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Manchetes de Hoje

Lojas suspendem cartão em BH Hoje em Dia, MG O motivo é a obrigatoriedade da utilização do Emissor de Cupom Fiscal.
Governo desiste de MP do Imposto e sofre derrota Estado de Minas, MG Tributação de prestador de serviço é derrubada. Oposição insiste em corrigir tabela do IR.
Governo desiste de MP que eleva tributo Folha de S.Paulo, SP Sob pressão da sociedade e sem convencer os deputados a votar a favor da medida provisória 232, que eleva a tributação sobre prestadores de serviços e outros segmentos, o governo Lula desistiu da MP. A mesma MP determina a correção da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física em 10%.
Governo desiste de MP, mas não de aumentar imposto O Estado de S.Paulo, SP
Rejeição barra imposto maior Jornal do Brasil, RJ
Pressão da sociedade faz o governo desistir de IR maior O Globo, RJ

Planalto recua na MP que aumentava imposto Zero Hora, RS

Governo desiste de aprovar MP 232 e IR perde correção O Liberal, PA

Moradores da região de Patos temem rachaduras do açude de Capoeira Correio da Paraíba, PB
Governo desiste de aumentar imposto Jornal do Commercio, PE

Governo recua para evitar nova derrota Correio Braziliense, DF

Inseguridad: se triplicó la cifra de chicos detenidos Clarín, ARG Los menores apresados pasaron de 5.000 en 1992 a 15.000 el año pasado. Por cada chico detenido por un delito, hay otros 8 que terminan en institutos porque son pobres o abusados.
Fernández insiste en que la Fuerza Aérea ocultó el narcotráfico La Nacion, ARG El jefe de Gabinete da su informe en Diputados; reiteró enérgicamente que el Gobierno se enteró del tráfico de drogas a España una semana antes de que se conozca públicamente; la oposición lo acusó de mentir sobre el tema.
El Gobierno retrasa hasta 2007 la entrada en vigor de la reforma fiscal El Pais, ESP Entre las modificaciones, que no son sustanciales, están la reducción del número de tramos y del tipo máximo
Panel Says Annan Didn't Intervene in Iraq Contract The New York Times, EUA But the U.N. secretary general was faulted for not taking more action once conflict of interest questions were raised.


Quantos parentes você tem no gabinete?



Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais. Principal Conselheiro: Eduardo Carone. Abaixo dele, várias pessoas com o mesmo sobrenome. Nepotismo é crime. É prática antiética, antidemocrática e anti-republicana (pra ficar nos "anti" mais graves!), muito comum desde sempre e que ainda não foi abolida. Agora surgiram propostas de emendas à constituição que merecem meu respeito, por sua intenção. Mas são ingênuas e tendem a naufragar. Vou deixar Ricardo A. Setti, colunista do site No Mínimo, explicar por quê (com certeza, com muito mais eficiência que eu). E ele vai fazer melhor: apresentará a solução para o problema do nepotismo. Os concursos públicos podem ser ingratos, elitistas e ter muitas falhas (como a criação do comércio podre em cima deles), mas ainda são a coisa mais justa que apareceu por aqui.


Só concurso público mata o nepotismo

Apesar do estardalhaço havido em torno da aprovação, pela principal comissão da Câmara dos Deputados, de seis medidas proibindo a contratação sem concurso de parentes de autoridades para o serviço público, é preciso desde já deixar claro para os leitores algo fundamental: a coisa não vai funcionar.

Claro que foi um passo positivo que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, pela unanimidade dos 36 deputados presentes, tivesse resolvido aprovar as seis diferentes propostas de emenda à Constituição (PECs) vedando o nepotismo que vinham tramitando na Casa ¿ uma delas, há nove longos anos. Essas propostas ainda terão um longo percurso até se tornarem parte da lei maior do país.

O primeiro passo, conforme sugestão aprovada pelo relator na CCJ, deputado Sérgio Miranda (PC do B-MG), consistirá em fundir as seis em uma só, o que será feito pelo relator da matéria em uma comissão especial a ser instalada pelo presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE). Se aprovada ali, ainda irá ao plenário da Câmara, onde precisará de três quintos dos votos de todos os deputados ¿ ou seja, 308 entre 513 deputados ¿, em dois turnos de votação.

Ultrapassado esse obstáculo adicional, a emenda terá que passar pelo crivo do Senado e pelos votos também de três quintos dos senadores (49), igualmente em dois turnos. Caso o Senado altere qualquer tópico da emenda que recebeu da Câmara, o pacote inteiro retorna obrigatoriamente à apreciação dos deputados, para nova votação em dois turnos. Para um poder da República, como o Congresso, tão contaminado pelo emprego da parentela ¿ 70% dos senadores contrataram irmãos, filhos, sobrinhos, primos, cunhados e outros parentes, revelou recente levantamento do jornal ¿O Estado de S. Paulo¿ ¿, uma proeza e tanto.

Não é, porém, a trajetória difícil da emenda o problema de que se quer tratar aqui: o ponto é que, mesmo sendo bem-intencionada, sinalizando na direção certa e tendo o condão de inibir em algum grau a contratação de parentes para os cargos em que o concurso é dispensado, a nova regra da Constituição será, em boa parte, inócua. Atualmente, sabemos, existe o ¿nepotismo cruzado¿, ¿troca-troca¿ ou esquema de ¿triangulação¿: o deputado X preenche determinada vaga de livre provimento contratando para seu gabinete um parente do deputado Y. O deputado Y, em contrapartida, arranja um emprego do mesmo tipo para o parente do deputado X. O parente do interessado nunca aparece como vinculado a ele próprio.

Não sejamos, porém, injustos com os políticos: isso sucede também entre magistrados, secretários de Estado, ministros, presidentes e diretores de autarquias, de empresas de economia mista ¿ e por aí vai. Abrange, portanto, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário (excetuado o Supremo Tribunal Federal e alguns outros tribunais, cujos regimentos internos proíbem a contratação sem concurso público de parentes até o terceiro grau de qualquer de seus integrantes). Ocorre em nível federal, estadual e municipal.

Aprovada a nova emenda, o que é que vai acontecer? Como os poderosos e influentes federais, estaduais e municipais se conhecem e se relacionam, a proibição do nepotismo nos três Poderes tende a morrer na praia porque não haverá a menor dificuldade em se fazer o ¿nepotismo cruzado¿ inter-poderes: o deputado X, que integra a base de apoio do governo no Congresso, dá um jeito de contratar o parente do ministro (ou secretário-geral do Ministério, ou diretor de um banco federal) Y. Este, por sua vez, devolve o favor alojando em algum posto no território de sua influência o apaniguado do deputado X.

Do mesmo modo, o esquema será com absoluta certeza adotado por vereadores com secretários e prefeitos municipais e vice-versa, membros dos governos estaduais com magistrados etc. Pode demorar a acontecer, pode parecer que a nova emenda deu um jeito nessa chaga moral e nesse sangradouro de dinheiro público, mas é inevitável que, de alguma forma, retornemos ao ponto em que estamos agora.

O ¿x¿ da questão não é atacar o nepotismo, mas profissionalizar ao máximo a administração pública. Tornar o concurso público universal. Espremer até a quase inexistência os ¿cargos de livre provimento¿, ¿de livre nomeação¿, ¿em comissão¿, ¿de confiança¿ ou que nomes mais tenha essa praga patrimonialista que corrompe o Estado, rói as finanças públicas, desmoraliza as instituições, desestimula o funcionalismo profissional e torna os governos ineficientes, caros e... cínicos.

A quem acha exageradas essas afirmações basta dar uma olhadinha nos números ¿ e graças a Deus o IBGE acaba de divulgar um levantamento, a chamada Pesquisa de Informações Básicas Municipais, dando conta da dimensão do que é essa verdadeira tragédia nacional no âmbito das cidades. Em apenas três anos, entre 1999 e 2002, o cidadão brasileiro, indefeso e perplexo, viu crescer o número de funcionários públicos municipais no país de 3,44 milhões para 4,06 milhões de pessoas. Ou seja, o funcionalismo municipal, nesse período, engordou 18%, enquanto o crescimento da população foi de 1,49%. Em outras palavras: a massa de funcionários aumentou doze vezes mais, proporcionalmente, do que a população a que ela supostamente serve! Sim, doze vezes.

E aí vem a praga do ¿cargo em comissão¿: nas Câmaras de Vereadores, do total de 131 mil funcionários existentes em todo o Brasil, nada menos que espantosos, absurdos 88 mil ¿ dois terços do total ¿ não eram concursados. Gente, enfim, que entrou pela janela. No total que abrange servidores das Câmaras e das prefeituras, os empregados sem concurso, que eram 13,5% em 1999, pularam para 19,4% em 2002 ¿ um aumento francamente escandaloso de 43,7%.

A situação é menos obscena, mas também preocupante, em outras áreas. Na União, das 15 mil pessoas que trabalham na Câmara dos Deputados ¿ inclusive aquelas contratadas para atender a deputados com a chamada verba de gabinete, sem nenhuma ligação com o serviço público ¿ apenas 3 mil são funcionários de carreira. No Executivo, o governo Lula admitiu em seus primeiros dois anos mais gente sem concurso (25,3 mil servidores) do que pela norma moralizadora e profissional (23,9 mil). Nos governos estaduais, nas Assembléias Legislativas e nos Judiciários dos Estados, com raríssimas exceções, o quadro não é diferente.

O governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) tentou apertar os torniquetes da moralização do serviço público ¿ federal, estadual e municipal ¿ conseguindo aprovar no Congresso a emenda constitucional nº 19, de junho de 1998, que, entre outras coisas, tornou o concurso público a norma, pelo texto do inciso II do artigo 37 da Carta: ¿a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei (...)¿.

Que maravilha se o texto tivesse parado aí. O problema é que o inciso tem uma brasileiríssima ressalva: ¿(...) ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração¿. E as leis federais, estaduais e municipais foram e continuam sendo generosas em criar cargos ¿de livre nomeação¿.

O pretexto é sempre o mesmo: o cargo tal é, na denominação corriqueira, ¿de confiança¿ (não confundir com as tecnicamente denominadas ¿funções de confiança¿, que, segundo a própria emenda 19, são ¿exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo¿). Daí para nomear o parente é um passo. Como diria o deputado Severino Cavalcanti, sólido empregador de sete pessoas da família na Câmara, fora o filho que o presidente Lula nomeou para um posto no Ministério da Agricultura: quem de maior grau de confiança que um parente?

No entanto, a argumentação do cargo ser ¿de confiança¿ é um embuste, uma empulhação. A confiança, no seio da administração pública, não pode ser vista como um valor pessoal. Um vínculo extra-trabalho entre um agente público e uma pessoa física não confere a esta qualquer qualificação para atender o contribuinte ¿ muitas vezes, como sabemos, ocorre o exato oposto. ¿Confiança¿ nesse caso tem que ser vista como um atributo republicano: ¿confia-se¿ em alguém ¿ que deveria, obrigatoriamente, ser um servidor de carreira ¿ por seu preparo técnico, aferido por concurso público e aperfeiçoado em cursos de treinamento, por sua ficha pessoal limpa, por sua capacidade e disposição de servir ao Estado e aos cidadãos.

Os cargos ¿de confiança¿, no melhor dos mundos, deveriam ser raríssimos, se possível restritos aos de ministros, secretários de Estados, presidente ou dirigente principal de um ou outro organismo, como o Banco Central, e poucos mais, tudo explicitado na Constituição. Para eliminar o nepotismo, aperfeiçoar o serviço público, estimular os servidores e melhor atender aos cidadãos, seria necessário que todos os demais postos fossem preenchidos por concurso público. Por que um ministro recém-chegado ao poder em Brasília precisa trazer de São Paulo, Recife ou Belo Horizonte uma pessoa ¿de confiança¿ para ser seu chefe de gabinete ou secretário-geral do Ministério?

Tais funções, não por acaso entre as melhores e mais bem remuneradas do funcionalismo, deveriam invariavelmente ser ocupadas por servidores de carreira. Da mesma maneira, as assessorias técnicas e jurídicas, as ¿assessorias especiais¿, os cargos de direção em bancos estatais, as direções de autarquias ¿ e por aí vai.

O argumento de que o Estado não está preparado para isso e precisa arrecadar gente ¿de fora¿ é uma forma de empurrar o problema com a barriga e de continuar a não investir na profissionalização, no aperfeiçoamento e na carreira dos servidores. Se de fato a União, os Estados e os municípios simplesmente não podem funcionar se, de uma hora para outra, forem privados de enriquecer seus quadros com pessoas extra-funcionalismo, sempre seria teoricamente possível mudar a Constituição para fixar a regra de ferro do concurso público, determinar um prazo de transição razoável para que a norma entrasse em vigor e, até lá, investir em centros de formação para que, passados alguns anos, o país pudesse contar com uma burocracia estável, profissional e competente em todos os níveis.

O que falta ¿ para este governo, como para os anteriores ¿ é justamente aquilo que merece destaque especial em quase todos os discursos do presidente Lula: ¿vontade política¿. No caso, para contrariar os brutais e fortíssimos interesses de quem deita e rola com a atual situação. Antigamente se dizia que Lula fora eleito para fazer esse tipo de coisa. Mas hoje...


Quinta-feira, Abril 28, 2005 [ Fala aí: ]EMAIL

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Heil Papa! Heil Papa!


Laílson, na Charge Online de ontem.



João Paulo foi conservador, teve um papado longo, seguiu expressamente a doutrina ortodoxa católica, que defendeu um atraso milenar nas relações sociais do mundo. Tudo bem, eu não esperava um papa liberal - mesmo porque é difícil que um sujeito "liberal" atinja sequer o cargo de bispo. Mas aí elegeram o alemão. O cara que escolheu o nome de "Bento", pensando no último papa a usar este nome (o criador das regras rígidas dos mosteiros, seguidas até hoje). Vale conhecer um pouquinho dele, por meio de alguns textos que selecionei, na agência de notícias do MSN. Pelo menos são alternativa para a voz lamuriosa da correspondente da Globo na Itália, que está encenando muito bem sua novela desde o início da doença do João Paulo.



Ultraconservador alemão Ratzinger será o papa Bento 16
- Por Philip Pullella e Crispian Balmer

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O ultraconservador cardeal alemão Joseph Ratzinger foi eleito papa na terça-feira, de forma surpreendente, para alegria dos católicos tradicionalistas e frustração dos liberais.

Ratzinger, 78, será o 265o. pontífice da Igreja, sob o nome de Bento 16.

Ele deve defender a rígida ortodoxia de João Paulo 2o. e rejeitar mudanças doutrinárias, o que pode acentuar as divisões deixadas por seu antecessor polonês.

(...) A escolha indica que os cardeais quiseram manter a rígida ortodoxia doutrinária de João Paulo 2o. e ao mesmo tempo promover um pontificado curto, de transição, depois de 26 anos sob o comando de Karol Wojtyla -- o terceiro pontificado mais longo da história.

(...) REFORMISTAS CONSTERNADOS

(...) "Consideramos a eleição de Ratzinger uma catástrofe... Não podemos esperar dele reformas nos próximos anos... Acho que ainda mais pessoas vão dar as costas à Igreja", disse Bernd Goehring, do grupo ecumênico alemão Kirche von Unten (Igreja de Baixo).

A eleição também contrariou católicos liberais dos Estados Unidos, que esperavam mudanças em questões como ordenação de mulheres, celibato clerical, homossexualidade, controle da natalidade e aborto.

Mesmo na praça de São Pedro houve quem não escondesse o temor de uma Igreja ainda mais dividida.

"É um momento histórico, mas triste. Ele é ainda mais conservador do que João Paulo 2o. Tudo o que ele sabe é condenar, condenar, condenar", disse o catalão Agustí Capdevilla.

(...) A mão de ferro com que ele comandou a Congregação da Doutrina da Fé, equivalente moderna da Inquisição medieval, agradava os conservadores, mas indignava os moderados e cristãos de outras denominações, às quais o novo papa se refere como deficientes. (...)

DURA DISCIPLINA

(...) O resultado do conclave também frustrou os que esperavam um papa do mundo em desenvolvimento, onde vivem dois terços dos católicos. Analistas dizem que Ratzinger deverá prestar mais atenção ao secularismo na Europa do que aos crônicos problemas do Terceiro Mundo.

Como supervisor da doutrina de João Paulo 2o., Ratzinger disciplinou a Teologia da Libertação na América Latina, criticou o homossexualismo e pressionou padres asiáticos que via as religiões não-cristãs como parte do plano de Deus para a humanidade.

(...) Em um documento de 2000, Ratzinger qualificou outras igrejas cristãs como deficientes, o que chocou anglicanos, luteranos e outros protestantes que mantiveram durante anos um diálogo ecumênico com o Vaticano.

(...) Nascido na Baviera em 16 de abril de 1927, filho de um delegado de polícia, Ratzinger participou da Juventude Hitlerista durante a Segunda Guerra Mundial, quando isso era obrigatório, segundo sua autobiografia. Mas nunca foi membro do partido nazista, e sua família se opunha ao regime de Adolf Hitler, de acordo com seus biógrafos.

Ratzinger posteriormente se tornou um importante professor de teologia e arcebispo de Munique, antes de assumir o cargo na Congregação da Doutrina da Fé, em 1981.

Seu pontificado deve trazer mudanças consideráveis de estilo em relação ao de João Paulo 2o., eleito aos 58 anos e conhecido por sua dedicação às atividades físicas, enquanto sua saúde permitiu, e por suas viagens.

(Reportagem adicional de Clara Ferreira-Marques, Phil Stewart e Jane Barrett na Cidade do Vaticano)


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Novo papa pertenceu à Juventude Hitlerista, mas não foi nazista

(...) As experiências de Ratzinger durante a guerra foram fonte de polêmica em alguns jornais que investigaram o passado do cardeal alemão nos últimos dias, quando ele despontou como favorito para suceder a João Paulo 2o.

Em sua autobiografia "Marco: Memórias: 1927-1977", Ratzinger conta que ele e seu irmão Georg foram alistados pela Juventude Hitlerista quando era obrigatório ser membro da organização.

Fundada em 1922 e com sede na Baviera, Estado natal de Ratzinger, a Juventude Hitlerista foi uma organização paramilitar do partido nazista. Ela foi proscrita em 1923, mas recriada em 1926, um ano depois do reconhecimento do Partido Nacional-Socialista.

Membros da Juventude Hitlerista usavam uniformes semelhantes aos do partido nazista.

"Nem Ratzinger nem nenhum de seus parentes foi nacional-socialista", escreveu John Allen no seu livro "Cardeal Ratzinger: O Cumpridor da Fé do Vaticano".

Ratzinger disse, segundo Allen, que as críticas que seu pai fazia aos nazistas obrigaram a família a se mudar quatro vezes.

(...) "Em 1943, ele foi conscrito em uma unidade antiaérea que protegia a fábrica da BMW nos arredores de Munique", afirmou o biógrafo.

PRISIONEIRO DOS EUA

Em seguida, ainda segundo o especialista, ele teria sido enviado para a fronteira da Áustria com a Hungria para construir armadilhas contra tanques. "Depois de ser embarcado de volta para a Baviera, ele desertou. Quando a guerra acabou, ele era prisioneiro de guerra dos norte-americanos."

(...) "Em 1943, ainda no seminário, ele foi alistado aos 16 anos no corpo antiaéreo alemão", disse a Ignatius. "Embora ele se opusesse aos nazistas, foi obrigado a se juntar a eles em uma idade prematura."

Ratzinger treinou na infantaria alemã, mas uma doença subseqüente o manteve afastado "dos rigores usuais do serviço militar", segundo a editora.

"Conforme os aliados se aproximavam do seu posto, em 1945, ele escapou dos nazistas e voltou para a casa da sua família, em Traunstein, justo quando os norte-americanos estabeleceram seu quartel-general na casa dos Ratzinger", afirma a editora.

Ele então foi levado para um campo de prisioneiros dos EUA. Foi libertado meses depois do final da guerra, em 1945.

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Cinco fatos sobre o papa Bento 16

* Nasceu na Baviera, Alemanha, em 16 de abril de 1927.

* Joseph Ratzinger foi um conselheiro teológico liberal durante o Concílio Vaticano 2o., mas se tornou conservador depois que o movimento estudantil de 1968 levou-o a defender a fé contra o secularismo.

* Ele foi arcebispo de Munique antes de assumir a Congregação para a Doutrina da Fé em 1981 como ideólogo chefe da Igreja Católica Romana.

* Ratzinger se voltou contra a Teologia da Libertação, condenou o homossexualismo e casamentos gays e pressionou sacerdotes asiáticos que viam religiões não-cristãs como parte do plano de Deus para a humanidade, .

* Em 2000, ele acusou outras igrejas cristãs como deficientes -- chocando anglicanos, luteranos e outros protestantes em diálogo com Roma durante anos.

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Novo papa foi guardião da ortodoxia na igreja

- Por Philip Pullella

(...) Sob os modos cordatos deste alemão de 78 anos se esconde um intelecto férreo, sempre pronto a dissecar trabalhos teológicos em busca de sua pureza dogmática e a debater acirradamente com dissidentes.
(...) Ele e o papa João Paulo 2o. concordavam que, após um período de experimentações, era importante resgatar a doutrina e a teologia tradicionais.
Como chefe da Congregação, Ratzinger começou voltando suas baterias contra a Teologia da Libertação, muito popular na América Latina. Foi especialmente criticado em 1985 por condenar seu ex-aluno brasileiro Leonardo Boff a um ano de silêncio, devido a escritos tidos como marxistas.

ESTILO COMBATIVO

Ratzinger, tido por seus auxiliares como alguém supremamente autoconfiante, emitiu uma dura crítica do Vaticano à homossexualidade e ao casamento gay em 1986. Na década de 1990, ele exerceu pressão sobre teólogos, especialmente asiáticos, que viam as religiões não-cristãs como parte dos planos de Deus para a humanidade.

Em um documento de 2004, atacou rispidamente o "feminismo radical", por ser uma ideologia que, segundo ele, prejudica a família e ignora as diferenças naturais entre homens e mulheres.

Seu lado combativo ficou claro em 2000, numa polêmica em torno de um documento da Congregação da Doutrina da Fé intitulado Dominus Iesus, que acusava outras religiões cristãs de serem deficientes ou de simplesmente não serem igrejas de verdade.

Líderes anglicanos, luteranos e de outras denominações protestantes, que durante anos mantiveram um diálogo ecumênico com o Vaticano, ficaram chocados. Sua irritação aumentou ainda mais quando Ratzinger qualificou de "absurdos" os protestos dos luteranos.

(...) Críticos do cardeal o acusam de ter impedido discussões internas em questões como celibato clerical, controle da natalidade, sexualidade e papel das mulheres na Igreja.

Mas Allen disse que o novo papa pode demonstrar mais flexibilidade a respeito da doutrina tradicional do que muitos esperam. É possível mesmo que ele possa experimentar a ordenação de homens casados em lugares onde a escassez de padres celibatários é aguda.


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Quarta-feira, Abril 20, 2005 [ Fala aí: ]EMAIL

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O Papa Pop morreu



Eu não poderia deixar de comentar a morte do ano. A morte que fez, provavelmente, todos os leitores do Cocadaboa ganharem pontinhos no Bolão. Afinal de contas, quem é que não esperava isso? Ele já tinha 84 anos, 26 de papado e uma doença degenerativa que o estava consumindo há vários anos (apesar da saúde de ferro). Mas não era santo, menos ainda imortal, e morreu.

Agora que a politicagem da escolha de um novo papa começou, é hora de refletir no que significou este reinado tão grande e tão marcante pra história do século XX. Afinal, não estou falando de qualquer um, mas do "pastor" de fiéis da religião mais consolidada no Ocidente. Para isso, recorro a alguns textos que me interessaram entre a profusão de textos das últimas semanas.

JP2 - um papa obsoleto no antro do Vaticano
- Carlos Esperança

A morte de JP2 relembra a dor e sofrimento que atingiu a URSS quando o pai da Pátria, José Stalin, exalou o último suspiro e recorda o histerismo demente que rodeou a morte do ayatola Khomeini em todo o mundo árabe, particularmente no Irão.(...)

O Papa da Paz, como os sequazes o alcunharam, apoiou a Eslovénia e a Croácia (maioritariamente católicas) e a Bósnia e o Kosovo, nações muçulmanas, contra a Sérvia cuja obediência à Igreja Ortodoxa constituía um entrave ao proselitismo papal que tem nos ortodoxos a principal barreira ao avanço do catolicismo para leste. A protecção aos padres que participaram activamente no genocídio no Ruanda é mais um desmentido do boato sobre o alegado espírito de paz e justiça que o animava.

A intervenção de JP2 a favor da libertação de Pinochet, quando foi detido em Londres, é coerente com a beatificação de Pio IX, do cardeal Schuster, apoiante de Mussolini e do arcebispo pró-nazi Stepinac. O auge da ignomínia foi a meteórica canonização do admirador de Franco e fundador do Opus Dei, Josemaria Escrivá de Balaguer.

JP2, ele próprio profundamente supersticioso e obscurantista, chega a ser obsceno na forma como inventou milagres para 448 santos e 1338 beatos cujos emolumentos contribuíram para o equilíbrio financeiro da Santa Sé e para o delírio místico dos fiéis fanatizados.
Da prática do exorcismo à exploração de indulgências, da recuperação dos anjos à aceitação dos estigmas como sinal divino (canonizou o padre Pio), tudo lhe serviu para alimentar uma fé de sabor medieval e uma moral de conteúdo reaccionário.

O horror que nutria pela contracepção, o aborto, a homossexualidade e o divórcio são do domínio da psicanálise. O planeamento familiar era para o déspota medieval um crime. A SIDA era considerada um castigo do seu Deus e, por isso, combateu o preservativo, tendo o Vaticano recorrido à mentira, afirmando que era poroso ao vírus (2003).
O carácter misógino, o horror à emancipação da mulher, a crença no seu carácter impuro, foram compensados pelo culto doentio da Virgem, recuperado da tradição tridentina.

Como propagandista da fé, pressionou Estados, condicionou a política de numerosos países, ingeriu-se nos assuntos relativos ao aborto, à eutanásia e ao divórcio e acirrou populações contra governos democraticamente eleitos. Apoiou comandos anti-aborto, estimulou a desobediência cívica em nome dos preconceitos da ICAR, influenciou a redacção da Constituição Europeia, e chegou ao despautério de pedir aos advogados católicos que alegassem objecção de consciência e se negassem a patrocinar o divórcio.

O Papa da Paz condenou a atribuição do prémio Nobel da Literatura a José Saramago; envidou todos os esforços para obter o Nobel da Paz para si próprio, que justamente lhe foi negado; excomungou o teólogo do Sri Lanka, Tyssa Balasuriya por ter posto em causa a virgindade de Maria e defendido a ordenação de mulheres; perseguiu ou reduziu ao silêncio Bernard Häring, Hans Küng, Leonardo Boff, Alessandro Zanotelli e Jacques Gaillot; marginalizou Hélder da Câmara e Oscar Romero; combateu o comunismo e pactuou com as ditaduras fascistas. João Paulo II morreu uns dias depois de o Vaticano ter proibido a leitura ou a compra do «Código Da Vinci» do escritor Dan Brown e sem nunca ter censurado a fatwa que condenou à morte o escritor Salmon Rushdie.

O Papa que morreu, segundo a versão oficial, no dia 02-04-2005 (soma = 13), às 21h37 (soma = 13), curiosidades «assinaladas» pelo bispo de Leiria/Fátima, não pode ser o algoz da liberdade, o déspota persecutório, o autocrata medieval, o ditador supersticioso e beato que conhecemos. É capaz de ser outro papa o que consternou chefes de Estado e de Governo, que alimentou os noticiários de todo o mundo, que rendeu biliões de ave-marias e padre-nossos, que ocupou milhões de pessoas a rezar o terço, vestígio do Rosário da Contra-Reforma, que recuperou graças ao apoio da Virgem Maria que também o promoveu nas suas aparições na Terra.

O Papa que morreu era talvez uma pessoa de bem que, modestamente, ocultou tal virtude. Foi celebrado por dignitários políticos, religiosos e outros hipócritas que, na morte, lhe enalteceram as virtudes e calaram os defeitos. Foi o cadáver que milhares de abutres aguardavam para exibir e explorar numa derradeira campanha de promoção da fé católica.

É, todavia, o mesmo Papa que anatematizou os ateus, fez inúmeras declarações contra o laicismo, silenciou teólogos, beatificou fascistas e combateu o planeamento familiar. A sua obsessão era reduzir o mundo a um casto bando de beatos, tímidos e idiotas, sempre de mãos postas e de joelhos. O livre-pensamento, a modernidade , o prazer e a liberdade foram os seus inimigos figadais."


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Da Folha de S. Paulo de hoje:

"(...) Wojtyla sobreviveu a uma tentativa de assassinato em 1981, e a exposição sistemática de sua fragilidade (agravada sobretudo pelo mal de Parkinson) nos últimos anos contribuiu para divulgar a imagem de um mártir. De acordo com o teólogo polonês Jan Drabina, o sofrimento físico do papa provocou muita admiração entre os católicos, que o viam se sacrificando em prol da igreja.
Como é comum nesses casos (quando se cogita uma canonização), alguns católicos já alegam ter sido beneficiados pelo poder milagroso do 'santo papa' (não confundir com Santo Padre, como um papa também é conhecido). Em lágrimas, um argentino dizia ontem que havia rezado para o papa num dia 9 de abril (ele não especificou o ano) para que sua mulher engravidasse e atualmente tem cinco filhos. Nos jornais, liam-se ontem manchetes como 'Muere un papa, nace un santo' (na Guatemala).
Na Polônia, Wadowice (cidade natal de Wojtyla) e Cracóvia, onde ele viveu e se tornou arcebispo em 1963, transformaram-se em santuários e centros de peregrinação para fiéis poloneses que rezam pela alma do papa, idealizado como um santo no país. Muitas famílias têm um retrato dele ao lado das imagens de santos.(...)

A considerar que a Igreja Católica, durante o pontificado de João Paulo 2º, realizou o maior número de beatificações e de canonizações de sua história, não se estranha a indicação de que o próprio papa que comandou o que foi chamado de uma 'fábrica de santos' seja valorizado por ela.

Seus predecessores nomearam 808 beatos e 296 santos, e Wojtyla realizou mais de 1.300 beatificações, incluindo as de 1.031 mártires, e 480 canonizações, incluindo as de 402 mártires e a do fundador da Opus Dei, Josemaría Escrivá de Balaguer (alvo de protestos).

(...) João Paulo 2º condenou as guerras (como a do Iraque), pediu perdão por erros cometidos pela Igreja Católica no passado e buscou uma aproximação com adeptos de outras religiões e de outras denominações cristãs.
A abertura do processo deve provocar críticas não apenas mas principalmente por causa da oposição do papa ao uso do preservativo - que teria vetado seu nome ao Nobel da Paz em mais de uma ocasião. Críticos protestam ainda contra a punição de dissidentes, a centralização excessiva e a recusa em debater temas como a ordenação feminina e o celibato clerical.
Um processo de beatificação pode durar décadas ou séculos. No caso do padre Anchieta, o processo se iniciou em 1617. O Vaticano demorou 363 anos para declarar Anchieta beato, em 1980. Os defensores da causa aguardam a comprovação de um milagre para que ele venha a ser santo."


Palavras do escritor, historiador e ensaísta político paquistanês Tariq Ali, em entrevista à Folha:

"Folha - Como o sr. analisa politicamente o papado de João Paulo 2º?
Tariq Ali -
O movimento que ele promoveu nos rumos da Igreja Católica funciona como um espelho da atual situação mundial, refletindo exatamente o que aconteceu nos últimos anos na esfera político-econômica. Se nesta vimos o apogeu do neoliberalismo, da social-democracia, o triunfo do Consenso de Washington, o mesmo aconteceu no papado. Além disso, culminou também numa situação de imenso autoritarismo e de rigidez nos procedimentos de decisão e na hierarquia da igreja.

Folha - O que se perdeu nesse processo?
Ali -
O papa João 23 havia promovido uma série de reformas que facilitaram a participação de igrejas da África e da América do Sul nas decisões centrais. Houve uma tendência à democratização, uma preocupação com as discussões de gênero e a possibilidade de expandir movimentos como a Teologia da Libertação. João Paulo 2º, antes de virar papa, sempre votou contra essas reformas.
E, quando assumiu, o primeiro que fez foi anunciar que se havia ido longe demais, que a guinada à esquerda havia ultrapassado os limites. Hoje, tudo aquilo que havia sido construído antes dele se foi.
Wojtyla foi um contra-revolucionário. Foi um papa autoritário que deixou abandonados religiosos que, no Terceiro Mundo, travavam uma luta pelos direitos humanos.

Folha - O que acha da posição dele com relação a conflitos recentes, como a Guerra do Iraque ou a constante crise no Oriente Médio?
Ali -
Ter se posicionado contra a Guerra do Iraque foi seu único acerto do ponto de vista político. Quanto à questão palestina, podemos considerar que foi ausente. Não ajudou a minimizar os conflitos em Israel. Do ponto de vista mais global, são lamentáveis suas posições conservadoras sobre a contracepção e o aborto.

Folha - E sua influência no fim do comunismo na Europa do Leste?
Ali -
Wojtyla foi o primeiro e o último papa do antigo bloco soviético. Ele foi necessário e teve um papel importante do ponto de vista ideológico ao pavimentar a estrada para a restauração do capitalismo, ainda que mesmo ele tenha ficado depois chocado pela rudeza dos novos governantes ligados ao livre mercado.
De um modo esquisito, o pós-stalinismo não era diferente da Igreja Católica. O Vaticano tinha o papa e os cardeais. Moscou tinha o secretário geral e o politburo. Ambos, papa e secretário geral eram considerados infalíveis.
Enquanto era um forte oponente do stalinismo e do comunismo, o cardeal polonês aprendeu algumas jogadas com eles. A única questão é: o pós-stalinismo implodiu. Será que o catolicismo também implodirá?

Folha - Como você vê a lenta transmissão de sua agonia e morte, coroando um papado que teve uma forte relação com a mídia?
Ali -
O espetáculo midiático a que assistimos é o apogeu de como o papa lidou com o mundo da comunicação globalizada. João Paulo 2º sempre adorou as câmeras de televisão. Nesse sentido, acho que sempre agiu como um político inteligente e de direita. Ele pôs a mais moderna tecnologia a serviço de um papado digno da Idade Média.
E o que estamos vendo nessa cobertura de sua morte faz pensar no quão grotesca se transformou essa instituição que chega ao século 21 sem se reformar. Temo pelo fanatismo pró-religião que o espetáculo gera, mas sinto que as conseqüências podem ser também no sentido de fortalecer um sentimento anti-religião."



E a pergunta que a mídia insiste em fazer (e deveria mesmo, claro): quem será o próximo? Um oriental, para disseminar o catolicismo por aquelas bandas? Um italiano, para manter a tradição secular? Um brasileiro, para fomentar a torcida de um país tão conservador como o nosso? Um negro? Amarelo? De todo modo, certamente não será homossexual ou mulher, levando em conta as idéias do Vaticano a este respeito. Pra quem não conhece, taí a carta do Papa às mulheres, escrita em 95:
http://www.capeladelourdes.org.br/magisterio/carta_as_mulheres.htm

(Amém).

Segunda-feira, Abril 04, 2005 [ Fala aí: ]EMAIL

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