FOICE E MARTELO BRANCO





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Tudo aquilo que nos deixa indignadas. Estar com raiva não é sempre um sentimento negativo - também serve para despertar a consciência política nas pessoas, despertar um desejo de que as coisas mudem para melhor. Este blog, que começou como um espaço pacifista , prossegue com ideais de Justiça e Paz. Principalmente de paz de espírito - aquela só alcançada quando não temos mais motivos para estar com raiva. Esperamos alcançar não só os que querem nos ouvir, mas principalmente os que costumam tapar os ouvidos para nós.

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feito por Esmê


Quinta-feira, Julho 31, 2003


PS póstumo:

A fundação Banco do Brasil tem um " banco de tecnologia social", ou seja, um lugar onde se armazenam " produto, método, processo ou técnica criados para solucionar algum tipo de problema social e que atendam aos quesitos de simplicidade, baixo custo, fácil aplicabilidade e impacto social comprovado".

Acho esse tipo de ação bastante válida, e também, acho que deveria ser melhor divulgada. Tem tanta gente (muitos bem jovens) com idéias mirabolantes para melhor a qualidade de vida das populações carentes de forma rápida e barata, essas idéias merecem ser aproveitadas e incentivadas tanto quanto um desvio do rio São Francisco.



"São numerosos os exemplos de tecnologia social, indo do clássico soro caseiro "mistura de água, açúcar e sal que combate a desidratação e reduz a mortalidade infantil " até as cisternas de placas pré-moldadas que atenuam o problemas da seca no nordeste, entre outros."

Essa fundação também promove um "concurso" de tecnologias sociais e premia a melhor de 2 em 2 anos::::::

"Cinco prêmios são atribuídos a tecnologias desenvolvidas por instituições sem fins lucrativos e 1 prêmio é destinado a empresas. Cada uma das vencedoras receberá R$ 50 mil para aplicar na própria tecnologia, buscando seu aprimoramento e expansão."

Deixo o link para os interessados: (bem grande e visível, que este vale a pena)

TECNOLOGIA SOCIAL




--- Itálicos retirados do próprio site do programa.


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Mais do mesmo, só pra dar sequência:::::::::::::::
Editorial da folha de hoje:


A VOLTA DA SUDENE



Criada em 1959 pelo presidente Juscelino Kubitschek a partir de projeto do economista Celso Furtado, que veio a ser seu primeiro superintendente, a Sudene foi extinta no governo Fernando Henrique Cardoso como um caso irrecuperável de desvio de recursos e corrupção. Durante a campanha eleitoral, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva comprometeu-se com o relançamento do órgão, que teria papel relevante a cumprir no combate aos desequilíbrios regionais.
A idéia do "ativismo governamental", ou seja, da maior mobilização do Estado para estimular o desenvolvimento e corrigir falhas de mercado, foi um dos temas predominantes na eleição de 2002, tendo sido compartilhado pelos dois principais concorrentes. Diante das posições mais liberais assumidas pela gestão anterior, a idéia da retomada de políticas ativas por parte do governo parece ter recebido o aval da sociedade, que elegeu Lula. De fato, não se pode esperar que o mercado por si só coordene as decisões econômicas, menos ainda numa economia tão desigual quanto a brasileira.
Vista por esse ângulo, a volta da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste tem aspectos positivos, embora continuem pesando sobre seu futuro as suspeitas de sempre. Como se sabe, a antiga superintendência acabou instrumentalizada por interesses clientelistas e propiciou diversas irregularidades. Quando deixou de existir, estimava-se em R$ 2,2 bilhões a evasão de recursos.
No novo modelo, anunciado anteontem, o governo tomou precauções para tentar evitar que desvios ocorram e venham a ser cobertos, como de hábito, com recursos públicos. É difícil dizer se esses mecanismos funcionarão. Será preciso aguardar para que se possa ter um julgamento mais consistente sobre essa nova Sudene de Lula.

- Quando discutia em ocasião da eleição com o meu pai sobre o projeto da volta da SUDENE, ele logo taxou: Sudene é baú de Ladrões. Bom, na hora, respondi: a antiga era. E agora? Será que a reabertura deste orgão vai também reiniciar a série de desvios de verba do passado?.
A questão das superintendências também engloba o "neo-coronelismo", nem tão neo assim, que sempre existiu na região nordestina (não vou entrar em analogias sobre como o sistema funciona no resto do país). E, mais ainda, sobre um tema já discutido aqui no blog, a reforma necessária do judiciário. Enquanto o maquinário da justiça continuar funcionando na base das cartas marcadas nada realmente "vai pra frente".
Manter esse orgão fechado pelas falcatruas do passado tb entra na minha lista de : Hipocrisias regulamentadas. Tudo acaba em pizza, a miséria do sertão continua lá, todos fingem que não existe, quem levou o dinheiro levou, quem não levou não leva mais e assim estamos felizes.



PS: Vou procurar informações para montar um quadro de "quem levou o quê" na lama da SUDENE e postarei em breve para reavivar nossa memória.


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Quarta-feira, Julho 30, 2003


Hoje vou postar só duas notícias, uma nacional e uma internacional.

NACIONAL:
Os advogados de Paulo Maluf entraram com uma apelação no Tribunal de Genebra para tentar impedir envio de informações sobre movimentações bancárias feitas por ele na Suíça. Ele teima em dizer que "nunca teve cona bancária no exterior". Se nunca teve, por que cargas d'água teme o envio dos papéis????? Apelou, perdeu.

INTERNACIONAL: Ariel Sharon, premiê israelense, disse ontem no encontro com Mister-Bush, que iria continuar a construção de cerca separando Israel de áreas palestinas. Seu governo alega que o "muro é necessário para impedir a entrada de terroristas palestinos no país". (da Folha:) "A cerca deve se estender por uma faixa de 350 km, em geral contornando a fronteira da Cisjordânia ocupada com Israel. Mas parte dos assentamentos judaicos localizados no território palestino ficará no lado israelense". Cerca de 10% da Cisjordânia ficará do lado israelense! Para Sharon, as cercas representariam segurança. Para mim, só servirão para piorar o clima na região. Até Mister-Bush ponderou que elas poderiam trazer más conseqüências para o processo de paz que se está iniciando. E eu fico com a opinião de Arafat: "será um Muro de Berlim para dividir as áreas palestinas em guetos".

NOTÍCIA FRESQUINHA (do JB): A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) decidiu há pouco suspender a greve dos juízes estaduais e do Trabalho, prevista para iniciar no próximo dia 5 de agosto. A suspensão da greve foi decidida praticamente de forma unânime, já que das 56 entidades que representam os magistrados estaduais e do Trabalho, apenas o Conselho de Representantes do Ceará defendeu a manutenção do movimento.

'A suspensão deve-se ao fato de existirem sinais importantes de um diálogo em busca de uma solução que não desestruture o Judiciário e, ao mesmo tempo, aprove um teto e um subteto moralizadores', justificou o presidente da AMB, Cláudio Baldino Maciel.

Ele garante que as preocupações dos magistrados que levaram a decretar greve no último dia 21 de julho estão relacionadas com a estrutura do Judiciário e não com interesses corporativistas.

'A partir de diálogos travados nos últimos dois dias e com a entrada em cena do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Maurício Corrêa, começaram a surgir sinais positivos no Congresso Nacional. Mas não existem vencidos nem vencedores nesse episódio', garantiu Maciel."

Termino com a charge de Erasmo, publicada no Jornal de Piracicaba:



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Terça-feira, Julho 29, 2003


Bem, já discutimos demais a Reforma da Previdência. Pontos contrários e favoráveis não faltam. A discussão nos comentários não rendeu tanto, mas ainda assim trouxe boa troca de idéias. A enquete também está fraquinha, com pouquíssimos votos - o que me faz crer que as pessoas ainda não têm a opinião formada sobre o assunto. Enfim, talvez já tenha dado o que tinha que dar.
É por essas e outras que vou tentar mudar o tema. Por agora, só as notícias de hoje. Vou fazer resuminhos em tópicos, a partir da minha leitura da Folha e do JB de hoje, e com alguns comentários pessoais (só um tiquinho ácidos...):


1 - Lula recriou a Sudene. O órgão tinha sido extinto em 2001, em meio a denúncias de fraudes e corrupção, com um rombo de 2,2 bilhões de reais. Mas dessa vez Ciro Gomes (ministro da Integração Nacional) prometeu um órgão "blindado". Pontos interessantes: agentes operadores deverão assumir os riscos, devolvendo dinheiro à Sudene no caso de fraude; as empresas ganham incentivos do órgão se garantirem participação dos trabalhadores nos resultados e buscarem sustentabilidade ambiental; grandes empresas terão taxas de juros de 80%, microempresas terão desconto de 25% no pagamento em dia, haverá isenção no IR. Lula prometeu: participação do governo nos programas estaduais de distribuição de leite, transposição das águas do rio São Francisco (obra avaliada em 6 bilhões de dólares e que já está passando da hora de ser feita), acabar com a guerra-fiscal e desenvolver a região. Eu faço figa. E acho, sinceramente, que pode dar certo. Essas superintendências são um ímã pra todo tipo de corrupção, mas também não adianta nada ter uma agência totalmente sem ação como a que FH colocou no lugar. O Nordeste é uma região cheia de potencial, com boa capacidade agrícola (se irrigada), além de vários outros atrativos. Só precisa de investimento. E um investimento que parta de uma estatal responsável e esteja desvinculado dos "coronéis" que controlam aquela região. Lula fez bem em peitar o passado e seguir com seu projeto de governo. Fez bem em recriar a Sudene. Agora vamos ver se vai dar certo e torcer para que dê.



2 - O que os juízes querem? Maior valor para subteto, paridade de reajuste entre ativos e inativos e aposentadoria integral inclusive para futuros magistrados. O desembargador aposentado José Fernandes Filho disse ontem, em nome dos presidentes dos Tribunais de Justiça de todos os Estados: "as prerrogativas da magistratura serão defendidas até a medula, com ou sem a compreensão da opinião pública. (...) Nenhum de nós deseja paralisação. O problema é que nos encurralaram, nos esbofetearam e nos agrediram". Coitadinhos...! Não querem abrir mão de seus direitos. Governo mau, mau, mau...! O que eu torço é para que o governo decida peitar esses juízes cínicos e seguir com a reforma, se possível com mais bofetadas e agressões...

3 - Porta-voz do Tribunal de Paris, juíza Marivonne Caillibotte: "a origem do dinheiro depositado no Crédit Agricole é certamente curiosa". Ela afirmou que Maluf é, sim, titular da conta de US$1,8 milhão - apesar de negar e passar o abacaxi pra esposa. Agora, sigam o persurso da grana (de preferência com um dedo no mapa, só pro trajeto ficar mais emocionante): 1,738 milhão de euros foram para a França entre março e junho deste ano. Desse total, US$ 1,455 milhão foi enviado parceladamente por meio do Banco de Crédito Nacional nas Ilhas Cayman, no Caribe, e US$ 300 milhões foram transferidos de uma única vez do paraíso fiscal de Liechtenstein, na Europa, onde Flávio Maluf, filho do ex-governador, constituiu em 1997 a Fundação Blackbird. Ah, e sabem Genebra, na Suíça? A tal fundação tem conta no Banco de lá, cuja origem dos recursos é ainda um mistério. Para piorar, a propriedade da empresa não consta no IR de Flávio. Lavagem de dinheiro? Nãããão, que isso... Maluf é um santo! Mas vamos torcer para que a polícia francesa trabalhe melhor que a paulista.


Angeli


4 - Qualquer semelhança é mera coincidência... Bem, desde que a "guerra" do Iraque foi dada como terminada, os EUA já perderam 50 soldados. Eles falharam na preparação do pós-guerra. Depois da vitória militar, fizeram muito pouco para garantir a paz e, se não tomarem providências, vão ter de travar uma 3ª guerra do Golfo (qual foi a 2ª? Aquilo era uma guerra?). Sem querer ser chata, mas não custa lembrar que foi mais ou menos isso que aconteceu no Vietnã. Começaram arrasando com o país, acharam que já tinham vencido e acabaram dez anos perdendo um soldado atrás do outro e levando uma esplêndida "naba" pra casa (essa da "naba" foi homenagem à professora Rosana). A História tem essa estranha mania de se repetir...



5 - Notícia quentinha: a Executiva do PT decidiu fechar questão a favor da Reforma da Previdência pelo relatório do deputado José Pimentel (PT-CE). José Genoíno acredita que todos os petistas devem votar com o relator, excetuando-se Babá, Luciana Genro e João Fontes (os "radicais"). Completou que "se algum parlamentar não votar, ele está unilateralmente em oposição ao partido. Deixa de ser uma questão ética e passa a ser uma questão de disciplina''. Depois de toda essa lenga-lenga para ser aprovada, acho que ele não deixa de ter razão...

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Estou de volta da minha viagem! Peço desculpas aos leitores pela minha ausência, sempre compensada com a eficiência da Cristina! Vale repetir: estou em ano de vestibular, e por isso não estou tendo tempo para postar, e às vezes nem mesmo para ler. Resolvendo unir o útil ao agradável (ou seria o útil ao necessário) volto com mais um post didático sobre a reforma da previdência.
Para quem não conhece, o Brasil tem um site:::::
WWW.BRASIL.GOV.BR
Lá tem muita informação útil sobre o que acontece no governo.


REFORMA DA PREVIDÊNCIA - O que muda?



:::::::::::: Futuros servidores

TETO
Fixa teto de benefícios em R$ 2.400,00, idêntico ao que será aplicado aos trabalhadores filiados ao Regime Geral de Previdência Social, administrado pelo INSS

FUNDO DE PENSÃO
Cria fundos de pensão, sem fins lucrativos e administrados paritariamente por servidores e entes públicos, para complementar a aposentadoria dos servidores. O modelo é idêntico ao que já vigora para empregados de empresas estatais que têm fundo de pensão, como Previ, Funcef e Petros

CÁLCULO DO BENEFÍCIO
Considera a média das contribuições previdenciárias feitas durante o período trabalhado, nos mesmos moldes do que já ocorre no Regime Geral de Previdência Social, administrado pelo INSS


:::::::::::: Trabalhadores do INSS

Eleva o teto de contribuições e benefícios dos atuais R$ 1.869,34 para R$ 2.400, aumentando o grau de cobertura previdenciária para os trabalhadores. Outras medidas infraconstitucionais buscarão ampliar os benefícios do INSS para a população

::::::: Atuais inativos e pensionistas

CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
11% sobre a parcela que exceder R$ 1.058, reforçando o caráter contributivo e solidário do regime previdenciário

DIREITO ADQUIRIDO
Preserva direitos adquiridos, não impondo nenhum recálculo aos valores dos benefícios de aposentadoria e pensão

::::::::::::: Atuais ativos

CRITÉRIO PARA APOSENTADORIA
Servidores ingressos antes de 1998 têm a possibilidade de se aposentar a partir dos 53 anos de idade, com 35 anos de contribuição (homens) e a partir dos 48 anos de idade, com 30 anos de contribuição (mulheres). Nesse caso, porém, será aplicado redutor de 5% por ano antecipado em relação à idade de referência (60 anos, homens, e 55 anos, mulheres) e o cálculo de benefício será feito pela média das contribuições, como já ocorre no Regime Geral de Previdência Social, administrado pelo INSS

TETO PARA SUPERAPOSENTADORIAS
Fixa como teto de aposentadorias no setor público a maior remuneração do ministro do Supremo Tribunal Federal (R$ 17.170)


APOSENTADORIA PROPORCIONAL
Prevê direito adquirido à aposentadoria proporcional

ABONO
Cria abono equivalente à contribuição previdenciária (11% do salário) para os servidores que têm direito adquirido e decidam permanecer em atividade até os 70 anos

INTEGRALIDADE E PARIDADE
Mantidas para quem tem direito adquirido às regras atuais. Para os demais, não vale mais como regra geral. Será concedida, excepcionalmente, apenas como prêmio, para os atuais servidores que trabalharem até os 60 anos de idade, com 35 anos de contribuição (homens) ou 55 anos de idade, com 30 anos de contribuição (mulheres). Em ambos os casos, será preciso contar 20 anos no serviço público e 10 anos no cargo. Os critérios da paridade serão definidos em lei ordinária


::::::::::: Futuros pensionistas

Benefícios de até R$ 1.058 serão pagos na integralidade. Sobre a parcela que exceder os R$ 1.058, será aplicado um desconto de no mínimo 30% e no máximo 70%, de acordo com critérios a serem definidos em lei ordinária



Motivos para ser contra (clique para ler o desenvolvimento da crítica)::::::::



1. A farsa do "déficit"
2. Ataque à aposentadoria especial dos professores
3. Aposentadoria integral não é privilégio
4. Diminui o valor dos benefícios para os que se aposentarem antes da nova idade mínima
5. Tempo na iniciativa privada diminuirá aposentadoria do servidor público
6. A armadilha do teto
7. Ataque à Universidade Pública e à produção científica
8. Taxação dos aposentados
9. Trabalhador do serviço público não é marajá
10. Previdência Privada


O que o governo diz???? - mitos e verdades pela ótica do governo




Aposentadoria na América latina::::::



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Segunda-feira, Julho 28, 2003



Agora vou falar de outra Reforma: a agrária. Afinal, todos os jornais ultimamente só falam do MST, dos conflitos armados nos latifúndios, etc. Isso porque a situação já está ficando insustentável. Os sem-terra estão ficando radicais, os fazendeiros também. O governo está atado a vários problemas na questão da reforma agrária, Rossetto está na base do esforço. Frei Betto escreveu um texto muito "poético" e preciso sobre a questão dos agricultores, especialmente para o dia 25 de julho - dia deles. Cliquem no trecho para lerem tudo:



"Há muita terra neste país para pouca gente. Basta dizer que 44% pertencem a apenas 1% dos proprietários rurais. E há muita gente sem terra. São cerca de 15 milhões de pessoas deambulando por estradas e acampamentos, teimando em sonhar que, entre tanta terra ociosa, hão de encontrar o pedaço de chão que os redima da indigência e do risco de favelização na cidade. (...)
Não se pode abusar muito da paciência dos pobres, enfatiza a doutrina social da Igreja. Aqui, cansados de esperar, eles se organizam no MST. Por seu trabalho educativo (cerca de 100 crianças e jovens), o movimento já recebeu o prêmio Unicef-Itaú. Por sua atuação em favor da reforma agrária, premiou-o a Casa Real da Bélgica. Por manter mais de 1.500 assentamentos, além de uma rede de cooperativas, ganhou também o Nobel alternativo, o 'The right livelihood Award'."


(publicado na Novae)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Hoje os noticiários estão fraquíssimos e os artigos que recebi por email estão muito grandes. Além do mais, a Reforma está enrolada e repetitiva, a greve dos servidores está uma palhaçada (estão em férias? cadê a mobilização? Cadê a repercussão?) e já disse tudo o que poderia sobre os juízes corruptos (evitando cair em redundâncias). Enfim, nada de novo no front.

Mas hoje abri a Novae e descobri uma matéria sobre um assunto que muito me interessa. No dia 11 de julho houve uma reunião entre represnetantes do Movimento Cidadania pelas Águas e representantes da Nestlé para discutir o caso "Pure Life" (de que já falei várias vezes aqui no FMB). Finalmente alguma discussão...! Se quiserem saber detalhes, cliquem na garrafinha abaixo. Lá vocês encontrarão, também, todas as explicações sobre o caso - para aqueles que não acompanham o FMB há muito tempo. Um pouco de ambientalismo não faz mal a ninguém.




por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Sábado, Julho 26, 2003


Retomo agora o tema da Reforma da Previdência. E do judiciário em greve. Não vou escrever mais nada, nem postar mais artigos ou análises. As duas charges seguintes vão dizer mais que várias palavras repetidas:


Caco Galhardo, Os pescoçudos, na Folha de ontem


Da mesma edição.


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Para fechar com o assunto das armas na sociedade, acho que a discussão merece ser estendida para a nossa sociedade brasileira. Hoje a FolhadeS.Paulo publicou em sua seção "Tendências/debates" as opiniões de Renan Calheiros e Oscar Vilhena Vieira argumentando sobre a seguinte questão: "É apropriado que se decida em referendo sobre a proibição do comércio de armas?". O ex-ministro da Justiça defendeu o referendo popular e o professor de direito constitucional argumentou contra. Para quem é assinante da Folha ou do UOL (acho que é isso), vale a pena dar uma olhada no site e ler os dois lados da moeda. Para este meu blog, acho que interessa mais os dados que os dois colocam sobre a criminalidade no Brasil - principalmente levando em conta que já critiquei tanto os problemas nos EUA. Cliquem nos trechos para ler tudo.

"O povo como co-responsável
- R.C.

(...) As restrições ao uso e à venda de armas e munições são uma tendência internacional. E, no caso do Brasil, tornam-se uma questão crucial, já que nosso país é considerado pela ONU o campeão mundial em crimes cometidos com armas de fogo. Nós temos 2,78% da população do mundo, mas registramos 13% dos crimes do planeta. A arma está na raiz do crime sem causa. Sua banalização -o crime praticado pelo cidadão comum- é responsável por 9 em cada 10 assassinatos.(...)"



"Um canto de fogo
O.V.V.

No último ano, mais de 46 mil pessoas foram vítimas de homicídio em nosso país. Isso nos coloca na vexatória posição de uma das nações mais violentas do mundo, com 27 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. Esse número supera em muito o número de mortes nas duas recentes guerras levadas a cabo pelo maior império militar que a história já conheceu.
A violência, embora a todos afete, como tudo no Brasil, também é distribuída de maneira absolutamente desigual. Os mortos são prevalentemente jovens pobres, moradores das periferias e favelas das grandes cidades. A incidência de homicídios entre jovens de 15 a 24 anos é quase duas vezes maior do que entre adultos. Em algumas regiões de São Paulo e do Rio de Janeiro, a taxa de homicídios entre os jovens chega a ser de 438 vítimas em cada grupo de 100 mil habitantes, enquanto em regiões mais afluentes a taxa não atinge dois dígitos. (...) Se as causas são múltiplas, o instrumento pelo qual são perpetrados mais de 90% dos homicídios no Brasil é o mesmo: a arma de fogo. Embora não haja dados para todo o Brasil, é significativa a descoberta, de Guaracy Minguardi, de que quase 50% dos homicídios em São Paulo ocorrem entre pessoas que se conhecem e o autor dos disparos não tem passado criminal. (...) Como demonstram dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, o portador de arma de fogo tem uma chance 57% maior de ser vítima de latrocínio do que aquele que não porta uma arma."




Bem, os dados estão aí e o problema está em todo lugar. E ainda tem gente que defende uso de arma de fogo... A questão é complicada. Mas e aí? Deve ser deixada nas mãos dos congressitas ou resolvida por referendo popular? Vieira argumenta que o povo acredita estar sendo protegido pelas armas e a questão torna-se "emocional" demais para um plebiscito. Calheiros diz que, justamente por ser um tema social, precisa ser resolvido da maneira mais democrática possível, por meio de um plebiscito... O que vocês acham?

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Sexta-feira, Julho 25, 2003


Eu ia retomar a discussão sobre a Reforma, mas meu amigo Schelotto me indicou uns sites que realmente precisam ser visitados, depois que assistimos a um documentário como o de Michael Moore. Comentário dele: "Tem muito louco neste mundo, e uns 80% estão nos EUA". Depois que li as coisas que li, só tenho que concordar. Para começar, encontrei a seguinte foto no site do NRA, Associação Nacional do Rifle:



O da direita ninguém duvida que é Mister-Bush e o da esquerda, pra quem não sabe, é o ator velha-guarda e presidente do NRA, do qual falei no post de ontem: Charlton Heston. Sim, sim. Sabem aquele insensível que visitou as cidades onde havia ocorrido massacres e manteve o mesmo discurso belicista por lá ("From my cold dead hands!")? Pois é, isso que tá no pescoço dele é uma "medalha da Liberdade". Não vou dizer mais nada, mas sugiro que cliquem aí do lado para lerem as notícias do site da NRA. Fiquem com raiva também.


Mas se querem um site pior, desses que vão fazê-los rir e chorar ao mesmo tempo, não percam tempo e CLIQUEM AQUI agora! Sim, este é o site do Ku Klux Klan. Dos malucos-racistas-radicais-"cristãos" (pra quem não conhece a história do grupo, leia aqui). Vou dar uma demonstração do que vocês vão encontrar lá - são verdadeiras pérolas:

- "Se você também é cristão, mas foi ensinado que mistura de raças e homossexualismo são coisas legais e também quer mudar nossa cabeça, por favor visite nossa seção de livros para ver nosso ponto de vista religioso. Você precisa disso desesperadamente e não temos tempo de discutir com pessoas com mente-fechada."
- "Love your heritage!"
- "Quer denunciar imigrantes ilegais? Clique aqui"
- "Aprenda a verdade sobre Martin Luther King" (Isso merece mais traduções: "MLK foi filiado a 60 grupos comunistas. Levava uma vida sexual bizarra. King chamou o governo americano de 'maior provocador de violência no mundo hoje'. Onde ele fosse, a violência o seguia. Nos quartos de hotel, King fazia orgias de sexo interracial selvagem, que incluíam atos pervertidos." O texto, detalhista e seguindo a mesma linha de tentar ofender King simplesmente chamando-o de comunista ou defensor dos gays ou opositor da guerra do Vietnã, foi escrito por um tal de Dr. Ed Fields. Historiador? Nããão, é apenas o editor de "The Truth at last!". Merece mesmo credibilidade...)
- (na seção "de mulher pra mulher")
"Este site é dedicado a cristãs brancas do mundo inteiro que ainda acreditam em integridade racial"
- "Grupos feministas apoiam prostituição"
- (na seção para crianças, a lavagem cerebral):"Só porque existem bons negros, não significa que negros e brancos devam se misturar". Colocaram uma historinha explicando a "maldade dos negros" pras crianças que é surpreendente de tão absurda. Leiam, clicando aqui.
- "Judaísmo envenenou as igrejas cristãs da América".
- A seção de FAQ também está lotada de pérolas. Leia aqui.

É impressionante como o KKK consegue agregar todos os tipos de preconceitos possíveis e imagináveis - contra negros, homossexuais, mulheres feministas, judeus, comunistas, imigrantes,... todas as minorias! Os argumentos que usam são radicais, absurdos e até ingênuos. Nunca fiquei tão impressionada em toda a minha vida - como pode haver tanto preconceito desprezível num grupo só? Como esse grupo pode ter tanta força? Como ninguém faz nada para impedir que eles continuem com essa lavagem cerebral? O nojo é comparado ao que sinto por nazistas (talvez seja até maior, o que não é pouca coisa). Fazia tempo que eu não sentia tanta raiva quanto a que senti ao ler todas essas páginas de puro racismo - e principalmente quando li a página dedicada às crianças e a história de carochinha que contaram pra elas, provavelmente para ser acreditada...


O último site de hoje, para que vocês durmam com muita indignação (quem tiver tendências a ter pesadelos, podem parar por aqui e ir ver novela ou algo assim), também esteve no filme de Moore. É o do MichiganMilitia. Se bem que ele é tão ridículo, mas tão ridículo, que chega a ser cômico. Ainda assim faz pensar tudo aquilo que Moore já nos fez: como podem valorizar tanto as armas? Como podem continuar acreditando que será apenas através delas que conseguirão segurança e paz? E como essa mulher aí da foto consegue segurar essa arma com um sorriso tão grande? Que mundo é esse - que país é aquele, e que povo consegue viver lá???

Deixo vocês com os três sites e com todas essas dúvidas e constatações. Mastiguem bem, ou podem engasgar... (eu já estou engasgadíssima para um dia só)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quinta-feira, Julho 24, 2003



Vou dar uma pequena pausa na discussão sobre a Reforma da Previdência (e a desejada Reforma do Judiciário) e falar sobre o genial documentário de Michael Moore, "Tiros em Columbine", a que assisti hoje. É que o filme levanta tantas questões, todas tão pertinentes, que não poderia deixar passar batido. Recomendo aos que ainda não assistiram para ir correndo ao cinema amanhã mesmo.

Michael Moore pretende discutir a violência na sociedade norte-americana, partindo do massacre que ocorreu num colégio do Colorado, em 1999. Dois jovens, depois de assistirem a sua "aula de boliche", pegam as armas a que tinham acesso (porque Moore prova que a coisa mais fácil do mundo é adquirir armas nos EUA) e matam 15 pessoas, ferindo outras tantas e depois se matando. As razões para a atitude dos garotos foram buscadas por todos. Variavam entre "a culpa é da TV e do vídeo-game" para "a culpa é do Marilyn Manson". Moore ironiza essas "razões" fáceis, a começar pelo título - afinal, se a culpa pode ser de tanta coisa, por que não culpar o boliche?

E é com ironia que o diretor constrói todo um raciocínio ao longo das duas horas de documentário. Mas, apesar da cara-de-pau cômica, ele nunca perde a seriedade de tentar, realmente, encontrar motivos aceitáveis para esse tipo de comportamento. Mostra dados históricos sobre os EUA, suas intromissões nas políticas externas, as estatísticas assustadoras que apontam o número de homicídios no país, faz uma comparação com a tranqüilidade canadense, discute racismo e problemas sociais decorrentes dele (numa das cenas mais tocantes do filme), questiona a mídia e sua sede por crimes e imagens fortes (além de mostrar um jornalista cínico ao extremo), entrevista cidadãos neuróticos por armas e a ilusão que criam de que as armas trazem segurança ao povo. Faz tudo de um jeito tão seguro, abordando tantos temas, que a quantidade de comentários que eu poderia fazer sobre cada coisa fica realmente grande. Dá pra passar horas falando desse filme, porque ele realmente nos faz pensar. Disseca o tema da violência e desmonta a insanidade da sociedade norte-americana como poucos já fizeram. Mas tudo sem apresentar verdadeiras respostas ou soluções (talvez porque elas não existam). E é justamente isso que nos dá uma sensação de indignação e impotência, diante de um problema que parece sem saída.

O ator Charlton Heston (de Ben Hur) se mostrou o mais insensível, ignorante e preconceituoso de todos. Ele é presidente da Associação Nacional do Rifle, que defende o armamento da população e contribui para a total liberação de armas que já existe por lá. Qualquer um pode ir num KMart da vida e comprar um pacote de munição por uns poucos dólares. Ou ir num banco, abrir uma conta e ganhar uma pistola de brinde (!). É o cúmulo. Heston chegou a dizer que possuir armas é um direito dos homens dado por deus (!!).

Já o roqueiro Marilyn Manson foi o que disse as palavras mais inteligentes do filme. Coisas como "O governo prega o medo na sociedade para facilitar o controle dela." ou "É muito fácil me culpar pela violência, enquanto o presidente bombardeia países pelo mundo. Quem influencia mais as crianças, ele ou eu?". Fiquei admirada com outras coisas que ele já disse também: "As pessoas preferem se sentar em frente à TV e deixar que ela diga do que elas devem gostar, o que devem comprar, do que devem rir. As pessoas são muito preguiçosas e estúpidas para pensar sozinhas porque a América as criou assim". "O que é real? Você não consegue encontrar a verdade, só escolhe a mentira que te agrada mais. Enquanto souber que tudo é uma mentira, não machucará a si mesmo". "Eu nunca disse para serem como eu, digo seja você mesmo e faça a diferença".

Tiros em Columbine (ô tradução ruim, viu) é genial sempre. Nos questionamentos, na ironia, nas entrevistas, dados, na técnica, principalmente na mensagem. É uma aula que deve ser vista por todo mundo - mas a gente torce para que seja vista pelo maior número possível de norte-americanos... Porque dá muita raiva ver um país como aquele, com aquele poder e com problemas tão grandes. A gente experimenta sentimentos de revolta, pesar e tensão alternadamente. Dá uma sensação de impotência! Mas mais raiva dá ver parte do povo estadunidense mantendo a mesma postura (como Heston fez). Aí é impotência confirmada pela burrice.



Fotos do site oficial de Bowling for Columbine (visitem!)


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Atenção:


A última enquete, "O que você está achando dos 1°s 6 meses do governo Lula?", recebeu 57 votos. A maioria (22 pessoas) votou na opção "Governo Lula? De onde?". Entendemos isso como uma crítica ao governo, feita pelos descontentes que o consideraram tão fraco a ponto de parecer ausente. Ou como uma piadinha de mau gosto...
Outra grande parte (19 votos, ou 33%) considera os primeiros seis meses razoáveis, mas acham que o governo deve melhorar (eu, pessoalmente, votei nessa. Estou na fase da "esperança frustrada").
Apenas duas pessoas consideraram o governo "perfeito". Seis pessoas votaram "Uma bosta!" e sete em "Heloísa Helena para 2006!".

A nova enquete é sobre o tema em pauta: a Reforma da Previdência. Participem da discussão nos comentários e deixem seu voto!!


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quarta-feira, Julho 23, 2003



O Lumi colocou uma coisa importante aí na discussão sobre a Reforma: um grande erro do governo foi ter colocado todos os funcionários públicos, marajás ou não, no mesmo saco (ainda assim você há de convir que ambos são privilegiados no sistema previdenciário brasileiro, Lumi. O que precisa ser olhado é o teto salarial e teto das aposentadorias, que equalize a situação tanto dos marajás como dos outros como de todo o resto do povo brasileiro, acabando com os privilégios. Isso é uma coisa que a Reforma está longe de conseguir fazer, mas que está a caminho de tentar...). A minha vontade agora é comentar sobre os tais marajás, a começar pelos juízes corruptos que ocupam esse sistema Judiciário podre que existe no Brasil (aliás, meu maior sonho é de que o Lula tenha coragem de mexer nesse vespeiro e faça de uma vez a Reforma do Judiciário - metade dos problemas do país estariam solucionados). Mas em vez de escrever um texto meu, optei por colocar um texto da nossa leitora mais Sarcástica, tirado do seu blog Sarcasmo S.A. (visitem!). Ela escreveu tudo de um jeito fácil de ler e bastante pessoal (até partindo do princípio de que ela própria é advogada e tem contato com muito magistrado). Isso tudo além de se derramar em ironia e indignação - que é uma coisa que eu adoro e transformei no "grande estilo" do FMB. Enfim, vale a pena de ser lido. Editei algumas partes de nada e aproveitei até a ótima idéia que ela teve de colocar o Eddie-juíz. Reparem nos grifos que coloquei; são as partes mais importantes. Fiquem com raiva também e registrem sua opinião!



"A Greve dos Juízes e a desgraça de ser brasileiro

Sou advogada, mas nem por isso escondo dos meus olhos e do meu pensamento as incongruências e podridão que contaminam o nosso judiciário - judia, judia da gente, seus desgraçados.

Muito antes de me formar, eu trabalhei para uma determinada associação de magistrados em São Paulo, em 97, justo na época em que começaram as reformas da Previdência. Vi de muito perto a importância e utilidade de fazer parte de uma classe das mais organizadas e poderosas que existem em nosso país. Não, eu não fazia parte dessa classe. Eu trabalhava para ela.

Li com esses olhinhos que Deus me deu (...) os memorandos, comunicados e correspondência enviada aos associados, incentivando à mobilização contra a perda de privilégios - ops, 'garantias constitucionais' - e um detalhe não me escapou: havia uma lista bastante considerável de congressistas, com os quais 'poderia se contar' e em relação aos quais se estimulava que os magistrados exercessem uma certa 'pressão amorosa' (...) no sentido de reafirmarem seus compromissos perante a classe.

Houve a greve, o governo da época arregaçou as calças e empurrou o abacaxi para ser descascado por alguém que fosse macho o suficiente.

Agora, acompanho pelos jornais a mesma palhaçada, os mesmos argumentos e o mesmo roteiro de sempre. A história que se repete. E será que o final será o mesmo?

Eu acredito que sim.

Diz lá Genoíno: 'Essa greve dos Magistrados é um tiro no próprio pé'. Não, não é. É um tiro na cabeça de qualquer residente no Brasil. Um tiro na nossa dignidade, uma afronta à nossa cidadania. Os juízes, e agora os promotores, avisam com antecedência que vão tirar um descansinho remunerado de uma semana - a princípio - e que não se conformam em ganhar, no futuro, apenas doze mil reais. Imagine. Um desembargador, ganhando apenas doze mil reais, é pouco, é muito pouco. Tantos anos passados em banco de escola, depois intinerando entre comarcas menores de fim-de-mundo, aturando advogados prolíxos, jurisdicionados lamurioros e pilhas de processos precisam de uma compensação ao seus intelectos privilegiados, não é?

NÃO, NÃO É.



Já que eles não fazem justiça, faço eu. Não são todos que agem assim e tive a felicidade de conhecer alguns ilustres que pensam com a cabeça, e não com o bolso. O próprio STF declarou a greve inconstitucional, mas alguém está ligando para isso? Sim, alguns estão. Não são todos que estão concordando. Tenho certeza que algumas mentes iluminadas encontrarão força para irem de encontro às suas associações e já vi na mídia algumas vozes se erguendo nesse sentido. Esses sim, são nobres. Lembram das longínqüas aulas de Introdução ao Estudo do Direito, das de Filosofia e dos princípios básicos do que é ser um cidadão legítimo no sentido mais abrangente da expressão.

Mas é o fedor da arrogância e da falta de bom senso é o que está prevalecendo. Que lástima, para a gente.

Nós, os meros mortais, não podemos fazer uma greve contra o Judiciário. Dependemos dele para casar, para separar, para legitimar direitos e buscar no Estado a solução para nossas aflições com solução prevista em lei. Não se pode pedir o impeachment de um juiz. Não se pode obrigar a um juiz ou um promotor a descer do seu palco. E eles sapateiam! Sapateiam na cabeça de todo mundo, e nos dão os ombros, mesmo sabendo do quanto eles são necessários. Aliás, o fazem porque têm plena consciência disso. É um crime premeditado, merecendo, portanto, agravo da pena.

Existe uma coisa boa nisso tudo, por incrível que pareça: o governo brasileiro finalmente está aprendendo que nosso país é grande demais e que manter diálogo estreito com estados e municípios é o melhor caminho para se alcançar as reformas tão necessárias à nossa casa destruída pela ação dos vândalos, desde o Descobrimento. Aos poucos também o povo brasileiro está tendo a oportunidade de perceber, se já não percebeu, quem está do lado de quem. A reforma da Previdência não é a ideal, vez que o agir na legalidade é naturalmente limitado, a Lei existe para isso, mesmo. Mas se existem incorreições e injustiças, a mudança é necessária. Não é porque está na Constituição que está certo, mesmo porque, a situação de 1988 é bem diferente da de agora.

Se a maioria das pessoas já olha para o Judiciário com reserva, agora têm motivo para ter asco. Ninguém ganha com isso, porque o mal consome a todos que ele toca. Advogados, promotores, funcionários de cartório dos Fóruns, promotores, os próprios Magistrados e a população vão perder, e muito, com isso tudo. Como sempre. Como se eu estivesse bradando alguma grande novidade.

Isto posto, e por tudo mais que dos autos consta, declaro que estamos fodidos. E nem temos a quem recorrer da decisão."

Como vocês puderam ver, ela colocou de uma maneira claríssima como os juízes são uma classe privilegiada e, mesmo assim, sempre disposta a recorrer à Constituição para garantir seus 'direitos'. Deixando claro que DIREITOS = PRIVILÉGIOS (desse jeito mesmo, com todas as letras em maiúscula pra não haver dúvida). É graças a essa corja que a Reforma não está sendo planejada da melhor forma possível e provavelmente não será aprovada com o intuito maior de corrigir os privilégios absurdos que existem no país. Graças a greves injustas desse povo injusto que se baseia em interpretações injustas de leis nem sempre justas para conseguirem o que querem. Uma coisa que ela disse me chamou a atenção (talvez porque grande parte dos meus melhores-amigos cursa Direito): esses canalhas do Judiciário um dia já aprenderam Filosofia, Ética e Moral e aprenderam a defender direitos dos cidadãos. Foram corrompidos pelo poder? Quem é que sabe...! O fato é que é o povo quem mais sofre com isso, pra variar. Se aparecesse um gênio aqui eu faria meus três desejos: a reforma previdenciária "certa", um judiciário com a paixão e os ideais dos jovens universitários (isso sim moveria o país pra frente!) e, de quebra, sucesso em todos os outros projetos do governo Lula... (vem, gênio, vê como não sou egoísta...?)

Ah, quero aproveitar pra reclamar que, dessa vez, o debate não rendeu muito. E isso é um absurdo, tendo em vista a importância e atualidade do tema, além da ocorrência da greve dos servidores públicos. O debate está em todos os jornais e em toda a sociedade - mas cadê o debate aqui? Agradeço aos que deixaram suas idéias e dúvidas para serem discutidas...

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Terça-feira, Julho 22, 2003



Ontem postei as notícias sobre a greve dos funcionários públicos, dois artigos sobre a Reforma da Previdência propriamente dita e um texto comentando como foi a palestra sobre a Reforma que ocorreu na UFMG, contando com a participação de Luciana Genro. São muitos textos sobre o assunto e suficientes para garantir uma boa discussão. Como estamos vivendo o debate da Reforma na pele - com a greve do funcionalismo afetando diretamente os estudantes das universidades púlicas, por exemplo -, acho que este é o momento ideal para trocarmos uma idéia aqui no FMB. Espero opiniões, discordando do projeto, concordando com ele ou trazendo mais dúvidas...

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Segunda-feira, Julho 21, 2003


Agora eu cheguei onde queria, depois de ter postado as notícias do dia referentes à greve e à Reforma, e dois artigos também relacionados. Hoje, lá no auditório da Faculdade de Letras da UFMG, houve palestra sobre a Reforma da Previdência. Palestrante: Luciana Genro. A filha do gaúcho Tarso falou por cerca de uma hora, explicando por que é completamente contrária à Reforma da Previdência nos moldes do governo petista. A palestra foi muito bem realizada, tendo sido aberta a representantes de movimentos estudantis e outros (como Cacau, candidato a governador de Minas pelo PSTU, que também se manifestou), que puderam opinar a respeito. Todos eram radicalmente contrários à reforma.

O Movimento da Esquerda Socialista foi o responsável pela organização do evento e vários panfletos foram distribuídos. Um deles, do MEPR (Movimento Estudantil Popular Revolucionário), chamava os estudantes a se juntarem à greve dos servidores, com os seguintes argumentos:
"Se a greve não sair agora, a reforma será aprovada e isto representará uma grande derrota para os trabalhadores brasileiros, particularmente do setor público. E nós, estudantes universitários, muitos futuros professores, sentiremos na pele a perda destes direitos. (...) Uma reforma apoiada por PFL, PMDB e PSDB seguramente não trará nada de bom para os trabalhadores." Por fim dizem que a greve também será importante na luta contra a privatização das universidades públicas, "defendida por Cristóvam Buarque" (na verdade, para quem acompanhou essa discussão aqui no blog, não foi bem assim...) e concluem: "Exigimos mais verbas para a universidade pública, fim de todas as taxas, mais bolsas de iniciação científica, verba para a assistência estudantil, o fim das fundações de direito privado, mais vagas nas universidades públicas, pelo fim da lista tríplice e por eleições universais para reitorias e diretorias" (pouco ambiciosos, não? Bem, sou contra o fim das taxas semestrais, que garantem auxílio indispensável a uma porção de alunos carentes, garantindo almoço barato e empréstimo de material cirúrgico e de livros, por exemplo. Muitas dessas reivindicações do MEPR me parecem bastante arbitrárias. Mas fica aqui o registro).



Também recebemos o boletim nacional do PSTU, com a manchete:
"Fazendo o jogo do FMI, não haverá mudanças" e uma foto de Lula cumprimentando Bush. O texto sobre a previdência é o seguinte: "Ao contrário do que diz a TV, essa 'reforma' não favorece os mais pobres. Ela ataca 6 milhões de servidores públicos: professores, enfermeiros, funcionários de escola. Diminui em 30% as pensões das viúvas, taxa aposentados em 11%, aumenta a idade mínima para aposentadoria, acaba com os direitos à aposentadoria especial dos professores e à aposentadoria pelo mesmo salário da ariva, etc. Tudo para pagar mais juros e empurrar os servidores para a Previdência privada, controlada por bancos, que receberão R$ 50 bilhões, de imediato, e R$ 670 bilhões, até 2010." Termina convocando os trabalhadores para a greve e dizendo que a esquerda nacional - incluindo os "radicais do PT" - deve se unir num novo partido, já que "O PT, como instrumento de mobilização por um projeto anti-imperialista e anti-capitalista, morreu".



O terceiro panfleto foi distribuído por estudantes críticos à UNE, tachada de entidade pelega e oficial do governo, que vive na inércia (ah, isso é verdade...!). Sobre a Reforma, dizem: "Queremos, sim, discutir a reforma da previdência, mas que não tire direitos daqueles que constroem cotidianamente a nossa universidade e nosso país, servidores, técnicos-administrativos, os professores, pesquisadores. Uma reforma que acabe com os privilégios. Não podem existir pensões que chegam a R$40 mil! O que não é o caso dos servidores públicos que têm uma renda que mais se encaixa na da classe média e que estão há muitos anos sem aumento. Somos contra a reforma porque ela não toca no problema principal da previdência que são os sonegadores (que devem bilhões), os altos salários dos juizes, militares, os constantes remanejamentos de recursos da previdência que vão para outras áreas." (Esses aí tocaram num ponto que concordo: a reforma não é perfeita e, como disse VBC, no artigo do JB aí embaixo, está reduzida a um quase-nada, graças à politicagem que está rolando no Congresso e nas ruas, que impede que a reforma exerça seu principal objetivo de redutora dos privilégios sociais. Mas discordo desse povo que coloca os servidores públicos - professores etc - como uns coitadinhos que não têm onde cair mortos e que não ganham quase nada. Será que sou só eu que acho que eles estão, sim, no topinho da pirâmide social e têm, sim, muitos privilégios?? Não estou discutindo que militares e juízes corruptos têm um salário dez vezes maior - isso nem se discute. Mas acho que a reforma tem que visar ao fim dos privilégios de ambos os grupos de servidores. Se essa for a crítica, concordo com ela. Se não, discordo com força.)



O último papel que nos foi entregue foi escrito pela deputada federal Luciana Genro, a palestrante. O
"Boletim do Mandato", entitulado "Por que somos contra a reforma da Previdência", trata dos fundos de pensão e seus riscos, do interesse dos mercados na reforma, do déficit da previdência, da contribuição dos inativos (eta, polêmica!), idade mínima dos aposentados e da semelhança com o projeto de reforma de FHC. Gravei toda a palestra (só ficou faltando dois pedaços pequenos) e transcrevi a fita com a maior fidelidade que pude, mantendo inclusive as repetições chatas (estou sem paciência para editar...). O resultado foram quatro páginas de palestra, que deixo aí para vocês lerem com atenção. Praticamente tudo o que a deputada colocou em seu Boletim foi dito na palestra, mas se eu tiver tempo transcreverei o Boletim também.



Acho que a discussão sobre a Reforma é muito importante e o momento é o mais propício. Já expus minha opinião, me dizendo a favor dos princípios básicos da Reforma - e agora deixo todos esses argumentos contrários a ela (muitos corretíssimos também). Material para reflexão é o que não falta neste blog hoje...




Clique aí e leia a palestra de Luciana Genro, na íntegra (quase, quase...): Luciana Genro.doc

(As fotos foram tiradas de sites do PSTU, CMI, Correio da Cidadania, e outros. Isso porque meu scanner não quis funcionar e não pude tirar cópia dos panfletos...)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Completando o assunto, coloco trecho do artigo de Villas-Boas Corrêa, publicado no Jornal do Brasil de sexta-feira, sobre o recuo do governo. Afinal de contas, os servidores em greve estão conseguindo o que queriam: a Reforma perdeu muito de seus objetivos iniciais e está praticamente reduzida às exigências de idade, tempo de serviço e de carreira para o funcionalismo federal. Uma reforma assim, quem quer? Cliquem sobre o texto para lerem tudinho.



"(...) Como nota melancólica para a biografia de Lula, fica o registro da sua resistência, até a exaustão, à paridade dos reajustes de servidores ativos e inativos. E, como ficha de consolo, o da redução dos vencimentos dos desembargadores de 95% para 75% do teto do que percebem os ministros do Supremo Tribunal Federal.

Da incineração da reforma previdenciária, depois da inauguração do forno crematório oficial, sobrou o punhado de cinza que o presidente Lula espargiu sobre o Congresso e que servirá como adubo do canteiro das couves da demagogia a serem colhidas na tramitação da proposta esquartejada na sua romaria legislativa. (...) "


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Dando continuidade ao assunto da Reforma da Previdência, que é muito importante nesse contexto de greve dos servidores e que merece ser melhor debatida, publico agora o artigo de Fernando Rodrigues da Folha de S.Paulo de hoje, sobre problemas da reforma.

"Auto-armadilha
Equacionar a Previdência pública no Brasil depende da criação de um sistema justo e viável para futuros servidores. Não é um problema pequeno.
Há no Brasil 456,6 mil funcionários públicos do Poder Executivo na ativa (exceto militares, integrantes do Banco Central, Ministério Público da União, empresas estatais e sociedades mistas). Desses, 51.903 entraram durante os oitos anos de FHC. Se o país tivesse um bom modelo para novos servidores desde o início da era tucana, o pepino hoje seria menor.
Mesmo com sua timidez e ineficácia política, FHC iniciou uma reforma razoável para os futuros servidores. A emenda constitucional número 20, de 1998, tornou possível fixar as regras de fundos de pensão complementar para os novos funcionários da União, Estados e municípios por meio de lei complementar. O PT quer retirar esse item da Constituição.
Esse foi o erro trágico petista.
O governo de Lula criou uma auto-armadilha ao enterrar a saída menos complexa. Era mais fácil resolver a Previdência para os novos servidores com uma lei complementar -o hoje defunto PL9.
Ocorre que o PL9 havia se transformado em uma das principais bandeiras dos sindicatos. Previa apenas fundos com contribuição definida. Os servidores -e os petistas à moda antiga- só aceitam o sistema de benefício definido (que no final dá a aposentadoria integral).
Querendo fazer um truque (fingir que o PL9 era desnecessário e tirar uma bandeira dos radicais), o PT conseguiu uma encrenca (o assunto ressuscitou com mais força).
No PL9, já em fase final de votação, o benefício definido estava morto. Agora, com a inclusão do tema na Constituição, voltou tudo à superfície. Os juízes ameaçam com greve. Todas as corporações querem fundos de pensão que garantam a aposentadoria integral para seus futuros servidores. Será uma parada duríssima e um teste de fogo para o PT."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Notícias sobre a Reforma da Previdência e a greve dos servidores públicos:

1) "Os juízes estaduais e do Trabalho podem aderir hoje à greve geral convocada pelo funcionalismo público como forma de pressionar o governo e a Câmara dos Deputados a mudar pontos da reforma da Previdência. Já os juízes federais decidiram adiar a decisão, mas não descartam cruzar os braços também. (...) A principal reivindicação dos juízes é a elevação do subteto de suas aposentadorias de 75% para 90,25% do vencimento de um ministro do STF. (...) Outro pleito é a definição de regras de transição para os atuais servidores poderem se aposentar com o salário integral." (é, tadinhos. Têm todo o direito de manter seus privilégios...)

2) "Os servidores decidiram ocupar o canteiro central da Esplanada a partir desta semana e realizar a marcha na próxima semana. Eles estudam paralisar as atividades de serviços estratégicos como a fiscalização em aduanas e a distribuição de dinheiro feita pelo Banco Central. Sindicalistas pretendem negociar amanhã com os funcionários do BC a adesão à greve por ao menos alguns dias." (Os servidores não podem contar com o fechamento da Esplanada porque quase 70% do pessoal lá é terceirizado, desde o tempo de FHC, quando foram demitidos 220 mil funcionários públicos e contratados apenas 30 mil)

3) O presidente do STF, Maurício Corrêa, fez um apelo aos juízes que ameaçam entrar em greve e disse que uma eventual paralisação fere a Constituição. Ele diz que tem "esperança total e absoluta" de que a Câmara vai atender às reivindicações dos juízes de elevação do teto de 75% para 90% (desautorizada por Lula, pressionado pelos governadores). (Alguém duvida dessa esperança?)

Fonte: Folha de S.Paulo de hoje.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Sábado, Julho 19, 2003


Quem lembra????

STJ concede prisão domiciliar a Nicolau


Juiz aposentado, condenado por lavagem de dinheiro, alega problemas de saúde para deixar Casa de Custódia da PF
SILVANA DE FREITAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA




"""""Nicolau dos Santos Neto foi condenado em processo criminal que apura o esquema de desvio de R$ 169 milhões da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo.
Em 1992, o TRT-SP iniciou licitação para construir o fórum. Em 98, auditoria do Ministério Público apontou que só 64% da obra do fórum havia sido concluída, mas que 98% dos recursos haviam sido liberados. A obra do fórum foi abandonada em outubro de 98, um mês após Nicolau deixar a comissão responsável pela construção.
Os outros acusados pelo desvio, entre os quais o senador cassado Luiz Estevão, foram absolvidos porque o juiz entendeu que havia falhas na denúncia do Ministério Público Federal em relação a eles."""""""


"""""O advogado de Nicolau afirmou que o cliente sofre de problemas gravíssimos de saúde e que seriam inadequadas as condições da sala onde está preso. Ele apresentou um laudo médico sustentando que o juiz aposentado está em péssimo estado de saúde, com quadro depressivo grave, hipertensão arterial, labirintopatia e incontinência urinária.
Conforme o laudo, ele estaria tomando vários medicamentos para combater os problemas, mas as condições de higiene e conforto da sala da Casa de Custódia da Polícia Federal impediriam a melhora. A baixa temperatura do local, por exemplo, o exporia ao risco de contrair pneumonia.
O juiz aposentado disse ainda, por seu advogado, que estava sendo vítima de constrangimento ilegal em razão da demora do próprio STJ em examinar outros sete habeas corpus movidos em fevereiro último.
Nicolau tentou inicialmente obter a liminar no STF (Supremo Tribunal Federal), mas o presidente desse tribunal, ministro Maurício Corrêa, disse que a decisão poderia ser tomada pelo STJ por razões técnicas relacionadas ao rito processual.
Naves concedeu a liminar na condição de ministro responsável pelo exame de processos urgentes durante o recesso do Judiciário. O mérito do habeas corpus será apreciado pela 5ª Turma do STJ.""""""


Folha hoje.

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Informativo simplificado::::::::::

IDH



O Índice de Desenvolvimento Humano foi criado originalmente para medir o nível de desenvolvimento humano dos países a partir de indicadores de educação (alfabetização e taxa de matrícula), longevidade (esperança de vida ao nascer) e renda (PIB per capita). O índice varia de 0 (nenhum desenvolvimento humano) a 1 (desenvolvimento humano total). Países com IDH até 0,499 têm desenvolvimento humano considerado baixo; os países com índices entre 0,500 e 0,799 são considerados de médio desenvolvimento humano; países com IDH maior que 0,800 têm desenvolvimento humano considerado alto.

O cálculo doIDH integra três variáveis:

**o índice da longevidade medida pela esperança de vida à nascença,
**o índice educacional medido por uma combinação da porção da população adulta alfabetizada com ponderação de 2/3 e a taxa de escolaridade conjunta do ensino primário, secundário e superior com ponderação de 1/3,
**o índice do padrão de vida medido pelo PIB real per capita expresso em dólares PPC (paridade dos poderes de compra) para efeitos de comparação internacional.

O IDH é estimado como uma média simples destes três índices.

Em outras palavras, o IDH não avalia a QUALIDADE da educação ou a DESIGUALDADE social. Por isso é relativo usa-lo como um índice REAL de desenvolvimento humano dos países.



Fontes:

http://www.undp.org.br
http://www.sardc.net


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Sexta-feira, Julho 18, 2003


Como só deve sair essa notícia nos jornais impressos de amanhã, vou postar a nota do Jornal Nacional mesmo:

"Polícia mineira prende suspeito de destruir igrejas católicas
A polícia de Minas prendeu um suspeito de destruir parte de duas igrejas tombadas pelo patrimônio histórico, em Sabará.

Silvinho de Oliveira disse que recebeu uma ordem do Espírito Santo para destruir imagens sagradas. Na casa dele, a polícia encontrou uma peça roubada de uma das igrejas. Ele confessou que usou velas para atear fogo no altar da Igreja das Mercês, e uma barra de ferro para destruir imagens da Igreja de Bom Jesus. Por causa dos dois atentados, sete igrejas foram interditadas em Sabará. "

FANATISMO é um perigo...

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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E já que citei o grupo de discussões, vou colocar um textinho meu sobre Educação e mídia. Desculpem por estar colocando textos grandes hoje, mas é que são de email. Vou tentar editar, mas acho importante que vocês leiam, porque abre brechas pra várias discussões diferentes (algumas já tratadas aqui no FMB, em outras ocasiões).

"(...) É da natureza humana buscar sempre o caminho mais fácil. Pode-se dizer, portanto, que a tecnologia só contribui pra essa 'preguiça de pensar' que existe em cada um. Porque facilita a gente a fazer as coisas correndo, sem precisar de refletir, de pesquisar, de correr atrás da informação. Sem precisar de ESFORÇO. O erro das escolas é de promover essa preguiça, em vez de tentar encontrar uma maneira de fazer com que os alunos sintam a necessidade de se esforçar. Eu sempre achei o sistema das minhas escolas muito errado. Os trabalhos não incentivavam a pesquisa. A gente ia na Internet, ctrl+C, ctrl+V, pronto. Os professores olhavam se a aparência tava bonitinha, desprezavam o conteúdo e davam uma nota qualquer. Eu lembro de uma professora de geografia que eu tinha que mandava a gente fazer trabalhos de pesquisa em jornais, todos sobre geopolítica. Ela dava a nota exclusivamente pela aparência do trabalho; nem se dava ao trabalho de ler nossos textos. Eu até cheguei a colocar frases do tipo 'se estiver lendo, circule esta frase', no meio dos textos, só pra mostrar a ela depois (e é claro que ela nunca circulava...). Como querer que o aluno não tenha preguiça de pensar, se os próprios professores têm? A mesma coisa na faculdade. Os meus professores pediram que a gente criasse blogs sobre temas relacionados a jornalismo e publicidade (www.noticianainternet.blogger.com.br). A gente se esforça por encontrar textos legais, alguns entrevistam profissionais da área, fazem tudo o que podem e colocam no blog. Mas NENHUM professor até hoje (são cerca de 4 envolvidos no projeto) sequer entrou em NENHUM dos oito blogs criados por nós! Aos poucos nós vamos ficando desestimulados, desinteressados e o projeto vai caindo (meu grupo, por exemplo, já está praticamente só copiando e colando textos da internet). A culpa é exatamente de quem?
Tá tudo errado. O sistema de educação no país está um lixo, essa é a verdade. Não se ensina mais para criar cidadãos que sabem deveres e direitos, que sabem agir em conjunto para construir uma sociedade melhor, que sabem aplicar conhecimentos de matemática, física e história para tornar a vida numa comunidade mais fácil e harmoniosa (pelo menos é assim que enxergo a utilidade de uma formação educacional). As escolas ensinam os alunos para formar competidores num mercado de trabalho. A lógica é toda voltada para o sistema capitalista. Os valores cultivados nas escolas são
tão deturpados quanto os valores 'cultivados' na sociedade - falta de ética, de organização, de disciplina, interação, solidariedade. O problema é muito mais complexo do que parece. E acho que pra mudar isso - e até conseguir mudar os valores da sociedade - a solução tem que começar pela escolas, com toda uma mudança na pedagogia, com uma reelaboração dos vestibulares (já que eles foram comercializados e o Ensino Médio também é só voltado para Vestibular), além de investimentos pesados do governo em formação de professores qualificados (sabem quanto ganha um professor de ensino fundamental em escola pública de BH? Sem os benefícios, dá menos de um salário mínimo - algo em torno de 210 reais...).

(...) Os maus repórteres - que são grande maioria -, não se interessam por matérias criativas, por buscar novas fontes, por pesquisar sobre um entrevistado, por renovar essas velhas fórmulas que já estão enchendo o saco e não param de ser publicadas nos jornais. Todo santo dia eu ligo aquele Bom Dia Minas e vejo a mesma ladainha sobre questões sem importância no interior, morte, quebra de posto de sáude, trânsito engarrafado, etc. 'Neste fim-de-semana ocorreram mais de 15 mortes em Belo Horizonte'. Será que não ocorreu nada além disso? Algum projeto realizado por alguma escola em algum lugar, que realmente tenha importância e traga algo mais para a comunidade? Alguma reivindicação não atendida mas que, em outro lugar, foi solucionada de tal ou tal outra forma? Alguma idéia nova? E por que, sempre que chega inverno, as reportagens se fixam nos incêndios de festa junina? Por que não fazer reportagens que exigem pesquisa, que vão a fundo em algum tema, que sejam bem elaboradas como boas reportagens devem ser? E ainda tem aquela idiota do Bom Dia Minas (a Patrícia num-sei-o-que) que é incapaz de fazer perguntas decentes numa entrevista qualquer. Ela tem todas lá, anotadinhas no caderninho e repassadinhas pelo editor, e fala tudo decoradinho. Enquanto o entrevistado responde, ela vai decorando, e nem presta atenção. Se ele diz alguma coisa
importante, que mereceria desenvolvimento, ela não ouviu e passa batido. E insiste em pontos ridículos, que já foram ditos em alguma outra resposta, simplesmente porque não estava prestando atenção. A entrevista fica repetitiva e medíocre. Me dá até raiva de ver. O mesmo acontece no MGTV e outros jornais do mesmo padrão. Daí porque não tenho paciência com o telejornalismo brasileiro (e mineiro).
O jornalismo está falindo. Ele não promove mais discussões dentro da sociedade, como seria, na minha opinião, sua maior função. Se fixa nas mesmas ladainhas de sempre que, teoricamente, vendem mais. Mas, ao mesmo tempo, estão vendendo cada vez menos! Como explicar isso? Mas acho que os
repórteres não devem ser os únicos culpados nessa história toda. Isso porque simplesmente não têm TEMPO mesmo para correr atrás de tanta coisa. O que precisa haver é um trabalho em equipe - editores, pauteiros, repórteres -, que se interesse por matérias frescas todos os dias, matérias de qualidade, com sangue novo. E eles precisam perceber isso o mais rápido possível, porque uma sociedade sem jornais que promovem discussões e fluxo de idéias não é uma sociedade verdadeiramente democrática (e ninguém me convence que vivemos hoje numa Democracia). Quem é que discute política hoje no Brasil? As universidades e intelectualidades - e só. Quem tem a função de levar essas discussões para o POVO? Os jornais. Só isso já é suficiente pra provar a importância do jornalismo e como sua crise faz com que a sociedade definhe cada vez mais. (...)"

Muita coisa do que disse nesse email foi trazida das discussões que tivemos na faculdade. Outras, completaram o que foi dito em emails anteriores, nesse mesmo grupo. Mas a idéia é essa; espero que vocês tenham conseguido entender direitinho.



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Vocês se lembram de uma matéria que postei falando do relatório da ONU sobre o Brasil? Que subimos de posição, mas continuamos com os mesmos problemas e nossa concentração de renda está cada vez maior. Bem, o Egon Felipe, aluno de História da UNI-BH e integrante do grupo de discussões do qual participo, escreveu um email sobre isso.
Dêem uma lidinha e façam comentários, concordando ou discordando do autor:


"É triste, muito triste saber que um país como o nosso, possuindo um potencial vasto, que vai desde as mais diversas culturas de norte a sul até riquezas naturais e uma, ainda iniciante, mas já sólida estrutura econômica, consiga ocupar péssimas posições no quesito de distribuição de renda, e o que é ainda pior, constatado cientificamente que este quadro de desigualdade tem piorado. O maior problema é que tudo isso é maquiado de uma forma vergonhosa pela elite, que utiliza os meios de comunicação para veicular as informações que lhe é conveniente. Tal resultado da ONU, o que mede o IDH (Indice de Desenvolvimento Humano) dos países, foi divulgado com todo entusiasmo pela mídia inescrupulosa como um ótimo resultado, pois o Brasil saiu da posição de 69ª para 65ª. Ora, será por que que não divulgam que a desigualdade aumentou? Será por que que não divulgam que países da América Latina e inclusive da África possuuem um IDH mais ele vado que o nosso? Colocam isso como se o Brasil realmente estivesse alavancando para um futuro de prosperidade e fartura, quando o que se realmente percebe (para aqueles que realmente buscam enxergar) é um endividamento cada vez maior com o FMI, uma dependência que nos faz mais escravos dos Bancos, uma má distribuição tão desigual, que faz com que uma região inteira do país caia literalmente na sargeta! Ora pessoal, o Brasil possui na região Norte a maior bacia hidrográfica do mundo. Por que não estudar uma forma de aproveitar tal potencial hidráulico, gerando assim milhares de empregos e atraindo investimentos para a região? O Brasil só não dá certo porque o povo não quer. A preocupação maior não é perceber se o programa FOME ZERO está alcançando os limites desejáveis, mas sim dançar feito uma lacraia empiriquitada e correr para casa assistir 'nossas tão belas novelas, assistidas inclusive no exterior'. A posição do Brasil no ranking do IDH melhorou porque os 8 anos de FHC acabaram por sucatear o país. É um paradoxo, não concordam, mas é o que realmente acontece: é lucro mostrar para o mundo que vários alunos estão tendo acesso à escola, e que vários estão se formando, porém, a educação é literalmente um lixo e as escolas públicas mais parecem latas de lixo do que locais de ensino e estudo. O que falar das faculdades federais então... As faculdades privadas, superlotadas, não querem saber de qualidade de ensino, mas sim de cada vez mais alunos para pagarem as mensalidades porque infelizmente educação em nosso país virou mercadoria. Um exemplo: UNI-BH, a MARCA da educação. É caso de rir e lamentar. Na questão de expectativa de vida, o brasileiro agora vive mais, porém vive mais tempo na miséria, na luta do dia a dia de conseguir sobreviver, e não viver, pois quem precisa da saúde pública neste país está literalmente jogado às traças. Porém tais fatores não são passados pelos grandes meios de comunicação, que 'enchem a boca' pra soltar a grande baboseira: 'O BRASIL SUPERA OBSTÁCULOS E MELHORA SUA POSIÇÃO - DIZ RELATÓRIO DA ONU'. Bem pessoal, infelizmente a verdade está aí e muitas vezes a gente finge que não enxerga, mas ela bate à nossa porta a qualquer momento e não adianta recusar sua entrada. Acredito sim num Brasil melhor, e quero muito isso, mas devemos nos conscientizar que tal tarefa é árdua e que todos devemos nos unir e fazer pelo menos um pouco para que esse Brasil melhore um dia chegue.
Egon"

Concordo com o que ele diz sobre a péssima qualidade da educação brasileira (que, ironicamente, foi responsável pela subida de posição no IDH) e também quando ele defende a posição polêmica de que é o povo que não quer mudar. Porque o povo não está mesmo interessado em discutir política, em correr atrás das coisas, em exigir mudanças e criar projetos e desenvolver iniciativas sociais... Não mesmo, é a verdade. Quem é que discute política no Brasil hoje? As academias, uma meia-dúzia de intelectuais, de universitários e ativistas. E os 99% restantes? Não discutem, não se interessam, estão apáticos, acomodados. Aliás, a idéia inicial do FMB era de justamente combater o comodismo, que é o que nos dá mais raiva.
Eu discordo quando Egon coloca a mídia como grande vilã. Tudo bem, a grande mídia é mesmo controlada por uma elite conservadora que não tem muito interesse em um Brasil dando certo. Mas jogar toda a responsabilidade dos problemas sociais do Brasil nas costas dessa mídia é um erro. A responsabilidade que eu jogo é de os jornais estarem em crise, não debaterem mais nada, não fazerem circular novas idéias na sociedade. Isso prejudica nossa "democracia". Mas o autor disse que os jornais divulgaram essa notícia do IDH com otimismo e aí eu discordo profundamente. Poxa, até a Globo (!) divulgou a notícia dando enfoque ao problema da concentração de renda! A Folha de S.Paulo idem.


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quinta-feira, Julho 17, 2003


Acabei de descobrir uma organização norte-americana que me faz acreditar que aquele povo não é tão alienado como pode parecer pelas pesquisas divulgadas na grande mídia do país. A Adbusters Media Foundation (visitem o site!) é uma rede de educadores, artistas, empresários, estudantes e escritores empenhada em realizar um ativismo criativo que combate o consumismo e promove campanhas de conscientização. Mas não fazem isso de um jeito convencional: realizam campanhas anti-publicitárias irreverentes e atrativas, pedindo por um debate crítico dentro dos EUA. Na véspera do 4 de julho (dia da Indepência dos EUA), eles colocaram uma mancha negra estampada no New York Times, com um juramento (the pledge): "4 de julho. Porque meu país vendeu sua alma para o poder das corporações; porque o consumismo se tornou nossa religião nacional; porque nós nos esquecemos do verdadeiro sentido da liberdade; e porque hoje patriotismo significa concordar com o presidente; eu prometo fazer o meu dever... e trazer meu país de volta". Essa é parte da campanha Unbrand America, explicada em detalhes no site da organização. Leiam parte do texto de André Azevedo da Fonseca, publicado na Novae e cliquem sobre a figura para lerem na íntegra.



'A campanha Unbrand America (algo como Desmarque a América) - essa da famigerada mancha negra - tem o objetivo de simbolizar e tornar explícita a indignação contra a ideologia bélica e consumista que tem orientado a política e a sociedade americana. O manifesto divulgado no unbrandamerica.org explica que 'esta é a marca de pessoas que não aprovam o plano de Bush para controlar o mundo, de quem não quer países 'libertados' sem o suporte da ONU, de quem não pode mais permancer ingênuo perante as bravatas empurradas garganta abaixo.' O texto diz também que essa marca 'simboliza as 'pessoas que querem o protocolo de Kyoto para o meio ambiente, que querem o Tribunal Penal Internacional para uma maior justiça, que querem um mundo onde todas as nações, incluindo os EUA, sejam livres de armas de destruição de massa'."



Clique aqui para ver fotos de manchas negras espalhadas pelos EUA (muito legal!)
Clique aqui para saber quais foram as doze empresas mais votadas como as piores. O McDonalds ganhou, com 5300 votos.
Clique aqui para saber mais sobre essa campanha.
E clique aqui para ver as outras campanhas legais que eles já fizeram!

(Deu pra notar que empolguei com a idéia?)


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Frases reflexivas::::::::


"Sabendo o que hoje sabemos, a referência à tentativa do Iraque de adquirir urânio da África não deveria ter sido incluída no discurso sobre o Estado da União."
Trecho de documento formal de um alto funcionário da Casa Branca, sobre o fato de o presidente George W. Bush ter usado no discurso sobre o Estado da União, no Congresso, informações incompletas e incorretas para justificar a guerra contra o Iraque.


"Deve ser a primeira vez na história que um presidente dos Estados Unidos engana o povo americano durante um discurso sobre o Estado da União."
Terry McAuliffe, presidente do Partido Democrata, sobre o discurso de Bush em janeiro no Congresso.

A 19ª mentira:

O dinheiro do petróleo do Iraque seria destinado aos iraquianos
Tony Blair se queixou no Parlamento de que "as pessoas alegam falsamente que queremos tomar as receitas petroleiras iraquianas", acrescentando que elas seriam depositadas em um fundo que beneficiaria a população do Iraque, sob administração das ONU.
Mas o Reino Unido co-patrocinou uma resolução do Conselho de Segurança que dá a britânicos e americanos o controle das receitas de petróleo do Iraque. Não existe fundo administrado pela ONU. A resolução continua a deduzir dinheiro para pagar reparações ao Kuait pela invasão de 1990.


Fonte: Folha

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Olha só o email que recebi hoje. Entendam como uma piada - ou como uma crítica muito bem bolada!

"CAPITALISMO IDEAL:
Você tem duas vacas. Vende uma e compra um touro. Eles se multiplicam e a economia cresce. Você vende o rebanho e aposenta-se rico!

CAPITALISMO AMERICANO: Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela morre.

CAPITALISMO FRANCÊS: Você tem duas vacas. Entra em greve porque quer três.

CAPITALISMO CANADENSE: Você tem duas vacas. Usa o modelo do capitalismo americano. As vacas morrem. Você acusa o protecionismo brasileiro e adota medidas protecionistas para ter as três vacas do capitalismo francês.

CAPITALISMO JAPONÊS: Você tem duas vacas. Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.

CAPITALISMO ITALIANO: Você tem duas vacas. Uma delas é sua mãe; a outra é sua sogra, maledetto!!!

CAPITALISMO BRITÂNICO: Você tem duas vacas; as duas são loucas.

CAPITALISMO HOLANDÊS: Você tem duas vacas. Elas vivem juntas; não gostam de touros, e tudo bem!

CAPITALISMO ALEMÃO: Você tem duas vacas. Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa, mas o que você queria mesmo era criar porcos.

CAPITALISMO RUSSO: Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Conta de novo e vê que tem 12 vacas. Você para de contar e abre outra garrafa de vodca.

CAPITALISMO SUÍÇO: Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua. Você cobra para guardar a vaca dos outros.

CAPITALISMO ESPANHOL: Você tem muito orgulho de ter duas vacas.

CAPITALISMO PORTUGUÊS: Você tem duas vacas...e reclama porque seu rebanho não cresce.

CAPITALISMO CHINÊS: Você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas. Você se gaba de ter pleno emprego e alta produtividade... e prende o ativista que divulgou os números.

CAPITALISMO HINDU: Você tem duas vacas. Ai de quem tocar nelas.

CAPITALISMO ARGENTINO: Você tem duas vacas. Você se esforça para ensinar as vacas mugirem em inglês. As vacas morrem. Você entrega a carne delas para o churrasco de fim de ano ao FMI.

CAPITALISMO BRASILEIRO: Você tem duas vacas. Uma delas é roubada. O governo cria a CCPV - Contribuição Compulsória pela Posse de Vaca. Um fiscal vem e te autua, porque embora você tenha recolhido corretamente a CCPV, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais. A Receita Federal, por meio de dados também presumidos do seu consumo de leite, queijo, sapatos de couro e botões, presume que você tenha 200 vacas, e para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante para o fiscal deixar por isso mesmo."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quarta-feira, Julho 16, 2003



Hoje o caderno Mundo da Folha veio caprichado, com uma página inteira sobre "as mentiras do governo norte-americano". Eles enumeraram 20 mentiras sobre a "guerra" do Iraque, com explicações e detalhes sobre cada uma. Não vou colocar tudo aqui, mas listarei as vinte. Para as pessoas que têm acesso ao site da Folha, não deixem de conferir a matéria completa no site, clicando aqui.


Soldado estadunidense que terá de ficar mais tempo no Iraque, seguindo decisão do Pentágono


1ª: O Iraque foi responsável pelo 11 de Setembro
2ª: O Iraque e a Al Qaeda estariam trabalhando juntos
3ª: O Iraque estava tentando obter urânio na África para seu programa de armas nucleares
4ª: O Iraque estaria tentando importar tubos de alumínio para o desenvolvimento de armas nucleares
5ª: O Iraque disporia de vastos estoques de armas químicas e biológicas produzidas antes da Guerra do Golfo (91)
6ª: O Iraque teria retido até 20 mísseis capazes de portar ogivas químicas e biológicas e com alcance suficiente para ameaçar as forças britânicas em Chipre
7ª: Saddam Hussein teria a capacidade desenvolver o vírus da varíola
8ª: As alegações britânicas e americanas contavam com o apoio dos inspetores de armas
9ª: As inspeções de armas anteriores fracassaram
10ª: O Iraque estava obstruindo os inspetores
11ª: O Iraque tinha a capacidade de colocar suas armas de destruição em massa em ação em 45 minutos
12ª: O "dossiê" [divulgado pelo governo britânico, que foi plagiado de documentos na Internet]
13ª: A guerra seria fácil
14ª: Umm Qasr [cidade cuja queda foi anunciada diversas vezes antes de as forças anglo-americanas terem realmente controle do local]
15ª: A rebelião em Basra [disseram que xiitas queriam se rebelar contra opressores, quando na verdade buscavam coalizão]
16ª: O "resgate" da recruta Jessica Lynch [essa novelinha ridícula ainda vai render uns milhões pra Hollywood]
17ª: Os soldados poderiam ter de enfrentar armas químicas e biológicas
18ª: Interrogar cientistas revelaria a localização das armas banidas
19ª: O dinheiro do petróleo do Iraque seria destinado aos iraquianos
20ª: Armas de destruição em massa enfim localizadas [ainda bem que estamos esperando sentados...]

Bem, é isso. Meus pais me ensinaram a sempre falar a verdade. Mas Mister Bush foi ensinado pelo papai-Bush... O que poderíamos esperar?

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Vou postar o texto inteiro desta vez, porque acho que o link da Folha de S.Paulo só abre para assinantes do jornal ou do UOL. E Elio Gaspari caprichou em sua coluna de hoje, fazendo uma crítica ao servilismo do presidente polonês e, de quebra, à arrogância norte-americana.

"Lula tinha razão, e o polonês foi servil

Desde ontem, todo brasileiro com mais de 16 anos e menos de 60 que solicite seu primeiro visto de entrada nos Estados Unidos terá que se apresentar pessoalmente ao consulado em São Paulo, Rio e Recife, ou à embaixada em Brasília. Se ele mora em Porto Alegre, que vá a São Paulo. Se mora em Xapuri, no Acre, toque-se para Brasília. A exigência vale para quem vai à Disney ou a um jantar em homenagem a Bill Gates. (As pessoas que já receberam um visto e, se ele expirou há menos de um ano, não precisam de entrevista.)
A exigência, capaz de ferir a indústria de turismo americana e de ofender as pessoas que acham alguma graça naquele país, é o produto de uma sociedade ferida, transformada em império arrogante por um presidente néscio.
Lula disse em Londres que 'os EUA pensam primeiro neles, segundo neles, terceiro neles e, se sobrar tempo, pensam neles outra vez'. Lida com atenção, não quer dizer nada ou, pelo menos, nada de novo. Apesar disso, o presidente polonês, Alexander Kwasniewski, numa atitude servil e grosseira, resolveu repreendê-lo. Ouve-se um europeu com o nome cheio de consoantes e acredita-se que o torneiro bissílabo de São Bernardo fez mais uma. Pois o ex-ministro da Juventude da ditadura militar comunista polonesa estava apenas fazendo figura. Enquanto Lula fez carreira na oposição à ditadura e fundou um partido de trabalhadores, Kwasniewski foi um militante do partido comunista.
Deu-se até bem: foi ministro aos 30 anos. Ele teve um Lula em sua vida, chamava-se Lech Walesa, a quem derrotou-o na eleição presidencial de 1995.
A exigência americana para a concessão de vistos não é exclusiva para o Brasil. Vale para quase todo o mundo, inclusive a Polônia.
Há na medida uma mistura de insegurança com prepotência. Os americanos sabem que lhes faltou a solidariedade do mundo no 11 de setembro. Sabem que lhes faltou o apoio da maioria das nações quando decidiram transformar o Iraque num protetorado. Estão fazendo o que acham melhor para eles e, nesse sentido, Lula esteve mais do que certo. É do direito dos americanos fazer o que é melhor para eles. ('O negócio dos Estados Unidos são os negócios', ensinou o presidente Calvin Coolidge, candidato a patrono da Alca.)
Se os americanos defendem os seus interesses fazendo com que o sujeito vá de Xapuri a Brasília para conseguir um visto, cabe aos brasileiros defender os deles. Um bom tema para discussão: habitualmente, sempre que uma nação cria embaraços consulares, o Itamaraty cria as mesmas barreiras nos seus consulados naquele país. À primeira vista, é o caso de dar esse tratamento de reciprocidade. Talvez não. Talvez seja o caso de mostrar que o Brasil não tem medo dos americanos que querem vir para cá.
Além do medo dos terroristas, os americanos temem um aumento do número de brasileiros que vão para lá em busca de trabalho, sem vistos. É provável que haja mais de 1 milhão de brasileiros nos EUA. São gente laboriosa, abatida pela estagnação econômica da qual Lula se fez condômino. Estão atrás do que os Estados Unidos têm de melhor.
Uma curiosidade para o doutor Kwasniewski e seus seguidores: Só uma vez em toda sua história ocorreu uma emigração em massa de americanos. Entre 1865 e 1875, pelo menos 154 famílias de sulistas inconformados com a derrota na Guerra Civil, vieram para o Brasil. Estima-se que possam ter sido até 4.000 pessoas. Estavam atrás do que o Brasil tinha de pior, escravidão.
Tinham se esquecido do grande lema da república americana e, quem sabe, da brasileira: É melhor errar ao lado do seu país do que acertar contra ele."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Terça-feira, Julho 15, 2003


Outros preconceitos::::::::::


O homossexual e o trabalho


Por Jaques-Jesus

"O preconceito e a discriminação podem se mostrar em milhares de matizes, todas aproveitáveis no desenvolvimento de ensaios e teses quanto às formas de enleamento das pessoas a suas falsas premissas e terríveis conclusões. À guisa de prefácio a um conjunto de impressões e juízos esparsos sobre o repúdio à diversidade e seus métodos, desenvolve-se este ensaio a partir da análise da dimensão da diversidade cultural menos discutida, porém mais controversa dentre todas."


"Quantos debates, atualmente, são tão demasiadamente polêmicos quanto os que se referem aos direitos dos homossexuais? Não muitos, perceptivelmente. Os conflitos ideológicos explosivos que são acarretados devido a sua discussão aberta nem sempre receptiva costumam se prender a preconceitos, mitos e questões pessoais mal resolvidas."

"O discurso científico tem a função de ¿trazer à tona¿ não apenas os conteúdos latentes ao silêncio quanto ao assunto (tampouco coadunar com o palratório infundado de mitos que abundam me toda parte), mas, igualmente, a discussão basilar para qualquer mudança que se queira séria. Enfim, o tema é polêmico porque está aberto ao debate."

Jaques-Jesus, psicólogo, Poeta e Escritor. É colaborador da Novae e do site do Grupo Gay da Bahia

Clique na figura para ler a íntegra!

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Em ritmo de enquete::::::



Avaliação negativa de Lula é a pior desde a posse, de acordo com CNT


FELIPE FREIRE
da Folha Online, em Brasília

A avaliação negativa do governo Luiz Inácio Lula da Silva é a pior desde o início do ano, conforme a pesquisa CNT/Sensus realizada entre os dias 9 e 11 de julho e divulgada hoje. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais.

Dos 2.000 entrevistados, 10,3% avaliaram negativamente a gestão do presidente. Desse percentual, 5,3% consideraram o governo ruim e 5% avaliaram como péssima a gestão Lula. Na pesquisa anterior, a avaliação negativa era de 7,2%, sendo 3,9% ruim e 3,3% péssimo.

Ao mesmo tempo, a aprovação ao governo passou de 51,6% em maio para 46,3%. A avaliação ótima caiu de 10% para 7,6% e o conceito bom passou de 41,6% para 38,7%. Por fim, a avaliação regular subiu de 35,7% para 38,8%.

Quer saber mais???????
Equipe de governo
Avaliação pessoal
Desemprego e FHC





por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Segunda-feira, Julho 14, 2003



Vivo postando matérias relacionadas aos ministérios da Agricultura, Relações Exteriores, Economia, Desenvolvimento Agrário, Educação, etc. Mas nada falei sobre o Ministério do Meio-Ambiente que, embora não tenha muitos recursos e incentivos, é de extrema importância para um país com tantos recursos naturais como o Brasil. A ministra Marina Silva (uma mulher muito inteligente e competente) respondeu a uma entrevista bastante completa, tratando de vários assuntos - recursos hídricos, desenvolvimento sustentável, energia renovável, dentre outros - e mostrando um pouco como vem atuando o governo atual nas negociações pós-Rio+10. Sugiro que cliquem na foto de Marina Silva e leiam a entrevista completa, publicada na Novae.

Trecho: "Eu tenho sempre dito que os países desenvolvidos eles nos cobram a preservação da Amazônia, nos cobram uma série de responsabilidades ambientais que tem uma repercussão global muito grande, mas a melhor forma de fazer essa preservação é viabilizando o uso sustentável dos nossos recursos naturais e a biodiversidade, que pode ser um grande instrumento de produção de riqueza e de preservação desses recursos naturais desde que se faça a justa partilha de benefícios, com internalização de conhecimentos, internalização de tecnologia, pagamento de royalties e a renumeração dos conhecimentos tradicionais associados à recursos naturais."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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A Novae publicou um texto interessante de Luis Fernando Novoa Garzon, sociólogo e mestre em ciências políticas pela UNICAMP. Como está muito grande, vou seguir a sugestão do "Pedro Bó" e postar só um trecho. Para lerem na íntegra, cliquem sobre a figura. Mas não se assustem com o pessimismo...

"A recessão norte-americana, e consequentemente a mundial, não será superada com medidas anti-cíclicas clássicas. Não há recursos na esfera pública e os mecanismos redistributivos foram inviabilizados depois de duas décadas de políticas neoliberais. Não há outra forma de iniciar um novo ciclo de crescimento sem recorrer ao canibalismo econômico e social e à guerra permanente. O capitalismo está em decomposição e suas elites se nutrem do apodrecimento que elas mesmas patrocinam. Mercado de pobres a extorquir, mais promissor não há. Como se explica a intensificação da produtividade e da rentabilidade sem que se crie riquezas novas?"

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Faz tempo que não coloco nada do Latuff. Aí vai uma clássica:



"A principal diferença entre Bush e Hitler é que o segundo não foi gerado apenas por uma fraude"
(frase de Salete Aguiar, n'OPasquim21 dessa semana)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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O blog "Crítico sim, e daí?", de Zé Dend'água e Pedro Bó, analisa os blogs, faz críticas sobre sua aparência e conteúdo, dão uma análise geral e um veredicto ("abençoado", "meia-boca" ou "excomungado"). A TT pediu que eles analisassem o Foice e Martelo Branco e na sexta-feira passada eles colocaram a opinião no ar. Os comentários dos dois foram muito sérios e críticos e deram várias sugestões para nós duas (como escrever mais textos próprios - que não fazemos por falta de tempo -, encurtar o tamanho dos posts e colocar mais links). Nossa aparência ganhou nota 9,0, o conteúdo levou um 9,5 e o veredicto nos colocou na listinha dos "abençoados". Ficamos muito orgulhosas com o resultado! Se quiserem ler o que eles disseram, cliquem no link abaixo:
http://www.criticosimedai.blogger.com.br/.


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Coloco o texto seguinte como um complemento a mais para aquela discussão sobre a ALCA, e especialmente para o texto de Celso Amorim que publiquei aqui há pouco tempo. Genilson Gonzaga comenta o texto de Amorim e explica o posicionamento do governo Lula nesse assunto. Digamos que nos dá uma boa esperança e uma forte confiança na diplomacia brasileira... Foi publicado originalmente no Jornal do Commercio de ontem (dia Mundial do Rock, pra quem se esqueceu!).

Alca em questão

O Governo Lula não vai aderir 'a acordos incompatíveis com os interesses brasileiros, mas explorará, soberanamente, todas as alternativas para a promoção do nosso comércio e a aceleração do nosso desenvolvimento'. É o chanceler Celso Amorim falando sobre a Alca possível e a firme decisão de não prescindir 'do combate, no plano internacional, pela abertura de novos mercados e por regras mais justas, respeitado o direito soberano do povo brasileiro de decidir sobre seu modelo de desenvolvimento'.

Por isso mesmo, afirma Celso Amorim, em recado a George W. Bush, que o Governo Lula vem obrando para 'reforçar o Mercosul, promover a integração da América do Sul, explorar novas parcerias comerciais, sobretudo com grandes países em desenvolvimento, e participar ativamente dos exercícios negociados em curso: na OMC, no processo da Alca e entre o Mercosul e a União Européia'. Tem mais: há que assegurar livre acesso ao mercado americano e não podem ser excluídos das negociações aspectos relevantes como subsídios agrícolas e medidas antidumping.

Desde que os temas mais complexos sejam negociados na OMC, a Área de Livre Comércio das Américas poderá ser implantada de fato em janeiro de 2005, admite Celso Amorim. Disse-o, aliás, ao petulante chefe do Escritório de Comércio da Casa Branca, Robert Zoellich, que há um mês passou por aqui, tentando chutar o pau da barraca para nos impor a Alca goela abaixo. Bateu, levou. E se acalmou um pouco, sem perder a pose, por obra e graça da interferência da competente embaixadora Donna Hranik.

É certo que Amorim vem colocando os EUA à prova. A esta altura, os americanos já se mostram interessados em negociar ao invés de impor sua vontade à revelia dos parceiros.

VEM QUE TEM
O buraco com Lula é mais embaixo, parecem ter compreendido os falcões da Casa Branca. Têm que negociar. Até porque a diplomacia brasileira é competente e trabalha simultaneamente acordos, além do Mercosul, com os países andinos, a Rússia, a União Européia e a China.
Aprendeu a chutar o balde.

CONTRA
Já o cientista político Roberto Mangabeira Unger, respeitável PhD, bate forte ao combater a Alca:
- Se livre comércio com os Estados Unidos fosse, para um país como o nosso, o caminho do avanço, Porto Rico seria uma paraíso. É uma sociedade desmoralizada, com fome zero e esperança zero.

ESTAGNADO
O próprio México, que fez o Nafta com os Estados Unidos, apesar dos juros baixos, 'vegeta na estagnação', diz Mangabeira Unger, para quem o Brasil não precisa da Alca:
- Precisa de projeto. "

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Sábado, Julho 12, 2003


Bom, hoje vou postar somente um edital da folha de ontem. Sem nenhuma vontade de contestar... Tudo o que a gente já sabia, praticamente nasceu sabendo, sobre a guerra no Iraque, provas falsificadas... Os desenganos da infalível CIA... A inocência perdida do bonzinho bush. Este partindo em mais um passo como o salvador da humanidade, visitando a África, pressionando os governos totalitários e corruptos.... E nossa memória ultimamente só serve para ferir mais e mais o nosso ego de juventude apática.....


Fica aí, qualquer coisa::::::


HISTÓRIA REESCRITA


As justificativas apresentadas por EUA e Reino Unido para ir à guerra contra o Iraque vão, a cada dia, esfarelando-se aos olhos da opinião pública mundial. Primeiro foi o fracasso em encontrar as supostas armas de destruição em massa. Depois, a revelação de que documentos falsos foram usados na construção do argumento a favor do ataque. Agora, Washington reconhece, pela primeira vez, que avançou o sinal na tentativa de legitimar sua causa.
Segundo comunicado da Casa Branca, não procede a afirmação, feita por George W. Bush ao Congresso em janeiro, de que o Iraque tentou comprar urânio de países africanos -o que indicaria vitalidade do programa nuclear de Saddam Hussein.
A nota veio à luz depois de semanas de questionamentos. Na véspera de sua divulgação, o ex-diplomata que o serviço secreto enviou ao Níger em 2002 para checar a suspeita do urânio publicou no "New York Times" um artigo intitulado "O que eu não encontrei na África". O texto não apenas desmonta o discurso do presidente como deixa claro que as autoridades sabiam da verdade.
À medida que vai ruindo a retórica usada para fazer a guerra, os governos dos EUA e do Reino Unido reescrevem as próprias palavras. No caso do "urânio africano", assistiu-se a uma comédia de erros em que norte-americanos afirmaram ter obtido a informação do serviço secreto britânico, que, em seguida, declarou ter se baseado em dados -de falsidade já estabelecida- levantados pela inteligência norte-americana.
Na história reescrita pelo secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, os EUA não atacaram o Iraque devido ao arsenal, como havia sido dito, mas, sim, porque o 11 de Setembro "mudou a percepção" sobre Saddam. Na esteira de tantos desmentidos, o premiê britânico, Tony Blair, teve de ouvir a oposição chamá-lo de mentiroso em pleno Parlamento. Por ora, a situação de Bush é mais confortável. Mas as pesquisas já não lhe são tão favoráveis, parte da imprensa está menos cordata, e os democratas, exigindo mais explicações.

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Sexta-feira, Julho 11, 2003



Do Correio Caros Amigos:

"CHEGOU O ESPETÁCULO?
- por Emir Sader




Chegou julho e, com ele, podemos esperar o 'espetáculo do desenvolvimento' anunciado por Lula. Na verdade, nos consolamos com menos. Não precisa nem ser espetáculo. Desenvolvimento só, já melhora um pouco.
Que com o desenvolvimento, espetacular ou não, o governo deixe de falar pelo Meirelles e pelo Palocci, que o governo deixe de olhar para os índices financeiros para dizer como o Brasil está e olhe principalmente para os índices sociais.
Que o presidente deixe de usar provérbios conservadores, desmobilizadores, que incitam ao atraso e à passividade e passe a convocar a mobilização, a consciência, a organização. Que deixe de atacar a esquerda e passe a atacar a direita. Que deixe de tomar os movimentos sociais como seus inimigos, passando a atacar o capital financeiro, o sistema bancário e a especulação.
Que venha um desenvolvimento com distribuição de renda, senão não adianta. E para vir, não pode ficar resumido a medidas de microeconomia - como crédito menos caro da Caixa Econômica, por exemplo -, mas tem que mexer no coração dessa política econômica - considerando que ela tenha coração.
Com essas taxas de juros, nada de desenvolvimento e espetáculo, apenas de especulação.
Que o presidente fale menos, dê entrevistas coletivas, receba perguntas e responda.
Anunciar o 'espetáculo do desenvolvimento' na verdade não permite muitas esperanças, porque sair de uma recessão profunda como a herdada e acentuada neste primeiro semestre de 2003, não é um ato, mas teria que ter sido preparado com uma série de medidas. No entanto, todos os índices econômicos pioraram e estão num nível muito negativo.
Vejamos, com esperança e sem medo."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quinta-feira, Julho 10, 2003


Desde o começo da semana eu estava com vontade de postar alguma matéria sobre o relatório do Pnud, mas todas estavam grandes e detalhadas demais. Vou colocar agora um textinho que a Época publicou em seu site esta semana. Acho que vale a pena ressaltar que o Brasil subiu pra 65ª posição (estava na 67ª), mas a situação continua dramática. Primeiro porque subimos principalmente graças ao aumento do número de matriculados nas escolas - mas sabemos que a QUALIDADE no ensino, que é o fundamental, ainda está longe de ser alcançada. Também porque podemos perceber com esse relatório que a concentração de renda do país continua altíssima (entre as mais altas do mundo, com certeza), contribuindo para o aumento de desigualdade entre as pessoas e entre as regiões do país. Se formos olhar mortalidade infantil, qualidade de vida, acesso a saneamento básico, condições de saúde e todas essas outras questões, a situação fica ainda pior para o Brasil - muito pior que na Argentina ou no Chile, por exemplo. Enfim, o desafio de Lula é realmente muito grande e provavelmente inviável para os próximos quatro anos. Qualquer análise sobre os problemas sociais brasileiros acaba sendo sempre pessimista... Ou seria realista?

"Relatório da ONU diz que desigualdades no Brasil aumentaram em dez anos

As desigualdades sociais no Brasil aumentaram nos últimos dez anos, mostrou um relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) apresentado em Dublin nesta segunda-feira. Caso essa tendência não se reverta, o objetivo de diminuir a pobreza a 50% em 2015 não será alcançado.

O documento ressalta a enorme desigualdade brasileira, na qual 10% dos mais ricos têm 70 vezes a renda dos 10% mais pobres. Na classificação do relatório, que leva em conta a renda per capita, os níveis de educação e a expectativa de vida, o Brasil está na 65ª posição.

Segundo o relatório, um dos principais problemas do Brasil, como em outros países da região, são as grandes desigualdade entre setores da população e regiões. O norte é a única região onde a pobreza aumentou, passando de 36%, em 1990, para 44% em 2001. Segundo o relatório, a culpa é de uma persistente e alta desigualdade. O índice de desenvolvimento humano na região também piorou.

Já em todo o território nacional, o índice de desenvolvimento humano seguiu uma tendência de alta desde 1975, e passou de uma avaliação de 0,643 a 0,777 neste ano."

Feliz aniversário, TT!

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quarta-feira, Julho 09, 2003


Hoje vou postar um texto de ontem da folha sobre o racismo (mais técnico, sobre implicações jurídicas), desculpem a falta de tempo! Logo mais a gente se posiciona a respeito do problema das drogas e ainda: da violência.


Racismo, uma questão constitucional


RUBENS MIRANDA DE CARVALHO

O Brasil é uma sociedade cujo sistema jurídico é hierarquizado, o que significa que as normas superiores prevalecem sobre as inferiores, pois aquelas fixam princípios, que são valores que servem de parâmetro tanto para o legislador quanto para o intérprete de todas as demais normas. Alguns deles são mesmo sobreprincípios, como é bem o caso da dignidade humana.
A Constituição brasileira preconiza um país fundamentado na solidariedade quando em seu preâmbulo determina que formemos uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, ou seja, uma sociedade na qual ninguém seja discriminado ou vilipendiado por suas características étnicas ou resultantes de opções pessoais. Diferentemente do que muitos já escreveram, equivocadamente, o preâmbulo da Constituição constitui-se em um enunciado que, se não é prescritivo, é absolutamente cogente no que se refere à interpretação de todas as demais normas, não somente as das leis ordinárias, mas até mesmo as próprias normas da Constituição, visto que esta, como um sistema que é, pressupõe unidade, completude e harmonia.
Pois bem, não se pode admitir a interpretação que se pretendeu dar ao conceito de crime de racismo em um artigo publicado no dia 26 de junho, por esta Folha ("Uma questão meramente jurídica", pág. A3), em que seu autor faz um discurso que se poderia dizer "pro archia", caso seu cliente tivesse algo de poeta, o que está muitíssimo longe de ocorrer. Artigo bem escrito, mas juridicamente desamparado, visto que pretende ler literalmente uma regra-princípio da nossa Lei Fundamental, qual seja, aquele que proscreve o racismo.
Os doutrinadores mais modernos (Paulo Bonavides, Luís Roberto Barroso, entre outros) prescrevem que as normas constitucionais, assim como as que lhes sejam inferiores, devem ser interpretadas conforme a Constituição, o que significa conforme as normas-princípios que fixaram valores de observância cogente, quer pelos operadores jurídicos, quer pelo povo laico.
A linguagem das normas constitucionais é uma linguagem aberta, cujo sentido extravasa sua mera literalidade para adequar a sua significação àquelas normas-princípios, das quais a da não-discriminação tem a ver com o princípio da dignidade humana, que o artigo 1º da Constituição fixa como um dos fundamentos da República. Racismo, na norma constitucional, não significa, como possa parecer a alguém menos avisado, atentado a uma raça, visto que tal esdrúxula interpretação levaria à inocuidade da norma em face da sua impossibilidade material, visto que "raça" somente existe uma, a raça humana, que tem variações de cor, tamanho, corpo, enfim, traços que representam um quase nada no genoma humano.
Se crime de racismo significasse somente ofensa a uma raça, teríamos uma norma constitucional absolutamente ineficaz, pois um dos elementos da sua hipótese de incidência, seu critério material, estaria vazio de conteúdo. O racismo, que a Constituição pune acerbamente, é qualquer atentado à dignidade humana de um indivíduo, seja ele atacado em razão de sua cor, origem, opção religiosa ou qualquer outro elemento que o coloque como parte um grupo "étnico", esta mesma uma palavra que perdeu seu significado original para atualmente dizer respeito a pessoas que se possam englobar taxinomicamente.
Atacar judeus, ou muçulmanos, ou negros, ou orientais é praticar racismo sim; é violar sua dignidade humana pela mera diferença crômica ou de opção religiosa. É violar os princípios fundamentais da nossa Constituição. É atentar contra a República, pois que esta é a reunião das diversidades com um objetivo comum: o de viver em paz e ter seus direitos respeitados. O mundo está assistindo apreensivo à formação de um preconceito novo, contra os muçulmanos, que certamente terminará em ódio e violência, como ocorreu contra os judeus, e cuja neutralização pelo poder do Estado é a função do direito e da práxis jurídica, como ensina Friedrich Müller em "Direito, Linguagem e Violência".
O racismo é uma questão meramente constitucional e como tal tem de ser interpretada. O resto é "vana verba".



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Rubens Miranda de Carvalho, 68, advogado, é conselheiro da OAB-SP. Foi professor de direito constitucional e de direito tributário das universidades Católica de Santos e Metropolitana de Santos.




por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Terça-feira, Julho 08, 2003



O psicanalista Antônio Lancetti escreveu um texto muito bom sobre as drogas, publicado na Caros Amigos deste mês. Ele questiona várias coisas -
"Como bateria uma carreira de pó se fosse legal cheirar? Que aconteceria entre pais e filhos, mestres e alunos, médicos e pacientes se voltasse a ser vendida cocaína pura nas farmácias? Ou se fosse possível obtê-la num centro de saúde? E se fosse permitido plantar um ou dois pés de cannabis no quintal em vez de comprar do traficante? Que aconteceria se cheirar ou puxar fumo fossem atos que não nos colocassem do outro lado? Que aconteceria com a barreira que separa caretas de malucos se o ato de se drogar não fosse mais da ordem do proibido? Que aconteceria com o tráfico se as drogas fossem vendidas legalmente?
Continuar imaginando que se possa eliminar as drogas pela via da proibição é ignorância, superstição, hipocrisia ou simplesmente a alma do negócio?" - e analisa outras. "O drogado não é aquele que consome drogas mas aquele que está com falta de drogas, o fissurado. E os hipócritas, amparados em superstições moralistas ou em academias, não gostam de aceitar que existem inúmeras pessoas que, havendo experimentado drogas ilícitas como cocaína e maconha ou ácido lisérgico, não se tornaram dependentes. A esmagadora maioria das pessoas que usaram ou usam drogas se auto-regulam." Ele também é a favor da legalização das drogas e explica por que isso seria bom para a sociedade numa visão prática. "É ilusório acreditar que se possa enfrentar o problema das drogas ligadas ao tráfico por via da proibição ou pelo combate policial, pois dessa maneira só se expandem até se constituírem num problema social de primeira ordem. O primeiro passo para enfrentar a questão é aceitar que todos os povos usaram algum tipo de droga e que é próprio do sujeito submetido à civilização sair de si. Que as drogas produzem prazer, diminuem momentaneamente a dor e prolongam ou encurtam nossas vidas. Legais ou ilegais, ampliando a percepção, enriquecendo espiritualmente os homens ou submetendo-os a dependência abjeta, fazem parte da nossa existência." Sua conclusão é de uma lucidez impressionante: "A liberação das drogas não somente facilitaria a vida de nós, terapeutas, como abriria uma possibilidade de parar de tratar de maneira simplificada fenômenos tão complexos. A tarefa de assistir, organizar a vida e elevar a cidadania de nossas populações mais arrasadas pelo capitalismo é bem mais urgente que a repressão policial."

Clique na figura para ler o texto na íntegra:


E o que vocês pensam a respeito disso?


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Já que quero discutir a ALCA e a postura que o governo atual deve tomar diante desse desafio, acho muito válido colocar aqui o artigo escrito por Celso Amorim, Ministro das Relações Exteriores, que foi publicado na Folha de S.Paulo de hoje. Afinal de contas, ele defende as idéias do governo - e é importante que saibamos que idéias são essas, antes de fazermos nossa crítica ou oferecermos apoio. Para ele a ALCA não deve ser totalmente descartada, uma vez que o mercado norte-americano é muito amplo para ser desperdiçado. Mas do jeito que está, também não pode ficar. O governo Lula teria proposto, então, uma "ALCA possível" - ou viável para nossos interesses. Eu acho que, se for mesmo desse jeito, pode ser até bom para o país. Mas sou totalmente contrária à ALCA nos moldes em que está. Vamos ver as idéias de Amorim:

A Alca possível
- Celso Amorim




(...) No que se refere à Alca, deparamos com um contexto negociador complexo do ponto de vista dos interesses brasileiros, sujeito a um calendário que nos deixava escassa margem para uma eventual correção de rumos. Tal como vinha se desenvolvendo nas negociações, o projeto da Alca ia muito além do que denota a expressão 'livre comércio' em sentido estrito. Com efeito, as propostas em discussão incluíam aspectos normativos para serviços, investimentos, compras governamentais e propriedade intelectual que incidem diretamente sobre a capacidade reguladora dos países.
Por outro lado, não pareciam encorajadoras as perspectivas de obtenção de livre acesso ao maior mercado do hemisfério para os produtos em que detemos vantagens comparativas (sobretudo, mas não apenas, agrícolas). Excluíram-se das negociações aspectos de importância prioritária para o Brasil, como os subsídios agrícolas e as medidas antidumping. As discussões sobre acesso a mercados haviam sido de fato fragmentadas, de modo que ao Mercosul fora reservado o tratamento menos favorável, com prazos de abertura mais longos do que os oferecidos a outros países do continente.

Deve-se lembrar, porém, que já dispomos de canais negociadores para levar adiante uma agenda de integração com os países latino-americanos no âmbito da Aladi (Associação Latino-Americana de Integração), em especial os da América do Sul. Essas tratativas se beneficiam da cobertura jurídica da chamada 'cláusula de habilitação' da OMC, que autoriza a troca de preferências comerciais entre países em desenvolvimento. Assim, o maior interesse em negociarmos uma Alca reside na expectativa de acesso ao mercado norte-americano, o qual, por sua dimensão e dinamismo, não pode ser ignorado. Trata-se, pois, de encontrar o equilíbrio adequado entre nossos objetivos, por assim dizer, 'ofensivos', vistos a partir de uma perspectiva a um só tempo combativa e realista, e a necessidade de não comprometer nossa capacidade de desenhar e executar políticas de desenvolvimento social, ambiental, tecnológico etc.
Após um processo de reflexão dentro do governo, que não deixou de envolver debates com o Legislativo e a sociedade civil, o presidente Lula aprovou as linhas mestras do posicionamento brasileiro nas negociações sobre a Alca. De forma sucinta, essa posição - obviamente sempre sujeita a alguns ajustes no processo de negociação - pode ser descrita da seguinte forma: 1) a substância dos temas de acesso a mercados em bens e, de forma limitada, em serviços e investimentos seria tratada em uma negociação 4 + 1 entre o Mercosul e os EUA; 2) o processo Alca propriamente dito se focalizaria em alguns elementos básicos, tais como solução de controvérsias, tratamento especial e diferenciado para países em desenvolvimento, fundos de compensação, regras fitossanitárias e facilitação de comércio; 3) os temas mais sensíveis e que representariam obrigações novas para o Brasil, como a parte normativa de propriedade intelectual, serviços, investimentos e compras governamentais, seriam transferidos para a OMC, a exemplo do que advogam os EUA em relação aos temas que lhes são mais sensíveis, como subsídios agrícolas e regras antidumping.
Esse enfoque redimensionado em 'três trilhos' foi objeto de estreitas consultas com nossos sócios do Mercosul e foi exposto a nossos parceiros norte-americanos. Foi também debatido na reunião miniministerial de 'Wye Plantation', em maio passado, e será apresentado, nesta semana, em El Salvador, por ocasião da 14ª Reunião do Comitê de Negociações Comerciais da Alca.
A visão brasileira foi também levada pelo presidente Lula à recente reunião de cúpula com os presidentes da Comunidade Andina, na Colômbia. O debate substantivo sobre a Alca, que se seguiu à exposição do presidente, contribuiu para um início de coordenação entre as posturas negociadoras dos países da América do Sul. Ainda que reconheçamos que há diferenças importantes entre o Mercosul e os países da Comunidade Andina, o diálogo entre nós é fundamental não só para as negociações da Alca, mas para a própria integração sul-americana, nossa principal prioridade.
Assim, em vez de nos prendermos a concepções irrealistas de uma Área de Livre Comércio das Américas, em torno das quais o consenso se afigura inatingível, preferimos nos concentrar na 'Alca possível', que concilie da maneira mais produtiva os objetivos necessariamente diferenciados dos 34 países participantes. Foi a partir desse enfoque consistente e realista que a declaração conjunta na reunião dos presidentes Lula e Bush em Washington expressou o entendimento de que os dois países cooperarão pela conclusão exitosa das negociações nos prazos previamente acordados.
Mas prazos, como temos dito repetidamente, não podem prevalecer sobre o conteúdo. E 'negociações exitosas', no caso do Brasil, significam preservar espaço para decidir de forma autônoma nossas políticas socioambientais, tecnológicas e industriais e obter melhores condições de acesso para os setores em que mais somos competitivos - e que enfrentam as mais elevadas barreiras protecionistas. O governo do presidente Lula não aderirá a acordos que forem incompatíveis com os interesses brasileiros, mas explorará, soberanamente, todas as alternativas para a promoção de nosso comércio e a aceleração de nosso desenvolvimento."

(foto do jornal Correio Braziliense, 21/10/2000)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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A seguinte notícia foi publicada no site da Caros Amigos: o Acordo de Alcântara foi arquivado! Coloco agora um texto do professor da UFSC Clarilton Cardoso Ribas sobre o assunto, destacando os motivos por que esse acordo feria aos interesses nacionais. É bom notar que esse arquivamente só foi possível graças aos movimentos sociais contrários a sua implantação, que chegaram a promover um Plebiscito sobre a Base e sobre a ALCA (vocês votaram, né?). Esse é mais um motivo para que a gente comemore e continue acreditando nas lutas sociais. A ALCA que nos aguarde...!

"O Acordo de Alcântara foi arquivado

Foi determinado o arquivamento do 'Acordo de Alcântara'. Tema da consulta que fizemos em plebiscito popular ao povo brasileiro, o projeto que concede a Base de Lançamento de Alcântara para os interesses militares e estratégicos dos Estados Unidos está sendo retirado da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, o que representa, de um lado, seu virtual arquivamento, de outro, uma vitória da vontade popular expressa no plebiscito com quase 100% dos votos pelo fim do tal 'acordo', mas também, com a contribuição decisiva de alguns representantes dos povo no Parlamento, entre outros, Valdir Pires (ex-deputado PT-BA) Luiz Eduardo Greenhalg (PT-SP), Ary Vanazzi (PT-RS), João Alfredo (PT-CE), Terezinha Fernandes (PT-MA).
Sob o pernóstico nome de 'Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo dos Estados Unidos da América sobre Salvaguardas Tecnológicas Relacionadas à Participação dos Estados Unidos nos Lançamentos a partir do Centro de Lançamento de Alcântara', uma das mais concretas, materiais, inaceitáveis ameaças da arrogância belicista do governo norte-americano contra nossa combalida soberania foi, ao menos por enquanto, afastada.
Localizado na porta de entrada da Amazônia, Alcântara constitui-se num sítio estratégico para lançamento de foguetes, tendo em vista sua localização privilegiada em relação à linha do Equador. No entanto, mais relevante do que isto se trata do último vértice do triângulo estratégico idealizado pelo governo dos Estados Unidos para encerrar sua estratégia de militarização da América Latina. Estratégia muito mais ampla do que a primeira vista sugira: não se pode perder de vista os interesses comerciais, militares e científicos representados pela Amazônia, não só brasileira, mas sul americana: petróleo, água potável, biodiversidade incalculável etc.
Qualquer raciocínio minimante articulado percebe que os interesses americanos transcendem em muito a operação de VLSs (Veículos de Lançamento de Satélites), senão veja-se algumas cláusulas do 'Acordo':
a) Os EUA terão direito a controlar 'áreas restritas' dentro da Base de Alcântara. Qualquer crachá para acesso à Base seria fornecido pelo governo dos Estados Unidos para qualquer cidadão, brasileiro ou americano;
b) O Brasil não poderá revistar o material que os EUA fizerem ingressas na Base. Em outros termos, nossa autoridade alfandegária não poderia vistorias os contâineres destinados à Base;
c) Os escombros de lançamentos fracassados não poderão ser estudados ou fotografados de nenhuma forma, contrariamente a acordos internacionais em vigência sobre este tema;
d) Proibição de usar o dinheiro dos lançamentos no desenvolvimento de veículo lançador-VLS, ou seja, não poderíamos usar o dinheiro do aluguel da Base para alavancar nosso próprio programa espacial, impedindo que prossigamos com nossa inserção no estratégico e lucrativo mercado de colocação de em órbita de satélites de comunicação;
e) Proibir a cooperação com países que não sejam membros do MTCR (Missile Technology Regime Conmrol), ou seja, o confinamento de nossa autonomia comercial e tecnológica. A China, por exemplo, com quem mantemos um importante acordo de cooperação bilateral desde julho de 88 para o desenvolvimento de Satélites Sino-Brasileiros de Recursos Terrestres (CBERS) teria que ser encerrado por força do 'Acordo';
f) Possibilidade de veto político unilateral de lançamentos: é difícil acreditar até onde possa ir a arrogância do governo note americano. Mas é precisamente disto que trata o Artigo III, § A;


Estas são as determinações mais escandalosas e inaceitáveis do Acordo de Alcântara cujo arquivamento foi saudado na segunda feira última num lotado auditório Nereu Ramos na Câmara de Deputados em Brasília, que reuniu parlamentares e representantes dos movimentos populares organizados que encaminham a luta contra o Acordo de Alcântara.
Portanto, precisamos levar em conta que obtivemos, os movimentos sociais organizados na luta contra os interesses do Império (Alcântara, ALCA, Dívida), uma retumbante vitória.
Obtivemos uma vitória contra o Acordo de Alcântara.
Falta derrotar a implementação da ALCA o obtermos a auditoria da Dívida."


Manifestantes durante Plebiscito sobre a ALCA.


Gostaria de aproveitar e levantar mais um debate: o que vocês, leitores, pensam sobre a ALCA? Qual deve ser a postura do governo Lula nesse momento de negociações?

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Publico agora um artigo do nosso leitor Thiago Quintella*, que faz uma reflexão sobre a importância da busca do conhecimento. Deixo esta reflexão com vocês...

"Fabiano dava-se bem com a ignorância(...)Se aprendesse qualquer coisa, necessitava aprender mais, e nunca ficaria satisfeito.(...) Dos homens do sertão o mais arrasado era Tomás da bolandeira(...) porque ele lia de mais. 'Seu Tomás, vossemecê não regula. Para que tanto papel? Quando a desgraça chegar seu Tomás se estrepa igualzinho aos outros'! (...) Certamente aquela sabedoria inspirava respeito (...) seu Tomás falava bem(...) todos obedeciam a ele. Quem disse que não obedecia?"
(Graciliano Ramos, in Vidas Secas, 1938)


"O Ignorante e o Aventureiro do Saber
- Thiago Quintella
, abril de 2003

Mergulhado na ignorância, o homem tende a ficar estático considerando suficiente todos os poucos conhecimentos adquiridos até então. Há o temor de procurar 'saber mais' porque se tem a consciência de que este novo ensinamento alterará a constância de seus atos e seguramente será obrigado a se movimentar mais.

A curiosidade desperta tal qual aflora a incerteza no instante que o homem se dispõe a se aventurar em busca de novas descobertas. Ao primeiro contato com os novos saberes há de se escolher entre o áspero caminho para o engrandecimento e entre a confortável e "segura" poltrona da ignorância.
Quem escolhe a ignorância acredita estar numa posição melhor que a do desbravador do saber ainda que admire a atitude e a coragem deste, pois aquele (o ignorante) baseia-se na premissa de por mais que alguém se direcione para a busca do saber, todos teremos o mesmo fim. (Será que tem mesmo fim?). Entretanto o sentimento de segurança do ignorante é fictício.

A incursão nas vias do saber faz com que o homem não mais se desvencilhe desta odisséia, porque apesar dos árduos obstáculos, lhe será proporcionada prazerosas recompensas a cada nova descoberta. Ademais, à proporção que cada conhecimento é adquirido, vai se formando uma 'casca' de entendimento que será o escudo no avançar do caminho, ao passo que, a tênue e inerte camada do ignorante torná-lo-á vulnerável aos mais simples reveses."

* O Thiago é advogado e mestrando em Ciências Políticas. (Clique aqui para visitar o blog dele)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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O professor Emir Sader deixa seu recado à política econômica do governo Lula: ou diminuem as taxas de juros ou o país continuará em recessão. O crescimento tem que ser direcionado para dentro, não para fora - principalmente porque as crises econômicas estão acontecendo em todas as potências mundiais. Leiam com atenção, o artigo é da Agência Carta Maior.

"Crescer é para dentro
- Emir Sader
, 4/7/2003

Para os que gostam de ler o 'mercado' e obedecê-lo, mas para todos em geral, o recado é claro: a economia internacional está em recessão profunda e prolongada. Não adianta lhe fazer afagos, porque não virá nada que se pareça a investimentos, empréstimos, incentivos à reativação econômica. Ao contrário. Se quiserem voltar a crescer, os países - especialmente os da periferia capitalista, como o nosso - têm de se apoiar na expansão do mercado interno.
A análise do economista conservador Martin Wolf no Financial Times desta semana é clara: todas as medidas monetárias dos bancos centrais de países centrais do capitalismo, a começar pelo Federal Reserve dos EUA, têm se mostrado ineficientes para reativar a economia desses países.

Como diz o relatório anual do Banco de Compensações Internacionais (BIS, sigla em inglês): 'O último ano foi marcado por decepções econômicas. Isso surpreendeu a muitos, dado o alto grau de estímulo monetário aplicado em grande parte do mundo. Na verdade, esse padrão de expectativas irrealizadas vem sendo a norma há pelo menos dois anos.'

Pode-se apelar para causas precisas, dos escândalos de grandes empresas aos atentados de 2001, da crise argentina à guerra do Iraque, da pneumonia asiática a qualquer outro escândalo novo. Mas são apelos que Wolf considera 'ladainhas desesperadas', diante do fenômeno central: a economia dos Estados Unidos, que havia sido sozinha a locomotiva do capitalismo mundial na década passada, esgotou seu combustível, sem que nenhuma outra economia assuma seu lugar.

Deu-se o que o economista marxista belga Ernest Mandel previa há tempos - a simultaneidade da crise nos três principais eixos do sistema capitalista mundial: EUA, Europa Ocidental e Japão. Qualquer análise que se faça da economia norte-americana conclui que a recessão veio para ficar e se instalou de maneira profunda naquele país, com todas as conseqüências internacionais que o peso dessa economia produz, pelo peso que assumiu.

A possibilidade de retomar o crescimento para os outros países é 'gerar um crescimento da demanda bem acima do seu potencial'. Porém, o próprio Wolf constata: 'Mas essa mudança vem sendo reprimida, porque os governos impedem o movimento necessário das taxas de câmbio e porque as autoridades não estão promovendo a demanda doméstica'. E ele conclui: 'Se esse quadro não mudar, alguns poucos anos decepcionantes podem facilmente se tornar uma década desastrosa.'

A contribuição brasileira para essa década desastrosa tem a ver diretamente com as taxas de juros reais estratosféricas que se continua a praticar. O recado é claro, para quem não está surdo à realidade: se quisermos crescer, só na direção do mercado interno, elevando o poder de compra da massa da população, redistribuindo renda, fazendo reforma tributária redistributiva, estendendo e não restringindo direitos sociais. Está nas mãos do governo, enquanto é tempo. Senão, tente-se dormir com uma taxa de juros dessas."

(grifos meus)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Segunda-feira, Julho 07, 2003


:::::::::Nova enquete está no ar!!!:::::::::::




É, desde aquele post sobre racismo vc esperava ansiosamente pela volta da nossa amiga do coração: A enquete!
E aqui está ela, simples e objetiva como toda enquete deve ser:::::
A pergunta? O que vc está pensando destes 6 meses iniciais do novo governo?
Dê uma passadinha no canto esquerdo do blog e deixe o seu voto!!!



Aproveitando que já vai estar lá mesmo::::::

***Leia nosso manifesto!!!! Se vc é novo no blog, ainda não teve a chance de conhecer melhor a filosofia deste site, é bem explicativo!
***Saiba mais sobre quem somos nós, na parte "Quem somos nós???"
***Não se acanhe e deixe sua marca:
*Temos nosso Guestbook, nosso Guestmap....
***Se vc quiser dar alguma sugestão de texto, ou mesmo assuntos: Temos nosso emeio!

E vale lembrar::::
***Comentários são sempre bem vindos (mesmo os hostis)!!!!


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Já recebi o seguinte texto por email várias vezes, mas só agora resolvi publicar. É um pouco assustador ver o tanto de gente reacionária que o Brasil ainda tem, gente radical no pior sentido, disposta a pregar um "extermínio em massa" pra garantir suas terras...Rossetto ainda vai ter muito trabalho.

"O inacreditável texto abaixo foi distribuído em forma de panfleto na cidade de São Gabriel, no Rio Grande do Sul. Com um forte teor fascista e preconceituoso o panfleto foi uma reação dos latifundiários da região à marcha promovida por militantes do MST na cidade. Só para lembrar que foi em São Gabriel
que o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, promoveu recentemente a maior desapropriação para fins de reforma agrária. Mas os proprietários conseguiram na Justiça uma liminar suspendendo a ação. Difícil fazer reforma agrária séria nesse país, quando temos um Judiciário voltado para o interesse da minoria burguesa. Leiam com atenção!


'PANFLETO DOS FAZENDEIROS FASCISTAS DE SÃO GABRIEL - RS

GABRIELENSES DIZEM NÂO À INVASÂO E A SEUS APOIADORES

Povo de São Gabriel, não permita que sua cidade tão bem conservada nesses anos, seja agora maculada pelos pés deformados e sujos da escória humana. São Gabriel, que nunca conviveu com a miséria, terá agora que abrigar o que de pior existe no seio da sociedade.Nós não merecemos que essa massa podre, manipulada por meia dúzia de covardes que se escondem atrás de estrelinhas no peito, venham trazer o roubo, a violência, o estupro, a morte. Estes ratos precisam ser exterminados. Vai doer, mas para grandes doenças, fortes são os remédios.

É preciso correr sangue para mostrarmos nossa bravura. Se queres a paz, prepara a guerra, só assim daremos exemplo ao mundo que em São Gabriel não há lugar para desocupados. Aqui é lugar de povo ordeiro, trabalhador e produtivo. Nossa cidade é de oportunidades para quem quer produzir e não há oportunidades para bêbados, ralé, vagabundos e mendigos de aluguel.

Se tu, gabrielense amigo, possuis um avião agrícola, pulveriza à noite 100 litros de gasolina em vôo rasante sobre o acampamento de lona dos ratos. Sempre haverá uma vela acesa para terminar o serviço e liquidar com todos eles.

Se tu, gabrielense amigo, és proprietário de terras ao lado do acampamento, usa qualquer remédio de banhar gado na água que eles usam para beber, rato envenenado bebe mais água ainda.

Se tu, gabrielense amigo, possuis uma arma de caça calibre 22 atira de dentro do carro contra o acampamento, o mais longe possível. A bala atinge o alvo mesmo a 1200 metros de distância.

FIM AOS RATOS. VIVA O POVO GABRIELENS.' "


Thiago Quintella, deu um problema aqui no email e acabei perdendo seu artigo. Você poderia mandar de novo para mim? Abração.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Domingo, Julho 06, 2003


Desviando::::::
Educação..... Hoje, na folha:



O ensino universitário


IVES GANDRA MARTINS



Participei de um grupo de estudiosos dos problemas brasileiros liderado pelo bom amigo e notável intelectual Hélio Jaguaribe, no ano passado, objetivando ofertar um modelo político, econômico e social para o desenvolvimento do país. No grupo, entre os professores universitários, participava o atual ministro da Educação, Cristovam Buarque, que, com sua moderação e sensibilidade para o desafio nacional, ofertou valiosa contribuição.
Lembro esse fato porque entendo que o Brasil encontra-se em inequívoca encruzilhada para definir se vale ou não a pena se dedicar a pesados investimentos na educação, em seus diversos graus, intentando formatar gerações futuras com aptidões de competência e conhecimento na busca de soluções para os monumentais problemas do país.
Algumas sinalizações me preocupam, como a do indiscutível preconceito contra as instituições universitárias privadas, que têm colaborado intensamente com a expansão dos cursos superiores e que, após dezenas de anos em que a única contribuição do governo foi o tratamento constitucional tributário da imunidade, têm perdido esse direito, não por força da Constituição, mas de singelos e duvidosos decretos do Executivo, com o que o custo dos cursos universitários ficará muito maior para todos os brasileiros, reduzindo sua procura nos próximos tempos.
O mesmo se pode dizer em relação à indedutibilidade do Imposto de Renda para gastos com a educação de filhos, se admitidos em cursos melhores e mais onerosos. Em verdade, o setor privado tem feito o que os governos deveriam fazer -com os 37% da carga tributária que retiram da sociedade- e, lamentavelmente, não fazem. Minha esperança reside no conhecimento efetivo que o ministro Cristovam Buarque tem dos problemas universitários, como também tinha o ministro Paulo Renato.
Ora, Sua Excelência, com os poderes que possui, poderá, efetivamente, lutar, com um indiscutível respaldo de toda a constelação acadêmica, para tornar o Ministério da Educação o mais relevante ministério da administração Lula, visto que é, de rigor, o ministério do futuro do Brasil. O desenvolvimento e a colocação do país em um patamar de igual competitividade com as nações mais desenvolvidas só será possível à luz da qualidade do ensino universitário e da ampla formação dos brasileiros, preferencialmente em escolas do país, e não do exterior. É interessante como, apesar dos desestímulos oficiais, algumas entidades privadas hoje se esforçam para dar essa qualidade ao ensino universitário pátrio, seja na graduação, seja na pós "lato" ou "stricto sensu".
A Fundação Getúlio Vargas, por exemplo, deverá inaugurar um curso de direito inédito no país, com uma grade de matérias correlatas e abrangentes, que tornará o operador jurídico também um bom conhecedor de tudo o que diz respeito a matérias paralelas, que possam influenciar a conformação legal da norma. No Centro de Extensão Universitária que presido (pós-graduação "lato sensu"), contamos com quase 150 professores de direito, três quartos deles com títulos de mestre, doutor, livre-docente ou professor titular; todos os 150 sendo, pelo menos, especialistas.
Exemplo que me impressiona sobremaneira, porém, é o esforço que têm feito a UniFMU e instituições vinculadas para ofertar qualidade de ensino e adequação instrumental de Primeiro Mundo à universidade brasileira. Chegam a manter cursos deliberadamente deficitários, no campo das ciências biológicas, para, com um número menor de alunos e equipamentos e instalações moderníssimas, propiciar a formação de profissionais acima da média universitária atual. É notável a preocupação de sua direção em ofertar qualidade de ensino e benefícios estudantis do mais alto nível a seus alunos, sendo hoje entidade que não receia comparação com as boas universidades do Brasil e do exterior.
Pessoalmente, não entendo, até hoje, por que seus diretores ainda não solicitaram a transformação da UniFMU e entidades coligadas em uma universidade, visto que são poucas as universidades brasileiras de igual nível.
Por outro lado, a Universidade Mackenzie, por exemplo, repassando o tratamento tributário favorecido pela imunidade, para manter baixo o custo de suas mensalidades para os alunos, tem buscado, nos seus 133 anos de história, ofertar valiosa contribuição ao desenvolvimento do ensino primário, médio e universitário no Brasil. Possuía a cidade de São Paulo 25 mil habitantes quando foi fundada a instituição (1870). Hoje, seu corpo discente, docente e de funcionários é superior à população existente à época de sua criação. O mesmo se pode dizer das PUCs brasileiras (de São Paulo, Minas, Pernambuco, Rio etc.). Todas com elevada qualidade de ensino. E muitas outras entidades universitárias têm contribuído decididamente para o progresso do ensino desse nível, completando o trabalho do ensino oficial, muitas vezes às voltas com dificuldades de variada natureza, inclusive política.
Reconhecendo no atual ministro da Educação professor e político altamente qualificado para as funções que exerce, objetiva este artigo, escrito por um velho professor universitário, estimulá-lo nessa cruzada, que terá de passar, inclusive, pela defesa dos ideais de uma universidade melhor perante seus colegas dos ministérios da Fazenda e da Previdência, hoje tão preocupados em obter receita para cobrir as deficiências de caixa, o que os leva, muitas vezes, a pensar mais em retirar recursos de tais entidades do que em garantir a qualidade de ensino a que a sociedade tem direito.
Ministro Cristovam Buarque, o Brasil confia em seu esforço em tornar a universidade brasileira uma universidade modelo para todo o mundo.


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Sábado, Julho 05, 2003


Já fiz "campanha" contra o cigarro, agora vou fazer contra a maconha. Já disse tudo o que penso a respeito, naquele meu texto sobre as drogas, então não vou ficar repetindo discurso. Mas vale ler a seguinte matéria, publicada no Jornal do Brasil de hoje:



"Maconha causa distúrbios mentais

LONDRES - Usuários regulares de maconha correm grande risco de desenvolver distúrbios mentais com o passar do tempo, revelou uma pesquisa realizada pelo Instituto de Psiquiatria de Londres. O estudo concluiu ainda que o mesmo risco é sete vezes maior para usuários freqüentes, afirmou o professor Robin Murray, que apresentou a pesquisa ontem, durante a conferência anual da Escola Real de Psiquiatria, em Edimburgo.

- Nos últimos 18 meses, vários estudos confirmaram que o consumo da maconha aumenta o risco de o usuário desenvolver esquizofrenia.

As descobertas foram divulgadas no momento em que o governo britânico se prepara para baixar o grau de periculosidade da droga de classe B para classe C, no ano que vem. A partir de janeiro, as pessoas que forem pegas portando pequenas quantidades de maconha terão a droga confiscada e serão apenas repreendidas, segundo autoridades britânicas.

O professor Murray examinou usuários de maconha na Suécia, Holanda e Nova Zelândia. Na Holanda, teste com 4 mil usuários revelou que os que consomem grandes quantidades da droga corriam quase sete vezes mais o risco de desenvolver sintomas psicóticos três anos depois. Outra pesquisa, de 1987, realizada com 50 mil alistados das Forças Armadas da Suécia, mostrou que os usuários de 18 anos que já admitiam ter consumido maconha mais de 50 vezes eram seis vezes mais propensos a esquizofrenia nos próximos 15 anos."



(Fotos do GettyImages e gráfico da Veja)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Sexta-feira, Julho 04, 2003


Como o Lumi foi um dos responsáveis pela polêmica que surgiu no debate sobre as cotas para negros nas universidades, nada mais justo que eu publique suas idéias, no artigo que ele escreveu sobre o assunto. Sugiro que visitem o blog dele, que é muito bom (clique aqui).E peço aos outros que, se tiverem escrito artigos sobre o assunto, me enviem por email para que eu também possa colocá-los aqui!

"Eu sou racista! Qual a sua desculpa?

Fui chamado de racista hoje. Ou melhor, de 'defensor do preconceito racial'. E de fato, parando para analisar, sou tremendamente racista mesmo, pois não suporto o branco que se diz legítimo sangue puro, assim como também não gosto do branco hipócrita que acha que todos os seres humanos são iguais.

Eu tenho preconceito contra brancos.

Claro que, eu noto que as pessoas que mais me ameaçam no cotidiano são negros, já que eles fazem parte da maioria da população pobre/miserável que acaba tendo que recorrer à violência urbana para se manterem vivos. Mas no final de contas, quem me ameaça são os negros e quem me ferra no dia a dia são os brancos. Os brancos que roubam, que matam, que mentem....enquanto os negros só me ameaçam, os brancos não ameaçam, vão lá, fazem e depois dissimulam como se nada acontecesse. Para citar os contemporâneos, iria de Locke até ACM, de Bush-boy até Napoleão. A lista seria longa e, por incrível que pareça, não encontraria nenhum negro, com exceção de rapazes que já tentaram me assaltar. Curiosamente o único que me machucou era branco, mas isso é o de menos...

Mas antes que se choquem comigo por eu falar isso, mil desculpas. De fato, eu nem sempre pensei assim. Não posso ser hipócrita a esse ponto. Eu, como os brancos brasileiros, minoria em um país com a segunda maior população negra do mundo (só perdendo para a Nigéria), fui ensinado dentro de um padrão burguês à temer o negro na sociedade. Afinal de contas, o negro que chega a fazer sucesso no Brasil, infelizmente estará fadado a penar nos caminhos do pagode e do futebol, já que não se abre espaço para ele se inserir de uma classe a outra.

Obviamente o preconceito racial está mesclado ao preconceito econômico, mas se ilude quem acredita que isso é uma coisa do capitalismo unicamente. Isso é algo presente em todos os meios de produção do mundo! Sabem de onde vem a origem etmológica da palavra 'escravo'? Vem de 'eslavo' (slave), do grego, ou latim, não tenho certeza. Essa idéia é proveniente das tradições da mão de obra escravista da antigüidade. Durante o feudalismo europeu, os judeus eram perseguidos pela Igreja, o que os levava ao comércio, atividade banida pelo clero, que condenava os judeus, que se valiam da usura, que era contra os princípios cristãos e por aí segue...e o capitalismo segue o mesmo padrão.

Recapitulemos no Brasil, onde há essa grande máxima de que o preconceito é mais social do que racial. Começamos como uma colônia em relação a uma metrópole (Portugal) que chegava a contornar o Cabo da Boa Esperança para ir até Moçambique e comprar escravos em quantidades enormes só para vendê-los no Brasil e, é claro, na metrópole (ilude-se quem pensa que a escravidão acabara na Europa com a queda de Roma). Séculos e séculos se passaram até 1888 (215 anos apenas...), quando é declarado o fim da escravidão no Brasil por pressão externa inglesa. Cria-se uma massa de escravos que, sem dono, passariam a procurar seu sustento nas fábricas constituindo uma grande massa operária. Só que no Brasil não houve uma industrialização como a inglesa, que expulsou pequenos proprietários de suas terras e os transformou em proletários sem qualquer direito de propriedade. Não! Aqui no Brasil, o negro virou um ser marginalizado. O senhor de terras que antes gastava ao alimentar o negro, agora tinha que se preocupar com a mão de obra assalariada dos imigrantes e o negro, sem qualquer chance de vencer na sociedade que não se abria para ele, fica à margem da sociedade.

Não elimino aí o crescimento da comunidade negra no século XX. Muitos conseguiram formar cidades, comunas. Herdaram negócios de famílias que os escravizaram, eram libertos, se tornaram assalariados. Mas pensemos de um ponto de vista genérico: que solução a burguesia deu à massa negra desempregada?

Passaram-se os anos e com final do escravagismo brasileiro e a industrialização da sociedade, a classe proletária se mostra mesclada de elementos. Muitos foram os negros que conseguiram se inserir no mercado de trabalho, mas eles nada tinham de especial em relação aos imigrantes, às mulheres, às crianças...A grande elite burguesa do início do século XX via o negro como ele era de fato, igual aos outros, logo, não haveria preferência nenhuma por ele.
E o que restou ao negro? Subempregos, é claro, a periferia da mão de obra. O comércio informal, os serviços informais e, é claro, a criminalidade. Mas aí é que está o ponto! A 'pequena' criminalidade! O crime pela sobrevivência! Não se trata de maniqueísmo em dividir a sociedade em bons e maus!

E com o desenvolvimento do capitalismo industrial e financeiro, alguns negros conquistaram seu lugar na sociedade brasileira como burgueses, ou pequeno-burgueses. Chegaram a perder sua própria identidade racial ao atingirem esse status, outros (principalmente depois do movimento popular liderado por Martin Luther King nos anos 60), buscaram assumir sua identidade negra. Mas há ainda um longo caminho para buscar essa identidade.

O negro dentro de uma sociedade capitalista e conservadora, como a brasileira, de fato, vale pela sua renda. Mas segue-se todo o retrospecto histórico para isso e notamos que a sociedade burguesa branca possui uma dívida enorme para com essa "minoria". Nós o escravizamos e depois, quando nos era conveniente, os libertamos e não garantimos sua inserção no mercado, afinal de contas, esse é o capitalismo selvagem: cada um por si e pé na tábua. Essa dívida deveria ter sido saudada bem antes de 2003, com esse projeto de cotas para negros. Mas é um começo, de fato. Insere-se o negro em um meio onde ele não possui quase nenhum peso; o meio acadêmico. Com isso, prepara-se para colocá-lo no mercado de trabalho, o que é outra vitória. Entretanto, não se pode fazer isso com o princípio de que o negro e o branco são completamente iguais já que as oportunidades de cada um são completamente diferentes.

Obviamente vão me dizer que há negros ricos e brancos pobres. De fato. Mas estou trabalhando com generalizações étnicas-sociais aqui exatamente para tentar elucidar o problema. Se o negro passa a entrar dentro da universidade, ele fará por merecer, afinal de contas, vai competir com outros negros. Mas, minha idéia não é que as cotas sejam eternas e imutáveis, pelo contrário! Enquanto elas estão vigentes nas universidades, é DEVER do governo, seja ele federal, estadual, ou municipal, buscar nivelar a sua educação de tal forma que não haja abismos sociais dentro das estruturas de ensino. Dessa forma, as cotas serão ultrapassadas, pois o problema mais sério, a educação das classes mais pobres, será sanado e o negro, parte extremamente significativa da classe mais baixa, estará inserido, finalmente, através de um aspecto unicamente social no meio acadêmico. E até lá, a sociedade não deveria simplesmente fechar os seus olhos para o conflito racial que é mascarado discretamente pela burguesia.

Essa nossa dificuldade em aceitar que há diferenças na sociedade é algo muito curioso, pois só pensa assim o branco que faz parte da maioria, ou uma pequena minoria étnica-religiosa-sexual que quer fazer parte da grande maioria. Quem é, ou se considera minoria, sabe que é diferente, mas nem por isso se considera melhor, ou pior. Quando se estabelece um conceito de 'diferente' (e que me corrijam os antropólogos), não se cria graus hierárquicos entre o melhor e o pior diferente.

Um exemplo desse comportamento ficou registrado na Conferência da ONU contra o Racismo, em 2001. Com todo o fiasco da dupla dinâmica Estados Unidos e Israel (que acusaram a conferência de ter sido "politizada"), a União Européia chegou no final da conferência admitindo os erros que o continente cometera ao escravizar a África. Mas se negou a pedir desculpas e pagar a indenização pedida pelos representantes negros. Pois da mesma forma agimos nós, brancos bem alimentados, pequeno-burgueses, classe média (em extinção), ao querermos igualar os negros a nós. 'Agora vocês são iguais a nós. Claro que a gente passou séculos explorando vocês, mas...bem, agora vocês são iguais a nós, vocês podem lidar com isso.' E esquecemos a dívida que temos para com os negros. Sepultamos ela em um passado que 'é melhor nem falar'.

Logo, quando defendo a cota, realmente, é porque sou racista. Acho que chega de somente a elite burguesa branca ter acesso às universidades e acho sim, que o negro merece ser inserido nela. Em um primeiro momento, claro, através de conceitos étnicos e sociais para mais tarde, regularizando finalmente a área educacional da nossa sociedade, unicamente através de conceitos sociais. E quem é contra a cota? Qual sua desculpa para ser contrário? Vocês realmente ligam para os surtos racistas da classe burguesa branca? Vocês, que não se consideram racistas, me digam, se todos são iguais, onde estão os negros na presidência, da diretoria dos bancos, dos escritórios de advocacia, nos consultórios médicos, nas universidades? Eu vou ser sincero; quando eu vejo mais de 5 negros juntos lá na Ufrgs tenho certeza que eles são alunos africanos, como já pude comprovar, infelizmente.

A minha defesa pela cota, e deixo isso bem claro para quem me acusou de racista (ou para aqueles que não entenderam o título do texto ainda), não é incondicional. Acho que ela é inútil enquanto não procurar reduzir o racismo em âmbito muito maior, ou seja, procurando integrar o negro na sociedade não como 'mais um', mas sim como uma comunidade, assim como os brancos, os judeus, os turcos, os gays, os evangélicos, os japoneses, os mamelucos, os cafuzos, os índigenas, os caboclos e por aí vai...Todas essas comunidades são completamente diferentes entre si, mas DEVEM ser tratadas iguais, sem indicação de superioridade, sem qualquer síndrome de classificação hierárquica.

Por isso, mais uma vez, pergunto àqueles que não se consideram racistas e ainda assim, não defendem a idéia de que nós, minoria (ou seria maioria?) branca brasileira temos um enorme débito com os negros: qual a desculpa de vocês!?"



Estou pressentindo mais polêmicas... Se tiverem comentários a fazer, façam! O debate sobre racismo nunca deve terminar - ao menos não até que o racismo continue tão forte na nossa sociedade. Enquanto houver uma porção de gente votando aqui na enquete na opção "Racismo? Onde? Estamos na terra do Pelé!", o racismo continuará a ser encoberto de todas as maneiras. E é através de discussões como estas que poderemos acabar com a ignorância sobre o assunto. Agradeço a contribuição dos nossos velhos leitores, dos coleguinhas de facul (viu, Peçanha?) e dos ilustres desconhecidos!

(Lindas fotos do www.gettyimages.com)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quinta-feira, Julho 03, 2003


Outro cômico::::::



Sou completamente a favor das cotas para negros nas universidades. Não sei se por ingenuidade, não enxergo como preconceito o concedimento de maiores oportunidades a pessoas *históricamente* privadas de chance de ascensão social.

Fiz, recentemente, a prova do vestibular da Unb, e fiquei muito feliz ao ver explorarem bem o tema *Racismo*. Com um pouco de auto-promoção, uma questão abordava o sistema de cotas que será adotado pela universidade em 2004. Expunha os dados: apenas 2% dos alunos eram negros, e pior, 1% dos professores.

Como já expliquei anteriormente aqui no blog, acho que a cota deveria ser destinada aos alunos de escola pública (que cursaram o ensino médio completo em uma instituição pública). Aí estaríamos """""enfrentando""""" (com muitas aspas) o problema principal: a precariedade do ensino público. Sendo que a justificativa para cota para os negros é a exclusão social, as dificuldades financeiras enfrentadas mais comumente por essa parcela da população, que logicamente terá que recorrer ao ensino público, que não preparará para o vestibular.

Bom, mas um sistema de cotas assim legitimaria o descaso governamental com a qualidade da educação, e a situação ficaria completamente hipócrita e, a menos que fosse acompanhado de uma revisão geral do sistema educacional-que funcionaria em longo prazo, significaria apenas um "remendo na estrada".

Realmente espero que a inclusão do negro no mercado de trabalho qualificado aconteça. Realmente espero que o a situação da educação seja enfrentada (dessa vez sem aspas).

Outra opinião:

Hipocrisias legitimadas:

Proibição do Aborto
Proibição do casamento gay
Legalização do álcool e do cigarro e proibição da maconha
Definição do salário mínimo

E assim a lista vai (sugestões)...

E a parte cômica das hipocrisias agora, para quem viu:


Vitória da intimidade




CONTARDO CALLIGARIS

A Suprema Corte dos EUA acaba de chegar a uma decisão relevante, embora engraçada pelo atraso.
Eis os fatos. No começo dos anos 90, em 23 Estados dos EUA (quase a metade da Federação), ainda estavam em vigor leis que proibiam a prática do sexo anal e oral. Até a semana passada, 13 Estados mantinham a interdição. Alguns, como o Texas, castigavam diretamente a homossexualidade. Outros, como era o caso da Geórgia, definiam como sodomia o delito de qualquer pessoa "que pratique ou se submeta a um ato sexual que envolva os órgãos sexuais de uma pessoa e a boca ou o ânus de outra".
Com a decisão atual da Suprema Corte, essas leis tornam-se caducas. Aconteceu assim: em 1998, a polícia do Texas foi chamada, parece, por um cidadão que ouvia gritos num apartamento próximo ao seu. Os agentes, entrando no aposento, esbarraram em dois homens, J.G. Lawrence e T. Garner, engajados em sexo anal. Os amantes foram punidos com uma multa de US$ 200.
Lawrence e Garner contestaram a constitucionalidade da lei que os reprimia. Na semana passada, eles ganharam a batalha final. Por maioria de 6 a 3, a Suprema Corte dos EUA decretou que a Constituição americana garante o direito dos cidadãos à privacidade. Como os atos não feriam o pudor de ninguém, eram consensuais e não envolviam menores, Lawrence e Garner estavam livres para fazer o amor como bem entendessem, na tranquilidade de suas casas.
Os juízes minoritários, que se opuseram à deliberação, manifestaram seu dissenso. O juiz Scalia argumentou que a homossexualidade seria contrária ao sentimento moral da comunidade. O juiz Thomas afirmou que, a seu ver, em nenhum artigo a Constituição americana garantiria um direito dos cidadãos à privacidade, ou seja, a serem deixados em paz pela comunidade.
Os argumentos são, de fato, complementares. Pois, se não existe direito à privacidade, é lógico que a qualidade moral e legal das condutas íntimas seja decidida pela comunidade. Nessa perspectiva, aliás, para decidir democraticamente se o sexo oral e anal devem ser proibidos por lei, poderíamos recorrer a um referendo (a campanha seria divertida). Será que a voz das urnas proibiria a homossexualidade? Certamente os heterossexuais seriam autorizados (enfim, não é?) a praticar sexo oral e anal. Por sorte dos juízes Scalia e Thomas, o ridículo não mata.
Esqueçamos, por um instante, que a Suprema Corte apenas ratificou uma mudança no senso comum. E consideremos o argumento que sustentou a decisão da corte: o direito à privacidade.
A Constituição brasileira (título II, artigo 5º) declara que a intimidade e a vida privada dos cidadãos são invioláveis. Mas ela foi escrita menos de 20 anos atrás, enquanto a Constituição dos EUA entrou em vigor em 1787.
Hoje nos parece óbvio reconhecer a intimidade como espaço autônomo em que a comunidade não se mete. A coisa começou com a idéia romântica de que as afinidades (amizades, amores etc.) são eletivas (decididas por opção, não por tradição, obrigação ou convenção). E continua com a livre escolha dos parceiros e dos gestos do sexo e do amor. Não há costume nem moral pseudo-racional (tipo: o sexo deveria servir à reprodução) que valham: o indivíduo é árbitro de seus prazeres privados.
Foram necessários dois séculos para que essas idéias se consolidassem e para que o espaço autônomo da intimidade se ampliasse. A ponto de acharmos normal escolher uma profissão por gosto, e não segundo as necessidades da sociedade. Ou decidirmos ter filhos ou não sem perguntar se a comunidade precisa de braços ou cresce demais. A legalização do aborto, nos EUA, foi justamente um efeito do reconhecimento da autonomia na vida íntima.
Em suma, ao estilo de Anthony Giddens (em "A Transformação da Intimidade"), podemos festejar o triunfo da livre intimidade do homem moderno.
Mas voltemos ao dissenso do juiz Scalia. A indignação o leva a antecipar um mundo (devasso aos seus olhos) em que as leis se dobrariam ao capricho íntimo do indivíduo. Se posso escolher que meu parceiro seja do mesmo sexo que eu, por que não pediria que a lei sancionasse o casamento gay? Scalia fica horrorizado. Eu, ao contrário, aprovo o pedido. Na mesma linha, por que a comunidade me impediria de usar drogas na privacidade de minha casa? Ou de prostituir livremente meu corpo? De novo, Scalia ficaria horrorizado. Quanto a mim, desta vez, aprovo, mas tenho ressalvas.
Ora, ressalvas em nome de quê? O mundo da intimidade livre é o mundo que prefiro. Mas resta que, nesse mundo, fica difícil inventar regras ou mesmo ressalvas que valham para todos. À força de ampliar a intimidade, perde-se o sentido de uma lei que tenha dignidade e autoridade coletivas. E a diferença é frágil entre a liberdade de nossos desejos íntimos e a selvageria que reconheceria a cada um o bom direito de perseguir sempre sua vantagem exclusiva.
O que nos ameaça, por sermos modernos, não é tanto a sociedade devassa que receia Scalia, mas uma sociedade dissoluta, ou seja, desfeita pela falta de normas propriamente sociais.


Fonte: Folha

PS: parabéns para o meu pai! 48 anos!


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Um sério....



Mais uma vez, mais um ponto de vista, mais uma argumentação...., na Folha de hoje.
Adorei a finalização deste texto:::::


Princípios




CLÓVIS ROSSI

O Brasil é o paraíso da impunidade e os Estados Unidos são o maior exemplo de aplicação implacável da "rule of law", certo?
Na maior parte do tempo, sim. No governo George Walker Bush, decididamente não. O anúncio de que serão retaliados países que não assinaram acordo para livrar norte-americanos de processos no TPI (Tribunal Penal Internacional) é tipicamente um habeas corpus preventivo a favor da impunidade.
Não é, em todo o caso, o único exemplo de como, crescentemente, a administração Bush joga princípios no lixo ante o silêncio da comunidade internacional ou o conformismo a posteriori.
O caso do Iraque é apenas um deles. Os EUA foram à guerra sem respaldo das Nações Unidas, mentiram a respeito da ameaça representada pelas armas de destruição em massa, ganharam a guerra (como era, aliás, previsível e inevitável) e ficou tudo por isso mesmo.
É até possível que o mundo fique melhor sem Saddam Hussein, embora haja controvérsias a respeito de como ficam os iraquianos. Entre um carniceiro como Saddam e a balbúrdia que o sucedeu, a diferença não é visível a olho nu, ao menos no cotidiano dos iraquianos.
O caso palestino é parecido. Podem-se ter todas as restrições do mundo a Iasser Arafat. Mas não se pode ignorar que é o único governante árabe cuja eleição foi legitimada pela comunidade internacional.
Arafat acaba de ser deposto pelo governo Bush, coadjuvado por Israel, e ninguém diz nada. Mahmoud Abbas (Abu Mazen) pode ser tudo o que se quiser, mas não é um grama mais legítimo que Arafat.
Se o processo de paz de fato avançar, será muito mais pelo triunfo militar de Israel do que pela ausência (ou presença) de Arafat.
Quando se começa aceitando que fins supostamente legítimos justificam os meios, rifam-se todos os princípios no fim do caminho.




por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Recebi este email hoje, e acho que vale a pena repassar. Não tenho certeza quanto à veracidade das informações, mas de todo modo considero isso um prato cheio pras reflexões sobre nosso patrimônio nacional mais precioso.

"UM RELATO DE Silvio Drummond.

'As duas semanas em Manaus foram interessantes para conhecer um Brasil um pouco diferente mas, chegando em Boa Vista (RR), não pude resistir a fazer um relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui.

Conversei com algumas pessoas nesses três dias, desde engenheiros até pessoas com um mínimo de instrução.

Na única rodovia que existe em direção ao Brasil (liga Boa Vista a Manaus, cerca de 800km) existe um trecho de aproximadamente 200km (reserva indígena Waimiri Atroari) por onde você só passa entre 6:00 da manhã e 6:00 da tarde. Nas outras 12 horas a rodovia é fechada pelos índios (com autorização da FUNAI) para que os mesmos não sejam incomodados.

Detalhe: você não passa se for brasileiro, mas o acesso é livre aos americanos, europeus e japoneses! Desses 70% de território indígena, diria que em 90% dele ninguém entra sem uma grande burocracia e autorização da FUNAI! Americanos entram na hora que quiserem! Outro detalhe: se você não tem uma Autorização da FUNAI, mas tem a dos americanos, então você pode entrar!

A maioria dos índios fala a língua nativa além do inglês ou francês, mas a maioria não sabe falar português. Dizem que é comum, na entrada de algumas reservas, encontrarem-se hasteadas bandeiras americanas ou inglesas!

É comum se encontrar por aqui americanos tipo 'nerds' com cara de quem não quer nada, que 'vieram caçar borboleta e joaninha e catalogá-las' mas, no final das contas, pasmem, se você quiser montar um empresa para exportar plantas e frutas típicas como cupuaçu, açaí camu-camu etc, medicinais, o componentes naturais para fabricação de remédios, pode se preparar para pagar royalts para empresas japonesas e americanas que já patentearam a maioria dos produtos típicos da amazônia !

Por três vezes repeti a seguinte frase após ouvir tais relatos: 'é os americanos irão acabar tomando a amazônia' e em todas elas ouvi a mesma resposta em palavras diferentes. Reproduzo a resposta de uma senhora simples que vendia suco e água na rodovia próximo de Mucajaí: 'irão não, meu filho, tu não sabe mas tudo aqui já é deles! Eles comandam tudo! Você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam! Quando acabar essa guerra aí eles virão pra cá! Aqui vai ser a mesma coisa.'

Pergunto inocentemente às pessoas; porque os americanos querem tanto proteger os índios e a resposta é absolutamente a mesma: 'porque as terras indígenas além das riquezas animais e vegetais, da abundância de água, são extremamente ricas em ouro, diamante, pedras preciosas, minério e, nas reservas norte de Roraima e Amazonas, ricas em PETRÓLEO'.

Parece que as pessoas contam essas coisas como que num grito de socorro a alguém que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao presidente ou a alguma autoridade do sul que vá fazer alguma coisa. Saio daqui com a quase certeza de que, em breve, o Brasil irá diminuir de tamanho.'

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Olá, leitores!
No post de terça-feira Maria Tereza colocou um texto interessante sobre o racismo para a conclusão da nossa enquete (ainda não mudamos porque estamos sem tempo para conversar sobre o nosso blog). Mas o mais legal foi o debate que surgiu naquele post. Nosso amigo Lumi começou apresentando seu ponto de vista, favorável à implantação das cotas para negros nas universidades. Outros leitores, como o Thiago Quintella, Roberto e Flávia, opinaram discordando do Lumi. Acho que o que mais gosto aqui no blog é justamente essa discussão que os textos provocam. Já registrei aqui outras vezes a minha posição sobre o assunto, então não vou ficar repetindo. Mas espero que esse debate continue, com os argumentos criativos e os pontos de vista diferentes de cada um. Deixem seu comentário lá no post de terça! Só peço a todos que respeitem as idéias dos outros, mesmo as divergentes.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Quarta-feira, Julho 02, 2003


Ontem esqueci de postar falando sobre o novo cargo de Berlusconi, premiê da Itália, na União Européia: presidente. Ele ocupará esse cargo pelos próximos seis meses. Qual é o problema e as implicações disso? Na Itália, ele está desmantelando o Judiciário, subjugando a TV e tirando leis do Parlamento conforme necessita delas. Também foi acusado de subornar juízes, é do grupo de linha dura contra imigrantes e assume postura sempre pró-EUA na diplomacia (inclusive durante a invasão no Iraque, para quem não se lembra). Resumindo: é um direitista reacionário. Para entender melhor os efeitos que isso pode trazer à UE, coloco agora uma análise publicada no Finacial Times e na Folha de S.Paulo de ontem.



"Por que Berlusconi é ruim para a UE e para a Itália
- QUENTIN PEEL

Enquanto a Itália assume a presidência da União Européia (UE), hoje, sinais de alarme tocam em todo o continente. A preocupação é com a perspectiva de ter Silvio Berlusconi, o premiê italiano, no comando do bloco. Os críticos de Berlusconi dizem que, na melhor das hipóteses, ele será um líder imprevisível num momento crítico para a UE. Na pior das hipóteses, poderia precipitar novos conflitos. Eles temem o pior.
Observadores experimentados questionam a coerência de seu governo e de suas políticas sobre várias das mais importantes questões na pauta européia. Eles temem que o magnata da mídia seja guiado por prioridades pessoais, quando deveria estar focado em questões internacionais, ou que use o cargo como plataforma de marketing pessoal.
Por que isso é importante? Outros países exerceram a presidência da UE quando seus governos estavam em crises muito piores. Mas a Itália é diferente, e Berlusconi tornou as coisas ainda mais diferentes. Seu estilo pessoal sugere que ele tem poucas preocupações com as regras da boa governança que o bloco exige de todos os seus membros.
Berlusconi assume o cargo quando as divisões sobre a Guerra do Iraque deixaram as relações entre vários líderes europeus arranhadas e a relação entre a UE e os EUA em farrapos. Ele assumiu uma linha tão pró-americana que é improvável que consiga reconciliar quem quer que seja.
Uma mão firme é certamente necessária para administrar a UE. A experiência sugere que isso não virá de Berlusconi. Sua reputação pessoal não ajuda. Como premiê, ele nunca conseguiu separar sua atuação no governo de seus negócios. Na verdade, ele promoveu leis para proteger seus interesses contra a legislação antitruste e investigações judiciais. Ele nem sequer tentou esconder seu comportamento. E não parece reconhecer isso como um problema.
Boa administração é uma exigência feita a todos os membros do bloco e um dogma da nova doutrina de segurança da UE, a ser refinada durante a presidência italiana. Há poucas dúvidas de que se a Itália estivesse tentando entrar hoje na UE, o pedido seria rejeitado se Berlusconi se negasse a desmanchar seu império de mídia. O fato é que a UE tem sido sempre uma força poderosa para a disciplina política na Itália, mas é uma força que Berlusconi parece rejeitar.
Se o premiê buscar uma pauta excessivamente pessoal ou nacional na presidência, será ruim para a UE. Certamente não ajudará a curar as feridas abertas no Iraque. Mas, no longo prazo, não será a UE quem mais sofrerá, mas a Itália e a sua reputação na Europa."

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Terça-feira, Julho 01, 2003


::::::::::::Em vias de formulação de nova enquete:::::::



Depois de quase dois séculos discutindo sobre o racismo, 78 votos, nosso blog está em vias de formulação de uma nova enquete, pois é, a Cristina tinha proposto um tema muito bom, há umas 3 semanas , só que só agora estamos conseguindo tempo para nos dedicarmos a ele.

Enquanto isso, um texto sobre o assunto, para nos despedirmos da enquete::::


O RACISMO NO BRASIL ATUAL



Porque disfarçado, o racismo ainda é a forma mais clara de discriminação na sociedade brasileira, apesar de não admitir o brasileiro seu preconceito. "A emoção das pessoas, o sentimento inferior delas é que é racista. Quando racionalizam, elas não se reconhecem assim, não identificam em suas atitudes componentes de discriminação", analisa Alcione Araújo, escritor e dramaturgo. O brasileiro tem dificuldade em assumir o seu racismo devido ao processo de convivência cordial que distorce o conflito. Devido a isto, por estar dissimulado, hipócrita, é difícil de ser combatido.
A discriminação racial está espalhada pelo Brasil. Escola e mídia apresentam um modelo branco de valorização. O acesso aos espaços políticos, aos bens sociais, à produção do pensamento, a riqueza, tem sido determinado pela lógica escravocrata. O espaço negro é reduzido. O negro é discriminado e não é reconhecido em suas atividades.
Entretanto, as narrativas de humilhações e dificuldades entram em choque com o fato concreto que é a presença e importância fundamental dos negros e seus descendentes na cultura e nas artes brasileiras. Grandes nomes como o do escultor Aleijadinho, do autor Machado de Assis, do jurista Rui Barbosa, todos mulatos, devem ser lembrados como engrandecedores de nossa sociedade.
O preconceito está sempre queimando e maltratando alguém. Note-se na atitude de Pio Guerra ao desqualificar a Senadora Benedita da Silva, na comparação com o mito norte-americano Marilyn Monroe; na grosseria da composição Veja os Cabelos Dela, de Tiririca, perdoada como gracinha inocente; ou em pesquisas informais, como a realizada entre vinte e oito pessoas de pigmentação clara, residentes num mesmo prédio da Zona Norte carioca: ninguém admitiu o racismo, apesar do uso de expressões clássicas do tipo "bom crioulo", "negro de alma branca", "é negro, mas é educado", "fulano de tal tem cabelo duro".
A discriminação dá-se de duas formas: direta ou indireta. Diz-se discriminação direta a adoção de regras gerais que estabelecem distinções através de proibições. É o preconceito expressado de maneira clara como, por exemplo, a proibição ou o tratamento desigual a um indivíduo ou grupo que poderia ter os mesmos direitos e o são negados.
A discriminação indireta está internamente relacionada com situações aparentemente neutras, mas que criam desigualdades em relação a outrem. Esta última maneira de preconceito é a mais comum no Brasil.
Segundo o escritor e dramaturgo Alcione Araújo, "é espantosa a naturalidade com que as pessoas públicas, principalmente artistas famosos, manifestam seus preconceitos. Essas pessoas parecem não perceber o que estão fazendo e como colaboram para a internalização do preconceito, já que suas falas são tidas como verdades, repelidas nas novelas, multiplicadas pela mídia."
As práticas de racismo são diversas e se apresenta de diversas formas. Por meio das estatísticas sobre escolaridade, mercado de trabalho, criminalidade, presença nas artes e outros pode-se perceber o problema na prática.
Como exemplo, numa pesquisa realizada, informalmente, entre 28 pessoas de pele branca, residentes em um mesmo prédio da zona norte carioca, ninguém admitiu o racismo apesar do uso de expressões como "bom crioulo", "negro de alma branca" e outras.
No Vestibular da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS, os mais de 15.000 candidatos se depararam com um frase da prova de língua portuguesa que trazia preconceito de cor explícito. A frase "Ela é bonita, mas é negra. Embora negra ela é bonita" gerou protestos por parte de alguns candidatos, que se sentiram constrangidos, e membros do Movimento Negro Unificado - MNU que alegaram o constrangimento que a questão submeteu aos candidatos tornando desigual a competição e moveram uma ação encabeçada pelo Conselho Estadual dos Direitos do Negro que se orientam pela Lei 7716, que pune com pena de um a três anos de reclusão e multa, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, étnica, religião ou procedência nacional.
Há também um dificuldade do negro no acesso aos espaços políticos, aos bens sociais, à produção do pensamento, à riqueza. A sociedade tem sido, apesar dos mais de 100 anos da Lei Áurea, regida por uma lógica escravocrata e machista.
A desigualdade racial brasileira é denunciada pela pesquisa da Federação do Órgão para Assistência Social e Educacional - FASE, que traz índices que levam à conclusão de que a qualidade de vida da população negra está próxima a dos países mais pobres. As famílias negras ainda são marginalizadas no processo produtivo, sendo assim os seus filhos também são marginalizados. Desta forma, no momento em que a criança deveria estar na escola ela está na rua procurando sobreviver. De 2000 menores carentes, conforme o UNICEF, 1600 são negros.
Tratando especificamente do mercado de trabalho, inúmeras são as atitudes racistas que acabam dificultando a inserção do negro em áreas que exigem maior especialização. A exigência de "boa aparência", o assédio à mulher, a ocupação de cargos inferiores, a remuneração diferenciada do negro em relação ao branco nos mesmos cargos, a violência física (que chega a ocorrer em alguns casos) são exemplos do problema.
Iniciativas para diminuir e extinguir o racismo são necessárias para a sociedade brasileira, principalmente do auxílio da escola, mídia e universidades.
A empresária Cátia Lopes de Souza fundou a revista black People com o intuito de falar de negros e para negros tentando atenuar o racismo e interferir no destino do povo. Dentre as concepções racistas vistas e vivenciadas por Cátia, ela relata a visão do brasileiro: "O negro é exótico, como um animal para ser observado, mas não serve para ter aproximação". Estudado como um segmento da sociedade que se atrasou na dinâmica da nossa sociedade, sendo por isso parte do passado e do progresso, se marginalizou na medida em que não se integrou. Somente através da integração (biológica, social e cultural) o negro poderia se incorporar ao corpo da nação brasileira.




Fonte: http://www.racismo.hpg.ig.com.br

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Nosso blog já publicou texto antitabagista na campanha do Dia Mundial de Combate ao Fumo. Colocamos dados sobre os males que o cigarro pode causar e os rápidos efeitos no corpo de quem fuma e de quem pára de fumar. Desta vez vou postar um texto mais científico, assinado por Miguel Angel Sabadell, diretor de ciência da Recol. Ele aborda todos os efeitos da nicotina no corpo, inclusive os "bons". Vale a pena ler:

"Nicotina
Um estimulante intelectual



A nicotina é uma droga que é um estimulante intelectual e um relaxante emocional. É legal, fácil de conseguir, nada dolorosa de administrar e não causa câncer. Contudo há um inconveniente. Para conseguir fixá-la devemos fumar o tabaco, e o fumo do tabaco é perigoso. Há outras maneiras de administrar-se a nicotina, porém são maneiras que não promovem o consumo da droga, e sim para deixar de fazê-lo. Uma nova forma de obter a dose de nicotina desejada pelo organismo é através da pele: esses emplastros que estão impregnados de uma certa quantidade de nicotina que o organismo reclama.

Esses emplastros são caros, porém não menos do que fumar por volta de 20 cigarros por dia, e ao longo do tempo podem salvar nossa vida. Inclusive não há evidências de que esses emplastros produzam aditivos à nicotina.

A nicotina vem da planta Nicotiana Tabacum, a planta do tabaco, cujo nome se deve ao embaixador francês em Portugal Jean Nicot, que enviou algumas sementes à Paris em 1550. É um primo distante do ácido nicotínico, mais conhecido como vitamina niacina ou B3, que se produz comercialmente ao tratar a nicotina com ácido nítrico. Ao contrário da vitamina, a nicotina pode ser um poderoso e mortal veneno, e o sulfato de nicotina foi utilizado durante muito tempo como um poderoso inseticida.

Diretamente no cérebro
Fumar é o caminho mais rápido para fixar a nicotina em nosso organismo: uma penetração, aspira-se e a atuação em escassos segundos. Passa pelos pulmões, pelas artérias e vai diretamente ao cérebro. Porém seus efeitos duram pouco. As pesquisas mostram que apesar da duração média da nicotina em nosso organismo ser de cerca de duas horas, seu nível no cérebro decai com maior rapidez, sendo assim explicado o porque dos fumantes habituais necessitarem um cigarro a cada hora. Enquanto dormimos, os níveis de nicotina caem estrepitosamente e perdemos parte de nossa tolerância à ela. É por isso que para muitos fumantes o primeiro cigarro do dia é o melhor de todos eles.

Comparada com a cocaína, a nicotina é cem vezes mais perigosa. Uma dose fatal para um adulto encontra-se por volta de 60 mg, duas gotinhas de nicotina pura. Uma maço diário de 20 cigarros nos proporciona, em média, uns 30 mg, o que corresponde à metade da dose fatal. Evidentemente nem toda é absorvida, contudo a maioria o é. A nicotina é uma substância altamente tóxica, e todos nós podemos experimentar o que ocorre se fumamos pela primeira vez um cigarro. Vômitos são produzidos, diarréia e convulsões se a ingerimos, respiramos ou absorvemos pela pele.

E se tudo isso fosse pouco, o pesquisador Martin Jarvis do Imperial Cancer Research Fund (ICRF) Healtlh Behaviour Unit do University College de Londres descobriu que aqueles que fumam cigarros 'com pouco teor de nicotina', realmente inalam oito vezes mais que o indicado. E o resto dos cigarros, na realidade, contém uma vez e meia mais.

Contudo, uma coisa está clara à luz dos resultados desse estudo: a maneira comum de determinar o nível de nicotina e alcatrão não está relacionado com o que realmente se fuma."

(Publicado na Novae)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Vejam o que recebi por email (a assinatura dizia apenas "Jornalistas Indignados"):

"Enquanto a senhora Rosângela Matheus, vulgo 'Rosinha Garotinho' está
processando o jornalista Arthur Xexeo por ele ter escrito sobre alisamento
japonês (ou cheque - chapinha) a R$1,00, vejam abaixo a lista de compras
feitas por ela, na semana passada, na loja Daslu de São Paulo:



3 jeans Versace..................................... R$ 3.600,00
3 vestidos de noite Gucci........................ R$37.000,00
1 mantô Givenchy.................................. R$17.000,00
4 lenços de seda Chanel......................... R$ 2.000,00
1 vestido Chanel..................................... R$ 8.700,00
3 terninhos Kenzo.................................. R$30.000,00
8 pares de sapato Prada......................... R$15.700,00
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TOTAL DO PAPAGAIO (porque nós é que pagamos): R$114.000,00"



(Charges tiradas do site "Xô Rosinha")


por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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