juros lunares é algum diretor do Banco Central. Tudo seria culpa dos caloteiros. (Com frequência, quando esses sábios da economia deixam o Banco Central, aconchegam-se em casas de crédito.)
Admita-se que os caloteiros são uma ameaça. A banca brasileira, protegendo-se dessa praga, tem uma rentabilidade superior à americana, inglesa e espanhola. Adorável risco. Durante os oito anos de FFHH a rentabilidade média da banca foi de 24,5%. A dos outros (indústria, comércio e serviços) ficou em 5,6%. Nos primeiros três meses de Lula a rentabilidade dos dois maiores bancos brasileiros foi de corar tucano. A do Bradesco ficou em 19%, com R$ 508 milhões, e a do Itaú, em 32%, com R$ 714 milhões.
Convertendo esse ervanário ao petês federal, é coisa como 1 milhão de cisternas.
Por mais que os 26,5% do governor Meirelles sejam uma taxa indecente, Lula teve razão quando mostrou a disparidade entre a taxa básica do Banco Central e o que se cobra à choldra. Resta-lhe ir à obra, sabendo que o negócio do governo com a banca não é conseguir cisternas filantrópicas, mas descartelizar os juros e as taxas cobrados à patuléia. É nesse tipo de desempenho que se pode esperar aquilo que ele anunciou à Febraban como 'um outro padrão de relacionamento na sociedade brasileira'.
Até agora, esse padrão tem levado o governo a buscar mais dinheiro no bolso dos trabalhadores e algumas cisternas no cofre dos banqueiros."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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:::::::Dentro do tema:::::::

(odeio ser "a pessimista" do blog, normalmente sou mais "a otimista")

O outro lado:::::::

Brasil tem 16 milhões de analfabetos



O Mapa do Analfabetismo, divulgado hoje pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) do Ministério da Educação (MEC), mostra que existem 16 milhões de analfabetos no País, ou 13,3% da população. Ao contrário do que se poderia pensar, o estudo comprova que o maior contingente de pessoas que não sabem ler nem escrever se concentra nas grandes capitais, e não na área rural.
Segundo a pesquisa, metade dos analfabetos se concentra em apenas 10% dos municípios brasileiros, e 22,4% dessas pessoas moram em 1,8% dos municípios. Somente na cidade de São Paulo, 383 mil pessoas (4,9% da população) não sabem ler nem escrever, e, no Rio 199 mil (4,4%) estão na mesma situação. Em sua maior parte, os analfabetos são mulheres de cor parda ou negra.

Conforme o levantamento, dos 5.507 municípios, em apenas 19 a população tem escolaridade equivalente ao ensino fundamental, de oito anos ou mais. Em 1.796 municípios, a escolaridade média é inferior a quatro anos.

A taxa de analfabetismo nas famílias mais pobres (com renda inferior a um salário-mínimo) é quase 20 vezes maior do que nas famílias mais ricas(renda superior a 10 salários-mínimos). (Comentário meu:::: Não precisava deste dado a mais...)

Enquanto município com maior taxa de analfabetismo está no Norte, a menor taxa é do Sul. O município Jordão (AC) é o que tem a maior taxa da analfabetismo: 60,7% da população com 15 anos ou mais não sabe ler ou escrever. A cidade de São João d'Oeste (SC) tem apenas 0,9% da população de jovens e adultos que ainda permanecem analfabetos.


Uma notícia que me assustou:::::::::::::

Buarque apóia mensalidade em universidade pública



O ministro da Educação, Cristovam Buarque, apoiará o projeto para que estudantes de universidades públicas paguem mensalidades mesmo que parcialmente. A informação é do colunista Gilberto Dimenstein, da Folha de S.Paulo
Entretanto, os estudantes pagariam quando estivessem formados e trabalhando. Haveria um desconto diferenciado ao Imposto de Renda. O ministro teria dito que os segmentos de classe média e alta deveriam dar alguma contribuição ao sistema de ensino público.

Conforme o colunista, por enquanto o projeto tem apenas o apoio do MEC. Buarque estaria buscando o apoio do Palácio do Planalto.

Terra

Ponto 1: Não acho que a proposta vá para frente, espero que não. É meio revoltante "ver" tanta corrupção,...tanta verba desviada e assistir a criação de um imposto disfarçado para que seja financiado o dever que até pouco tempo atrás, mesmo indo mal das pernas, deveria ser do governo . Novamente: não estão valorizando o jovem e o seu potencial, como definir classe média, alta, um jovem que está entrando no mercado de trabalho? E primeiramente, é preciso analisar SE esse jovem vai entrar no mercado de trabalho. Antes que o governo venha a cobrar por base no que o estudante possa se tornar é necessário a garantia da oportunidade para que esse mesmo jovem esteja empregado ao sair da faculdade.
Ponto 2: Sou a favor de qualquer medida que diminua a desigualdade e injustiças sociais, que favoreça o ingresso do jovem "carente" nas universidades, mas taxar o serviço público não fará nem uma coisa nem outra.
Ponto 3: Uniões de estudantes secundaristas ou não! Manifestem-se!

PS:::::: site do MEC

:::::::
Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.




por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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E, pra terminar (por enquanto), uma notícia sobre medida do ministério do Cristóvam. Boa medida, bom ministério... Publicada pela Assessoria de Comunicação Social do MEC:

"Ensino fundamental terá nove anos
- Marcela Gracie
, 23/05/2003

O Ministério da Educação quer 100% das crianças de seis a 14 anos na escola até 2006. A primeira iniciativa é a ampliação do período de Ensino Fundamental de oito para nove anos. Hoje, a rede pública oferece vagas na primeira série para alunos a partir dos sete anos. A nova proposta vai incluir crianças de seis anos. Também serão criados programas de valorização e de formação de professores e sistemas estaduais de avaliação.

A meta é ambiciosa e exige um grande pacto pela Educação. Afinal, dados do IBGE/PNAD de 2001 mostram que 4,3 milhões de brasileiros de quatro a 14 anos estão fora da escola. 'Será um programa de longo prazo, que envolverá União, estados, municípios, trabalhadores e sociedade, e cumprirá diretrizes do Plano Nacional de Educação (PNE)', diz a secretária de Educação Fundamental, Maria José Feres. 'O PNE determina a ampliação do ensino fundamental para nove anos, com início aos seis anos de idade, à medida que for sendo universalizado o atendimento na faixa de sete a 14 anos.'

A proposta que amplia o período do ensino fundamental já foi apresentada aos secretários estaduais e municipais de Educação e à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e teve boa recepção. A implantação começa no próximo ano, com 460 mil crianças de seis anos que não freqüentam a pré-escola.

O orçamento deste ano para a Educação é de R$ 72 bilhões (R$ 64 bilhões são repassados aos Estados, R$ 10 bilhões às Universidades e R$ 8 bilhões aos programas e políticas educacionais do MEC). A implantação de mais um ano no ensino fundamental depende da liberação de mais R$ 2,6 bilhões do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).

'Algumas redes de ensino estaduais e municipais já abrem vagas para crianças de seis anos, uma prova de que a repercussão financeira não é tão alta. Além da inclusão, estamos, também, melhorando o processo de alfabetização e aprendizagem na escola pública', afirma a secretária.

Maria José Feres disse ainda que na primeira quinzena de junho o ministro da Educação, Cristovam Buarque, anunciará o Programa Toda Criança Aprendendo, que prevê ações emergenciais e mudanças estruturais no ensino para reverter os problemas de aprendizagem (letramento) das crianças. Números do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) revelam que 59% dos alunos da 4a série não sabem ler adequadamente e 52% não dominam habilidades elementares de Matemática. Outra preocupação é a valorização do professor, a partir do estabelecimento de um piso salarial e da implantação de incentivos à formação continuada. "

Esse fim merece alguns comentários. O professor de escola pública é muito pouco valorizado. Aqui em Belo Horizonte, já estão fazendo várias manifestações e paralisações pedindo greve por melhores salários. Não é à toa. Segundo declararam, muitos professores do ensino fundamental público recebem 212 reais - menos que um salário mínimo! Também recebem alguns auxílios, como de transporte, que não passa de 35 reais. Mas como a passagem de ônibus comum aqui custa 1,45 real, o gasto mensal fica em torno de 58 reais! A Escola Estadual Bueno Brandão, por exemplo, distribuiu um demonstrativo de pagamento de um professor no "dever de casa", para ajudar a conscientizar as famílias sobre o absurdo da situação. Neste contracheque o salário era de 364 reais - sem descontos da Previdência Social. Agora eu pergunto: como esperar um ensino de qualidade se os professores não têm incentivos para fazerem um bom trabalho, realizarem pesquisas e darem o melhor de si na sala de aula? No Brasil o ensino fundamental é um lixo porque não há professores qualificados nas escolas. E esses professores não se qualificam porque não têm condições. É simples assim. E seria realmente significativo se o ministério do Cristóvam resolvesse realmente valorizar os profissionais da Educação... É aguardar pra ver.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Agora uma notícia mais emocionante! Cuba está exportando sua qualidade de ensino. E a Venezuela vai importar, para garantir alfabetização dos seus 1,5 milhão de analfabetos (pouquinho, não?). A matéria é do Estadão.

"Cuba ajudará Venezuela em programa de alfabetização

O governo da Venezuela pretende pôr em marcha um polêmico plano de alfabetização, com a ajuda de Cuba, que prevê ensinar a ler e a escrever cerca de 400.000 pessoas apenas neste ano, informa a imprensa local. O diretor de ensino para adultos do Ministério da Educação venezuelano, Omar Calzadilla, afirmou ao jornal Ultimas Noticias que com o plano o governo pretende alfabetizar todos os analfabetos existentes hoje no país, cerca de 1,5 milhão dos 23 milhões de habitantes, em três anos.

'Cuba é o país que obteve o maior êxito em programas de alfabetização; atualmente assessora 27 países em todo o mundo', disse Calzadilla. No entanto, vários setores contrários ao presidente Hugo Chávez manifestaram sua oposição ao projeto de alfabetização. O ex-ministro da Educação Antonio Luis Cárdenas, inclusive, denunciou que o governo Chávez pode estar planejando 'doutrinar' politicamente, com a ajuda de Cuba, aqueles que serão alfabetizados, geralmente oriundos das camadas mais pobres e vulneráveis da população."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Hoje pretendo discutir assuntos relacionados com Educação. Para começar, uma notícia sobre as cotas para negros nas universidades (aproveitando o tema da nossa velhíssima enquete... Ah, vamos mudar a pergunta da enquete ainda nesta semana!), publicada no jornal cearense Diário do Nordeste, no dia 17/05:

"Cotas para negros: 85% são contra
Brancos na sua maioria e candidatos mais prováveis a conquistar as vagas das universidades públicas, 85% dos jovens das classes A e B são contra o sistema de cotas para negros ou alunos carentes. Poucos (9%) concordam com a reserva de vagas apenas para estudantes do ensino médio público. O sistema, em discussão em vários Estados brasileiros, já está em vigor em universidades do Rio de Janeiro e da Bahia. Parte das vagas no vestibular das instituições estaduais é disputada apenas por estudantes negros e comprovadamente carentes. Alunas do 3.º ano do ensino médio, Andrea Krohn e Elisa Machado, ambas de 17 anos, consideram as cotas um mero paliativo. Para elas, o problema é estrutural. ´A educação pública tem de ser melhor, ser uma prioridade para o governo´, disse Elisa.

´Raça é um conceito tão discutível hoje em dia, que está deixando de existir. Somos todos iguais, não existem uns mais ou menos que os outros´, afirmou Andrea. As duas acreditam que a educação precisa melhorar, e muito, para resolver problemas como o acesso à universidade pública. ´Tem de acabar com essa história de aprovação automática só para aparecer nas estatísticas´, disse Elisa. Mesmo entre estudantes mais novos as cotas não são bem vistas. Fernando Ciosak Saqueto, de 14 anos, achq que ´Os direitos têm de ser iguais para todos.´"

Mas não adianta nada postar uma notícia como essa, se ninguém se manifestar. O tema é polêmico, exige muita reflexão e discussão. Comecem opinando no "fala aí"!

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Terça-feira, Junho 03, 2003



Caretice, Pensamento único, Máscara, Hipócrita. Paz americana, Totalitarismo, Máfia. Ilhas culturais e psicológicas. Resistência, Identidade alternativa, Sobrevivência. Acostumar. Utopias...
Esses são assuntos que dão muito pano pra discussão. Arnaldo Jabor discute todos eles, juntos, em seu artigo do OGlobo:


Império da caretice quer dominar o mundo
Um espectro ronda o mundo atual: a caretice. Fala-se em esquerda, direita, terceira via, globalização e exclusão, mas ninguém menciona a pavorosa caretice que assola o mundo. Será que a vida vai ser sempre estes cappuccinos frappés, estas opções na Bolsa, estes fluxos de capital, estes implantes de seios, por toda a eternidade? O que é a caretice? É uma boa palavra em português, melhor que straight ou square, pois denota uma cara só, uma expressão fixa e falsa, um pensamento único, uma máscara hipócrita no rosto.

Eu estava em Londres em 1967, quando saiu o disco dos Beatles Sargent Pepper e me lembro que havia em Kings Road uma espécie de comício dissolvido nos olhares, uma palavra de ordem flutuando no vento, 'blowing in the wind', como cantava o Bob Dylan. O mundo careta tremia, ameaçado pelo perigo do comunismo e pela alegre descrença que os hippies traziam. O capitalismo rosnava de humilhação, condenado como sistema injusto de produção e como repressor da sexualidade.

Hoje, a maior ameaça do imperador careta Bush não é a guerra; é a paz. Eu tenho medo da 'paz americana' que essa gente está propondo. Trama-se um totalitarismo disfarçado de 'modernidade', o poder que se desenha na América quer exterminar todas as conquistas libertárias dos anos 60 e a sabedoria conquistada com o sofrimento de duas guerras mundiais. Osama, o maior estrategista dos séculos, disparou e legitimou a paranóia dos caretas que tomaram o poder. Com o fim da guerra fria, parecia que os Estados Unidos iam derramar pelo mundo seu melhor lado, generoso, autocrítico, modernizador. A liberdade parecia uma necessidade de mercado. O que tinha se provado impossível era a idéia de 'um', da 'totalidade'. Acabava o anseio de se achar uma única resposta política, de modo que a sociedade funcionasse como um organismo sob controle. O mundo ocidental parecia estar lindamente 'condenado' à democracia, à multilateralidade, à tolerância. Mas, não era esse o desejo dos caretas republicanos que estão hoje no poder, já, na época, planejando outro 'futuro' para nós, enquanto o Bush pai humilhava Gorbachev dentro do Kremlin ou vomitava no banquete do imperador do Japão.

Essa máfia de psicopatas republicanos queria se vingar do desprezo que sofreram nos anos 60, se vingar do vexame de Nixon e Watergate, se vingar dos Beatles, dos Rolling Stones, de Marcuse, de Dylan, da arte, dos negros, das mulheres livres, e principalmente da liberdade sexual que sempre odiaram. Imaginem Bush, Karl Rove ou Rumsfeld diante de um Picasso, ouvindo free jazz.

A caretice paranóica ganhou vida nova com o ataque a NY. Osama se uniu a Bush numa aliança fundamentalista impalpável, mas real, contra a democracia.

Osama nomeou Bush seu assessor para caretizar o Ocidente, exatamente como usou os aviões americanos para atacar a América por dentro. Para Osama e para Bush somos cães infiéis. Hoje, temos homens-bomba em nome de Alá de um lado e um direitista cristão rezando antes de reuniões no Pentágono, com 500 bilhões em armas.

Saída? Não há saída. Diante desse muro que se constrói em volta da vida, com os tijolos da indústria cultural e agora com a paranóia legitimada, o mundo se globaliza em economia, mas se 'balcaniza' em ilhas culturais e psicológicas. O mundo se 'desunifica' em esponja, em vazios, em avessos, em buracos brancos que vão se alargando à medida que o tecido da sociedade 'contínua' se esgarça.

Não são 'células de resistência', mas 'buracos de desistência'. Há uma tribalização de grupos, sem proselitismo; há uma recusa ao mundo, sem denunciá-lo, mas aceitando-o como algo irremediável. Por dentro de seu luto, as tribos se desenham. O que os slackers ou os gothicos ou os rastas ou os ravers querem é alcançar uma identidade alternativa. É um tribalismo apolítico. As tribos não almejam mais o poder. Se antes a idéia de alienação era condenável, hoje a alienação é aquilo que se deseja alcançar. Mas, você pode perguntar, ingênuo sessentista, por que então eles não mudam o mundo?

Bem, se antes havia a polarização de ideologias - pretos contra brancos, socialismo versus capitalismo -, isso vinha da idéia de 'sistema e contra-sistema', de cultura e contracultura.

Hoje, a desesperança total está parindo novas formas larvais de sobrevivência neste mundo decepcionante. Os 'neo-alternativos' são como os miseráveis, que têm de inventar formas de sobrevivência, são como os índios, são como os loucos. É o que nos restará: os buracos esgarçados por entre a solidez paranóica das corporações globais, cujo único consolo será estragar um pouco, como um terrorismo mudo e branco, sua eficiência sinistra. Nesse sentido, Osama é o pavoroso e criminal precursor de um futuro 'terrorismo pacífico' mais amplo.

Que temos hoje e teremos no futuro? Na boa? Acho que já estamos lá. Nos acostumaremos aos terrorismos islâmicos, bombas de destruição em massa que cabem nos bolsos, escassez econômica, extermínios de pobres e um vaivém de fascismos nas nações emergentes. No mundo central, teremos fria competência no main stream e 'esponjas alternativas' na periferia.

Antes, lutávamos contra uma realidade complexa, sonhando com utopias totalizantes. Era o 'uno' contra o 'múltiplo'. Hoje, é o contrário; a luta é para dissolver, não para unir; luta-se para defender o vazio, o ócio possível, a cultura não-descartável, o inútil, o que não é 'mercável'. Hoje, a luta é contra inimigos sem rosto: a eficiência corporativa, a abolição do humano pela máquina (a máquina como o homem produtivo perfeito). Hoje, o inimigo principal não é mais a 'burguesia' gorda e fumando charuto; o inimigo é um totalitarismo empresarial que ninguém comanda. Agora, os novos combatentes não sonham com o absoluto; sonham com o relativo."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Tirinha de hoje:



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Segunda-feira, Junho 02, 2003



Desde que começamos este blog, já postei diversos textos sobre o controle da mídia norte-americana, sobre como ela se mostrou parcial durante a invasão do Iraque, sobre como ela vai ser de grande ajuda na reeleição de Mr. Bush. Agora, tudo pode ficar ainda pior por lá. Os republicanos invadiram a imprensa também! (longe de mim estar defendendo os democratas; pra mim todos são farinha do mesmo saco).
Leiam esta matéria da Folha e percebam como a situação é grave para a democracia estadunidense. Vale lembrar que o Jornalismo é um dos maiores responsáveis pelo levantamento de discussões e pela formação de uma sociedade crítica e consciente - sendo, portanto, grande ferramenta para a Democracia. Para mim, esse tipo de jornalismo norte-americano (e, por que não?, brasileiro) contribui negativamente para o sistema democrático, que já deve ser questionado há muito tempo...


"EUA devem liberar concentração na mídia
Roberto Dias
Renata lo Prete


O governo dos EUA deverá iniciar hoje um processo destinado a transformar de forma radical o principal mercado de mídia do mundo.
Selada a mudança, cairão limites importantes ao poder dos grandes grupos de comunicação do país, que terão mais liberdade para absorver concorrentes e criar novos braços com jornais e emissoras de TV e rádio.
A senha para a reviravolta deverá ser dada numa reunião em Washington, na sede da FCC (Federal Communications Commission), a agência responsável por regulamentar o setor.
Espera-se que os cinco membros da FCC aprovem, por 3 votos a 2, alterações para permitir:
1) Nas cidades médias e grandes, a chamada 'propriedade cruzada' de meios de comunicação -como operar um jornal e uma emissora de TV;
2) Que uma empresa possua emissoras de televisão que alcancem até 45% do público dos EUA, contra um limite atual de 35%;
3) Que um grupo tenha duas ou até três TVs na mesma cidade.
Tais mudanças derrubam regras estabelecidas nos anos 1970 ou até antes como forma de evitar o monopólio da informação.
O lado favorável é encabeçado por Michael Powell, presidente da FCC e filho do secretário de Estado, Colin Powell. Estão com ele os dois outros membros republicanos (partido do governo) da comissão e os principais conglomerados de comunicação dos EUA. (...)
O bloco chama a atenção para a falta de discussão sobre as alterações e critica o processo de decisão da FCC, que consideram obscuro e suspeito.
Em anúncio veiculado na semana passada, ONGs de defesa dos direitos do consumidor apontaram que as cinco principais companhias de comunicação dos EUA controlam 75% da audiência total da televisão americana e 90% da audiência jornalística.
Como exemplo de sua preocupação, lembram o que aconteceu com o rádio após a FCC flexibilizar o mercado em 1996 de forma semelhante à que deve ocorrer agora com TVs e jornais.
Desde então, o setor viu a expansão das principais companhias. As dez maiores empresas detêm hoje 67% do faturamento do setor -e as cerca de 4.300 outras empresas disputam a fatia restante, de apenas 33%."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Coluna interessante do Boris Fausto, publicada na Folha de hoje:

"A Espanha e o 'eixo do bem'

A integração da Espanha ao 'eixo do bem' foi um lance ousado e arriscado do governo conservador (PP), liderado por José María Aznar. Ousado e arriscado por marcar diferenças em relação aos dois grandes parceiros da União Européia -a França e a Alemanha- e por lançar o país no apoio a uma guerra repudiada por 95% dos espanhóis.
Por algum tempo, teve-se a impressão de que Aznar decretara sua morte política e precipitara uma estrondosa derrota do PP. Mas não é isso o que vem acontecendo. Entre outros fatores, a curta duração da guerra do Iraque veio em seu socorro, embora a sequência dos fatos que se seguiram ao conflito acrescentasse novos riscos para o governo.
Entre esses fatos destacou-se, a poucos dias das eleições municipais e das regiões autônomas, a sequência noturna de atentados terroristas em Casablanca, tendo como alvo principal um restaurante espanhol. Evidenciou-se assim, de forma contundente, que a Espanha entrou na lista de países-alvos do terrorismo, não obstante a tentativa do primeiro-ministro de negar essa vinculação.
Mas a rejeição maciça ao envolvimento da Espanha na guerra, assim como a comoção provocada pelo atentado de Casablanca, que resultou em algumas vítimas de nacionalidade espanhola, não produziu uma reviravolta no quadro político, como demonstram os resultados das eleições realizadas no último 25 de maio.
A tentativa da oposição socialista (PSOE), liderada por Rodríguez Sapatero, no curso da campanha, no sentido de explorar o forte descontentamento da população com relação à política externa, não teve êxito. É certo que o PSOE alcançou a maioria de votos em âmbito nacional, embora por margem estreita, e logrou assumir o governo da Comunidade (Província) de Madri, em aliança com a minoritária Izquierda Unida (IZ). Porém o PP manteve o controle das prefeituras das maiores cidades, aí incluída Madri - centro de uma disputa importante, pelo significado que a capital representa, em termos de poder e como expressão simbólica.
A votação significativa do PP tem muito a ver com as condições econômicas favoráveis da Espanha nos últimos anos, levando amplos setores acomodados da população a recusar mudanças, mesmo limitadas. Não por acaso, empenhado diretamente na campanha, com uma capacidade de liderança incontestável, Aznar recuperou seu discurso nitidamente de direita, explorando os supostos riscos à estabilidade que uma vitória dos socialistas, com apoio dos comunistas, iria provocar.
Desse modo, as eleições municipais e autonômicas não serviram como indicador do que ocorrerá no país nas eleições gerais do próximo ano. O país continua dividido entre duas tendências partidárias, com força quase igual. Essa divisão é um eloquente exemplo de que, reformuladas, ou mudando às vezes de substância, as diferenças entre esquerda e direita continuam a existir. No caso da Espanha, isso é certo, tanto no plano interno - em torno de temas como a educação, a saúde, a cultura - como no plano das relações internacionais."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Domingo, Junho 01, 2003


(Hoje o blogger esteve fora do ar quase o dia inteiro, e está dando problema com o meu login, por isso estou postando pela Cristina-----Maria Tereza)


:::::::G8:::::::





Mais uma vez os 7 países mais ricos "+ a Rússia" se reúnem para discutir, analisar, e decidir os rumos da nossa globalização (neo-imperialismo?). É claro, para deixar bem explícito o teor democrático do evento, este encontro se realiza em uma cidade praticamente sitiada, em que manifestantes não podem entrar. Já há o clima de hipocrisia aceitável, EUA doando 15 bilhões de dólares pela luta contra AIDS, nosso Lula propondo medidas pelo combate à fome, tudo isso junto com a sensação de que novamente somos apenas espectadores de um teatro.


::::Dados::::

Pelo G8, estão presentes os líderes dos Estados Unidos, França, Itália, Reino Unido, Canadá, Japão, Alemanha e Rússia. Dos países convidados, são esperados os chefes de Estado ou de Governo do Brasil, Egito, Argélia, Nigéria, África do Sul, Senegal, México, China, Arábia Saudita, Malásia e Índia. Também estarão representados em Evian as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial do Comércio.




Lula::::::



Lula pede ao G8 criação de Fundo Mundial contra Fome
da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs hoje, na cúpula do G8, a criação de um Fundo Mundial de combate à Fome, que seria financiado com uma taxa sobre a venda mundial de armas e com parte dos juros da dívida externa dos países pobres.

"A fome não pode esperar", diz o presidente em seu discurso, cuja cópia foi distribuída às agências internacionais. "Minha proposta é a criação de um fundo global capaz de alimentar aqueles que têm fome e ao mesmo tempo criar condições para erradicar as causas estruturais da fome."

Em janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça), Lula havia lançado a idéia de um fundo internacional contra a fome, a ser bancada por investidores e países ricos.

Lula também pede aos países ricos que facilitem a incorporação dos países em desenvolvimento ao mercado. "A incorporação dos países em vias de desenvolvimento à economia global passa necessariamente pelo acesso sem discriminações aos mercados dos países ricos", diz Lula em seu discurso, que será lido para os chefes de Estado e governo de 26 países e organizações internacionais.

O presidente brasileiro disse ver com preocupação as resistências na OMC (Organização Mundial do Comércio) para eliminar os subsídios "milionários", principalmente à agricultura, em referências às atuais negociações para a liberalização do comércio internacional dentro desta organização.

"Essas atitudes não são construtivas e só aumentam o ceticismo em relação às boas intenções e a sabedoria dos mais prósperos", afirmou.

Lula pede pressão para abertura agrícola dos EUA e União Européia
da France Presse, em Evian (França)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje aos Estados Unidos e à União Européia (UE) que acelerem a abertura de mercados, principalmente agrícolas, e insistiu junto aos países em desenvolvimento que pressionem os países ricos para que ponham fim a seu protecionismo.

''A questão das tarifas, dos produtos agrícolas, principalmente na União Européia e nos Estados Unidos, tem de avançar. Não acho que seja fácil, mas há uma sensibilidade quanto ao fato de que devem ser feitas mudanças para que as oportunidades sejam mais iguais e para que uma relação comercial se democratize mais'', declarou Lula depois da cúpula do G8 com os 11 países em desenvolvimento.

O presidente brasileiro pediu aos países pobres que pressionem os países ricos a pôr um fim às medidas protecionistas, mas também defendeu ''um maior comércio entre os países em vias de desenvolvimento'', para que os mesmos não fiquem tão dependente dos países industrializados.

Lula declarou que ''os primeiros sinais concretos de mudança já foram dados na OMC (Organização Mundial de Comércio)'', onde atualmente se negocia um acordo de liberalização comercial internacional, e disse que prevê ''mudanças substanciais quanto à questão dos subsídios agrícolas'' na próxima reunião ministerial da organização em Cancun (México), em setembro próximo.


França diz que proposta de Lula contra fome pode ser estudada
da France Presse, em Evian (França)

O presidente francês, Jacques Chirac, disse hoje, na reunião do G8, que "não seria nada injustificada" a criação de uma taxa sobre o comércio de armas para financiar um fundo mundial de combate à fome. A proposta de taxação foi apresentada hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Sou totalmente a favor de analisar uma taxa deste tipo", disse Chirac.

Ele também afirmou seu desejo de continuar aprofundando e melhorando o diálogo entre o grupo dos países mais ricos e das nações mais pobres.

Chirac disse que o premier britânico Tony Blair também fará o mesmo em 2005, quando o Reino Unido assumir a presidência anual do G8.

"Acho que o presidente dos Estados Unidos deveria fazer a mesma coisa no próximo ano", afirmou Chirac, que terá amanhã um encontro com o presidente George W. Bush. Os Estados Unidos sucederão a França na presidência do G8.

Aids:::::::



O presidente francês disse também que a França vai triplicar sua contribuição ao Fundo Mundial da Luta Contra a Aids, elevando-a de 50 milhões de euros para 150 milhões de euros anuais (US$ 177 milhões).

"Os Estados Unidos tomaram uma decisão que não hesito em classificar de histórica", disse Chirac, referindo-se ao programa americano de emergência de US$ 15 bilhões para combater a Aids na África e no Caribe

Fontes:::::::
Folha.
Terra.


:::::::
Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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