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Não reelejam esta CORJA
A lista acima foi publicada na revista Veja de 12 de julho. Se vocês clicarem na foto acima, verão as caras, nomes, partidos e crimes cometidos por 94 congressistas do Brasil. Cliquem, leiam, anotem, divulguem. Esses são 22% dos nossos representantes em Brasília - e são todos criminosos, ou suspeitos de o ser.
Desta lista, podemos fazer ainda algumas observações:
* O PT, que vem sofrendo acusações de corrupção nos últimos 11 meses, tem apenas 5 senadores/deputados sendo investigados, entre esses 94. De duas, uma: ou o Ministério Público está protegendo o partido do governo (má notícia), ou a "mancha anti-ética" que cobriu a esquerda do país só alcançou uma elite partidária em minoria (o que seria uma boa notícia para nós). Vou ficar com a boa notícia, até porque foi a VEJA que divulgou esta lista...
* O PSDB, que vem posando de bom-mocinho nos mesmos últimos 11 meses, está com 13 congressistas sendo investigados. Inclusive um bom-mocinho que esteve envolvido até o pescoço com o caso Marcos Valério: o senador e ex-governador de MG, Eduardo Azeredo.
* Os partidos de sempre, responsáveis pela corrupção endêmica no Brasil, estão sendo mais investigados: 7 congressistas do PFL, 9 do PTB, 12 do PL (um número incrível, tendo em vista o tamanho do partido, que, aliás, inchou muito desde que o Lula assumiu o poder), 13 do PSDB, 17 do PP de Maluf e 23 do PMDB (um recorde!).
* Esta lista é útil, na minha opinião, para demonstrar uma coisa: como os mesmos nomes conseguem se reeleger depois de várias denúncias, e passam por todas elas com o nariz em pé. Acho que está na hora de o povo parar de votar em figuras como Antero Paes de Barros, Jader Barbalho, Janene (que currículo, hein!), Luiz Antônio Fleury, Marcelo Crivella, Pedro Henry, Romeu Queiroz, Romero Jucá, e todos esses outros, não acham? Eles já tiveram mais que 15 minutos de fama às nossas custas...
SEJAMOS MAIS CRIATIVOS! VOTEMOS COM MAIS SENSO CRÍTICO!
Domingo, Julho 30, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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A "guerra" que só mata civis
O Tamos com Raiva foi criado a fim de protestar contra a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, que tinha, como desculpa para os ataques a milhares de civis, a suspeita (posteriormente descartada) de que Sadam Hussein tinha armas nucleares escondidas em seu país e prontas para atacar o inimigo norte-americano. A potência conseguiu o que queria: prendeu o ditador iraquiano, colocou marionetes na política do país e passou a controlar sua economia de petróleo. À custa de mortes sem fim de civis iraquianos e soldados estadunidenses, é claro (segundo o site Iraq Body Count, cerca de mais de 43 mil civis foram mortos pelos ataques dos EUA, desde o começo da invasão, em março de 2003).
Agora Israel está bombardeando seu vizinho do Norte, o Líbano, com a desculpa de que o Hezbollah seqüestrou dois de seus soldados. Tanto Israel quanto os Estados Unidos, seus protetores do mundo árabe, vêm declarando que os bombardeios são uma "legítima defesa" contra os terroristas do norte. Vejam como essa "legítima defesa" funciona: o Hezbollah matou até anteontem 25 israelenses (13 civis e 12 militares). Até então, Israel havia respondido com seus bombardeios de uma maneira bem "defensiva" mesmo: matou 228 libaneses e estrangeiros civis (7 brasileiros, inclusive crianças de 3 anos) e 11 militares. Se a minha ironia não serviu para mostrar minha indignação, sejamos claros: há uma clara desproporção nessas contas, com vantagem esmagadora para os israelenses.
Como eu escrevi à época dos ataques ao Iraque, aquilo não poderia ser considerado uma guerra. Guerras são relativamente equalitárias, são forças atacando e outras contra-atacando por um mesmo objetivo. O que temos aí é uma potência gigante, apoiada por outra ainda maior, arrasando e destruindo um país que já foi ocupado por Israel por mais de 20 anos, é vítima de outras invasões constantes, perdeu parte legítima de território, tem minas terrestres espalhadas por todo canto e tem centenas de presos (sem acusação nem julgamento) enchendo as cadeias de Israel.
A desculpa de Israel (e dos Estados Unidos, que têm poder de veto na ONU e usaram esse poder para vetar o cessar-fogo) é que há um bando de terroristas no Líbano (Hezbollah) que precisa ser destruído. Sua ação tática é que tem se mostrado equivocadíssima: os bombardeios que mataram todos esses civis e provocaram o exílio de meio milhão de libaneses só conseguiram matar QUATRO (!!) soldados do Hezbollah. Vale enfatizar: Q-U-A-T-R-O.
Isso nos dá no que pensar, não? Será que os israelenses e estadunidenses são tão burros assim? Ou há alguma outra razão para todo esse estardalhaço? Talvez, como levantou o advogado Fábio de Oliveira Ribeiro nos comentários do Observatório da Imprensa, a idéia dessa guerra sem sentido seja uma guerra maior, no Irã. Porque uma coisa é certa: em questão de dias ou semanas, todos os outros países árabes vão se juntar ao Líbano contra Israel. E o pitaco do Irã vai ser uma desculpa formidável para os Estados Unidos se voltarem contra ele.
Vale lembrar que esse país, desde a Revolução Islâmica de 1979, praticamente cortou relações com os EUA. Tem uma posição super estratégica (entre o Oriente Médio, Cáucaso, Ásia Central e o Golfo Pérsico, e perto do Leste Europeu e do subcontinente Indiano) e vem tentando difundir sua revolução entre os vizinhos árabes, o que representa grande risco de perda de poder pelos EUA. Aliás, esta foi justamente a causa da Guerra Irã X Iraque, quando os EUA se aliaram ao seu futuro inimigo, Saddam Hussein. O Irã sempre apoiou o Hezbollah e dificilmente lhe faltará nesse momento crítico, não? Detalhe: ao contrário do Iraque em 2003, o Irã afirma que quer, sim, produzir armas atômicas.
Independente das razões reais dessa guerra, ela está piorando a cada dia. Só ontem, Israel matou 63 pessoas e prometeu usar mais força ainda. Teve o aceno positivo de Bush e dificilmente irá usar o freio. Isso, em se tratando de Oriente Médio, com todas as rivalidades culturais, religiosas, históricas, econômicas e até ecológicas daquele ninho de rato, pode virar um transtorno de níveis mundiais. Quem sofre mais? Os civis: que provavelmente discordam quando ouvem que o ataque de Israel é mera "defesa" ou que suas mortes são apenas "efeitos colaterais". Que, aliás, provavelmente discordam das desculpas usadas pelos dois países rivais, do mesmo jeito como devem concordar com a seguinte lógica do Professor de Direito Internacional Salem Nasser : "Se para recuperar dois soldados capturados é lícito despejar bombas sobre famílias, pode não ser crime explodir a si próprio num mercado cheio de civis".
Matar é crime (ponto). Seja por gestos terroristas ou por guerras não-vetadas pelo Conselho de Segurança da ONU. E, na minha opinião, quem mata mais é ainda mais criminoso.
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* Leiam o excelente artigo de Salem Hikmat Nasser, publicado no Valor Econômico de 18/07: Legítima defesa ou crime?
* Leiam a crítica do jornalista Luiz Weis à cobertura da guerra, no Observatório da Imprensa de ontem:
Mortos "mais iguais" que outros.
* Mais reflexões, mais completas, no Boletim Mineiro de História, do professor Ricardo Faria.
* Foto: Capa da Folha de S. Paulo de 03/08/2006: "Libanês segura o corpo do filho, morto em ataque israelense a bases do Hizbollah na cidade de Baalbeck, no nordeste do Líbano"
Quinta-feira, Julho 20, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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O culpado no caso PC Farias
No fim de junho as mortes de Paulo César Farias e sua namorada Suzana Marcolino completaram 10 anos. E até hoje os culpados pelo crime não foram descobertos. Pelo menos duas perguntas ainda permanecem sem solução: quem matou os dois?, quem ficou com a toda a grana que ele roubou durante o governo Collor?
Ninguém foi preso e o próprio Collor foi liberado de todas as acusações, à época dos escândalos. A Justiça de Alagoas e a Polícia Federal foram incapazes de tomar atitudes eficazes para impedir a impunidade dos culpados. Isso, até o ano 2000. Porque foi há seis anos que o jornalista Lucas Figueiredo publicou seu best-seller "Morcegos Negros: PC Farias, Collor, máfias e a história que o Brasil não conheceu", com todas as investigações e pesquisas jornalísticas que ele vinha fazendo desde 1994 (ano da absurda absolvição de Collor no STF). Um livro honesto, fruto de uma dedicação que o jornalista tinha pela cobertura do escândalo, desde os tempos da faculdade.
Um juiz de Alagoas - Alberto Jorge Correia de Lima - resolveu ler o best-seller. Leu e não gostou de uma frase, a seguinte: "O juiz Alberto Jorge, que só reclamava, resolveu tomar uma atitude e solicitou à Secretaria de Segurança que indicasse um novo delegado para o caso". Não gostou que Lucas Figueiredo dissesse em seu livro que ele só fazia reclamar. E, portanto, decidiu reclamar mais um pouco, entrando com um processo contra o jornalista por danos morais. Já que não tivera a capacidade de encontrar o(s) culpado(s) pelos homicídios, resolveu encontrar seu culpado agora. Por um crime bem menos concreto, diga-se de passagem.
E aí começa uma aventura ao estilo do livro "O Processo", de Franz Kafka. Lucas Figueiredo é o personagem Joseph K., processado sem saber o motivo. Ou, pior: condenado sem poder se defender! Confiram:
- No julgamento de primeira instância, o juiz que analisou o caso não ouviu nenhuma testemunha do jornalista.
- Condenou o autor e a editora Record a pagarem cerca de R$ 200 mil reais (valor corrigido), um preço altíssimo para processos dessa natureza.
- O jornalista tentou recorrer, mas, na segunda instância, houve um problema ainda maior: o Tribunal de Justiça de Alagoas confirmou a condenação sem publicar o acórdão e sem intimar o advogado do jornalista. Ou seja, ele foi condenado de novo, mas sem ser avisado disso!
- Ao verificar o erro, em agosto de 2004, o jornalista entrou com uma petição no TJ de Alagoas. Ele pedia a republicação da sentença, para que fosse reaberto o prazo para recorrer. A petição foi devidamente recebida, conforme protocolo.
- Além disso, o advogado do jornalista conversou com o assessor de gabinete do TJ de Alagoas, que assumiu o erro e disse que seria feita a republicação.
- Em abril passado, o advogado foi verificar porque estavam demorando tanto a fazer a republicação e descobriu que a petição do jornalista tinha simplesmente sumido do processo! Ele ficou, portanto, de mão atadas para recorrer de novo (por uma questão meramente burocrática) e foi sumariamente condenado àquela multa exorbitante!
Conclusão: os juízes de Alagoas não tiveram habilidade para descobrir os culpados pelos crimes de homicídio e corrupção que envolveram o tesoureiro de Collor. Não tiveram habilidade, ou simplesmente fecharam os olhos, atendendo a pedidos amigos. E agora tiveram o talento de burlar todas as leis possíveis para condenar um jornalistazinho que ousou fazer críticas à sua estrutura podre. Mais uma vez, o coleguismo da "Justiça" se presta à nojenta injustiça brasileira.
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* Leiam o artigo " Eu Sou o Criminoso do Caso PC Farias", que Lucas Figueiredo publicou no Observatório da Imprensa.
* Leiam o artigo " Kafka encontra PC Farias em uma praia de Alagoas", que Luiz Ryff publicou no No Mínimo.
* Leiam matéria no jornal Vale do Aço sobre o caso sem solução (de onde tirei a foto do post).
Terça-feira, Julho 11, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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| Tudo
aquilo que nos deixa indignadas. Estar com raiva não é
sempre um sentimento negativo - também serve para despertar
a consciência política nas pessoas, despertar um desejo
de que as coisas mudem para melhor. Este blog, que começou
como um espaço pacifista , prossegue com ideais de Justiça
e Paz. Principalmente de paz de espírito - aquela só
alcançada quando não temos mais motivos para estar
com raiva. Esperamos alcançar não só os que
querem nos ouvir, mas principalmente os que costumam tapar os ouvidos
para nós. |
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