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Paraíso Ameaçado
A Folha do Meio Ambiente deste mês publicou uma matéria preocupante sobre o Arquipélago de Abrolhos, o maior banco de corais do Atlântico Sul, localizado no sul da Bahia. Aí vai o resumo, com trechos da matéria:
Qual a importância do Arquipélago de Abrolhos: ele é formado por cinco ilhas e abriga espécies raras de corais e inúmeros crustáceos, moluscos, tartarugas, aves e mamíferos marinhos ameaçados de extinção. Também é composto por estuários e manguezais da região, margeados por restos da Mata Atlântica. Os mangues servem como área de nutrição e alimentação para espécies importantes.
O que foi feito para proteger a região: "Em 2002 Abrólios foi oficialmente declarado como área de Extrema Importância Biológica pelo Ministério do Meio Ambiente, como parte do compromisso brasileiro diante da Convenção sobre a Diversidade Biológica." Para reforçar a proteção sobre os ecossistemas de Abrolhos, foi criada a Zona de Amortecimento do Parque Nacional Marinho de Abrolhos (ZA). A Zona vem sendo discutida há três anos por ambientalistas, governos e acadêmicos. A portaria do Ibama que estabeleceu a ZA foi publicada apenas em 18 de maio deste ano. Ela restringe atividades que causem "impactos ao meio ambiente no entorno do parque, como a exploração de petróleo e gás natural".
Qual é a ameaça: (Trecho do site www.conservacao.org) "Seis senadores dos estados da Bahia e do Espírito Santo querem anular, por meio de um Projeto de Decreto Legislativo, a recém-criada portaria n° 39/2006 do Ibama que estabelece a Zona de Amortecimento (...). O autor do Projeto, senador João Batista Motta (PSDB/ES), é sócio do empreendimento de carcinicultura (criação de camarão) proposto para a região". Gravem o nome desse senador, que deve ser banido da política brasileira!
A criação de camarões: "Uma área de 1.517 hectares de manguezais e restingas foi adquirida pela Cooperativa de criadores de camarão do extremo sul da Bahia (Coopex) no município de Caravelas. Neste local, o projeto prevê o desmatamento de 900 ha de vegetação de restinga (= 800 campos de futebol) para a instalação de criatórios de camarão. (...) Além dos impactos da atividade sobre os ecossistemas, como mudanças no fluxo das marés, extinção de habitats, disseminação de doenças entre crustáceos e a contaminação da água, há também os prejuízos sociais. Cerca de 20 mil pessoas (...) dependem da qualidade ambiental dos estuários da região [para sobreviver]".
Os responsáveis pelo absurdo: São seis senadores da República: João Batista Motta (PSDB/ES), Antônio Carlos Magalhães (PFL/BA), César Borges (PFL/BA), Magno Malta (PL/ES), Rodolpho Tourinho (PFL/BA) e Marcos Guerra (PSDB/ES). Gravem seus nomes! Seu projeto de anular a ZA foi publicado em 31/05 no Diário do Senado Federal, aprovado na última semana pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e agora aguarda para ser votado no Senado. Como eu já disse, o autor do projeto é sócio do empreendimento de criação de camarões e tem, portanto, muito interesse nos prejuízos ao Paraíso de Abrolhos.
Leiam mais no site www.conservacao.org. Informem-se! Divulguem! Guardem os nomes dos responsáveis! Meio Ambiente também é política.
Quinta-feira, Junho 29, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Fazia tempo que o jornalista José de Castro não escrevia por aqui. Mas desta vez veio com um texto que coloca no chinelo os artigos de muitos economistas - a começar por alguns pesquisadores do Ipea, que estão tendo a cara-de-pau de distorcer valores para colocar nas costas dos velhinhos o problema da falta de investimento no Brasil. Amenizando, convenientemente, as costas quentes dos banqueiros... Os grifos do texto são meus.
Nas costas dos velhos
Você quer que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresça mais? É óbvio, porque deste modo serão gerados mais empregos, a indústria e o comércio venderão mais, todos viverão melhor. Mas, você quer tudo isso enquanto paga menos imposto? Claro, porque a carga tributária brasileira, de 37% do PIB, está muito alta.
O problema é que o capitalista brasileiro não é chegado a uma poupança, e nem pensa em reinvestir a maior parte dos lucros na própria empresa. Para que o PIB cresça, é preciso investimento. No passado, isso ficava por conta do governo. Mas, desde 1991, o governo federal vem reduzindo seus investimentos. No começo, com o objetivo de formar caixa para pagar os juros da dívida pública interna e externa. Agora, para transferir renda à população mais pobre, cumprindo promessa de campanha eleitoral, sem deixar de remunerar os credores com as taxas mais altas de juros do mundo.
Qual a solução, então, para que o país se desenvolva, e o governo possa atender à grita geral, reduzindo impostos?
"Expansão e dilemas no controle do gasto público federal" é o título de um estudo de Mansueto Almeida, Fabio Glambiagi e Samuel Pessoa, do IPEA, órgão ligado ao Ministério do Planejamento. Ele promete uma resposta para a questão. Os autores supõem que a única forma de reduzir a carga tributária, aumentar o investimento público e não comprometer o ajuste fiscal é evitar que o crescimento dos gastos sociais e do INSS seja maior que o crescimento do PIB nacional. Eles sustentam ter havido corte do gasto público na sua parte mais flexível (investimentos e gastos discricionários), ao mesmo tempo em que se registrou expressiva elevação dos gastos sociais. Daí, o gasto público não-financeiro do governo federal passou de 16,1% do PIB, em 2001, para 17,7%, em 2005.
Não pense que a culpa por esse crescimento é do inchamento do Estado. Comparando com o início dos anos 90, o aumento do gasto com o funcionalismo é de apenas 1% do PIB. E esse aumento é explicado pelo crescimento dos gastos com o pessoal inativo. Esse gasto com os funcionários públicos federais aposentados subiu de 0,9% do PIB, em 1991, para pouco mais de 2% do PIB, recentemente.
Dizem os pesquisadores do IPEA que o crescimento do gasto público concentrou-se no aumento dos gastos com benefícios pagos pelo INSS aos aposentados da iniciativa privada e dos gastos de custeio e capital. Nesta conta, chamada nos relatórios do Tesouro Nacional de "Outras Despesas de Custeio e Capital" (OCC), estão os investimentos públicos, os programas de transferência de renda - fora Previdência Social -, os gastos com educação e saúde e as despesas com material de consumo do governo, como viagens, xerox, etc.
No imaginário popular, Lula vem contratando muito funcionário público e viajando excessivamente. Mas os pesquisadores do IPEA afirmam que a expansão da OCC não se deve a tais questiúnculas , mas à expansão dos programas de transferência de renda, como a Bolsa-Família, o benefício mensal ao deficiente e ao idoso, o abono salarial e os pagamentos de seguro-desemprego. Os gastos com esses programas de transferência de renda passaram de 0,7% do PIB, em 2001, para 1,4% em 2005. [!]
Em resumo, dizem eles, o crescimento das despesas do governo federal, desde o início dos anos 90, concentrou-se no aumento dos benefícios pagos pelo INSS e no crescimento de uma série de programas sociais.
As aposentadorias dos funcionários públicos, nestes últimos 14 anos, não respondem por uma parte do crescimento dessas despesas? Afinal, antes da última reforma previdenciária, no governo Fernando Henrique Cardoso, houve uma corrida de funcionários para se aposentar. E eles continuam ganhando praticamente o mesmo salário dos funcionários da ativa. Há juízes aposentados ganhando mais de 20 mil reais por mês, enquanto o aposentado do INSS recebe no máximo 10 salários mínimos. Mas, como já vimos, os autores afirmam que o aumento nessa despesa, desde 1991, foi de pouco mais de um ponto percentual do PIB. Uma ninharia, não? Portanto, paguemos essa conta, sem chiar...
Então, de quem a culpa? É do aposentado do INSS. Em relação à média 1991-1995, os benefícios do INSS como proporção do PIB passaram de 4,5% para 7,6%, em 2005. No governo Lula, a conta cresceu mais de um ponto percentual. Este ano, afirmam ainda os autores, espera-se que os benefícios do INSS atinjam entre 7,8% e 7,9% do PIB. Principalmente por conta do aumento real de mais de 10% do Salário Mínimo (SM) neste ano. Cerca de 1/3 dos aposentados do INSS recebem um SM e, assim, um aumento real de 10% do SM equivaleria a um aumento real de 3% a 4% da despesa previdenciária.
E os investimentos públicos, tão necessários para impulsionar o desenvolvimento? Eles caíram. Passaram de uma média de 0,95% do PIB em 2001-2002, para a média de 0,51% do PIB nos últimos três anos. Por quê? Lula teria preferido deixar de investir, para formar uma rede de proteção social - dirigida em particular aos idosos - e continuar pagando altos juros aos banqueiros. Desse modo, ele contentou aos mais e aos menos necessitados, e espera se reeleger facilmente em outubro.
Porém, o que acontecerá depois da reeleição? Os mais confiantes podem esperar para ver. Já se sabe, no entanto, que Lula convenceu o presidente da Confederação Nacional das Indústrias, deputado Armando Monteiro, do PTB, a desistir da candidatura ao governo de Pernambuco, para continuar na Câmara dos Deputados, pois precisa de uma forte bancada aliada para aprovar a reforma da Previdência Social e da Consolidação das Leis do Trabalho, entre outras, no ano que vem.
O artigo dos três pesquisadores do IPEA, disponível na Internet ( www.ipea.gov.br), com apenas dez páginas, é fácil de ler. Qualquer deputado poderá compreendê-lo e ter uma justificativa para votar, mais uma vez, contra os que dependem da Previdência Social para sobreviver. E estes não são apenas os velhos. Em muitas famílias, são eles que garantem, com sua mirrada aposentadoria, a sobrevivência dos netos.
Os autores não pensaram em outras soluções, como aumentar a arrecadação da Previdência, fazendo cumprir a legislação trabalhista. Virou rotina, em muitas empresas, demitir funcionários que já se aposentaram para recontratá-los como terceirizados. Eles podem abrir uma empresa para receber salário, contribuindo para o INSS, como "empresários", sobre um "pro labore" de um salário mínimo, enquanto embolsam dez, vinte ou trinta salários mínimos na empresa onde efetivamente trabalham. Se os autores não pensaram nisso, é querer muito que os deputados e senadores pensem...
Finalmente, os autores não dizem uma palavra sequer sobre os gastos financeiros do governo, embora o vice-presidente, José Alencar, um grande empresário, construtor de um império industrial e comercial - o Grupo Coteminas - diga que se o governo pagasse juros menos extorsivos aos credores, de 14% ao ano, continuaria oferecendo os juros mais caros do mundo. Porém, com a diferença do que paga atualmente, sobrariam pelo menos R$ 60 bilhões por ano para investimentos, impulsionando o PIB.
No entanto, este continua sendo um assunto tabu entre os técnicos do governo Lula. Afinal, banqueiros têm costas quentes - ao contrário das alquebradas costas dos velhinhos aposentados.
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Foto: www.gettyimages.com
Quinta-feira, Junho 22, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Hoje tivemos a colaboração do estudante do 5º período de Comunicação Social da UFMG Vitor Neves. Ele comenta o problema de se ter um chefe ditatorial dentro de uma redação de jornal. O exemplo é o que ocorreu na redação da revista Isto É, que postei aqui no dia 09 de abril. Provavelmente o Vitor vai escrever com mais freqüência no Tamos com Raiva - aguardem!
Pérolas do Jornalismo Marquesiano
Pode-se dizer que o diretor de redação é a alma de um veículo jornalístico? É recorrente dizer que numa empresa as visões do chefe podem não ser as mais valiosas e decentes, mas se o louco decidir fazer, não há nada que os subordinados possam fazer. Tudo bem, é o modo como se comporta o maquiavélico e egocêntrico mercado. No entanto, não é aconselhável às publicações jornalísticas, que com a influência do capital, atuem dessa maneira esquizofrênica em relação aos lucros e resultados.
Fica mais fácil verificar a existência desse espírito corporativo que segue (ou é forçado a seguir) o comportamento do cabeça quando há uma ruptura. No caso, é a troca de diretor de redação da revista IstoÉ, ocorrida em fevereiro de 2006. Saiu Hélio Campos Melo e entrou Carlos José Marques. Achei muito evidente, pois além da mudança nos enfoques dados ao conteúdo (pacotes interpretativos ou enquadramentos), houve profundas mudanças na composição gráfica da revista.
Da demonização do Lula ao tamanho das fotografias, o mais interessante reside nas jóias do diretor de redação Carlos José Marques, citadas em uma carta do jornalista Luiz Cláudio Cunha, demitido da Revista por causa dos atritos com a diretoria. Eis as pérolas: 1) Não gosto de suíte; 2) Não quero preto nem pobre na revista; 3) Não gosto de política.
O pior é que ele possui um gosto bem duvidoso...
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Na foto (da esq. pra dir.): Carlos José Marques, Henrique Meirelles e Domingo Alzugaray (diretor da Editora Três). Publicada na IstoÉ Dinheiro.
Domingo, Junho 18, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Toma mais remédio!
Sempre desconfiei de médicos, de hipocondríacos e da indústria farmacêutica. Dos médicos, porque nunca entravam num consenso sobre minhas constantes dores no braço, o que me lembrava um verdadeiro jogo de adivinhação. Dos hipocondríacos, porque sempre dizem ter mais dores e sofrimentos do que realmente têm - na verdade, são viciados em remédios/drogas. Da indústria farmacêutica, porque se empenha, a cada ano, para aumentar a necessidade de as pessoas saudáveis consumirem suas novas fórmulas. Não preocupados em melhorar nosso bem-estar, mas em aumentar seu lucro, obviamente.
A matéria publicada no Le Monde Diplomatique de maio apenas confirmou muito do que eu já desconfiava. As indústrias farmacêuticas se aliaram à publicidade para convencer as pessoas de que elas estão doentes e, em conseqüência, aumentar a venda de drogas e o lucro exorbitante desse mercado (que, hoje, movimenta cerca de 500 bilhões de dólares por ano!). Com isso, timidez virou "problema de ansiedade social" e TPM virou uma doença mental chamada de "problema disfórico pré-menstrual". A linha que separava os doentes dos saudáveis praticamente se rompeu.
A vilã da história não é só a indústria farmacêutica, é claro. Ela fabrica as síndromes, mas os médicos compram essa idéia. É claro que não estou generalizando a classe - há muito médico competente e bem-intencionado por aí -, mas já existem aqueles "doutores" orientados por marqueteiros. As despesas com saúde cresceram em quase 100% em seis anos não só porque os remédios ficaram mais caros, mas também porque os médicos passaram a prescrever muito mais medicamentos.
E, é claro, isso tudo só é possível se há pessoas para acreditar em suas próprias mazelas. São os hipocondríacos - os pacientes que fecham esse ciclo vicioso do mercado. Sejam eles esperançosos, iludidos ou desinformados, os pacientes acreditam que podem curar sua "doença mental" (timidez? estresse? ansiedade?) tomando algumas cápsulas milagrosas. Reza forte provavelmente faria o mesmo efeito.
Os abusos pelo lucro são muitos, mas usar a saúde das pessoas para "otimizar as vendas" é caso de polícia. Entendam, em detalhes, como eles fazem isso (e não se deixem enganar!), clicando no seguinte trecho da matéria:
Os vendedores de doenças
- Ray Moynihan, Alain Wasmes
"Há cerca de trinta anos, o dirigente de uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo fez declarações muito claras. Na época, perto da aposentadoria, o dinâmico diretor da Merck, Henry Gadsden, revelou à revista Fortune seu desespero por ver o mercado potencial de sua empresa confinado somente às doenças. Explicando preferiria ver a Merck transformada numa espécie de Wringley's - fabricante e distribuidor de gomas de mascar -, Gadsden declarou que sonhava, havia muito tempo, produzir medicamentos destinados às... pessoas saudáveis. Porque, assim, a Merck teria a possibilidade de "vender para todo mundo". Três décadas depois, o sonho entusiasta de Gadsden tornou-se realidade.
As estratégias de marketing das maiores empresas farmacêuticas almejam agora, e de maneira agressiva, as pessoas saudáveis. Os altos e baixos da vida diária tornaram-se problemas mentais. Queixas totalmente comuns são transformadas em síndromes de pânico. Pessoas normais são, cada vez mais pessoas, transformadas em doentes. Em meio a campanhas de promoção, a indústria farmacêutica, que movimenta cerca de 500 bilhões dólares por ano, explora os nossos mais profundos medos da morte, da decadência física e da doença - mudando assim literalmente o que significa ser humano. Recompensados com toda razão quando salvam vidas humanas e reduzem os sofrimentos, os gigantes farmacêuticos não se contentam mais em vender para aqueles que precisam. Pela pura e simples razão que, como bem sabe Wall Street, dá muito lucro dizer às pessoas saudáveis que estão doentes."
Domingo, Junho 18, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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| Tudo
aquilo que nos deixa indignadas. Estar com raiva não é
sempre um sentimento negativo - também serve para despertar
a consciência política nas pessoas, despertar um desejo
de que as coisas mudem para melhor. Este blog, que começou
como um espaço pacifista , prossegue com ideais de Justiça
e Paz. Principalmente de paz de espírito - aquela só
alcançada quando não temos mais motivos para estar
com raiva. Esperamos alcançar não só os que
querem nos ouvir, mas principalmente os que costumam tapar os ouvidos
para nós. |
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