online
Manchetes de Hoje

Duas mil famílias sairão da Serra Hoje em Dia, MG A construção de uma via ligando a Avenida Mem de Sá, no Santa Efigênia, à Rua Caraça, a poucos metros de distância da Avenida Bandeirantes, no Mangabeiras, começa em 2004. A avenida faz parte do programa ‘Vila Viva‘, que prevê a remoção de 2.269 famílias.
BRASIL HEPTACAMPEÃO Estado de Minas, MG Nos pênaltis, Júlio César pegou cobrança de D’Alessandro e ajudou na vitória da Seleção por 4 a 2.
Espião inglês é o novo alvo da PF Folha de S.Paulo, SP Ele se chama William, foi do serviço secreto britânico e é apontado como coordenador mundial do esquema encomendado pela Brasil Telecom para obter informações no setor de telecomunicações.
Empresas vivem melhor momento em 10 anos O Estado de S.Paulo, SP Faturamento médio da indústria, comércio e serviços cresceu 46,6%.
Desembargadores vão processar Brasil Telecom por espionagem Jornal do Brasil, RJ Desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio, empresários e fundos de pensão passaram o fim de semana estudando a abertura de processos contra a americana Kroll e a Brasil Telecom.
Ministério tira da escravidão mais 2.300 trabalhadores O Globo, RJ Nas ações, realizadas de 1995 a 2002, o grupo constatou que os trabalhadores viviam em condições precárias de higiene, não recebiam alimentação, tinham seus salários e carteira de trabalho retidos, além de serem vigiados e proibidos de deixar as propriedades.

45% dos candidatos gaúchos estudaram só até a oitava série Zero Hora, RS A cidade de Maratá, no Vale do Caí, aparece com 80% dos candidatos sem concluir até a 8ª série.

Brasil campeão. E com time B. O Liberal, PA A Seleção Brasileira conquistou pela sétima vez a Copa América e, agora, jogando com um time reserva diante de uma Argentina completa. No tempo normal, o Brasil chegou ao empate por 2 a 2, com um gol de Adriano aos 47 do segundo tempo. Nos pênaltis, Brasil 4 a 2.

Rômulo tem 37.3%,Veneziano, 25.8% e Cozete, 11.3%, em CG Correio da Paraíba, PB Como a soma dos outros candidatos é maior que a preferência por Rômulo, perspectivas apontam para 2º turno.
Sem-terra ocupam nove áreas no Estado Jornal do Commercio, PE Agricultores do MST e da OLC comemoram o Dia do Trabalhador Rural invadindo novas propriedades em Pernambuco.

Combate ao hantavírus começa na Ceilândia Correio Braziliense, DF Cidades onde ocorreram as mortes mais recentes terão prioridade no plano de emergência definido pelo governo.

Beliz: Me cansé de ser humillado por el Presidente Clarín, ARG El ex ministro dijo que Kirchner lo maltrató y que "hace eso con todos". Aseguró que le "armaron un ministerio paralelo en la SIDE", que "se está creando una Gestapo de la democracia" y que por 4 decretos secretos se le dieron $100 millones más al organismo.
Ordenó Kirchner mayor control en las calles La Nacion, ARG Habrá $ 227 millones más para Seguridad; La oposición volvió a objetar los cambios
Ibarretxe califica su primera entrevista oficial con Zapatero de "punto de inflexión" El Pais, ESP Para Ibarretxe, "es difícil encontrar soluciones si no se respeta la voluntad de la sociedad vasca", porque no vivimos ya "en el siglo de la imposición, sino en el de la libre adhesión".
Iraqi Insurgents Using Abduction as Prime Weapon The New York Times, EUA Two Pakistani civilians working for a Kuwait company were reported missing in a suspected kidnapping by insurgents.




Charge da Semana

Faltam pouco mais de dois meses para as eleições municipais. Em todos os jornais do país, a cobertura completa do evento do ano (que muito em breve será substituído pelas medalhas das Olimpíadas), com ataques pessoais a Marta Suplicy ("Dona Marta e seus dois maridos"), em São Paulo, acusações sérias (mas nada novas) a Paulo Maluf, e uma disputa medíocre em todas as outras regiões do país. Aqui em Belo Horizonte, a presença dos candidatos de sempre: o petista Pimentel (que não fez nada e continuará na inércia, sem dúvida), João Leite (PSB) e Maria Elvira (PMDB), com apoio dos Verdes e do PP (!) e outros nomes que não têm a menor chance, do PSTU e PCO, por exemplo.

O que essas eleições têm em comum com todas as outras? TUDO. Até os candidatos são os mesmos, e todo o carnaval de partidos se prostituindo para conseguir mais verbas e mais minutos na televisão. A charge que coloco a seguir reflete todo o meu desânimo e pode ser seguida pela interrogação que coloco logo abaixo. Sinceramente, não quero nem votar. Não tenho mais aquele ânimo de dois anos atrás. Sei que isso é fase e que é tolice dizer que todos os políticos são iguais e são uns canalhas - até essa frase nos vendem, para que percamos a noção de como reagir diante dos fatos políticos. Mas que eleição desanima, desanima. No mais: para que servem os vereadores hoje em dia?


Charge do Jean, tirada da Folha de hoje. Alguém ainda acredita em ideologia?


E tudo parece tão estúpido, nessas épocas pré-eleições, que não é nada estranho ler a seguinte notícia:
Procura-se um prefeito, paga-se bem. Os dirigentes políticos de Itajubá, no Sul de Minas, ainda não colocaram cartazes com a frase acima nos postes, mas quebram a cabeça atrás de uma saída para não deixar vago nos próximos dois meses o cargo político mais importante da cidade. Tudo isso porque o atual prefeito, José Francisco Marques Ribeiro (PSDB), quer descansar, sob alegação de que tem duas férias acumuladas. Ribeiro foi reeleito e não sairá candidato nesta sucessão municipal. (leia tudo)

Sábado, Julho 31, 2004 [ Fala aí: ]EMAIL

------------------------------------------------

O Fernando tinha escrito este texto há algumas semanas, mas deixei para publicar depois, porque era época da morte do Brizola e havia muito o que dizer sobre ele. Mas um texto sobre a juventude jamais torna-se obsoleto. Está aí para que possamos injetar nossa dose diária de inquietude no sangue:



A eterna juventude




"Foi a geração cujas moças se dramatizavam a si próprias como "garotas atrevidas", a geração que corrompeu os seus maiores e, finalmente, liquidou-se a si mesma, menos por falta de moral do que por falta de gosto." (Scott Fitzgerald, Ecos da Era do Jazz)

A citação acima poderia servir para a juventude de qualquer época do século XX. Fitzgerald escreveu o conto Ecos da Era do Jazz em 1931, com uma amargura e ironia que caracterizavam que toda a euforia que tinha vivido a sua geração nos anos 20 se transformara em desespero e desânimo desde 1929. A juventude americana dos anos 20 era símbolo de alienação em todo o mundo, já que se tornara tão isolada da Guerra Mundial e da Revolução de Outubro que acabou se isolando de todos os confrontos políticos de sua época. Mas, não se deve subestimar a juventude...

A juventude, por si só, é uma invenção recente na humanidade. Ela surge após as explosões demográficas urbanas no final do século XIX, início do século XX. O êxodo rural resultou em novas famílias sendo constituídas...a juventude estava prestes a se emancipar, mas uma guerra a transformara em adultos em 1914. Ela é uma invenção ocidental, especialmente criada para a cultura de massas que não conseguia atingir em cheio a faixa etária dos 13 aos 21 anos. Os jovens existiam, eram elementos revolucionários, rebeldes...a teoria freudiana de "devaneios na adolescência" nunca fôra tão facilmente aplicada. As grandes guerras que as envelheciam possibilitavam um surto populacional que geraria uma nova juventude cada vez mais rebelde (ou como esquecer dos baby boomers dos anos 60 e 70?).

O Ocidente fundamentou todas as bases para se formar o jovem. A alienação política dos adolescentes retratada por tantos cronistas (geralmente da geração anterior) não implicava que a juventude fosse conservadora. Ao contrário! O jovem americano alienado dos anos 20, retratado por Fitzgerald, amava o jazz e buscava sua sexualidade sem o conservadorismo da geração anterior. Os jovens brasileiros dos anos 60, que ouviam o "iéiéié" da Jovem Guarda, podiam ser alienados politicamente, mas seus "roques" davam dor de cabeça em pais e vizinhos. Mesmo a juventude alemã que engrossava as fileiras hitleristas nos anos 30 era tremendamente ativa e levava consigo uma concepção de "nova Alemanha" (inclusive, segundo estudos, era exatamente a juventude pós-Primeira Guerra que aderiu ao nazismo, já que não havia sofrido os horrores do primeiro conflito mundial).

Isso não implica que a juventude, em todo século XX, fosse revolucionária. Mas ela nunca foi "conformista". Deve-se, inclusive, retirar o caráter de conformismo presente na idéia de alienação. As novas idéias sempre tiveram grande apoio exatamente dessa faixa etária - que foi incentivada pela própria cultura de massas a ter mais força do que a consciência de classes pregada pelos revolucionários comunistas. Durante a primeira metade do século XX, essa idéia rivalizou constantemente com a consciência de classe, mas, nos anos 50 e 60, com a descrença no socialismo soviético e no capitalismo keynesiano, a juventude acabou sendo um elemento de identificação muito mais poderoso do que o pertencimento a qualquer classe social.

A nossa juventude hoje é fruto de todo o processo da cultura de massas que buscou cada vez mais uma identificação pela faixa etária (e mais, pela intensa fragmentação cultural - metaleiros, pagodeiros, surfistas, playboys, "manos", etc...). Ela se identifica não pelo seu poder aquisitivo, ou por suas relações sociais no mundo do trabalho, mas pelo meio cultural do qual ela interage. Em uma sociedade veloz, onde a permanência é questionada a cada momento, o jovem tenta se encaixar de alguma forma, em algum grupo, ou tribo. Quer mudar o mundo de alguma forma, mas se vê cada vez mais impotente em um mundo que permite 15 minutos de fama para todos, mas o anonimato de uma vida em troca.

Eu tenho meus singelos 19 anos... e é inevitável ver (e até sofrer) as tentativas do grande capital em tornar a juventude, que ele ajudou a criar, em um fragmento da realidade. Mas tem que ser um fragmento a parte da realidade - se estiver inserido demais nela é perigoso. Nada mais ameaçador do que um jovem, mesmo que seja um "alienado". Sabe-se lá do que essa geração é capaz... sonhar, ou se indignar. Nada mais ameaçador do que um jovem que não se possa controlar.

(foto: www.gettyimages.com)

Sábado, Julho 24, 2004 [ Fala aí: ]EMAIL

------------------------------------------------



Interessante a entrevista que a Época desta semana fez com o ex-ministro da Educação Cristovam Buarque. Vou transcrever alguns trechos mais relevantes e deixar o link para que vocês possam conferir depois:

Não somos robôs




"O Lula é maior que o PT. Ele é presidente do Brasil, não o representante do partido. O presidente está cometendo um erro ao vincular o PT ao governo. Porque isso transforma o PT e o PMDB na mesma coisa. E o PT é diferente. Entenda, o PMDB chegou ao poder na Nova República e se descaracterizou. Aconteceu o mesmo com o PSDB. Tenho medo de que o PT possa perder sua identidade. Os governos passam, mas o partido fica."

"Lula não tem a obrigação de fazer tudo o que prometeu, mas tem o dever de não esquecer o que disse na campanha."

"A política econômica está corretíssima. O PT tem de ser o partido da defesa política fiscal responsável, da austeridade monetária e do cumprimento dos contratos. Mas também o do grande salto social."

"Por isso defendo que a marca deste governo tem de ser a educação. Sempre defendi começar com um simples decreto obrigando a abertura de vagas nas escolas para todos os meninos e meninas com mais de 4 anos. Quando era ministro, levei a idéia ao José Dirceu, e ele me disse que sairia caro demais. Mas esse é um projeto para revolucionar o país! Lógico que no início as crianças teriam de dividir lugar nas salas já existentes, mas isso ia criar uma demanda. Os prefeitos se sentiriam pressionados a fazer mais escolas, contratar mais professores para incorporar esses alunos. É a demanda que move essa gente. Da mesma forma que a oferta de automóveis criou a demanda por viadutos e estradas. Mas o governo tremeu."

"Discurso de senador na tribuna não é oposição. Ele tenta fazer um governo que tenha o apoio da sociedade civil, dos empresários, dos sindicatos, mas, se por um lado isso cria uma estabilidade, não permite grandes avanços."

"Defendo um projeto de longo prazo, que se inicie ä neste governo, mas com perspectivas para que em 2015 não haja nenhum jovem entre 4 e 17 anos sem escola integral. Isso significa colocar criança de 4 anos na escola e enfrentar prefeito? Sim. Significa tornar obrigatório o ensino médio e enfrentar os governadores? Sim. Isso significa realocar recursos para acabar com o analfabetismo em quatro anos, combater a prostituição infantil e o trabalho infantil. O presidente repete muito um número que passei a ele: 52% das crianças de 10 anos não sabem ler. Ora, se elas entrarem na escola aos 4, vão saber. "

(sobre Tarso Genro)"Ele está priorizando o ensino superior em detrimento dos programas de alfabetização. Aliás, sempre defendi que deveriam ser dois ministérios: um para cuidar da educação básica, o outro das universidades."

"Enquanto eu estava no governo, tratava Dirceu como meu chefe, não como coordenador do ministério. E isso é uma aberração. O poder do ministro-chefe da Casa Civil deve ser oriundo do presidente, não pessoal, como é o caso. Um chefe da Casa Civil não pode pensar em disputar eleições. Ele pensa."

"Se o governo Lula mantiver seu ritmo atual, ele terá sido um sucesso, apenas não o êxito que poderia ter sido. O governo Lula será medíocre em relação à expectativa que ele mesmo criou."

"O governo FHC vai ficar na História como o da aliança entre empresários paulistas e trabalhadores paulistas. O do Lula poderá ficar como o da aliança dos trabalhadores paulistas com os empresários paulistas. Só mudou o eixo."

Clique aqui para ler na íntegra.

Quarta-feira, Julho 21, 2004 [ Fala aí: ]EMAIL

------------------------------------------------



Charge da Semana

Gostei menos da charge que do texto que colocarei a seguir. Tem uma ironia meio pedante, mas é um excelente demonstrativo de como andou nossa economia na Era FHC e nos 18 meses da Era Lula.



Vamos comemorar os dez anos do Real!

"Aqui vão algumas receitas para você comemorar os 10 anos do Real. Caso você fique com dor de cabeça só de pensar em cozinhar, PARE DE LER AGORA, pois a Neosaldina (20 comprimidos) teve um acréscimo de 155,52% nesse período, passando de R$ 3,17 para R$ 8,10. E nem pense em usar Novalgina gotas, pois a concorrente concorreu direitinho e subiu 152%, passando de R$ 1,75 para R$ 4,41.

Se preferiu continuar a leitura, podemos providenciar um bolo de farinha de trigo (que subiu 150% - a Boa Sorte; e 154,39% - a Vilma), porque de fubá, nem pensar - subiu 303,33% (2,03% a mais que o salário mínimo)!!!!!! Para completar a receita, não se esqueça do leite (tipo c, em saquinho) - subiu só 142,59%; do açúcar - subiu 82,50% (só!!!!!! Por isso ainda se come tanto doce!!!!!)
dos ovos - apenas 89,26% (olha o quindim aí, gente!) e da margarina (não exagere, pois ela aumentou 179,31%). Fermento é o que não falta nesses 10 anos de Real! Reparou como tudo aumentou??????? Como o bolo cresceu???????? Parece que só não
souberam dividi-lo direito!

Agora, se preferir uma comidinha caseira, você pode optar por um feijãozinho preto (151,85% de aumento), um arrozinho tipo 1 (com aumento tipo 170,52% para o Prato Fino e tipo 145,15% para o Tio João). Lembre-se dos conselhos dos médicos quanto ao
uso de gordura (óleo de soja Liza passou dos 134%) e quanto ao uso do sal - olha o sal, pessoal (186,67%). E para acompanhar é carne de segunda mesmo! Que vai ser também de terça, quarta, sábado, domingo .... Só sobrou o acém (o único que não
está a cem por cento acima de seu preço original; subiu só 94%). Já o frango, outrora símbolo do Real, subiu 148,08%, e a chã de dentro, 120,79% (tô fora).

Ah!, e o mais importante: tenha seu fogão a lenha - pelo menos pelo desmatamento que aconteceu nesses dez últimos anos, a oferta deve estar alta e o preço mais baixo que o do gás, que passou de R$ 5,38 em 1994 para R$ 29,58 em 2004, com um acréscimo de 449,81% (isso mesmo: com o dinheiro que você compra um botijão de gás de 13 kg hoje, há dez anos era possível comprar 4 e ainda sobrava troco...)

Precisa de psiquiatra????? Fuja do Gardenal e seu aumento de 321,59%. Isso que é remédio controlado!!!!!! Não é qualquer um que pode comprar, não!!!!

Pensou em coisa mais simples??? Que tal aquele pãozinho francês, que faz a manteiga derreter de tão quentinho com seus 212,5% de acréscimo no preço?

Pensou em ligar e avisar os amigos???? Vais gastar 525,58% a mais por pulso telefônico, sem contar os 5.008,20% (isso mesmo, cinco mil e oito vírgula vinte por cento) de aumento na assinatura do telefone residencial.

E o sonho da casa própria? Uma sala de estar, copa, cozinha, quartos separados para os filhos, banheiro social, banheiro privativo com suíte ..... Divida seu sonho pela metade! Eh, o cimento subiu 188,37%; a areia fina, 173,46% e o tijolo furado (milheiro), 179,9%.

Abalou geral? Tome um copinho d'água, sem Lexotan! Ele vai te deixar nervoso com seus 192,51% de aumento.

Ou então dê uma volta ........ Só não vá de ônibus, pois a passagem passou de R$ 0,24 para R$ 1,45, o que representa um aumento de 504,17% (203% a mais que o aumento do salário mínimo). E de carro? Prefira o a álcool, que aumentou apenas
179,43%, enquanto a gasolina passou de R$ 0,529 para 1,965 o litro, representando 271,46% de aumento.

E para finalizar: Se seu médico te receitar Higroton (para quê serve?), tente o genérico ou encare os 194,15% de aumento."

(chegou por e-mail e não tenho a fonte...)

Sexta-feira, Julho 16, 2004 [ Fala aí: ]EMAIL

------------------------------------------------



O jornal Proposta n° 9, do Sindicato de Médicos de Minas Gerais, trouxe uma entrevista de quatro páginas com o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de MG, Aloísio Lopes, sobre a censura de Aécio Neves. Infelizmente não encontrei o site do jornal, mas considero o assunto tão importante que vou transcrever alguns trechos da matéria. Não deixem de ler e comentar!

Aecinho tem recursos para demitir jornalistas


"Aloísio - Na ditadura existiu a censura política e quem ousava desobedecer os censores era punido com cadeia, morte, tortura. Hoje, a punição pelo descumprimento de uma ordem emanada do Palácio é a demissão. Nós tivemos no ano passado duas demissões, assumiamente ocasionadas por interferência do governo do Estado. Tivemos outras demissões mas os jornalistas não assumiram a denúncia. No caso do diretor de jornalismo da Globo, Mácio Nacsimento, e no caso do Ugo Braga, editor de economia do Estado de Minas, as demissões - eles denunciaram - foram por interferência do Palácio da Liberdade.
(...)
Hoje, nas redações, os repórteres, e é isso que eles denunciam, sabem quem está orientando a linha editorial do veículo.
(...)
Não é o governador, pessoalmente, que telefona e que procura o dono do veículo. É Andréa Neves, a presidente do Servas, e que é coordenadora do grupo técnico de comunicação do governo do Estado. Na verdade, é uma figura que tem poder político no governo, na área da comunicação, um poder superior ao pessoal da comunicação. O poder de Andréa Neves supera o de muitos secretários de Estado.
(...)
Por que no regime militar tínhamos espaço para denunciar a censura e hoje não temos? Hoje, mesmo aqueles veículos que não têm uma postura tão governista, mesmo aqueles que não denunciam a situação, não dão guarida às nossas denúncias. Na época da Ditadura tínhamos uma forte imprensa alternativa e os grandes veículos denunciavam nem que sutilmente, como o espaço em branco ou a publicação de receitas. E o que acontece agora? Os donos dos veículos venderam a sua opinião. Renunciaram à liberdade de imprensa em troca de recursos financeiros. Portanto, o culpado disso não é só o governador Aécioou pessoas do seu governo. No mínimo, essa responsabilidade tem que ser dividida com os donos dos jornais, de TV e de rádio.
(...)
Desde o ano passado o Sindicato tem recebido denúncias (...) de repórteres, de entidades sindicais, como SindUTE, por exemplo, e Associação de Polícia Civil. No ano passado, denunciamos isso no jornal do Sindicato e não tivemos espaço para repercutir. A Comissão de ética e Liberdade de Imprensa do Sindicato ouviu repórteres envolvidos, ouviu entidades, naquela ocasião, fez um parecer e deu divulgação. Foi uma divulgação restrita. Agora, pesquisamos esse material, constatamos... Basta pergarmos os jornais do período da greve das polícias civil e militar que se constata a omissão dos veículos de comunicação. Basta assistirmos o clipping eletrônico, que temos aqui, que se constata a omissão dos veículos de informação, que não ouviram os lados envolvidos.
(...)
Estive hoje com o procurador e nós estamos juntando documentos e vamos sugerir testemunhas, que deverão ser ouvidas no inquérito. Todo esse clipping de notícias do período é analisado do ponto-de-vista técnico, assim poderemos subsidiar o Ministério Público Federal. Confiamos, porque o compromisso do procurador geral é de dar prosseguimento a isso, de não deixar o assunto ser engavetado. Vamos diretamente ao artigo 5° da Constituição. O jornal Estado de Minas, por exemplo (...) assumiu uma posição favorável ao governo contra a paralisação e, nas suas páginas, omitiu todas as informações do comado de greve. Para nós, houve uma falha gravíssima. Em que pese a Lei de Imprensa no Brasil, lei autoritária, que precisa ser atualizada, que tem 12 anos e o projeto de atualização está engavetado, pois esta lei estabelece direito de resposta, direito de retificação, mas não prevê o crime por omissão. A deturpação da informação é grave e precisa ser combatida.
(...)
Gilberto Menezes - A posição do Estado de Minas está na rdem direta da alocação de recursos. Aqui prevalece a ideologia da tesouraria, como é o caso da Rede Globo, etc.
Aloísio - E temos problemas em outros jornais. Vou dar o exemplo do Hoje em Dia, que publica a coluna do Cláudio Humberto. Dêem uma olhada na coluna na internet ou em outros jornais e no Hoje em Dia. Vocês vão notar que não se toca em Minas. Todas as notinhas que criticam Aécio, inclusive a última, que está dentro da minha gaveta, diz que o governador Aécio Neves fretou um avião para trazer parlamentares para o jogo Brasil X Argentina. Saiu na coluna do Cláudio Humberto em todos os jornais do Brasil e não saiu no Hoje em Dia.
Fernando Massote - Mas, para até o Cláudio Humberto criticar Aécio Neves é porque a coisa deve estar muito ruim.

Aloísio - Existem excelentes jornalistas e excelentes matérias publicadas em jornais de Belo Horizonte, no próprio Estado de Minas. Só que, principalmente na cobertura política, o que nós notamos nesses últimos 18 meses é que há um alinhamento editorial com o Palácio da Liberdade. Isso prejudica não só a cobertura política, como atinge a opinião pública.
(...)
O problema da liberdade de imprensa não é só dos jornalistas. Podemos citar a Revolução Francesa. É um problema da sociedade, da humanidade. Inerente à democracia e à cidadania, sempre foi. O que o Sindicato faz? Do ponto-de-vista corporativo o que faz é colocar onde é possível, no seu jornal, por exemplo, fazer reuniões com seus associados, etc. Do ponto-de-vista da sociedade, estamos buscando essa articulação.
(...)
O diretor do jornal quer ser censurado em troca de publicidade. (...) Se depender das empresas, dos donos dos negócios de comunicação, o jornalismo vai ser só um departamento de entretenimento das grandes empresas. Se depender deles, é claro. Mas a sociedade vai se mobilizar? Nós, como jornalistas, podemos fazer uma mobilização corporativa. A sociedade vai se mobilizar ou vai querer cada vez mais entretenimento, alienação e deixar que os poderosos decidam por nós. Não acredito nisso. O movimento da sociedade não caminha nesse sentido.
(...)
Carmen Vieira - A Tv comunitária não é comunitária. É aparelhada por um partido político. Isso, infelizmente, acontece em outros locais alternativos.
Aloísio - Estes problemas existem e a gente atua para corrigi-los. O governo Lula não tem uma política de comunicação para o país. Qual é o projeto de política pública de comunicação para o Brasil? Lula não tem. Não apresentou na campanha e não tem até hoje. Nós cobramos isso do ministro. Como quer que se organize institucionalmente o setor de comunicação no Brasil? Por exmeplo, para não se renovar a concessão de rádio e TV, precisa de 3/5 do Congresso. Então isso quer dizer que é automaticamente renovável. Tem um projeto de lei do sendaor Pedro Simon, que foi arquivado, e que, se voltar a tramitar, poderá dar solução a isso. E o debate de concessão e de renovação não pode ficar só na mão de deputados, porque a maioria é proprietário. Qual o caminho? Democratizar esse debate. E temos uma proposta em Minas. Queremos criar o Conselho Estadual de Comunicação. Já tem um projeto de lei, tramitando na Assembléia Legislativa, com participação majoritária da sociedade civil. Uma das atribuições: emitir parecer sobre pedidos de concessão e renovação de rádios e TVs em Minas. Só que a concessão é atribuição exclusiva da União e teremos de mudar a legislação nacional.

Gilberto - Quantas emissoras de rádio o governador Aécio Neves tem? (...)
Aloísio - Uma três ou quatro. Possivelmente em nome de familiares. Na região de São João Del Rey, por exemplo."

***


E aproveito para registrar os parabéns pelos 19 anos da TT (in memoriam), que fez niver ontem.

Domingo, Julho 11, 2004 [ Fala aí: ]EMAIL

------------------------------------------------



Panaca ou espertalhão?


Até que se prove o contrário - ou seja, que ele é um espertalhão, com contas no exterior -, a melhor definição do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, até agora, nos foi oferecida domingo passado, numa palestra no campus da Universidade Federal Fluminense, pelo líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, João Pedro Stédile.

"Ele é o continuador da política anterior, então ele é o panaca, porque apenas repete o que os outros criam. Quem inventou essa política neoliberal foram o FMI e os economistas do PSDB, que ainda estão mandando no Ministério da Fazenda", disse Stédile. Segundo ele, o ministro só lê na televisão o que o secretário de Política Econômica, Marcos Lisboa, e o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, escrevem para ele ler.

O dedo na ferida dói. E quem gritou foi o presidente nacional do PT, José Genoino, para quem a declaração de Stédile "desqualifica o debate e desrespeita o ministro". É verdade, principalmente na última parte da frase.

Mas, terá razão o líder do MST? Vejamos alguns dados selecionados pelo jornalista Jânio de Freitas e publicados na coluna dele, na Folha de S. Paulo, domingo passado - no mesmo dia, portanto, da declaração de Stédile.

Nos últimos 10 anos, desde que começou o Plano Real, o Brasil cresceu em média 2% ao ano, enquanto Rússia e Índia cresceram entre 8 e 10%. Com esse crescimento mínimo, que significa na verdade um retrocesso, tendo em vista o aumento populacional, o desemprego no país multiplicou-se por 2,5 desde o governo Fernando Henrique Cardoso.

No último ano desse governo, houve uma grande movimentação do FMI, representante dos banqueiros internacionais, que resultou num acordo que amarrou o governo seguinte - ou seja, o Governo Lula (que, aliás, quando candidato, foi um dos primeiros a concordar com isso).

Resultado: no primeiro ano dos petistas no Governo, a economia encolheu 0,2%, mas o lucro das 500 maiores empresas no Brasil cresceu 1.048%, segundo a revista Exame, passando de R$ 5,4 bilhões em 2002, para R$ 63 bilhões em 2003. Entre essas empresas estão os bancos, os grandes vencedores do Plano Real. Como no ano passado diminuiu a produção de bens e serviços, só uma coisa explica esse lucro: ele veio dos juros permitidos pela turma do Palocci e do aumento dos preços pagos pelos consumidores brasileiros. Como aponta Jânio de Freitas, "os lucros são transferência de dinheiro da população em geral para os que não chegam nem a 5% da população, mas concentram a riqueza e a renda" do país.

De fato, Palocci só tem uma maneira de mostrar que não é um panaca: se provar que é, como tememos, um grande espertalhão.

Quarta-feira, Julho 07, 2004 [ Fala aí: ]EMAIL

------------------------------------------------

Charge da Semana

E já que o assunto é Brizola, não podia deixar de postar uma charge que achei excelente! É do Amarildo:



Sexta-feira, Julho 02, 2004 [ Fala aí: ]EMAIL

------------------------------------------------



Vivo dizendo que não gosto do Jabor, mas que o cara é inteligente, ele é. E o seguinte artigo, publicado no dia 22 de junho no Estado de S.Paulo, trata de um assunto que venho discutindo com a TT (in memoriam) há muito tempo: a burrice do coletivo. E tudo num contexto atualíssimo. LEIAM!

Nunca a burrice fez tanto sucesso


Quando vi a cabeça decepada do pobre americano, com seu bigode morto, tristemente olhando o nada, com a sombra do carrasco e seu alfanje por trás, pensei horrorizado: a burrice, a estupidez mais crassa está tomando o poder no mundo. A crescente complexidade da vida social, a superpopulação, o fracasso de ideologias, o declínio da esperança, tudo leva os homens a uma infinita fome de burrice, seja pela religião fanatizada ou pelo desejo de um populismo autoritário.

Nos anos 60, parecia que o mundo ia descobrir um reencantamento laico, com a glória da juventude, a alegria da democracia criativa, que a inteligência teria um lugar no poder, que a ciência e a arte iam nos trazer uma nova beleza de viver. Em 68, não foram apenas as revoltas juvenis que morreram; começou a nascer uma vida congestionada, sem espaço para sutilezas de liberdade. Os anos 70 foram inaugurados com a frase de Lennon de que "o sonho acabara" e com a morte sintomática de Janis Joplin e Hendrix, com o fim dos Beatles e com a chegada dos caretas "embalos de sábado à noite".

Parece bobagem, mas eram sintomas. Uma falsa "liberdade" jorrou do mercado de massas e a volta da burrice foi triunfal.

O mercado e o poder começam a programar nosso desejo por simplismos e obviedades. Cresceu na sociedade uma sede da burrice, como mostra a declaração de muitos jovens austríacos que disseram há tempos: "Votamos no Haider (o neonazista) porque não agüentamos mais a monotonia da política, o tédio do 'bem', do 'correto', do 'democrático'!"

Sente-se no ar também uma grande fome de chefes. Daqui a um tempo pode ser que ninguém queira ser livre. Ninguém quer a liberdade fraternal. O sucesso planetário dos evangélicos, as massas delirando com ídolos de rock mostram que em breve talvez ninguém agüentará a solidão da democracia, todos vão querer exércitos de slogans irracionais e o fundamentalismo da crueldade prática, das "soluções finais".

A grande sedução do simplismo (e do mal) é que ele é uno, com contornos concretos, visível. Mata-se um sujeito e ele cai, vira uma "coisa nossa", apropriada como objeto total. Nada mais claro que um cadáver, decapitado no Iraque ou na favela do Rio. Por outro lado, a democracia, pressupõe tolerância, autocontrole da parte maldita animal, implica em renúncias, implica numa angustiosa contemplação da diferença, em meio a uma paz hoje sinistra, num tédio de catástrofes sem sangue. A estupidez, não: ela é clara, excitante, eficiente. Há a restauração alegre da parvoíce, da imbecilidade, sempre com a sombra da "direita" ou da "esquerda" por trás. Lá fora, Forrest Gump, o herói babaca, foi o precursor; Bush é seu efeito. Ele se orgulha de sua burrice. Outro dia, em Yale, ele disse: "Eu sou a prova de que os maus estudantes podem ser presidente dos USA." É a vitória da testa curta, o triunfo das toupeiras. Inteligência é chato; traz angústia, com seus labirintos. Inteligência nos desampara; burrice consola, explica. O bom asno é bem-vindo, enquanto o inteligente é olhado de esguelha. Na burrice, não há dúvidas. A burrice não tem fraturas. A burrice alivia - o erro é sempre do outro. A burrice dá mais ibope, é mais fácil de entender. A burrice até dá mais dinheiro; é mais "comercial". A burrice ativa parece até uma forma perversa de "liberdade". A burrice é a ignorância ativa, a burrice é a ignorância com fome de sentido. O problema é que a burrice no poder chama-se "fascismo".

No Brasil, contaminado pelo ar do tempo, a burrice e a fome de simplismo dominam a política, a cultura e a vida social. Vivemos em suspense, pois o pensamento petista é ambivalente e, apesar da base pragmática de Lula no ABC, contém em seu corpo a idéia de "confronto", de "luta de classes", contém nas cabeças a idéia de "tomada" de poder, de "revolução", como tumores inoperáveis. Apesar de o governo tentar aprofundar a herança de FHC, com a reforma do Estado e o respeito à democracia, qualquer marola faz aparecer o maniqueísmo subjacente. Lula é mesmo uma contradição encarnada:

operário e presidente, excluído e incluído, ex-revolucionário e reformista, o que faz este governo pensar e trabalhar com conceitos deterministas que caducaram. Por outro lado, ninguém tem certeza de nada, fica tudo numa zona cinzenta de "achismos" e profecias emocionais. Rola no governo um microbolchevismo e uma mal-ajambrada prática da democracia e das alianças que nos leva a uma paralisia que pode ser chamada de burrice. Essa ambivalência provoca a falta de coragem para tentar, para imaginar, para errar. A mula empaca entre duas estradas. A burrice ideológica atrapalha a vida nacional, retardando processos, escolhendo caminhos tortos. Está na raiz de nosso populismo caipira de "esquerda". Muita gente acha que a burrice é a moradia da verdade, como se houvesse algo de "sagrado" na ignorância dos pobres, uma sabedoria que pode desmascarar a mentira "inteligente" do mundo. "Só os pobres de espírito verão a Deus", reza nossa tradição. Nesta festa caipira que rola no poder petista, há uma grande fome de regressismo, de voltar para a "taba", para ou o casebre com farinha, paçoca e violinha. Muitos acham que, do simplismo, da santa ignorância viria a solidariedade, a paz, que deteria a marcha do mercado voraz, da violência do poder. É a utopia de cabeça para baixo, o culto populista da marcha à ré.

Outro dia, vi na TV um daqueles "bispos" de Jesus de terno e gravata clamando para uma multidão de fiéis: "Não tenham pensamentos livres; o Diabo é que os inventa!"

Qualquer programa de uma nova esquerda, de uma terceira via, tem de passar pela aceitação da democracia. Dividido, esquizofrênico, como disse Dirceu - seu lado maníaco -, o PT que hoje está no Executivo nos mostra como a luta de classes atua até na microfísica de uma organização política, como um bando de pequeno-burgueses pode atrapalhar seus próprios objetivos.

Nunca a burrice fez tanto sucesso.

Quinta-feira, Julho 01, 2004 [ Fala aí: ]EMAIL

------------------------------------------------
This page is powered by Blogger. Isn't yours?
Votar neste blog!