|
Segunda-feira, Junho 30, 2003
Uma análise muito interessante do Le Monde sobre a África, publicada na Folha de hoje. Clique aqui.
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Domingo, Junho 29, 2003
Acabei de receber um email muito divertido. Divertidíssimo. Ele "explica" por que as esquerdas estão "pregando" o antiamericanismo no mundo. Eu até concordo que esse sentimento, sem razões lógicas ou históricas, seja uma enorme bobagem. É errado culpar os EUA por tudo de ruim que acontece no mundo, é errado generalizar os norte-americanos como sendo todos concordantes da política externa do governo estadunidense e é errado transformar esse sentimento em algo irracional, parecido com o anti-semitismo do século passado - ou com qualquer outro sentimento preconceituoso. Ninguém discorda disso, eu espero.
Mas daí a culpar as esquerdas pelo antiamericanismo, e usando argumentos tão ridículos como os seguintes, é de fazer rir. Coloco este email para divertir um pouco nossos leitores:
"Esquerdas: a verdade oculta detrás da onda 'anti-estadunidense'
Por detrás da recente onda anti-estadunidense, insuflada pelas esquerdas do mundo inteiro e amplificada por importantes meios de comunicação, subjazem dois motivos sobre os quais ninguém fala:
Primeiro, o surdo ressentimento comuno-progressista contra os países livres, em particular, contra os Estados Unidos, provocado pela derrocada do império soviético em 1990. Derrocada que deixou ao coletivismo marxista como um experimento fracassado e superado, que se perde na História com um triste saldo de miséria, opressão e sangue; e que, com sua queda, enterrou os mitos com os quais o comunismo enganou a tantos, durante décadas.
Segundo, a tendência conservadora de setores importantes da opinião pública americana, que foi-se consolidando nos últimos anos, influenciando os rumos do país e constituindo um obstáculo incômodo ao avanço revolucionário.
Para ocultar estas verdadeiras motivações e tentar levar atrás de si a opinião pública mundial, as esquerdas impulsionaram essa onda anti-estadunidense emocional e irracional, que parece condenar indiscriminadamente tudo o que provenha dos Estados Unidos.
Na realidade, no seio desse país-continente existe uma enorme diversidade de idéias e de culturas, muitas delas, antagônicas. Dentro do próprio governo norte-americano, apresentado pelo anti-americanismo irracional como monolítico, coexistem tendências diferentes e até contraditórias, um tema que torna-se indispensável abordar no momento oportuno.
Nesta diversidade norte-americana, tudo aquilo que foi e é contrário aos princípios da civilização cristã nos planos social, cultural, político e religioso, resulta censurável. Porém, não é isto o que incomoda e irrita ao comuno-esquerdismo e sim, aquilo que os Estados Unidos têm feito de bom, em particular, em defesa da liberdade.
Em política, o que se apresenta de maneira exagerada, sem os indispensáveis matizes, corre o risco de cair no descrédito e terminar na insignificância. A atual onda esquerdista anti-estadunidense, ainda contando com as caixas de ressonância de grandes meios de comunicação, é sumamente vulnerável por suas parcialidades, exageros e omissões, que agridem o bom senso.
A causa da civilização cristã exige de cada um de nós um esforço que contribua a deixar em evidência a artificialidade de tal manobra de envergadura mundial. Desta maneira, poderemos exclamar, parafraseando o escritor Hans Christian Andersen: 'O anti-americanismo irracional está nu!'"
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Sábado, Junho 28, 2003
É... A "guerra" não acabou:
"Americanos matam iraquiano de 11 anos
Um soldado dos EUA foi gravemente ferido ontem ao receber um tiro na nuca enquanto examinava uma banca de camelô no subúrbio de Kadhimiya, noroeste de Bagdá. Em outro incidente na capital, um menino de 11 anos foi morto por soldados que o tomaram por um homem armado.
Segundo o major Sean Gibson, porta-voz militar dos EUA, os soldados atiraram ao ver uma pessoa com um fuzil AK-47 movimentando-se sobre a laje de uma casa. 'Só ao procurarem [o corpo] descobriram se tratar de um menino de 11 anos', disse Gibson.
Os americanos estão em estado de alerta no Iraque após sofrerem 21 baixas em 'situações hostis' -como o Comando Central Americano (Centcom) chama as mortes em confronto com iraquianos- desde que o fim das principais operações de combate foi declarado, em 1º de maio.
Ontem, em viagem presidencial à Califórnia, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, minimizou os ataques das últimas semanas, mas lamentou as baixas. 'O presidente [George W. Bush] está determinado a fazer o que prometeu: ajudar a estabilizar o Iraque. E o Iraque está se tornando, em muitos pontos, mais estável. A violência está em locais isolados.'
No incidente com o soldado ontem, testemunhas disseram que o tiro veio de uma aglomeração e que não foi possível identificar o agressor. Ninguém foi preso.
Em contrapartida, o Centcom anunciou a detenção de seis iraquianos suspeitos pelo desaparecimento de dois soldados na região de Balad, 90 km ao norte de Bagdá, anteontem. As buscas pelos soldados prosseguem.
Em Bagdá, onde a tensão é alimentada pela constante falta de eletricidade, um caminhão americano foi atingido por explosivos, mas não houve vítimas. Em Baquba, 70 km a noroeste da capital, dois americanos foram feridos em um ataque com granadas de morteiro. E em Basra (sul), soldados britânicos descobriram um lança-mísseis dentro de um hospital -durante a guerra, o então ditador Saddam Hussein infiltrou tropas e armamentos em bairros residenciais para dificultar os bombardeios anglo-americanos.
O Pentágono anunciou ontem o retorno dos cinco guardas de fronteira sírios feridos por suas tropas no último dia 18, durante ataque a uma caravana iraquiana que cruzava a fronteira supostamente levando foragidos. Os EUA ainda não esclareceram o envolvimento sírio no incidente, tampouco em que lado da fronteira o ataque ocorreu."
(Folha)
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Sexta-feira, Junho 27, 2003
Amei esta charge do Ique (JB)...!
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Colocarei as partes que mais dão raiva em negrito. A matéria é da Folha de hoje.
"Tortura é prática comum, denuncia Anistia
A tortura continua sendo uma prática comum em todo o mundo e tem assumido novas formas, conclui relatório da Anistia Internacional (AI) divulgado ontem, Dia Internacional de Apoio às Vítimas de Tortura. A entidade de direitos humanos afirma que recebeu denúncias de tortura vindas de 106 países em 2002 -a ONU tem 191 países-membros.
A lista aumenta para mais de 150 países se se considera o período entre 1997 e 2000. Nesses anos, houve casos de morte por tortura em mais de 80 países. O relatório da AI não quantificou os casos.
A AI afirma que, em muitos casos de torturas relatados em todo o mundo, os responsáveis são agentes de Estado, apesar de a prática ser considerada ilegal em quase todos os países.
Israel é o único país onde a tortura é legalizada, diz a Anistia. A legislação permite que interrogadores usem o argumento chamado de 'bomba-relógio' -ou seja, é justificável torturar para tentar evitar um atentado, por exemplo. As maiores vítimas são palestinos suspeitos de envolvimento com o terrorismo.
A entidade também afirma que o recente avanço na legislação contra a tortura em vários países do mundo não tem evitado a prática. O relatório cita o Peru e Brasil como exemplos de países onde isso ocorre.
'A incidência de tortura não vem diminuindo', diz Eric Prokosch, responsável pelo relatório.
Para a Anistia, a tortura também é comum em casos de detenções prolongadas, quando adota formas distintas das tradicionais.
'No mundo, um grande número de prisioneiros vive em condições que prejudicam seu bem-estar físico e mental, representando uma ameaça para as suas vidas', diz Prokosch. A Anistia considera essas condições como equivalentes à tortura.
Brasil
A Anistia afirma que a tortura é prática comum em investigações policiais e nas prisões brasileiras. O relatório cita um levantamento feito em 2000 para afirmar que a tortura é rotineira na maioria do país. Segundo a AI, os promotores têm pouco conhecimento da Lei de Tortura ou são coniventes com a prática. As grandes exceções positivas são o trabalho de promotores em Minas Gerais e a adoção de presídios pequenos, como a Penitenciária Juiz Plácido de Souza, em Caruaru (PE)."
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
De olho em 2006...
Garotinho foi expulso do PSB. Mecanismo simples, vencido por unanimidade: não recadastramento de sua filiação. Motivo: não seguir as orientações do partido, que é base de apoio do governo Lula. Estopim: organização de ato público contra o governo, em troca de sanduíche e ônibus fretado...
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Quinta-feira, Junho 26, 2003
Recebi o seguinte texto por email, do amigo Paulo Caixeta. Não sei quanto à veracidade das contas, mas o fato é que os bancos são realmente os que mais lucram neste país. Então vale a pena passar pra frente e protestar:
"Juros e dividendos
Se um correntista tivesse depositado R$ 100,00 (Cem Reais) na Poupança num banco, no dia 1º de julho de 1994 (data de lançamento do real), ele teria hoje na conta a fantástica quantia de R$ 374,00 (Trezentos Setenta e Quatro Reais).
Se esse mesmo correntista tivesse sacado R$ 100,00 (Cem Reais) no Cheque Especial,na mesma data, teria hoje uma dívida de R$ 139.259,00 (Cento e Trinta e Nove Mil e Duzentos Cinqüenta e Nove Reais), no mesmo banco.
Ou seja: com R$ 100,00 do Cheque Especial, ele ficaria devendo 9 Carros Populares, e com o da poupança, conseguiria comprar apenas 4 Pneus.
Não é à toa que o Bradesco teve quase R$ 2.000.000.000,00 (Dois Bilhões de Reais) de lucro liquido somente no 1º semestre, seguido de perto do Itaú e etc... Dá para comprar um outro banco por semestre!
E os Juros Exorbitantes dos cartões de crédito?
VISA......................10,40 % ao Mês
CREDICARD...........11,40 % ao Mês
POUPANÇA............0,79 % ao Mês"
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Quarta-feira, Junho 25, 2003
Para quem tem blogs, é interessante o projeto Viajantes da Blogosfera. Cliquem na figura abaixo (segurando o SHIFT...) pra saberem ais a respeito - e vejam o trecho:
"A comunidade Viagente cria um novo canal em harmonia com o 'Movimento da Blogosfera'. O termo, surgido na nova sociedade do conhecimento, identifica o universo da mais surpreendente forma de comunicação desses tempos de reinvenção e criação de novos conceitos: os blogs.
Espalhados pelo mundo, em metrópoles, cidades, vilas e vilarejos, o movimento revela as verdadeiras vozes que demonstram o mais honesto panorama da realidade atual, abandonado por uma mídia mais preocupada com seus interesses mercantilistas do que com o franco diálogo entre as comunidades. As idéias que fervilham e que não param de retratar um novo mundo, onde a voz tem um encontro constante com a tecnologia e desenha o real cenário do futuro."
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
A coluna do Fernando Rodrigues na Folha de hoje está muito boa! Ele faz uma análise voltando no tempo e comparando a era Sarney com a era atual, de milhares de pessoas de acotovelando pelas vagas de gari. Tudo de uma maneira muito sintética e simplificada.
-------------------------------------------------------------------
"Contar até dez
- Fernando Rodrigues
Cerca de 15 mil pessoas se acotovelaram no Rio por algumas vagas de gari. Só estava convocado quem tivesse nome começando pelas letras 'A' e 'B'. Havia gente com curso superior. Salário: R$ 610.
O episódio é emblemático. Há na história exemplos de como a situação econômica pressionou a atuação política do governo.
A crise do final dos anos 70 contribuiu para o enterro do governo militar. Surgiu então o novo sindicalismo no ABC. O PT veio em seguida.
Em 1986, José Sarney fez o Plano Cruzado. Houve uma sensação de alívio imediato por um tempo. Depois, o caos. Nesse cenário, Fernando Collor foi eleito em 89. Confiscou o dinheiro depositado nos bancos.
Apesar de absurdo, o Plano Collor fez a inflação cair. Deu um certo refresco momentâneo para a população. Era ilusão. O impeachment encerrou esse ciclo.
Com FHC, veio o Plano Real em 94. Novamente uma sensação forte de bem-estar quase instantâneo. O preço do pãozinho estacionou.
O artificialismo ficou evidente em 98, com a reeleição do tucano. Constatou-se ser uma loucura o real estar cotado em um dólar. Ato contínuo, Lula elegeu-se presidente.
O petista anuncia um espetáculo de crescimento. O superministro José Dirceu culpa a 'herança maldita' pelo atraso. Esse é o pastel de vento oferecido, e a popularidade presidencial fica nas alturas. Enquanto isso, o desemprego dispara e advogados tentam uma vaga de gari no Rio.
Ontem, Lula usou uma de suas frases de gosto duvidoso para explicar a volta do crescimento. Disse ter aprendido a 'contar até dez, apesar de só ter nove dedos'.
Essa retórica popular está alicerçada em pesquisas e no carisma do presidente. Funciona. Mas tem um prazo de validade.
Os 15 mil quase se matando no Rio para serem garis já representam uma parcela da população pouco disposta a contar até dez. É um aviso."
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Terça-feira, Junho 24, 2003
Já que nosso blog andou fazendo várias críticas ao governo Lula - e tendo em vista que nós duas votamos nele, com empenho, e muito esperamos de seu governo -, resolvi postar algumas análises mais otimistas nos últimos dias. Se o princípio do Jornalismo é ouvir os dois lados, nada mais justo que colocássemos um texto de alguém do governo, defendendo todas as causas de nossas frustrações. Meu escolhido é José Genoino, atual presidente nacional do PT, em análise publicada na Novae. Leiam o trecho e, se se interessarem, não deixem de visitar o site e ver tudo o que o político escreveu.
"A crítica, no entanto, embora deva ser sempre livre, pode se tornar estéril e nociva se assumir uma perspectiva meramente destrutiva. Além de lançar as luzes do esclarecimento sobre a realidade e os acontecimentos, a crítica deve ter o intuito de construir alternativas e indicar saídas. Posta neste horizonte positivo, a crítica pode suscitar um debate produtivo no próprio ambiente da intelectualidade, entre os intelectuais e os políticos e entre os intelectuais e outros agentes sociais. Posta de forma destrutiva, a crítica não passará de uma fúria do nada, de um desencanto com o mundo."
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
A revolução cubana de 1959 foi a maior resistência da América Latina contra o imperialismo norte-americano. Hoje a ilha está arrasada pelo isolamento e não participa nem mesmo do Grupo do Rio, criado em 1986 e formado pelos países da América do Sul e Central. Agora os EUA querem impor suas vontades políticas e econômicas através da integração do continente em blocos como a ALCA. E Cuba está lá, aquele símbolo de resistência... O que Bush pretende fazer? O mesmo que fez com o Panamá, Afeganistão, e com o Iraque. É sobre esse risco que o jornalista Jose Arbex Jr. fala em seu artigo da Caros Amigos. É grande, mas muito completo - não deixem de ler.
"De olho na Alca, Bush aperta o cerco a Cuba
- por José Arbex Jr.
Cuba, mais do que nunca, está em perigo. Multiplicam-se
os sinais de alarme. O mais claro foi dado no dia 18 de
maio, pela rede de televisão estadunidense ABC, que,
citando um 'alto funcionário do governo', informou que
Jeb Bush, governador da Fórida, pediu ao seu irmão
George, presidente dos Estados Unidos, que ordene a
invasão da ilha. A intervenção de Jeb não é casual:
reflete os vínculos da família Bush com a máfia cubana
residente na Flórida, Estado que assegurou a eleição de
júnior, mediante o recurso a expedientes fraudulentos.
Tampouco é casual o fato de um grande número de cubano-
americanos ocupar posições-chave no governo federal,
incluindo Otto Reich, assessor especial do Departamento
de Estado para a América Latina. Esse quadro, por razões
óbvias, tornou-se mais sombrio após a invasão do Iraque.
No início de abril, o embaixador estadunidense na
República Dominicana, Hans Hertell, esclareceu o vínculo
entre as coisas, ao afirmar que a intervenção no
Iraque 'enviará um sinal muito positivo e exemplo muito
bom para Cuba', e que a invasão do país árabe era só o
começo de uma 'cruzada libertadora que abarcará todos os
países do mundo, Cuba incluída'. Indagado por
jornalistas, o secretário da Defesa Donald Rumsfeld
declarou que Cuba 'por enquanto' não teria o mesmo
destino do Iraque, 'mas, bom, se no futuro constatássemos
que em Cuba há armas de destruição em massa, então,
teríamos de agir'. Repete-se, assim, o mesmo velho
esquema que preparou a intervenção no Afeganistão e no
Iraque. Consiste em criar uma atmosfera de tensão,
mediante a alusão a crises e confrontações fictícias,
observa o jornalista cubano Manuel Medina: 'Eles mudaram
só o ritmo e a freqüência. Aconteceu em Granada, no
Panamá, em Kosovo, no Afeganistão e, há pouco, no Iraque'.
A Casa Branca, recorrendo a um cinismo sem limites, acusa
Cuba de promover, artificialmente, uma 'crise migratória'
nos Estados Unidos, mediante o envio, para a Flórida, de
massas de imigrantes ilegais. O objetivo seria gerar
naquele Estado uma situação social insustentável: 'Se
houver uma imigração volumosa, ilegal e desorganizada,
será nossa responsabilidade responder. Cuba ameaça uma
crise migratória na qual não estamos interessados',
afirma Kevin Whittaker, chefe do escritório de Cuba no
Departamento de Estado. Pena que esse senhor se esqueceu
de esclarecer que, durante os últimos quarenta anos,
Washington estimulou a emigração ilegal de Cuba para seu
território, mediante a aplicação da chamada Lei de
Ajuste. Imigrantes cubanos ilegais são os únicos que
recebem, automaticamente, permissão para permanecer
indefinidamente nos Estados Unidos. Apenas para comparar,
os emigrantes mexicanos ilegais recebem tratamento
subumano, quando não são simplesmente assassinados ao
tentarem cruzar o rio Grande. Agora, a Casa Branca quer
transformar esse assunto em pretexto para a invasão.
Dentro de Cuba, os preparativos da invasão são comandados
por James Cason, chefe da Seção de Interesses dos Estados
Unidos em Cuba. Cason é o encarregado de recrutar e
organizar agentes provocadores e, se possível, 'grupos de
resistência' - como foi o caso do Exército de Libertação
do Kosovo (ELK), durante a Guerra da Iugoslávia, e da
Aliança do Norte, no Afeganistão, ambos conhecidas
organizações de narcotraficantes. Os três 'dissidentes'
fuzilados pelo regime de Fidel Castro eram criminosos
comuns, parte do lumpesinato integrante da rede recrutada
por Cason. Isso, por si só, não justifica nem torna
aceitável a aplicação da pena de morte, mas explica o seu
contexto. A execução abriu brecha para
que 'especialistas', 'comentaristas' e 'humanistas' se
apressassem em condenar a própria revolução cubana,
apresentando-se como virgens horrorizadas com
o 'totalitarismo' de Fidel Castro, com a mesma
despudorada sem-vergonhice com que ocultam, ou no máximo
minimizam, as violações dos direitos humanos praticadas
pelos Estados Unidos e aliados.
Também no campo da mídia, portanto, repete-se a operação
muitas vezes já vista no passado. Quem não se recorda das
dezenas, centenas, milhares de artigos de condenação à
violência do Taleban no Afeganistão, quando se preparava
a invasão daquele país? E agora? Alguém se lembra de ter
lido alguma denúncia sobre os narcotraficantes da Aliança
do Norte empossados por Baby Bush? Ou será que a Aliança
do Norte se tornou sóbria respeitadora dos direitos
humanos? Ou então: quantos dos intelectuais e humanistas
que condenaram o Taleban por ter cometido a bárbara
explosão da estátua gigante de Buda proclamaram o seu
horror face à destruição das riquezas arqueológicas do
Iraque promovida pelos Estados Unidos?
Em reação à sensação de perigo que paira no ar, vários
ganhadores do Prêmio Nobel, intelectuais e artistas
famosos - da escritora Rigoberta Menchú ao ator Danny
Glover -, divulgaram um apelo em defesa da revolução
cubana, no início de maio. Depois, foi a vez de dezenas
de intelectuais respeitados - incluindo István Mészáros,
Samir Amin e Marta Harnecker -, todos participantes do
encontro Karl Marx e os Desafios do Século 21, realizado
em Havana, lançarem um novo manifesto. Não é apenas a
brutalidade de Bush que cria a sensação de perigo
iminente. É, sobretudo, o fato de que o cerco a Havana é
coerente com a estratégia adotada pela Casa Branca para a
América Latina, que combina a multiplicação de bases
militares com pressões para a formação da Área de Livre
Comércio das Américas (ALCA).
Esse é um ponto central da atual conjuntura
internacional, e permite compreender as razões de Bush
para promover um ataque sem tréguas a Cuba. Com a
economia em séria crise, os Estados Unidos elevam ao
máximo a pressão pela ALCA, como tentativa de ganhar
fôlego. Como parte dessa estratégia, e para demonstrar a
sua urgência, os Estados Unidos exigem que os países da
América Central também formem uma área de livre comércio
(Cafta, na sigla em inglês). A idéia é aprofundar o
processo de subordinação das economias daqueles países
aos interesses das transnacionais estadunidenses, e ao
mesmo tempo isolar o Brasil no contexto latino-americano,
como forma de aumentar as pressões sobre o governo de
Luiz Inácio Lula da Silva. Nesse contexto, Cuba aparece
como um dado insuportável para Bush. É intolerável que
uma pequena ilha desafie a superpotência, não por uma
questão econômica, mas por seu aspecto simbólico. A queda
de Cuba teria o significado de uma catastrófica derrota
para os povos latino-americanos, e pavimentaria, por
isso, o caminho para a implantação definitiva da ALCA.
É isso, precisamente, que coloca para cada latino-
americano a necessidade de defender a revolução cubana.
Não se trata de nenhuma relação de solidariedade
abstrata, nem de mero dever moral. Trata-se de sustentar
um bastião contra um poder imperial que deseja anexar
economicamente todo o hemisfério, e ocupar militarmente
as suas reservas de petróleo e biodiversidade. Defender
Cuba é defender o Brasil e todos os países latino-
americanos contra o inimigo comum.
Lula propõe integração de Havana
'Confesso não ver nenhum sentido no fato de Cuba estar
fora desse grupo, mas, como não sei quais são as razões
que levaram o país a não ser convidado, vou querer
saber', afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
dia 24, em Cuzco, Peru. Lula se refere, no caso, ao Grupo
do Rio, criado em 1986, como um mecanismo de consulta
política de seus dezenove membros da América Latina e do
Caribe. No próximo ano, o Brasil assumirá a presidência
do grupo. Com isso, abre-se um caminho para que Cuba
rompa quatro décadas de total isolamento diplomático a
que foi submetida no hemisfério, por pressão dos Estados
Unidos.
Ao discursar, no encerramento da 17a reunião do fórum, no
Parque Arqueológico de Saqsaywamam, no Templo de Adoração
ao Sol, Lula afirmou: 'Pretendo consultar todos os
membros do Grupo do Rio para que Cuba possa participar
pelo menos como convidada especial do nosso encontro'. A
proposta de Lula ganha ainda mais significado quando se
recorda que, pressionados pela Casa Branca, México,
Chile, Paraguai, Guatemala, Uruguai, Peru e Costa Rica
votaram a favor de uma resolução que pedia o envio de um
representante das Nações Unidas para a ilha, com o
objetivo de investigar a situação dos direitos humanos.
Participam do grupo: Peru, Brasil, Argentina, Bolívia,
Colômbia, Costa Rica, Chile, Equador, El Salvador,
Guatemala, Guiana, Honduras, México, Nicarágua, Panamá,
Paraguai, República Dominicana, Uruguai e Venezuela."
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Segunda-feira, Junho 23, 2003
O jornalista Luciano Martins Costa faz uma análise sobre a Folha de S.Paulo e sua postura anti-Lula desde o início do governo. Como temos postado muitas notícias de lá, acho muito válido para o FMB. Também vale a pena como uma crítica ao jornalismo brasileiro e sobre como a parcialidade pode ser prejudicial (embora imparcialidade seja utopia). Mas não é a Folha que sempre diz que "não tem rabo preso"...?
Cliquem (com a mão no SHIFT) da foto abaixo para lerem o texto completo, publicado na Novae:
trecho: "A economia, como todos sabem, não é uma ciência exata. Muito menos a filosofia. A elevação de economistas à condição de oráculos, promovida nos anos de inflação por jornalistas embasbacados, ajudou muitos espertalhões a ganhar muito dinheiro à custa dos brasileiros, com aquelas célebres previsões auto-realizáveis. A elevação de acadêmicos à condição de deuses é demonstração de provincianismo. Sabemos todos que os acadêmicos não conseguiram nem mesmo nos oferecer um modelo satisfatório de universidade. Afirmar que a esperança acabou porque o presidente não leu o sr. Arantes não é apenas pretensão e arrogância intelectual. É mau jornalismo. "
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Hoje na Folha -- Caderno Ilustrada
:::::AUTO-RETRATO:::::
De Gutenberg à blogosfera
NELSON ASCHER
A impressão com caracteres móveis (tipografia), desenvolvida em meados do século 15 por Johannes Gutenberg (1397-1468), decorreu menos de qualquer invenção original do que da convergência de inúmeros avanços técnicos que, em áreas tão variadas como a produção de vinho e azeite (onde se usava a prensa), o comércio (que permitiu a difusão na Europa do papel inventado pelos chineses) ou a metalurgia, vinham se acumulando havia séculos.
Se, de início, limitando-se aos textos com os quais a autoridade religiosa se justificava, essa maneira de produzir livros favoreceu as forças da tradição, em meio século, graças aos exemplares exponencialmente multiplicados por impressores e tradutores, uns tão heréticos quanto os outros, a Bíblia, tornando-se acessível a novos leitores, incentivou alguns destes a usar a letra dos textos sagrados para questionar o monopólio oficial de interpretá-los.
As relações entre produção em massa de livros, reforma protestante, alfabetização universal, separação entre igreja e Estado, democracia representativa e autonomia do indivíduo são infinitamente complexas, mas nem por isso menos óbvias. Já faz pelo menos meio milênio que a liberdade política se nutre do acesso desimpedido à informação e de sua contrapartida natural, o direito de supri-la. O adjetivo "desimpedido" equivale à garantia de que qualquer um possa fornecer e/ou receber a informação que bem entender, avaliando-a, em última instância, segundo suas próprias luzes. Quinhentos anos de tentativas e erros demonstraram que todo monitoramento de sua circulação resulta sempre na corrosão da liberdade.
Uma das principais razões da derrocada dos regimes comunistas europeus em 1989 foi a contradição, afinal irresolúvel, entre, por um lado, a necessidade crescente do trânsito de informações em sociedades cada vez mais complexas e, por outro, um modelo político incapaz de sobreviver sem controlá-lo. Não há ideologia autoritária de esquerda ou direita que simpatize com os meios de comunicação de massa, exceto, é claro, quando se encontram nas mãos de seus seguidores.
O surgimento da blogosfera no mundo anglófono e sua transformação qualitativa, em menos de dois anos, numa instância ou espaço dotado de características específicas e de dinâmica própria resultaram igualmente de uma longa série de progressos tecnológicos graduais convergindo num momento histórico preciso que, por diversas razões, quase parecia requerer sua criação.
A blogosfera, por exemplo, se não o rompe de todo, seguramente relativiza o nexo que a tecnologia pesada da televisão reforçara entre difusão de informação e poder econômico ou estatal, resolvendo, através de uma "terceira via", o impasse entre quem pregava soluções estatizantes para o controle empresarial dos meios de comunicação e os que combatiam seu controle estatal propondo alternativas empresariais. A terceira via em questão nada mais é que uma devolução de poder à sociedade civil.
Se bem que seja cedo demais para saber quão profunda há de ser a influência da blogosfera anglo-americana, seu efeito sobre a mídia impressa e eletrônica, ou mesmo se se trata de algo que veio para ficar, pode-se dizer que ela se assemelha, por enquanto, a um exército ou a um corpo de bombeiros formado de voluntários, pois, reunindo-se em momentos de crise, tende a dispersar-se tão logo esta se resolva. Aos meses de "blogagem" frenética que acompanharam primeiro o conflito diplomático que precedeu a guerra no Iraque e, então, a própria guerra, seguiu-se um período substancialmente mais ralo. Como a massa crítica de blogs políticos surgidos no contexto da guerra quente entre os EUA e o islamismo radical são mais ou menos monotemáticos, eles não têm com o que (nem por que) encher seu espaço virtual quando o conflito esfria temporariamente, algo que nem a imprensa nem a TV podem deixar acontecer.
Outro fator importante é que, na maioria das vezes, a blogosfera não produz informação: somente a discute, coteja, filtra. Uma de suas funções tem sido justamente a triagem de notícias. Embora a internet coloque à disposição do leitor centenas ou milhares de jornais, revistas, webzines, quem é que dispõe de tempo para ler uma parte significativa do total? E mesmo se tempo não fosse um problema, caso consideremos a altíssima taxa de redundância, valeria a pena? Os blogs, de acordo com seus interesses, preferências e pendores ideológicos, oferecem comentários e estabelecem os links que julgam necessários, enquanto o leitor, por seu turno, após visitar vários, voltará, por razões de utilidade e/ou afinidade e/ou credibilidade, a alguns poucos, tornando-se seu frequentador. Assim, se a blogosfera concorre diretamente com as páginas editorialísticas e de opinião da grande imprensa, ela não substitui e pode, aliás, estimular o que esta faz melhor (quando o faz): reportagens, sobretudo as investigativas.
Muitos comentaristas, constatando que os modelos políticos e econômicos adotados pelos países que falam inglês se parecem mais entre si do que com os do resto do planeta, inclusive os da Europa continental, começaram a adotar o termo "anglosfera". O atual emaranhamento acelerado das malhas da internet, além de representar um novo capítulo da globalização, envolve um desdobramento que não deixará os antiglobalistas felizes, pois, estreitando os vínculos informais entre americanos, britânicos, australianos etc. e incorporando mais internautas ao universo da anglofonia, ele aumenta a influência da língua inglesa e de tudo o que esta veicula.
:::::PROPAGANDA:::::
Cristina está desenvolvendo um projeto na faculdade:::: Um blog (!)::::, pois é, e o assunto explorado pelo grupo dela é " notícia na internet".... Para quem quiser saber mais sobre o assunto:::::: NOTÍCIA NA INTERNET
:::::::
Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.
por MARIA TEREZA NOVO DIAS
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Domingo, Junho 22, 2003
Nilson Nobuaki Yamauti, doutor em ciências políticas pela USP, faz uma análise sobre as questões que envolvem o governo Lula, além de pensar no futuro do Capitalismo e nas relações políticas do mundo pós-moderno em que vivemos. Colocarei alguns trechos, já que o texto original é enorme - mas visitem o site da Caros Amigos para ler tudo.
"EXISTEM SAÍDAS EFETIVAS DE CURTO PRAZO PARA O GOVERNO LULA?
- por Nilson Nobuaki Yamauti
(...) Após alguns meses da posse, o governo do PT prossegue atrelado ao catecismo neoliberal do FMI: juros bastante elevados, corte nos gastos públicos, manutenção de um certo nível de reservas em moeda estrangeira e preservação, enfim, de condições de solvência do país para manter a confiança dos investidores internacionais. Quanto à preocupação do governo Lula com o problema da fome, ela apenas coincide com a reorientação da ortodoxia neoliberal efetuada pelo Banco Mundial durante a década de 90.
Na verdade, não parece possível vislumbrar soluções de curto prazo para o Brasil. Vargas, Quadros, Goulart e Collor enfrentaram crises na balança de pagamentos do país associadas à insuficiência de poupança para alavancar o desenvolvimento econômico e promover a integração social da massa de excluídos. Não conseguindo equacionar os impasses crônicos do padrão brasileiro de acumulação capitalista, todos os presidentes citados se viram diante do problema da governabilidade, que, direta
ou indiretamente, impediu que concluíssem os seus mandatos.
O governo Lula recebeu como herança certas condições bastante propícias para uma crise de governabilidade. Ocorre que em 2002, com a intenção, certamente, de manter o Brasil integrado ao sistema financeiro internacional, o FMI ofereceu um empréstimo de 30 bilhões de dólares ao país, sendo 24 bilhões de dólares liberados durante o primeiro ano de governo Lula desde que este se mantivesse fiel às suas recomendações neoliberais. Recusar esse empréstimo e decretar uma
moratória unilateral a fim de tornar o Brasil independente dos especuladores internacionais significaria para o governo ter de enfrentar uma crise econômica de curto prazo de proporções indescritíveis. O
Brasil poderia passar por uma tempestade semelhante à que viveu a Argentina e talvez até mais grave em termos de convulsão sócia, por apresentar um dos piores índices de distribuição da renda do planeta. Com ações voluntaristas, de forma apressada, orientado pela boa intenção de construir um modelo econômico independente, menos excludente, oposto ao modelo neoliberal, o governo
Lula poderia não sobreviver à violenta crise de governabilidade que resultaria do desequilíbrio na
balança de pagamentos e da paralisação de setores produtivos que dependem da importação de insumos e de financiamento de exportações e que correriam ainda o risco de ter suas mercadorias confiscadas no exterior. A ruptura do cordão umbilical que tornou o país dependente do sistema financeiro internacional, a partir sobretudo da megalomania dos militares pós-64, não pode ser
efetivada pela simples vontade de um governo eleito em conjuntura não abertamente revolucionária que precisa administrar um padrão de acumulação capitalista dependente de poupança externa e gerir um Estado atolado em dívidas, sob pressão do mercado globalizado, precisando atender a demandas emergenciais de milhões de brasileiros excluídos.
Por outro lado, o grande dilema do governo do PT é que, se prosseguir subordinado às prescrições neoliberais do FMI, não conseguirá estabelecer as bases da governabilidade no médio prazo, que, no contexto atual do país, consistem no desenvolvimento econômico sustentado e na distribuição de emprego e renda. Por isso, é difícil discutir uma saída de curto prazo para o Brasil: se correr imediatamente para o modelo de desenvolvimento independente, o bicho pega; se ficar atrelado ao modelo neoliberal, o bicho come.
QUESTÕES ESTRUTURAIS GLOBAIS
(...) A questão, agora, é que não existe uma democracia em nível global para domesticar a fúria e a voracidade do capital que se desgarra da camisa-de-força da democracia no plano nacional.
Esse fenômeno histórico é mais perverso em países periféricos, como o Brasil, que não conseguiram
desenvolver ainda um Estado de bem-estar dotado de recursos suficientes para amenizar o problema, inerente à economia capitalista, da exclusão social. Com a globalização do mercado, a democracia nesses países torna-se insuficiente para moderar os impulsos irracionais autodestrutivos do processo de acumulação de capital.
Por isso, não devemos esperar do governo Lula nem dos governos seguintes saídas milagrosas para um problema histórico-estrutural que, segundo as elites internacionais, não tem mais solução. A inexistência de processos democráticos de representação da coletividade cosmopolita - que pudessem instituir um poder político capaz de refrear efetivamente os ímpetos irracionais do mercado globalizado - favorece a formação de nuvens sombrias que escurecem os horizontes da humanidade.
A TERCEIRA REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA
Estamos tendo o privilégio de presenciar uma revolução tecnológica que será provavelmente a mais convulsiva de toda a história do gênero humano, em razão da velocidade e da amplitude das mudanças em cadeia que acarreta (...). Essa revolução já propiciou o fenômeno da globalização do mercado financeiro que colocou em crise certos fundamentos do Estado nacional e da democracia. Parece estar na origem da desestruturação de crenças, de valores e de identidades. Torna obsoletos certos princípios teóricos elaborados pelas ciências sociais. Produz transformações profundas no mundo do trabalho a ponto de deixar perplexos os dirigentes sindicais. A terceira revolução tecnológica libera forças de desagregação inauditas que estão abalando estruturas e superestruturas, dissolvendo concepções de mundo, independentemente da vontade de elites e de partidos, sejam estes conservadores, sejam revolucionários - se é que existem ainda grupos que tenham tal pretensão. Mas propicia, ao mesmo tempo, oportunidades promissoras para a construção de uma nova realidade mundial.
CAMINHOS PRESUMÍVEIS
Nesse contexto conturbado, estamos vivendo uma crise da economia capitalista semelhante à que transbordou em 1929. Só que dessa vez o terremoto tem sido menos rumoroso, mais gradativo e mais bemr administrado pelas instituições e pelas elites internacionais. Trilhões de dólares estarão se evaporando das bolsas de valores e outros trilhões poderão se evaporar do mercado financeiro virtual provavelmente sem grandes cataclismos. Se a crise se agravar a ponto de provocar uma estagnação prolongada em nível global, poderá surgir para o Brasil a oportunidade de fazer a opção inevitável por novos caminhos, como ocorreu em 1930. Tivemos naquela ocasião a chance de escolher a rota da
industrialização dirigida à substituição de certas importações que, com a crise, se tornaram proibitivas
para a economia brasileira. Uma nova crise profunda da economia capitalista pode, quem sabe, demandar concepções de ordenamento do espaço nacional diversas daquelas formuladas pelas ciências econômica, social e política clássicas.
(...) Se nesse processo histórico longínquo a economia mundial for ainda capitalista, supõe-se que esse Estado de direito supranacional, sob controle democrático de uma sociedade civil robusta, teria recursos e condições para domesticar as forças da economia de mercado, tornando viável uma redução substancial da jornada de trabalho como saída para o desemprego mundial. Se nesse contexto a sociedade civil vier a ser orientada por novos valores, princípios e estilos de vida, a superação gradativa da economia de mercado parece ser algo quase natural.
O que soa hoje improvável é a possibilidade de construção do socialismo em âmbito nacional em um
contexto de revolução tecnológica e de globalização sob as trevas de uma ditadura de partido único condenada ao burocratismo, à corrupção e à degeneração do poder, como ficou comprovado pela história do século 20. (...)
No Brasil, estão brotando milhares de pequenas e silenciosas experiências de organização da sociedade civil implementadas e financiadas por ONGs de todo tipo ou desencadeadas por iniciativa de movimentos sociais espontâneos. Essas experiências poderiam ser compreendidas como pequenas gotículas que vão enchendo o grande reservatório de água denominado sociedade civil internacional. São ações cotidianas anônimas que se multiplicam, promovendo mudanças quantitativas irreversíveis, de baixo para cima, lenta e inexoravelmente, sem qualquer estardalhaço revolucionário. Uma visão de história de longo período poderá um dia constatar a relevância dessas micromudanças que se acumulam independentes de grandes projetos teóricos e políticos de transformação social, podendo relativizar, assim, a importância do momento do transbordamento qualitativo, bem como a importância do papel dos heróis e dos acontecimentos explicitamente revolucionários.
O trabalho teórico parece necessário, contudo, para o ordenamento cognitivo dos fatos e do movimento da realidade, a fim de proporcionar um mínimo de lucidez às ações empreendidas no processo histórico de transformações sociais. Necessário, portanto, para tentarmos surfar na gigantesca onda que ameaça nos arremessar contra as rochas pontiagudas incrustadas na praia da pós-modernidade. Se não possuímos ainda recursos políticos para controlar essa onda revolucionária, podemos tentar descobrir, entretanto, condições para que ela nos conduza para onde conscientemente desejamos - liberdade como consciência da necessidade."
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Sábado, Junho 21, 2003
O texto seguinte, do cientista político José Luís Fiori, foi publicado na Agência Carta Maior. Trata da Guerra do Iraque sob uma perspectiva do mundo pós-Guerra Fria. Quais são as mensagens que o eixo anglo-americano quis passar para as outras potências mundiais? E qual a mensagem que passaram para os países periféricos? Qual a importância dessa invasão no Iraque dentro da estratégia geopolítica mundial? Qual a relação disso com a História e com o tabuleiro imperialista que as potências criaram, desde o longíquo Congresso de Viena? Este artigo é uma verdadeira aula de História e vale a pena ser lido e analisado por todo mundo, mesmo por aqueles que acham já terem lido tudo sobre essa recente invasão no Oriente Médio. Surpreendam-se...
"Ataque econômico preventivo
- José Luís Fiori - 16/6/2003
'O imperialista, com os olhos duros e lúcidos, contempla a multidão dos povos e vê, olhando para todos eles, a sua própria nação'
Rudolf Hilferding, O Capital Financeiro, 1910
Quase tudo o que é possível já foi dito sobre a última Guerra do Iraque. Foi quase um ano de preparação militar, para dezoito dias de guerra, e afinal, na medida em que o tempo passa, ela vai ficando cada vez mais parecida com uma guerra colonial de tipo clássico. Unilateral, localizada e envolvendo duas grandes potências contra um estado periférico; fora do núcleo central do sistema mundial e apoiada por argumentos frágeis e acusações quase desnecessárias. Uma espécie de guerra de um lado só, para ocupação de um território com alta dotação de petróleo, seguida da derrubada do seu governo, como tantas outras que aconteceram, durante a segunda metade do século XIX, e também durante o XX. O
que chama a atenção, é o fato de que apesar deste perfil clássico, esta nova guerra no Iraque se transformou num verdadeiro conflito 'mundial', uma espécie de 'guerra hegemônica', envolvendo, de uma forma ou outra, todas as demais Grandes Potencias, e um número significativo de estados de segunda e terceira importância, dentro da hierarquia geopolítica mundial. Além disto, seus efeitos abalaram várias dimensões e instituições mundiais e sacudiram todos os tabuleiros geopolíticos mundiais, atingindo o próprio 'círculo dos criadores da moralidade internacional' de que falava Edward Carr, no seu clássico The Twenty Years' Crisis, 1919-1939.
O mais provável é que isto tenha acontecido porque esta guerra foi uma espécie de proxi do fim Guerra Fria e da Guerra do Golfo. E neste sentido, faz parte de um lento processo de 'rendição' dos derrotados, que não aconteceu, e de um 'Acordo de Paz' entre os vencedores, que tampouco existiu. Acordo sobre a divisão dos territórios conquistados, e sobre a definição das novas regras de funcionamento do sistema político mundial. Se for assim, a nova Guerra do Iraque contém vários sinais e mensagens enviados ao mundo, pela mesma coalizão anglo-americana que definiu as bases e diretrizes da ordem mundial, depois II Guerra. Quais serão este sinais, e a quem foram dirigidos? Tomará ainda muito tempo para decifrá-los, mas algumas coisas já podem ser lidas, e são mais urgentes.
Em primeiro lugar, não é difícil de entender a lógica da ocupação territorial americana que iniciou depois da vitória de 1991 e culminou com a tomada de Bagdad. O movimento seguiu ma linha bastante clara: começou pelo Báltico, atravessou em paz, a Europa Central, a Ucrânia e a Bielorrussia, se transformou em guerra nos Bálcãs, e depois de confirmada a aliança com a Turquia, chegou até a Ásia Central e o Paquistão, com a guerra do Afeganistão, e até Bagdad e a Palestina, com a última guerra do Iraque. Portanto, com a exceção da Síria e do Irã, os Estados Unidos reina hoje, soberano, em quase todo o 'Rimland' , a área geopolítica mais importante do mundo, para o exercício do poder global, segundo
Nicholas Spykman, o grande geopolítico norte-americano, da primeira metade do século XX. Depois da guerra, não fica difícil de ver no mapa das bases militares norte-americanas, através do mundo, que os Estados Unidos já construíram um 'cinturão sanitário', separando a Alemanha da Rússia, e a Rússia da China. Deixando claro, portanto, que se não acontecerem grandes novidades, os seus novos concorrentes estratégicos, além da China, seguirão sendo os mesmos da Inglaterra, desde o Congresso de Viena, e sobretudo depois do nascimento da Alemanha, em 1871.
Deste ponto de vista, a mensagem mais importante da última guerra foi dirigida diretamente ao clube das Grandes Potências, onde têm assento todos os antigos aliados americanos, da Guerra Fria, e na Guerra do Golfo. São eles os maiores produtores de armas de destruição de massas, e os principais destinatários da nova Doutrina Bush, que prevê e defende ataques preventivos contra os seus detentores. Na verdade, os Estados Unidos já fizeram uso deste 'direito' em inúmeras outras ocasiões, durante os séculos XIX e XX, mas quase sempre contra países pequenos ou periféricos, ou sob os auspícios da Guerra Fria. A novidade não está neste ponto, está no anuncio claro e inequívoco de que o
objetivo último da nova doutrina é impedir o aparecimento, em qualquer ponto, e por um tempo indefinido, de qualquer outra nação ou aliança de nações que rivalize com os Estados Unidos. Uma estratégia de 'contenção', como a que foi sugerida por George Kennan e adotada pelos Estados Unidos, com relação à União Soviética, depois de 1947, só que agora visando o exercício de um poder global que envolve uma prevenção permanente e universal. Nenhuma das Grandes Potências se opôs à deposição de Saddam Hussein, nem a uma intervenção coletiva no Iraque. Sua oposição foi à forma
unilateral que os Estados Unidos impuseram ao processo, agravando um quadro que já vem dos anos 90, de distanciamento cada vez maior entre os Estados Unidos e seus dois maiores 'protetorados militares', decisivos para o sucesso econômico mundial do pós-II Guerra Mundial: a Alemanha e o Japão. Não é difícil de perceber que na década de 80, a economia americana cresceu mais do que os outros dois, como acontece sempre nos período de preparação e escalada pré-bélica. Mas a União Soviética se dissolveu sem guerra, e na década de 90, a economia americana seguiu crescendo, enquanto o Japão e a Alemanha afogavam-se num imenso poço de liquidez e de 'imobilismo satisfeito', desarmados que foram de seus velhos projetos nacionais. Se for assim, estaremos assistindo apenas o início de uma nova rodada de competição e conflito dentro do clube das Grandes Potências.
Em segundo lugar, a recente guerra no Iraque trouxe uma mensagem muito clara para a periferia do sistema mundial, situada fora do Oriente Médio e da Ásia Central. Cerca de 100 países independentes, a maioria muito pouco desenvolvida e situada na escala inferior do poder e da riqueza mundial. Mas alguns deles, maiores, com melhores perspectivas de expansão econômica e com algum tipo de projeção política regional. Quase todos eles foram colônias européias em algum momento de suas histórias, e a maioria se mantém até hoje na condição de 'quase-estados', com soberanias extremamente limitadas pela contínua intervenção das Grandes Potências. Estes estados cresceram geometricamente, depois da II Guerra Mundial, sob auspícios da política competitiva dos EUA e da URSS, partidários da auto-determinação dos povos e do direito ao desenvolvimento econômico nacional. Durante a Guerra Fria, a competição global e bipolar entre a União Soviética e os Estados Unidos funcionou como um cinturão de segurança que foi capaz de manter a 'ordem' neste universo, enquanto o socialismo e o desenvolvimentismo mantinham uma expectativa de mobilidade fundamental para legitimar o poder dos dois dentro desta galáxia de novos estados nacionais. No fim da década de 1970, entretanto, o 'desenvolvimentismo' já perdera fôlego na maioria dos países periféricos, e logo depois, o socialismo também entrou em crise. Depois do fim da Guerra Fria, e durante a década de 1990, o rápido crescimento econômico americano, e o aumento do fluxo internacional de capitais, junto com a utopia da globalização conseguiram manter as expectativas coletivas, contribuindo para a manutenção da ordem geral. Depois do ano 2000, entretanto, a estagnação mundial e a volta da guerra ao centro do sistema internacional, junto com o crescimento pífio dos 'mercados emergentes', recolocaram uma questão pendente, desde o fim da Guerra Fria, sobre o que as Grandes Potências devem fazer, neste novo milênio, com suas ex-colônias, e com os todos os estados que elas 'inventaram' na América, no Oriente Médio, na Ásia e na África.
A resposta já estava dada nos anos 90, mas ficou escondida pelo brilho da vitória americana, e pelo deslumbramento com a utopia da globalização e da 'sociedade em redes'. Em 1996, o assessor internacional de Tony Blair, Richard Cooper, publicou um pequeno livro, The Post-ModernState and World Order, onde explica com toda clareza as diretrizes estratégicas do projeto globalitário e otimista da era Clinton-Blair. Segundo Cooper, o objetivo foi sempre o da construção de três novos tipos de 'imperialismos, aceitáveis ao mundo dos direitos humanos e dos valores cosmopolitas'. Um 'imperialismo cooperativo', para o mundo das Grandes Potências; um 'imperialismo baseado na lei das selvas', para os 'estados pré-modernos'; e um 'imperialismo voluntário da economia global', para os 'estados que se abram e aceitem pacificamente a interferência das organizações internacionais e dos Estados estrangeiros'.
Desta perspectiva, fica mais bem mais fácil de compreender a mensagem enviada pela última Guerra do Iraque aos países periféricos: em primeiro lugar, foi uma confirmação de que os anglo-americanos estão realmente decididos a aplicar a 'lei da selva', com relação aos povos incapazes de se manter dentro das regras definidas por eles mesmos. Mas além disto, a nova guerra traz junto, e bem empacotada, uma outra mensagem, que já foi decifrada pelo norte-americano John Mearsheimer, no seu recente Tragedy of Great Power Politics, quando diz, falando da China, que 'a política dos Estados Unidos na China está mal orientada., porque uma China rica não será um poder que aceite o status quo internacional. Pelo contrário, será um estado agressivo e determinado a conquistar uma hegemonia regional. Não
porque a China ao ficar rica venha a ter instintos malvados, mas porque a melhor maneira para qualquer estado maximizar as suas perspectivas de sobrevivência é se tornar um hegemon na sua região do mundo. Agora bem, se é do interesse da China ser o hegemon no nordeste da Ásia, não é do interesse da América que isto aconteça'. (2001; pp402)
Eis aí uma mensagem decisiva da nova doutrina e da última guerra. A tese de Mersheimer é sobre a China, mas deve ser lida como um novo princípio estratégico universal. Como não é possível a existência de uma verdadeira potência política, sem poder econômico, a competição econômica se transforma numa prolongação da guerra e vice-versa. Neste sentido, o primeiro ataque preventivo contra potencias emergentes e bem comportadas, não deverá ser militar, será econômico, e consistirá na contenção ou bloqueio do seu desenvolvimento."
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Sexta-feira, Junho 20, 2003
(há quanto tempo....)
Para quem tem notado minha ausência:::::::::::
Estou meio alienada para me preparar para o vestibular (paradoxo?)... Pois é, ontem, por acaso, peguei o final de uma reportagem do Jornal Nacional sobre o programa de medicamentos genéricos para AIDS, e a parte que assisti me fez lembrar do que havia dito (1° de junho) sobre a hipocrisia do G8 e as doações para medicar a AIDS na África:::::::::
O uso de remédios genéricos em países em desenvolvimento, como o Brasil, tem sido criticado pelos países mais ricos. Isto levou o Brasil a defender, esta semana, em Washington o seu programa de Aids.
Segundo o coordenador do programa brasileiro de Aids, alguns cientistas teriam questionado a qualidade dos genéricos produzidos no Brasil.
"Este tipo de informação colocando em dúvidas a capacidade dos países em desenvolvimento de prover adequadamente tratamento é um risco muito grande para as milhões de pessoas que estão esperando ter acesso aos medicamentos", acredita Paulo Roberto Teixeira, coordenador do programa de Aids.
Em resposta às críticas, Paulo Roberto apresentou ao Banco Mundial, que financia projetos de combate à Aids, uma pesquisa sobre a taxa de rejeição ao tratamento, que no Brasil é de 6,6%, menor que em países como Alemanha, França e Espanha.
A questão da Aids foi incluída na agenda do encontro que os presidentes Bush e Lula terão amanhã em Washington. O governo americano autorizou um gasto de US$ 15 bilhões, nos próximos cinco anos, para combater a doença na África e no Caribe, fornecendo remédios para dois milhões de pacientes.
O projeto de Bush está sofrendo críticas. Segundo Rachel Cohen, do grupo Médico Sem Fronteiras, o dinheiro americano pode acabar no bolso dos laboratórios. A organização, que usa genéricos brasileiros, atesta que as drogas são eficazes, e diz que o genérico do AZT produzido no Brasil é 94% mais barato do que o vendido por um grande laboratório.
Mas no Congresso americano, o projeto de Bush foi aprovado sem a emenda que obrigaria os Estados Unidos a combater a Aids na África e no Caribe usando os remédios mais baratos do mercado.
Ou seja, essa "doação" pode ser má aproveitada (vai ser), para favorecer esses grandes laboratórios....
:::::::
Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.
por MARIA TEREZA NOVO DIAS
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
É... Neste momento Lula e Bush estão reunidos na Casa Branca, tomando seu uísque e discutindo a criação de comissões bilaterais nas áreas de energia, agricultura, ciência e tecnologia. Essas negociações contribuirão enormemente para a implantação da ALCA no prazo estipulado (janeiro de 2005). Este é, portanto, o momento ideal para começarmos a discutir e questionar a ALCA e os benefícios/prejuízos que ela trará ao Brasil.
Como já tenho a opinião formada sobre o assunto, vou colocar uma entrevista com o economista Paulo Nogueira Batista Jr. que traz alguns pontos interessantes. Saiu na Folha de hoje:
"Folha - Por que o sr. avalia que a negociação para implementação da Alca é "altamente problemática" para o Brasil?
Paulo Nogueira Batista Jr - Não interessa ao Brasil participar de áreas de livre comércio com economias muito mais desenvolvidas e poderosas como a dos Estados Unidos ou a da União Européia. Há diferenças enormes no grau de desenvolvimento entre essas economias e a brasileira que tornam inconveniente uma abertura total ou muito ampla do mercado que implicaria a Alca.
Folha - O que aconteceria se o Brasil aceitasse a atual proposta?
Nogueira Batista - Do jeito que ela vem se configurando, vai haver um profundo esvaziamento da política econômica nacional. A ambição norte-americana é tanta, em tantos temas, que o Brasil perderia todo um conjunto de instrumentos em políticas públicas. Não é exagero dizer que o país ficaria sem condições de ter um projeto de desenvolvimento nacional. Por exemplo, não seria mais possível favorecer os fornecedores nacionais em compras públicas, instrumento que pode ser utilizado para fomentar o desenvolvimento regional.
Folha - A Alca traria vantagens como mais acesso ao mercado norte-americano para a indústria brasileira e o setor de serviços?
Nogueira Batista - O Congresso norte-americano e o Executivo estão indicando claramente que não pretendem fazer concessões expressivas nas áreas de interesse do Brasil. Eles querem retirar da Alca certas questões que são fundamentais para o Brasil e, por outro lado, incluir temas problemáticos para o Brasil. [Além disso], mesmo que a Alca não saia, o Brasil pode ampliar e diversificar suas relações comerciais. A prioridade é a consolidação do Mercosul e sua ampliação. O Brasil está intensificando relações com outros países, como África do Sul, China e Índia. Nada impede que nossas relações com eles cresçam mesmo sem a Alca. Não existe área de livre comércio entre EUA e União Européia, nem intenção de negociá-la, e o comércio entre eles tem aumentado.
Folha - Como o sr. avalia a forma como o governo trata o tema?
Nogueira Batista - Acho que a política externa brasileira no campo comercial é um aspecto positivo do governo Lula. Há uma expressiva diferença para melhor em comparação com o governo FHC. O Brasil indicou que não está satisfeito com o formato da negociação e indicou que, se temas importantes como antidumping e agricultura serão tratados na OMC, então temas com os quais o Brasil tem dificuldade também terão de ser tratados nesse âmbito."
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Carlos Henrique de Brito Cruz, reitor da Unicamp, faz uma interessante análise sobre a Reforma da Previdência e como ela afetará a vida dos professores universitários. Não concordo com algumas coisas, principalmente tendo em vista que ele fala com a visão (muito parcial) de um professor, mas há o que se discutir. Cliquem no trechinho (depois de apertarem a tecla shift!) abaixo para ler a versão completa que foi publicada na Folha de S.Paulo de hoje:
"No mundo contemporâneo, o desenvolvimento das nações é dependente do conhecimento e da educação. A curtíssimo prazo, uma reforma da Previdência visando gerar caixa pode até aliviar as despesas do Estado, mas, a médio e a longo prazos, seus efeitos, em especial sobre a universidade pública, trarão prejuízos irrecuperáveis ao desenvolvimento socioeconômico do país."
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
A Revista Forum publicou o seguinte manifesto, assinado por vários economistas (inclusive petistas), fazendo críticas à política econômica do governo Lula e apresentando sugestões. Redução de meio porcento da taxa de juros?? Acorda Palocci!
"A agenda interditada
O Brasil está sendo levado a um beco sem saída de
estagnação e desemprego por uma política econômica que
capitulou à insensatez do totalitarismo de 'mercado'.
Desde os anos 90 o debate sobre alternativas de
desenvolvimento foi virtualmente interditado com o
recurso ao dogma de que o 'mercado', sábio e virtuoso, se
deixado a si mesmo promoverá a prosperidade coletiva.
Passado mais de um decênio em que o experimento
neoliberal vem sendo praticado no Brasil, é hora de um
balanço, e de um questionamento: até quando o crescimento
com redistribuição de renda será negado à sociedade
brasileira?
A interdição do debate econômico nos últimos anos
pretendeu desqualificar como anacrônica toda crítica a
qualquer aspecto da política econômica. Hoje, repetindo o
que aconteceu na última década, a sociedade vem sendo
privada de participar ou acompanhar um debate genuíno
sobre medidas alinhadas com a verdade do príncipe, num
peculiar movimento contraditório pelo qual toda a força
do Estado foi colocada a serviço dos que querem privar o
Estado de qualquer força.
O 'mercado' não debate, apenas ameaça. E aqueles que
deveriam debater em seu nome tomam a ameaça de suas
reações como suficientes para cancelar o próprio debate.
Os pontos-chave da política econômica são encapsulados
numa cadeia de tabus porque a simples menção de discuti-
los é descartada em face do risco da especulação
do 'mercado', pelo que o 'mercado' obtém uma franquia
para continuar atuando lucrativa e livremente, sem
contestação, à sombra da proteção do Estado.
Basta. Queremos abrir a agenda da economia política
brasileira e expor a caixa preta da política econômica ao
debate aberto. É um imperativo moral que reconheçamos o
alto desemprego, sem precedentes em nossa história, como
o mais grave problema social brasileiro, resultante
diretamente das políticas monetária e fiscal restritivas,
assim como da abertura comercial sem restrições. É um
imperativo político, em face dos direitos de cidadania e
tendo em vista a preservação da democracia, que se
promova uma política de pleno emprego para garantir a
retomada do desenvolvimento com justiça social e
estabilidade.
Há alternativa. Ela não passa por mudanças tópicas em um
ou alguns dos aspectos da 'coerente' política neoliberal
em curso, mas pela inversão de toda a matriz da política
econômica. Isso significa reforçar a interferência do
Estado no domínio econômico, a exemplo do que ocorreu
historicamente em situação similar com o New Deal, nos
Estados Unidos, para corrigir as distorções provocadas
pelo 'livre mercado', sobretudo o alto desemprego, que
compromete a estabilidade social e política do País. Em
linhas gerais, implicaria, enquanto perdurar o alto
desemprego, um conjunto simultâneo de medidas do tipo:
1. Controle de capitais externos e controle do câmbio em
nível real favorável às exportações; condição necessária
para:
2. Enquanto perdurar o alto desemprego, redução do
superávit primário até sua eventual eliminação pelo
aumento responsável do dispêndio público, a fim de
ampliar a demanda efetiva agregada induzindo a retomada
do desenvolvimento e do emprego;
3. Ampliação, em consequência, dos gastos públicos nos
três níveis da administração, com prioridade para
dispêndio com ampliação dos serviços de educação, saúde,
segurança, assistência e habitação, grandes geradores de
empregos, e de competência também dos estados e
municípios - o que implica a restauração da saúde
financeira da Federação, inclusive mediante renegociação
das dívidas de Estados e Municípios;
4. Redução significativa da taxa básica de juros, como
complemento indispensável da política fiscal de estímulo
à retomada dos investimentos privados;
5. Promoção de investimentos públicos e privados em
saneamento e infra-estrutura (logística e energia), para
assegurar a melhoria da competitividade sistêmica da
economia; incentivo a investimentos imediatos em setores
privados próximos da plena capacidade;
6. Manutenção e ampliação da política de incentivo às
exportações;
7. Política de rendas pactuada para controle da inflação.
Sustentamos que o Brasil tem diante de si uma alternativa
de política econômica de prosperidade. O atual Governo,
que foi eleito em função de expectativas de mudança, tem
diante de si a responsabilidade de evitar que a crise
social herdada se transforme numa crise política de
proporções imprevisíveis, a exemplo do que tem ocorrido
em outros países da América do Sul contemporaneamente, e
do que ocorreu historicamente na Europa, nos anos 20 e
30.
Colocamos o foco na promoção do pleno emprego porque se
trata de uma política estruturante da solução de outros
problemas sociais e econômicos - miséria, subemprego,
marginalidade, iníqua distribuição de renda, violência,
insegurança -, assim como da crise fiscal do setor
público - neste caso pela previsível aumento de receitas
(sem aumento de carga tributária) e queda de algumas
despesas sociais na medida em que o desemprego se reduza.
Contudo, este não é um projeto estritamente econômico,
nem um projeto fechado. É uma contribuição de economistas
à busca de um novo destino nacional, base do resgate da
cidadania e condição para uma sociedade solidária.
Nenhuma das medidas propostas ou seu conjunto são um
anátema à luz da história econômica real dos países que
experimentaram algum êxito econômico e social. Desafiamos
os que se escondem nas sombras, por trás da onipotência
do deus 'mercado', que sustentem à luz da discussão
pública seu receituário de fórmulas abstratas que, uma
vez testadas na prática, têm resultado em destruição
permanente do tecido social, da atividade econômica e da
soberania nacional. Queremos o debate já. Queremos o
exercício democrático da controvérsia. Chega de
interdição."
Rio de Janeiro, junho de 2003.
Assinado por mais de duas centenas de economistas,
encabeçados por Plínio Arruda Sampaio e Luiz Gonzaga
Beluzzo.
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Quarta-feira, Junho 18, 2003
"FERNANDO RODRIGUES
FHC conta sua história
BRASÍLIA - O PSDB divulgou no seu site na internet um texto de FHC em formato de entrevista. O tucano usa 6.269 palavras. Critica duramente o governo de Lula -a quem cita quatro vezes nominalmente. José Serra não é mencionado de forma direta nem uma vez. Freud explica.
A "entrevista" começa com o PSDB. Mas o ex-presidente fala mais do PT (30 vezes) do que da sigla tucana (28 vezes). Há de tudo na longa fala. É divertido o esforço para reescrever parte da história. Ou as críticas a ações de Lula, quase idênticas às do tucanato. Três exemplos:
1) o terror na eleição - "Nunca levamos a campanha para a idéia do "ou nós ou o caos'", diz FHC. Errado. Num jingle de Serra, ouvia-se que o Brasil se transformaria numa Argentina. A atriz Regina Duarte apareceu espavorida na TV para dizer, como num filme de Hitchcock, que estava com medo. A campanha tucana apoiou-se em grande parte no suposto desarranjo que o PT causaria;
2) troca-troca partidário - FHC afirma que "as pessoas são votadas para a oposição e vão para o governo. Isso não é possível. Está errado".
Ocorre que o PSDB elegeu 63 deputados federais em 1994. Em outubro de 1997, a bancada tucana chegou a 100 deputados. Um aumento de 58,7% com a cooptação de 37 congressistas na bacia das almas no processo de compra de votos para aprovar a emenda da reeleição;
3) juros - "Será que é preciso manter por tanto tempo as taxas de juros tão altas?", pergunta FHC. Poderia também indagar se foi necessário, em janeiro de 1999, aumentar a taxa básica de 25% para 45%.
Num trecho, FHC fala sobre loteamento de cargos: "Acho que houve um retrocesso, porque está havendo uma penetração na máquina pública muito maior do que no meu tempo". Pode ser. Parece um alerta de quem sabe o que diz. O tucano sofreu com a nomeação do tesoureiro de campanha Ricardo Sérgio Oliveira para uma diretoria do Banco do Brasil."
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Terça-feira, Junho 17, 2003
Uma hora o antiamericanismo ia acabar aparecendo com força. Um país com uma política externa tão agressiva quanto a dos EUA não ficaria ileso por muito tempo. Pelo menos na opinião pública.
Bush não é mais bem visto pela opinião pública, diz pesquisa
A opinião pública está contra o presidente norte-americano George W. Bush, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira pela BBC. O estudo diz ainda que as pessoas acham que os Estados Unidos estavam errados ao invadir o
Iraque. Foram entrevistadas 11 mil pessoas de 11 países. Do total, 57% afirmaram ter 'uma opinião muito desfavorável ou bastante desfavorável do presidente norte-americano'. Já 57% dos ouvintes disseram que os norte-americanos não deveriam ter invadido o Iraque. Na Rússia e na França, esses números sobem para 81% e 63%, respectivamente. Na Jordânia e na Indonésia, países islâmicos, mais da metade dos entrevistados acha que os EUA representam um risco maior para a estabilidade mundial do que a rede Al Qaeda.
Em cinco dos países entrevistados, a maioria considera os Estados Unidos um país mais perigoso que o Irã, cujo regime aparece na lista de inimigos que Bush chama de 'eixo do mal.' Em oito países, os EUA são vistos como mais
perigosos que a Síria, cujo governo é acusado pelos EUA de patrocinar o terrorismo. Mesmo assim, a atitude frente aos EUA continua ligeiramente positiva.
Metade dos entrevistados têm uma visão favorável da superpotência, e 40% têm uma visão desfavorável. Para 81% dos australianos, seu país está ficando cada vez mais parecido com os EUA. Na Grã-Bretanha, 64 por cento dos
entrevistados têm essa opinião.
A pesquisa foi feita entre maio e junho pela BBC e por institutos contratados. Ela abrangeu Austrália, Brasil, Grã-Bretanha, Canadá, França, Indonésia, Israel, Jordânia, Coréia do Sul, Rússia e os próprios Estados Unidos. Os resultados serão apresentados em um especial de TV chamado 'O que o Mundo Pensa da América'."
Fonte: Equipe BRfree
Essa tirei do blog do Lumi!
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Lula gosta de se reunir com freqüência com os intelectuais petistas. Isso é uma boa, porque essas pessoas ajudaram a construir uma base ideológica sólida ao longo dos vinte anos de PT. E agora que o partido chegou ao poder, precisa ouvir as críticas e receber os puxões-de-orelha que forem necessários. Renato Janine Ribeiro, professor de Ética e Filosofia Política da USP, participou de uma dessas reuniões e escreveu a respeito na Nova-e. Cliquem na figura de Lula para ler os debates que ocorreram nesse encontro.
"(...) Foi uma reunião do Presidente com um grupo de intelectuais, dos quais a maior parte (mas não eu) filiados ao Partido dos Trabalhadores. Esse grupo se reúne com ele há vários anos, incluindo os professores Aziz AbSaber, Presidente de Honra da SBPC, Fabio Konder Comparato, Maria Vitória Benevides, Paul Singer e os críticos Maria Rita Kehl e Eugenio Bucci, além de outros.(...)"
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Acho que todo mundo sabe que qualquer coisa está diretamente ligada a interesses políticos e comerciais, no mundo de hoje. Não poderia ser diferente com as metas na área de Saúde. O problema é que quem sofre são os habitantes de países pobres. Doenças como malária e tuberculose - praticamente erradicadas de países desenvolvidos - ainda são endêmicas nessas regiões. Por que ninguém cuida disso? Porque a reunião do G8 apenas piorou a situação? Clique na figura abaixo para ler o texto na íntegra (o trechinho é muito pequeno...). Da Novae.
"(...) Durante a reunião em Okinawa, os líderes do G8 prometeram combater as doenças infecciosas, estipulando metas para 2010 como a redução dos índices de jovens infectados pelo HIV em 25%, redução do índice de mortalidade por tuberculose e de casos de malária em 50%. Esses objetivos, no entanto, estão longe de serem alcançados. Dados epidemiológicos indicam que a situação dessas três enfermidades piorou nos últimos 3 anos.
O número de crianças infectadas pelo HIV triplicou, pulando de 1,3 milhão, em 2000, para 3,2 milhões, em 2002. A prevalência da tuberculose cresceu 1,5% nos dois últimos anos, sendo que na África esse crescimento foi de 4%. E o número de novos casos de malária permanece inalterado, apesar da mortalidade de crianças com menos de 5 anos de idade ter crescido cinco vezes em algumas partes da África devido ao aumento da resistência aos medicamentos utilizados contra a doença. (...)"
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Já que tem um monte de gente criticando Cristóvam Buarque de maneira errada, vou colocar as informações certas aqui. Se alguém quiser manter as críticas, ao menos estará no lugar certo. Eu não sou completamente contrária a essa alíquota que Buarque defende. Acho que esse tipo de proposta deve ser debatido em toda a sociedade.
Ministro nega que queira cobrar mensalidade em universidade pública
03/Jun/2003 20h51, do JC Online
Em nota oficial divulgada na tarde desta terça-feira (03/06), o ministro da Educação, Cristovam Buarque, negou que tenha defendido a cobrança de mensalidades nas universidades públicas.
O ministro afirmou que apóia um debate sobre a proposta de cobrança de ex-alunos do ensino público que ganham mais de R$ 30 mil por ano. Segundo a nota, eles pagariam uma 'pequena alíquota' do imposto de renda, que seria revertida diretamente para a instituição em que se formaram.
De acordo com Cristovam Buarque, este é o conteúdo do projeto de emenda constitucional PEC nº 573/2002, do ex-deputado, Padre Roque, do PT. O projeto se baseia numa experiência inglesa, que consiste na cobrança de ex-alunos bem sucedidos para ajudar suas universidades.
'Sou favorável a que o projeto seja debatido no Congresso Nacional e com a sociedade. Não sou contra a idéia. Porém, ela não tem nada a ver com ensino pago. Lamentavelmente, o projeto não vem sendo debatido com a devida importância', afirma o ministro na nota.
Nesta manhã, coluna do jornalista Gilberto Dimenstein informou que o ministro defendia a cobrança parcial de mensalidades dos estudantes das universidades públicas.
Para o tributarista de São Paulo, Leo Amaral Filho, pela Constituição o governo não pode vincular um imposto a órgão, fundo ou despesa específicos. 'Não ser tributado por imposto vinculado é uma garantia constitucional'.
O advogado acredita que o governo poderá conseguir a aprovação de um imposto extra para as universidades públicas, a ser pago exclusivamente por ex-alunos, graças a uma emenda, criada no ano 2000, que autoriza o imposto vinculado a serviço público de saúde ou educação.
Para Amaral, não existe a possibilidade de o projeto tributar alunos que hoje já concluíram seus cursos em universidades públicas. 'A lei não retroage para prejudicar o contribuinte, mas é possível cobrar quem se formar depois da promulgação da lei, caso aprovada'.
Leo Amaral Filho faz parte da equipe de tributaristas do escritório Pinheiro Neto e Associados, um dos maiores do país.
Fonte: UOL Educação"
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Editorial do Le Monde Diplomatique, sobre as reformas da Previdência em todo o mundo - e os interesses por trás delas... Muito interessante!
Morrer de trabalho
Enquanto se orquestra um ataque ao sistema de aposentadorias em todo o mundo, sem qualquer aumento da participação das empresas ou do capital na pensões de seus empregados, pesquisa da OIT denuncia que 5 mil pessoas morrem por dia no trabalho
Ignacio Ramonet*
Escondido pelos grandes meios de comunicação, um documento decisivo passou desapercebido: o relatório, divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), denunciando que, anualmente, 270 milhões de assalariados são vítimas de acidentes de trabalho e 160 milhões contraem doenças profissionais no mundo inteiro. O estudo revela que o número de trabalhadores mortos no exercício de sua profissão passa de dois milhões por ano... Portanto, o trabalho mata 5 mil pessoas por dia! "E estes números", salienta o relatório, "estão abaixo da realidade."
Na França, segundo a Caisse Nationale d'Assurance Maladie (CNAM), 780 trabalhadores morrem devido ao trabalho por ano (mais de dois por dia!). Também aqui, "os números são subestimados". E ocorrem cerca de 1,35 milhão de acidentes de trabalho, o que corresponde a 3.700 vítimas por dia. Considerando-se uma jornada de oito horas, isso significa oito feridos por minuto...
"Imposto do sangue"
Antigamente, os defensores do povo chamavam esse sofrimento em silêncio, esserda (Chirac e Jospin, no caso da França), decidiram, por ocasião da reunião de cúpula em Barcelona, em março de 2002, aumentar em cinco anos a idade da aposentadoria. O que pressupõe uma séria regressão social e o abandono do projeto de construir sociedades mais equilibradas e mais igualitárias.
O desmantelamento do sistema de aposentadorias
Enquanto as classes médias são desbastadas, empobrecidas, a riqueza continua se concentrando no topo: há trinta anos, um empresário ganhava quarenta vezes mais do que o salário de um trabalhador; atualmente, ganha mil vezes mais10... E pode aguardar, serenamente, a hora de parar suas atividades. O que está longe de ser o caso dos assalariados comuns, em especial dos professores.
Centenas de milhares de professores multiplicaram paralisações - na Itália, na Espanha, na Alemanha, na Grécia, na Áustria, na França... - em protesto contra o desmantelamento do sistema de aposentadorias que, no entanto, deve ser reformado. Porque diminui o número de profissionais na ativa, enquanto aumenta o dos aposentados. E porque o peso das pensões, que hoje representa 11,5% do PIB, será de 13,5% em 2020, de 15,5% em 2040 e se tornará uma despesa insuportável para o Estado.
Reforma às expensas dos assalariados
Apesar da crise da Bolsa de Valores, que acarretou uma perda de 20% do valor dos fundos de pensão, a opção de uma aposentadoria por capitalização é menos descartada na medida em que a reforma do sistema de contribuição só é considerada às expensas dos assalariados. Como se tratasse de um problema meramente técnico, sem conseqüências para o conjunto da sociedade. Todas as variáveis - o montante e a prorrogação das prestações, a idade da aposentadoria, o montante das pensões - são sistematicamente modificadas em detrimento do assalariado e da remuneração do trabalho. Não foi discutida nenhuma solução alternativa, como incluir as empresas na contribuição ou impor uma taxa sobre os lucros financeiros.
Considera-se normal que dois assalariados percam a vida no trabalho diariamente e que oito outros sejam sacrificados, por minuto, em nome do bem-estar das empresas. Mas não se considera normal que estas, ou o capital, tenham maior participação nas pensões de seus empregados. Como deixar de compreender a raiva dos trabalhadores?
(Trad.: Jô Amado)
* Diretor-presidente de Le Monde diplomatique.
- A explosão de doenças do aposentado torna particularmente repugnante o ataque ao regime das aposentadorias comandado pelos motores da globalização liberal
- Há 30 anos, um empresário ganhava quarenta vezes mais do que o salário de um trabalhador; atualmente, ganha mil vezes mais
- O peso das pensões, que hoje representa 11,5% do PIB, será de 13,5% em 2020, de 15,5% em 2040 e se tornará uma despesa insuportável para o Estado
- Todas as variáveis, como a idade da aposentadoria e o montante das pensões, são modificadas em detrimento do assalariado e da remuneração do trabalho
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Domingo, Junho 15, 2003
Para não ficar sem postar nada hoje, uma charge que dá em que pensar:
Mário Vale, Hoje em Dia.
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Sábado, Junho 14, 2003
Sou contra o sistema carcerário hoje. Além de ser uma escola de bandidos, ainda oferece péssimas condições aos presos, proliferando doenças de todo tipo. Vejam o artigo de Emir Sader, publicado na Agência Carta Maior, sobre esse sistema preocupante.
"EUA: drama nas prisões
De 9 milhões de pessoas detidas e liberadas em 2002, mais
de um milhão e 300 mil saíram como portadores do vírus da
hepatite C, 137 mil estavam contaminados pelo vírus da
aids e 12 mil tinham pego tuberculose. As prisões
contemporâneas têm se tornado não apenas escolas do
crime, mas também fábricas que multiplicam os problemas
de saúde. Há dados assustadores nas prisões norte-
americanas: de 9 milhões de pessoas detidas e liberadas
em 2002, mais de um milhão e 300 mil saíram como
portadores do vírus da hepatite C, 137 mil estavam
contaminados pelo vírus da aids e 12 mil tinham pego
tuberculose.
Esses dados, revelados pela Comissão Nacional sobre Saúde
Penitenciária dos EUA - e publicados pelo Le Monde
Diplomatique em junho - representam respectivamente 29%,
13% a 17% e 35% do número total de norte-americanos
afetados por essas doenças.
Os presos nos EUA, com a histeria das políticas de
tolerância zero - isto é, de absoluta intolerância ',
fizeram com que, durante o governo Clinton, a população
carcerária norte-americana se multiplicasse por dois,
passando de um para dois milhões de pessoas. É a mais
alta do mundo, em termos absolutos e também relativos -
686 presos por 100 mil habitantes (no Brasil, o número
oficial é de 240 mil presos, 137 por 100 mil habitantes).
Essa 'epidemia de aprisionamento' - como se refere a ela
o Le Monde Diplomatique - produziu uma incubação maciça
de doenças infecciosas nos centros de detenção.
O uso de drogas, a prostituição, a violência sexual -
tudo leva à multiplicação e ao descontrole das doenças.
Ao mesmo tempo, seringas e camisinhas não são de uso
corrente, faltando até mesmo água para a higiene básica
dos presos. Além disso, a tatuagem e o piercing também
tornam-se transmissores de aids e de hepatite.
O mais dramático é que, apesar disso tudo, pela retração
dos serviços públicos de saúde nas duas últimas décadas
nos EUA, as prisões se tornaram agências públicas de
primeiros-socorros. No entanto, médicos punidos por erros
ou por incapacidade profissional seguem trabalhando nas
prisões. Porque atualmente, nos EUA, fora das prisões, 41
milhões de pessoas não têm cobertura médica e outros 71,5
milhões estão parcialmente - isto é, uma parte do ano -
sem essa cobertura. Ruim dentro, pior ainda fora."
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
E a política econômica do governo? Qual o risco para o PT de se manter nessa linha liberal? Quem são os responsáveis por ela e até que ponto a oposição coloca a teoria na prática? Quais os rumos dessa política econômica? O artigo - muito bom e muito ácido - foi publicado na Caros Amigos.
ELES USAM BLACK-TIE
- por Marcelo Manzano
Tudo o que deveria ser dito sobre a insensata política
monetária da dupla Palocci-Meirelles já foi dito. Após
quatro meses de paciência e trégua em nome da
governabilidade, é quase unanime entre os analistas a
opinião de que a ortodoxia passou dos limites - a exceção
evidentemente fica por conta dos executivos do mercado
financeiro.
Mas, para além dos estragos provocados pelas taxas de
juros penduradas na cumeeira e pelos superávits fiscais
mais-que-perfeitos, o que preocupa na política econômica
do governo é que, na sua sanha positivista, ela joga por
terra toda uma construção teórica alternativa que desde a
escola cepalina vem subsidiando as esquerdas na crítica à
ordem liberal e na proposição de um desenvolvimento
econômico singular, isto é, que leve em conta as
peculiaridades de nossa industrialização tardia. Em
outras palavras, a desfaçatez com que o governo trata o
debate de fundo sobre o modelo econômico em que estamos
metidos, esvaziando de legitimidade um dos principais
esteios de sua própria história política, produz um
perigoso vácuo de alternativas que nem a queda do muro
nem a mente de Mrs. Thatcher tinham sido capazes de impor
ao Brasil.
Nas estrelinhas das falas do Ministro da Fazenda e,
talvez, até à revelia de sua consciência, transbordam
referências a uma semântica econômica que remete ao mais
estrito conservadorismo. As metáforas de um organismo na
UTI que não pode ter seu tratamento interrompido
escancaram a adesão a uma concepção do mundo econômico
onde a ordem e o equilíbrio parecem ser o desfecho
natural da dinâmica capitalista. Ora, desde que o médico
Quesnay concebeu a economia como um organismo cuja
harmonia dependerá do pleno funcionamento das suas
partes, muita água já passou por debaixo da ponte.
Autores como Marx, Keynes e Schumpeter gastaram seus
tutanos para demonstrar que no capitalismo o
desequilíbrio e a instabilidade são a regra e,
consequentemente, é a partir deles que se deve pautar a
política econômica.
Quando o governo se apresenta como conservador na
política econômica e progressista na área social (ordem e
progresso?), desdenha de sua razão de ser, correndo o
risco de se inscrever na história como a pá de cal sobre
um longo esforço de desconstrução do discurso econômico
dominante. E este sim é um risco de implicações de fato
muito mais deletérias do que as circunstâncias econômicas
de curto prazo, sempre passíveis de reversão. A
capitulação do PT ao liberalismo econômico é grave porque
simbolicamente representa o fracasso de uma alternativa
que sequer foi testada, e que poderá ficar marcada
injustamente como mera retórica oposicionista. Ao
persistirem na cegueira conservadora, além de estarem nos
conduzindo ao degredo econômico, os timoneiros da área
econômica estarão finalmente dando vida ao pensamento
único, que até a chegada do PT ao poder não se efetivava
justamente porque, na oposição, o PT representava uma
alternativa concreta à unanimidade liberal.
Infelizmente, os ditos 'radicais' do partido, dos quais
poderíamos esperar este resgate de um modelo alternativo
de desenvolvimento, encerram-se nos mesmos limites de
incompreensão do funcionamento do capitalismo
contemporâneo. Assim como a cúpula que hoje os trai,
os 'radicais' tem sua militância política fundada apenas
na negação do capitalismo. Perdem-se acusando o PT de se
desvirtuar de sua missão histórica através de suas
alianças com o PL do vice José de Alencar ou com o neo-
companheiro Sarney, e esquecem-se de observar que estes
dois, por exemplo, são hoje muito menos ortodoxos, em seu
pragmatismo econômico, do que os puro-sangue do partido.
Esses, agora, em seu casuísmo tático, transformam-se em
defensores de um modelo de organização da economia que
coloca o Estado a serviço dos rentistas, à custa do
emprego e dos tributos de um mar de mal nascidos."
* Marcelo Manzano é economista.
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Definitivamente não existe muma explicação coerente para que o governo tenha impedido a formação de CPI do Banestado. É mais um ponto para se juntar aos muitos da minha listinha de falhas do (meu) governo Lula. O artigo seguinte é da Agência Carta Maior:
"AS RAZÕES
- Mauro Santayana
Pode ser que haja alguma transcendental razão para que o governo do PT continue agindo como vem agindo. Pode ser que essa razão transcendental explique porque os juros continuam pendurados nas altas nuvens e porque o governo da União pretenda concentrar ainda mais os recursos tributários nacionais. Mas é difícil encontrar uma razão transcendental para emperrar a CPI do Banestado, atitude que vem sendo atribuída a próceres do PT. Sempre se falou nos esqueletos escondidos no armário. A expressão é atribuída ao general Golbery, que pregava a necessidade de a ditadura reconhecer os cadáveres que produzira, durante os seus anos mais sombrios, que foram os do general Médici. Mas há uns esqueletos e os outros. Os mais complicados esqueletos morais pertencem a tempos recentes, tempos do governo Fernando Henrique. Se não retirarmos esses cadáveres do armário, e se não os submetermos a uma acurada necropsia, suas almas continuarão a nos atormentar e, mais do que isso, a
estimular outros atos de grossa corrupção.
Só os inocentes não percebem que parte do sistema financeiro - e vemos que bancos oficiais também participavam da roubalheira - tem servido ao crime organizado, porque o integra. O que nos espanta é que o Banco Central nunca tenha percebido as evidências de lavagem de dinheiro, via contas CC-5, quando lhe cabe a fiscalização das instituições financeiras e não faltaram advertências de que o mecanismo era o instrumento dos criminosos. Como foi possível ao Banco Central engolir as moscas de quilo e meio que foram as contas fictícias do Banco Nacional (se é que as coisas se deram como nos contaram)? E como foi possível ao Banco Central não perceber a saída de US$ 30 bilhões (conforme se divulga) tendo como ponto de baldeação o Banco do Estado do Paraná?
Como se recorda, logo no início do governo Fernando Henrique, tivemos o caso do Banco Econômico, logo seguido dos outros, entre eles o exemplar, do Banco Nacional, salvo temporariamente por uma providência de fim de semana. Pediu-se uma CPI, e o governo articulou-se, rapidamente, para impedi-la. Qual era mesmo o argumento? Fernando Henrique não queria que uma CPI tumultuasse as reformas constitucionais em andamento, todas elas contra o interesse nacional, como as que autorizaram o crime das privatizações e a que acabou lhe permitindo um segundo mandato.
O governo, é o que se diz nos corredores do Congresso, não deseja, agora, que uma CPI venha a tumultuar a discussão e aprovação das reformas no sistema previdenciário e no sistema tributário. Ora, sempre haverá matérias relevantes de interesse do governo nas duas casas do Congresso. Se o governo partir do princípio que só em tempos amenos possam funcionar as CPIs
cabeludas (como é a do Basnestado) que envolvam altas personalidades políticas, jamais teremos uma ordem ética na atividade política brasileira.
Se existe uma razão transcendental para que continuemos na mesma, convinha ao governo expô-la à nação. Se a nação dela se convencer, amém. Se, não, é melhor obedecer à razão soberana do povo."
por CRISTINA CASTRO
[ Fala aí: ] |
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - -
|
Sexta-feira, Junho 13, 2003
Já que Matrix está na moda (não à toa..), recomendo a leitura de um artigo muito bom de Maurício F. Pinto que compara o mito do filme com a realidade em que vivemos. Coloquei um trechinho, mas sugiro que cliquem na foto para lerem na íntegra a matéria da Novae.
"A 'Matrix' é um mundo de fantasia, onde a Humanidade pensa viver feliz quando, na verdade, é mantida escrava. Num plano mais s | | |