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Reajuste em 2005 sela acordo com policiais Hoje em Dia, MG Foi mantida a proposta inicial de aumento de 6% a partir de 1º de julho. PMs e civis, bombeiros e agentes penitenciários terão mais 4% em julho de 2005. SAI ACORDO COM POLICIAIS Estado de Minas, MG Mais de 200 pára-quedistas da Brigada Santos Dumont, que são treinados para missões especiais, desembarcaram ontem cedo na Base Aérea da Pampulha para reforçar tropas do Exército em BH. ONU aprova plano dos EUA para Iraque Folha de S.Paulo, SP O Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade uma nova resolução sobre o Iraque, que endossa a presença de forças estrangeiras no país após a posse do governo interino, no dia 30, e apóia também a soberania desse gabinete. EUA e Reino Unido, autores do texto original, cederam em vários pontos. ONU: Iraque terá soberania limitada O Estado de S.Paulo, SP ''País é esquizofrênico'', define Dirceu Jornal do Brasil, RJ Com variadas demandas sociais e de infra-estrutura, cercado de pobreza e, paralelamente, com amplos caminhos para se desenvolver, o país “não conseguiu romper o círculo vicioso da estagnação”, completou. Senado autoriza as Forças Armadas a combater crimes O Globo, RJ Ás do volante em Belém tem 10 anos O Liberal, PA
Bando faz família de gerente refém e leva R$ 100 mil do BNB de Catolé
Correio da Paraíba, PB
Mensaje mafioso a una empresa de electricidad
Clarín, ARG
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O Brasil que sabe capinar"O agronegócio é o maior negócio do país e disso temos todos consciência no Ministério da Agricultura, acompanhados pelo presidente da República."As palavras do ministro Roberto Rodrigues foram ditas com entusiasmo no lançamento do Plano Agrícola e Pecuário para o período 2004/2005, no último dia 18 de junho. Rodrigues referia-se ao setor que representa 33% do PIB nacional, 37% de todos os empregos do país e 42% das exportações nacionais, sendo um setor superavitário nas exportações brasileiras. O novo plano conta com um aumento de 45% dos recursos destinados à agricultura, e tem o objetivo de aumentar a produção e a produtividade agropecuárias, expandindo as áreas de cultivo de forma sustentável para oferecer alimentos saudáveis à população e ampliar as exportações. No plano passado, o governo fez o compromisso de recomposição de estoques públicos - o que significa que, de um estoque de 140 mil toneladas, o país já passou a ter 1,35 milhão de toneladas, o que garante conforto para os consumidores. Novas propostas, como um título emitido por cooperativas, indústrias e instituições financeiras que vão criar um fundo de investimento para aplicar no setor agropecuário brasileiro. Os bancos já se preparam para lançar esses títulos, em especial o Banco do Brasil, que já tem linhas de crédito rural. Há ainda a criação de seguros rurais, subsidiados em parte pelo governo e incentivando a iniciativa privada. Todo o projeto pretende então atender às demandas de aumento da área plantada, aumento da tecnologia de produção, com recursos do governo. Fora a área de incentivo de créditos, o Brasil tem investido muito na exportação. Hoje o país já é o maior exportador de carne, com um crescimento significativo no setor avícola, tem uma força muito grande na exportação de café, suco de laranja, açúcar, soja, e tem enfrentado uma briga, na OMC, contra o subsídio dos Estados Unidos ao algodão para poder competir também nesse mercado. As diversas e inumeráveis viagens do presidente serviram ainda para abrir um espaço de negociação ainda inexistente com alguns países. Foi o caso da China, com a qual já se tem negociado quantidade significativa de soja, e também os casos da Índia, Oriente Médio, África do Sul e toda a América Latina. É também marcante a atuação dos ministros de governo nos órgãos internacionais na luta contra os subsídios norte-americanos e europeus para a área da agricultura. Ligando o crescimento à área agrícola, o governo Lula tem promovido não uma volta à famigerada vocação agrícola do país, mas uma valorização desse setor que ainda é primordial para a economia brasileira e mundial. E, como se vê com os projetos acima, não é à toa que o nome do Plano Agrícola e Pecuário 2004/2005 é "Quanto mais forte o campo fica, mais força o Brasil tem para crescer".
Eu não agüento mais o Brizola!"Poder não é missão nem sacrifício. É um prazer!" (Antônio Carlos Magalhães, vulgo "Toninho Malvadeza") Comecei mal. Comecei citando ACM para falar do Brizola. Mas é que eu não agüento mais! A transição figura política para mito começa a cometer afrontas históricas e coloca Brizola com fotos do lado do Getúlio e do Jango na casa das famílias brasileiras. Não sem razão, é claro. Mas canonizar o "tio Briza" requer um pouco de tempo... ou bom senso. O velho era apegado demais ao poder - seu desejo de ser a salvação dos pobres do país era uma forma de alçá-lo ao seu sonho máximo, ou seja, a presidência da república. A história política de Brizola é de um jovem do interior gaúcho, perto de Passo Fundo. Nasceu em 1922, que foi um ano e tanto para a política brasileira (tenentismo, 18 do forte, etc...). Era filho de pequenos lavradores e entrou no PTB em 1945, após a abertura democrática iniciada durante a ditadura getulista do Estado Novo. Como o Partido Comunista seria banido da vida política dois anos depois da reabertura - e estava totalmente subordinado à burocracia e ao stalinismo - o PTB acabou sendo o partido mais à esquerda do país. Era uma esquerda gozada... nacionalista, paternalista e, em último caso, populista (um adjetivo um tanto quanto pejorativo na época, mas vá lá). E o jovem Brizola se encaixou perfeitamente nesse perfil. Em 1954, tornou-se deputado federal e passou a enfrentar Carlos Lacerda e a UDN, acusando-os de entreguistas. Um ano depois foi prefeito de Porto Alegre e, em 1958, virou governador do Rio Grande do Sul. A sua ascensão política meteórica foi barrada apenas em 1962, pelo já abertamente golpista Ildo Meneghetti, que conseguiu derrotar Brizola e o PTB em uma campanha suja, em que aterrorizou a população gaúcha com dizeres como: "Se o brizolismo persistir, as famílias gaúchas terão de dividir suas casas com vagabundos que não querem trabalhar." Algo como o que a Globo fez em 1989 com o medo de que Lula vencesse as eleições presidenciais. Brizola, durante seu governo no Rio Grande do Sul, foi extremamente progressista. Incentivara Jango a realizar suas reformas de base, deu incentivo à educação pública, estatizou a companhia elétrica, investindo diretamente na infra-estrutura no estado. Brizola e o PTB eram o contraponto à política de Juscelino Kubitschek (figura histórica que todos nossos candidatos a presidente nas últimas eleições idolatraram). Sem contar que, em 1961, na primeira tentativa de golpe contra o governo de Jango, Brizola fez questão de liderar a campanha da Legalidade. Contra os golpistas, ele distribuiu armas aos gaúchos para lutarem pela constituição... O golpe foi adiado exatamente por ver que a população estava do lado do governador e não dos militares. Quando governador do Rio de Janeiro, lutou para realizar a mesma política progressista e populista que o destacou no Rio Grande do Sul. Uma das medidas mais demagógicas feitas por ele, criando linhas de ônibus dos subúrbios cariocas às praias da elite, gerou uma reação das classes dominantes que só serviu para alçá-lo como verdadeiro "pai dos pobres". Herdeiro direto de Getúlio, tudo que o Velho sempre quis. Mas, verdade seja dita, Brizola não foi um anjo. Sua política era personalista e demagoga, baseada em confrontos pessoais e de um assistencialismo que deixara a esquerda brasileira da redemocratização doente. Brizola, após as Diretas Já, desejava voltar aos anos 60, a uma era onde a esquerda tivesse escondida no armário e que pudesse ser a única salvação popular. Sua ânsia por poder não atropelou os ditames da ética parlamentar (nunca esteve envolvido em casos de corrupção), mas suas lutas personalistas lhe tiravam toda moral. Em 89, chamara Lula de "sapo barbudo" em um debate. Em 98, se tornara seu vice-presidente. O seu próprio partido decidira que apoiar a esquerda, no momento histórico que viviam, era um tiro no pé. Mas Brizola permaneceu lá, com suas concepções políticas populistas. O PDT, que foi idealizado por ele já que a sigla PTB lhe havia sido usurpada, chora lágrimas de crocodilo com a morte do seu líder nos dias de hoje, pois o oportunismo e a ausência de ética acabaram guiando os dirigentes desse partido para posições que causariam asco no Velho. Talvez por isso tudo não agüente mais o Brizola. Ele morreu. Com ele morre parte da política brasileira. Com ele morre parte das lutas da esquerda do nosso país também. Isso serve apenas para comprovar que o velho Briza podia ser um grande político, mas nunca soube que a história tem dessas. Se ele queria ser a salvação dos pobres do Brasil, apostou as fichas no cavalo errado. Um dos caprichos da história é que ela só se repete como farsa.
Brizola podia morrer? A pergunta parece estranha, mas é que o Brizola, pelo menos na minha cabeça, parecia uma daquelas pessoas imortais que a gente raramente ainda vê por aí. Mais que isso: político sempre presente na história do Brasil (ou presente há 60 anos, o que é mais que um "sempre" para mim). Se bom ou mau político, há muito o que se discutir a respeito. Talvez fosse mau, por ser populista em muitos momentos, cabeça-dura em outros tantos, por querer aliar-se ao PMDB, por apoiar o casal Garotinho, por ser demagogo e coisa e tal. Talvez fosse bom, pela participação inegável no processo de democratização do país, desde o início dos 60, pela defesa da soberania nacional, pela coerência em momentos-chave e pela honestidade (pelo menos até onde todos sabemos). Ele tinha a ficha limpa - e isso é muito, tendo em vista outras figuras que permaneceram tempo demais na nossa política (e até hoje, infelizmente, ainda não bateram as botas). Como colocou alguém nalgum destes artigos por aí, ele foi peça chave, entre seus erros e acertos. E entrou pra História (agora de forma definitiva, uma vez morto - e santificado, ou mitificado, pela mídia e pelo povo). Alguém desse naipe não pode passar em branco no Tamos com Raiva. Por isso decidi publicar seis artigos, tirados da Folha de S.Paulo e do Jornal do Brasil de hoje, escritos por Elio Gaspari, Oscar Niemeyer, Jânio de Freitas, Dora Kramer, Marco Antônio Villa e Clóvis Rossi, quase todos fazendo uma certa homenagem ao defunto, destacando suas qualidades e dando pouca ênfase aos problemas que permearam sua longa carreira. Deixo a vocês a tarefa de complementar o post, com suas idéias sobre Brizola ou sobre algo dito nos artigos. E deixo ao Fernando, nosso colunista-historiador, a análise mais aprofundada para a próxima sexta-feira.
Cliquem e leiam:::::: De cada dez que se apinhavam no salão, ou se alinhavam na imensa fila que ganhava quarteirões para além dos portões do palácio, pelo menos dois traziam ao pescoço o lenço vermelho, marca inequívoca do brizolismo. Nomeando-se herdeiro de Getúlio Vargas, Leonel Brizola viveu carregando a bandeira do trabalhismo (seja lá o que for que isso signifique). Morto, reavivou emocionantes lembranças do século 20, mas deixou pequena herança ao 21. Brizola nunca pediu, nem precisou fazê-lo, que esquecessem o que disse ou escreveu. Nunca traiu o que ofereceu aos eleitores como seu governo. Entre seus erros e acertos estiveram sempre a franqueza com os outros e a lealdade a si mesmo. Recordo que, quando vieram as eleições e me perguntaram qual seria o meu candidato, respondi: "Brizola ou Stedile. São guerreiros. E muitas vezes isso é fundamental." Insistia teimosamente em recolocar no debate político temas que eram considerados superados, mesmo o país estando havia 20 anos paralisado, sem nenhuma mostra de recuperação econômica consistente. Dada a hegemonia do discurso e da prática conservadores, Brizola somente incomodava os donos do poder. Não era mais considerado um adversário a levar em conta. Politicamente era um morto-vivo. O fato é que, nos tempos de Brizola, como hoje em dia, quem tem de provar que é democrática, na América Latina, é muito, muitíssimo, mais a direita do que a esquerda. ![]()
Aecinho e a Liberdade de ImprensaResolvi dar continuidade ao tema da última coluna: a liberdade de imprensa. Divulgo aqui a nota integral que Jorge Kajuru escreveu e que retirei do site de jornalistas Comunique-se. "Aos meus amigos e amigas: Pela permissão que você me concede de entrar na sua casa, tenho a obrigação de sempre lhe falar a verdade, nada mais que a verdade. Para quem não assistiu à segunda edição do Esporte Total na última quarta-feira, dia 02, às 20h15min, aqui vão os motivos pelos quais estou mais uma vez fora do ar: 1º - A Band Minas escolheu o portão do Mineirão como cenário de minha apresentação ao vivo. Desde 19h30 eu assistia a uma revolta de centenas de torcedores que não puderam comprar ingressos e que não tinham 400 reais para comprar nas mãos de cambistas. Toda a imprensa tinha conhecimento que somente 42 mil ingressos foram destinados ao grande público. E que mais de 10 mil ingressos-convites estavam nas mãos do governador Aécio Neves e do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Quando eu passei a ver de perto a revolta dos torcedores deficientes físicos que não podiam ter acesso ao portão que sempre foi para entrada exclusiva deles e que, naquele jogo Brasil e Argentina, estava destinado a artistas, políticos e seus acompanhantes, aí sim comecei a mostrar ao vivo o que estava acontecendo. Fiquei indignado. 2º - Primeiro entrei ao vivo no Jornal da Band com o Carlos Nascimento. Relatei os fatos, mostrei tudo! E devolvi para o Nascimento, que fez o seguinte comentário: "A gente gosta do Kajuru por isto. Porque ele fala o que ninguém fala e mostra o que ninguém mostra". 3º - Às 20h30min, meia hora depois, comecei a apresentar ao vivo o Esporte Total do mesmo lugar. Ali não parava de chegar todo tipo de político e de artista sem ingresso, apenas com o envelope azul do convite do governo de Minas. E ali aumentava, cada vez mais, a revolta das pessoas. Cumpri meu dever jornalístico. Mostrei tudo e entrevistei alguns torcedores. Às 20h30min, quando me dirigia a um torcedor na cadeira de rodas, que apontava uma carteirinha e, aos gritos, dizia que era uma lei federal e que ele deveria ter prioridade para entrar, eu disse: "Mais um conflito que você vai ver logo depois do 1º intervalo do Esporte Total!!" Conclusão: até agora não voltei! Estou fora do ar esperando pela decisão da emissora! Decisão: nesta quarta-feira, dia 09, a direção da Band me demitiu às 11 horas da manhã. O diretor de jornalismo, Fernando Mitre, fez a comunicação e disse que saio de portas abertas e que a empresa tem certeza que um dia ainda vou voltar. De minha parte saio sem nenhuma mágoa e francamente agradecendo à Band por ter me dado tanta liberdade até o dia dos episódios: Casas Bahia e governador Aécio Neves. A estes dois deixo a mensagem de que continuo sendo jornalista. À Band deixo a minha compreensão de que mundo econômico é assim mesmo: um conflito permanente da liberdade de imprensa, neste Brasil mais chegado à liberdade de empresa e de autoridade. Nesses 30 anos de carreira muitas coisas perdi em função da postura mas felizmente duas coisas eu não vou perder jamais: a minha dignidade e o meu direito pleno de indignar com as coisas erradas. Essas duas coisas pertencem a mim, não estão em contrato e ninguém pode me tirar. Agora, me dirijo a você, que me assistiu durante esses 14 meses na Band: Muito obrigado por tudo e principalmente por ter dado a mim a certeza de que vale a pena ser digno, continuar transparente e seguir numa relação de mão dupla com você de casa. É isso aí e orgulhosamente volto a ser pobre, feio, mas pelo menos magro. Até a próxima demissão." Jorge Kajuru >Termino com comentários publicados no Lance! por Juca Kfouri. Mais uma crítica à nossa infindável lista dedicada a Aécio Neves: "(...) Diante de uma proposta para que se desculpasse das justas críticas que fizera à verdadeira farra deslumbrada que foi a organização do jogo entre Brasil e Argentina - desculpas que deveriam ser dirigidas ao governador tucano de Minas Gerais, Aécio Neves - o jornalista preferiu o caminho de casa. (...) Impossível provar que o governador tenha reclamado de Kajuru à direção da Band, embora sejam vários os depoimentos de jornalistas que atestam procedimentos deste gênero.(...) Quanto ao governador mineiro, no que diz respeito ao futebol, basta lembrar de dois fatos: quando presidente da Caixa Econômica Federal não moveu uma palha para elucidar a denúncia sobre a existência de uma máfia na Loteria Esportiva, inquérito herdado de gestões passadas e que só encontrou boa vontade em sua apuração no curto período da gestão do pernambucano Marcos Freire, que morreu em acidente aéreo. Bem mais recentemente, na presidência da Câmara dos Deputados, o neto de Tancredo Neves ajudou a livrar Eurico Miranda de ter seu mandato cassado, embora houvesse provas suficientes para tanto nas CPIs do Congresso. Kajuru denunciou no ar que os deficientes físicos estavam sendo tratados como gado no Mineirão, em oposição ao tratamento dado aos convidados do governo mineiro e da CBF (que, é claro, deve ser mesmo de primeira, diferenciado, como o torcedor comum, que paga, merece o tratamento adequado). Se isso não é notícia, vamos todos para casa. Com a consciência de que quem se curva diante dos opressores mostra o traseiro aos oprimidos, frase genial de Millôr Fernandes."
Tamos com raiva"Todo homem tem direito à liberdade de opinião e expressão". É mais ou menos isso que diz a Declaração Universal dos Direitos do Homem, um dos mais criativos textos de ficção de nossa época. Há alguns dias, tivemos um exemplo claro de como a frase, tão velha como a serra, está cada vez mais distante de nossa realidade. Alberto Dines, quase um ícone da imprensa brasileira, foi pela segunda vez demitido do Jornal do Brasil. A primeira, quando era editor-chefe, em plena ditadura militar. A segunda, como simples colunista, por ter criticado no Observatório da Imprensa, semana passada, a forma como o JB vinha cobrindo a rebelião num presídio carioca. O dono do JB parece achar que só ele, o dono, tem liberdade de opinião e expressão. Que o jornalista, como assalariado, escreve ou fala o que ele, o dono, permitir. O pior é que essa crença não é exclusiva de Tanure, um recém-chegado a este ramo empresarial. Ela se espalha, como fogo em campina seca e varrida pelo vento, por praticamente toda a imprensa brasileira. Vai se alastrando em todos os níveis de governo e, pior, dentro da própria imprensa, entre os jornalistas. É por isso que quase não houve reação, quando Kajuru foi demitido da TV Bandeirantes, por ter criticado o governador de Minas, Aécio Neves, que em conúbio com o presidente da CBF distribuiu 10 mil ingressos, sob a forma de convites, para socialites, artistas, políticos, cartolas et caterva, enquanto milhares de pessoas, que passaram horas nas filas, ficavam sem ingresso para assistir, no Mineirão, ao jogo Brasil-Argentina. A revista Veja chegou a chamar Kajuru de encrenqueiro, justificando assim a sua demissão! A verdade é que os jornalistas estão humilhados e cabisbaixos. Trabalhando muito, quando empregados, sem qualquer liberdade de expressão e opinião- e mal pagos. Sabendo que por qualquer coisa que faça e que desagrade ao dono, por desagradar a um governante, será substituído. E que é grande a fila dos desempregados que querem a sua vaga. Até onde a vista alcança, não se vê qualquer solução para estes e outros problemas de nosso Brasil. Por enquanto, resta-nos apenas tentar manter acesa a chama da indignação.
Na sua casa tem luz?"Sabe o que significa a possibilidade de fazer uma casa de farinha, o que significa a possibilidade de colocar uma bomba para puxar água, o que significa a possibilidade de fazer uma máquina para fazer o farelo, para fazer moer o milho. Ou seja, é uma coisa de muita grandeza que possivelmente muita gente que more na cidade não tenha a clareza da importância de um bico de luz." As palavras do presidente Lula foram ditas no lançamento do programa Luz para Todos, um dos grandes trunfos do governo dado com rapidez e muita eficiência pelo Ministério de Minas e Energia, comandado pela gaúcha "porreta" Dilma Roussef. Sem aparecer muito na mídia e tendo feito um dos trabalhos mais concretos até agora no governo Lula, Dilma, que participou da equipe de transição do governo, lança o programa com uma satisfação pessoal enorme. Depois de conseguir com êxito a aprovação no Congresso de um novo modelo institucional para o setor elétrico, Dilma comemora a fase de "realização massiva" do projeto. O programa Luz para todos, lançado em novembro do ano passado, tem o desafio de acabar com a exclusão elétrica num país em que mais de 12 milhões de pessoas ainda não têm acesso à luz. Com metas de cumprir esse desafio em 2008, o programa envolve uma ação conjunta de ministérios, concessionárias de energia elétrica e governos estaduais e prevê a aplicação de mais de R$ 7 bilhões, sendo R$ 5,4 bilhões do governo federal e o restante partilhado entre governos estaduais e agentes do setor. A instalação da energia elétrica será gratuita para famílias de baixa renda, que também receberão um kit com duas tomadas, três lâmpadas e um medidor de energia, além de prever tarifas reduzidas para consumidores residenciais com consumo mensal inferior a 80kwh/mês. Para isso o programa conta com agentes que terão a responsabilidade de identificar as demandas e as vocações produtivas de cada região, dar informações sobre o programa, prestar assistência, fiscalizar e orientar sobre o uso da energia. A primeira experiência do projeto foi na comunidade de Nazaré, no Piauí. Lá a energia elétrica permitiu a instalação de um centro comunitário para a produção de farinha, o bombeamento de água para abastecimento da localidade e a instalação de computadores na escola e de antena parabólica para transmissão de programas educativos. Essa é uma mostra do principal objetivo do projeto que é estimular o desenvolvimento social e econômico das comunidades atendidas, tendo como conseqüências redução da pobreza e aumento da renda familiar. Além disso o programa poderá promover a criação de cerca de 300 mil empregos diretos e indiretos, sendo dada prioridade ao uso da mão-de-obra local e compra de materiais nacionais. As regiões prioritárias em que o programa será aplicado serão aquelas com menor índice de desenvolvimento social e econômico. Com programas como esse, nós, eleitores de Lula, vamos reconhecendo melhor a atuação de um governo petista e que prometeu colocar a esperança no lugar do medo. Por que a mídia não dá a mesma cobertura para esse tipo de ação e prefere abordar incansavelmente os escândalos de pessoa ligadas ao governo? Talvez porque seja o objetivo do jornalismo. Talvez porque seja interesse de muitos. O que interessa é que a minha função aqui no TAMOS COM RAIVA é mostrar otimismo com relação ao governo e principalmente ressaltar atitudes louváveis como essa, que estão acontecendo e não podem passar despercebidas.
Cordeiros de deus: paguem bem e garantiremos seu paraísoO grande podre da IURD e de algumas outras igrejas neopentecostais é enriquecer às custas de pessoas pobres, que muitas vezes oferecem seu dízimo em vez de pagar um tratamento dentário ou de dar lazer aos filhos (lazer é pecado!). Endividam-se para glorificar a deus, enriquecendo pilantras que, na grande parte das vezes, agem realmente de má-fé. E é assim que a IURD construiu um verdeiro palácio na zona sul de Belo Horizonte, onde vivo, é assim que compraram uma rede de TV nacional, várias cadeias de jornal impresso e emissoras de rádio. Os pastores da IURD têm METAS! Vocês percebem o alcance disso?? METAS da quantidade de dízimo que devem arrecadar, da quantidade de fiéis que devem converter - METAS, como um comerciante qualquer ou um bancário! É a venda de indulgências em pleno século XXI! E, repito: às custas de pessoas humildes, que entregam seus tostões em busca de uma felicidade ilusória, que o desemprego e a miséria da realidade não podem oferecer. Hoje descobri um site, montado por um tal de Emerson Silva, que narra toda sua trajetória como fiel, obreiro e participante ativo da IURD, até sua consciência e revolta com tudo aquilo. Se tudo o que ele descreve for verdade - e não duvido que o seja, partindo desse ideal de lucro das Igrejas Universais -, então o podre que há nesse tipo de instituição é muito mais profundo do que apenas suspeitamos. Tendo em vista o ritmo enorme de crescimento dela e às custas de quem se dá esse crescimento, só tenho uma coisa a declarar: estou com raiva! Peço desculpas pelo sumiço meu e da TT. Da minha parte, problemas nos horários cheios. E a amiga está tendo vestiba esta semana. A partir de segunda que vem, vamos tentar atualizar algo mais que as Machetes do dia!
ChargeQuase todos os jornais de hoje publicaram charges sobre a "fidelidade canina" de Dirceu a Lula que eu, sinceramente, não acho nem um pouco relevante (embora seja, sim, ótimo tema para uma charge). Com muito custo achei uma melhorzinha que, agora, repasso a vocês. Foi feita por Sinovaldo, do Jornal NH (Novo Hamburgo, RS) de hoje: ![]() Festa Junina está aí, e aquela tradição de pular fogueira torna-se um desafio para os baixinhos. Mais difícil ainda quando a fogueira tem grandes labaredas, de alturas inalcançáveis. Se a dupla homem/fogueira for trocada pela salário-mínimo/custo-de-vida, acho que a situação torna-se definitivamente insustentável. Para quem se lembra, eu estava fazendo concurso para o Banco do Brasil no fim do ano passado. Passei. E o que vejo lá, no meu dia-a-dia, daria inspiração para muitos Dickens da atualidade. Ao lado de pessoas com R$100 mil parados em conta-corrente, há os senhores idosos que vão com seus cartõezinhos de beneficiário do INSS, toda primeira semana do mês, receber seus 260, raspados até o último centavo. Ou os garis, lá pro dia 7, voltando para sacar os 2 reais que tinham deixado para cobrir a CPMF. Uma gari pedindo ajuda porque um pedaço de cadeado bateu no olho e "analfabeta já é difícil, analfabeta cega é mais difícil ainda de enxergar, né!". Isso se chama desigualdade econômica. Concentração de renda. Abismo social. Isso se chama Brasil. R$260, gente. Para o nosso custo de vida, quem arrisca pular essa fogueira?
Na raiz do problema..."Alemães que desejam usar armas de fogo devem se juntar às SS ou às SA - cidadãos comuns não precisam de armas, já que a sua posse não serve aos interesses do Estado." (Heinrich Himmler, dirigente nazista que organizou a chamada "solução final" em 1943)Longe de mim defender o indiscriminado porte de armas. No que concerne à minha opinião, nem policiais e nem civis deveriam possuir armas. Mas ambos estão armados em plena guerra civil... Sim, os "bandidos" são civis também. O que fazer então? Ir à raiz do problema, dizem algumas opiniões... E qual é a raiz do problema? Segundo alguns policiais que estão prestes a sofrer inquérito na Comissão de Direitos Humanos do Rio de Janeiro, a raiz do problema é a superlotação dos presídios. A evidência dos maus tratos, da falta de infraestrutura, da cumplicidade das autoridades... O sistema carcerário mostra tudo isso. O jeito é ir, mais uma vez, na raiz do problema e acabar com tudo. Não com o sistema carcerário mas, sim, com o preso. É o preso que é a raiz do problema. Criminoso por natureza, deve ser exterminado para que não se evidencie as falhas do sistema. Essa lógica não é muito diferente da própria "solução final" dos nazistas. O indivíduo é criminoso, ele não se torna um. Tão quanto um judeu era considerado apenas judeu, o criminoso é considerado apenas criminoso e deve pagar por esse simples fato. Dessa forma, não é o sistema penal que é falho, pois ele cumpre tudo que lhe é designado pelo poder. O erro é do indivíduo e não o que ele fez, mas o que ele é. É isso que separa o preso do homem livre, sua condição de ser. Essa lógica que se contrapõe à nossa sociedade capitalista - onde é a posse que forma o sujeito, e não sua "essência" - indica um caráter alimentado pela estrutura. O presídio, seja ele qual for, é um mundo à parte. Tudo que é fora da lei, na nossa sociedade, gera um mundo tão diferente do que costumeiramente conhecemos que não entendemos qual a raíz do problema. Se formos enfocar profundamente em soluções a problemas como a criminalidade, podemos achar diversas soluções (ao contrário do que falam os demagogos de plantão que a vêem como algo insolúvel). A expansão dos mercados urbanos aos trabalhadores, a redistribuição agrária para garantir uma mão-de-obra livre do crime como opção econômica, a interferência do Estado - e não do assistencialismo populista - para acabar com a miséria com fundos de alimentação, a inclusão de áreas periféricas de alta criminalidade no perímetro urbano, o banimento das armas de fogo na sociedade civil, o controle mais eficaz das fronteiras, uma justiça penal eficaz, a readaptação dos presídios conforme os direitos humanos das Nações Unidas demandam, uma política dura de combate à corrupção a todos os quadros de forças armadas, etc... Soluções para combater esse problema não faltam, embora seja importante ressaltar que isoladamente nenhuma é capaz de combater a violência. Mas, aí é que surge o extermínio. A incapacidade de questionar sobre problemas sociais dos quadros de quem faz a nossa defesa nós coloca reféns de quem detém as armas, como disse Himmler. Reféns da polícia e dos civis, somos compelidos a ler com uma certa indiferença a morte de presidiários no jornal, todos eles isolados em seu próprio mundinho, distantes da "vida real". A solução do problema para quem está distante? Ah, mas só se procurarmos sua raiz. Desde que não se questione o sistema, vale tudo: espancar, torturar, exterminar... Carandiru é só de 10 em 10 anos mesmo, só quando os presídios enchem. E de mais a mais, não tem porque deixar evidências mesmo... é só acabar com o problema pela raiz. Mas qual a raiz do problema? Ah, isso quem tem as armas é que vai nos dizer...
Vai dar merdaA revista Época desta semana transcreve parte dos grampos telefônicos feitos pela Polícia Federal no caso dos vampiros. A leitura é instrutiva. Mostra mais do que a forma como operava a quadrilha que fraudava compras no Ministério da Saúde. É também um retrato psicológico da corrupção no Brasil.A ação dos assessores do ministro Humberto Costa causou apreensão a velhos lobistas, que atuavam muito antes de PC Farias no governo. Esses assessores são chamados de malucos pelos lobistas Eduardo Pedrosa e Jaisler Jabour. "Os malucos endoidaram de vez", comenta Jabour, numa das conversas. Numa outra conversa com um lobista, o ex-chefe da Divisão de Medicamentos do ministério Platão Fischer mostra-se espantado com a infantilidade do esquema montado pela turma de Humberto Costa: "Montaram a licitação para um participar. Troço de US$ 120 milhões. Pra um, só tem chance um. Que infantilidade um troço desses. Vai dar merda pra caralho, isso aí. Foi muito mais rápido do que se pensava". Pois é, foi mais rápido do que se pensava. Quando a turma do PT chegou ao poder, imaginava-se que, no mínimo, não iria com tanta sede ao pote, principalmente na sensível área da saúde - um histórico saco sem fundo, um ralo tradicional por onde se escoa o dinheiro público. Mas chegou a turma do Nordeste, com uma tradição de 500 anos de embolsar verbas públicas de forma desabrida, sem qualquer freio, sem qualquer receio - e que transformou o Nordeste no que é hoje. Ali, as velhas famílias controlam tudo, à direita e à esquerda, passando pelo vasto centro político. Nenhum espanto que um irmão seja senador pelo PMDB mais rançoso e o outro seja líder do PC do B na Câmara dos Deputados. Delfim Netto e a turma paulista dos anos 60 e 70 devem estar rindo dessa falta de sutileza dos nordestinos no trato com a coisa pública. Enquanto conferem o saldo de suas contas na Suíça, podem até trocar algumas idéias com gente confiável no Governo Lula, como o presidente do Banco Central, enquanto esperam uma reação do Presidente da República ao escândalo na Saúde. Está demorando, mas é compreensível. Lula vem de uma casta pobre do Nordeste, há 500 anos submetida ao poder daquelas mesmas famílias que continuam mamando - e mandando - no governo brasileiro. Exigir uma reação mais corajosa de Lula é até uma perversidade psicológica, não? -.-.-.-.-.-. Não é preciso nenhum Freud para perceber idéias preconceituosas no texto acima. A turma do Nordeste, na verdade, não é pior que a turma do Sul Maravilha, que teve muito mais importância histórica na construção do país, tal como é - um símbolo mundial de injustiça social. Para cada Humberto Costa, há dezenas de Delfins Nettos muito mais competentes no desfrute do dinheiro público. Para cada nordestino explorado pelos coronéis, há dezenas de mineiros, gaúchos, cariocas, paulistas e goianos na mesma situação e, muitas vezes, sem a mesma capacidade de resistência. Por isso, para nós, é tão constrangedor apontar os erros do Governo Lula. Mas, que os há, os há.
As estrelas (vermelhas) de cada município"As experiências exitosas do PT são muito pouco conhecidas. Ao desenvolver o trabalho, várias pessoas encantaram-se." As palavras do secretário nacional de Assuntos Institucionais do PT, Paulo Ferreira, referem-se à revista Cidades Vivas, que será lançada hoje e chegará na quinta-feira nas bancas de todo o país. É claro que o lançamento da revista se relaciona diretamente com as eleições municipais desse ano. Além disso, existem os objetivos de inovar a comunicação institucional do partido com os seus militantes e apresentar os candidatos às eleições num trabalho jornalístico. É verdade que nós já conhecemos o trabalho do PT, já que, indiretamente, o partido governa Belo Horizonte há uns 10 anos. Houve um tempo em que o prefeito Célio de Castro era filiado ao PSB, mas seus dois mandatos foram muito ligados ao PT, partido a que ele tinha se filiado antes de passar o cargo ao seu vice, atual prefeito, Fernando Pimentel. Apesar de umas boas críticas à atual gestão de Pimentel na prefeitura de BH, como a sua fama de "obreiro", é fato que a grande vitória do deputado federal e atual ministro Patrus Ananias, que venceu com o maior número de votos a última eleição para a Câmara dos Deputados, deve-se muito à sua excelência na administração da nossa capital mineira. Os que entendem muito e os que entendem pouco elogiam o governo Patrus. Costumam dizer que ele foi "o melhor prefeito de BH". As administrações municipais petistas tornam-se, então, um grande cartão de visitas do partido e dão a cara do PT que talvez o presidente Lula ainda não tenha conseguido dar ao seu governo (pelo menos não na mídia). Alguns projetos municipais petistas (em especial os que vão ser mostrados na revista) foram premiados no Brasil e no exterior, baseando-se sempre em cinco eixos temáticos definidos como base pelos petistas: participação cidadã e controle social; desenvolvimento local sustentável e geração de trabalho e renda; políticas sociais e de garantia de direitos; gestão ética, democrática e eficiente e gestão democrática do território. É claro que entre todos esses projetos destaca-se o Orçamento Participativo, que é uma das grandes marcas do PT. Ele surgiu na administração de Olívio Dutra (atual Ministro das Cidades) em Porto Alegre há 15 anos e já foi aplicado em várias outras cidades, inclusive BH, com muito sucesso. É um método de democratizar a definição dos gastos públicos, com participação da população e organizado pelas prefeituras, o que permitiu o investimento equilibrado em saúde, educação, obras de infra-estrutura e saneamento e cultura bem distribuído nas áreas de cada município. Em Belém criou-se o Congresso da Cidade; em Mundo Novo (MS) 100% das verbas do orçamento tem sua destinação feita pela população; em Aracaju, tem o Orçamento Mirim; em Franca (SP), a Casa dos Conselhos. Enfim, a política petista incentivando a participação da população na administração pública e criando um outro conceito de política para o país. Vale a pena ficar por dentro para posicionar-se melhor quanto aos projetos de governo e a capacidade de apresentá-los à população para não dar bobeira nas próximas eleições. O PT já começou a mostrar a sua cara e, enquanto esperamos a mudança maior tão esperada do governo federal, podemos ajudar nas mudanças nos nossos municípios, sempre lembrando que elas não devem ser imediatas e de curto prazo, mas profundas e com o olho no futuro. ![]() |
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