FOICE E MARTELO BRANCO



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Tudo aquilo que nos deixa indignadas. Estar com raiva não é sempre um sentimento negativo - também serve para despertar a consciência política nas pessoas, despertar um desejo de que as coisas mudem para melhor. Este blog, que começou como um espaço pacifista , prossegue com ideais de Justiça e Paz. Principalmente de paz de espírito - aquela só alcançada quando não temos mais motivos para estar com raiva. Esperamos alcançar não só os que querem nos ouvir, mas principalmente os que costumam tapar os ouvidos para nós.

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Sábado, Janeiro 31, 2004


De volta ao Cinema


Antes de começar o post, as desculpas por ter sumido do blog esses dias. Como as aulas estão acabando, ando com muitos trabalhos pra fazer. Mas hoje pretendo, finalmente, falar de um assunto que quero discutir desde quinta-feira: as idéias do excelente filme Adeus Lenin!.

Filmes de cunho histórico são sempre discriminados pelo grande público. Não foi o caso deste longa alemão, que teve a brilhante idéia de mesclar dramas políticos, pessoais e familiares com um humor refinado e sacadas geniais, do começo ao fim. A história é sobre a reunião das duas Alemanhas (a Federativa, capitalista, e a Democrática, socialista) e o rapidissíssimo processo de transição do Comunismo para o Capitalismo que o lado oriental sofreu. Foram apenas oito meses (o mesmo tempo em que a mãe do protagonista, Christiane, esteve em coma), suficientes para mudar as aspirações de toda uma sociedade e os valores incutidos na mente de seus habitantes. Os picles nacionais foram substituídos pelos importados holandeses, as vendas da esquina foram trocadas por supermercados gigantes, pequenas coisas mudaram no dia-a-dia, com o crescente aumento da mecanização do homem, da futilização dos costumes, da desvalorização da solidariedade. Enfim, mudando o sistema, mudaram também os valores.

De todo modo, o filme não ignora todos os problemas enfrentados pela Alemanha Socialista, desde a repressão policial, até o controle dos telejornais. É um tapa na cara tanto de capitalistas quanto de comunistas muito fanáticos, que se apoiam exageradamente no idealismo e esquecem alguns podres que a História registrou. Mas é uma esperança deliciosa assistir o sucesso de um mundo criado sob encomenda para atender aos sonhos de Christiane. E é fundamental como documento de uma sociedade completamente diferente desta em que vivemos - oriental, socialista, e de 15 anos (só isso!) atrás.

Enfim, o objetivo do post não é fazer crítica de arte, mas ressaltar o lado político do filme, que é mais que recomendado para pessoas que gostam de visitar um modesto blog chamado Foice e Martelo Branco. Se quiserem mais detalhes sobre o filme, sugiro que leiam o post que o Fernando escreveu no Nada de Novo no Front, ou a resenha que fiz no site do Fulano (procurem por kikacastro). E não deixem de assistir!


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P.S. Também assistam ao excelente Dogville, do diretor dinamarquês Lars von Trier. Antes de ser uma mera crítica à sociedade estadunidense, o filme é uma visão aguçada da natureza humana. Vale a pena por estarrecer e nos desorientar um pouquinho. Não é sempre que temos dois grandes filmes em cartaz, não é mesmo? Esqueçam O Último Samurai e vejam esses dois!

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ][]
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Quarta-feira, Janeiro 28, 2004


Agora é fácil....

"Não dá para ficar parado na Índia ou no Brasil cobrando do governo investimentos que as pessoas já sabem de antemão que o governo não tem como fazer"
Lula

Juros altos, e empresários reclamam... Com alguma razão, já que, se a taxa tivesse baixado, seria um incentivo ao consumo, conseqüentemente à produção... Mas o problema seria então a inflação, já que, com a alta da procura os produtores poderiam aumentar seus preços - o que eles querem. E aí as nossas "metas" inflacionárias entram em risco...

Alguém vê algo de novo?..


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ][]
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Terça-feira, Janeiro 27, 2004


Cidade de Deus é indicado para 4 Oscars

+ Melhor Diretor

+ Melhor Edição

+ Melhor Fotografia

+ Melhor Roteiro Adaptado



Não vou voltar ao assunto da realidade retratada nesse filme (esperem um post futuro), mas só lembrando o quanto precisamos valorizar a cultura nacional, que na maioria das vezes só é notada pelos brasileiros quando ganha destaque lá fora...



por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ][]
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Domingo, Janeiro 25, 2004


O Superministro



Uma das (poucas) coisas legais da reforma ministerial que a TT resumiu no último post foi a entrada do mineiro Patrus Ananias no ministério que vai reunir todas as pastas de projetos sociais do governo (e que levou a Benedita pro saco). Como ele é mineiro, foi prefeito da minha cidade e eu fui uma das 520 mil pessoas que o elegeram deputado federal, é mais que minha obrigação colocar um pequeno histórico aqui. E este vai em homenagem ao colega Léo, que chegou na sala feliz da vida com a nomeação. Eu queria ter toda a sua fé, amigo.


Ele sempre militou no PT. Entre 1989 e 1992, foi vereador, quando relatou a lei Orgânica de BH, que visava à transparência administrativa da prefeitura, e fez projetos moralizando o uso de dinheiro público.

Foi prefeito entre 1993 e 1996. Foi quando BH conheceu o Orçamento Participativo, o Plano Diretor, a Lei de Uso e Ocupação do Solo, a política de abastecimento, o Restaurante popular (que combateu a fome e desnutrição, ao custo de R$1), os programas Safra e Direto da Roça, o FIT (Festival Internacional do Teatro, que popularizou eventos culturais de grande naipe), o Projeto Miguilim (que atendia e abrigava crianças de rua), dentre outras coisas. Como sempre valorizou investimentos e projetos na área social, acabou sendo premiado pela ONU quatro vezes.

Para finalizar, trechinho da coluna do Elio Gaspari, na Folha de hoje:
"Como prefeito de Belo Horizonte, criou um sistema que vendia hortifrutigranjeiros a 1 milhão de pessoas. Ao contrário dos prefeitos cosmopolitas, incentivou as feiras de rua. Vendia a R$ 0,29 um sacolão com 25 alimentos que custava R$ 0,69 nos mercados.
Foi o primeiro prefeito a dar atenção aos catadores de papel. Alugou três galpões para que eles pudessem separar suas cargas em paz.
Em 1995 o aumento de preço dos alimentos da cesta básica em Belo Horizonte foi de 0,86%, o menor de todas as grandes cidades brasileiras. Parte desse êxito resultou da ação da prefeitura sobre os alimentos consumidos pelos pobres. Patrus Ananias fez isso sem brigar com ninguém."

Este post de hoje ficou extremamente puxa-saco, quase parecendo notinha de assessor de imprensa (o pior é que nem estou recebendo por isso). Mas, sabem o que é? Alguns dos poucos caras que eu gostava no primeiro escalão do governo foram trocados por peemedebistas (isso é um xingo). Anderson Adauto ficou. O Patrus ainda é um curinga dentro do PT, alguém em quem eu acreditei o suficiente para apostar minhas fichinhas e votar nas últimas eleições. Se nem ele der certo, minhas últimas esperanças vão sumir de vez.


Tirei as informações do site do PT, http://www.fpa.org.br/memoria/trajetorias2003/capitulo14.htm, yahoo notícias e Folha de S.Paulo.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ][]
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Sexta-feira, Janeiro 23, 2004


Reforma ministerial

Esquema simples:

*Nilcéia Freire assume a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres

*Eunício Oliveira (CE) vai para Comunicações

*Amir Lando (RO) vai para a Previdência

*Ricardo Berzoini no Ministério do Trabalho

*Jaques Wagner vai para o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social

*O deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) vai para o superministério da área social, que vai reunir a Assistência e Promoção Social e Segurança Alimentar.

*Benedita da Silva e José Graziano deixam o governo.

*O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), da liderança do governo na Câmara, vai para Secretaria de Coordenação Política e Relações Institucionais - nova pasta criada para auxiliar o ministro José Dirceu (Casa Civil) na articulação política.

*Miro Teixeira sai da pasta das Comunicações para o PMDB e assume a liderança do governo no Congresso

*Tarso Genro sai do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e vai para o ministério da Educação

*Cristovam Buarque volta para o Senado


Consulta e transcrição: FOLHA ONLINE, ver íntegra

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ][]
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Para não passar em branco

O gênio do novo milênio, nosso amigo Bush, discursou, no último dia 20, em frente a uma platéia extasiada por suas palavras no congresso americano. Ocasionalmente ovacionado por republicanos delirantes, o líder mundial, herói de nosso tempo, esbanjou em seu vocabulário, proferindo sem culpa suas realizações e "traçando" metas para o futuro, o presidente (salve! salve!) delimitou, mais uma vez, as diretrizes da "doutrina Bush".
Conservadorismo:
"Estamos vivendo num tempo de grandes mudanças. Mas algumas coisas perduram: coragem e compaixão, reverência e integridade, respeito pelas diferenças de fé e raça" - somente fé e raça

" Os valores de acordo com os quais tentamos viver nunca mudam. E eles são introduzidos lentamente nas pessoas por instituições fundamentais, como famílias, escolas e congregações religiosas. Estas instituições --os pilares invisíveis da civilização-- devem continuar fortes na América."
Adiantando o futuro político:
"Nós enfrentamos difíceis desafios juntos e agora nós enfrentamos uma escolha. Podemos ir adiante com confiança ou podemos voltar atrás para a perigosa ilusão de que os terroristas não estão tramando contra nós e regimes foras-da-lei não nos ameaçam."
Quanto a casamentos de casais homossexuais:
"Juízes militantes, no entanto, começaram a redefinir o casamento, sem respeitar a vontade das pessoas e de seus parlamentares . Se os juízes insistirem em forçar sua vontade arbitrária, a única alternativa para o povo seria uma emenda constitucional. Nossa nação tem de defender a santidade do casamento."
Guerras e Afins:
"Devido à liderança e à determinação da América, o mundo está mudando para melhor"

"Nossa maior responsabilidade é a defesa ativa do povo americano. Passaram-se 28 meses desde o dia 11 de setembro de 2001 --mais de dois anos sem um ataque em solo americano-- e é tentador acreditar que o perigo ficou para trás. Essa esperança é compreensível, confortadora --e falsa"

"Os Estados Unidos nunca pedirão permissão para defender a segurança de sua gente."


por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ][]
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Quinta-feira, Janeiro 22, 2004


Manchetes de hoje:
"Receita e PF investigam contas da Parmalat" (Folha de S.Paulo - SP)
"Tiro mata mulher na Linha Amarela" (Jornal do Brasil - RJ)
"BC mantém juros em 16,5%" (O Globo - RJ)
"Imóvel usado fica mais fácil" (Hoje em Dia - MG)
"Lula inclui duplicação da GM em roteiro de visitas no Estado" (Zero Hora - RS)


Sinceramente? Nenhuma delas me atraiu. Prefiro, então, aproveitar o post de hoje para discutir algumas idéias que li num texto muito interessante para a faculdade: A democratização dos meios de comunicação de massa, do professor da faculdade de Direito da USP Fábio Konder Comparato.

Ele diz que só existem pessoas no poder porque existem outras dispostas a obedecer e aceitar. Isso é o que chamamos de legitimidade do detentor do poder. Essa legitimidade é garantida por legitimadores (os "intelectuais", segundo Gramsci) que usam dos meios de comunicação de massa para justificar essa relação de dominação. Ao longo da História, sempre houve diversos legitimadores responsáveis pela manutenção de uma determinada classe no poder (a Igreja durante a Idade Média, os juristas no Renascimento, os líderes protestantes em outras sociedades, etc). No século XX, os próprios grupos dominantes agem diretamente sobre os dominados, criando empresas estatais ou privadas de comunicação de massa.

Democracia? - As pessoas tendem a pensar que na democracia é diferente. Afinal, democracia implica em soberania popular, na inexistência dessa relação de dominação e subordinação. Mas o que ocorre é que, enquanto nas ditaduras há um monopólio da comunicação nas mãos dos governantes, nas "democracias" ela torna-se objeto de oligopólio, a serviço exclusivo de uma classe.

Aqui entra uma pergunta fundamental: vivemos, no Brasil, numa democracia plena? Não, o que temos aqui é um regime oligárquico sustentado por aparências. Temos grupos empresariais privados sustentando sua própria classe e colocando quem lhes convém no poder (através da doutrinação pela mídia). O debate público é falseado. Tudo o que é publicado nas empresas jornalísticas está voltado para o objetivo fundamental do jornal como empresa: o lucro. A tão falada liberdade de expressão nada mais é que uma liberdade de empresa, coordenada pelo sistema capitalista em que as empresas de comunicação estão inseridas. Não é à toa que raramente vemos matérias sobre os assuntos que realmente deveriam ser esclarecidos para os cidadãos. Políticos que controlam o país há anos nadam na grana do povo, são corruptos, são criminosos - mas a impressa fica atrás da moita. Isso porque as provas são cobertas pelos donos do poder e os jornais garantem a festa. Querem um exemplo? Todo mundo se lembra da confusão noticiada em todos os jornais sobre o R$1,34 milhão encontrado na empresa da Roseana Sarney. O absurdo da corrupção acabou fazendo com que ela desistisse de se candidatar à presidência, mas, poucas semanas mais tarde, todos os jornais já haviam se calado. O clã Sarney controla o Maranhão há décadas, inclusive dominando a mídia local, além de José Sarney ser figurão da política nacional desde os tempos áureos da Arena. Não é difícil imaginar porque a imprensa resolveu afastar o assunto da pauta e camuflá-lo em outro episódio qualquer. E Roseana foi eleita senadora...


(Apesar disso, ainda existe um veículo que não se submeteu às garras do sistema: a Internet. A rapidez com que ela propaga notícias e faz pessoas e países interagirem é responsável pela grande mobilização social que todos os meios de comunicação de massa deveriam buscar. Aí o exemplo dos blogs, que se tornaram fontes de informação para várias pessoas. Isso sem falar nas várias ONG's que se organizam pela rede e no fluxo democrático de idéias que corre por todas as linhas.)


Democracia X Capitalismo - Mas por que será que nenhum país hoje dito "democrático" realmente o é? Simplesmente porque democracia é incompatível com Capitalismo. Ela pretende garantir soberania popular e respeito aos direitos humanos. Ele, por sua vez, é um sistema da minoria, fundamentado no livre comércio, na consequente concentração de capital e centralização e na formação de oligopólios - já incompatíveis com a natureza universal da democracia.

O autor termina propondo soluções práticas que caminhem para a democratização da comunicação, tais como a organização da imprensa em cooperativas sem fins lucrativos, estruturadas por um conselho deliberativo e fiscalizadas por um órgão administrativo autônomo, sem subordinação com o Governo. Isso, num regime de cidadania ativa e plena liberdade de expressão.

Eu achei esse texto muito bom não apenas por discutir a Comunicação Social como meio de manipulação popular para controle de poder, mas por levantar questões essenciais sobre a Democracia e a Liberdade nos dias de hoje (e sempre, na verdade). Ele quebra o mito de que vivemos sob esses dois fundamentos - muitos chegam a pensar que o sistema capitalista é responsável por assegurar a democracia e a liberdade para as pessoas, quando o que ocorre é justamente o contrário! Há muito tempo venho voltando a esse mesmo assunto, porque concordo plenamente com essas idéias. Liberdade não se adquire num sistema que visa à competição, à injustiça social e à ambição do lucro. E Democracia não existe sem liberdade coletiva e plena. Ambas, na minha opinião, jamais existiram (e tenho minhas dúvidas se algum dia existirão).



Para terminar, uma frase que achei bacana no texto, dita por Jean Jaurès aos que criticavam seus projetos de governo socialista na França: "Os progressos da humanidade medem-se sempre pelas concessões que a loucura dos sábios é obrigada a fazer à sabedoria dos loucos".

Fotos: www.gettyimages.com e www.obritonews.com.br

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ][]
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Terça-feira, Janeiro 20, 2004


Estamos mais que acostumados a observar as secas do Nordeste e todos os castigos que elas causam para a população de lá. Época de chuvas nessa região costuma ser em inverno. Este ano resolveu ser diferente e são as chuvas (de verão) que estão castigando os moradores nordestinos. Tristes matérias como esta, do Jornal do Brasil de hoje, têm sido cada vez mais comuns nas últimas semanas:

Chuvas castigam Nordeste




"As fortes chuvas que caem no Nordeste nos últimos três dias vêm deixando milhares de desabrigados na região. Na Bahia, 10 municípios estão em estado de emergência. Em Juazeiro, a 500 km da capital, aproximadamente 1.200 pessoas estão desabrigadas. Escolas, prédios públicos e ginásios servem de alojamento.
Em Cardeal da Silva, cidade a 153 km de Salvador, a enxurrada provocou uma cena inusitada: as sete pessoas que estavam detidas na única cadeia da cidade foram libertadas ontem. Segundo a Polícia, a água invadiu a carceragem e os detentos não podiam ser transferidos. Há 1.100 pessoas desabrigadas no município.
O Estado de Sergipe também foi castigado. Quatro pessoas morreram afogadas, em conseqüência das chuvas. Segundo o governo estadual, há 5 mil desabrigados e a malha rodoviária do Estado está comprometida com a queda de pontes e trechos das estradas. Nos últimos sete dias, as chuvas mataram 47 pessoas em sete Estados brasileiros, de acordo com a Secretaria de Defesa Civil."


Eu fico me perguntando por que diabos isso acontece e ninguém faz nada. Por que ninguém constrói barragens para armazenar essa água das chuvas e reaproveita em irrigação durante o período seco. Se deu certo em áreas muito maiores que a nossa caatinga - na Califórnia e em Israel, por exemplo -, por que não fazer aqui? Ou por que não pensam no projeto de transposição do rio São Francisco (antes, é claro, fazendo um tratamento do velho Chico). Todas essas idéias são velhas, não custam tanto assim (comparado com tantas outras coisas absurdas que o governo insiste em manter) e poderiam solucionar de vez a triste situação daquele povo. Mas, por apenas um único motivozinho, não saem do papel.

Corrupção.

Os velhos coronéis ainda comandam aquelas terras, desde a velha República até hoje. Sarney e ACM que o digam. Como esperar que haja interesse e que as verbas sejam encaminhadas para os devidos lugares? Com corrupção não dá mesmo, não. E água no Nordeste só virá desse jeito, em tristes matérias, durante pequenas épocas do ano...

Matéria do JB. Foto do gettyimages.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ][]
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20 anos de MST


O Movimento dos Sem Terra nasceu em 1979, foi oficializado em 1984 e hoje completa 20 anos de existência, carregando consigo dados muito impressionantes, para uma organização que nem jurídica é. Segundo pesquisa da Unesp, "em 5.223 assentamentos em 20 Estados, em 45% (2.350) há famílias de trabalhadores rurais que participam ao menos de um setor de atividade do MST, como produção, saúde, educação, cultura e ambiente." (Folha de S.Paulo de hoje)

Ele é um dos vários movimentos que vêm permeando a História das sociedades atuais. Uma das grandes características da sociedade Moderna é a existência de movimentos sociais para tudo - feministas, pacifistas, anti-racistas, ecológicos, dos sem-terra, dos sem-teto, dos catadores-de-papel, do diabo a quatro. São grupos se unindo contra a opressão do sistema, ou da maioria, ou da minoria privilegiada, por uma causa qualquer. E usando de métodos não muito seguros - muito menos definitivos - para conseguirem o que querem. Muitas vezes conseguem atingir alguns dos objetivos; invadem terras durante vinte anos para conseguir assentar algumas famílias, por exemplo. Quando a pressão cresce insuportavelmente, podem até conseguir um fim mais definitivo - como a Reforma Agrária (sonho...).

Mas, enquanto movimentos sociais, dificilmente conseguem mesmo mudar a ordem vigente, quebrar a rotina dos poderosos e de seus súditos conformados, inverter as situações e criar novas possibilidades. Não é à toa que a Ecologia está sendo destroçada ao longo dos anos - movimentos ecológicos conseguiram mudar muitas coisas, mas viver em harmonia com a natureza é algo impensável num sistema que visa ao lucro gerado por concentração de riquezas naturais e desgaste máximo do ambiente. Não é à toa que o MST existe há 20 anos, mas, mesmo com o PT (tradicional parceiro) no poder, não consegue nenhum avanço prático e definitivo. Incra, pra quê? Reforma agrária, onde? E o MST, evoluiu? Seu respeito é merecido? Sinceramente, não acredito nos "novos velhos" movimentos sociais. Eles nunca mudarão nada.

(Mas, se eu disser que só mesmo uma Revolução mudará, alguém me chamará de ingênua ou hipócrita?)

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ][]
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Sábado, Janeiro 17, 2004


Postão do fim de semana


Reforma óbvia
A Reforma Ministerial não anda muito diferente do que todos esperávamos. Basicamente é o PMDB quem está sendo, aos poucos, colocado no poder. Cargos são oferecidos e aceitos com muita facilidade - como sempre foi, como me parece que sempre será. O PMDB não esconde o fisiologismo. E o governo aproveita, porque é o que vai garantir mais votos seguros no Congresso. Enquanto isso, mantém-se Olívio Dutra no Cidades, para que os candidatos do PT nas eleições municipais saiam beneficiados (Marta Suplicy e Fernando Pimentel devem estar gostando disso). Não esqueceram a lição de São Francisco: é dando que se recebe...


Charge homenageada de hoje:


***


Quarto FSM
Lula não foi à quarta edição do Fórum, que está sendo realizada na Índia desde ontem. Mas mandou Olívio Dutra em seu lugar. Enquanto isso, intelectuais de esquerda discutem a atuação de países pobres na reunião de setembro da OMC (com o importante passo de Lula na criação do G+) e a invasão do Iraque. Hoje, a iraniana que ganhou o Nobel da Paz no ano passado disse que Saddam deve ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional, mas também os governos dos EUA e Europa que venderam armas a ele. E concluiu com um raciocínio óbvio: "Os Estados Unidos, alegando falta de democracia, atacaram o Iraque, mas a democracia não pode ser exportada. Não podem exportar os direitos humanos com bombas. Existem muitos países sem democracia, mas eles não os atacam porque estes não possuem petróleo."

Diretas Já!
Os EUA pretendem entregar, no dia 30 de junho, o poder do Iraque a um representante iraquiano escolhido por eleições indiretas. Na quinta, 25 mil xiitas foram às ruas de Basra exigir eleições diretas. Eu acho engraçadíssimo ver o povo iraquiano exigindo a democracia que o governo estadunidense prometeu. Bush está pagando a língua - mas prefere isso a entregar o poder aos xiitas (maioria no Iraque, e prováveis vitoriosos em eleições diretas) e perder o controle sobre a nova colônia do petróleo. Os riscos de o Iraque se tornar um país fundamentalista ao estilo do vizinho Irã seriam muito altos para o fígado de Bush. Fica cada vez mais óbvio que a democracia que os EUA estavam tão desejosos de exportar para o Oriente Médio não é qualquer democracia - mas a de seus próprios interesses. Alguém ainda não sabia disso?


***


Enquanto isso, Lula vai passear
O Presidente vai pra Genebra, nos dias 29 e 30 deste mês. Mas leva consigo uma proposta interessante: uma CPMF mundial, cobrada sobre todas as operações financeiras entre países, que constituísse um fundo de combate à pobreza. A idéia é muito bonitinha, mas eu acho difícil que qualquer governo aceite aplicá-la (muito menos o dos EUA, que fazem as maiores transições). Ninguém gosta de pagar imposto, muito menos um imposto visando a ações beneficentes em países distantes. Mas se a idéia for aceita, grande será o mérito de Lula por ter surgido com uma dessas. Esse é o espírito da cooperação internacional.


O espírito da cooperação internacional chega de avião novo
O velho Boeing-707 da Presidência, conhecido como "Sucatão", foi aposentado. Agora Lula anda com um novíssimo e luxuoso Airbus-ACJ, adquirido por míseros 56,7 milhões de dólares. Afinal, presidentes precisam andar bem na fita e não passar vergonha lá fora, certo? Fretar um avião, nem pensar.




***


Fonte: Folha de S.Paulo e Jornal do Brasil. Charges (na ordem): www.chargeonline.com.br (Cellus), jornal pernambucano Jornal do Commercio (Ronaldo), jornal carioca O Dia (Aroeira), Tribuna de Minas (Bello).

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ][]
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Quinta-feira, Janeiro 15, 2004


Estou querendo comentar sobre os casos do Berlusconi, Sharon e O'Neill há um bom tempo. Mas ando meio alienada desde o Natal e ainda não peguei o ritmo de antes para ficar escrevendo coisas aqui no blog (meu medo é escrever e sair só besteira). Peço desculpas e permissão pra colocar mais um trechinho da coluna do Jânio de Freitas, publicada na Folha de ontem. Espero ansiosamente pelos comentários dos leitores e juro que responderei com as minhas próprias idéias, assim que me sentir segura para intrometer na política de novo.

Três safados


"Os assessores reagem. Só se dizia, ultimamente, que o verdadeiro terror vem das ex-mulheres de quem tem o que esconder.
Acusado, com dois filhos, de manobras financeiras ilegais, em âmbito internacional, Ariel Sharon, primeiro-ministro de Israel, conseguia sair de fininho do escândalo, lá ficando atolados os dois moços. Mas anteontem se exibiu na TV um certo David Spector, assessor importante para a vitória eleitoral de Sharon em 99, e divulgou fitas em que Sharon lhe pede para ajudar a trazer dinheiro ilegal do exterior.

Também nesta semana, Bush está confrontado com as revelações documentadas do seu ex-secretário de Tesouro, Paul O'Neill, de que a ação no Iraque não decorreu do ataque às torres de Nova York, mas já era desejada por Bush desde o início do mandato.

Para completar - por ora, espera-se que não seja a última -, Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, voltará ao banco dos réus, para responder por suborno a agentes governamentais, segundo o processo em que seu assessor e advogado Cesare Previti foi condenado à prisão pelo mesmo motivo. A volta de Berlusconi ao banco de réus decorrerá de que, na terça-feira, a Justiça invalidou a lei com que o primeiro-ministro se beneficiou de imunidade. O tribunal considerou que - lá, é claro - todos são iguais perante a lei.

Por aqui, anões maiores e menores continuam muito bem, inclusive na base governista. Mas não deixa de reconfortar um pouco o que lá fora se passa com outros cidadãos abaixo de qualquer suspeita."

Ah, por enquanto não vamos desistir do blog, não. Mas se for pra continuar, tem que ser caprichando. Então provavelmente vamos convidar outras pessoas para escrever aqui este ano, e dar uma incrementada. Aguardem!

Fotos: www.gettyimages.com

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ][]
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De volta, mas nem tanto!



Olá! Após quase três meses de ausência absoluta! Deixando o Foice e Martelo Branco ao comando exclusivo de Cristina! Abandonando alguns fãs desamparados!! Estou de volta.
PSs prévios:
-- A ausência pode ter comprometido minha habilidade de usar códigos html.
-- Estou em processo de integração com as notícias do mundo.
-- Não fomos para o top 10 do ibest!


Começando com uma fácil só pra ir aquecendo::

O Fichamento!



Pra quem saiu de órbita na última semana, o juiz federal Julier Sebastião da Silva decretou que todo americano que entrar no país terá sua foto e impressão digital "fichadas".
Tudo começou com as medidas de segurança do governo estado-unidense. Esse considerou alguns países como de risco potencial e resolveu que todos os visitantes nativos desses países, seriam identificados no aeroporto, para possíveis investigações futuras. Seguindo a filosofia: O mundo todo é culpado até que NÓS provemos o contrário.
No Brasil, freqüentemente adotamos a política diplomática da "reciprocidade", ou seja, fazemos com os outros o que fazem com a gente. Por exemplo: Brasileiros não precisam de passaporte para desembarcar na Inglaterra, portanto ingleses não precisam de passaporte para entrar no Brasil...
Bom, mas uma coisa é beneficiar-se mutuamente, outra, quando colocamos o dedo na ferida de um e de outro. Nesse caso. O juiz do Mato Grosso entendeu as medidas lá de cima como um ataque pessoal à nação e decretou que todos os americanos chegando no Brasil, seguindo o mesmo princípio, seriam fichados. Ou seja, estamos identificando o povo como medida de segurança, mas a diferença principal é que nós não possuimos um banco de dados tão "eficiente" (supostamente) quanto ao dos países desenvolvidos, e a coisa toda começou a ser vista como "birra" ou resposta "mal-criada". Afinal, mesmo com os novos aparelhos de identificação, importados -dos EUA, creio-, nossa informatização policial e aparelhagem ainda estão aquém às necessárias para construção de um sistema.
Ainda existem os danos que essa medida possa trazer ao turismo. Li em algum lugar algo que achei interessante: O americano é muito desinformado para tomar conhecimento dessa medida... Assim, os turistas não se sentiriam ofendidos, ou mesmo prejudicados pela ação, pelo simples fato de desconhecerem-na até poucos minutos antes do pouso do avião. Acredito nessa versão, mas também acredito que, mesmo sabendo do procedimento, os americanos já estão tão acostumados aos excessos cometidos pelo seu sistema de segurança que não estranharão ter que fornecer a impressão digital e sua foto.
Também há casos como o do piloto americano, que, no auge de sua arrogância, desrespeitou os policiais brasileiros com um "gesto obceno". E isso nos leva a terceira questão: A afirmação da soberania de um país em desenvolvimento. Isso mesmo. Ainda apontada como algo negativo por críticos que alegam que o "Brasil pensa ser alguma coisa", pessoalmente acho necessário que o país "pense" ser mesmo importante, e não aceite ser discriminado somente por ser menos desenvolvido.


PS: Ainda tenho alguns vestibulares a fazer, mas, aos poucos, entro no ritmo do blog outra vez!
Imagem: Reuters

por MARIA TEREZA NOVO DIAS [ Fala aí: ][]
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Terça-feira, Janeiro 13, 2004


Um trechinho da coluna do Jânio de Freitas, na Folha de hoje.

"Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles volta de uma reunião com representantes de bancos internacionais trazendo, mais uma vez, a cobrança que fazem de uma lei que dê plena autonomia ao BC brasileiro.
O argumento pela cobrança é definitivo contra a cobrança. Está mais do que provado, desde os empréstimos ingleses há século e meio, que o que é bom para os bancos internacionais é ruim para o Brasil."

Estou pensando em reformular o blog, dividir por temas, talvez restringir os assuntos. Mas, antes, preciso saber a opinião de vocês e da TT (ainda na maratona dos vestibulares). Por enquanto, estamos na mesma.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ][]
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Segunda-feira, Janeiro 12, 2004


Finalmente de volta, com um texto bastante polêmico - para dar uma apimentada no blog neste novo ano. Cuba resiste, solidariamente é um artigo escrito por Frei Betto e publicado na Folha de S.Paulo do dia 4/1. Uma pequena homenagem minha aos 45 anos de revolução cubana:

Cuba resiste, solidariamente
FREI BETTO


A Revolução cubana completa, contra vento e maré, 45 anos, sobre uma quádrupla ilha: a geográfica, a política (Cuba é o único país socialista do Ocidente), a que decorre da exclusão da OEA e a imposta pelo bloqueio americano. Em condições tão adversas, é surpreendente que tenha resistido a dez presidentes dos Estados Unidos, a 20 diretores da CIA e ao efeito dominó causado pela queda do Muro de Berlim.

O motivo é o apoio popular à soberania encarnada na figura carismática de Fidel. Dos 11 milhões de habitantes, a minoria rica há tempos abandonou a ilha. A maioria sabe que, apesar das dificuldades, o país apresenta índices sociais superiores aos das nações mais ricas do continente. Segundo a ONU (julho/2003), a esperança de vida em Cuba é de 76,5 anos, inferior apenas à da Costa Rica (77,9). É a nação mais alfabetizada da América Latina: 96,8% dos adultos. Dispõe de 1 médico para 400 habitantes. A mortalidade infantil atinge 7 em cada 1.000 nascidos vivos -o mesmo índice sueco. Todo o sistema de educação e de saúde é inteiramente gratuito.

Se Cuba é socialmente tão avançada, a ponto de merecer elogios de João Paulo 2º quando a visitou, em 1998, por que há quem fuja do país? O Brasil tem 3 milhões de cidadãos vivendo fora de suas fronteiras. A diferença é que a economia cubana, socializada, não admite turismo individual no exterior, leia-se, evasão de divisas para satisfação própria.

O que não impede que cubanos viajem mundo afora, em missões científicas, artísticas, comerciais e diplomáticas, em geral bancados pelo Estado.

Hoje, há médicos e professores cubanos em mais de 40 países do Terceiro Mundo, inclusive no Brasil, trabalhando em áreas consideradas "desprezíveis" por muitos profissionais formados no capitalismo.

Dos que se foram de Cuba, fascinados pelo "american way of life", não conheço nenhum que esteja empenhado em melhorar as condições dos pobres nos países que os acolheram. Pelo contrário, os cárceres dos EUA estão repletos de cubanos evadidos.
Viver em Cuba exige altruísmo, como viver em comunidade ou, por exemplo, num convento. O "nosso" deixa pouco espaço para o "meu". Como o egoísmo é a nossa tendência negativa mais forte, não são todos que suportam a idéia de que nunca poderão ficar ricos e desfrutar das quimeras que o dinheiro promete.

Para quem é rico no Brasil, por exemplo, onde os 10% mais privilegiados possuem 42% da renda nacional (e os 10% mais pobres dividem entre si 0,9%), viver em Cuba é estar condenado ao inferno: nada de carro do ano, férias no exterior, consumo supérfluo ou o prazer de ingerir, em poucos minutos, uma bebida mais cara que o valor do salário mensal do empregado que a serve.
Para quem é classe média, é padecer no purgatório: a burocracia, o partido único, as dificuldades impostas pelo bloqueio. Mas, para quem está desempregado ou é assalariado, é conhecer o céu: em Cuba não há desemprego, favelas e violência urbana.
E todos têm assegurados os três direitos básicos: alimentação, saúde e educação. Qual outro país no continente garante tais direitos humanos ao conjunto de sua população?

Em 45 anos, a Revolução cometeu muitos erros, mas nenhum tão grave para levá-la ao fracasso. Dizia-se que Cuba se mantinha graças à União Soviética. Esta desapareceu e nem por isso a Revolução submergiu.

Incluo-me entre os que condenam os fuzilamentos que ali ocorrem. Mas não ouço o coro de protestos lembrar que, enquanto governador do Texas, Bush assinou 152 condenações à morte. Nenhum de nós é capaz de imaginar uma base cubana encravada na Califórnia. Porém o senso comum parece admitir, sem indignação, que haja uma base americana em Guantánamo, agora transformada em masmorra de afegãos, supostos terroristas privados do mais elementar direito de defesa.

Pode-se criticar Cuba em muitos aspectos, mas não há como exigir distensão política enquanto a espada de Dâmocles do bloqueio americano pesar sobre o seu pescoço. Se Cuba é tão horrível, por que atrai mais turistas que o Brasil, e a Casa Branca não permite, contrariando todas as leis internacionais, que a ilha mantenha relações diplomáticas e comerciais com o resto do mundo?

Com ou sem Fidel, Cuba terá de mudar, pois a história é implacável. Espero, contudo, que seu futuro não seja o presente do resto da América Latina: democracias formais cercadas de miséria, drogas, violência e desemprego por todos os lados.

E que, no futuro, permaneça, à saída do aeroporto José Martí, em Havana, este painel de boas-vindas a quem chega ao país: "Esta noite, milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma delas é cubana".

Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, frade dominicano, é escritor, autor de "Gosto de Uva", entre outros livros, e assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

por CRISTINA CASTRO [ Fala aí: ][]
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