online
Manchetes de Hoje
MG tem 77% dos carros ilegais Hoje em Dia, MG Apenas 910 mil dos 3,9 milhões de automóveis circulam dentro da lei. Quase 40% dos proprietários ainda não pagaram o IPVA deste ano. Governo quer controle do Ministério Público Estado de Minas, MG 2,4% das famílias detêm 33% da riqueza Folha de S.Paulo, SP Em 1980, 1,8% das famílias eram consideradas ricas, ou seja, tinham renda mensal superior a R$ 10.982, em valores de hoje. Bastos defende controle externo do MP O Estado de S.Paulo, SP Ministro da Justiça disse que também defende a chamada Lei da Mordaça, que proíbe a divulgação de informações por procuradores e promotores; O presidente do PT, José Genoíno, é contra. Desemprego apavora brasileiro Jornal do Brasil, RJ Pesquisa encomendada ao Ibope pela Confederação Nacional da Indústria revela que 63% temem perder o emprego, dos quais 40% confessam estar apavorados com essa possibilidade. Assassino quis confessar, mas polícia não o ouviu O Globo, RJ Preso acusado de matar casal Staheli. Planalto admite que duplicação da BR-101 não começa em 2004 Zero Hora, RS Ontem o Dnit admitiu que a inexistência de contrato de financiamento com o BID deve jogar para o ano que vem o começo da obra. Governo quer salário mínimo de R$270 O Liberal, PA A proposta definitiva só deverá ser anunciada na próxima semana. PMs de todas as patentes vão discutir gratificação e greve Correio da Paraíba, PB Eles acusam o Estado de descumprir decisão judicial para o pagamento das gratificações concedidas no Governo anterior. Água mineral e gás ficam mais caros Jornal do Commercio, PE O botijão de 20 litros de água mineral subiu cerca de 30% para o consumidor. O gás de cozinha teve aumento de 10%. Câmara abre processo para cassar Xavier Correio Braziliense, D Localizam uma bomba com mais de 10kg de explosivos em Toledo El Pais, ESP Bush impede que documentos do governo Clinton sejam vistos pela Comissão sobre o 11/9 The New York Times, EUA



Os 40 anos do golpe militar que trouxe e ditadura ao Brasil estão trazendo agora diversas reportagens e artigos especiais nos jornais que, naquela época, apoiaram a turma de Castello Branco. Se isso não é ironia, ainda estou por descobrir o que é. Várias coisas interessantes estão sendo publicadas e farei um recorte de algumas delas, publicadas no jornal Folha de S.Paulo e no caderno especial do OGlobo.

Recortes de um Golpe explícito



"A vitória do movimento de 31 de março representou um grande alívio para a enorme maioria do povo brasileiro."
Carlos de Meira Mattos, general do Exército que participou da ditadura, faz uma defesa entusiasmada do golpe (que ele considera como "revolução"), publicada na página 3 da Folha (que coisa, não?). "O dia 31 de março de 1964 foi, sim, o marco que coroou a resposta da grande maioria dos brasileiros, apoiada pelas Forças Armadas, ante as ameaças e as tentativas de implantação de um regime político incompatível com a nossa vocação de viver numa sociedade livre e democrática." Hoje ele está com 90 anos. Mas não respeito suas rugas.

Hoje o comandante do Exército, Francisco Albuquerque, lerá em todos os quartéis uma nota: "Veja o 31 de março de 64 como uma página de nossa história, com o coração livre de ressentimentos. Homenageie esse fantástico povo brasileiro, exemplo da gente pacificadora, que conquistou a convivência harmônica e busca, otimista, o bem comum. Gente que também anseia por mudanças obtidas com segurança e apoiadas no respeito ao próximo". É realmente muito cômodo que se esqueça o passado e que ele seja encarado apenas como uma "página da História".

¿Os componentes da seção de investigações são altamente capacitados a executar operações sigilosas e, com o mesmo desembaraço e eficiência, executam ações violentas, se for o caso¿. Isos é o que Freddie Perdigão Pereira, major que participou do DOI do I e do II Exército, escreveu na monografia que revela como foi montada e funcionou a máquina de torturar e matar da repressão nos anos da guerra suja. Já era 1978 e "o terrorismo havia sido aniquilado". Mas a violência não acabara, como se vê.

"¿ Só assumirei com Tancredo. Você já pensou o que significa para o povo brasileiro, que esperou vinte anos por esta data, ver, em lugar de Tancredo, assumir eu, ex-presidente do PDS? Não, Ulysses, eu tenho sentido de autocrítica." José Sarney nos conta sua angústia ao ver que Tancredo estava morrendo e ele teria que assumir. Um cara que esteve ao lado da Ditadura durante todos os anos ser o primeiro Presidente do Brasil "democrático" de 85 era irônico demais para ser verdade (não que Tancredo fosse algum santo, longe disso). Se Sarney tinha mesmo autocrítica, devia estar realmente angustiado.

Fernando Rodrigues, em sua coluna da Folha de hoje, mostra como o Brasil conheceu o crescimento econômico (e "miraculoso") durante a Ditadura, ao contrário das crises sucessivas desde Sarney. Flávia Oliveira, no OGlobo, mostra que os investimentos em capital físico, que fizeram o país crescer, foram inversamente proporcionais aos da área social. A conseqüência disso foi uma redução momentânea da pobreza e um grande aumento da desigualdade e da concentração de renda. O economista Carlos Geraldo Langoni explica: "O Brasil sofria de subinvestimento em capital humano, fator vital para o crescimento de longo prazo. A modernização tecnológica aumentaria a demanda por trabalhadores qualificados. Havia empregos para os não qualificados, porque o país crescia muito. Mas eles ganhariam cada vez menos."

E, é importante que se diga, o golpe ainda lançou algumas sombras nos períodos mais recentes da História do Brasil (ou alguém realmente acredita em Democracia?). FHC sancionou, no fim do seu mandato, um decreto de lei que aumentou os prazos de abertura de documentos a partir da data de sua produção. No caso dos considerados ultra-secretos, o prazo passou de 30 para 50 anos, com possibilidade de mais prorrogações. Isso significa que várias pesquisas sobre fatos ocorridos durante a Ditadura, como a localização dos corpos dos guerrilheiros mortos no Araguaia, simplesmente não podem ocorrer. Carlos Fico, professor da UFRJ que coordenava uma pesquisa em documentos do SNI, considera o decreto inconstitucional e foi um dos que já alertou o Presidente Lula. Qual é o interesse de um governo do PT em esconder fatos históricos? Qual era o interesse do governo-PSDB? Para mim, sinceramente, não faz o menor sentido.

Quarta-feira, Março 31, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------



A que venho


Fui convidado pela Cristina para ser um dos colaboradores do blog que ela comanda tão bem ao lado da TT. Como velho leitor, senti-me honrado. Mas um pouco desconfortável, quando recebi como missão criticar o governo. Explico: em 32 anos de jornalismo, o que sempre fiz foi criticar o governo, sempre que possível. Por que o desconforto, agora? É que, de repente, me senti companheiro da Veja, que tenta tutorar Lula, para que ele continue governando mal e porcamente, deixando que Antônio Palocci faça o que faz. Ou seja, cortando investimentos e gastos sociais do governo, para pagar os juros mais altos do mundo aos agiotas internacionais que se abrigam sob as asas do FMI e do governo americano.

Juros pagos religiosamente sobre o valor de face dos títulos brasileiros, mesmo quando eles são comprados no mercado internacional por metade do valor. Não há negócio mais rendoso no mundo do que ser credor de títulos do governo brasileiro. É preciso apenas coragem para arriscar. O Banco Itaú que o diga. Um negócio tão bom, que o atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, se viu, há alguns anos, alçado a um dos mais altos postos do Banco de Boston, porque a filial brasileira era a que mais dava lucro em todo o mundo. Agradecido pela honra, ele continua garantindo o lucro deste e de todos os outros bancos que acreditam no futuro do Brasil...

Quanto ao povo... ora, o povo!

Mas, cá estou eu, coleguinha da Veja. De Diogo Mainardi...

Por sorte, governo não se restringe ao Federal. Tenho à disposição da minha pena (Pena? Bons tempos!), do meu teclado Troni 2000, o governo de Minas. Em 10 minutos, caminhando, vou de minha casa ao Palácio da Liberdade, onde impera o neto de Tancredo, Aécio, que está sendo preparado pela direita brasileira para ser presidente da República. Somos praticamente vizinhos, e ficarei de olho nele. Deste meu canto, serei a oposição, que ele não tem na Assembléia Legislativa, no Judiciário e na Imprensa. Uma pobre oposição, mas que fazer?

Enquanto escrevo estas bem traçadas linhas (graças ao Troni 2000), Aécio viaja para o interior de Minas - uma variante desconfortável do seu roteiro costumeiro, o Rio - prometendo asfaltar até 2006 as estradas de acesso a 224 municípios mineiros ainda não beneficiados com estradas estaduais ou federais asfaltadas. O programa Proacesso, lançado por Aécio neste 24 de março, exigirá investimentos de mais de R$ 1 bilhão, até 2006, dos quais US$ 100 milhões prometidos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que também tem interesse em asfaltar o acesso do governador de Minas à Presidência da República.

Obras em rodovias sempre foram escoadouros de recursos públicos, principalmente quando o governo não tem oposição, como acontece agora em Minas. O PT, que sempre exerceu esse papel em governos anteriores, está na muda, assistindo ao namoro de Lula e Aécio, que deve durar até que os dois comecem a disputar, para valer, a sucessão presidencial. Não será por agora, pois, a menos que o governo Lula (e petista) se torne inviável, ele e Aécio vão disputar a reeleição. Como oposição solitária, ficarei de butuca - não em cada curva da estrada, mas neste blog.


Terça-feira, Março 30, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------



Pessoas que discutem muito a Política ou estão muito acostumadas a ler notícias frustrantes nos jornais diários chegam, vez por outra, a um estado de desânimo e descrença absolutos. É o ponto de saturação - que pode ou não durar pouco, mas sempre acaba surgindo. Nada mais justo, então, que um blog que trata de temas da Política que nos dão motivos de raiva publique um post sobre a raiva de ter raiva. Sobre o desgaste que tudo isso nos causa e a vontade, às vezes inevitável, de desistir da discussão e buscar o abrigo seguro da alienação. É claro que não dura muito (sorte nossa!), mas são desabafos válidos para a renovação da cabeça e das idéias. Aí vai a coluna do Arnaldo Jabor, publicada no O Globode ontem, para traduzir o espírito da coisa:

Brasil e o mundo podem prejudicar a sua saúde


Minha profissão é ver o mal do mundo. Um dia, a depressão bate. Não agüento mais ver a cara do Bush ostentando rugas na testa de preocupação com o nosso destino (que ele azedou), não agüento mais o Lula de boné dançando xaxado, não agüento ver o Sarney feliz, mandando no país, guardando o PT no bolso do jaquetão, enquanto os petistas, comunistas, tucanistas e fascistas discutem para ver quem é mais de esquerda ou de direita, enquanto o país afunda em violência e miséria, com o Estado sendo loteado entre esquerdistas sem emprego; não dá mais para ouvir que há transgênicos de esquerda ou de direita, principalmente quando ninguém consegue impedir as queimadas na Amazônia; passo mal também quando vejo a cara dos oportunistas do MST, com a bênção da Pastoral da Terra, liderando pobres diabos para a revolução contra o capitalismo, não agüento secretários de Segurança falando em forças-tarefa, em presídios perfeitos que não conseguem nem bloquear celulares, não suporto ver que o Exército se recusa a ajudar na repressão ao crime, com generais tão eficazes para arrasar a guerrilha urbana nos anos 70, não suporto a polêmica desenvolvimento x austeridade, planos B, C e D, tenho horror do Fome Zero, tenho enjôo com vagabundos inúteis falando em utopias, bispos dizendo bobagens sobre economia, acadêmicos rancorosos decepcionados com Lula, não agüento mais ver a República tratada no passado, nostalgias de tortura, heranças malditas, ossadas do Araguaia e nenhuma idéia para nosso futuro, não tolero mais a falta de imaginação política, a retórica da impossibilidade sem saídas pontuais e originais, e vejo que a única coisa que acontece é que não acontece nada e que os juros baixos não acontecem nunca e penso: "Ahh... se os homens de bem tivessem a imaginação dos canalhas!". Não aturo mais essa dúvida ridícula que assola a reflexão política: paciência x voluntarismo, processo x solução, continuidade x ruptura. Passo mal vendo político pedindo CPI para se lavar, deprimo quando vejo a militância dos ignorantes, a burrice com fome de sentido, o vice Alencar no bordão da queda dos juros, e o Palocci dizendo que não dá pé. Tenho engulhos ao ver essa liberdade fetichizada que rola por aí, produto de mercado, ao ver êxtases volúveis de clubbers e punks de boutique, livres dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias, buscando ideais como a bunda perfeita, bundas ambiciosas, querendo subir na vida, bundas com vida própria, mais importantes que suas donas, odeio recordes sexuais, próteses de silicone, sucesso sem trabalho, a troca do mérito pela fama, não suporto mais anúncio de cerveja fazendo competição entre louras burras e Zeca Pagodinho jogado numa cilada, detesto bingo, pitbulls, balas perdidas, suspense sobre espetáculo de crescimento, abomino a excessiva sexualização de tudo, com bombeiros sexy engatados em mulheres divididas entre a piranhagem e a peruíce, o sexo como competição de eficiência. Onde está a sutileza calma dos erotismos delicados? Onde, o refinamento poético do êxtase? Repugna-me ver sorrisos luminosos de celebridades bregas, passo-de-ganso de manequim, saber quem come quem na "Caras", mulher pensando feito homem, caçando namorados semanais, com essa liberdade vagabunda para nada, horroriza-me sermos um bando de patetas de consumo, como crianças brincando num shopping, enquanto os homens-bomba explodem no Oriente e no Ocidente, não agüento mais cadáveres na Faixa de Gaza e em Ramos, ônibus em fogo no Jacarezinho e trens sangrando em Madri, museu de Bilbao, museus evocando retorcidos bombardeios, sem arte alguma para botar dentro, a não ser sinistras instalações com sangue de porco ou latinhas de cocô do artista, não agüento mais chuvas em São Paulo e desabamentos no Rio, gente afogada na Nove de Julho, enquanto a Igreja Universal constrói templos de mármore com dinheiro dos pobres e destrói a religião negra da Bahia, enquanto formigueiros de fiéis bárbaros no Islã rezam com os rabos para cima. Não agüento mais ver xiitas sangrando, dançando e batendo na cabeça no tão esperado século XXI, enquanto Bush reza na Casa Branca e o Dick Cheney, sujo de petróleo, fala em democracia no Iraque. Não agüento mais ver que a pior violência é o acostumamento com a violência, pois o mal se banaliza e o bem vira um luxo burguês. Não admito mais ouvir falar de globalização, enquanto meninos miseráveis fazem malabarismo com bolinhas de tênis nos sinais de trânsito do Rio. Não suporto o sorriso de Blair, a cara constrangida de Colin Powell, as pernas lindas de Condoleeza Rice, que me excita ao pensá-la em sinistras sacanagens na noite de Washington. Não agüento cariocas de porre falando de política, festas de celebridades com cascata de camarão, matéria paga com casais em bodas-de-prata, evangélicos intocados pela lei, novas forças-tarefa, Lula com outro boné, políticos se defendendo de roubalheira falando em honra ilibada, conselhos de notáveis para estudar problemas sem solução, anúncios de celular que faz de tudo, até boquete. Dá-me repulsa e lágrimas ver mulheres-bomba tirando foto com os filhinhos antes de explodir e subir aos céus dos imbecis, odeio Sharon e Arafat, a cara de sábia estupidez dos aiatolás, o efeito estufa, o derretimento das calotas polares, casamento gay, pedofilia perdoada na Igreja, Chavez e seus referendos, Maluf negando, Pitta negando, o Sombra negando, enquanto juízes corruptos reclamam do controle do Judiciário, e o Papa rezando contra a violência sem querer morrer jamais. Não agüento mais Cúpulas do G7, lamentando a miséria para nada, e tenho medo que o Kerry, que tem uma cara duvidosa de ponto de interrogação, com aquele queixo de caju, perca a eleição, entregando o mundo à gangue do Mal. Tenho medo de tudo, inclusive da minha antiga e endêmica depressão, essa minha vã esperança iluminista. E tenho medo, acima de tudo, que as pessoas não agüentem mais a democracia e joguem o país de vez no buraco. Daí a dúvida: tomo cianureto no champanhe ou formicida com guaraná?

Segunda-feira, Março 29, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------

O colunista humorístico responsável pelo post de ontem deu um bolo básico (talvez pelo meu aniversário...) e só vai publicar na semana que vem. Agora a seção de humor será quinzenal, como as outras, e ainda estamos pensando no que colocar em seu lugar. Desculpem a confusão e a falha nas Machetes de hoje (minha conexão esteve com problemas).



A Ditadura camuflada


Em todos os lugares só se fala dos 40 anos de Golpe da Ditadura no Brasil. O golpe duro, do dia da mentira, que trouxe muitas conseqüências para a forma de lidar com Política no Brasil, ainda é recente demais para ser analisado a fundo. Mas algumas coisas já podem ser questionadas. Por exemplo: vemos a Folha de S.Paulo fazer propaganda hoje em cima de uma postura corajosa contra a ditadura e a censura, que ela supostamente tinha. E será que tinha mesmo? Quantos foram os grandes jornais (a Folha não era grande na época, mas estava longe de ter vendagem de alternativo) que realmente sofreram nas mãos da Censura? Que não se submeteram aos interesses dos golpistas no poder? Que preferiram a postura jornalística corajosa à submissão fácil? Há muita ilusão a respeito do Golpe. Na época, era chamado pelos golpistas de "Revolução" (ai, meu fígado!). O povo, com exceção dos intelectuais, era iludido pela mídia e pela propaganda oficial e ignorava sinceramente a ditadura. Se viam numa luta patriótica contra comunistas malvados - e nada mais. Hoje, 40 anos mais tarde, a ilusão ainda existe - mesmo que os santos e os capetas da história tenham trocado de lugar.

Ainda há muito a se discutir sobre a Ditadura. Quem está no poder até hoje, desde aquela época, ajudando o PT? Sarney, ACM, Maluf, são todos velhos capetas. Quais foram os verdadeiros "heróis" da Democracia, e quais métodos usavam? O que é fato e o que é mentira? Espero poder discutir isso mais a fundo nas próximas semanas (contando com a ajuda do Fernando), mas hoje paro por aqui. Com a sugestão de que leiam a entrevista com o jornalista Mino Carta ao site da AOL.

"A Folha de S. Paulo nunca foi censurada. Até emprestou a sua C-14 [carro tipo perua, usado na distribuição do jornal] para recolher torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban [Operação Bandeirante]."

Cliquem aqui.



Domingo, Março 28, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------

Manchetes de hoje


Cai a popularidade de Lula
Hoje em Dia, MG
Caiu de 66% para 54%, revela pesquisa CNI/Ibope, já refletindo a crise envolvendo o caso Waldomiro Diniz.

Cai popularidade de Lula
Estado de Minas, MG

Aprovação de Lula cai 12 pontos, diz Ibope
Folha de S.Paulo, SP

Déficit das estatais é o maior é 13 anos
O Estado de S.Paulo, SP
Rombo de R$ 3,2 bilhões foi causado pelo pagamento antecipado de dividendos, segundo o Banco Central. É o pior resultado desde 1991

Lula e governo perdem apoio popular
Jornal do Brasil, RJ

Caso Waldomiro derruba a popularidade de Lula
O Globo, RJ


Magistério gaúcho deflagra a 13ª greve em 25 anos
Zero Hora, RS
O magistério pede o mesmo reajuste concedido ao Judiciário no ano passado: 28,8%.


Superpopulação de caracol é ameaça à saúde em Belém
O Liberal, PA


PSS: avaliação mostra que alunos desconhecem até sigla como ONU
Correio da Paraíba, PB
Alguns desconhecem onde fica a África

Escândalo derruba confiança em Lula
Jornal do Commercio, PE


Distritais discutem cassação de Xavier
Correio Braziliense, DF


Milhares de pessoas vão a comício organizado pelo PP em Madri
El Pais, ESP

Líderes do G.O.P. tentam desacreditar crítica feita a Bush
The New York Times, EUA



PS: Parabéns para a Cristina que faz 19 anos hoje!!

Sábado, Março 27, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------



Minha nação, minhas guerras...


" - Geralmente é assim: um país ofende gravemente o outro.
- Um país? Não entendo isso. Uma montanha na Alemanha não pode ofender uma montanha na França. Nem um rio, nem uma floresta, nem um campo de trigo."

(Erich Maria Remarque, Nada de Novo no Front, 1928)


Completado um ano de guerra no Iraque, cria-se uma imagem de "Nova Ordem Mundial", muito mais completa do que a expressão empregada por Ronald Reagan nos anos 80. A nossa Nova Ordem Mundial é medonha e possui uma série de problemas a resolver: o tráfico de drogas, o terrorismo, os altos índices de criminalidade urbana, as densidades demográficas irregulares, a Pepsi Twist... Depois da queda do muro de Berlim, alguém realmente esperava um mundo melhor? Ou pelo menos um mundo sem conflitos internacionais?

Em 1914, quando os alemães entraram em guerra com os sérvios, os franceses, os ingleses e os russos devido à aliança feita com os austríacos, se prenunciava que seria como todas as guerras do século XIX. Empregaria um mínimo de forças armadas, buscaria a conquista imediata de pontos geograficamente estratégicos e não utilizaria da ciência e da tecnologia para a formação militar. Do contrário, a Primeira Guerra Mundial empregou o maior contingente militar europeu já visto em um conflito internacional (só será superada pela Segunda Guerra Mundial). Além disso, a ciência e a tecnologia conheceram uma série de avanços voltados para a lógica da guerra, como a metralhadora automática, os tanques blindados e os bombardeios aéreos. E no início o conflito fora apoiado por diversos políticos nacionais. Salva exceção dos pacifistas "zimmerwaldianos" - socialistas que apoiavam a Segunda Internacional contra a guerra imperialista - não houvera posição nacional contrária à guerra...havia se criado com tal força o "espírito da nação" em países como a Inglaterra, a Alemanha, a França e a Rússia que acabou-se ignorando os conflitos internos em prol de uma unidade absoluta. Estava aí a semente do fascismo da década seguinte.

A visão de que a nação é um espírito supremo e soberano sobrepassava classes sociais em muitos casos. A máxima do Kaiser Guilherme II na Alemanha pré-1914 já indica o que é acontecia nesse país, que recém fôra criado por manobras políticas: "Acima da Alemanha nada. Apenas Deus é maior que a Alemanha." A mais consistente forma de criar uma identidade acabou sendo a guerra internacional e a supressão das lutas de classes internas. O operário que fazia propaganda contra o governo era um traidor da pátria e como tal era punido, às vezes, até por outros operários. Criou-se o pensamento médio nacionalista, de que essa entidade poderosa, a mãe-pátria, era responsável pela formação de todos os indivíduos e esses, por sua vez, deviam algo a ela. Nem que fosse a própria vida.

O sentimento nacionalista não ficara restrito apenas no Velho Mundo. Nos Estados Unidos, o "destino manifesto" da segunda metade do século XIX prenunciava uma era de nacionalismo ferrenho, onde os "gloriosos anglo-saxões" mostrariam sua força para os povos híspano-mouriscos. A prova disso foi a guerra imperialista entre Estados Unidos e Espanha, em 1898, que concedeu as Filipinas e Cuba ao domínio colonial norte-americano. A identidade política nacionalista, no entanto, só foi criada após as duas guerras mundiais. Até então, como um comentarista dos anos 30 afirmara: "Não existe país mais propício ao comunismo do que a América". Já na América Latina, vários países adotaram os elementos da identidade nacional, mas suas condições econômica e a instabilidade política fizeram com que o nacionalismo se manifestasse apenas no final do século XIX e só criasse bases políticas no século XX. Na Ásia e na África, apenas com o final da Segunda Guerra Mundial e com os processos de descolonização é que o nacionalismo pôde ser fortalecido, mas de uma forma completamente sui generis, confrontando até mesmo a percepção colonalista (que até hoje estipula fronteiras em ambos continentes).

No entanto, o maior problema do nacionalismo é que ele abrange uma esfera metafísica muito instável. A afirmação da nação como elemento sagrado cria uma identidade quase que divina, estabelecida como "mãe-pátria". Não se pode considerar o nacionalismo uma mera religião, até mesmo para evitarmos simplificações grosseiras. No entanto, por ser um elemento sagrado, é necessário lembrar que em qualquer ritual não há espaço para dois elementos sagrados. A nação soberana implica o reconhecimento da soberania de outra nação, um elemento instável, ainda mais quando alimentado pelo nacionalismo exacerbado. Os grandes conflitos nacionais do mundo contemporâneo mostram-nos a incapacidade de dois elementos sagrados dividirem o mesmo espaço. O conflito Israel-Palestina, por exemplo, que impede uma convivência pacífica de duas nações em um espaço geográfico limitado, ou o conflito entre servos kosovares e albaneses, uma demonstração clara de quão destruidor o nacionalismo pode ser.

A questão, no entanto, é que o nacionalismo é um elemento perdido em contradições nos dias de hoje. Com o novo processo de liberalismo econômico e a reestruturação de uma homogeneização política-cultural ele se alimenta da insatisfação com a globalização. A globalização tende a ter como contraste as posições nacionalistas. A guerra dos países volta a acontecer no século XXI, mas com um novo ponto de desequilíbrio: a internacionalização total do capital e do modus viventi dominante. Como no romance de Erich Maria Remarque, quando o soldado interroga o companheiro de como pode um país ofender o outro, questiona-se agora quem é esse país, quem é essa nação. Como seu conceito se alterou para o século XXI e quantos mais vão morrer em guerras pelo seu nome.

Sexta-feira, Março 26, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------



*Desemprego - A taxa de desemprego subiu, em janeiro era 11,7% no mês de fevereiro foi para 12%, em fevereiro de 2003 era 11,6% .... Alguém lembra quantos milhões de novos empregos foram prometidos durante a campanha?
O programa primeiro emprego foi criado... E já criou 500 vagas....

*Hamas - Os EUA foram contra a condenação do assassinato do líder do Hamas pelo exército israelense.... Deram seu parecer ao conselho de segurança da ONU, todos os outros países foram a favor... O embaixador americano classificou como "parcial e desbalanceada" a decisão dos outros países.... Não tenho nem idéia de como classificar a dele então...

Quinta-feira, Março 25, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------


Já que tá na moda...

Problemas menores, que nos deixam com raiva:

Jovens de classe média, classe média alta, reúnem-se , escolhem um alvo e partem para o ataque. Espancam covardemente pessoas mais fracas, riem e fogem. O objetivo fica claro após exames nas vítimas, não era só agressão. Eles queriam matar, e matar sem motivo, só por diversão.
De vez em quando são presos, ficam dois dias na cadeia e saem. Quando aparecem na televisão, seus parentes e amigos emocionados reclamam da rigidez da lei.... Seus filhos limpinhos, com a carinha de anjo, sorrisos brilhantes - consertados por anos de tratamento ortodôntico caro-; enclausurados com os mesmos desdentados, imundos que assaltam, traficam, assassinam.
Alguém ainda lembra do assassinato de dois jovens de classe média algum tempo atrás? Aquele que levantou a discussão sobre a redução da maioridade? Alguém duvida que essas mesmas pessoas que protegem seus filhos - assassinos em potencial, inconseqüentes, mimados - Estavam discutindo, após o jornal nacional, com suas famílias na mesa de jantar, o horror que era a violência nos dias de hoje, que aqueles menores eram "monstros" não mereciam a vida, etc. etc.
O que vai acontecer daqui pra frente? Nada.
Algo está errado, neste caso não podemos culpar a miséria. Falta de palmada, drogas, repressão sexual, tédio, esquizofrenia violenta. Justificativas existem para todos os casos. Quem a gente vai culpar?

PS: Não espero que pais fiquem contra seus filhos, mas realmente espero que esses pais não justifiquem as ações dos pimpolhos.

Quarta-feira, Março 24, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------



Paz no Inferno?


Israel matou o maior líder do Hamas, o xeique Ahmed Yassin. Muito bem - e viva a burrice de SSharon! Ele esperava desestruturar o grupo palestino? Facilitar os acordos de Paz? Melhorar a vida dos israelenses? Será que havia mesmo algum objetivo claro por trás desse assassinato?

Bem, por trás eu não sei - mas pela frente já veio muita coisa:

- Não bastassem os mísseis lançados por helicópteros na Faixa de Gaza, que mataram o líder espiritual, hoje quatro tanques, quatro escavadeiras militares e oito jipes do Exército israelense arrasaram vários campos de cultivo da região (nenhuma novidade para suas práticas habituais).

- Ao longo do dia, como seria de se esperar, vários árabes se reuniram nas grandes cidades de Israel, especialmente em Nazaré, para protestar contra essas atitudes autoritárias e arbitrárias do governo judeu. Este respondeu com balas de borracha contra os manifestantes.

- Paralelamente a tudo isso, milicianos palestinos lançaram um míssil contra um tanque israelense ao sudeste de Gaza, em um ataque assumido conjuntamente pelas Brigadas dos Mártires de al-Aksa e as Brigadas de Izzadin al-Kassam, braço armado do Hamas. Israel revidou com outras explosões.

- Para aumentar ainda mais a tensão da novela, Abdelaziz Rantissi foi nomeado substituto de Yassin. Ele é considerado da "linha-dura" do Hamas (está feliz, Ariel?).

- Novos milicianos armados marcharam pela cidade de Gaza, em solidariedade ao luto. Cerca de dez bebês palestinos foram batizados com o nome de Ahmed Yassin (quantos serão os judeus batizados com o nome de Ariel SSharon?)

- Mister Bush (será parente de Ariel?) afirma que mandará uma delegação na semana que vem, para "manter vivo o processo de Paz". Eu gostaria de saber como se faz para manter vivo algo que já nasceu morto... E a ONU (aquele fantasma que aparece nas grandes crises com reuniões e discursos lacrimosos) resolveu aparecer com uma reunião ( ! ), que começou às 19h (horário de Brasília), a pedido da Argélia. Vão julgar o ato tirado do governo de Israel. E a sentença, qual será?

- Para finalizar (?), a última notícia da noite: "Dois navios da marinha israelense dispararam nesta terça-feira à noite contra dois edifícios da Autoridade Nacional Palestina (ANP) localizados perto da praia ao norte da Cidade de Gaza, sem que fossem registradas vítimas. Três explosões sucessivas ocorreram no bairro de Sudania, ao norte da cidade, onde ficam as sedes dos serviços navais palestinos e das forças de segurança nacional, que ficaram destruídas. (...) Por outra parte, um palestino foi morto na noite desta terça-feira entre as cidades de Rafah e Khan Yunes pelo exército israelense, que mantém o corpo retido. O exército afirmou que o palestino estava tentando entrar no assentamento judaico de Morag, no sul da Faixa de Gaza."*

E será que essa novela algum dia terá fim? Aquele inferno de culturas, raças e etnias, marcado por um ódio de gerações e apimentado com o fanatismo religioso das duas partes terá alguma chance de conhecer o significado real da palavra Paz? Eu sei que sou pessimista demais, mas acho que não. Porque desde que me entendo por gente, a história anda num carrossel que não consegue sair do lugar: palestinos matando daqui, israelenses revidando dali (geralmente com resultados muito mais desastrosos), e os EUA metendo o bedelho em favor de Israel, com um fantasma da ONU pairando no ar inutilmente. E quando finalmente as coisas parecem sossegar... BUM!, um grande líder é assassinado, manifestantes manifestam, bebês são batizados com seu nome, mais bombas explodem. Nesse jogo de perdedores, o mundo tende a torcer para o lado dos mais oprimidos - no caso, os palestinos. Talvez porque pessoas como SSharon nos inspirem muito menos confiança que pessoas como Arafat (ah, e nem quero pensar no que vai acontecer quando ele for o próximo corpo...!).


-----
Para conhecerem uma proposta de paz no inferno, visitem o documento de Genebra, publicado na Nova-e.
* Trecho retirado do Tempo Real, do site do Jornal do Brasil, publicado há poucas horas.


Terça-feira, Março 23, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------


Epidemia e interesses


A política brasileira de combate à Aids é reconhecida como um modelo a ser seguido pelo resto do mundo, tanto pelos resultados alcançados, como pelas esperanças suscitadas nos países mais pobres para o tratamento da doença.

O governo brasileiro foi pioneiro na luta pela quebra de patentes de remédios usados para o tratamento da Aids. Para economizar nos gastos e garantir o tratamento de qualidade à população, o Ministério da Saúde iniciou, em 2001, um processo, junto a Organização Mundial do Comércio, para pedir a quebra de patentes dos medicamentos que integram tal coquetel.

Beneficiado pela decisão da OMC, que permitiu a quebra de patentes em caso de necessidade urgente, o Brasil pôde complementar o programa que garante à população o acesso gratuito aos medicamentos que formam o coquetel retroviral.

Desta forma, foram afastados todos os argumentos que afirmavam a impossibilidade de combate à AIDS pelos países pobres, pois a quebra de patentes tornou acessível aos governos a produção daquele medicamento. O programa brasileiro, também, traz esperanças aos países pobres em relação a outro grande obstáculo ao tratamento da Aids: a intransigência das empresas fabricantes dos medicamentos, que resistem a vender os seus produtos a preços mais acessíveis. Por exemplo, até recentemente, a África do Sul estava sendo processada por 39 empresas fabricantes de medicamentos, porque o país produzia os remédios em seu território sem pagar royalties.

A quebra das patentes desses remédios traz grande impacto social, pois impede a dizimação de um povo que não tem recursos financeiros para arcar com os custos da medicação. No continente africano, a epidemia da doença atingiu números tão alarmantes que a discussão sobre o preço dos medicamentos praticado pelos laboratórios internacionais sensibilizou a opinião pública mundial. A situação na África é tão dramática que cinco países - Lesoto, Suazilândia, Zimbábue, Bostuana e Zâmbia, todos no sul do continente - possuem mais de 20% da população contaminada com o vírus HIV em todo o mundo. O Banco Mundial chegou a afirmar que a epidemia de Aids poderá provocar o colapso das economias dos países mais afetados pela doença se não forem adotadas amplas medidas para combatê-la.

A importância da quebra dessas patentes pode ser facilmente notada, quando observado o preço do principal medicamento contra a Aids - o coquetel tríplice -, que é de US$ 10.000 a US$ 15.000 por ano para cada paciente. Num país como Zâmbia (sul da África), com um produto interno bruto (PIB) per capita anual de US$ 756, esse preço é proibitivo. A produção de remédios genéricos contra Aids no Brasil, entretanto, reduziu esse preço para US$ 5.000 em território nacional.

O caso de maior repercussão envolvendo o Brasil e a quebra de patentes foi a disputa com a multinacional suíça Hoffman-La Roche para que o preço do medicamento Nelfinavir fosse reduzido. Após a decisão do governo brasileiro de quebrar a patente do remédio, a Roche entrou num acordo e baixou o preço do remédio em 40%. No final das contas não houve a necessidade do Brasil quebrar nenhuma patente, pois a simples ameaça de ter suas patentes quebradas levou as empresas a reduzir valores. Esse desfecho demonstrou que os países em desenvolvimento podem enfrentar os monopólios.

A vitória brasileira na lua pela quebra de patentes, que abre uma brecha para outros países em desenvolvimento ou subdesenvolvidos tomarem o mesmo caminho, não é vista com bons olhos por todos. O governo norte-americano move uma ação contra o Brasil e argumenta que o processo não é contra o programa anti-Aids brasileiro, mas contra essa característica específica da lei nacional. Alegam, também, que o progresso das pesquisas sobre os medicamentos anti-Aids teria sua velocidade bastante diminuída se as patentes pudessem ser quebradas. Além disso, acusam o governo brasileiro de estar dando importância apenas ao tratamento, e não à prevenção da doença. As produtoras dos remédios, que compõem o coquetel retroviral, a Merck, a Roche, a Abbott, e a GlaxoSmithKlein, também, não estão muito satisfeitas, pois vêem o risco, cada vez maior, de terem seus lucros reduzidos. Para evitar a quebra de suas patentes, as empresas passaram a negociar a redução de preços com todos os governos.

Outro ponto muito positivo com a quebra de patentes é que o remédio voltará a ser visto como um bem para a humanidade e não apenas um produto da indústria farmacêutica. A intenção não é tornar as empresas farmacêuticas instituições de caridade, mas é preciso que os preços sejam determinados dentro de parâmetros aceitáveis, sanitários e econômicos. Essa luta não quer acabar com a indústria farmacêutica, tenta-se simplesmente fazer com que através do preço uma parte da população, que é órfã de assistência médica e farmacêutica, tenha acesso a remédios.

Segunda-feira, Março 22, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------

Manchetes de hoje


Semifinal tem Galo, América e Cruzeiro
Hoje em Dia, MG

PT leva vantagem na Reforma Política
Estado de Minas, MG

Governo Lula multiplica apoio para montadoras
Folha de S.Paulo, SP

Mercosul pode ficar com 30% do mercado agrícola da UE
O Estado de S.Paulo, SP
Fórmula vai ser discutida em Bruxelas a partir de 15 de abril

Obras do Nordeste ficam no papel
Jornal do Brasil, RJ
De janeiro a março, nem um centavo saiu dos cofres do governo para tocar as obras prometidas

Justiça do Rio nega apelo e deixa pitboys na cadeia
O Globo, RJ


Lula e PT tentam acabar com rixa entre ministros
Zero Hora, RS


Plebiscito deve decidir a invasão da CDP na Doca
O Liberal, PA, (Manchete de ontem)


Assaltos a caminhões e postos são freqüentes na divisa com RN
Correio da Paraíba, PB

Ladrões atacam a polícia no Cabo e roubam armas
Jornal do Commercio, PE


Financiamento público tira poder de líderes regionais
Correio Braziliense, DF


Centenas de milhares de palestinos clamam por vingança durante o funeral de Ahmed Yasín
El Pais, ESP

Líder do Hamas morto em ataque israelense
The New York Times, EUA
Sheik Ahmed Yassin, o fundador do Hamas, é o militante Palestino mais importante morto por Israel em três anos de conflito



Segunda-feira, Março 22, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------



Há sempre um começo


Hoje é o dia Internacional para Eliminação da Discriminação Racial. "Nesse dia, em 1960, em Sharpeville na África do Sul, a polícia disparou contra uma manifestação pacífica que se realizava em forma de protesto contra as leis 'de passe' ou livre-trânsito (pass laws) do apartheid. Ao proclamar o Dia em 1966, a Assembléia Geral das Nações Unidas incitou a comunidade internacional a intensificar os seus esforços para eliminar todas as formas de discriminação racial".*

Um bom começo para a África do Sul foi a extinção das leis que suportavam o apartheid em 1994. Apenas um começo, já que o preconceito existia não apenas na constituição, mas na estrutura e mente da população. Hoje os negros, cerca de 70% da massa demográfica do país, continuam em sua maioria analfabetos e miseráveis. O governo de lá aprovou ações afirmativas, como cotas para negros, não apenas em escolas, mas no mercado de trabalho.

No Brasil a situação é muito diferente. A discriminação foi extinta da legislação junto com a abolição da escravatura, em 1888. Durante as primeiras décadas do século seguinte o preconceito forte ainda pairava no ar, aos poucos foi ficando camuflado, e, apesar de menor, ainda é presente em toda a sociedade.

Nos dois anos passados, a discussão sobre a discriminação tomou grandes dimensões na imprensa, não porque um grupo de jovens tenha incendiado um cidadão na rua, ou porque o KKK tenha instalado uma sede por territórios brasileiros; simplesmente, universidades começaram a instituir cotas para a maior aprovação dessa parcela da população. Motivo: o número de negros e pardos nas universidades não condizia com as proporções dessas populações no Brasil - por motivos históricos, já que desde a abolição da escravidão não foram tomadas medidas que incluíssem os ex-escravos na sociedade. Deixando-os desamparados e marginalizados.

Argumentos dos que eram contra: o problema estaria na educação pública, seria injustiça para estudantes mais "qualificados", incentivaria uma discriminação ainda maior, a identificação de quem receberia o benefício é muito difícil.

O problema que enfrentavam: estamos lidando com números, é preciso ampliar as oportunidades para quem é discriminado para, no futuro, a situação ser homogeneizada. A educação pública precisa ser melhorada, mas demoraria muito para o sistema ser adequado. As cotas são uma medida emergencial. Conta-se com a honestidade de quem declara sua cor.

Uma estudante protestou contra a perda da sua vaga lá no Rio de Janeiro devido às cotas, ganhou a ação judicial e o direito à vaga atestando que a constituição prevê a igualdade de direitos entre todos os cidadãos, não importando a cor. Engraçado ser esse o argumento que sustenta o uso das cotas.

O preconceito existe no Brasil. Contra negros, pardos, orientais, nordestinos, gays e alguns outros grupos "minoritários". Essa situação não vai mudar de uma hora para outra, mas é preciso começar por algum lugar, é preciso, além de discutir, agir. Daqui a algum tempo poderemos rever a história e descobrir quantas décadas são necessárias para apagar as marcas da discriminação.

ESTE BLOG É A FAVOR DO SISTEMA DE COTAS

---
* Trecho publicado no ACIME
Domingo, Março 21, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------



Antes que perguntem: não, o layout novo do blog ainda não está pronto. "Nosso" webdesigner nos abandonou (por motivos de força maior, creio eu) e nós duas ainda não fizemos aqueles cursinhos que ensinam as pessoas a ser fodas em html. Portanto, este template ainda não é o que tínhamos planejado, é apenas * provisório* (e fruto do nosso desespero pra estrear logo as novidades, sem mais adiamentos). Desculpas aceitas? Então, leiam tudo aí:

Blog faz um ano


No dia 20 de março do ano passado, por volta de 1h da madrugada, começaram os primeiros bombardeios em Bagdá, autorizados pelo governo de Bush. Cerca de 19 horas depois, Maria Tereza me liga, propondo uma nova maneira de protestar contra a "guerra": a criação de um blog.

Foi assim que surgiu o Tamos com Raiva, antes chamado Foice e Martelo Branco (devido às minhas tendências comunistas), com a proposta de discutir política numa época em que o mundo estava fervilhando de todo tipo de manifestações e que ressurgia o sentimento antiamericanista em todos os continentes. De lá pra cá, passamos a abranger temas muito mais amplos de política - enfocando o Brasil - e procuramos melhorar cada vez mais o aspecto do blog, apesar dos nossos mínimos conhecimentos em webdesign.

Os aniversários são ótimas ocasiões para a gente trazer novidades. Foi assim nos seis meses de blog e agora, com um aninho de idade, resolvemos mudar radicalmente na aparência e no estilo - com a intenção, é claro, de atrair mais leitores. A gente leva isso a sério, gente!

***

As principais novidades:

- Agora teremos a colaboração de colunistas quinzenais, que tratarão de assuntos de interesse ou especialidade deles. Eles escreverão em dias específicos da semana, seguindo as datas do calendário que colocamos no final da coluna da direita.

+ Leonardo Ladeira, estudante de Comunicação Social, escreverá sobre pontos positivos do governo Lula;
+ José de Castro, editor do Caderno Minas do jornal Hoje em Dia, tratará dos pontos negativos da política nacional;
+ Alice Quintão, estudante de Relações Internacionais, falará sobre política ao redor do mundo;
+ Fernando Pureza, estudante e professor de História, vai fazer um paralelo entre fatos atuais e fatos históricos.

- Além destes, teremos uma coluna humorística semanal, publicada aos sábados, charges de vários jornais analisadas às sextas-feiras e matérias especiais sobre diversos assuntos, escritas por mim e pela Maria Tereza, para os domingos.

- Além das colunas, colocaremos as manchetes (com links) de 13 jornais, de todas as regiões do país, diariamente. A enquete não vai mais ser tão esporádica - vamos renovar religiosamente no dia 1° de cada mês. Também vamos procurar postar todos os dias num mesmo horário, mantendo uma freqüência que só existia nos primeiros meses de blog.

- O visual também mudou. Pra começar, vale justificar a troca do título: Tamos com Raiva era o nome mais popular do blog, por causa do endereço; além disso, como não tratamos de nenhum tema relacionado ao Comunismo, não fazia muito sentido manter o símbolo comunista no alto da página - só servia para criar preconceitos entre os leitores que mais queremos atingir (os que sempre discordarão das nossas idéias sobre política). Marketing é tudo, né não? Agora o novo logo do blog é um bonequinho de vodu que a cada mês terá o rosto de algum "homenageado" (dentre os vários que nos inspiram e nos matam de raiva).

- Para facilitar a leitura, vamos mostrar na primeira página apenas o texto do dia, armazenando as colunas passadas na seção dos Grampeados, na pasta de cada autor. Os arquivos antigos serão tirados do ar, devido ao limite de espaço imposto pelo Blogger (mas poderemos enviar por e-mail para quem quiser).

***


São muitas mudanças e grandes expectativas. Mas quem faz um blog é o leitor, independentemente do suor das autoras. Esperamos que isso tudo renda muitos comentários e discussões (polêmicas!) em cada post, palpites novos no Livro de visitas e votos nas enquetes.

Fucem aí, mexam em tudo, cansem as vistas e botem a boca no trombone! O que a gente quer é isso mesmo.

Sábado, Março 20, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------

Pode pular!


Todos devem ter lido a respeito do homem que entrou no Senado, interrompendo o falatório do Zé Sarney, ameaçou se jogar de uma altura de 6 metros, conseguiu uma graninha dos senadores por ali (Heloísa helena, Mercadante, Arthur Virgílio e outros) e ainda irritou o digníssimo ACM (que achou um absurdo a reação delicada do presidente Sarney e disse que, quando ele era o presidente do Senado e apareceu um "doido" desses, ele disse que o cara podia se jogar lá de cima se quisesse, mas "tinha que sair dali". Minha dúvida: por que que ele tinha que sair dali? O Senado não é a Casa dos nossos representantes? Não deveria ser aberto ao povo? Aiai).

Enfim. Esse caso foi um exemplo ilustre do populismo no Brasil e de como as nossas reivindicações populares estão meio deturpadas pela Demagogia de sempre. Mas antes de eu começar a viajar demais, sugiro que leiam o blog do Thiago Quintella, clicando aí no trecho:

_O povo, obrigado a votar, elege seus representantes;
_Estes fazem de tudo para garantirem seus votos;
_Uma vez dentro de seu local de trabalho, o político sofre uma crise de amnésia e somente se preocupa em garantir o seu para os seus negócios preterindo tudo que houvera prometido. Este é o que vive da política!;
_Os iludidos com o serviço de viver para a política, ou seja, usar seu voto na aprovação de uma lei, seu poder de proposta para melhorar a sociedade, a comunidade e, assim, o país, são logo taxados de ingênuos e sonhadores e se vêem numa encruzilhada: dos dois caminhos escolhe-se um; ou se transforma em um parasita político, rendendo-se ao poder, ou pede demissão do cargo e vai lutar de novo, seguindo seus princípios.
_A partir daí, toda e qualquer tentativa de se aprovar e por em prática um projeto, haverá de se consultar primeiro os Donos do Poder (mercado financeiro), pois o dinheiro da União é do bolso deles, e um pouco para obras e projetos chinfrins, que não vão melhorar nem mudar o sistema!


Quinta-feira, Março 18, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------

Enquanto o blog não volta pra valer, um artigo analisando a queda de Aristide no Haiti (meio atrasado, mas ainda uma boa análise):

Haiti: um novo "protetorado"?




A renúncia do presidente do Haiti, Jean Bertrand Aristide, dia 29 de fevereiro de 2004, representou um gesto inevitável. Cercado na capital e sem apoio internacional, sua resistência seria inútil e teria um custo social e político desastroso. Ao partir para o exílio, possivelmente na África, ele busca sobreviver (talvez até politicamente), deixando atrás de si um caos generalizado. Sua renúncia, contudo, resolve apenas parte do problema, pois, por um lado, seus partidários ficaram no país e precisarão lutar para sobreviver. Por outro lado, a oposição, a Plataforma Democrática, se mantinha unida contra Aristide, mas agora deve se dividir, pois é integrada por alguns ex-aliados do ex-presidente e membros ligados aos golpistas de 1991 e, mesmo, da ditadura da família Duvalier.

A decisão americana de enviar tropas de pacificação deve-se ao temor de uma onda de refugiados e ao uso do território haitiano por aviões do narcotráfico, em trânsito entre a Colômbia e os EUA. Um país sem exército, sem força aérea e com uma polícia rudimentar, não tinha condições de evitar este problema, fomentado pelos chefes políticos locais; um país sem governo, menos ainda. Mas Washington não gostava de Aristide, que era mais uma das vozes discordantes na América Latina e Caribe e, discretamente, sempre apoiaram sua saída, apesar dele haver sido eleito em 2000 com 91% dos votos.

A criminalização e o autoritarismo que tomaram conta do governo Aristide desde que voltou ao poder em 1994 foi mais decorrência das deficiências político-institucionais de uma sociedade fragmentada, do que de um programa político conscientemente construído para este fim. Num país onde o emprego formal é privilégio de poucos, a sobrevivência da maioria da população depende dos favores do governo, o que geram um sistema caracterizado pelo clientelismo. Além disso, muitos acusam Aristide de não haver sabido lidar com a antiga elite, que ficou fora do poder. Mas cabe uma pergunta: isto era possível? Creio ser mais difícil que os doze trabalhos de Hércules, especialmente sem ajuda internacional, num mundo onde todas as atenções são dirigidas à guerra ao terrorismo e aos orçamentos equilibrados.

O Haiti vai ser estabilizado? No curto prazo, a presença anunciada de tropas estrangeiras e a ajuda emergencial que deverá chegar, gerarão um alívio temporário. Mas não há indícios que exista um projeto de apoio ao desenvolvimento deste miserável país sem importância estratégica para a grande política mundial. Os problemas que geraram mais de trinta golpes de Estado e ditaduras sanguinárias persistirão, gerando futuramente novas ondas de instabilidade e erupção de violência. Além disso, criar um novo governo estável será tarefa quase impossível, como no Iraque, devido às rivalidades existentes entre os rebeldes e a falta de capacidade de coerção pelo Estado. Que ninguém se iluda: o conflito haitiano é travado por facções violentas, e é difícil identificar "mocinhos" e "bandidos".

Finalmente, embora outros países devam contribuir com tropas, os Estados Unidos deverão fornecer a maior parte dos soldados e dos recursos financeiros necessários, com o desgaste de patrulhar um país marcado pela violência e pela criminalidade. Se houver baixas americanas, logo os Democratas em campanha perguntarão: "quantos protetorados poderemos manter?" Um tratamento demasiado duro com os haitianos, por outro lado, teria reflexos junto à comunidade negra norte-americana. Enfim, se a comunidade internacional, através dos organismos multilaterais, tivesse se articulado com antecedência, muito desgaste poderia ter sido evitado.

Paulo Fagundes Vizentini (do portal Terra)

(foto: http://www.esmas.com/noticierostelevisa/internacionales/346783.html)
Quarta-feira, Março 17, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------

Zapatero no poder


No dia do atentado, eu tendia a pensar exatamente como o cartunista Latuff, em charge publicada na Novae:



Vemos aí o ex-premiê da direita, José María Aznar, se aproveitando do atentado no metrô para fazer campanha e tentar vencer as eleições de três dias depois com a bandeira anti-ETA. O cartunista colocou: "Quem ganhou com os ataques ao World Trade Center nos EUA? Quem vai ganhar com os atentados na Espanha dias antes das eleições? Talvez Bush e o primeiro-ministro espanhol Aznar possam nos dizer..."

O mais divertido disso tudo é que - felizmente - Latuff e eu estávamos errados. Quem ganhou, no fim das contas, as eleições, foi o partido socialista espanhol, com o premiê José Luis Rodríguez Zapatero. Ao que parece, a bandeira anti-ETA de Aznar incomodou o povo espanhol do mesmo modo que incomodou o restante do planeta. O Partido Popular, do ex-premiê, apoiara a invasão do Iraque, além de ter tomado outras medidas conservadoras durante seu mandato. Esse inesperado resultado das eleições nos faz pensar que, talvez, a "alternativa número 2" do post anterior seja mesmo a correta. Porque os árabes devem estar muito felizes por verem os direitistas belicistas da Espanha varridos para debaixo do tapete...

Segunda-feira, Março 15, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------

199 mortes e 3 alternativas




O ataque foi terrorista. Dezenas de vítimas fatais, centenas de feridos, e uma pergunta: quem foi o responsável?


Alternativa número 1, favorita dos espanhóis: o ETA. Mas, por quê? Qual o interesse do grupo basco em promover uma desgraceira dessas a três dias das eleições? O máximo que eles conseguiriam, em termos políticos, seria o partido da situação gritando o slogan antiterrorista que garantiria a vitória dos aliados de Aznar. E isso é exatamente o que o ETA menos quer, não é mesmo?

Alternativa número 2, favorita de Bush, Blair e numerólogos de plantão: o Al-Qaeda. Afinal, se eles fizeram o 11/9 (?!), poderiam perfeitamente fazer o 11/3, certo? Afinal, também, chegou uma carta anônima num jornal londrino assumindo a culpa em nome do grupo árabe. Ah, e como puder esquecer? Eles encontraram o Corão em local suspeito - uma grande prova! Eu só me pergunto o que pretenderia o Al-Qaeda com essa investida. Vingar-se de todos os países que se aliaram aos EUA na invasão ao Iraque? Assustar um país como a Espanha, que exerce pouca influência sobre os gigantes do mundo ocidental - em vez de investir no terror contra Alemanha, Inglaterra, França...? Bem, é possível, mas acho, pessoalmente, muito improvável.

Alternativa número 3, minha favorita: tem dedinho muito mais poderoso no meio dessa lama de terrorismo. Os ataques desde o 11/9, para quem não se lembra, foram muito mais do que Madri. O Iraque tem sofrido muito, desde o começo do ano passado, a Indonésia teve outro há pouco tempo, com 202 mortos. E também Tunísia, Israel, Rússia, Paquistão, Marrocos, Quênia, Arábia... Para cada ataque terrorista, uma enxurrada de discursos culpando grupos em todo o mundo, um reacionário prolongado no poder (vide Bush), uma guerrinha estourada "para manter a Paz e assegurar a Justiça de todos". Suspeito isso tudo, não?

Bem, paro por aqui, deixando vocês com suas próprias alternativas. E recomendo a leitura do último post no blog www.nadadenovonofront.blogger.com.br, do Fernando Pureza.
Sexta-feira, Março 12, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------

$#@%*&!@#




Hoje vou divulgar uma notícia de interesse mais local, publicada no jornal mineiro Hoje em Dia, mas que é tão indignante que merece ser lida por brasileiros de todos os outros Estados. A reportagem é de Pedro Ferreira:

"Avaliações macroscópicas de 29 fitas cassetes encaminhadas à Polícia Federal, com gravações de conversas telefônicas do delegado da Polícia Civil Marco Túlio Fadel Andrade - acusado de praticar tortura, coação e ameaça de agressões físicas a testemunhas, advogados, promotores e juízas - revelam um outro lado dos bastidores da prisão, com regalias que muitas vezes são atribuídas apenas aos narcotraficantes. Ele teria comandado por telefone, de dentro da cela, todos os atos que julgava atender aos seus interesses, diante das acusações. (...)

O delegado, na prisão, comenta várias vezes que a sua linha estava grampeada, exigindo das pessoas um outro aparelho.Diz que é para expulsar a juíza, jogar pesado. Também faz convites para churrascos na prisão. 'Consigo sair daqui (Deoesp) a hora que eu quiser', disse Marco Túlio, ressaltando que não sai para não perder a mordomia. O delegado também coordena, de dentro da prisão, as manifestações de apoio a ele, no momento em que comparecer à Justiça para depoimento. Exige manifestação de 1.500 pessoas, 'uns 30 ônibus lotados', e manda buscar apoio até nas zonas boêmias.

(...) As gravações também mostram o relacionamento cordial que o delegado tem com a imprensa. Em uma ligação, ele orienta o repórter como deve ser editada a entrevista dada por ele, pedindo alguns cortes de sua fala. Depois, telefona para agradecer, satisfeito com o que foi divulgado pela rádio. O delegado telefona para o mesmo repórter, pedindo orientação quanto a uma entrevista solicitada por um repórter de televisão."

TRECHOS DAS GRAVAÇÕES DE CONVERSAS TELEFÔNICAS:
"Traz um outro telefone pra mim porque este aqui está grampeado".
"É para expulsar a juíza, jogar pesado e quebrar a improbidade administrativa para eu voltar".
"Consigo sair daqui (Deoesp) a hora que eu quiser".
"É para todo mundo gritar: 'queremos o delegado, chega de injustiça', na hora que eu descer da viatura. É para todo mundo juntar e me conduzir até o fórum. Tem que levar muita gente para me abraçar e bater palmas para a Rede Globo filmar. Vai aparecer em rede nacional"
"É para levar uns 30 ônibus para a manifestação no fórum."
"Vamos levar as puta (sic) para audiência às oito".


O que dizer de um babaca que cospe seu poder nos outros assim? Que faz questão de dizer que não saiu do Deoesp ainda porque está gostando das mordomias de lá? Vamos, concentrem todos os palavrões mais cabeludos que vocês conhecem e xinguem a foto aí de cima. Depois divulguem a raiva para outros!
Terça-feira, Março 09, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------

Kirchner para presidente


Em setembro do ano passado escrevi um post sobre o calote que a Argentina deu no FMI. Deixaram de pagar alguns bilhões de dólares para, no fim, terem a dívida renegociada de maneira muito mais favorável à Argentina e sem graves conseqüências para a credibilidade de Kirchner. Os brasileiros bateram suas cabeças na parede tentando entender por que diabos o Brasil continua abanando o rabinho aos investidores estrangeiros em vez de tentar negociar, como os espertos vizinhos de baixo fizeram. Mas a lição não foi aprendida e a história parece se repetir...


Terça-feira, dia 9, estoura o prazo para que Kirchner pague uma dívida com o FMI de 3,1 bilhões de dólares. Mas o presidente argentino disse em seu discurso: "Às vezes é preciso não ter medo de dizer não. Basta de pagar e gerar pobreza para o nosso povo." Só pagarão na data se o Fundo aprovar a segunda revisão das metas do acordo.

Enquanto isso, Lula adia o encontro que teria com Kircher no próximo dia 10, pra não pegar mal. Sabem como é, "diga-me com quem andas e eu te direi quem és". O bom petista não quer ser confundido (ou fotografado) com um caloteiro...!

(Mais cabeças nas paredes).
Domingo, Março 07, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------

Deu no Hoje em dia: "Bush utiliza atentados para obter votos".

Pois é, o candidato republicado mais odiado da História dos EUA resolveu apelar para seus "esforços humanitários" durante o 11 de setembro de 2001 para conseguir votos de seus compatriotas ("esforços" do tipo: invadir o Afeganistão e o Iraque, implantar uma verdadeira ditadura, com direito a censura e perseguições e linhas grampeadas e tudo o mais na "Terra da Democracia", barrar e humilhar turistas honestos nos aeroportos, iniciar "caça às bruxas" contra muçulmanos que moram nos EUA e, de quebra, contra todos os outros imigrantes que vivem por lá).

"Foram exibidos ontem dois filmetes de 30 segundos sobre o 11 de setembro. Sob o lema 'Mais seguro e mais forte', exibiram destroços do WTC. Em um deles, é mostrada uma imagem do funeral de um dos bombeiros mortos nos ataque. No outro, uma bandeira americana tremula sobre os escombros."

Resultado: os parentes das vítimas do atentado ficaram furiosos e começou uma onda de protestos contra o Presidente. Que vergonha, Mr. Bush!

Mais um tiro que saiu pela culatra! (Para o nosso divertimento...)

Sexta-feira, Março 05, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------

Oscar Tupiniquim


Minha dúvida: alguém realmente achava que o Cidade de Deus ia levar algum prêmio?!

Para não passar batido e, ao mesmo tempo, não ficar repetindo as mesmas coisas que críticos de cinema já disseram em todos os jornais do Brasil (sobre a lavada do Senhor dos Anéis, a previsibilidade da cerimônia, a justiça ou não dos prêmios, etc e tal), vou me limitar a comentar o Oscar deste ano com a brincadeira que o Zé Simão publicou em sua coluna de hoje na Folha. É o Oscar Tupiniquim:

Melhor maquiagem: Marta Suplicy.
Melhor figurino: Marta Suplicy.
Melhor direção: motorista do carro da Gaviões da Fiel!
Melhor curta-metragem: PIB brasileiro.
Melhor roteiro adaptado: política econômica do Palocci!
Melhor efeitos especiais: Duda Mendonça.
Melhor filme estrangeiro: "Amei um Bicheiro", com Waldomiro e Zé Dirceu.

(Há sempre um jeito de misturar política com tudo, né não? Mesmo que não tenha graça nenhuma... Vamos todos fingir que sou o Billy Crystal e dar uma risadinha amarela!)
Quarta-feira, Março 03, 2004 [ Fala aí: ]

------------------------------------------------
This page is powered by Blogger. Isn't yours?