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Mineiros reagem à paralisação no INSS Hoje em Dia, MG Muitos segurados chegaram cedo para conseguir lugar na fila, mas voltaram para casa sem atendimento. Grevistas querem aumento de 50,19%. Governadores aliviam confronto com Lula Estado de Minas, MG Planalto convence estados a adotarem tom conciliatório em documento de reivindicações. Polícia apura se teles formam cartel Folha de S.Paulo, SP A polícia de São Paulo decidiu abrir inquérito para investigar se a Telefônica praticou crime de formação de cartel na composição de um consórcio com mais duas teles fixas para tentar comprar a Embratel. Governadores querem rediscutir dívida e rever a divisão de receitas O Estado de S.Paulo, SP A Carta de Brasília, documento aprovado ontem pelos governadores, também cobra do governo Lula medidas de crescimento econômico. Conta dos governadores é salgada Jornal do Brasil, RJ Depois de cinco horas de encontro, os 24 governadores reunidos em Brasília apresentaram ao presidente Lula conta de oito itens que não sairá barata para os cofres federais. Lula avisa que tabela do IR terá mudança O Globo, RJ Pressionado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, seu berço político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acenou ontem com a possibilidade de decidir até sexta-feira se reajustará a tabela do Imposto de Renda, como pedem os contribuintes.
PM abrirá inscrição amanhã para concurso e sai o edital da Cagepa
Correio da Paraíba, PB
Serão oferecidas 80 vagas a militares nos Cursos de Formação de Sargentos e Habilitação de Oficiais.
PP impede que Congresso vote retirada de tropas espanholas do Iraque
El Pais, ESP
A proposta da retirada era de Zapatero.
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Nossa Polícia também é dos EUANo dia 08/4, publiquei aqui um post sobre denúncia do ex-chefe do FBI no Brasil (Carlos Costa) de que os EUA doam milhões de dólares para nossa PF e somos, por isso mesmo, subservientes ao governo norte-americano. O post dizia, em resumo, que fomos comprados pelos EUA e não temos uma polícia das mais soberanas... Hoje vou retomar o tema por dois motivos. Hoje houve reunião extraordinária às 9h30, no Senado, para ouvir Carlos Alberto Costa, o primeiro a fazer as denúncias (publicadas na Carta Capital daquela semana). Também porque, às 14h30 desta quarta, a Comissão de Segurança Pública recebeu o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o diretor-geral do Departamento de Polícia Federal (DPF), Paulo Fernando da Costa Lacerda, para tratar do memso assunto. Aí vai um trecho de matéria divulgada na Agência da Câmara dos Deputados: O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Francisco Carlos Garisto, confirmou hoje na Comissão de Segurança Pública que há muito tempo tomou conhecimento de que a Polícia Federal brasileira recebe dinheiro do departamento de combate a entorpecentes norte-americano (DEA) e da agência de inteligência (CIA). "Isso compromete a autonomia da Polícia Federal e os policiais são revoltados com essa situação há muito anos", afirmou. Ele declarou ainda que essas informações já foram reveladas em 1999 por parlamentares e pela Imprensa, porém, não houve qualquer conseqüência. "Essa notícia aparece, causa comoção, mas depois de dez dias ninguém fala sobre isso", disse. Para o representante dos policiais, o assunto é abafado propositalmente. "É o poder dos Estados Unidos ou é o poder de alguém que está fazendo coisa errada e que não quer ser descoberto", afirma. Garisto declarou ainda que o convênio foi implementado quando Romeu Tuma, hoje senador, estava à frente da Polícia Federal. Ele também acrescenta que as verbas são liberadas de acordo com os interesses do governo estadunidense: "Garisto lembrou que, na época da ação da Polícia Federal no Polígono da Maconha, em Pernambuco, os Estados Unidos não autorizaram a liberação dos recursos. Os americanos alegavam que a maconha produzida no Estado não seria enviada aos Estados Unidos. O dinheiro só é utilizado para combater o tráfico de drogas que vão ser comercializadas nos Estados Unidos, afirmou." Beleza, está confirmado. Dois denunciantes. Nossa Polícia é paga pela polícia dos EUA. E é paga com a quantia que eles desejam, para ser aplicada naquilo que lhes convém. Vamos deixar por isso mesmo, de novo?
Há alguns dias, Drauzio Varella apresentou um tema bem interessante em sua coluna na folha: Drogas. Abordou-o de uma forma não-usual - só para tentar nossos leitores mais preguiçosos (talvez seja uma entre eles), ele conseguiu encaixar abelhas (literalmente) no meio da argumentação. Vou colocar alguns trechos - gostaria de colocá-lo inteiro, só que sinto uma enorme culpa em transcrever textos alheios, sem direitos aqui no blog! Quem for assinante da folha pode lê-lo neste link! "É ilusão imaginarmos que a polícia vencerá a guerra contra o tráfico. Basta olharmos para os americanos, que investem US$ 10 bilhões anuais para manter o mais organizado aparato policial de repressão que se tem notícia" "As razões para o fracasso da estratégia repressiva são múltiplas e fáceis de entender. Vejamos algumas delas: 1) Quando a abelha encontra néctar numa flor, a sensação de prazer que sente é conseqüência da liberação de octopamina em determinadas áreas do sistema nervoso central. Quando um adolescente cheira cocaína, a euforia experimentada é conseqüência do aumento da concentração de dopamina no cérebro. Como a semelhança dos nomes indica, esses neurotransmissores são substâncias químicas muito parecidas. Na evolução das espécies, apesar da linhagem que deu origem aos insetos ter divergido daquela que levou aos mamíferos há mais de 300 milhões de anos, reconhecer sensações que proporcionam prazer ao corpo foi tão essencial à sobrevivência dos animais que abelhas e homens conservaram praticamente as mesmas características de um dos neurotransmissores responsáveis por elas. Quando o adolescente leva um cigarro de maconha ou o cachimbo de crack à boca, está criando um atalho para enganar seu cérebro através de um mecanismo evolucionista arcaico, que uma vez disparado algumas vezes escapará do controle voluntário, provocando dependência química, doença crônica, recidivante, difícil de tratar. 2) Para o sucesso comercial de determinado produto, o custo do transporte é crucial. Plantar tomates no norte de Mato Grosso para vendê-los nas feiras livres de São Paulo levaria o produtor à falência. Quando a mercadoria é uma droga ilícita, no entanto, o custo do transporte fica desprezível. Senão vejamos: um quilo de cocaína na Colômbia ou na Bolívia custa US$ 2.000. Em São Paulo ou Rio de Janeiro, depois de "batizada" para aumentar o rendimento, essa quantidade de droga poderá render US$ 20 mil. Se um vendedor encomendar 500 quilos e o traficante pedir a absurda quantia de US$ 500 mil para trazê-la dos países vizinhos, que diferença fará? Apesar do aumento de mil dólares por quilo representar 50% do preço do produto, a margem de lucro continuará estratosférica. 3) Lucros dessa magnitude, numa atividade não sujeita à taxação pela Receita Federal, recolhimento de obrigações trabalhistas e demais impostos que sufocam a produção em nosso país, têm um poder de corrupção irresistível. Não sejamos ingênuos: bocas-de-fumo são pontos de comércio estabelecidos em endereços acessíveis aos usuários. Se eles, e até os cidadãos que não consomem drogas, sabem onde encontrá-las, só a polícia treinada para combatê-las é que não tem idéia dos locais em que estão situadas?" "...alguns especialistas sugerem que a única forma eficaz de combater o tráfico seria acabar com a ilegalidade da comercialização (...) Enquanto os norte-americanos não abandonarem a política de guerra militar contra as drogas como estratégia-mãe para combatê-las, as experiências de trazer o consumo para a legalidade ficarão restritas ao comércio de maconha em países desenvolvidos como a Holanda." PS: O que aconteceu com nossos comentaristas? Será que não confiam nos novos colunistas? Podem comentar! Comentem!
As apostas do FMINa semana passada o Fundo Monetário Internacional divulgou o World Economic Outlook, um relatório sobre a economia mundial que apresentou as perspectivas do crescimento econômico em 2004. Essa análise foi feita levando-se em conta uma possível elevação dos juros norte-americanos, que se mantinha na casa do 1% ao ano, e previu um crescimento do PIB brasileiro neste ano em 3,5% - valor menor do que o apresentado em média no resto do mundo, 4,6%.A análise do FMI previu uma redução no crescimento das economias da maior parte dos países emergentes, sobretudo os da América Latina, uma vez que o aumento dos juros norte-americanos reduzirá os investimentos estrangeiros nesses países, o que gerará uma previsão de redução do fluxo de capitais externos em cerca de US$45 bilhões. Essa mudança na política macroeconômica norte-americana, causada por uma expansão econômica contínua que gera aumento dos juros em curto prazo, trará conseqüências negativas para a economia brasileira. Pode-se dizer que a gravidade delas dependerá da intensidade da queda da taxa básica nos EUA, a ser decidida pelo Banco Central norte-americano, o FED. Ainda assim, o presidente do Banco Central brasileiro, Henrique Meirelles, afirmou que o Brasil está preparado para esse eventual aumento nas taxas de juros norte-americanas, sustentando que os fundamentos da economia brasileira são muito melhores atualmente do que no passado. O governo garante que está tomando medidas necessárias para enfrentar esse período: disciplina fiscal, melhora no perfil endividamento público externo e interno, crescimento das reservas internacionais, além de aumento importante no superávit comercial e de contas correntes. O Fundo busca através desses relatórios ampliar a capacidade do fundo de antever crises e assim basear decisões futuras nessas análises. O relatório tem análises das economias de todo o mundo, e prever um crescimento para a Ásia de 7% ao ano, além de advertir aos EUA que o seu déficit público - que chegou ao equivalente a 5% do PIB em 2003 - pode colocar em risco a recuperação de toda a economia mundial. Esse relatório foi divulgado poucos dias antes a reunião semestral conjunta do FMI e do Banco Mundial (Bird), a reunião de Primavera, que teve sede em Bruxelas e terminou ontem. O clima predominante da reunião era uma pressão por reformas estruturais sobre os países desenvolvidos. Os organismos advertirão que, se eles falharem, a recuperação econômica mundial, incipiente, será sufocada, e surgirá nova crise financeira, com prejuízos para todos. Mas não foram só os países desenvolvidos que receberam uma mensagem clara dessas instituições financeiras. Brasil, Argentina, México e o restante da América Latina saíram do encontro com um pedido de aceleração nas reformas tributárias e de energia e manter a prudência fiscal e monetária. Mesmo com o "pedido" do FMI e do Bird, com o relatório prevendo um crescimento baixo para o país e de toda a previsão negativa em relação ao Brasil, pode-se dizer que em 4 anos o país nunca esteve em uma posição econômica melhor do que a de agora. Embora o governo venha trabalhando lentamente e não promovendo reformas estruturais, mais que necessárias, às vezes lembrando até a atuação econômica do governo anterior, o país vem melhorando no campo econômico e encontrando certo superávit econômico, devido à alta nas exportações.
Escravas domésticasDa Agência da Câmara dos Deputados: Proposta Casa da Acolhida do Empregado Doméstico A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público está analisando o Projeto de Lei 3329/04, do deputado Chico Alencar (PT-RJ), que cria a Casa da Acolhida do Empregado Doméstico em todas as capitais brasileiras e nos municípios com mais de duzentos mil habitantes. Pelo texto, a Casa será destinada ao abrigo de empregados domésticos que sofram algum tipo de perseguição por parte dos patrões e não possuam residência fixa na localidade. O acolhimento dos empregados domésticos se dará por até três meses. A proposta estabelece que poderão ser celebrados convênios com os sistemas públicos de emprego para que seja dada prioridade na recolocação profissional dos empregados domésticos acolhidos. A Secretaria de Assistência Social será responsável pela estabelecimento de normas e procedimentos para implantação, acompanhamento e fiscalização da Casa da Acolhida. Imigrantes Chico Alencar lembra que muitos empregados domésticos são imigrantes, que vieram para as grandes cidades em busca de melhores condições de vida. Na maioria dos casos, não possuem condições de arcar com os custos de passagem e hospedagem. Por isso, aceitam que essas despesas sejam custeadas pelos futuros patrões, para desconto posterior. "Infelizmente, há situações em que os descontos nunca cessam, e os empregados domésticos têm de se submeter a todo tipo de humilhação, muitas vezes acompanhado de violência física ou psicológica, por não terem para onde ir se decidirem romper com a relação de emprego", afirma. Onde ficam os "quartinhos de empregada"? Junto dos quartos de todos os moradores da casa? Não, eles geralmente ficam depois da cozinha, perto da área de serviço, em algum lugar minúsculo e mal ventilado dos apartamentos do Brasil. Semelhanças com Casa Grande e Senzala não são mera coincidência... A legislação trabalhista normal estipula oito horas de trabalho, incluindo horário de almoço, além dos direitos como vale-transporte ou acomodações e todos os outros direitos dos trabalhadores. Mas, para os empregados domésticos (ou "as" empregadas domésticas, já que são uma maioria esmagadora de mulheres), as garantias são bem menores. Feriados não existem, hora de almoço é substituída por hora de lavar vasilha e coisa e tal. Perguntem a qualquer patrão se eles se julgam errados por estarem, literalmente, cumprindo a lei. Eles estão apenas defendendo seus interesses. Pergunte a algum doméstico se ele se sente satisfeito com as condições de trabalho. Mas quem defenderá seus interesses? Se não pudermos contar com os nossos representantes legais (mas será que essa proposta passará? Será que ela está mexendo com todos os grandes problemas das condições de trabalho dos domésticos? Será que está tirando a carga escravizadora dada a muitos deles? E todas aquelas crianças que ainda trabalham como domésticas nas cidades do interior sem receber nada além de um prato de comida e uma cama pra dormir?), restará apenas o Chapolim Colorado...
A ordem reina em Jerusalém"Eu tinha fé em Israel antes de seu estabelecimento, eu tenho agora. Eu acredito que ela tem um glorioso futuro pela frente - não apenas como outra nação soberana, mas como a encorporação dos grandes ideais de nossa civilização." (Harry S. Truman, 33º presidente dos Estados Unidos, 1945-1953)Escrevia ironicamente, poucos dias antes de ser assassinada, Rosa de Luxemburgo sobre o novo governo alemão e a fundação da República de Weimar: "A glória e a honra das armas alemãs estão a salvo perante a história mundial." Ironicamente, pois, pela sua ótica revolucionária, o governo "pequeno-burguês" da recém constituída República alemã era a solução contra-revolucionária perfeita para barrar os avanços do movimento espartaquista e dos levantes de operários e marinheiros no quadro social germânico depois da Primeira Guerra Mundial. Porém, nos dias de hoje, há quem diga que em Jerusalém também reina a ordem. Jerusalém, embora seja associada como berço da civilização ocidental, também é associada como berço de alguns dos mais famosos conflitos imperialistas conhecidos pela humanidade. Em uma ordem cronológica sem grandes aprofundamentos, podemos citar as invasões de egípcios, assírios, caldeus, persas, gregos, romanos, muçulmanos, cristãos, bizantinos, turcos, ingleses, americanos, russos, além, é claro, dos grandes personagens de toda essa história: árabes e judeus. Porém, que se marque aqui que todos esses conflitos eram de ordem de relações entre domínio sobre ambos esses dois povos, que na verdade, não são muito diferentes entre si (ambos são de origem semítica fenícia, colonizaram as faixas de terra banhadas pelo mar Morto e os dois são perseguidos por neonazistas). Dentro de todo o processo histórico que formou uma cultura característica árabe e uma cultura característica judia que pôde separá-los enquanto "povos", houve toda a questão de uma relação de domínio, que muitas vezes gerou um processo de aculturação tão forte que chegou a fragmentar essas culturas. Falar de judeu, ou árabe hoje em dia é uma incoerência... Está muito mais ligada a uma errônea concepção de que cultura é igual a um espaço territorial. O problema dessa definição é que para ela ser efetiva, é necessário definir esse espaço territorial, tão disputado entre ambos hoje em dia. Ainda assim, os constantes confrontos árabe-israelenses tinham que ser melhor demarcados. Mas não há interesse nisso, especialmente por parte da grande mídia ocidental. Os discursos de "ódio milenar" entre árabes e israelenses são irreais, assim como de judeus e muçulmanos; é inviável falar de ódio milenar onde as grandes disputas dentre esses povos estão marcadas por menos de 60 anos e, a cada geração, com o interesse de diferentes grupos em jogo. Não, eles não são inimigos desde as Cruzadas, ou desde a expansão Islâmica, ou mesmo desde a formação dos reinos de Judá e Jerusalém. De fato, os primeiros assentamentos judaicos na região, criados no final do século XIX, eram criados em perfeito acordo com as cidades árabes ao seu redor. Porém, desde a Guerra da Independência, a fundação de Israel, todas suas guerras contra os países árabes e sua expansão sempre foram tratadas com olhos distantes pela mídia. Não diferente, a Entifada e toda a resistência palestina também é vista com essa distante expressão, com essa divulgação parcial, de quem não quer se envolver em um conflito sem solução. Mas, colocar a idéia de que o conflito é sem solução é uma idéia preuconceituosa com as reivindicações territoriais, jurídicas e econômicas dos palestinos, como também era feita com as pretensões israelenses contra o domínio inglês. Igualmente, a idéia de que não há então uma solução pacífica é igualmente falsa, sem contar que incentiva o massacre discriminatório de seres humanos. É inevitável ver as manchetes dos jornais da grande burguesia de Berlim em 1919 ao repararmos nos massacres e retaliações nos conflitos árabes-israelenses. A ordem que reina em Israel hoje, enquanto o imperador Ariel Sharon ordena massacres contra um ou mais de 100 palestinos e a ordem que reina entre os palestinos, que sedentos de vingança e ódio retaliam contra civis e soldados como se fossem os mesmos, é a ordem desejada, é a mais cômoda e a de mais fácil compreensão. Aliás, nada é mais simples de explicar do que a tradição, mesmo que ela seja responsável por conflitos. A ordem reina em Jerusalém, sangrando, queimando, destruindo, tragando milhares de vidas por ano...mas há uma ordem. Jerusalém se tornou o único foco da cultura ocidental onde o caos faz parte da ordem.
RelatórioEnquanto isso...+ Bush apóia Sharon em um plano de desocupação da faixa de Gaza, enquanto a Cisjordânia - principal reivindicação - continua ocupada. + Xiitas e Sunitas unem-se na rebelião contra a ocupação americana. + Vários soldados americanos e aliados são mortos, multiplica-se esse número por mais ou menos duzentos e se tem o número de vítimas iraquianas no mesmo espaço de tempo. + Um suposto Bin Laden (comprovado pela inteligência americana- alguém duvida?) pede trégua à Europa, os países europeus não cedem, fortes emoções nos próximos capítulos. + Espanha retira suas tropas do Iraque. + Honduras retiram suas tropas do Iraque. + E as eleições lá de cima estão chegando! PS: Diversão : Procurando no google por "Weapons of Mass Destruction" clicando em "Sinto-me com sorte" você é encaminhado a esta página. Para quem lê em inglês. (Não sei se isso é velho. Fiquei sabendo hoje!)
Governo saudável"O ministro Humberto Costa, com sua equipe, repôs, neste país, o que não temos há algum tempo, que é exatamente a valorização do Sistema Único de Saúde, a redemocratização da gestão no Ministério com os outros níveis de gestão e também com o Conselho Nacional de Saúde em uma luta permanente por recursos e para que se cumpra o lado humanitário da qualidade, da viabilização, da responsabilidade pública sobre o setor de saúde."O depoimento da deputada federal petista pelo Rio de Janeiro, Jandira Feghali - uma das vozes críticas ao governo dentro do PT - vem demonstrar a importância e a seriedade do trabalho que o jornalista e médico Humberto Costa vem desenvolvendo no seu ministério. É verdade que a mídia tentou disfarçar, gerar crises na sua equipe, sugerir fraudes não comprovadas, dizer que o ministério só está continuando as ações implantadas por José Serra, enfim, desmerecer o trabalho da nova equipe. Mas a inverdade dessas situações torna-se clara quando se vai analisar o que o ministério tem feito. Basta analisar o Plano Nacional de Saúde, com o objetivo de nortear rumos para o Sistema Único de Saúde (SUS) nos próximos anos, que está sendo elaborado pelo Conselho Nacional de Saúde - entidade composta por representantes do governo, profissionais da área e membros da sociedade civil, inclusive indígenas, com caráter deliberativo e que atua na formulação de estratégias do ministério. Algumas das prioridades do Plano e do ministério são promessas de campanha do Lula: farmácia popular (relação de medicamentos essenciais disponibilizados para a população, feita em parceria com os estados e municípios); fiscalização da aplicação dos recursos (para resolver o grande problema dos desvios de dinheiro destinados à educação no âmbitos estaduais e municipais, o governo tem investido na fiscalização); e a qualidade do atendimento e monitoramento. Para a última têm-se criado vários mecanismos. Uma das novidades do atual governo é dar a devida atenção à saúde bucal, que nunca era incluída (ou era mal feita) no atendimento às comunidades carentes. O programa tem ações preventivas, como colocar flúor nos serviços de tratamento de água, a ações de cura, como ampliação das equipes de saúde bucal no programa de Saúde da Família e criação de centros de especialidade, com todos os tipos de tratamento (e não somente extração dentária e restauração, como era de costume). Em 90 dias, serão inaugurados 50 centros. Até o final do ano, 100, e até 2006, 400, tendo cada um capacidade para atender 500 mil pessoas. O programa Saúde da Família já resolve em parte o problema dos atendimentos precários e demorados em hospitais, em especial o de prevenção, e por isso continua sendo investido dinheiro nele. Mas agora está sendo criado o SAMU - Serviço de Assistência Móvel de Urgência -, um serviço de atendimento pré-hospitalar que pretende acabar com as filas de emergência nos hospitais e atender às emergências com equipes móveis. O atendimento será feito com chamada pelo telefone 192 e funcionará, até o final do ano, em 1.500 municípios, com o mesmo número de ambulâncias. Até para os transplantes o sistema será muito útil, já que identificará os casos terminais e os doadores em potencial com maior rapidez. Aliás, o serviço de transplantes no Brasil só perde para os EUA, com 92% deles sendo realizados pelo SUS. As ações do ministério, e os programas do SUS, não são simplesmente para população de baixa-renda. Contemplam áreas de alta complexidade como a cirurgia cardíaca, a hemodiálise, os transplantes, programa de Aids, programa de hepatite C, coisas de primeiro mundo, que dão ao nosso país destaque na área de saúde, destacando-se em combates contra a dengue, paralisia infantil, hanseníase. Tudo isso, sim, vem sendo um trabalho feito desde José Serra, mas muito bem feito no governo Lula. Por isso dizer que a saúde no Brasil está largada é uma grande bobagem. Ela ainda tem problemas a ser superados, mas está nas mãos, e nas boas mãos, de Humberto Costa e sua equipe.
Do PFL a Lula: peça desculpas à naçãoA Executiva Nacional do PFL, presidida pelo senador Bornhausen, uma figura colaboracionista dos últimos governos da ditadura militar, divulgou ontem nota exigindo que o presidente Lula peça desculpas formais à nação, por não estar conseguindo dar demonstrações de que vai cumprir a promessa de campanha de dobrar o valor do salário mínimo, em termos reais (descontada a inflação) até 2006.É verdade. Nada indica que a promessa será cumprida. No primeiro ano de seu governo, Lula deu aumento real de apenas 1,23%. Neste ano, será muito bom se ficar em 5%. Mas é verdade, também, que a nota do PFL é de um cinismo muito mais vergonhoso do que a falsa promessa de campanha de Lula. O PFL e, antes dele, o PDS, a Arena, a UDN, o PSD, o PL e todos os partidos republicanos formados pelas elites brasileiras sempre fizeram falsas promessas eleitorais. Sempre conseguiram enganar o povo, tanto que ainda continuam no poder, agora caudatários do PT e disfarçados de PL, PTB, PMDB e tantos mais. Quem não se lembra do velho "coronel" Antônio Carlos Magalhães, aliado do governo Fernando Henrique Cardoso, fazendo a campanha pelo salário mínimo de cem dólares? Sabendo que era uma campanha tão somente eleitoreira, mais uma vez... As elites brasileiras sempre seguraram o valor do salário - e não apenas o mínimo -, como forma de alcançar alguma competitividade no mercado mundial, mesmo que este merecesse dessas elites uma atenção apenas periférica (com exceção, é claro, do mercado financeiro mundial, pois elas sempre se permitiram gordos depósitos clandestinos em bancos suíços). Em geral, ficavam satisfeitas em poder exportar café, açúcar e minério-de-ferro a preços de banana. Conseguiam isso com a manipulação do câmbio e com os salários miseráveis pagos aos trabalhadores, entre outras mágicas, como o subsídio à exportação. O cinismo do PFL - e isso também é verdade - não desobriga Lula de cumprir sua promessa, porque ele se apresentou, realmente, como uma esperança de mudança dessa estrutura arcaica e carcomida, que fez do Brasil o campeão mundial da desigualdade social. Pelo menos, como lembrou o deputado gaúcho Beto Albuquerque, do PSB, o governo Lula registra sua primeira vitória. A de fazer com que o PFL e o PSDB se preocupem com o salário mínimo, coisa que sempre desprezaram. Ano eleitoral: e lá vamos nósPressionado de todos os lados, inclusive pelas mulheres dos militares das Forças Armadas, que já ensaiaram um panelaço em Brasília, pedindo reajuste salarial para os maridos, o governo Lula continua usando a imaginação, para tentar sair do sufoco. Sem a ousadia necessária para apressar o andor da queda dos juros, para não irritar a banca nacional e internacional acostumada a se nutrir nas gordas tetas do governo brasileiro, o jeito é apelar para alguns truques que custam apenas saliva.Nesta semana, Lula já falou em criar frentes de trabalho para recuperar 7 mil quilômetros de rodovias; em aumentar o número de recrutas nas Forças Armadas; em dar mais incentivos às empresas, para que saia do papel o Programa Primeiro Emprego; em investir mais na Reforma Agrária. Nada como um ano eleitoral, para botar as cabeças no governo para pensar. No fim, os contribuintes vão pagar as contas, como sempre. A começar pela conta das eleições. O Tribunal Superior Eleitoral tinha R$ 437 milhões para realizar as eleições municipais, mas quer mais. Quer elevar a conta para R$ 594 milhões. Daqui a pouco tem gente pensando que democracia não compensa, custa muito, bom mesmo era o regime de 64. Saco! Aécio faz beicinhoE Aécio Neves está fazendo beicinho, porque o governo Lula hesita em endossar o empréstimo do Banco Mundial, para que o governo de Minas, já extremamente endividado, possa cumprir sua promessa de campanha, de levar o asfalto a todos os municípios do Estado. São mais de 200 sem acesso asfaltado.Há um mês, Aécio lançou oficialmente o programa, mas precisa do dinheiro para que ele seja executado. Segura aí, Lula!
Meus amigos, o Brasil é muito maravilhoso!Temos um dos piores sistemas públicos de tratamento dentário. Tá faltando dente na boca do brasileiro. Mas vocês me perguntam como eu sei disso. É que o povo brasileiro vive sorrindo!! Olha que povo mais maravilhoso!! Não tem dente, mas é feliz! Vivemos em uma terra abençoada, onde se plantando tudo dá. Com isso, temos uma das maiores e mais porpurinadas e ativas (quer dizer, passivas) comunidades gays do mundo! Somos o maior país católico do mundo e, se não bastasse, ganhamos o prêmio de maior país evangélico também! Conclusão: somos os campões mundiais do dízimo!! Fato que conseguimos sozinhos, sem ajuda de ninguém! Precisa falar que somos os campeões da macumba?? Claro que não. Somos os que mais sacrificamos bodes e galinhas no mundo. Viva o Brasil! Tudo bem que nunca ganhamos um prêmio Nobel, mas pra quê? Somos os campeões em prêmios de melhor jogador da Fifa, só o Ronaldo já abocanhou dois. É uma dádiva! Esta frase resume tudo: "Todo mundo tenta, mas só o Brasil é Penta". Tem maior prova de excelência do que essa? Somos um povinho muito porreta! Gente, nós somos o país mais poderoso do Cone Sul! Vocês têm noção da magnitude disso? Nossa influência atravessa fronteiras e chega até ao Paraguai!!! E o garoto Iruan? É de quem? É nosso!!! Somos o maior exportador de putas do mundo, com cerca de 73% (IBGE, 2004) delas indo para boates da Espanha. Sem querer me gabar também, somos o número um em turismo sexual. E depois dizem que ninguém quer visitar nosso país. Somos uma das poucas nações do mundo em que o Big Brother chegou na quarta edição! Que riqueza! Aqui não tem essa de segregação racial, todo mundo fode (quer dizer, transa) com todo mundo, não se importando com idade, cor ou credo. Se assume ou não a criança depois não é o problema, o bonito é se amar! Nossas novelas, cara, são exportadas para todos os cantos do planeta! Sem noção! Podemos não ter muitas boas escolas, mas as de samba são as melhores do mundo!!! Não temos apenas uma polícia, temos duas!! Olha que show. Tem sempre alguém a zelar por nós. Vivemos em uma sociedade justa onde o pobre começa na escola pública e se forma na particular, e o rico começa na particular e se diploma na pública. Todos saem ganhando! É meio a meio! E quem é o melhor no ziriguidum, balacobaco, telecoteco? Brasil!! Somos os campeões mundiais em consumo de Viagra! Bobeou, nóis come! Nossos hackers são os mais temidos do mundo. Mais um título pra terra brasilis!! Somos os maiores consumidores de farinha in natura do mundo. Só nosso Nordeste bate gigantes como o Estado da Califórnia e Texas juntos. Somos líderes em preservação ambiental. Os mosquitos da dengue e febre amarela acabaram de sair da lista de animais ameaçados. Mais uma conquista nossa! Nossos lutadores de vale-tudo são campeões em ringues do Japão e Estados Unidos. Sem contar as personalidades que nasceram neste solo abençoado por Deus e bonito por natureza: Ivo Pitanguy, Raul Gil, Índia Aigo, Nelson Rubens, Clodovil, Gretchen, Sula Miranda, Acerola e Laranjinha, Evandro Mesquita, Simony, Galvão Bueno, Tonico, Tinoco (in memorian), Dadá Maravilha, Suzane Werner, Juba e Lula, Brizola, Bernardo Kucinsky, e muitos outros. E sem esquecer, é claro, os nossos queridos garçons, que são um orgulho nacional! Nesse fim de e-mail (lágrimas a brotar e coração pulsante) lembro daquela bela canção: "... o Tio Sam está querendo aprender a nossa batucada (...) Brasil, esquentai os pandeiros, iluminai os terreiros, porque nós queremos sambar..." ChargeA charge dessa semana, como não poderia deixar de ser, trata do problema do Rio de Janeiro. Não só porque é o "carnaval" da vez, manchete de todo jornal, mas também porque foi iniciada uma discussão a respeito, no post de ontem. Gostei muito porque a ironia do autor, Miguel, foi muito sutil e profunda ao mesmo tempo. Publicada no Jornal do Commercio (PE), de hoje:![]() Como resolver um problema se o principal envolvido não está interessado em resolvê-lo? Como fazer com que um traficante de drogas se interesse por "sair dessa vida" se, nesta vida de todos nós, ele não tem nada a perder? Como falar que ele está gerando um grande problema na comunidade ao redor dele sem ouvi-lo retrucando que a sociedade ao redor dele vem gerando problemas em sua vida desde que ele nasceu? Um sujeito cuja uma expectativa na vida é, quem sabe, "deixar de ser um ninguém" aparecendo morto no Jornal Nacional vai se importar de fazer parte de um grande esquema de tráfico de drogas? Não estou dizendo que o cara está certo ou seus atos são justificados. Mas é importante que a gente perceba que os valores morais dele são diferentes, por terem sido distorcidos em um mundo injusto e desigual. Que ele não tem obrigação de ter humanidade, simplesmente porque ninguém nunca teve humanidade com ele. E que, às vezes, o chefão dos traficantes, líder no morro, foi o único cara que notou a existência dele no mundo e ofereceu uma maneira fácil de ganhar dinheiro (e, com isso, a realização dos sonhos consumistas de que as pessoas deste planeta são escravas). O problema do Rio é mais profundo que isso, mas resolvi escolher uma charge que enfocava um lado da questão que vem sendo abandonado pela mídia em geral. É quase impossível que pessoas como nós, com internet em casa e uma segurança muito grande (comparada aos riscos que ele tem de morrer - não só com uma bala perdida, mas de fome, frio e doenças), sejamos capazes de nos colocar no lugar de alguém do tráfico no Rio. Mas basta imaginar como é improvável aspirar aos "15 minutos de fama" como criminoso para ver que aquela realidade é absurdamente diferente da nossa. Os alienígenas do Rio não são eles, mas suas "vítimas" (coloco a palavra entre aspas porque o ciclo em torno dela me parece muito óbvio para ser discutido). E se nós somos a minoria, não seria mais correto que tentássemos mudar (ou inverter) essa situação, em vez de optar pela brutalidade burra que o Governo vem usando? Rocinha, Rosinha e as soluções mágicas"Lulu tinha 27 anos e era irmão caçula do traficante Cassiano Barbosa da Silva, que morreu em 1987 durante a Operação Mosaico II. Ele assumiu as bocas-de-fumo da Rocinha em 1995, quando Eduíno Eustáquio de Araújo Filho, o Dudu, então chefe do tráfico na favela, foi preso. Dudu fugiu da cadeia no começo deste ano e, desde então, tenta retomar o controle do tráfico."OGLOBO Doze pessoas morreram até ontem à noite (segundo a Folha de S.Paulo de hoje) nos confrontos da polícia militar com traficantes - ou não. O tal traficante Lulu, um dos chefinhos do tráfico no morro, é um deles. No total, quatro são vítimas de balas perdidas, duas são policiais e as outras seis são possíveis traficantes - por "possíveis" entenda-se que talvez sejam apenas jovens estudantes, mortos "sem querer". O circo armado pelos traficantes é o de sempre: armas muito mais potentes que as da própria polícia obtidas no tráfico internacional, confiança e respeito de grande parte dos moradores do morro e medo do restante da população. O sistema do tráfico nas favelas funciona muito melhor que qualquer constituição; uma vez que a população desses locais está à margem da legalidade e da sociedade, o poder paralelo estabelece suas próprias regras e é respeitado. São várias mini-sociedades completas com governo e oposição - uma das diferenças é que nessas "pequenas" réplicas a morte por causas não-naturais é muito mais acessível aos homens de 15 a 25 anos. O temor dos policiais agora é a tomada do poder do morro pelo grupo opositor ao do Lulu. Ou seja; um é preso, o outro toma o controle, o outro morre e o um volta à tona - enquanto isso um tal de Zarur assume o controle do tráfico. Será que matar os ditos "chefões", ou mesmo prender todos os traficantes é a solução? (Na minha cabeça ecoa:::: será que caçar e matar terroristas é uma solução?) A outra pergunta que o vice-governador do estado do Rio, espertamente, sugeriu: será que não seria uma solução construir um muro para proteger o resto do mundo da Rocinha? Rosinha e Garotinho são os bonequinhos fofíssimos, o casal 20 do Rio. Quanto à primeira, ainda não entendi bem o papel dela na situação - seria ter colocado alguém competente na chefia da Secretaria de Segurança Pública? Daí, chegamos ao segundo, que poeticamente leu uma carta em que expressava o desejo de que uma ajudinha de (no mínimo) 4.000 homens da tropa federal fosse enviada ao estado para controlar a situação. Essa carta, pontuada por expressivas anáforas, esclareceu qualquer dúvida que poderíamos ter sobre a situação do Rio. As imagens que tenho do conflito naquela região distante começam a ficar repetitivas: crianças lado a lado a policiais armados, o morro ao fundo de uma bela paisagem; hoje, na Folha, um caminhão de mudanças saía da favela. E sento no meu sofá para passar os olhos sobre as manchetes que abordam o assunto com a sensação de estar esperando o carnaval passar. E tudo voltar ao normal. PS: Propositadamente não abordarei soluções e utopias e nem como a realidade me toca. Comentem suas sugestões!!
Churrasco na sexta-feira da Paixão"Você não vai comer carne vermelha hoje. Se não quiser o peixe, fica sem comer.""Mas eu nem sou católica, mãe!" "Aqui nesta casa não se come carne vermelha neste dia." "Por quê?" "Porque é tradição da casa." O objetivo deste post não é questionar religiões, nem mexer com a fé de nenhum cristão. Mas questionar o poder das Tradições - que têm uma força tão grande na nossa sociedade atual, que conseguem perdurar desde épocas milenares, sem que ninguém se dê conta disso. Por que as pessoas não comem carne vermelha na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira da Paixão? Li uma reportagem com a explicação cristã para esse "ato de penitência", dada por uma freira. Segundo ela, essa tradição se iniciou na Idade Antiga e fortaleceu-se durante a Idade Média. Os banquetes dos nobres e das famílias ricas eram fartos de carnes vermelhas. A associação era quase natural: carne vermelha = luxo, gula e, conseqüêntemente, Pecado (simbolicamente falando, é claro). Por isso, durante essas datas sagradas, os cristãos faziam jejum, deixando de comer a carne vermelha como uma forma de se peniteciarem. A carne dos peixes nem era levada em consideração nesse ritual, já que era barata e apenas consumida por pobres pescadores - portanto, nunca entrava no menu dos grandes banquetes dos ricos. Mas os anos se passaram, os séculos se passaram e já estamos no terceiro milênio depois de Cristo. Acho que chegou a hora de questionar rituais, sem que isso provoque arrepios. Nossa realidade atual é completamente diferente da de dois mil anos atrás. A carne dos peixes que está nas mesas atuais é muitas vezes mais cara. Trocar o filé-com-fritas pela bacalhoada-com-batata-assada deixou de ser um ato de penitência e tornou-se também um ato de luxo, por si só. O sentido religioso da tradição se perdeu. Como evitar o pecado da Gula, com todos esses ovos de chocolate caríssimos, que são o sonho de consumo das pessoas na Páscoa? E, por outro lado, o que dizer dos marginalizados dessa cultura capitalista, que nem mesmo o prato de arroz-com-feijão têm à mesa e definitivamente não podem se dar ao luxo de recusar um prato de carne? Qual é a carga de sacrifício embutida num prato de peixe hoje em dia? E qual a carga de pecado num prato de carne?
Eu acho compreensível que pessoas sem nenhum tipo de instrução sejam facilmente manipuláveis pelos poderosos que instituíram os ritos e Tradições para se conservarem no poder. Mas acho burrice que os mais esclarecidos alimentem esse ciclo vicioso, com os olhos prudentemente tapados e um zíper em volta da cabeça. Por outro lado, mais que burrice, trata-se de grande hipocrisia. E acho que já está passando da hora de se discutir esse tipo de coisa. Para finalizar, transcrevo um trecho do livro A Era dos Impérios, de Eric Hobsbawm, que explica como as tradições se firmaram na atualidade, criando raízes tão profundas: A década de 1870 foi o momento em que os governos, os intelectuais e os homens de negócios descobriram o significado político da irracionalidade. Os intelectuais escreviam, mas os governos agiram.(...) A vida política tornou-se, portanto, sempre mais ritualizada e repleta de símbolos e apelos publicitários, tanto explícitos como subliminares. À medida que os antigos meios - predominantemente religiosos - de assegurar a subordinação, a obediência e a lealdade se desagregavam, a necessidade, agora manifesta, de algo que os substituísse foi atendida pela invenção das tradições, pelo uso de antigos e experimentados suscitadores de emoções, como a coroa, a glória militar e outros meios novos, tais como o império e a conquista colonial. (...) Não criaram, todavia, a exigência de um simbolismo e de um ritual emocionalmente satisfatório. O que fizeram foi descobrir e preencher um vácuo deixado pelo racionalismo político da era liberal, pela nova necessidade de se dirigir às massas e pela transformação das próprias massas. A esse respeito, a invenção das tradições corria paralelamente à descoberta comercial do mercado de massas e do espetáculo e divertimento de massas, que pertencem a essas mesmas décadas. (p. 153-154, A Era dos Impérios). Fica claro, até aqui, que é interesse de um grupo que essas tradições sejam obedientemente cumpridas pelo gado populacional. Elas são vendidas para as massas, como qualquer outro objeto ou valor nos é vendido, de modo que ninguém se pergunte por que está seguindo as tradições de todo o resto. Até o ato de perguntar é vendido como errado, ou desrespeitoso. E, assim, passam-se séculos e milênios... Querem um outro exemplo? Por que é feriado - inclusive para as instituições públicas do país - em dias como Corpus Christi e Quarta-feira de Cinzas (datas cristãs), se o nosso Estado é laico? Por que não é feriado em datas do Judaísmo ou do Islamismo também, se a Constituição garante igualdade de direitos para pessoas de todos os credos? É injusto, é hipócrita e é irritante tudo isso. E olha que nem estou me preocupando em questionar a fé de ninguém - o importante é que, mesmo partindo de uma concepção cristã, com toda a boa-vontade do mundo, essas tradições já perderam completamente o seu sentido. E seu cunho é muito mais político que religioso. Só não vê quem não quer. (Ah, Feliz Páscoa. Aos que realmente acreditam na ressurreição de Jesus para salvar os homens e tudo o mais, usem suas consciências para agirem de acordo com sua fé, e não de acordo com um monte de leis e regras. Aos que não acreditam em nada disso, elevem minha recomendação final ao quadrado.)
1964 e a Eliminação da Pobreza"O malandro / Tá na greta Na sarjeta / Do país E quem passa / Acha graça Da desgraça / Do infeliz" (Chico Buarque - O malandro nº 2) Nascido no irônico ano de 1984, escapei de praticamente todas as mazelas do regime militar dos quais meus pais não tiveram a mesma sorte. Gosto de mencionar isso para dizer que tudo que sei sobre o regime foi na base dos escassos livros de história que abordam esse assunto e dos testemunhos de familiares e amigos que viveram essa época. É pouco? Talvez...mas às vezes aqueles que viveram os horrores dessa época não conseguem se desligar do aspecto emocional que envolve a análise do mais brutal período da história brasileira do século XX. Porém, o aspecto principal que eu gostaria de abordar é a pobreza. Sim, apesar do que o ex-ministro Delfim Neto dizia, haviam pobres no país que não receberam o seu "pedaço de bolo", a analogia favorita do ex-ministro para se referir à economia brasileira. Dentro dessa afirmação, é importante apresentarmos um dos principais projetos do regime militar: a eliminação da pobreza. No entanto, não podemos ver essa eliminação da pobreza como a mera divisão eqüalitária de bens, serviços e oportunidades à todas camadas sociais. A eliminação da pobreza precisou de duas fases para acontecer: a negação da miséria no discurso desenvolvementista ufanista e a repressão violenta aos movimentos de reivindicação social. O primeiro aspecto, essa negação da miséria, é visível no próprio aparelho ideológico do Estado (no caso, a censura comandada tanto pelo Serviço Nacional de Informações como pelo Centro de Informações do Exército). Editoriais de periódicos que tivessem qualquer menção à pobreza dos brasileiros de 1965 até 1975 eram censurados rapidamente, assim como charges, cartazes, panfletos e qualquer outro tipo de veículo midiático. O discurso progressista do Milagre Brasileiro ajudou a difundir mais rapidamente a formação de um pensamento único baseado na perspectiva de que a miséria era um fator isolado, de causas muito mais individuais do que estruturais. Esse crime contra a formação de um povo reflete até hoje, quando vemos o nosso preconceito contra nós mesmos...acreditamos que é da natureza do brasileiro ser malandro e preguiçoso. Sendo assim, apenas os malandros e preguiçosos não estariam no mercado de trabalho. O brasileiro trabalhador era o brasileiro feliz...desde que não estivesse ligado à sindicatos, é claro. O maior problema desse discurso é que ele sofria uma confrontação real perigosa. O êxodo rural criara uma massa de desempregados nas grandes metrópoles, algo muito mais associado a questões socio-econômicas do que ao caráter do povo brasileiro. Além disso, a estatização de empresas e a formação de uma economia voltada para o bem estar social possuía um caráter único no projeto militar, de tal forma que a abertura do mercado de trabalho se tornou tão frágil que, na primeira crise econômica, esses empregos situaram o povo em duas condições: a burocracia estatal intocável e o empregado supérfluo, que poderia ser substituído por um trabalhador menos qualificado. Já o segundo aspecto abordado é mais conhecido graças ao papel das esquerdas no período de redemocratização. No entanto, um recorte histórico detalhado aponta que antes do golpe haviam movimentos em prol da reforma agrária (podemos lembrar do famoso Movimento dos Agricultores Sem Terra, o MASTER) e dos trabalhadores desempregados. Exigências sociais eram cada vez maiores, com intensas greves exigindo a implantação de uma política econômica empresarial que não agredisse o empregado como mera mão de obra. Nos anos de João Goulart e de Jânio Quadros esses movimentos sociais tiveram um papel fundamental para a formação de uma unidade de luta, ainda que ela fosse heterogênea em suas posições (o que desmente a versão oficial de um corpo unificado de "comunistas" preparando uma ditadura de esquerda). A partir do golpe de 1964, e com as dificuldades da burguesia nacional de fazer concessões à tais movimentos, houve toda uma preparação para desarticular as reivindicações sociais comuns dos trabalhadores. As Reformas de Base, planejadas pelo governo Jango, mostravam a futura e promissora idéia de investir na própria sociedade brasileira, uma compensação ao governo Juscelino Kubitschek, cujo projeto desenvolvementista paralisou serviços sociais como a saúde e a educação por alguns anos ainda. Inegavelmente as Reformas de Base tinham um caráter populista, voltado à manifestações sociais que pressionavam a elite política do país. Essa mesma elite assumia então um compromisso com esses movimentos e se desvinculava de uma burguesia cada vez mais atrelada a dois campos. No plano internacional, ela se alinhava com a potência hegemônica da época (alguém quer tentar adivinhar?) e no plano nacional, a mesma burguesia buscava os setores mais tradicionais da sociedade brasileira (os grandes latifundiários e o clero católico). A desarticulação, não só das Reformas de Base pelo primeiro gabinete do governo Castelo Branco, mas também de movimentos reivindicatórios de novas leis trabalhistas, reforma agrária e mudanças no sistema de ensino brasileiro gerou, posteriormente, uma negação da natureza desses movimentos. Eles passaram a ser tratados como cúpulas elitistas com um contingente de "idealistas" que nada mais eram senão massa de manobra para interesses pessoais. Essa visão individualista ao extremo dos movimentos sociais acabou se fundindo à mesma visão individualista que via uma certa lógica em uma identidade brasileira que pudesse explicar a miséria e a pobreza. A nossa ditadura acabou perdendo sua luta na hora de eliminar a pobreza. Preferiu eliminar os pobres. Eliminou os pobres da política, da economia, da educação e, por fim, da sociedade. Esqueceu as reivindicações próprias dos movimentos sociais e estabeleceu uma ordem socio-econômica que começava por discriminá-los. Apesar de ser um regime autoritário de imobilização de massas e de incentivo à ignorância e alienação política, a ditadura brasileira se assemelhou aos regimes totalitários nazista e stalinista: a eliminação dos pobres ao invés da eliminação da pobreza. Hoje em dia, a pobreza e a miséria são assimiladas aos governos civis. Uma pena que seja graças ao esquecimento do sangue dos pobres.
Um sistema contra reclamõesLembro uma época em que eu colocava coisas discutidas nas aulas de Modernidade e Mudança Social e Teorias da Comunicação aqui no blog. As discussões eram muito válidas, porque os leitores traziam idéias muito diferentes daquelas que a gente aprende no curso de Comunicação Social. Hoje tive uma aula fantástica de Fundamentos da Análise Sociológica e minha cabeça está fervilhando de idéias. Mas não vou trazer muito para cá porque sei que o post ficaria longo demais e porque, inexplicavelmente, a participação dos leitores nos comentários está muito menor, apesar do número de leitores diários do blog ter aumentado bastante. Não quero ficar mais frustrada. Só uma coisa que foi dita e que merece ser martelada (de novo e de novo): estamos num sistema fechado, montado por uma rede de poderosos que controlam o país há séculos (e os caras que estão em quase todos os governos de estados e prefeituras, cadeiras do Congresso e chefias de jornais poderosos no país são exatamente os mesmos da época da Ditadura escancarada), em que a ascensão social é praticamente impossível (tendo em vista a Educação desigual, o racismo, o classismo, as crises do capitalismo e uma elite que cede apenas o mínimo necessário para evitar um colapso social e se manter no poder), em que as liberdades são cerceadas por uma mídia dominante controlada pelos mesmos poderosos (inclusive em nível internacional), em que as mídias alternativas não têm voz e nem influência, em que a massa é manipulada e a classe "pensante" (não-manipulada) é acomodada - e a classe manipuladora, obviamente, é a que mantém o funcionamento perfeito e infinito deste sistema. Em que um Lula, de um partido da esquerda, só chegou ao poder porque tinha grana para bancar a publicidade e só tinha grana para isso porque já deixou de ser um José Maria há muito tempo (e já está domesticado ao gosto da CIA). Pimba! Cheguei onde queria. CIA... Será exagero meu e de todo mundo dizer que a pata dos EUA está por trás de todos os velhos sistemas que estruturam as sociedades da América Latina (e outros países ocidentais)? Por trás, como raiz fundamental, eu não afirmaria - mas, certamente, está aliada aos outros responsáveis. Prova disso - e é onde eu queria chegar realmente - foi publicada na revista CartaCapital de pouco tempo atrás (recebi a informação por e-mail e a fonte era o portal Terra, de 19/03/2004). O jornalista Bob Fernandes entrevistou Carlos Costa, ex-diretor do FBI no Brasil, de 99 a 2003. Um trecho: "Segundo ele, a DEA (Drug Enforcement Administration, agência antidrogas americana), a NAS (divisão de narcóticos do Departamento de Estado) e outros serviços doam anualmente em torno de US$ 10 milhões à PF. À revista, Costa diz: 'Quem paga dá as ordens, mesmo que indiretamente. A verdade é esta: a vossa Polícia Federal é nossa, trabalha para nós há anos'. As doações americanas, diz o jornalista, financiam operações da PF, que conta com um orçamento escasso."
Mais um: "Ministério da Justiça se reúne para discutir as denúncias apresentadas pela revista CartaCapital neste fim de semana. Segundo a reportagem, os Estados Unidos teriam grampeado linhas telefônicas do Palácio do Alvorada e do Itamaraty. Em entrevista à revista, o ex-chefe do FBI no Brasil, Carlos Costa, conta que a polícia federal é financiada pelo governo americano. O governo brasileiro ainda não se pronunciou sobre o assunto, nem a Embaixada Americana. O ministério da Justiça prometeu divulgar uma nota oficial sobre o caso. No contato que a produção do Jornal do Terra fez com a Polícia Federal, em Brasília, a informação é que, até aquele momento, os policiais ainda não tinham tido acesso a Carta Capital. Estão esperando chegar às bancas do Distrito Federal." Polícia americana, comandada por políticos conservadores, financiando polícia brasileira? Financiamento significa modo de ação, ideologia, e até mesmo o modo de corrupção no sistema. O Dinheiro define a política. A polícia conserva o Estado. As leis fundamentam uma sociedade. E são os conservadores lá de cima que estão ditando para os conservadores aqui de baixo como que a gente deve viver nossa liberdade-ilusória. Isso, meus amigos, é o que nos chamam de Democracia, na mesma mídia que aponta o dedão para o marginal e garante que a polícia garantirá nossa segurança. Acho que cabe a nós, "classe-pensante" (será?), reclamar. Mas reclamar com força, teimosamente, da falta de solução de um sistema tão encrustrado no modo de vida social. Acomodar não vale! Reformar não adianta! Revolucionar é difícil! Resta reclamar e aumentar o grupo dos reclamões e proteger nossa própria consciência da corrupção dos manipuladores. Ter raiva, eu garanto, pode ser socialmente saudável.
De milagres e de santosUma das pragas do jornalismo são as informações genéricas, sem respaldo em fatos. Quase tão graves quanto contar o milagre e resguardar o santo - ou se referir ao santo, ocultando, até ver quando, o milagre - pragas mais comuns entre os colunistas que labutam no sistema "morde e sopra", "sopra e morde". Na semana passada, disse aqui que Aécio Neves governa Minas sem oposição. Uma informação correta, mas genérica. O Hoje em Dia deste domingo me permite ser mais específico.O velho repórter Elizeu Lopes revela que no ano passado nenhuma Comissão Parlamentar de Inquérito foi instalada pela Assembléia Legislativa de Minas. Se depender do presidente da Assembléia, deputado Mauri Torres, do PSDB, mesmo partido de Aécio Neves, neste ano também não haverá nenhuma CPI, "para evitar exploração política em um ano eleitoral". No ano passado, foram apresentados 12 pedidos de CPI, principalmente para investigar irregularidades no governo de Minas, mas também para apurar sonegação de ICMS pelas cervejarias. Neste ano, foram apresentados outros dois pedidos de CPI, que também deverão ser engavetados. Entre 1998 e 2002, no governo Itamar Franco - eleito pelo PMDB, mas que governou quase todo o tempo sem estar filiado a nenhum partido - foram instaladas 23 CPIs, com apoio do PSDB e PT. Partidos que, hoje, são os campeões do silêncio em Minas, para resguardar os governos Aécio e Lula. Trombeteando O presidente Lula resolveu mostrar valentia, logo com a parte mais fraca e sofrida da sociedade brasileira, os sem-terra. Não vai fazer reforma agrária no grito, avisou o presidente, depois de ler nos jornais (ou ouvir na televisão, mais provavelmente) que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra pretende incrementar em abril as invasões de terra, para exigir pressa na reforma agrária. O MST faz bem em pressionar. Este, mais do que outros governos, só funciona sob pressão. No grito! Laranjas Ainda no Hoje em Dia de domingo passado, uma outra pincelada no triste retrato do Brasil. Ficamos sabendo, pelo repórter Celso Martins, que a Receita Federal vem tentando há pelo menos quatro anos receber mais de 10 milhões de reais de 15 pobres moradores de um bairro operário de Belo Horizonte, o Marilândia. Eles foram usados, sem saber, como "laranjas" de um espertalhão, que utilizou seus documentos para montar empresas fantasmas, que remeteram ilegalmente para o exterior mais de 7 milhões de dólares e deixaram de recolher milhões de impostos e contribuições sociais ao erário. Ano após ano, a Receita Federal vem mandando intimações para que os "laranjas" quitem os débitos. De um deles, penhorou o único bem, uma velha moto, para garantir o pagamento de uma dívida de cerca de R$ 2,5 milhões. Quanto ao verdadeiro dono das empresas, a Receita Federal parece não se interessar por identificá-lo, para cobrar dele a dívida milionária. O velho leão da Receita, ao que parece, sabe perfeitamente a quem não deve caçar. O jornal no qual trabalho ainda não descobriu quem é esse elefante tão temido pelo leão que caça os coelhos, mas vai tentar descobrir-lhe o rastro. Por hoje, é só. Três historinhas singelas, que justificam, no entanto, por que tamos com raiva.
CPI por interesse"Sempre tive uma vida absolutamente pública, e aberta e transparente. Não temo prestar contas ao país. O que eu não posso aceitar é o senador Antero Paes de Barros dizer que, se eu me afastar da Casa Civil, o PSDB não faz mais CPI. Então, a CPI não é para investigar, é para me tirar da Casa Civil... É para imobilizar o governo. O que é isso? A que nível de irresponsabilidade vamos chegar? O que se pretende com isso?" (José Dirceu, em entrevista a Veja de 10/3/2004) A defesa do ministro da Casa Civil não justifica a inclusão de Waldomiro Diniz como seu assessor no ministério, principalmente quando o ex-secretário de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, vem dizer que avisou há muito tempo o PT sobre as investigações acerca do ex-funcionário do governo carioca. A fita gravada de uma conversa dos procuradores José Roberto Santoro e Marcelo Serra Azul, negociando o uso das conversas de Waldomiro com o bicheiro para "derrubar" Lula e "ferrar" Zé Dirceu também não justificam o caso. Mas trazem à tona fatos importantes e o objetivo desta coluna é revelá-los. A CPI Waldomiro Diniz, pela qual luta a oposição e vibra a grande mídia, é algo completamente equivocado e não há razão para acharmos que o governo Lula foge da CPI porque fez algo de errado e precisa esconder. Para me sustentar, parto para a discussão de o que é uma Comissão Parlamentar de Inquérito e seus fins. Constitucionalmente, "as comissões parlamentares de inquérito (...) serão criadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, em conjunto ou separadamente, mediante requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo, sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Ministério Público, para que promova a responsabilidade civil ou criminal dos infratores". A discussão sobre o que seria o fato determinado (imprescindível para a instalação de uma CPI) é que permeia os estudos do advogado carioca Humberto Ribeiro Soares. Segundo ele, isso é o que garante que para instalar uma CPI não se podem utilizar fatos prováveis, possíveis ou supostos, mas sim fatos concretos, individuados e plenamente identificados. Não se podem, dessa forma, abrir inquéritos sobre crises abstratas, evitando-se assim o seu uso político. A realização de inquéritos refere-se exclusivamente a fatos concretos e que tenham ligação com o governo executivo em questão. No caso da Assembléia do Rio de Janeiro, onde já está instalada uma CPI, o caso se insere nesse contexto, uma vez que envolve o Executivo do estado. Para o caso do Congresso Brasileiro, a CPI torna-se inviável. A partir do momento em que as investigações da Polícia Federal, que estão sendo feitas, mostrarem uma ligação com o ministro José Dirceu apoiada em fatos concretos, a CPI torna-se viável. Além de inviável, uma CPI do caso Waldomiro Diniz é irresponsável, por apresentar um interesse político de causar crise no governo. Além de sabermos que a imprensa utiliza-se de qualquer CPI para instalar esse clima de crise, o objetivo é declarado pelo líder do PSDB, Arthur Virgílio, quando pede uma investigação "com os holofotes de uma CPI, em depoimentos ao vivo acompanhados por toda a sociedade" ou ainda, mais gravemente, pela fala já citada do sub-procurador geral da República. Que a sociedade tenha o direito de acompanhar as investigações não há a menor dúvida, desde que ela não seja usada para atingir objetivos de um feudo político. Veja-se o exemplo da senadora Roseana Sarney, que enquanto pré-candidata a presidente da República se envolveu numa denúncia com relação ao marido, que partiu do mesmo procurador Santoro, e acabou renunciando à candidatura. Que o fato seja descoberto, não há dúvida quanto à relevância, mas que ele só seja descoberto no momento em que as pessoas envolvidas, representantes do Ministério Público - que deveria ser apolítico - têm o interesse nisso é preocupante. Alguns jornalistas têm dito que o senador Antero Paes de Barro (PSDB), autor da denúncia do caso Waldomiro, já tinha a fita em mãos desde antes do início do governo e só agora quis mostrá-la. Podem dizer que esse é o artifício que o PT utilizou muitas vezes na oposição e que agora que está no poder quer distância dele, mas lembro aos que pensam assim que o PT não é um partido de pensamento único e que seus membros que mais gritam e fazem escândalos por CPI não são os que estão no governo hoje, mas os que foram afastados do PT na reforma da Previdência ou alguns que estão descontentes com o governo. Não votamos neles. Votamos no PT que decidiu dar uma amenizada no discurso e dizer que iria assumir os compromissos da dívida, em aliança com o PL (assuntos pra próxima coluna). Da mesma forma, não são todos os membros do PSDB que fazem pose de Babá, como o Antero Paes, mas uma pequena parte, muito ligada ao escandaloso José Serra. E é por isso, e só por isso, que também sou contra a CPI e ainda confio em José Dirceu, e defendo sua permanência no governo, até que se prove seu envolvimento no caso. Finalmente a primeira coluna humorística do blog é publicada! Edgar, o índio responsável por tratar de temas políticos com graça e irreverência, nos conta um pouco de sua história fantástica. Qualquer erro ou incoerência pode ser mero erro de tradução...
Biografia por pombo-correio"...a segunda vez nunca será como a primeira, porém quando chegares à quinta estarás pronto para a sexta..."(Frase folclórica da tribo TAFF-MA-Ê) Não se sabe sua data de nascimento, mas acredita-se que tenha nascido nos idos de 68. Em uma expedição em 73, o cientista e pesquisador Jaques Custeau atingiu os limites do estado de Goiás (hoje norte de Tocantins). Em seus estudos antropológicos - "Mitos, Mintos e Mentas - O papel da refrescância dentro de uma mitologia de mentiras" - viu a tribo de Nova Kunhamã, até então desconhecida pelo homem branco e o negro também. (Eram conhecidos pelo homem amarelo, tanto porque os são). Perspicaz que era, Jaques vislumbrou uma grande oportunidade de ampliar seus estudos e trocar espelhinhos por índias virgens. Ficou na tribo por 4 dias e uma noite, porém só deixou o lugar no outono de 74, levando consigo dois pequenos curumins Tico e Nhanhanhenhonhã e batizou os dois com nomes cristãos: Valdiney e Edgar. Quando a expedição chegou a São Paulo, Jacques Custeau, em um dia de garoa enquanto fumava em seu narguilê, teve uma visão e se encontrou em sonhos com James Brown (O Padrinho do soul), que lhe aconselhou a abandonar tudo e se dedicar apenas aos estudos da vida marinha. Os meninos estavam sozinhos e de tangas. Valdiney era preguiçoso e anão, Edgar era indolente e miúdo. Valdiney se dedicou às artes e se tornou torneiro mecânico, Edgar se dedicou aos livros, à poesia, às palavras e, em 1978, depois de 13 vestibulares consecutivos e 4 não consecutivos porém colineares, entrou para a faculdade de Terapia Ocupacional e se formou em 1989. Entretanto, tudo mudou no ano de 1990. Um golpe fatal atingira Edgar. Com a desclassificação do Brasil de Lazaroni da copa de 90, Edgar se desiludiu e perdeu toda sua confiança no homem branco, prometendo nunca mais voltar à civilização. Fugiu para o mato. Mas o mato era muito rasteiro e resolveu fugir para uma floresta. Anos passaram, uvas passaram. Porém, algo inusitado deu um giro de 360 graus na vida de Edgar e nada mudou. Alguns anos depois, Edgar recebeu um pombo-correio não destinado a ele, mas resolveu abrir. A carta perfumada de "Azarro" era do Phd. Willian Monteiro Shultz - pesquisador e intelectualóide de assuntos silvículas de uma facção rebelde da FUNAI e patrocinada pela Monsanto, uma empresa que está em sintonia com o social - para seu amante paraguaio Tony Tri P. Edgar viu que aquilo não acontecera por acaso e resolver explorar a situação. Era a chance de expor o que se passava dentro dos covis de sua mente perturbada e perturbadora. Desde então, Edgar se comunica com Willian através do sistema postal de pombos-correio. Willian traduz os textos de Edgar do tupi para o português, do português para o catalão, do catalão para o esperanto, do esperanto para o portunhol e daí para o português (acredita-se que assim nada se perde na tradução). ChargeHoje é sexta-feira, dia de publicar e analisar a charge da semana que mais nos chamou a atenção. A escolhida foi feita por Angeli (como sempre, excelente) e publicada na Folha de S.Paulo de hoje. Aí está: ![]() Reparem nas fotografias do general Costa e Silva, junto às caveiras e heras venenosas. Alguns documentos com siglas como DSN, SNI e DOPS compõem o ambiente dos anos de chumbo. 1968 foi o ano em que o Ato Institucional número 5 foi baixado, a 13 de dezembro. Durou dez anos, de ações arbitrárias de punição a quem quer que fosse considerado "inimigo do Estado", conferindo poder de exceção aos governantes da Linha Dura. 11 deputados federais foram cassados apenas no fim daquele ano, e ministros do STF foram atingidos no ano seguinte. Vários direitos constitucionais foram bloqueados e a censura perseguiu jornais e artistas. O cinema tinha tarjas pretas, peças de teatro "subversivas" eram proibidas, músicos como Geraldo Vandré, Gonzaguinha e Chico Buarque eram exilados, presos ou torturados (Vandré sofreu lobotomia e nunca mais foi o mesmo...). A charge procura mostrar, na profusão de imagens característica de Angeli, todos os horrores daqueles anos de perseguição e tortura. As pessoas no trenzinho, observando chocadas, talvez não estejam acreditando nos próprios olhos. Afinal, pouquíssimas eram as pessoas da época que tinham conhecimento do que se estava passando no país, de que se encontravam em plena ditadura. O que era divulgado entre o povão era um governo "revolucionário em nome da Democracia e contra os subversivos comedores-de-criancinhas". "No dia 31 de dezembro, o presidente Costa e Silva dirigiu-se à nação através de uma cadeia de rádio e televisão afirmando que o AI-5 não fora 'a melhor das soluções, mas sim a única' para combater a 'ansiada restauração da aliança entre a corrupção e a subversão'. Declarou ainda o presidente : 'Salvamos o nosso programa de governo e salvamos a democracia, voltando às origens do poder revolucionário'."(http://www.cpdoc.fgv.br) O povo acreditou. Hoje, nós - jovens que nascemos já na Era Sarney - nos horrorizamos como as pessoas do trenzinho. Mas fazemos questão de reviver o passado. Resistir sempre, esquecer jamais.
Primeiro de abril!Nós já estamos tão acostumados às mentiras que nos contam, que negar a sua existência é ingenuidade, tentar inverter o quadro, castigar os mentirosos, é praticamente impossível. As CPI s são uma forma de combater as mentiras, ineficaz, é certo... Começam impulsionadas por algumas mentirinhas, no meio, descobrem-se outras mentiras maiores, ficamos chocados com depoimentos de parlamentares, nos divertimos com o circo armado, com os xingamentos precedidos por "excelentíssimo senhor senador". Os que, mesmo culpados, não são punidos; também não constumam passar pelo nosso julgamento, afinal, nossa memória é curta demais. Vemos alguns serem exonerados do cargo, perderem seus direitos políticos por algum tempo. Depois desse tempo os vemos de volta em outros cargos. A nossa propaganda política é o exemplo mais claro de mentira, todos sabem que tudo não passa de montagem de um bom publicitário. Os princípios dos candidatos e partidos valem para alguns, a maioria se encanta com discursos demagógicos e vota em quem consegue construir a realidade mais bela aos olhos do eleitorado, porém inexistente e improvável para o país. De vez em quando, quando elegemos pelos princípios, podemos descobrir que esses eram contos de fada também. A ditadura, comemorando os quarenta anos do golpe ontem, nos acostumou a uma série de mentiras. Primeiro a idéia de que seria passageira, acabaria em quatro anos. Depois criou o seu próprio mecanismo para encobrir as mentiras: os atos institucionais... A censura deu à toda deturpação um gosto doce de "realidade"... Esses vinte e um anos nos condicionaram a venerar as mentiras, a aceitá-las como parte da nossa cultura. Consolidou nosso jeitinho brasileiro. O amadurecimento político, o justo acesso à informação e melhorias na educação são formas de afastar um pouco a naturalidade com que nos deixamos enganar. Infelizmente parece que estamos indo para o outro lado. Site para diversão: www.mundoperfeito.com.br ![]() |
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