FOICE E MARTELO BRANCO





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Tudo aquilo que nos deixa indignadas. Estar com raiva não é sempre um sentimento negativo - também serve para despertar a consciência política nas pessoas, despertar um desejo de que as coisas mudem para melhor. Este blog, que começou como um espaço pacifista , prossegue com ideais de Justiça e Paz. Principalmente de paz de espírito - aquela só alcançada quando não temos mais motivos para estar com raiva. Esperamos alcançar não só os que querem nos ouvir, mas principalmente os que costumam tapar os ouvidos para nós.

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Domingo, Agosto 03, 2003


Valorizando a cultura::::::::::::::

Agosto Negro



Surgido na década de 70 na Califórnia, EUA, o Agosto Negro veio como uma forma de resistência das mulheres e homens negros americano. Comandado pelo Black/New Afrikan Liberation Movement, teve como objetivo inicial chamar atenção sobre a problemática carcerária e a desigualdade que os afro-descendente enfrentam naquele país.

Com a repercussão positiva desta ação, permitiu que os negros organizados em outras partes do mundo que enfrentam o problema da discriminação e desigualdade racial adaptasse o Agosto Negro a sua realidade local; atualmente países como Cuba, EUA, Africa do Sul, França, Jamaica entre outros, utilizam-se desta.

No Brasil, a irreversível valorização da cultura negra, culminou na crescente disseminação de seus elementos e principalmente de suas expressões artísticas; e como pano de fundo temos a black music no geral, com grande destaque para o hip hop que faz a trilha sonora em todos os palcos que reivindicam igualdade entre os povos da diáspora africana.

Pensando culturalmente nesta valorização, idealizamos o AGOSTO NEGRO BRASIL, que tem como intuito principal destacar o que esta sendo feito pelos jovens negros paulistanos.


Por enquanto esta celebração acontece somente em São Paulo. Tenho certeza que pode se alastrar pelo resto do Brasil nos próximos anos!

Links::::::::::

REAL HIP HOP
AGOSTO NEGRO NO BRASIL


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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A Revista Época do dia 30 de junho publicou uma excelente entrevista com o economista Roberto Martins. Quem é ele? Belorizontino, ex-presidente do IPEA, ajudou a preparar a posição do Brasil para a Conferência Mundial contra o Racismo em 2001 e, no início deste ano, foi um dos quatro especialistas mundiais convidados pela ONU a integrar um grupo de avaliação de políticas de combate à discriminação. Na entrevista ele defende a política de cotas para negros nas universidades - e seus argumentos são precisos e inteligentes. Vale a pena ler. O site da Época disponibilizou a entrevista para os não-assinantes, mas é preciso fazer um cadastro antes. Quem quiser ler na íntegra, clique aqui. Mas vejam algumas das coisas que Martins disse:



"Até hoje a sociedade brasileira se recusa a discutir o racismo, pois continua presa ao mito da democracia racial: a falsa idéia de que no Brasil não há discriminação."

"Na Universidade de São Paulo, os negros são apenas 1,3% dos 39 mil alunos. Isso é irrisório em um país onde 45% da população é negra."

"Se alguém propuser celebrar a contribuição do negro para a cultura ou criar um memorial Zumbi, ninguém reclama. Quando alguém faz ação afirmativa de verdade, há reações."

"Hoje, vemos que a simples aplicação do princípio da igualdade perante a lei não promove a igualdade, mas perpetua desigualdades históricas. (...) A diferença racial não é natural. Ela foi criada e agora precisa ser desconstruída com uma ação temporária."

"Na África do Sul, mesmo durante o apartheid, a desigualdade educacional entre brancos e negros estava decrescendo. No Brasil até hoje isso não aconteceu."

''Vi gente dizendo que raça não existe do ponto de vista genético. Mas o problema não é genético, é social. As pessoas são vítimas de discriminação em função de características sociais. Entre os ricos, 90% são brancos e 10% negros. Entre os miseráveis, a proporção é sete negros para três brancos''

''Não temos leis racistas e de fato há um razoável grau de miscigenação, o que leva as pessoas a achar que não há discriminação. Mas isso é um mito. Note que a Ku Klux Klan apareceu nos EUA depois da escravidão. Aqui esses movimentos não surgiram talvez porque os negros não estejam disputando o mercado''

"O país pode ter, sim, algum conflito se implantar o sistema de promoção da igualdade racial. E o que terá se não implantar nada?"

"Dizem que a cota é humilhante para o negro. Humilhante é não ter médicos, juristas e generais negros."

"Ora, se a sociedade brasileira é capaz de distinguir na hora de discriminar, por que não seria capaz de fazer o mesmo na hora de promover a igualdade?"

"Um jovem branco com 25 anos tem 2,3 anos de estudo a mais que um negro. Na época dos avós desses jovens, a distância de estudo entre os grupos era a mesma. Um século de progresso não serviu para aproximar as raças."

"Ao comparar salários de brancos e negros com a mesma escolaridade constata-se que os negros ganham menos, o que denuncia a discriminação. Nunca vi um indicador em que o negro estivesse pelo menos empatado com o branco. Está sempre pior. O único em que há aproximação é o do acesso ao ensino fundamental, apenas porque, nesse caso, o país está próximo da universalização."

Este blog é a favor do sistema de cotas para negros.



por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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Subversão e Resistência + Ideologia:::::::

A revista on line Novae publicou dois artigos sobre os movimentos subversivos que ficaram marcados na história ( e implicações), vou linkar os textos aqui, por título, para quem se interessar pelo assunto, e seguem trechos de ambos:

:::::::Subversões::::::::
:::::::Resistências:::::::

""" Criação, subversão, linha de fuga, espiral, fenda, ruptura são manifestações de natureza imanente, já que implicam a novidade, a diferenciação do rebanho. No plano das imanências não há regras e referências, há múltiplas e diferentes potências de vontade habitadas em cada ser habitante de Gaia. Cada ser plural em sua natureza detém a capacidade de criar sua própria realidade, utilizando o mais sublime recurso ¿ de natureza imanente - que é a potência da vontade de poder criar valores e modos de vida."""""

""""" Muitos comportamentos originais de resistência vão permeando a vida social e sendo lentamente absorvidos, como o dos hackers que prestam serviços de segurança a empresas, e como o foram muitas reivindicações das feministas, as do universo GLS, o rock de protesto, a luta pelo direito à aparência informal, o uso de drogas leves. Algumas formas de resistência até passam, como passaram os chapéus e as bengalas, o hábito de cumprimentar vizinhos, o respeito aos mais velhos, a boa educação à mesa e outras velharias. Só a guerra convencional não passa: continua igual a si mesma, instrumento do arbítrio dos poderes, assassina e prepotente.""""



(para que o post não ficasse muito longo separei a parte da letra da música "Ideologia" de Frejat com Cazuza, meio óbvia)

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Frequenta agora as festas do "Grand Monde"

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver

O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem sou eu
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo
(Mudar o mundo)
Agora assiste a tudo em cima do muro

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Paródias......::::::

Esta é da música "A banda"- Chico Buarque:::::::

A Banda



Estava puto da vida

Quando o PT me chamou

Pra ver a coisa mudar

Com Lula paz e amor



A minha gente sofrida

Então no Lula votou

Pra ver a coisa mudar

Cantando coisas de amor



O empresário que já tava quebrando votou

O operário que nem tava jantando votou

A estudantada que não tinha escola votou

Para ver, ouvir e dar passagem



O camponês há muito tempo calado sorriu

O nordestino que já tinha murchado se abriu

E a igrejada toda se assanhou

Pra ver o Lula mudar

O que Fernando estragou



O aposentado se esqueceu do cansaço e pensou

Que ainda era moço pra sair no terraço e dançou

A professora debruçou na janela

Pensando que a banda tocava pra ela



A arenga velha se espalhou na avenida e insistiu

A militante que vivia escondida surgiu

A minha pátria toda se enfeitou

Pra ver o Lula mudar o que Fernando deixou



Mas para meu desencanto

O que era doce acabou

Tudo ficou no lugar

Depois que o Lula chegou



E cada qual no seu canto

Em cada canto uma dor

Depois do Lula chegar

Cantando coisas de amor.



************ Retirei do blog http://www.junimani.blogger.com.br, autor desconhecido (por mim).

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ]
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Sexta-feira, Agosto 01, 2003







O Jornal do Brasil do dia 21 de julho publicou uma coluna muito interessante sobre o documentário de Michael Moore, assinada pelo jornalista Marcus Barros Pinto. Apesar de eu já ter passado e repassado esse assunto, acho que vale a pena retomar, pelo enfoque que ele deu. Como o JB Online não disponibiliza a não-assinantes os números anteriores, vou fazer um apanhado aqui - e sugerir que os assinantes leiam na íntegra, clicando aqui.

O que nos conta Marcus? Que a governadora do Rio, Rosinha Matheus, e seu marido...oops, secretário de Segurança, Anthony Garotinho, convidaram os comandantes da Polícia Militar, delegados da Polícia Civil e secretários de Estado para uma sessãozinha de cinema. Afinal, do mesmo modo como Moore disseca a violência nos EUA, ele trabalha suas causas, muitas delas aplicáveis à nossa violência aqui - mais especificamente no caso do Rio de Janeiro. Marcus faz uma comparação dos tiros dados na Escola Columbine com os tiros da Universidade Estácio de Sá, que paralisaram Luciana Gonçalves. E comenta: "Moore jamais poderia fazer tal documentário no Rio. As fitas, aqui, foram adulteradas".

Mas é o que ele conta depois que mais interessa. Rosinha disparou: "a cultura do medo é maior do que aquilo que ocorre na realidade". O coronel Jorge da Silva, do Instituto de Segurança Pública, completou a idéia dizendo que a mídia se aproveita da exploração do medo - e arrancou intensos aplausos da PM e PC. Ao que Garotinho sugeriu, numa fórmula para combater a violência: "Não disseminar o medo, não ser passivo diante das desigualdades, não acreditar em tudo o que se vê ou que se lê." Querem mais? O ex-secretário Josias Quintal soltou essa: "Qual o papel da mídia? Ela forma opinião. Com enlatados, reportagens sensacionalistas, tudo visando apenas ao lucro". E um professor se uniu à cantilena: "Esta mídia que está aí não vai mudar, só quer saber de ganhar dinheiro". Nessa hora, segundo nos conta o colunista, a platéia (portadora de pistolas automáticas legalizadas, todas presas à cintura...) já gritava claramente: "Lincha a mídia!".

O que isso tudo quer dizer? Que os policiais cariocas são bem espertos e souberam passar o abacaxi pras mãos da mídia rapidinho. E mais: que o governo carioca é tão esperto quanto e se aproveitou do bode expiatório. A culpa pela violência nas cidades é da imprensa? Pode até ser que seja, em parte. O próprio documentário de Moore olha também esse aspecto, quando mostra a relação estreita entre a prática da violência, o consumo de armas e o sentimento de medo da população. E, sim, a mídia muitas vezes exagera no sensacionalismo barato, abusa da violência, se prende demais a questões policiais de pouca ou nenhuma importância social. E contribui, dessa forma, para a cultura do medo. Já até critiquei isso há alguns posts.

Mas a mídia está longe de ser a única responsável por todo esse problema. Má administração, facilidade na obtenção de armas, tráfico de drogas, concentração de renda, sistema penitenciário, corrupção das polícias, sistema judiciário, sistema capitalista, racismo, radicalismo, perda de valores - tudo isso, junto, forma a grande bola de neve que move a violência norte-americana, brasileira e mundial.

É muita cara-de-pau da polícia carioca dizer que a culpa pela violência é da mídia. E muita hipocrisia do casal-Garotinho confirmar a história. Se eles se propunham a fazer uma real reflexão sobre a situação no Rio e no país, o mínimo que deveriam fazer é analisar todos os problemas - e ajudar a descascar parte do abacaxi que eles mesmos plantaram.


Marcus B. Pinto respondeu ao meu email e disse que iria citar o FMB em sua próxima coluna. Achei ótimo, vamos ver!



(fotos do www.gettyimages.com)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ]
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