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Os outros fumam e meu pulmão que fica podre?




Em homenagem ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, resolvi colocar algumas informações bem esclarecedoras sobra a droga que mais vicia depois da cocaína. Uma delas diz que eu posso estar entre os 60% de não-fumantes que viraram tabagistas passivos. Outra, diz que, a cada hora, cerca de 10 pessoas morrem no Brasil por conseqüência do cigarro. Elas foram divulgadas pela Faculdade de Medicina da UFMG.


* NÚMEROS:
- O fumo causa mais de 25 doenças diferentes, dentre elas, as mais freqüentes são: bronquite crônica, enfizema pulmonar, angina do peito, infarto e câncer de pulmão.
- Em todo o mundo, na década de 90, 3 Milhões de pessoas morreram a cada ano. Destes, 2 milhões viviam em países 'desenvolvidos'.
- No Brasil as mortes por doenças ligadas ao fumo já somam, em média, 100 mil pessoas/ano.
- Dentre os que param de fumar, de 50 a 95% o fazem por conscientização e por decisão própria. Logo, a melhor ajuda que uma pessoa próxima pode dar é conscientizar o amigo, nada mais.
- O tabaco é a segunda droga que mais vicia. A primeira é a cocaína.

* POR SEXO:
- 1/3 dos homens fuma, sendo que a estatística entre as mulheres é de que 1/4 delas seja fumante.

* POR REGIÃO ONDE VIVE:
- Fuma-se mais na área rural do que na área urbana.

* PREJUÍZO AO PAÍS:
- Além do prejuízo à saúde, o tabaco também dá prejuízo econômico ao país, segundo o último relatório do Ministério da Saúde. Em 98, a diferença entre o montante dos impostos gerados pelo fumo e os gastos com o tratamento das doenças relativas ao mesmo perfazem 1 Bilhão e 200 Milhões de reais.

* FUMANTE PASSIVO:
- Nos grandes centros urbanos, 60% dos não-fumantes são tabagistas passivos.
- Pais fumantes são exemplo para os filhos.

* O RISCO DE:
· Adquirir doenças depende de:
Quantidade de cigarros consumidos ao dia
Tempo de tabagismo
Modo de fumar
Tipo de fumo usado

· Morte devido ao vício de fumar é de aproximadamente 50%. Ou seja, em cada dois fumantes, um morre.

* QUEM FUMA TEM:
De 1050 a 1250 % de chances de contrair câncer na Laringe
De 188 a 1305 % de chances de contrair câncer na Boca

* O FUMO CAUSA:
90% dos casos de câncer no pulmão
50% dos casos de câncer na Bexiga
25% das mortes por acidente vascular cerebral (AVC)
40% dos óbitos por doenças do coração em mulheres com menos de 65 anos
10% dos óbitos por doenças do coração em mulheres acima de 65 anos
45% dos óbitos por doenças do coração em homens com menos de 65 anos
Mais de 20% dos óbitos por doenças do coração em homens acima de 65 anos

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Foto: www.gettyimages.com

Terça-feira, Agosto 29, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL

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O que Aécio está escondendo de nós?




Mais alguns motivos para não votar no "governador" de Minas


O governador queridinho do Brasil, que na pesquisa divulgada pelo Ibope em 11/08 tinha 71% das intenções de voto e que provavelmente tentará concorrer à presidência em 2010, fez alguns coisas nada à sua altura: maquiou os gastos em saúde de Minas, mentiu sobre sua principal bandeira, do "déficit zero", e vem controlando toda a mídia mineira, não deixando nada a desejar aos censores da Ditadura. As três matérias a seguir foram publicadas pela Folha de S. Paulo em 13/08/2006 e explicam um pouco como tudo isso aconteceu. Os grifos são meus:


Aécio maquiou gastos da saúde em Minas
- FREDERICO VASCONCELOS (enviado especial a Belo Horizonte)

O governo Aécio Neves (PSDB), de Minas Gerais, fez maquiagem contábil nas prestações de contas de 2003 e 2004, para esconder a não-aplicação de recursos em serviços de saúde nos percentuais determinados pela Constituição.

O artifício ocorreu no período em que Aécio lançou os programas do "déficit zero" e do "choque de gestão", carros-chefes da campanha para a reeleição em outubro. Ou para uma eventual disputa pela Presidência da República em 2010.

Minas Gerais registrava no início de 2004 um déficit acumulado de R$ 1 bilhão nas políticas públicas de saúde, segundo o Ministério Público Federal. A inadimplência do Estado com a saúde vinha desde 2000.

O governo mineiro contabilizou como gastos em serviços de saúde para a população despesas com a erradicação da febre aftosa e outras doenças de animais. Incluiu exposições agropecuárias; precatórios; saneamento (cujos serviços são tarifados); construção de praças e até a locação de serviços de limpeza para o hotel de Araxá.

"O Poder Executivo simplesmente obedeceu à resolução do Tribunal de Contas do Estado que determina o que deve ser considerado como despesa na área de saúde", diz Fuad Noman, secretário da Fazenda.

A mágica contábil compromete a austeridade e transparência prometidas no "choque de gestão", a reforma que introduziu processos de metas e avaliações no serviço público.

Esse programa foi patrocinado por grandes empresas privadas. Gerdau, Votorantim, Vale do Rio Doce e grupo Moreira Salles dividiram os R$ 4 milhões pagos ao Instituto de Desenvolvimento Gerencial, entidade privada que coordenou o processo de aplicação dessa metodologia.

Parte dos recursos veio de uma fundação que tem sede no paraíso fiscal de Delaware, nos EUA.

"O governo Aécio Neves implantou o 'choque de gestão' para domar a mais grave crise financeira e fiscal da história do Estado", afirma o ex-secretário de Planejamento e Gestão, Antônio Augusto Anastasia.

"O regime de absoluta austeridade permitiu que, de um déficit público orçamentário de R$ 2,4 bilhões em 2003, o Estado alcançasse o déficit zero em 2004 e ficasse superavitário em 2005. Minas Gerais recuperou o aval da União, o crédito internacional e a capacidade de investimentos", diz Anastasia.

A divulgação dos êxitos com o ajuste fiscal e reformas na máquina administrativa inibe as críticas ao governo Aécio e ofusca estudos que questionam o "déficit zero". Líder com mais de 70% nas pesquisas eleitorais, Aécio lançou Anastasia, o "pai" do "choque de gestão", candidato a vice-governador.

Hábil articulador político, Aécio formou ampla base parlamentar, não é hostilizado pela oposição nem sofre maiores questionamentos da imprensa local. O Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público estadual, por sua vez, são tratados numa cartilha do governo como "parceiros".

Ação civil pública
Em 2004, o Ministério Público Federal moveu ação civil pública, pedindo que a União condicionasse a entrega de R$ 376,2 milhões a Minas à aplicação em ações e serviços públicos de saúde. Esses valores correspondem ao que o governo teria que destinar à saúde, para obedecer ao mínimo imposto pela Constituição (12% das receitas vinculadas em 2004).

"A verdade crua é que Minas Gerais tornou-se um contumaz sonegador de recursos à saúde, fato, aliás, reconhecido pelo próprio Tribunal de Contas do Estado", sustenta o MPF nos autos da ação civil pública.

Ao aprovar as contas de Aécio de 2003, o conselheiro do TCE Sylo Costa citou outros gastos atribuídos indevidamente à saúde pública, como um "programa de melhoramento urbanístico e aquisição de equipamento para fabricação de bloquete e meio-fio". "Considero isso um engodo", afirmou. Costa ressalvou que o artifício contábil não ocorre apenas em Minas Gerais.

Como o equilíbrio das contas é apoiado na maior arrecadação e no corte dos gastos, teme-se que essa economia seja obtida com a redução dos investimentos em outras áreas. "Uma das secretarias mais afetadas por essa prioridade de ajuste das finanças públicas e que mais se subordinou à orientação da secretaria de Gestão foi a de Educação, que sofreu brutal corte no orçamento", diz Rudá Ricci, sociólogo da PUC-MG.


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Dívida mineira até aumentou, dizem críticos
DO ENVIADO A BELO HORIZONTE

Em novembro de 2004, a SMPB, agência de Marcos Valério de Souza, que atendia ao governo de Minas, fez ampla campanha publicitária, para comemorar e divulgar o "déficit zero". O discurso oficial foi acolhido sem contestação pela imprensa.

O governo concentrou a publicidade no equilíbrio fiscal. Ou seja, aumentou as receitas sem elevar a carga tributária e conteve as despesas. Para os críticos, a campanha teria passado para o público a idéia de que, em apenas dois anos, a gestão Aécio Neves teria eliminado todas as dívidas, o que não ocorreu.

O balanço orçamentário, usado na propaganda, destaca que o governo Aécio obteve superávit de R$ 90,7 milhões em 2004. Na publicidade, não foi ressalvado que, no final de 2004, havia insuficiência de caixa de R$ 3,7 bilhões (R$ 2,9 bilhões em 2005), nem menção à dívida pública (que evoluiu de R$ 32,9 bilhões em 2002 para R$ 39,7 bilhões em 2005).

Fabrício Augusto de Oliveira, secretário adjunto da Fazenda do governo Itamar Franco (MG), diz que "continuam deficitárias as contas do Estado" e "irresolvido o problema de sua dívida, a qual tem se mantido numa trajetória de crescimento".

"Não passa de enganosa operação de marketing o déficit zero anunciado", sustentou, em artigo publicado na época, em jornal alternativo do Rio, o jornalista mineiro José Maria Rabêlo, vinculado ao PDT. Rabêlo apresentava um quadro diferente: "O Estado deve mais de R$ 60 bilhões, cerca de duas vezes e meia o total de sua receita anual". Segundo seus cálculos, eram R$ 40 bilhões da dívida com a União, R$ 13 bilhões com precatórios, R$ 8 bilhões de restos a pagar e R$ 2 bilhões com o IPSEMG, responsável pela assistência médica ao funcionalismo.


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Para sindicato, mídia "blinda" o governador
DO ENVIADO ESPECIAL

A falta de um debate amplo nos meios de comunicação sobre os acertos e erros da administração Aécio Neves foi reclamação comum de vários entrevistados pela Folha, em Belo Horizonte, que pediram para não ter seus nomes citados.

A alegação de que o governo do Estado atua para cercear a liberdade de imprensa foi tema de campanha do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, em 2004. O afastamento de jornalistas por suposta interferência do Palácio da Liberdade virou tema de um trabalho acadêmico defendido em banca na universidade.

"A imprensa mineira é totalmente favorável ao governador Aécio Neves. Nunca li ou ouvi nenhuma crítica, nenhuma matéria investigativa, nenhuma denúncia na área da saúde, fazenda, arrecadação ou educação", diz o presidente do sindicato mineiro dos jornalistas, Aloísio Lopes. "O governador está blindado na mídia. Ninguém fala mal. Tenho recebido de repórteres a informação de que há orientação para não se questionar o governo."

O jornalista Josemar Gimenez, diretor de redação de "O Estado de Minas", contesta: "Não existe nenhum esquema de blindagem com relação ao governo Aécio Neves. O jornal não tem o menor compromisso com este ou aquele governo. Tem ganho prêmios importantes na linha de investigação, trabalha com isenção. Isso [a alegação de blindagem] faz parte do jogo político", afirma Gimenez.

Em 2004, o sindicato pediu ao Ministério Público Federal a apuração de suposta interferência do governo estadual em veículos de comunicação, atribuindo o afastamento de alguns jornalistas a pedido da jornalista Andrea Neves, irmã do governador e então coordenadora do Grupo Técnico de Comunicação do Governo.

O jornal "Pauta", do sindicato, divulgou em 2004 desmentido da jornalista Andrea Neves: "O governo de Minas jamais pediu a cabeça de qualquer jornalista e nunca interferiu na linha editorial dos veículos de comunicação social do Estado".

Em entrevista ao sindicato, ela confirmou haver feito reclamação à direção da TV Globo, no Rio, pelo não-cumprimento de acordo para que o governador participasse de uma entrevista, sem perguntas pré-gravadas. Durante o programa, foram feitas perguntas gravadas com deputados da oposição e lideranças dos servidores públicos. O jornalista responsável pelo programa foi transferido de Minas Gerais, mas, segundo ela disse ao sindicato, foi decisão interna da empresa.

Esse episódio e as demissões de outros jornalistas, atribuídas a críticas que fizeram ao governo Aécio, foram tema do vídeo documentário "Liberdade, essa palavra", projeto final do curso de jornalismo da UFMG defendido por Marcelo Baêta e apresentado em junho no Fórum Mineiro de Professores de Jornalismo. (FV)



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* Leiam os comentários do último post para verificar quais os bens declarados pelo governador e por que ele também usa do velho artíficio do caixa dois.
* Foto: Revista IstoÉ, 3/11/2004.

Domingo, Agosto 27, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL

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Vai votar em quem para deputado federal?





O Tamos com Raiva vai fazer uma pesquisa a fundo sobre a carreira política dos principais candidatos à Presidência. Talvez eu fale um pouco sobre os candidatos aos governos de Minas, São Paulo e Rio, se sobrar tempo. Mas será difícil encontrar espaço (e leitores) para falar de todos os candidatos a deputados federais e estaduais em todo o Brasil. Acontece que esses cargos são fundamentais para o bom funcionamento do futuro governo, seja ele qual for. E já sabemos que 94 congressistas estão envolvidos em crimes, fora os escândalos do Sanguessuga e do Mensalão. Destes, grande parte (quase todos) está tentando a reeleição.

Então, se você vai votar em outubro e pretende votar a sério, não basta ser naquele parente distante ou no santinho que seu chefe te passou. Tem que analisar, pesquisar, escarafunchar a vida do seu candidato. Um jeito bem simples de fazer isso é acessando o site Transparência Brasil, criado em 2000 por um grupo de pessoas independentes e sem relação com o governo que queriam combater a corrupção. Eles criaram o "Projeto Excelências" que, a partir de dados de domínio público, forma um enorme banco de dados com todos os candidatos a deputados federais de todos os estados brasileiros que estão tentando a reeleição - além de ex-senadores, ex-ministros, ex-governadores e ex-prefeitos de capital que estão tentando voltar ao poder por meio desse cargo.

O projeto inclui as seguintes informações:

"- Dados pessoais básicos e funções públicas que os candidatos exerceram.
- Informações sobre o desempenho legislativo dos candidados, como faltas, votações, uso de verbas de gabinete, emendas ao Orçamento apresentadas nos últimos anos.
- Declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral.
- Doadores de campanhas eleitorais passadas (2002 e, no caso daqueles que se candidataram a prefeito em 2004, também estes).
- Principais menções publicadas na imprensa em que o candidato aparece ligado a algum caso de corrupção.
- Referência dos processos (a partir da segunda instância) em que o candidato é indiciado como réu na Justiça Federal, nos tribunais superiores, na Justiça Eleitoral, nos Tribunais de Contas.
"

É, portanto, um apanhado quase completo do passado político dos nossos representantes que estão se candidatando, inclusive os suspeitos ou acusados de corrupção. A pesquisa pode ser feita pelo nome do candidato, pelo Estado ou pelo Partido.


Leiam, pensem, comparem, divulguem:

http://perfil.transparencia.org.br


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Charge: Angeli, publicada originalmente na Folha de S. Paulo.

Segunda-feira, Agosto 21, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL

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Uma homenagem ao Pai




Hoje é o famoso (e comercial) dia dos Pais, que traz promoções interessantes e possibilitou que eu comprasse dois livros de um dos autores favoritos do meu (John Steinbeck), que tem propagandas emocionantes e restaurantes cheios de famílias reunidas. Apesar de ser comercial, a data é boa. Afinal, não é sempre que nos debruçamos sobre um cartão tentando refletir sobre a grande importância de uma das pessoas mais especiais em nossas vidas, não é sempre que vasculhamos os velhos álbuns de fotografia e relembramos os momentos mais felizes de nossas vidas, em que arrancamos risadas gostosas de nossos pais às vezes apenas dividindo uma piada batida do imbatível Chaves. Não é sempre que acordamos às seis da manhã para preparar um café da manhã reforçado e incomum (e este ano não pude fazer isso, porque não coloquei meus estratagemas sistemáticos em prática a tempo!).

Também não são todos que têm pais vivos, ou presentes, ou queridos, nem todos que têm oportunidade de presenteá-lo com cuidados especiais, ou dizer as palavras especiais para ele (por timidez, ou porque alguns pais simplesmente não merecem isso). Talvez não tenha nada a ver eu escrever esta pequena homenagem ao meu pai no Tamos com Raiva, mas é que, de repente, me deu esta vontade de dividir com meus (cada vez menos) leitores o quanto que meu pai é especial para mim. E achei propício este espaço, já que, sem meu pai, dificilmente o Tamos com Raiva estaria de pé até hoje.

Ele é meu principal leitor (e incentivador, professor, inspirador, companheiro...). É quem não deixa um post passar em branco, mas não comentando por comentar: sempre tem algo a acrescentar, a enriquecer, a compartilhar. É o maior defensor da democracia que eu conheço, sabe participar de debates, é ético, correto, cheio de princípios. Não se vende. Não vende suas idéias, nem que tenha que ouvir reclamações a vida inteira por isso. É capaz de enfrentar quarenta espertalhões que se juntam contra ele no Observatório da Imprensa apenas para tentar diminuí-lo e, com isso, diminuir seus pontos de vista. Mas não desiste, porque suas idéias são indiminuíveis. Tem argumentos, tem fontes, tem raciocínio crítico e reflexivo. Meu pai pensa. E lê muito. E guarda o que lê, para, dez anos depois, saber onde recorrer para preencher um assunto. Tem bom senso, bom coração, uma sabedoria além das ladainhas religiosas ou filosóficas vulgares.

Meu pai me ensinou a gostar de ler, de escrever, de desenhar, de conversar. Ele é calado, mas posso passar horas conversando com ele. Ele é caseiro, mas é meu maior companheiro de idas à roça, à praia, ou ao parque ao pé da serra. Todo mundo diz que decidi pelo jornalismo para imitar meu pai, porque ele é jornalista ("e dos bons. E dos verdadeiros", como disse o Talis Andrade esses dias). Pode ser, mas mais porque herdei dele paixões que talvez corram só neste nosso sangue. Porque com ele aprendi a gostar de coisas que se aproximam dessa profissão: a busca por uma justiça e a briga contra os espertinhos que se aproveitaram dos fracos sociais para se dar bem na vida. Meu pai é, acima de tudo, um cara justo.

Não quero que entendam o que sinto em relação ao meu pai. Alguns podem pensar: é normal, é a filhinha que vê o pai como um herói, um ídolo. Está certo, vocês não o conhecem. Nem a família imperfeita conhece o pai incrível que tem. Mas eu bem que gostaria que, de alguma forma, tudo isso que meu pai guarda só dentro de si pudesse ser apreendido pelo resto do mundo. Ah, o mundo seria um lugar bem mais fácil de se viver. A vida seria mais honesta e interessante. Meu pai é um livro que, ao final, torna seus leitores pessoas completamente diferentes do que eram antes de lê-lo. Um Dostoiévski da vida. Mesmo que ele seja tímido o suficiente para não desejar tal coisa, ele merecia ser lido por todos. Daí minha pequena declaração. (Aliás, ele vai ficar vermelho que nem um pimentão quando ler isto aqui!). Descobri há muito que é muito melhor dizer, correndo o risco de soar piegas ou aborrecida, do que ficar calada e nunca se deixar conhecer realmente.

Por isso digo: o Tamos com Raiva jamais existiria se eu não fosse filha do José de Souza Castro. Ou talvez existisse, com receitas de bolos e um vago sentimento de que o mundo está bom demais do jeito que tá, porque o mendigo morrendo de frio enquanto eu como fondue não me diz respeito.

Obrigada, pai! Você sempre será meu orgulho menos secreto.

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Foto: meu pai e minha mão, no meu aniversário de 20 anos.

Feliz "dia dos Pais" para todos os pais que lêem o Tamos com Raiva!


Domingo, Agosto 13, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL

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