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Manchetes de Hoje

Mineiro compra e estuda mais Hoje em Dia, MG O levantamento mostra que 97,9% das pessoas entre 7 e 14 anos freqüentavam a escola em 2003. A taxa de analfabetismo ficou em 1,4% na faixa entre dez e 14 anos. Aumentou o número de lares com eletrodomésticos e computadores.
Brasileiro fica mais pobre Estado de Minas, MG O País também está envelhecendo. Além da queda na taxa de fecundidade, de 2,6% em 1993, para 2,1% em 2003, os brasileiros com 60 anos ou mais já são 9,6% da população.
Marta e Serra empatam em 34% Folha de S.Paulo, SP
TRT ordena que 60% voltem ao trabalho, mas bancários se recusam O Estado de S.Paulo, SP Descumprimento deve ser punido com multa diária de R$ 200 mil.
País é menos desigual e mais pobre Jornal do Brasil, RJ O equilíbrio das contas públicas, o controle da inflação e o acerto da dívida externa custaram caro ao Brasil. A renda do trabalhador, qualificado ou não, despencou por sete anos consecutivos.
IBGE: Era Lula começa com queda de renda e emprego O Globo, RJ

Começa plantio de transgênicos no Estado Zero Hora, RS A quarta-feira marcou um dia tenso na relação entre os governos Lula e Rigotto. Descontente com nota emitida na véspera pelo governador em exercício, Antonio Hohlfeldt, Lula mandou por seus ministros gaúchos um duro recado ao Palácio Piratini.

Lei seca no dia da eleição O Liberal, PA

Veneziano amplia vantagem e vence no 2º turno, diz Vox Populi Correio da Paraíba, PB Veneziano Vital do Rego (PMDB) cresceu e lidera a disputa pela Prefeitura de Campina, com 42%. Rômulo Gouveia (PSDB) passou para 37% e Cozete Barbosa (PT) está com 7%.
Guerra da boca-de-urna já começou nos comitês Jornal do Commercio, PE Candidatos se despediram dos eleitores, ontem, no último guia dos majoritários, enquanto comitês se preparam para o corpo-a-corpo de domingo.

Benício se afasta da presidência da Câmara Correio Braziliense, DF Acusado de participar de um programa sexual com menores em um iate no rio Negro (AM), o presidente da Câmara Legislativa do DF, Benício Tavares, pediu ontem uma licença de 15 dias para preparar sua defesa.

Arslanián vinculó a grupos policiales con los secuestros Clarín, ARG
La jueza dijo que Junior está arrepentido La Nacion, ARG
Un ataque contra un convoy de EE UU causa la muerte de al menos 37 niños en Bagdad El Pais, ESP Todo apunta a que el número de fallecidos puede aumentar según se aclare la magnitud de la tragedia.
I.B.M. Agrees to Settle Part of Giant Pension Case The New York Times, EUA I.B.M. said that it had agreed to pay $320 million to its employees to settle in part a class-action lawsuit over its pension plan.




A corrupção que deus me deu


Lula criou mais um Conselho. O Conselho de Transparência Pública e Combate à Corrupção. Sua função: reforçar a estrutura de fiscalização dos gastos públicos e de controle da corrupção na administração pública.

Vai resolver o problema crônico de corrupção no Brasil? Não diria que sim. Tenho preconceito contra "Conselhos". Eles deliberam muito e têm ação efetiva muito pequena. Mas, de todo modo, é um passinho tímido que alguém está dando nesta direção. E não em vão.

Hoje foi divulgada o ranking de corrupção em 146 países do mundo, organizado pela ONG Transparência Internacional, criada em 1993 e reconhecida mundialmente como a maior organização empenhada no combate à corrupção. As notas variam de 0 a 10, sendo que 10 é para os menos corruptos (lugar ocupado pela Finlândia, com um honroso 9,7). O Brasil figura no 59° lugar, com 3,9.

Se um país está com nível 3, ou inferior, é porque sofre de "corrupção endêmica, em que o sistema já não dispõe mais de mecanismos para lidar com a corrupção" (segundo as palavras de Silke Pfeiffer, diretora regional da TI). É o caso de quase todos os países da Ásia, África e América Latina. O Brasil, nem preciso dizer, está muito próximo disso.

E a triste conclusão: quanto mais corrupto é um país, mais frágil é sua democracia. Será que só a criação de mais um Conselho vai ser capaz de solucionar este problema?

Quarta-feira, Outubro 20, 2004 [ Fala aí: ]EMAIL

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No tempo das eleições...



Brasil X EUA
David Fleischer, cientista político nascido nos EUA, avalia que a eleição no Brasil é mais organizada que a de seu país. Temos um sistema único de votação e um órgão central de fiscalização. Lá, cada Estado tem sua legislação e instituição fiscalizadora. "Só na Flórida, havia sete sistemas de votação nas últimas eleições." Além disso, as urnas eletrônicas tiveram sua segurança comprovada nas últimas quatro eleições. Elas ajudam no combate à venda de votos, além de agilizarem muito mais a contagem. Nos EUA, eles gastaram cerca de dois meses para contar os últimos votos presidenciais. E ainda houve a fraude do Bush...
(Mas qual é a moral da hisória?)

Apuração dos votos
As apurações terminaram às 21h04 de hoje em todas as cidades do país. 14,19% dos eleitores não compareceram à votação. O resultado em todas as capitais pode ser visto aqui.

Onde estão as mulheres?
O eleitorado feminino (51,18%) é maior que o masculino (48,66%), mas há muito mais homens concorrendo a cargos políticos do que mulheres. 90,51% dos candidatos a prefeituras eram do sexo masculino, e 77,85% dos vereadores. Do total de candidatos, 33 não informaram o sexo no formulário de registro de candidatura. Existe atualmente uma política de cotas que exige que todos os partidos devem indicar 30% de candidaturas femininas para as eleições. Nenhum dos 27 partidos cumpriram a cota. Talvez devesse haver outras formas de incentivo para a participação feminina na política. Aliás, participação indispensável para que as desigualdades que as mulheres enfrentam na sociedade sejam solucionadas.

Fim das eleições, começo do espetáculo
Desde o ano passado estamos ouvindo a leréia da Reforma Política. Uma comissão especial avaliou o relatório durante nove meses e a proposta só não foi votada no primeiro semestre deste ano por causa da divergência entre os partidos. Com o final de tanta enrolação, a votação deve sair no começo do ano que vem - apesar de o PT não querer urgência. Pretendo discutir a fundo todos os pontos da Reforma até o dia em que ela for votada. Por ora, os cinco pontos principais:

1- A cláusula de barreira é reduzida de 5 para 2%. "De acordo com a proposta, só terão direito a funcionamento parlamentar - ou seja, ter liderança e participar das comissões - os partidos que conseguirem 2% dos votos válidos apurados nacionalmente para a Câmara dos Deputados, não computados os brancos e nulos. Além disso, esses votos deverão ser distribuídos em pelo menos nove estados e o partido terá que eleger pelo menos um representante em cinco desses estados. Essas restrições são conhecidas como cláusula de barreira."

2- Os candidatos aos cargos majoritários concorrerão com o número identificador do partido ao qual estiverem filiados. Os candidatos de coligações, nas eleições majoritárias, serão registrados com o número próprio da coligação, diferente dos usados para identificar cada um dos partidos coligados.

3- As despesas das campanhas políticas serão financiadas com recursos públicos. Doações de pessoa física ou jurídica estão proibidas e sujeitas a multas. Os recursos serão distribuídos da seguinte maneira:
- 1%, dividido igualitariamente entre todos os partidos com estatutos registrados no Tribunal Superior Eleitoral;
- 14%, divididos igualitariamente entre os partidos e federações com representação na Câmara dos Deputados;
- 85%, divididos entre os partidos e federações, proporcionalmente ao número de representantes que elegeram na última eleição geral para a Câmara dos Deputados.

4- Antes de divulgar os resultados das pesquisas, as empresas deverão repassar diversas informações à Justiça Eleitoral.

5- Serão estabelecidos prazos de filiação nos partidos: mínimo de um ano antes das eleições, ou dois anos, se o candidato já tiver pasado por outro partido.


A Reforma Política é uma das mais necessárias no país (além da Trabalhista e Sindical, que também estão sendo deixadas de lado) e precisa ser votada urgentemente. A ciranda de candidatos filiando-se onde querem, a falta de critérios para criação de partidos e o próprio sistema eleitoral precisam ser revistos para garantirem a democracia. Que, aliás, já está errada pela simples obrigatoriedade do voto. Mas isso é discussão para outro momento...

Leiam mais sobre os assuntos no site da Câmara.

E, para estes tempos políticos, um poeminha do poeta russo Maiakóvski, que pertence ao espírito original do Tamos com Raiva:

"Espero
tenho fé
que jamais
jamais passarei pela vergonha
de me acomodar."


Terça-feira, Outubro 05, 2004 [ Fala aí: ]EMAIL

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