Tudo aquilo que nos deixa indignadas. Estar com raiva não é sempre um sentimento negativo - também serve para despertar a consciência política nas pessoas, despertar um desejo de que as coisas mudem para melhor. Este blog, que começou como um espaço pacifista , prossegue com ideais de Justiça e Paz. Principalmente de paz de espírito - aquela só alcançada quando não temos mais motivos para estar com raiva. Esperamos alcançar não só os que querem nos ouvir, mas principalmente os que costumam tapar os ouvidos para nós.
Depois de nove meses de blog, vamos tirar um descanso. É que eu vou viajar amanhã e devo voltar apenas no começo de janeiro. E a TT ainda está estudando para a maratona de provas de segunda etapa dos vestibulares da UFMG, UFJF e UFU.
A gente espera que todos vocês tenham um natal bem festivo, com as pessoas mais especiais de suas vidas. E uma passagem de ano com muitos fogos de artifício e brindes entre amigos... Que 2004 continue nos inspirando nessa difícil tarefa de usar a raiva e a indignação como instrumentos de mudança.
Para fechar com estilo, uma charge que o Henrique publicou na Tribuna da Imprensa (RJ) há algumas semanas:
Li uma matéria no Jornal do Brasil de hoje que achei interessantíssima. Um exemplo de como o jornalista pode atuar de formas positivas, noticiando realidades sofríveis como a da África, conscientizando e divulgando idéias e valores. O jornalismo pode ser uma profissão mesquinha, de várias maneiras. Mas é bom ver que também pode ser nobre. Vou colocar só alguns trechos:
"A fome na África já foi noticiada muitas vezes desde que, há quase 20 anos, fotos chocantes de suas vítimas invadiram o mundo. Mas esta é a primeira vez que a fome no continente negro é contada pela perspectiva de um africano, que passou 5 semanas vivendo com os moradores de uma remota vila na Etiópia.
O jornalista Sorious Samura, vencedor dos prêmios Emmy e Bafta - o Oscar britânico -, passou agosto e o início de setembro numa comunidade na zona rural da Etiópia para fazer o documentário Surviving Hunger (Sobrevivendo à Fome). Samura voltou a Londres, onde vive, 18kg mais magro.
(...) Inicialmente, o jornalista serra-leonês enfrentou a rejeição da comunidade, que acreditava que ele era o diabo. (...) Depois de muita insistência, Samura se incorporou ao lugar. Morou com um casal e seus cinco filhos e trabalhou em uma plantação, que pouco produzia pela falta de chuvas. À mesa, só porções de uma mistura preparada com um repolho selvagem local, tão fraco em termos nutricionais que para alimentar um adulto por um dia seria preciso comer o equivalente a um cômodo da casa. O alimento dava sensação de saciedade, mas, segundo Samura, os deixava tontos.
- Creio que as histórias africanas podem ser contadas de outro jeito, não só com imagens chocantes. Quero mostrar o que as pessoas estão fazendo lá para mudar essa realidade. Na vila não há qualquer recurso, mas dois ''heróis'' da comunidade ajudam os outros. Foram os únicos que estudaram e agora passam de casa em casa para transmitir o conhecimento que obtiveram - disse.
Mas Samura afirmou que, apesar dessas iniciativas, a África ainda precisa da ajuda dos países desenvolvidos e espera com seus filmes estimular esse debate.
- Se o Ocidente interveio no Iraque e tirou um ditador, pode ajudar outros lugares do mundo a restaurar a democracia, a dignidade e a liberdade - afirmou.
Este é o quarto documentário de Samura. O próximo deverá ser sobre a Aids no continente, a partir da perspectiva dos próprios africanos. Em 2000, quando estava na Libéria recolhendo depoimentos para o filme Cry Freetown, sobre as atrocidades na guerra civil em Serra Leoa, o jornalista e outros três membros da equipe (dois britânicos e um sul-africano) ficaram cinco dias presos.
- Aprendi mais sobre a Libéria nesses dias que nas três semanas que passei no país. Pagamos US$ 150 por dia para que não fôssemos estuprados. E só saímos graças à pressão da mídia internacional.
Perguntado se o fato de existirem dois ingleses na equipe influenciou para que a prisão conquistasse espaço no noticiário mundial, Samura disse que dentro desta rede que a imprensa ocidental estruturou não importam mais as origens nem a cor.
- É como um ditado sul-africano que diz: ''Se você atirar na parte branca da zebra, você mata a preta, se você atirar na parte preta, você mata a branca'', completou.
O documentário será exibido hoje na CNN (canal 68 da Sky e 53 da NET) às 21h."
Se vocês tiverem TV a cabo, não deixem de ver. E me contar depois.
Vou repassar o texto de um email que recebi. Não tem muito a ver com a realidade brasileira, de clima tropical. Mas os problemas ecológicos precisam alcançar todo o planeta, porque é com verdades que corrigiremos muitos deles.
"Muitas pessoas não entendem o verdadeiro valor de uma "pele", mas o fato é que para fazer um simples casaco de pele, dezenas de animais pagam com suas vidas em nome da vaidade humana. Animais que são impiedosamente tirados de seus habitats, de seus filhotes, de seus pais. São presos por armadilhas, afogados, eletrocutados, envenenados em fazendas de pele. Os animais podem ficar por muitos dias presos às armadilhas, até que os "assassinos" venham buscá-los. 1 em cada 4 animais consegue escapar, com suas patas arrancadas ou mutiladas, mas morrem depois por perda de sangue, febre ou gangrena. Todos os anos, milhares de gatos, cachorros, cervos, linces e outros animais, inclusive animais ameaçados de extinção, são mortos ou ficam aleijados pelas armadilhas. Essas mortes são qualificadas pelos "peleiros" como trash kills. A tradução literal seria algo como matanças de lixo. Observe o lixo nas fotos. Alguns animais, especialmente as mães ao verem seus filhos presos às armadilhas, desesperadas, chegam a arrancar as patas de seus filhotes para tentar salvá-los e vê-los livres. Os animais ficam confinados por dias, esperando para serem mortos em jaulas de menos de um metro e com mais de quatro animais dentro, sem cuidados veterinários e sujeitos às condições do tempo, altas temperaturas no verão e frio intenso no inverno. Alguns acabam por enlouquecer, até praticando o canibalismo. Para executar as mortes sem danificar as peles, os animais são mortos por gás, envenenamento por estriquinina, ou têm seus pescoços quebrados. Outro método muito usado é a eletrocussão anal, em que são colocados grampos nas orelhas do animal e um bastão metálico no ânus, por onde recebem uma descarga elétrica. Devido ao grande sofrimento desse processo, o animal tem uma parada cardíaca e geralmente volta à consciência em alguns minutos. Esses métodos não são 100% efetivos e em muitos casos o animal acorda e ainda está consciente enquanto está sendo esfolado. Todo casaco de pele representa intenso sofrimento de várias dúzias de animais: raposas, minks, chinchilas, etc. Essas crueldades só terminarão quando o povo se conscientizar, parar de comprar e de usar produtos de pele. Vamos fazer nossa parte, divulgando esse documento."
A campanha é muito interessante e vale a pena ser vista: www.furisdead.com
- Lula defendeu pela milionésima vez a política econômica de Palocci, dizendo que não fará "política milagrosa". Nem um milagrinho no Natal, Lula? - Operação realizada pelo Ministério do Trabalho encontrou 17 trabalhadores em "situação degradante", numa fazenda no sul do Pará. Entre eles, uma criança de 8 anos. E aposto que, se procurarem melhor, vão achar muitas mais. - Ontem a "PEC paralela" da Reforma da Previdência foi aprovada em 1° turno no Senado. Ela modifica normas da reforma, deixando-a mais flexível. Morro de medo dessas "flexibilizações". O resultado pode ser irreconhecível.
- Mister Bush disse que os EUA vão ajudar na organização do julgamento de Saddam, mas só os iraquianos decidirão a melhor punição. Ah, tá.
- Segundo pesquisa (manipulada?), 82% dos norte-americanos acharam a prisão de Saddam um grande feito. 62% ainda apoiam a "guerra" do Iraque. 59% defendem a pena de morte para o iraquiano. Bush deve estar exultante. E novembro de 2004 está cada vez mais próximo... - Carros-bomba explodiram em Bagdá, matando sete pessoas. Saddam foi preso, mas os atentados continuam. Quando cairá a ficha da coalizão? - Os iraquianos comemoraram a prisão de Saddam (por mais que nossa mídia seja a da coalizão, não duvido que tenham, mesmo, comemorado). Mas hoje reclamam da presença dos EUA, que só trouxeram problemas desde abril. Pegaram Saddam, agora falta pegarem Bush! - Vários iraquianos protestaram contra a prisão de Saddam. Mas foram dispersados pelos soldados americanos, inclusive com tiros de metralhadora. Peraí, deixa eu ver se entendi... Os EUA tiraram o ditador do poder para colocar outra ditadura no lugar? Até mobilização social é proibida, então cadê a perfeita "democracia" estadunidense?
Saddam foi preso! Ou será que é alguma pegadinha? Ou seria algum sósia?
Nãããão, Saddam foi preso de verdade!
Vamos comemorar: agora os EUA não têm mais desculpa NENHUMA para a invasão! Nenhuma arma ultraperigosa, nenhum ditador sanguinário, nenhum grupo terrorista, NADA!
Dêem uma olhada em quem Mister Bush tanto temia:
Deprimente !
Agora é esperar a "coalizão" dar no pé... Ou assistir de camarote a divisão dos lucros! Vou dar uma sugestão pro ditador Bush: tira seus soldadinhos de lá (pra evitar novas perdas), espere a reeleição (que você deve ganhar) - e, aí sim, volte para pegar os frutos! Fazer muito na cara vai prejudicar seus votos, man!
Reproduzo aqui um post que o Irônico Comunista, do blog Nada de Novo no Front, escreveu sobre o atual governo colombiano. Se já era difícil gostar de Álvaro Uribe, manda-chuva dos EUA, agora ficou realmente impossível:
"A Colômbia está entrando em uma ditadura. Há quase 40 anos atrás, em um golpe militar, o Brasil passou igualmente por uma brutal ditadura. Os chamados anos de chumbo acabaram para nós, mas alguns vizinhos parecem estar tendo que enfrentar essa farsa do passado mais uma vez. Na Colômbia, Álvaro Uribe (atual presidente) contou com o senado para gerar um decreto de lei 'anti-terrorista' propondo uma 'seguridade democrática'. No que consiste esse decreto:
- Permite às autoridades revistar a correspondência e interceptar as comunicações privadas dos cidadãos, sem necessidade de uma ordem judicial prévia, para prevenir casos de terrorismo. A autoridade que utilizar esta faculdade denominada de controle de garantias deverá avisar a um juiz. (peraí...o princípio da democracia liberal não é a liberdade de ir e vir?) - Autoriza os prefeitos ou as autoridades designadas pelo governo a realizar censos da população em zonas especiais. O Governo deverá informar ao Congresso o uso a ser dado a esses informes. (basicamente toda autoridade poderá fazer o controle da população e não só órgãos federais) - Permite as detenções e revistas domiciliares sem prévia ordem judicial. (já vejo as manchetes: "perigoso subversivo tinha Manifesto Comunista em casa") - Concede faculdades à Procuradoria Geral da Nação para de formar unidades especiais de polícia judicial, com a ajuda da Força Pública, sempre e quando existir uma solicitação nesse sentido do Governo Nacional. (ou seja, não precisa mais se elaborar uma lei para se formar uma força militar para combater aqueles comunistas safados...viva a democracia!)
Há uma forte pressão de organizações internacionais de Direitos Humanos para que essa ditadura não se forme de maneira alguma e que haja forte rejeição para as medidas...e serve de alerta para a futura política vigente no quintal americano se esses comunistas malvados não romperem com aqueles terroristas muçulmanos malucos na sua aliança também conhecida como 'Eixo do Mal'. "
Dando continuidade à minha discussão com o leitor Douglas sobre o papel de "salvador" dos EUA na invasão ao Iraque, coloco aqui o editorial da Folha de hoje, bastante esclarecedor, sobre os interesses da potência - ainda mais óbvios neste pós-"guerra". Divirtam-se (ou não).
"BUSH CONTRA-ATACA
A retaliação tardou, mas chegou: os Estados Unidos excluíram empresas de países que não participaram da Guerra do Iraque da concorrência pela reconstrução da infra-estrutura do país. Um documento assinado pelo subsecretário de Defesa, Paul Wolfowitz, estabelece que apenas companhias dos EUA, do Iraque e de 61 países considerados "parceiros da coalizão" poderão se candidatar a uma fatia dos US$ 18,6 bilhões destinados às obras. No total, serão 26 contratos voltados para áreas como eletricidade, água, petróleo, estradas e equipamento militar.
A medida atinge países importantes para as relações norte-americanas, como França, Alemanha, Rússia e Canadá. O Brasil, que se manifestou contra a guerra, também foi excluído. O documento cria especial desconforto ao afirmar que a decisão se justifica pelos "interesses essenciais dos Estados Unidos em relação à segurança". O texto não explica, contudo, porque empresas desses países representariam uma ameaça. É verdade que a administração George W. Bush havia lançado advertências claras nesse sentido quando arregimentava apoios para a operação militar. Quem não estivesse com Bush ficaria fora da reconstrução. Além disso, os recursos que serão investidos são dos EUA - foram pagos por seus contribuintes, como enfatizaram alguns.
Essa lógica pragmática, no entanto, não evitou reações de alguns governos e até de membros do Partido Republicano, de Bush. O Canadá lembrou que os EUA aceitaram doações do país e a Rússia anunciou que não irá perdoar a dívida iraquiana.
De fato, apesar de suas razões, no momento em que os EUA precisam ampliar o suporte à ocupação, buscando mais tropas e recursos, reavivar as animosidades que antecederam o ataque - e não cicatrizá-las - pode não ser a melhor política."
(grifos meus)
"O Brasil não troca princípios por produtos. Princípios são princípios" Celso Amorim, a respeito da exclusão do Brasil na lista de colaboradores dos EUA.
E no Afeganistão,,, Sábado passado, as tropas estadunidenses já haviam matado nove crianças por acidente, enquanto procuravam líder do Taleban. Ontem, admitiram ter matado mais seis crianças "por engano". Que pena, foi sem querer-querendo...
Para fechar com chave de ouro (e com segundas intenções), mais uma frase do chanceler brasileiro:
"Tem gente que tem mentalidade colonizada no Brasil e é mais americano do que os americanos. É gente que pensa pequeno". Se os Estados Unidos só querem salvar os pobres árabes, então os deuses devem estar loucos...
Já faz sete meses que a Reforma da Previdência foi enviada ao Lula no Congresso. E só hoje (hoje!) ela deverá ser concluída em votação de segundo turno no Senado. Depois, ainda precisam votar a proposta de emenda constitucional (PEC) paralela que contém os pontos que alteram a reforma. A PEC ainda deverá passar, mais adiante, para a Câmara, para ser analisada pelos deputados. Se os deputados não trabalharem em janeiro, como sugerem os senadores, a conclusão só ficará para o ano que vem. Com uma máquina estatal assim tão lenta, é difícil esperar mudanças. Muito menos para este ano, como prometeram os donos do espetáculo. É tudo devagar-quase-parando...
Negociando com os faraós
O Brasil está próximo de fechar um acordo de Livre Comércio com o Egito e, segundo Furlan, as negociações já estão adiantadas. O tratado poderia beneficiar importantes setores da economia brasileira, como o automotivo, que enfrenta pesada taxação em suas importações. O ministro informou ainda que esse acordo com o Egito deve ser finalizado em 2004, bem como os acordos do Mercosul, África do Sul, Pacto Andino, União Européia e Alca. Será vantajoso? Se sim, talvez o passeio de Lula tenha sido mais significativo que seus discursos de sempre...
J.Marcos, no jornal Diário do Aço (MG)
Momento sádico
Ontem, 59 soldados norte-americanos foram feridos por atentado suicida.Horas depois, mais dois soldados foram feridos perto de Bagdá. Enquanto isso, outros três morreram num acidente rodoviário no centro do Iraque. Ainda ontem, um helicóptero do Exército foi atingido por uma granada, mas os dois tripulantes escaparam ilesos. Desde o fatídico 20 de março, os EUA já perderam 448 soldados. Desses, 308 morreram fora de combate, no que eles chamam de "ações hostis" (como se todas não fossem hostis). Não quero parecer sádica, contando mortos norte-americanos, mas, se me permitem a pergunta, o que diabos eles ainda estão fazendo lá??? Difícil de cair a ficha do Bush de que essa invasão foi a maior mancada de sua carreira política? Difícil reconhecer um erro, com as (re)eleições tão próximas? Tudo bem, é compreensível (como disse o Lula). Mas ter a cara-de-pau de declarar a "guerra" como terminada só foi pior para sua reputação. Eles perderam muito mais soldados depois do "término" da "guerra". E a vietnamização do conflito ainda não está totalmente fora de questão...
O flerte
Viram a Heloísa Helena sendo flertada pelo PMDB? Imaginem a peça no meio dos fisiológicos que ela condenou a vida inteira? Difícil, né. Ela também acha, tanto que perguntou se era alguma piada. Minha dúvida (a última): até quando ela manterá toda essa coerência? É na política que mais se morde a língua...
Estamos um pouco sem tempo esses dias, mas em breve voltarei com novidades. Enquanto isso, queria pedir aos que ainda não o fizeram, que votem no FMB para o prêmio iBest 2004. Estamos concorrendo nas categorias Blog, Política, Pessoal Variedades, Governo e MG. As votações da primeira etapada serão concluídas no próximo dia 11. Ou seja, faltam apenas 4 dias para o fim da pré-votação! Queremos conseguir pelo menos estar entre os TOP-10, que serão divulgados dia 15/1... E contamos com a colaboração dos leitores.
Promoção - o site do iBest está dando duas viagens a Trancoso, por uma semana, para as pessoas que fizerem frases mais criativas sobre as FÉRIAS, depois de votarem em seus blogs/sites favoritos. Os vencedores serão divulgados também no dia 15/1. É um incentivo a mais para vocês!
Para votar, basta clicar no linkque está acima de cada post, ou no canto superior esquerdo do blog (essa bolinha que fica girando em cima da Foice). Depois de indicarem o FMB e escolherem outros 2 blogs para o prêmio (opcional), vocês precisam colocar o email e senha que criaram durante o cadastro. Caso ainda não estejam cadastrados, cliquem nesta opção e efetuem o processo. E só ! Muito fácil - e muito importante para nós duas.
A falta de tempo (e de comentários que me incentivem) às vezes prejudica o andamento do blog. Tenho mil coisas para falar sobre a viagem de Lula ao Oriente Médio - desde as críticas contidas no texto e charge do post anterior, até os comentários dele sobre a invasão estadunidense no Iraque, a reação dos EUA a isso, os esforços para conseguir vender nosso mercado aos sírios, os elogios ao plano de Paz entre palestinos e judeus, as milhas cobertas por Lula (maiores que as de Viajando Henrique Cardoso, sempre tão criticadas pela oposição), análises sobre o relacionamento oriente/ocidente, etc. Mas vou deixar o falatório por conta de vocês e publicar apenas a charge do Glauco, que está na Folha de hoje.
Ironia ao Lula das arábias, ao "mercador de bananas" se divertindo do alto de seu tapete voador. Qual a interpretação de vocês?
"O jornalista Ricardo Setti afirma hoje no site nominimo.com que o escândalo dos "gafanhotos" de Roraima é proporcionalmente um dos maiores já descobertos no Brasil desde Cabral e tem cacife até para encarar a corrupção de republiquetas ditatoriais da África. É também exemplo gritante dos problemas potenciais que a política de filiação desordenada de políticos, atraídos pela capacidade de sucção do poder, pode acarretar ao PT. O governador Flamarion Portela foi cooptado pela cúpula do PT durante a campanha eleitoral, quando já havia o zunzum sobre a bandalheira dos "gafanhotos", lembra Setti.
Enquanto isso, o presidente Lula preferiu viajar para o Oriente Médio a comparecer em Nova Lima, vizinha de Belo Horizonte, ao III Annual Global Compact Learning Fórum Meeting, organizado pela ONU, que tem entre seus temas transparência e corrupção - uma discussão aprofundada a respeito da Convenção da ONU contra a Corrupção, que será assinada pelos governos dia 10 de dezembro, no México.
Lula será representado nesse importante encontro da ONU pelo ministro Luiz Dulci, que deve comparecer na abertura, dia 9, às sete e meia da noite, no campus da Fundação Dom Cabral, ou no encerramento, dia 11 de dezembro. Até agora, a outra autoridade brasileira confirmada é o governador Aécio Neves. Enquanto isso, interessados de todo o mundo no desenvolvimento da cidadania corporativa já confirmaram presença ao Learning Fórum e aos outros eventos que ocorrerão paralelamente, no mesmo local: o Seminário Latino-Americano sobre Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, o lançamento do Índice de Competitividade Responsável, elaborado pelo Institute of Social and Ehtical AccountAbility e pelo Copenhagem Centre.
O Global Compact é uma iniciativa do secretário geral da ONU Kofi Annan, lançada oficialmente em julho de 2000. A proposta é firmar um Pacto Global, para atuação das empresas em todo o mundo, com uma plataforma mínima baseada em nove valores fundamentais, inspirados em declarações e princípios aceitos universalmente: Declaração Universal dos Direitos Humanos, Declaração dos Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho; e Agenda 21. Ou seja, uma forma de tentar domesticar o capitalismo selvagem, num momento em que ele não vê motivos para temer o comunismo. É pena que Lula não dê importância ao tema. Vamos ficar de olho, para ver se ele será imitado também pela imprensa brasileira. "
Angeli, na Folha de S.Paulo de 4/12/03 (Lula prefere a Ásia a Nova Lima...)
Vamos divulgar o evento! Para maiores informações sobre o UN Global Compact, clique aqui. Para credenciamento e outras informações, clique aqui (em inglês).
Quem não conhece o antigo conflito na Ruanda? Esse país africano sofreu vários anos com guerra civil causada por problemas étnicos entre duas tribos, os hutus e os tutsis. (Nem preciso dizer que isso é conseqüência de um processo de colonização que jogava um grupo contra o outro, para gerar fragmentação e facilitar a dominação européia...). Em 1994, cerca de 500 a 800 mil pessoas morreram em genocídio provocado, principalmente, pelos hutus que estavam no poder. Além de matar o grupo rival, eles também mataram hutus que eram contrários ao massacre.
Hoje, nove anos mais tarde, três jornalistas donos de veículos do país foram condenados a prisão perpétua (um deles, a 35 anos de cadeia) pelo tribunal da ONU. Acusação: usar a mídia para incentivar o genocídio. Frases como "faça a limpeza" e "as sepulturas ainda não estão cheias" (!) eram usadas abertamente em programas de rádio. O que esse julgamento tem de especial? O fato de a mídia ser responsabilizada pela primeira vez por um genocídio. Prova-se, aqui, a influência poderosa que jornais/propagandas exercem sobre uma sociedade. Para quem ainda tinha alguma dúvida...
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Ruralistas fora-da-lei - No Rio Grande do Sul, uma pessoa física comprou certa propriedade e cedeu aos sem-terra. 400 integrantes do MST marcharam para lá, escoltados por 80 policiais. No meio do caminho, surpresa!, alguns ruralistas da região haviam formado um bloqueio para impedir que eles ocupassem a terra, alegando que a venda fora ilegal. A tropa tentou desbloquear a rodovia usando balas de borracha e bombas de efeito moral, sob ordem do governador Germano Rigotto (PMDB). Os ruralistas reagiram com paus e pedras. Talvez da próxima vez lhes ocorra reagir com balões d'água, para tornar a situação um poquinho só mais ridícula...
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Alarme falso - "Não há decisões a respeito da ratificação, além do fato de que estamos caminhando na direção da ratificação". Foi o que disse o vice-ministro da Economia da Rússia, Mukhamed Tsikhanov. O gigante ainda pode dar vida ao Protocolo de Kioto. Que bom.
Kioto que se dane - "Em seus termos atuais, o protocolo não pode ser assinado, porque significa limitações ao desenvolvimento econômico do país". Quem disse isso? Dessa vez não foi Mister Bush (que já disse algo idêntico, em 2001, quando colocou os EUA fora do Protocolo), mas o conselheiro de economia russo, Andrei Illarionov. Para ter valor legal, o protocolo precisa da assinatura de países que emitem pelo menos 55% dos gases provocadores do efeito estufa. Até hoje já conseguiu a adesão de 44%. A Rússia é de importância crucial, já que representa 17% de toda a poluição do planeta (tudo bem que os EUA emitem mais de 36%, mas quem é que se importa com isso?). De fato, se essa ameaça vier a ser confirmada por Putin, o protocolo ficará consideravelmente esvaziado. E o planeta, com suas temperaturas cada vez mais altas, incêndios florestais sem precedentes e quantidade enorme de chuvas e tornados, é que vai sofrer. Será que a burrice é tanta que esses caras não percebem que sem um desenvolvimento sustentável é humanamente impossível qualquer tipo de desenvolvimento econômico?
BOOM !! - Os EUA estão investindo milhões em seu arsenal nuclear. Enquanto a administração Clinton era contrária a essa política (e várias foram as proibições na época), a era Bush está promovendo nova corrida armamentista. Eles querem usar armas cada vez mais potentes, com ogivas nucleares capazes de penetrar no subsolo e atingir bunkers antiatômicos, tornando menos nítida a distinção entre guerra convencional e nuclear. Os democratas estão se opondo ao projeto, com medo das reações de inimigos diplomáticos do país, como a própria Rússia. O governo ainda tenta reduzir o tempo de teste dessas bombas, indo de encontro a um banimento internacional, para daqui um ano e meio. Talvez a previsão de Einstein se efetive: difícil dizer como será a munição da Terceira Guerra Mundial; mas, na Quarta, certamente os homens lutarão com paus e pedras...
Ontem representantes da sociedade civil palestina e israelense lançaram plano de Paz alternativo para o Oriente Médio, chamado de Iniciativa de Genebra. Yasser Arafat declarou seu apoio ao grupo de ex-políticos que organizou o projeto. Ariel SSharon, premiê de Israel, qualificou o plano de "subversivo". Enquanto isso, ainda ontem, o governo judeu atacava Ramallah e deixava três mortos...
Assim fica difícil não tomar alguma posição, não é mesmo?
Para cada grupo de 200 gestantes, pelo menos uma tem o vírus da Aids em Minas Gerais. Já são 16 mil pessoas infectadas com o HIV no Estado. Já é o quarto com maior número de casos, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Aqui são registrados 1.200 novos casos por ano, com óbito de 30% (mesma média nacional). 30% dos infectados está na faixa etária entre os 20 e 29 anos. A população pobre é a maior vítima da doença - que, na década de 80, tinha caráter mais elitista. No mundo, mais de 40 milhões de pessoas estão infectadas. 28 milhões morreram desde 81 (quando foi identificada pela primeira vez). Este ano, já matou mais de 3 milhões (8.000 por dia!).
O que ainda falta no combate à Aids? Conscientização. Existem, sim, muitas propagandas, muitos grupos de apoio, entidades voluntárias, e grande distribuição de preservativos (em MG, são distribuídas 1 milhão de camisinhas por mês). Mas tudo isso alcança apenas uma pequena parcela da população. A informação não existe para todos e, mesmo que exista, não são todos que conseguem apreendê-la. Mudança de mentalidade: é isso que precisa haver, e urgentemente (mesmo no caso do aborto, que é um tema polêmico ainda a ser discutido aqui no FMB). A gente pode fazer nossa parte, divulgando esses dados preocupantes e conversando com as pessoas ao nosso redor (porque, convenhamos, ainda tem muito ignorante que não usa camisinha porque não quer). Vale também uma reflexão sobre a situação alarmante da África, o continente assolado. Pensar é o primeiro passo antes de agir. E o grande caminho para solucionar os problemas.
Clique aqui para ler uma análise bastante esclarecedora sobre os obstáculos na luta contra a Aids, escrita pelos médicos Professor Vicente Amato Neto e Doutor Jacyr Pasternak e publicada na Folha de S.Paulo de hoje.
Estradas que matam: quase 70% das estradas de Minas Gerais estão com péssimas condições. "Somente nas rodovias federais, ocorreram 16.652 acidentes com 10.231 feridos e 1003 mortos, apenas em 2002. No mesmo período, as estaduais somaram 2.658 acidentes com 1.684 feridos e 97 mortos. (...) Em 2001, ocorreram 35 acidentes com 49 mortos e 205 feridos. No ano passado, foram 18 ocorrências com 86 mortos e 268. Este ano, até o momento foram registrados 11 acidentes com 53 mortos e 93 feridos. (...) Dos cerca de 10 mil quilômetros da malha viária federal em Minas, apenas três mil têm contrato de manutenção. (...) O investimento, financiado pelo Banco Mundial, prevê a recuperação de cinco mil quilômetros de rodovias no país. A verba para as obras emergenciais chega a R$ 18 milhões." Ninguém agüenta mais tanto buraco, erosão, falta de sinalização. Qualquer chuvinha já causa o maior estrago. E Minas tem uma das maiores malhas viárias do país. Como resolver esse problema? Botando governadores que prestam aqui no Estado? Exigindo verbas da pasta de Anderson Adauto? Privatizando as estradas (colocando os famosos - e caríssimos - pedágios do interior de SP)? (Consultei o jornal Hoje em Dia de sábado)
Programa do leite: "O companheiro Sarney tinha razão" (Brrrrrrr...!). Quem disse isso não foi ninguém da antiga Arena, mas o ministro da Segurança Alimentar, José Graziano. Isso porque o governo Lula resolveu adotar a política de distribuição de leite que o Presidente do Senado promoveu quando comandava o Executivo (entre 1985 e 90). "A partir de dezembro, não apenas crianças, mas gestantes e mães que amamentam receberão diariamente até dois litros de leite por família com renda inferior a meio salário mínimo por pessoa." Serão dez Estados do semi-árido beneficiados e o governo pretende atingir a marca de um milhão de litros até o fim do ano que vem, tudo produzido por pequenos produtores. A entrega será direta, e não por meio de tíquetes (OOooh!). As críticas: por que não deixar as famílias escolherem o alimento de que necessitam mais? O Conselho Federal de Nutricionistas diz que o leite não garante os nutrientes de que as crianças precisam, embora seja fonte de proteínas. Se a campanha é contra a desnutrição, a escolha do leite não é a ideal. Mas o marketing é bom, compreensível até. Se o apelo popular é tão bom quanto, é esperar pra ver. Depois não vão chorar o leite derramado... (Consultei a Folha de S.Paulo de ontem)