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Juiz anula multas da BHTrans Hoje em Dia, MG O juiz da Vara da Fazenda Pública Municipal declarou nulas as multas aplicadas pela BHTrans, porque a empresa não tem poder de polícia para aplicar a punição. Brasil negocia acordo nuclear com a China Estado de Minas, MG O governador Aécio Neves anunciou ontem em Xangai acordo com a multinacional China Aluminium, para exploração de jazida de bauxita na Zona da Mata. O investimento é de US$ 1,5 bilhão. A comitiva mineira aposta em transformar o Estado na porta de entrada da Ásia para o Mercosul. Renda volta a cair; desemprego é recorde Folha de S.Paulo, SP Eram 2,812 milhões de pessoas sem trabalho, 220 mil a mais do que em abril de 2003. Brasil e China negociam acordo de cooperação na área nuclear O Estado de S.Paulo, SP Para governo, acordo geraria recursos para a retomada do programa nuclear nacional e iniciar produção industrial de urânio enriquecido. Queda de renda estimula o desemprego e a pirataria Jornal do Brasil, RJ Fora do mercado, sem trabalho, sobrevivendo de ocupações ocasionais, os cariocas viram diminuir a renda e passaram a comprar mais em bancas de camelôs, alimentando a pirataria. Brasil e China negociam parceria na área nuclear O Globo, RJ Paysandu enfrenta a Terror e crise se agrava O Liberal, PA
Cássio: concurso não substituirá os “pro tempore” de uma só vez
Correio da Paraíba, PB
Suben los bonos porque pagarían más por la deuda
Clarín, ARGSon los títulos públicos que están en cesación de pagos. Subieron ayer hasta 8,2% en los mercados del exterior. Fue el mayor salto en 14 meses.
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Uma das melhores coisas na Universidade é poder conhecer pessoas novas a cada dia, muitas vezes de outras regiões do país e do mundo. Trocar idéias sobre outras culturas e realidades pode ser uma experiência mais produtiva que as aulas de sempre. Isso me lembra uma frase que meu pai me disse, pouco depois de eu passar no vestibular: "na faculdade a gente aprende mais nos corredores que nas salas de aula". E hoje, logo antes da aula de Estado Moderno e Capitalismo, conheci um chinês chamado Yang Su, de Pequim, que acabou me dando uma "aula" com várias informações sobre seu país. Eu literalmente o entrevistei (com grande dificuldade de entender seu Português) e acabei aprendendo algumas coisas sobre uma cultura tão completamente oposta à nossa como é a chinesa. Reproduzo mais ou menos nossa conversa, com o perdão das falhas de memória (e da nossa dificuldade de comunicação): Como é o governo na China?
Lá é partido único, o Partido Comunista. Não há a liberdade política que vocês têm aqui no Brasil, com todos esses partidos que vocês têm por aqui. Não há nenhum tipo de liberdade? Claro que há. A gente só não pode votar para escolher os governantes, porque geralmente os presidentes já são automaticamente os presidentes do Partido. Existe censura por lá? (tive que definir o que é censura para ele) Ah, existe, principalmente nos jornais maiores. Mas tem o jornal do Partido, o jornal republicano (?), tem outros jornais. Mas em qual país não há censura? Ou você acha que no Brasil e nos EUA não há censura? (eu ri estridentemente) Lá tem um editor que corta muito das nossas opiniões (ele disse que era repórter). Mas isso tem em qualquer lugar. Tem gente que não pode ir contra a opinião do Partido, senão vira inimigo do Partido. Alguns governadores de províncias foram destituídos por conta disso (cita alguns). Neste livro que tou lendo (mostro "As Boas Mulheres da China", de Xinran), a autora diz que sofreu muita censura enquanto trabalhava como repórter para uma rádio de Nanquim... Não conheço essa Xinran. Mas isso depende do tamanho das rádios. Tem as rádios do Partido, as rádios mais livres... A China é Comunista? Não, a China nunca foi comunista! Mas hoje ela é praticamente um país capitalista. A diferença é a política mais fechada. Eu sou favorável a esta abertura que está sendo feita; para mim não há isso de nações, o mundo deveria ser todo interligado, para que as coisas da China chegassem até aqui, vocês pudessem ir até lá... Mas o governo de lá ainda se diz Comunista... É, mas o que temos lá é muito diferente do que Marx dizia. Agora as universidades tão virando particulares, as coisas estão se privatizando. O País está se desenvolvendo enormemente. Mas as coisas ainda são baratas. Hoje eles pagam 2 mil reais por ano para uma universidade. No meu tempo a gente nem pagava. Quando você estava na escola, era ensinado que a China é comunista? Como era o sistema de educação da época? A gente tinha - e ainda têm - aulas especiais sobre Marx. Ele era o único filósofo apresentado a nós. A única filosofia. Na época de Mao Tse-tung a coisa era ainda mais forte. Propaganda política fortíssima. A gente tinha que ler um livro sobre ele, havia fotos dele nos lugares. Ele era como o Deus. Quando ele morreu, em 76, foi como se o Sol tivesse se posto, porque todo o povo acreditava que ele era o Sol do país. Se ele dizia "você vai morrer", você podia ter certeza de que estaria morto no dia seguinte. E a relação com Taiwan hoje, como é? Eles querem se tornar independentes de fato. O Partido já disse que, se eles fizerem isso, irá usar de força e da guerra para controlar a província. Todo o povo concorda com o governo da China. E você? Eu concordo também, claro. Taiwan é da China, não tem que ser independente. Você não acha incoerente ter acabado de dizer que é contra isso de nações e defende maior abertura e agora dizer que concorda com uma invasão do governo chinês em Taiwan? Não acho, não. É diferente. O povo chinês é muito patriota. Sangue é mais forte que água (?). O povo chinês é todo contra a separação; só algumas pessoas de Taiwan realmente querem isso. O presidente do Taiwan não pode simplesmente impôr essa decisão. As relações com o Tibet também são conflituosas, certo? Sim. Tem muita etnia diferente no país, muitas raças, muitos credos. Um país daquele tamanho, com 1 bilhão e tantos milhões de chineses não pode ser fácil de governar. Temos 56 etnias diferentes lá dentro. Deve haver muita discriminação, com tantas etnias assim, não é? Há, sim. Mas o Partido não deixa. Para o Partido, todos são iguais, todos têm os mesmos direitos. A etnia da maioria é a minha (esqueci como se pronuncia), a maior religião é o Budismo. Grupos como do Tibet são minoria. Num país com tantas pessoas como a China, como é feito o controle de natalidade do governo? (Ele tenta explicar)Cada um tem um registro geral que permanece na cidade natal, mesmo que a pessoa decida se mudar. É muito mais forte que a certidão. Lá consta os dados da pessoa e, quando ela casa, os dados do filho e o acompanhamento. Toda criança é obrigada a ir para a escola. Todo mundo é obrigado a ter um, e apenas um, filho. Se alguém tem mais de um filho, o governo providencia o aborto e a pessoa paga uma multa. Essa política de controle já existe desde 1982. Ninguém tem nenhum irmão na China há 22 anos?! Quase ninguém. Há casos especiais, quando a mãe tem filhos deficientes mentais, ou hemofílicos, ou com outras doenças graves que diminuirão seu tempo de vida, em que o governo permite que se tenha mais de um filho. Quanto à economia da China, quais são as diferenças entre as vidas na cidade e no campo? Na China, 80% é zona rural e 20% é urbana. As cidades são bem mais ricas que o campo. Existem algumas regiões agrícolas muito pobres, outras menos. Por isso, vem aumentando muito o fluxo migratório do campo para a cidade. E, com ele, o desemprego... (Já vi esse filme antes...). Excepcionalmente, hoje publicarei a coluna do Fernando, que era pra ter saído na última sexta. A falha foi nossa: ele enviou pro e-mail antigo do blog e só conferi o novo. Como ando sem tempo até de raciocinar, deixei por isso mesmo. Mas o assunto que ele escolheu está interessantíssimo. Mais histórico que nunca - e, por isso mesmo, incrivelmente atual.
Onde estão os marinheiros?"Este é o meu rifle. Há muitos como ele, mas esse é meu. Meu rifle é meu melhor amigo. É a minha vida. Sem mim, meu rifle é inútil. Sem meu rifle, eu sou inútil. Eu preciso atirar com meu rifle de coração. Eu preciso atirar melhor do que meu inimigo que está tentando me matar. Eu preciso atirar nele antes que ele atire em mim. Eu o farei. Diante de Deus eu faço esse juramento: meu rifle e eu somos defensores do meu país, nós somos os mestres de meu inimigo, nós somos salvadores da minha vida. Que assim seja, até que não hajam mais inimigos, só paz. Amém" (Juramento do marinheiro - Nascido para matar - Stanley Kubrick) Que não pensem que estou procurando namorado. A pergunta que fica sobre o título possui um caráter de reflexão aparentemente irrelevante: onde estão os marinheiros? Pergunto isso porque a imagem do marinheiro no século XX mudou gradualmente de agente revolucionário para fuzileiro naval capaz de matar, torturar, fatiar, picar, mutilar, enfim, todas as funções que um canivete suíço tem e mais. A marinha, no final do século XIX e início do século XX era o setor mais discriminado das forças armadas de um país. A prioridade era a infantaria, a cavalaria, a artilharia...eram onde as principais tecnologias estavam empregadas, não nos navios, geralmente encouraçados ultrapassados, exceto nos Estados Unidos, Japão e Inglaterra, que disputavam pelos mares o domínio neocolonial durante os primeiros anos do século XX. A marinha, renegada a essa posição de submissão ao exército, era capaz de provocar grandes dores de cabeça. O marinheiro, ao contrário do soldado conscripto que se alistava buscando subir na vida em um serviço sem especialização, entrava na marinha em precárias condições. Era maltratado devido à infraestrutura frágil desse ramo das forças armadas e desprezado pela sua condição de marinheiro, que durante a grande era dos nacionalismos, era malvisto como se fosse um apátrida. Nessa situação de extrema opressão, o marinheiro era comum em revoltas sociais, muito mais que os soldados, sem dúvida. Em 1905, na cidade russa de Odessa, o famoso Encouração Potemkin, antes de virar um filme de Sergei Eisenstein, foi uma das demonstrações da insatisfação social dos marinheiros russos com a política retrógrada da família Romanov. No Brasil, o episódio da Revolta da Chibata é outro exemplo, onde o "almirante negro" João Cândido iniciou um levante com uma frota naval no porto de Rio de Janeiro, cuja grande vitória foi proibir o uso da chibata para castigar os marinheiros. Na Alemanha, no final da Primeira Guerra Mundial, os marinheiros renegaram toda a tradição prussiana que manteve o exército fiel ao kaiser mesmo com a proclamação da República de Weimar, em 1919. Sendo assim, o que houve com esses marinheiros? Onde estão esses agentes revolucionários do qual nenhum candidato em potencial a Lênin podia dispensar? A verdade é que os marinheiros, em termos mundiais, se perderam. A marinha tornou-se uma instituição mais tolerante, em especial com a formação das forças aeronáuticas em conjunto, colocando ambas como potenciais forças de destruição de abastecimento e não mais como coadjuvantes no cenário militar. Os primeiros a compreender isso foram os americanos e isso ajudou muito. Em 1917, prestes a entrarem na Primeira Guerra Mundial, a marinha americana preparou seus fuzileiros para os desembarques na Europa. O fuzileiro naval se popularizou como figura americana, o grande exportador da democracia e da ordem, capaz de resolver problemas mesmo no Velho Mundo. Enquanto no mundo todo o marinheiro era uma verdadeira praga, onde a chibata era a melhor forma de conter, os americanos viam nos seus "mariners" verdadeiros heróis triunfantes. O fuzileiro que morria em terras distantes não mais ficava nos encouraçados, mas ia para a guerra em si, usava de seu rifle com perícia e, quando vinha finalmente a morrer, logo outro o substituía. A marinha americana é uma legítima entidade nacional. A própria figura do Tio Sam ajudou a formar essa entidade nacional ligada à marinha. Mais do que o exército, o Tio Sam representava a glória americana além-mar. Era a sensação de um "troco" depois de mais de três séculos de descobrimento. Agora era o fuzileiro naval americano o conquistador, o desbravador de novas terras, que entrava em contato com a selvageria do velho mundo. E enquanto os marinheiros caíam no esquecimento comum ao desenvolvimento da marinha e de novas tecnologias náuticas, o fuzileiro americano era glorificado e bastaram apenas duas guerras mundiais para se expandir o mito do desbravador na formação do "mariner". O "mariner" nada mais era do que o cowboy dos tempos contemporâneos, o contato máximo da civilização com a selvageria. Até que um dia descobriram que os "mariners" torturam selvagens. Assim como seus cowboys matavam, roubavam, estupravam e torturavam índios, os "mariners" repetem esses atos com iraquianos. Talvez, isso preconize uma nova concepção de "mariner". Ele não é mais o grande herói, contato entre civilização e selvageria. O marinheiro é agora o herói corrompido pela própria selvageria, se torna um selvagem mais violento... e volta para seu país para ser condecorado. Por favor, onde estão os marinheiros!? Bom fim-de-semana para vocêsA foto seguinte ganhou o prêmio Pulitzer de fotografia e já percorreu o mundo todo, comovendo as pessoas. Foi tirada por um fotógrafo norte-americano chamado Kevin Carter, no Sudão. Deixo ela aqui pra que vocês também engulam em seco e mastiguem a seguinte reflexão: até que ponto não estamos, todos nós, nos alimentando - como urubus - da criança da foto? Ou, ao menos, alimentando os urubus que dela se alimentam? O mundo é grande, mas somos todos parte de um mesmo sistema de injustiças. Um sistema sufocante, de tão pequeno.![]() Não digo mais nada...
A caminho, o cabidão de empregosAleluia! O governador de Minas, Aécio Neves, que está sendo preparado pela direita brasileira para disputar com Lula a presidência da República, daqui a dois ou a seis anos - um prazo curto, para quem pensa no Brasil pela perspectiva dos 500 anos passados de poder quase absoluto - começa a mostrar para que vem.Seu grande projeto para o Estado, divulgado nesta terça-feira pelo jornal Hoje em Dia, não podia ser melhor. Afinal, é uma obra do recém-lançado programa de Parceria Público-Privada (PPP). Ou seja, o governo, no final, paga os custos, a privada embolsa os lucros. Pelo brilhante projeto, cuja parte arquitetônica foi entregue ao escritório do comunista Oscar Niemeyer, um cidadão acima de qualquer suspeita, o governo de Minas vai se solidarizar com os pobres deste país, passando a ser mais um locatário. A mágica é simples. Ele assina contrato garantindo a investidores privados o pagamento de aluguéis por 30 anos - em princípio - para que eles possam aplicar seu rico dinheirinho na construção do Centro Administrativo do Governo do Estado de Minas Gerais. Marcos Sant'Anna, que já foi vice-prefeito de Belo Horizonte no governo socialista de Célio de Castro (PSB), antes de ser presidente do sindicato das empreiteiras de obras públicas de Minas - e da Construtora Sant'Anna - é hoje coordenador do Instituto Horizontes, uma ONG criada para defender os interesses das velhas empreiteiras, sem o ranço do sindicato. Ele foi um dos entrevistados, e foi logo informando o que até as pedras do caminho sabem: "O setor privado só investe se for rentável". Pois mestre Sant'Anna pode dormir em paz, que o atual governo de Minas está disposto a garantir essa rentabilidade. Mesmo que, para isso, tenha que desocupar o Palácio da Liberdade, o Palácio dos Despachos e todas as venerandas sedes das Secretarias de Estado, construídas há quase um século na Praça da Liberdade. Sem qualquer risco de protesto pelos intelectuais e artistas mineiros, pois esses prédios serão destinados a um Centro Cultural, em cujas paredes, mais que quadros, serão pendurados centenas ou milhares de cabides de empregos. Enquanto isso, a sede do antigo Bemge - vendido a preço de banana para o Itaú, no governo Renato Azeredo (outro tucano de bela plumagem) - com seus imponentes 25 andares, continua desocupado. Seria exigir muito do barnabé mineiro ir trabalhar na Praça 7, no coração da cidade, um ponto muito movimentado e perigoso (um em cada 10 mil poderia morrer ali, atropelado ou assassinado num assalto). Certamente, será mais divertido ocupar um espaço nos 600 mil metros quadrados do Aeroporto Carlos Prates, onde será erguido o Centro Administrativo, com área construída de 300 mil metros quadrados. Um belo cabide de empregos, que será pago com o seu, o meu, o nosso dinheiro, nem que para isso o governo brasileiro tenha que vender para os gringos a Amazônia.
Larry Rohter a serviço da CIADando continuidade à discussão sobre a cachaça de Lula, quero apresentar um novo ângulo que ainda não foi mostrado pela mídia. Eu disse no meu penúltimo post que Larry Rohter provavelmente era só um joão-ninguém, repórter pau-mandado servindo a interesses maiores (como tantos outros...). Mas recebi um e-mail que joga muito mais lenha na fogueira. Ele é de autoria da professora Célia Ladeira, da UnB e foi repassado por mim pelo professor de História Ricardo Moura Faria, da Uni-BH.Mas lembro a ressalva de sempre: isso é só um e-mail e nada foi checado! Não posso garantir nem mesmo se ele é de autoria da professora. Pode ser só mais uma entre várias "teorias da Conspiração" que surgem na internet depois de polêmicas como a do Lula. Mas, de todo modo, acho válida para aumentar a discussão. "(...) Eu não digo nada que não pode ser provado por qualquer bom jornalista, do Brasil ou de fora dele. Basta um pouco de paciência e vão ver que é tudo absoluta verdade. Passo esta mensagem porque gosto muito de jornalismo e de jornalistas, mas o Larry Rohter tem mostrado que não é um colega de verdade, e que tem uma outra vida, muito sombrosa, que não tem nada a ver com nossa missão informativa. Conheci essa pessoa há muitos anos e convivo com pessoas que conhecem ele muito bem. Portanto, eu não estou dizendo muita coisa nova, mas dizendo coisas que poucas pessoas estão hoje sabendo. 1) Larry não é só jornalista, mas um tipo de agente civil, bem pago, que faz coisas que CIA e FBI não podem fazer. Ele tem trabalhado em toda latin america, sempre com um caderninho de missões debaixo do braço. Quem conhece o Arquivo 33, do US State Department, Bureau of International Information Programs sabe do que eu estou falando. Pesquisem isso e vão descobrir muitas coisas sobre esses mísseis teleguiados. 2) Eu pergunto: o que Larry Rohter foi fazer cinco vezes no US State Department of State nos últimos anos? Média de uma visita a cada ano, e sem contar os almoços com gente estranha dos serviços secretos. 3) O jornalismo-estado americano tem usado Larry para varios serviços. Basta pesquisar e ver que ele foi a pessoa que fez a reportagem para desacreditar a prêmio Nobel da Paz Rigoberta Menchu, da Guatemala. Como fez com presidente Lula, Larry ridicularizou ela, fazendo a líder dos pobres passar por mentirosa. Isso está na imprensa e todos sabem que métodos Larry usou nesta reportagem. 4) Larry sempre foi instruído a trabalhar no setor da Amazônia. No artigo de junho de 2002, ele diz que os "brasileiros são ensinados desde o nascimento que a Amazonia é deles, mas seu governo não tem sido capaz de exercer efetiva soberania sobre a região". Isso está em Deep in Brazil, a Flight of Paranoid Fancy. 5) Em outro artigo, Larry arranjou jeito de dizer que a carne brasileira exportada saía da Amazônia, produzida por trabalho escravo. O governo brasileiro, ainda de Henrique Cardoso, reclamou na época. Isso prejudicou muito o Brasil no Exterior. 6) Na Venezuela, Larry foi várias vezes, sempre fazendo artigos muito negativos contra o presidente Chavez. Ele foi uma ponte entre gente do golpe e centrais de inteligencia americana. O dedo de Larry no atentado foi bastante comentado por David Smilde, da University of Chicago. Vários colegas de Venezuela reclamaram dos artigos mentirosos de Larry, que conseguiram ajudar a desestabilizar o país. 7)Procurem saber quem é Mark Rasch, um cyber policial americano que foi proibido investigar ações de Larry Rohter. Por que será? 8) Larry Rohter é amigo de Claudio Humberto, ex-assessor de Collor de Mello. Trocam muitos favores. É fácil comprovar. 9) Larry esteve envolvido até pescoço com a montagem do cenário para justificar o plano Colombia. Todo mundo sabe da relação entre U.S. troops e os paramilitares que mataram civis naquele país. A anistia internacional tem indícios de que as forças especiais tiveram participação em casos com a carnificina de Mapiripan, em 1997. Larry silenciou. Mas depois contou direito a historia de El Salado. Foi de encomenda. Foi publicada um dia depois de Clinton assinar o acordo de "ajuda" pra Colombia. Larry tem por missão mostrar que esses países são ingovernáveis e, portanto, necessitam de "another formula". 10) Suas matérias tentam mostrar que o Brasil é contra a inspeção de centrais nucleares. Também é para assustar, como na matéria que ele fala que o Brasil está construindo submarinos nucleares, além de dar destaque enorme ao ex-ministro Amaral, como se fosse um perigoso explodidor de mundos. 11) Eu pergunto: em julho, Larry riu ao dizer que a base de Alcantara iria pelos ares. Falou como se previsse algo. Alguém poderia investigar suas relações, encontros com Charles E. Wilhelm (rdo - estratégia). Esse envolvimento me dá arrepios de pensar. 12) Larry Rohter bebe, possivelmente bem mais que Lula. 13) Em uma de suas viagens para Amazônia, contou para vários amigos depois a história de que dormiu duas noites com duas meninas índias. Isso me deu nojo. Era motivo para expulsar ele do Brasil. 14) Pergunto: por que Larry Rohter se encontrou 3 vezes com o político José Serra nas ultimas semanas? (...)" Só digo uma coisa: não é nada improvável que ele seja um jornalista a serviço da CIA e do FBI para desestabilizar governos que não seguem os interesses norte-americanos. Esse método já foi usado várias vezes antes, nada impede que ainda seja usado nos dias de hoje.
O celular e a teoria da conspiraçãoSentada na cantina da faculdade durante uns vinte minutos, devo ter ouvido pelo menos uns vinte celulares tocando ao redor. Cada um com uma música diferente, um toque personalizado para agradar ao ouvido do respectivo dono. E para aumentar minha surpresa.Até pouquíssimo tempo atrás, celular era artigo de luxo. Não era nada confortável carregar um tijolo a tiracolo para uma necessidade tão duvidosa. Mas hoje, com celulares que cabem até dentro do sutiã, todos sentem uma necessidade incontrolável de ter um. É a comodidade gerando necessidade. Tive o meu por um mês. Numa dessas promoções espertas das operadoras, minha mãe me deu o velho Nokia 5120 dela e ganhou um novo aparelho, de última geração (com a condição de que deveria manter a linha por apenas um aninho...). É a propaganda gerando necessidade mesmo. Recebia de vez em quando umas chamadas e meu cartão de 15 minutos parecia predestinado a durar vários meses. Mas, como eu disse, só durou um mês. É que não são apenas os universitários os adeptos da necessidade de celular; também os assaltantes vivem na mesma sociedade de consumo. Descobri isso às 23h, quando voltava da aula pra casa, numa daquelas esquinas escuras do bairro Santo Antônio. Dois grandões vieram por trás e, muito delicadamente, deram uma gravata, me empurraram de encontro ao asfalto e levaram a bolsa e a pasta, com tudo o que tinha dentro. Um mês depois, recuperei todos os textos da faculdade. Eles não estavam muito interessados na Semiótica de Peirce e largaram a pasta no Luxemburgo. Mas aquele aparelho mágico e tão cobiçado foi levado embora para nunca mais voltar. E o ladrãozinho, sem medo de nada, até se identificou: Diego. Cinco minutos depois do assalto, minha irmã telefonou pro meu celular. Esse tal de Diego atendeu, tentou inventar uma história qualquer, mas sabia que não tinha nada a temer. Quê que eu ia fazer: rastrear o celular e chamar a polícia para uma operação de resgate? No máximo, xingar. No dia seguinte, minha mãe ligou de novo. O mesmo cara, com o mesmo nome, mas alegando que não foi ele quem roubou, ele comprou na mão do que roubou. Realmente, esse comércio de celular está chegando a tal ponto de efervescência que deve ser realizado poucos segundos depois de cada assalto. Tudo bem, até o tal Diego sabia que eu não tinha a menor chance de recuperar meu precioso brinquedo. Só me restava ir até a operadora e fazer o que fosse possível para sacanear o assaltante. Como o telefone não era de conta, não dava para bloquear. Mas eu podia colocá-lo em uma "lista negra" para, pelo menos, evitar que meu nome estivesse envolvido em crimes que por ventura fossem realizados com a ajuda dessa tecnologia divina. Lá dentro, mais uma luta: informações erradas, documentos extras, serviço malfeito e incompleto. Eu tentando ser honesta e a TIM dificultando minha vida. Como tenho mania de teorias da conspiração, comecei a pensar se essas operadoras não contratavam gente pra sair por aí roubando celulares, pra alimentar o mercado de aparelhos. Se o tal Diego não seria o mesmo cara que teve a idéia cruel de inventar um aparelho melhor que o outro por semana, para levar as pessoas a acreditarem que o delas já estava fora de moda, prestes a sair de linha, superdesvalorizado. Se for mesmo, parabéns pra ele. Teve uma usuária passiva por um mês e correu o risco de perder uma consumidora ativa para toda a vida. E ativa eu sou mesmo. Taí minha mais nova campanha: gente, usem os orelhões. Tem um em cada esquina e são igualmente dos universitários e dos assaltantes. Charge da Semana Já que o assunto do momento é a cachaça do Lula, a charge tinha que ir por esse lado. Todos os jornais do país abordaram a questão com muito humor - afinal, como mostrou a TT, lados cômicos não faltam. Apesar disso, preferi selecionar o lado meio trágico da questão: a velha hipocrisia. A charge é do Lute, e foi publicada no jornal mineiro Hoje em Dia, de hoje: ![]() Os hábitos pessoais do nosso presidente podem até afetar, sim, sua conduta profissional, mas não justificam de maneira alguma o espaço que ganharam num jornal internacional como o NYTimes. Fica claro, portanto, o interesse deles de desestabilizar a imagem positiva que o Lula vem tendo no plano internacional desde que começou o governo. A resposta de Lula para isso é que foi meio patética. Larry Rohter pode ser um mau jornalista, pode ter lá seus interesses, mas certamente não foi ele quem estava por trás desses interesses mais altos. A ofensa da pessoa do Lula não justifica a expulsão do fulano - nem se justificaria se fosse um problema com o presidente Lula. Justifica, portanto, todas as críticas pela liberdade de expressão e o destaque que ganhou da imprensa local. Mas o lado abordado por Lute na charge foi muito mais interessante. Quem são esses críticos? Estão a serviço de quem? Têm sua consciência limpa para criticarem a censura ou se escondem na velha máscara da hipocrisia? Sim, gente, isso é preconceito meu - mas o que vem de um dos jornais mais conservadores do país com uma das piores pólíticas externas do mundo e governado pelo maior imbecil que jamais ocupou um cargo de Presidência merece ser encarado com os dois pés atrás.
Cômico. Quem não acha?Que o nosso presidente bebe um pouquinho aqui outro ali todo mundo já estava sabendo, os jornais fazem questão de complementar suas matérias dessa forma, relacionando as bebidas consumidas em eventos políticos, ou, como é popularmente conhecido, enchendo lingüiça. Qual o interesse em saber que, durante um jantar com o primeiro ministro de tal país, o Sr. Da Silva bebeu seu Johnnie Walker?Daí chega Diogo Mainardi - colunista da Veja (mais explicações?), aquele que gagueja no Manhattan Connection - e escreve uma coluna denominada "Meu conselho ao presidente" em que discorre sobre os hábitos etílicos de Lula. Sempre ri bastante das "críticas" de Mainardi, particularmente das que começam com "O maior problema do Brasil é...". Com essa não foi diferente, o álcool se tornou o vilão da dívida pública e Lula, conseqüentemente, um dos culpados pela disseminação do vício. Vivendo no Rio, o correspondente americano do New York Times Larry Rohter escreveu um artigo sobre a suposta preocupação dos brasileiros quanto a "bebericagem" do presidente que estaria prejudicando seu desempenho no governo. Ninguém que eu conheça ou mesmo o Mainardi relacionou a bebida com o desempenho presidencial. As preocupações atuais das quais me lembro giram em torno do salário mínimo e do bingo, no máximo do Maluf. Mas quem vai entender um americano em terras brasileiras... E, é claro, quando tudo está girando para o hilário sempre há algo mais para abrir nosso sorriso: O repórter foi expulso do país e teve seu visto cassado. Enquanto Lula não abria mão do seu orgulho, ferido pelas suposições, o STJ, o resto do país e a imprensa americana criticavam a atitude. Finalmente, hoje, cancelaram a medida com liminar em hábeas corpus. Lembrando um comentário feito pelo Edgar, pior que escrever bobagem é comentá-la (naquele caso dou razão ao André). Se fossem tomadas apenas as medidas normais para um caso como esse, pedir retratação ou mesmo processar o jornal, o caso teria continuado no patamar de piada, mas, com a reação exagerada, colocou-se em evidência mais defeitos do nosso presidente e pano pra manga dos críticos de plantão. * Meu conselho ao presidente (para assinantes da Veja) * Notícias do NYT ![]() Será que devemos confiar?A economia brasileira está dando sinais de recuperação, com uma retomada no crescimento, com aumentos nas vendas, nos salários e arrecadação de impostos. Melhor do que isso, o governo brasileiro afirmou ao FMI que não está à procura de um novo programa de financiamento. O Fundo, que esteve em uma missão no país nessa última semana, afirmou que o país está seguindo política fiscal e monetária apropriadas e que a economia nacional tem condições de crescer este ano, além de recomendar a aprovação da revisão do atual acordo que o país tem com o FMI. Ao mesmo tempo em que isso ocorre, analistas internacionais de diversas partes do mundo têm a opinião unânime de que, com o governo Lula, o país vem ganhando maior credibilidade nos mercados internacionais e que nem a queda do dólar apresentada recentemente e a lata do risco-Brasil vão atrapalhar a política macroeconômica brasileira de reduzir a volatilidade monetária e aumentar a estabilidade financeira. Hora para a comemoração? Infelizmente não; é necessário tomar muito cuidado com essa recuperação, porque ela se deu principalmente devido a uma melhora no mercado exportador, sem grandes mudanças no mercado interno. Além disso, existem análises pessimistas de que esse crescimento apresentado pelo Brasil no primeiro semestre não continue a existir no próximo, pois há a ameaça constante do aumento da taxa básica de juros norte-americana, que viria a reduzir os investimentos estrangeiros no país, reduzindo do fluxo de capitais externos e de um aumento constante no preço do petróleo, que vem atingindo recorde histórico. O país tem uma previsão de crescimento do PIB de 3,5% - valor abaixo da média mundial e insuficiente para absorver toda a mão-de-obra disponível. Na verdade, volta e meia a economia brasileira passa por ondas de otimismo, e sempre vem uma "crise fora" abalar esse crescimento. Forte mesmo, o Brasil está na OMC. Reconhecido desde a reunião ministerial de Cancún como um dos líderes dentro da organização, o país vem colhendo vitórias em muitos campos de negociação. A mais recente conquista brasileira foi quanto à quebra dos subsídios norte-americanos referentes à exportação do algodão, com a justificativa de que os subsídios alteram a economia e causam prejuízos às economias de países mais pobres. Os EUA podem recorrer da decisão, mas não é freqüente nos tribunais da OMC que as decisões sejam revertidas.
Rambos para matar as pessoas erradasO começo do Fantástico de hoje mostrou os caras do exército entrando em túneis, usando camuflagens, carregando metralhadoras de mil tiros por minuto, treinando atiradores de elite e fazendo todas aquelas acrobacias que a gente vê em filmes com o Mel Gibson e o Tom Hanks. A missão é invadir as favelas do Rio com aparatos (quase) tão bons quanto os dos traficantes e instaurar uma verdadeira guerra civil na cidade maravilhosa.Acabar com os traficantes parece até tarefa fácil, vendo assim. Mas as pessoas se "esquecem" que muitos milicos e muitos governantes estão por trás desse esquemão do Rio. Quem vai combatê-los? E talvez não se lembrem também que os cidadãos pobres que vivem nessas favelas serão os maiores prejudicados com a invasão do Exército - como, aliás, ocorre em qualquer guerra. E quem é que vai exterminar os jornalistas e os artistas que ajudaram a disseminar o uso de drogas? É isso que Sylvio Guedes, editor-chefe do Jornal de Brasília, se pergunta, num manifesto contra a hipocrisia que achei bem interessante. Taí: É irônico que a classe artística e a categoria dos jornalistas estejam agora na, por assim dizer, vanguarda da atual campanha contra a violência enfrentada pelo Rio de Janeiro. Essa postura é produto do absoluto cinismo de muitas das pessoas e instituições que vemos participando de atos, fazendo declarações e defendendo o fim do poder paralelo dos chefões do tráfico de drogas. Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente. Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelos barzinhos de Ipanema e Leblon. Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas chefias e diretorias. Quanto mais glamouroso o ambiente, quanto mais supostamente intelectualizado o grupo, mais você podia encontrar gente cheirando carreiras e carreiras do pó branco. Em uma espúria relação de cumplicidade, imprensa e classe artística (que tanto se orgulham de serem, ambas, formadoras de opinião) de fato contribuíram enormemente para que o consumo das drogas, em especial da cocaína, se disseminasse no seio da sociedade carioca - e brasileira, por extensão. Achavam o máximo; era, como se costumava dizer, um barato. Festa sem cocaína era festa careta. As pessoas curtiam a comodidade proporcionada pelos fornecedores: entregavam a droga em casa, sem a necessidade de inconvenientes viagens ao decaído mundo dos morros, vizinhos aos edifícios ricos do asfalto. Nem é preciso detalhar como essa simples relação econômica de mercado terminou. Onde há demanda, deve haver a necessária oferta. E assim, com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas. Há farta literatura mostrando como as conexões dos meliantes rastacuera, que só fumavam um baseado aqui e acolá, se tornaram senhores de um império, tomaram de assalto a mais linda cidade do país e agora cortam cabeças de quem ousa lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade. Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é, digamos assim, tolerado. São doentes os que consomem. Não sabem o que fazem. Não têm controle sobre seus atos. Destroem famílias, arrasam lares, destroçam futuros. Que a mídia, os artistas e os intelectuais que tanto se drogaram nas três últimas décadas venham a público assumir: Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro. Façam um adesivo e preguem no vidro de seus Audis, BMWs e Mercedes." O que ele diz é muito sério. Os traficantes só estão podendo tanto porque tiveram a quem vender seus produtos. E só cresceram tão rapidamente porque os produtos que vendiam eram ilegais, mas todos faziam vista grossa e eles conseguiam vender tranqüilamente quanto quisessem. Agora pensamos como tudo seria mais simples se a droga fosse legalizada e os traficantes perdessem sua razão de ser. Mas aí entra aquela questão do Dráuzio Varela muito bem colocada pela TT aqui. E a solução do governo, qual é? Contratar os Rambos para metralhar todo mundo e acabar de vez com a doença social do Rio! Assim a gente vai longe...
A livre-tortura e a livre-censuraVivemos eras de contradições, de extremos, como popularmente já designou Eric Hobsbawm. Mas, nenhuma delas é tão berrante quanto a que povoa as mentes dos cidadãos americanos. A questão que se coloca é de como pode um país "exportar" democracia enquanto baseia suas guerras na tortura e na censura?Não é necessário ser um gênio para entender a política externa do "atire primeiro, pergunte sobre armas de destruição em massa depois". Mas se criou uma contradição nessa política que nem mesmo Bush e Rumsfeld, os reis da argumentação imperialista, estão conseguindo resolver. Eles poderiam muito bem contra-argumentar dizendo que o regime de Saddam Hussein era pior em termos de tortura, que a censura era muito mais brutal, mas há toda uma questão ideológica a se resolver. Se o regime a ser exportado para o selvagem Iraque é modelar, nada mais correto que o principal exportador seja o modelo de democracia perfeita e não um regime que não respeita as Convenções de Genebra e que usa da censura para não expôr suas falhas. Há milhares de pessoas que vão contra-argumentar dizendo que, apesar de tudo, os Estados Unidos ainda são um modelo de sociedade capitalista e de livre-expressão. E, é claro, livre-tortura e livre-censura. Cria-se um princípio muito próximo da atividade política dos regimes totalitários, onde qualquer indivíduo busca se tornar parte integral do Estado e, com isso, não se submete diretamente a ele para reproduzir seus mecanismos. A livre-tortura permite que soldados desrespeitem convenções internacionais e passem por cima de seu próprio comando estratégico para conseguir o que interessa ao Estado. Já a livre-censura permite que poderosos conglomerados censurem filmes que buscam criticar a atual administração. Dessa forma, não cabe mais ao Estado a censura, ou a tortura, já que há sempre entidades supra-nacionais prontas para fazer isso por ele. Se Bush e Rumsfeld não estavam de pleno conhecimento disso (o que é muito questionável), eles possuem um problema muito grave a lidar. O que possibilitou que seus soldados cometessem tais crimes de guerra? Seria a formação "marine", ou a ânsia e a pressão do governo em conseguir informações sobre os guerrilheiros iraquianos? E quanto ao filme de Michael Moore, não é inconstitucional uma entidade barrar a liberdade de expressão? Ou vai se usar a argumentação neonazista para solucionar esse problema, dizendo que a Disney está exercendo a sua liberdade de expressão banindo a mesma liberdade do cineasta? São questões que povoam as mentes americanas. Na minha concepção, dentro desse problema há uma outra questão a se resolver. Os democratas deveriam abdicar das próximas eleições. Não para deixar Bush concorrer sozinho, mas para não ter de enfrentar uma opinião pública cada vez mais combativa no meio político. John Kerry não se propôs a cancelar o "Patriot Act", que tem permitido os maiores crimes à democracia cometidos pelo governo Bush sem o menor discernimento. No plano histórico, a concepção de democracia dos Estados Unidos é antiga demais para sofrer rupturas sem o mínimo de reação. Os defensores mais extremistas das ações da Santa Coalizão no Iraque costumam dizer que está se trazendo a liberdade para o Iraque. Mas, o caminho da liberdade americana já se mostrou passar pela livre-tortura e pela livre-censura. Cabe o questionamento agora: será que é o caminho certo?
Latuff, Novae, 07/05/2004
O FMI como o Lula quer"Conseguimos mudar o critério no que se refere aos investimentos feitos por empresas públicas não dependentes do Tesouro, como no caso da Petrobrás. Agora, parece ter havido um novo avanço: o fundo (FMI) aceitou ampliar experimentalmente seu critério, permitindo que alguns investimentos públicos feitos na área de infra-estrutura sejam excluídos do déficit."Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil, assumindo, publicamente, um avanço no governo Lula. Isso deveria soar estranho, mas não soa, uma vez que o atual governo tem seguido uma série de políticas econômicas adotadas pelo seu governo - e, ainda, acaba soando estranho, uma vez que a oposição do PSDB tem sido feita aos mesmos moldes que a antiga oposição do PT. O fato é que se há um certo "avanço", há que se investigar se isso é verdadeiramente um avanço. Os eternos acordos milionários com o FMI, a renegociação da enorme dívida externa brasileira e a conseqüente submissão a esse organismo internacional tem sido tema comum nos últimos anos devido à sua grande aplicação na economia do país. O país passa a ter que produzir um superávit primário (arrecadação > despesas) em suas contas para que esse superávit seja a garantia do pagamento da dívida (ou melhor, do pagamento dos juros da dívida). Para gerar esse superávit primário, o FMI faz acordo com os países devedores, que se comprometem a cumprir uma série de regras estabelecidas pelo organismo - entre as quais gastar pouco e diminuir os investimentos públicos em infra-estrutura. Assim o país fica amarrado para desenvolver-se. Pior que isso, começam-se a desviar verbas destinadas à saúde, educação, emprego... Tudo para o pagamento dos juros da dívida. Essa situação absurda, que nos é contada diariamente por movimentos da sociedade e professores indignados, está em pauta nas discussões atuais com o FMI. Uma união entre o governo Lula e o governo Kirchner, na Argentina, negociou uma mudança da regra para calcular o superávit primário, excluindo desse cálculo os investimentos em infra-estrutura. Essa decisão, apoiada pelo Bird - Banco Interamericano de Desenvolvimento -, México e outros países, daria mais espaço para os países devedores do fundo conseguirem investimentos para estimular o crescimento. Essa "vitória" latino-americana não traz a solução para todos os problemas de desenvolvimento do país, mas é, sem dúvida, uma boa iniciativa. A capacidade de negociação com o FMI, em lugar da submissão tão clara nos tempos do FHC, é resultado de uma política adotada pelo Partido dos Trabalhadores em sua Carta ao Povo Brasileiro, para as eleições de 2002, tão criticadas pelos setores descontentes com o governo, em que o Partido afirma que cumpriria os compromissos internacionais do país, como o pagamento da dívida. Essa política preventiva de estabilidade é que deu ao país maior credibilidade internacional e a possibilidade de negociar. Ao contrário do que pregam os fundadores do "novo partido da esquerda socialista brasileira" (Babá, Luciana Genro, Heloísa Helena e cia), a simples declaração de suspensão do pagamento da dívida com o FMI não é o caminho mais viável para o crescimento. Embora a ação do governo brasileiro com o FMI possa vir a ter resultados só a longo prazo, parece claro que esse é o caminho mais consciente e mais viável. E é o caminho que eu, ainda, espero que seja feito pelo governo da mudança. Não mudança imediata e frágil, mas uma mudança a longo prazo e estável.
Vivendo e aprendendo Em seu programa quinzenal de rádio, o presidente Lula afirmou nesta segunda-feira que gostaria de dar um salário mínimo de 300 reais. Mas: "Fazer isso sabendo que não tem dinheiro, seria total irresponsabilidade nossa". Lula demonstrou que sabe que um aumento do mínimo, de 260 para 270 reais, elevaria em mais 3 bilhões de reais o déficit da Previdência Social nos próximos 12 meses. Com 260, o déficit será de "apenas" 31 bilhões. O presidente confirmou, ainda, que a Previdência tem 200 bilhões a receber de empresas que estão discutindo na Justiça os valores cobrados. Elas apostam na ineficiência (ou coisa pior) do Judiciário para não pagar ou adiar o pagamento - mas, contra isso, Lula pouco pode fazer, pois ele sabe que deve respeitar a independência dos poderes, prevista na Constituição. Como se vê, Lula aprendeu muito em pouco mais de 16 meses de governo. Durante a campanha, ele prometia dobrar em quatro anos o valor real do salário mínimo... Vivendo e esquecendo O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), se esquece dos oito anos em que seu partido, então no governo, segurou o salário mínimo, até que ele ficasse bem abaixo até mesmo do vergonhoso mínimo do Paraguai. Não esqueceu, é claro, mas aposta no esquecimento da população, que historicamente, neste país, costuma não se lembrar das mazelas do governo anterior - e isso há bem uns 500 anos! É por isso que, vem governo, vai governo, a mesma turma de aproveitadores continua no poder. Agora Virgílio está anunciando que vai apresentar emenda no Senado para elevar para 280 reais o valor do salário mínimo. Esses mesmos canastrões ressuscitaram, há dias, uma emenda que estava sepultada há 12 anos no Senado, para garantir que o número de vereadores - uns sangue-sugas quase comparáveis aos senadores e deputados - não diminua, como quer o TSE. E os aposentados que se cuidem A Constituição de 88 vinculou o valor da aposentadoria ao salário mínimo, para evitar que ele se deteriorasse rapidamente, como vinha acontecendo. O pai do escritor Otto Lara Resende, professor Antônio Lara Resende, que se aposentou aos 70 anos e viveu até depois dos 90, no fim da vida gastaria toda a sua aposentadoria comprando uma única caixa de fósforos... Só conseguiu viver tanto com essa aposentadoria, porque tinha uma família numerosa e bem-sucedida, que amparava os pais. Hoje, para milhões de famílias miseráveis, a salvação é o salário mínimo de aposentadoria que recebe o velho pai ou, mais freqüentemente, a velha mãe. Pois estão querendo acabar com isso - com a vinculação - para que Lula possa cumprir pelo menos em parte sua promessa de campanha. Na verdade, a coisa começou em 1993, quando Fernando Henrique Cardoso era ministro da Fazenda e estabeleceu a URV, dando um cano nos aposentados e deixando uma conta de mais de 12 bilhões de reais (só dos que entraram na Justiça e desistiram da ação), para Lula pagar. Vem mais por aí, não tenham dúvida! E o Aécio? Ele continua saudável e pampeiro, no governo de Minas. Mas, como não consta que tenha feito nada nos últimos 15 dias, de bom ou ruim, vamos deixar que descanse em paz, num merecido esquecimento.
O salário mínimo....Alguém acredita que ele exista? A ambigüidade do próprio nome, no país da piada pronta (Zé Simão), mínimo porque é o menor que pode haver, mas (oh!) não é. Então mínimo porque é pequeno mesmo e não nos falta vergonha para assumir que somos assim, digamos, mínimos - como 1,2% descontando a inflação*.O salário mínimo foi criado por Getúlio, em 1° de maio de 1940, 240 mil réis parecia a garantia de alguma coisa ao trabalhador. Não a garantia proposta em sua definição "Salário mínimo é a contraprestação mínima devida e paga diretamente pelo empregador a todo trabalhador, inclusive ao trabalhador rural, sem distinção de sexo, por dia normal de serviço, e capaz de satisfazer, em determinada época e região do país, as suas necessidades normais de alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte." Manter essa definição na constituição é rir da cara do trabalhador. Talvez essa seja uma garantia, institucionalizar a dependência do trabalhador (sorridente) frente aos mandos e desmandos de um governo qualquer. Berzoini afirmou que salário mínimo não cresce por decreto, concordo completamente, mas não é justamente isso que acontece? Os cálculos complexos que envolvem o aumento, o que o governo pode ou não gastar, o risco-país, os juros, a inflação, são simplificados com o anúncio de uma gratificação de vinte reais ao mês por salário mínimo (para quem ganha por salários mínimos) . E o governo é capaz de dar esse aumento? As continhas da calculadora nacional garantem?. Para muita gente é muita coisa, para um tanto de desempregados e trabalhadores informais não vai mudar nada. Talvez um aumento assim surta um "efeito 1,2" na economia, quem sabe? É, ainda falta muito, sempre lembrando que o importante é começar. * o aumento promovido por Lula foi de 15,3%; 1,2% é o aumento real médio deste governo até agora.
O Lula me cansa, ele é brasileiro demaisO Lula, como Presidente, é um ótimo torneiro mecânico. Ótimo, não, porque se fosse bom mesmo ele se garantia sozinho, não precisava ficar fazendo greve e protesto contra corte de pessoal nas fábricas.Ele é a coqueluche lá fora e coqueluche (a doença) aqui dentro. Acho que estou sendo muito severo. Ele não é uma doença. Acho que realmente exagerei. Tô ficando com dó dele. Ele é um bom homem. Ele sofreu pra chegar lá. Ele veio do povo. Ele tem a língua presa, coitado. A mãe dele nasceu analfabeta. Tá bom, tá bom, ele é um ótimo Presidente! Viram, viram? Viram como ele nos distrai? Poucos criticam o Lula em si. Ele é matreiro, ele desvia as atenções de sua pessoa. E nos faz protegê-lo e fazê-lo de vítima! Mas eu gosto do cara. Para ser realmente justo, aí vai o quadro de "o que me agrada" e "o que me desagrada" no Lula, enquanto pessoa-presidente. O que me agrada: - A coçada na barba em momentos de nervosismo - Seus dedos (todos os nove) - Gosto por bebidas cada vez mais sofisticadas - Fica "mamado" o dia toda, agora que sabe tudo sobre bebidas sofisticadas - Dorme com a Marisa (que é muita areia pro caminhão dele) - Viaja mundo afora - Voz gutural - Tem apelido: Lula O que me desagrada: - Momentos em que está sóbrio - Churrascos na Granja do Torto - Momentos em que está no Brasil, de visita - Língua "plesa" (isso realmente cansa os ouvidos) - Amigos de língua "plesa" - Não me convida para as peladas - É Presidente do país em que vivo (Frase pouco inspirada para terminar coluna pouco inspirada) "Se continuar assim, o governo Lula vai dar PT" ![]() |
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