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Faltando apenas uma semana para as eleições, acho difícil que as pessoas ainda não tenham se decidido por um candidato, pelo menos por um dos que concorrem à Presidência da República. Mesmo assim, vale a pena colocar algumas características dos presidenciáveis, para ajudar a quem não se decidiu, evitar a bobagem dos que pretendem anular seu voto, ou até esclarecer confusões, para que alguns mudem de voto. Nos quatro posts abaixo, falo um pouco da biografia (pessoal e política), da história dos vices e das coligações envolvidas, dos programas de governo e dos feitos (bons e maus) atribuídos aos quatro candidatos com mais intenções de voto. Escolhi a ordem abaixo, por convenção, seguindo as proporções da última pesquisa de intenção de voto realizada pelo DataFolha, em 19 de setembro:




Lula tem 50%, Alckmin tem 29%, Heloísa Helena tem 9% e Cristovam Buarque tem 2% das intenções de voto. Brancos/nulos são 4% e indecisos são 5%.

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As referências utilizadas na minha pesquisa estão ao final do último post.


Terça-feira, Setembro 26, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL

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Quem é Lula





Biografia

Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945 em Caetés, no interior de Pernambuco. Em 1952, veio com a mãe e sete irmãos para São Paulo, em cima de um pau-de-arara, numa viagem de 13 dias. Começou a trabalhar, desde criança, vendendo coisas pelas ruas. Aos 18, tornou-se torneiro mecânico no Senai. Em 64, perdeu o dedo mínimo quando o colega cochilou e soltou o braço da prensa hidráulica na sua mão. Segundo Centro de Pesquisa da FGV, ele viajou para os EUA, no início dos anos 70, onde fez cursos de qualificação sindical no Instituto Interamericano de Sindicalismo Livre, organização politicamente conservadora e anticomunista. Em 74, casou com a Marisa, com quem teve três filhos. A partir de 75, vira presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Ele tinha entrado na vida sindical por influência do Frei Chico, pouco tempo antes. Em 79, o sindicato sofreu intervenção do governo federal e ele e a diretoria foram presos. Ficou só um mês na cadeia. No mesmo ano veio a anistia e, em 1980, Lula foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Em 81, é detido no DOPS paulista por vinte dias e aí encerra sua carreira sindical. Em 82, tentou o governo de São Paulo. Em 86, foi deputado federal com maior número de votos no país e ajudou a fazer a Constituição de 88. Tentou a presidência em 89, 94 e 98, quando percorreu o Brasil nas Caravanas da Cidadania. Em 2002, ganhou nas eleições com 52,4 milhões de votos, um recorde até o momento. É contra a pena de morte, o serviço militar obrigatório, experiências com clones humanos e esmolas; é a favor da descriminalização da maconha, da adoção por casais gays e acha que a eutanásia deve ser decisão da família. Tem bens declarados em 839 mil reais e prevê gastar até 89 milhões nesta campanha.


Vice

José Alencar Gomes da Silva nasceu em 1931, no povoado de Rosário da Limeira. Trabalhou na loja do pai dos sete aos 15 anos de idade. Em 1948, mudou pra Caratinga. Aos 18 anos, seu irmão mais velho lhe emprestou 15 mil cruzeiros para que ele abrisse o próprio negócio. Começou com uma loja, foi mudando de negócios, e em 1963 construiu a Wembley Roupas, pela primeira vez entrando nesse ramo. Em 1967, fundou a Coteminas, em Montes Claros, dando início a um império na indústria têxtil mineira. Ele já foi presidente da Fiemg e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria. Tentou o governo de Minas em 94 e, em 98, foi eleito Senador com quase 3 milhões de votos. No Senado, foi membro da Comissão Permanente de Assuntos Sociais. Foi eleito vice-presidente em 2002. Já governou o país 60 vezes e assumiu o Ministério da Defesa de 2004 a março deste ano. Tem bens declarados de 12,5 milhões de reais. Assim como Lula, tem o Ensino Fundamental (até 8ª série) completo.


Diga-me com quem andas e te direi quem és

Coligação A Força do Povo = PT + PcdoB + PRB
* Dos 19 deputados formalmente acusados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, sete são do PT, nenhum dos outros dois partidos da Coligação.
* Dos 72 parlamentares acusados pela CPI dos Sanguessugas, dois são do PT, nenhum do PcdoB e um do PRB.
* Dos 94 parlamentares sob investigação no Ministério Público (lista divulgada pela Veja em 12 de julho), cinco são do PT, nenhum do PcdoB e um do PRB (Marcelo Crivella).


Feitos atribuídos ao governo Lula

* Balança comercial cada vez mais superavitária e estabilidade econômica.
* A dívida externa teve uma queda de 168 bilhões de reais.
* Atuação intensa na OMC e formação de grupos de trabalho composto por países em desenvolvimento.
* No primeiro ano, fez a Reforma da Previdência.
* 7,5 milhões de novos empregos, sendo 4 milhões com carteira assinada.
* Investimento de 10,5 bilhões em saneamento.
* Prorrogou a Zona Franca de Manaus para até 2023.
* Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Pronaf) com 93 mil inscritos.
* Programa Luz para Todos levou energia elétrica para 3,7 milhões de brasileiros.
* Investimento de 4,5 bilhões na infra-estrutura de transportes do país.


Os problemas

* A dívida interna passou de 731 bilhões de reais para um trilhão de reais em fevereiro de 2006.
* Corte de investimentos, aumento em gastos com programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.
* Fez política econômica conservadora, com as mesmas altas taxas de juros de Fernando Henrique.
* Baixo crescimento econômico, com níveis de recessão (taxa de crescimento do PIB não passou dos 4%).


Os "escândalos"

* Para conseguir maioria no Congresso, teve que se aliar a partidos de direita, como o PP (de Maluf), o PTB (de Roberto Jefferson) e o PMDB. A disputa interna entre os partidos aliados resultou no mensalão. Os escândalos levaram à renúncia e cassação de vários parlamentares envolvidos com o governo e baixou a popularidade de Lula. Caíram os ministros José Dirceu. Antônio Palocci, Benedita da Silva e Luiz Gushiken.
* O desenrolar das investigações e CPIs chamou a atenção para outros escândalos envolvendo a alta cúpula do PT. Primeiro, em 2004, teve o escândalo dos Bingos. Em maio de 2005 eclodiu o dos Correios, mais tarde vieram as denúncias de corrupção na prefeitura de Santo André (com a morte de Celso Daniel) e teve também a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo.
* Agora o PSDB está botando fogo com a história da compra de dossiês contra políticos tucanos, que começou a quinze dias da eleição. Geraldo Alckmin pede o impeachment de Lula por isso. O interessante é que muito se fala da compra do dossiê pelos petistas (que levou à queda de Berzoini na coordenação da campanha de Lula), mas pouco se fala do dossiê em si, que envolveria José Serra e outros tucanos, em gravações de vídeo e outros arquivos. Seria ele totalmente falso, como coloca a Veja, ou sequer existiria, como coloca a Folha de S.Paulo?


Programa de Governo 2007/2010

Clique aqui para ler na íntegra.

Lançado em 29 de agosto.


Site de Campanha

www.lulapresidente.org.br

Terça-feira, Setembro 26, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL

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Quem é Geraldo Alckmin





Biografia

Geraldo Alckmin nasceu em Pindamonhangaba, em 7 de novembro de 1952. Aos 19 anos, foi o vereador mais votado da cidade. Na época, cursava o primeiro ano de medicina. Aos 23 anos, foi o prefeito mais jovem da história de sua cidade natal. Casou com Maria Lúcia em 1979, com quem tem três filhos. Em 82, foi eleito deputado estadual pelo PMDB. Em 86, elegeu-se deputado federal. Mais tarde, em 1990, foi um dos fundadores do PSDB. Entre 91 e 94 foi presidente do PSDB de São Paulo. Em 1994, foi vice-governador de Mário Covas. Com a morte de Covas, em 2001, ele assume o governo e se reelege em 2002. Segundo reportagens da revista Época, ele faz parte da organização católica conservadora Opus Dei. Sendo isso verdade ou não, ele é um católico praticante (mantinha uma imagem de Nossa Senhora Aparecida no gabinete e em todos os cômodos do Palácio dos Bandeirantes) e considerado mais conservador que os principais fundadores do PSDB. Ele é contra a pena de morte, a descriminalização da maconha, o serviço militar obrigatório, experiências com clones humanos e a eutanásia; é a favor da adoção por casais gays e de esmolas. Declarou à Justiça eleitoral ter quase 692 mil reais em bens e prevê um gasto de 85 milhões na campanha.


Vice

José Jorge, do PFL, nasceu em novembro de 1944. É formado em engenharia mecânica e economia, é mestre em Ciências e pós-graduado em Estatística. É professor titular na Universidade de Pernambuco. É casado com a médica Maria do Socorro e tem duas filhas. Foi Ministro das Minas e Energia no governo de Fernando Henrique, Presidente dos Conselhos de Administração das empresas Petrobrás, secretário de estado e deputado federal por Pernambuco em quatro mandatos consecutivos, nos períodos de 1983 a 1986, 1987 a 1990, 1991 a 1994 e 1995 a 1998 - caracterizando-se, portanto, como um verdadeiro "político profissional", ao estilo do artigo publicado neste sábado. Foi um dos fundadores do PFL e presidiu o partido em 96 e 97. Tem bens declarados no valor de 809 mil reais.


Diga-me com quem andas e te direi quem és

Coligação Por um Brasil Decente = PSDB + PFL
* Dos 19 deputados formalmente acusados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, nenhum é do PSDB e um é do PFL (Roberto Brant).
* Dos 72 parlamentares acusados pela CPI dos Sanguessugas, um é do PSDB (Paulo Feijó) e sete são do PFL.
* Dos 94 parlamentares sob investigação no Ministério Público (lista divulgada pela Veja em 12 de julho), 13 são do PSDB e sete são do PFL.
(Quanta decência!)


Feitos atribuídos ao governo Alckmin

* aumento da calha do Rio Tietê e a construção de mais vinte piscinões para evitar enchentes na Grande São Paulo.
* implementação de parte do Rodoanel Mário Covas.
* ampliação do Metrô de São Paulo.
* aumento de 78% do esgoto tratado - Programa de Despoluição do Tietê.
* programa de redução da burocracia administrativa (Poupa Tempo).
* deu continuidade ao programa Bom Prato, que tem 21 unidades no estado de São Paulo.
* criou o Ação Jovem, que dá 60 reais para jovens de 15 a 24 anos que não concluíram o ensino básico.
* reduziu o ICMS.


Os problemas

* aumentou de 11 para 153 o número de pedágios nas estradas de São Paulo; as tarifas dos pedágios subiram em até 716%.
* Investiu pouco nas universidades estaduais de São Paulo (USP, Unicamp, Fatec e Unesp). Em 2005, a Câmara dos Deputados aprovou aumento de 1% nos investimentos nessas Universidades (ou seja, 140 milhões a mais para o ensino público) e Alckmin vetou esse aumento. Por isso, teve uma greve dessas instituições no ano passado.
* Durante seu mandato, a segurança do estado piorou muito. Aconteceram revoltas em massa nas prisões e assassinatos de policiais e agentes carcerários, além nos seqüestros e assassinatos de civis. O PCC ganhou destaque na mídia.
* As principais críticas contra seu governo dizem respeito ao desempenho do sistema educacional estadual e à forma de conduzir a Febem, denunciada por usar violência contra os menores.
* Aumentou em 20% os gastos com propaganda da Casa Civil nos últimos meses do seu governo. De 2001 a 2005, o aumento foi de 53,8%: de R$ 35 milhões em 2001 a R$ 55,3 milhões em 2005.


Os "escândalos"

* Segundo reportagens da Folha de S. Paulo, ele favoreceu o banco estatal Nossa Caixa na distribuição de verbas publicitárias para aliados políticos, fato conhecido como "escândalo da Nossa Caixa". Seu assessor de comunicação Roger Ferreira, citado na matéria, foi demitido.
* Escândalos no governo FHC, cuja cúpula era idêntica ao grupo de Geraldo Alckmin: escândalo da compra de votos para a emenda da reeleição, escândalo da desvalorização do Real; escândalo das privatizações; escândalo do Sivam; escândalo do Banestado; escândalo da Telebrás; escândalo da venda da Cia Vale do Rio Doce; escândalo do Proer, entre outros. Na listinha da Wikipédia, mais da metade refere-se ao período tucano na presidência.


Programa de Governo 2007/2010

Clique aqui para ler na íntegra.

Lançado em 20 de setembro.


Site de Campanha

http://www.geraldo45.org.br

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Quem é Heloísa Helena





Biografia

Heloísa Helena Lima de Moraes Carvalho nasceu em Pão de Açúcar, cidade com 28 mil habitantes, às margens do rio São Francisco, em 6 de junho de 1962. Ela é divorciada e mãe de dois filhos. Formada em Enfermagem, é professora titular da Universidade Federal de Alagoas (está em licença, sem remuneração, para exercer cargos políticos). Militou nos movimentos estudantil, de docentes e sindical, desde o início dos anos 90, em defesa de minorias e segmentos sociais menos favorecidos. Aos 30 anos, em 1992, foi vice-prefeita de Maceió, pela coligação PSB/PT. Em 1994, é eleita deputada estadual de Alagoas. Em 98, foi eleita a primeira senadora por Alagoas, com 55,92 % dos votos. Em 1999, começou a chamar a atenção da mídia no combate veemente ao desmantelamento das políticas sociais, do Estado e da economia nacional que aconteceram durante o governo FHC. Em 2000, virou líder partidária e do bloco de oposição do Senado. Foi expulsa do PT em 2003, junto com Babá e Luciana Genro. Em 2004, fundou o P-SOL. Em 2005, integrou a CPMI sobre a corrupção nos Correios. Em novembro do mesmo ano, foi eleita pela Forbes Brasil como a mulher mais influente na política e no legislativo brasileiro. É contra o aborto. Tem bens num valor de 121 mil reais declarados à Justiça Eleitoral e pretende gastar até 5 milhões em sua campanha.


Vice

César Benjamin nasceu em maio de 1954. Desde os 13 anos militou na luta armada contra a ditadura e foi preso político aos 17 anos, no presídio da Ilha Grande, no Rio. Só saiu de lá com a anistia de 1979, quando ajudou a fundar o PT. Em 89, coordenou a campanha de Lula à presidência. Rompeu com o partido em 1995, após as primeiras revisões de posições históricas. No fim dos anos 90, criou a editora Contraponto, para divulgar obras de autores de esquerda. Em 2004 filiou-se ao P-Sol. Ele é jornalista, editor e cientista político. Trabalhou na Fundação Getúlio Vargas, na Escola Nacional de Saúde Pública, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. Também dá cursos regulares em História do Pensamento Econômico, Macroeconomia, Economia Brasileira, Jornalismo Científico, Meio Ambiente e Ciências Sociais em universidades e empresas de todas as regiões do país. Nunca se candidatou a cargo eletivo e nunca aceitou profissionalizar-se na política. É casado e pai de três filhos. Seus bens declarados somam quase 539 mil reais.


Diga-me com quem andas e te direi quem és

Coligação Frente de Esquerda = PSOL + PSTU + PCB
* Dos 19 deputados formalmente acusados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, nenhum pertence a qualquer partido da coligação.
* Dos 72 parlamentares acusados pela CPI dos Sanguessugas, nenhum pertence a qualquer partido da coligação.
* Dos 94 parlamentares sob investigação no Ministério Público (lista divulgada pela Veja em 12 de julho), nenhum pertence a qualquer partido da coligação.


Feitos atribuídos a Heloísa Helena

* Fez Proposta de Emenda à Constituição 40/00 que diz que 12 milhões de crianças brasileiras de zero a seis anos poderão ter acolhimento obrigatório, público e gratuito em creches e pré-escolas.
* Fez o Projeto de Lei (PLS 214/00) que cria mecanismos para o controle das atividades dos agentes públicos com o intuito de coibir a corrupção. De acordo com o projeto, aqueles que ocuparam cargos públicos deverão disponibilizar suas declarações anuais de renda durante três anos depois de deixarem sua função ou mandato. Nesse mesmo período, eles não terão direito a sigilo bancário.
* Autora de proposta para ampliar a capacidade de o Senado editar obras, inclusive literárias e acadêmicas. Propôs criação de incentivos para que as editoras, por meio da diminuição de custos, publiquem mais na linguagem especial para deficientes visuais.
* Propôs emenda, que foi aprovada, que diz que 90% do valor que o Brasil recebesse da valorização de títulos da dívida polonesa no mercado seriam destinados a projetos das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
* Propôs colocar nas mãos do presidente da República o poder de demitir, a qualquer tempo e motivo, a diretoria da Agência Nacional de Águas.
* Fez projeto para mudar o nome do Aeroporto de Maceió: de "Aeroporto Campo dos Palmares" para "Aeroporto Campo dos Palmares Zumbi e Dandara".
* Proposta de emenda constitucional (PEC) disciplina os gastos dos estados com os Poderes Legislativo e Judiciário. A intenção da PEC é impor limites a estes gastos, tendo por base a receita líquida anual dos estados, não podendo exceder a 2% da receita líquida no Legislativo e 4,5% no Judiciário.


Programa de Governo 2007/2010

Clique aqui para ler na íntegra.

Lançado em agosto deste ano.


Site de Campanha

http://www.heloisahelena.com.br/

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Quem é Cristovam Buarque





Biografia

Cristovam Buarque nasceu em Recife em 20 de fevereiro de 1944. É casado e tem duas filhas. Ele se formou na Universidade Federal de Pernambuco em engenharia mecânica, em 1966, e fez doutorado em economia na Sorbonne (Paris), em 1973. Entre 73 e 79, trabalhou no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e, desde 1979, é professor da UnB, da qual foi reitor entre 1985 e 1989. Entre 95 e 98, governou o Distrito Federal e, em 2002, foi eleito senador pelo PT com a maior votação dada a um político no Distrito Federal. Filiou-se ao PDT em setembro de 2005, após denúncias de corrupção envolvendo o PT. Ele já tinha participado da campanha presidencial de Brizola em 1989 e tem afinidade com as idéias sobre a prioridade da educação de Darcy Ribeiro, que foi um importante formulador das políticas educacionais do PDT. É membro do Instituto de Educação da Unesco. Foi ele que criou o Bolsa-Escola, que associa melhorias na educação com a luta pela erradicação da pobreza. Entre 1999 e 2002, ele trabalhou em sua ONG Missão Criança, criada para promover a bolsa-escola. Assumiu o MEC em janeiro de 2003 e ficou lá até janeiro de 2004. Já publicou mais de 20 livros e colaborou por mais de 20 vinte anos com jornais e revistas de larga circulação. Também trabalhou como consultor de diversos organismos nacionais e internacionais do sistema das Nações Unidas. Foi Presidente do Conselho da Universidade para a Paz das Nações Unidas, membro do Conselho Presidencial que elaborou a proposta de Constituição (Constituinte, 1987) e integrante da Comissão Presidencial para a Alimentação, dirigida pelo Betinho. Seus bens declarados somam 769 mil reais e ele pretende gastar até 20 milhões na campanha.


Vice

José Jefferson Carpinteiro Peres nasceu em Manaus em 1932. Está em seu segundo mandato como senador do Amazonas, mas já atuou em diversos cargos relacionados à Justiça ou Educação, fora da política, e já foi vereador por dois mandatos. É filiado ao PDT há cerca de seis anos. Antes de se tornar político, era professor universitário na Universidade do Amazonas. Desiludido com a corrupção no governo Lula, anunciou que vai se afastar da vida política, caso Cristovam não consiga se eleger. Seus bens declarados somam 871 mil reais.


Diga-me com quem andas e te direi quem és

O PDT não está coligado a nenhum outro partido político para a campanha do Cristovam.
* Dos 19 deputados formalmente acusados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, nenhum pertence ao PDT.
* Dos 72 parlamentares acusados pela CPI dos Sanguessugas, nenhum é do PDT.
* Dos 94 parlamentares sob investigação no Ministério Público (lista divulgada pela Veja em 12 de julho), dois são do PDT (João Herrmann Neto, de São Paulo, e Ademir Prates, de Minas).


Feitos atribuídos a Cristovam Buarque

* O projeto bolsa-escola, implementado no Distrito Federal durante seu governo, foi premiado no Brasil e no exterior. Obteve 58% de aprovação (notas ótimo e bom) em pesquisa do instituto Datafolha realizada ao final de seu mandato, ficando classificado como o quarto governador de estado mais popular à época.
* No governo do DF, criou o Banco do Povo, sistema de micro-crédito para o pequeno empresário começar seu negócio.
* Criou o Bolsa-Alfa, para erradicar o analfabetismo, que foi interrompido pelo governador Joaquim Roriz.
* Criou o programa Carroças Verdes, que tenta sanar dois problemas, do desemprego e da limitação na coleta de lixo.
* Criou o Projeto Escola Ideal, que tinha um conjunto de várias ações para garantir que todo o ensino público integral tivesse um alto padrão de qualidade. O projeto foi interrompido quando ele saiu do MEC.
* Criou o Mala do Livro, um projeto que mobilizou a sociedade para criar uma rede de bibliotecários informais nas comunidades e tentar sanar o problema dos baixos índices de leitura na nossa população. O programa atingiu 200 mil pessoas sem acesso a livros.
* Criou a ONG Missão Criança, para estimular o Bolsa-Escola. Com a parceria de empresas privadas, aumentou em 3.496 o número de crianças beneficiadas.
* Implantou o Orçamento Participativo e fez com que mais de 600 obras, executadas pelo seu governo no DF, fossem escolhidas pela própria população. 11 mil pessoas participaram das plenárias.
* Criou o Paz no Trânsito, uma série de ações coordenadas que acabou por reduzir em 46% o número de acidentes de trânsito em seu governo.
* Criou o programa de Avaliação Seriada (PAS), em que o aluno se esforça durante os três anos do ensino médio, aumenta a qualidade no aprendizado e acumula pontos para entrar na faculdade. É uma revisão do criticado vestibular.


Programa de Governo 2007/2010

Clique aqui para ler na íntegra.

Foi lançado em 12 de setembro.


Site de Campanha

http://www.cristovam12.com.br/blog/
http://www.vote12.com.br



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Sites consultados para as pesquisas sobre os quatro candidatos:

- Especial Eleições 2006 da Folha
- Especial eleições do Correio Braziliense
- Políticos do Brasil
- Wikipédia
- Revista Veja
- Transparência Brasil
- Observatório de Mídia
- Site do Senado
- Site do TSE
- Site do PT
- Site do PSDB
- Site do PSOL
- Site do PDT
- Site de campanha do Lula
- Site de campanha do Alckmin
- Site de campanha da Heloísa Helena
- Site de campanha do Cristovam Buarque
- Blog do Cristovam
- Contraponto Editora (do vice de Heloísa Helena)
- Portal Vermelho


Ajudem a divulgar! Precisamos conhecer os nossos candidatos!


Terça-feira, Setembro 26, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL

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Agora é a vez dos deputados. Neste ótimo artigo, somos apresentados a alguns dos vários políticos profissionais que existem no Brasil: aqueles caras que já se elegeram dezenas de vezes e viciaram com o poder. E, como todos aqueles que ficam no poder muito tempo, descobriram uma forma de enriquecer *muito* com isso. Eles representam gerações inteiras de famílias que tomam conta do Brasil desde antes da Proclamação da República. Vamos evitá-los ao máximo neste ano! Pesquisar seu passado e quanta grana já acumularam na vida política já é um bom começo. O site Políticos do Brasil também pode ajudar nessa pesquisa.





Por uma Câmara dos Deputados sem os 40 ladrões





"Não é possível que pessoa honesta faça negócio com bandido", afirmou no último dia 22 o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à CBN, criticando os petistas acusados de tentar comprar um dossiê envolvendo, com os sanguessugas, o ex-ministro da Saúde, José Serra, candidato tucano ao governo paulista.

É uma boa frase de Lula, faltando oito dias para as eleições. Quando o eleitor escolhe um nome, ele está de certo modo fazendo negócio com o candidato, pois este se tornará seu representante. Portanto, é preciso muito cuidado para não fazer negócio com bandido. Em todo o país, são 5.400 candidatos a deputado federal, dos quais 540 em Minas. Há mais de 10 candidatos por vaga (são 513, na Câmara dos Deputados). Aparentemente, há uma ampla possibilidade de se escolher um bom candidato.

E deve ser imenso o cuidado para escolher-se um bom candidato, pois é na Câmara dos Deputados que são decididas leis importantes para o país e que atingem à população como um todo. Só para lembrar: você é livre para fazer qualquer coisa, desde que não seja proibido por uma lei. Uma lei injusta pode tirar indevidamente um pouco de sua liberdade.

É por que a maioria das pessoas não presta atenção nisso que se perpetuam, na Câmara dos Deputados, os chamados políticos profissionais. Que vão trocando de partido à medida de sua conveniência. Só para exemplificar: em Barbacena, a família Andrada pendura-se em cargos públicos, de forma hereditária, desde o começo do século XIX. Ela descende de José Bonifácio Andrada e Silva, o Patrono da Independência. Hoje, seu mais destacado membro é o deputado federal Bonifácio Andrada, que tem oito filhos. Um deles, o deputado estadual Antônio Carlos Andrada, foi eleito em março do ano passado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Outro filho, José Bonifácio Borges Andrade, é o advogado-geral do Estado.

Bonifácio Andrada, que era filho do ex-líder de Geisel na Câmara dos Deputados, Zezinho Bonifácio, começou a receber dos cofres públicos em 1965, como secretário de Educação e Cultura de Minas. Em 1971, elegeu-se deputado estadual pela Arena e, em 1979, entrou para a Câmara Federal, onde permanece até hoje. Nesses anos todos, ele esteve na Arena, PDS, PTB e no PSDB, desde 1999, pelo qual busca a reeleição. Declarou à Justiça Eleitoral bens de mais de R$ 2,16 milhões. É um dos sócios da Unipac, uma universidade com unidades em quase 200 municípios de Minas e Tocantins, da qual é reitor licenciado, e da Rádio Correio da Serra, de Barbacena. Na política municipal, a família Andrada, da UDN, era adversária histórica dos Bias, do PSD de Tancredo Neves. Zezinho Bonifácio, na Arena, e o avô de Aécio Neves, no MDB, não se beijavam. Mas agora, Bonifácio e Aécio só não se beijam por causa do bico tucano, que é o terror dos outros bichos na mata. Os dois são hoje grandes amigos, tanto que o governador apoiou a eleição do filho do deputado para o TCE.

Mais coerente, em termos partidários, é Lael Varella, que desde que se elegeu pela primeira vez deputado federal, em 1987, está no PFL. Dono de uma fortuna declarada ao TSE de R$ 5,9 milhões, ele pretendia gastar R$ 1,5 milhão para se reeleger, mas, de acordo com os últimos dados da Justiça Eleitoral, já arrecadou até agora cerca de 455 mil e gastou pouco mais de 334 mil reais.
Um ex-capitão da PM mineira, Edmar Moreira, que declarou agora bens no valor de R$ 9,5 milhões, elegeu-se deputado federal em 1991 pelo PFL mineiro; em 1999, pelo PPB; passou depois pelo PL e, agora, está de volta ao PFL para tentar a reeleição. Nesse meio tempo, tornou-se dono de várias empresas de segurança e de transporte de valores. É um empreendedor, que declarou ter gastado na última campanha 274 mil reais e planejava gastar agora 1,5 milhão. Por enquanto, afirma ter gastado uns 112 mil. Parecem mirar-se no exemplo dele para sair-se bem na vida dezenas de policiais militares e civis mineiros que se candidataram a deputado federal. O que mais se destaca, entre estes, é Agílio Monteiro Filho, que foi diretor-geral da Polícia Federal e que, após aposentar-se ali, dirigiu o sistema penitenciário mineiro no atual governo. Ele declarou bens de 738 mil reais e pretende gastar na campanha até 1,5 milhão.

O petista João Magno de Moura tenta reeleger-se deputado federal pela terceira vez e declara já ter gastado 101 mil reais. É muito, considerando-se que ele fez declaração de bens de pouco mais de 114 mil reais, depois de ter sido prefeito de Ipatinga (1993/96) e deputado federal desde 1999. Ele é um dos 40 que respondem, no Supremo, ao inquérito 2.245, acusados no caso do mensalão. João Magno teria admitido ter recebido mais de R$ 350 mil do esquema de Marcos Valério, mas livrou-se da cassação pelo plenário da Câmara, um feito comemorado pela deputada petista Ângela Guadagnin na célebre "dança da pizza". Se verdadeira sua declaração de bens, é um perdulário esse Magno, que tem pendente no STF outro processo (Pet. 3680) por crime de responsabilidade na prefeitura de Ipatinga.

Ao contrário de João Magno, os eleitores não terão que decidir sobre outros dois envolvidos no escândalo do mensalão: os deputados federais Osmânio Pereira (PTB) e Roberto Brant (PFL) desistiram da reeleição.

O ex-ministro da Justiça no governo Figueiredo, deputado Ibrahim Abi-Ackel, também desistiu, mas apenas para ceder seu rebanho de eleitores ao filho, Paulo Abi-Ackel, do PSDB, um ex-juiz do TRE mineiro. Dependendo do que já arrecadou para a campanha (55,1 mil em agosto e 451,8 mil em setembro), ele tem tudo para manter a tradição da família como membro da Câmara dos Deputados. Só para comparar, uma das candidatas mais ricas de Minas, Maria Lúcia Cardoso, mulher do ex-governador Newton Cardoso, declarou receitas de campanha, até agora, de 160 mil, e despesas de 48 mil, contra 348,8 mil de Paulo Abi-Ackel.

Conheço uma cientista política que foi por duas vezes deputada federal pelo PT mineiro e que, por questões de princípios, não quis se candidatar de novo. Ela se declara contrária a políticos profissionais. Mas alguns companheiros dela não têm o mesmo escrúpulo. Por exemplo, Paulo Delgado, sociólogo e professor, que declarou bens de menos de 640 mil reais e vem-se reelegendo deputado federal pelo PT desde 1987. E está de novo no páreo. Da última vez, sua campanha teve receitas de 386 mil reais, dos quais 120 mil doados pela Açominas, 50 mil pela CBMM, 45 mil pela Tecplan e 40 mil pela Renasce - Rede Nacional de Shopping Centers. Agora estava preparado para gastar até 1,5 milhão, mas não chegou ainda a 235 mil. Parece que os doadores, depois de tantos escândalos, estão pouco generosos.

Diante da tentativa desses políticos de perpetuarem-se no poder, dá até pra ver com otimismo a apresentação de algumas candidaturas novas que parecem viáveis, como a do ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Stefan Salej. Empresário de sucesso - fundou a Tecnowatt, que se tornou a maior indústria de luminárias do país, e que foi vendida recentemente a um grupo espanhol - Salej poderia ter, aos 62 anos, uma aposentadoria confortável (declarou bens de 7,3 milhões), mas quer ir para a Câmara dos Deputados, pelo PSB mineiro, por achar que o Congresso precisa de políticos com uma nova mentalidade. Alguma coisa do pensamento dele pode ser vista na internet (www.salej.com.br).

Mas não descobri o que pretende, na Câmara dos Deputados, outro empresário de sucesso estreante na política. Trata-se de Ciro Francisco Pedrosa, 50 anos, que declarou bens de 9,87 milhões de reais, dos quais 98% referentes a cotas da empreiteira Infrater Engenharia e Construção Ltda, fundada em Betim em 1979, e que tem entre seus principais clientes prefeituras, secretarias de Estado, Copasa, Cemig, DER, Comig e Infraero. Não sei se ele tem planos de desenvolvimento para o país, ou só para a Infrater.

Na imensa lista de candidatos, é possível descobrir outros rostos conhecidos, como o administrador Antônio Roberto Soares, autor de alguns livros de auto-ajuda e que aparece em programas de televisão. Aos 64 anos, ele está disposto a gastar até 1,5 milhão de reais para ser nosso representante na Câmara. É alguém que deve ter muita confiança na auto-ajuda. Muitos devem conhecer também - não é o meu caso, infelizmente - o candidato à presidência do Clube Atlético Mineiro, o Itamar do Galo, como registrou sua candidatura a deputado federal e vem se apresentando no rádio e na tevê o aposentado Itamar Vasconcellos Dias, que declarou como único bem 197 cotas da Savassi Publicidade Ltda, no valor de 197 reais. Mas que esperava gastar na campanha até 1,5 milhão.

Vá-se entender tanto otimismo dos candidatos...

Apesar de muito grande, a lista de candidatos não dá muita esperança de que a próxima Câmara dos Deputados não seja formada, principalmente, por políticos profissionais, muitos deles de triste história, como Paulo Maluf e Eurico Miranda, que tiveram suas candidaturas aceitas pela Justiça Eleitoral, apesar das inúmeras denúncias que pesam contra eles na própria justiça. Eurico Miranda, candidato a deputado federal pelo PP do Rio de Janeiro, responde a nove processos penais e foi condenado, em primeira instância, em um deles. O TRE do Rio rejeitou sua candidatura, mas ele recorreu ao TSE, e venceu por quatro votos a três. A favor de sua candidatura, votaram os ministros Marcelo Ribeiro, Marco Aurélio de Mello, Cezar Peluso e Geraldo Grossi. Paulo Maluf, uma espécie de ícone dos políticos corruptos, chegou a ficar alguns dias na cadeia, no ano passado, mas isso pouco importa para o TSE.

Na verdade, a renovação pura e simples do Congresso (e há os que falam em 50% de renovação) não é solução. Pois, entre os novos deputados, podem estar velhos políticos que ocupavam cargos de prefeitos ou de deputados estaduais e vereadores. E também gente como o estilista e apresentador de TV Clodovil Hernandes. Uma de suas declarações, em entrevista para a Folha de S. Paulo, mostra bem o que ele pensa: "Eu nasci aqui e não na Alemanha, onde tudo é melhor, a começar pela raça. Nós viemos de índios bobos, antropófagos, você não pode pretender que as coisas sejam iguais".

Pelo menos Salej, que nasceu na Eslovênia, um pequeno país vizinho da Alemanha, chegou ao Brasil com a família aos 16 anos e optou pela cidadania brasileira. E não pensa como Clodovil e como boa parte de nossos velhos políticos. Daí seu nome aparecer neste Tamos com raiva entre os candidatos novos contra os quais não temos restrições. Pois, mesmo que não concordemos com todas as suas idéias, é melhor que ele tenha idéias visando ao bem comum das quais discordamos, por estarem à nossa direita, do que não ter idéia nenhuma - ou tê-las visando apenas ao próprio bem, como a maioria dos candidatos.

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Charge de Solda, publicada no O Estado do Paraná.

Sábado, Setembro 23, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL

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14 dias depois do artigo que publicamos sobre as sujeiras de Newton Cardoso, Eliseu Resende, o candidato de Aécio Neves, ultrapassou o concorrente nas pesquisas. Não acho que tenha sido só coincidência: a força dos textos divulgados pela internet é muito maior do que imaginamos. Agora José de Castro volta à carga, desta vez contra Resende, que também não é nenhuma flor que se cheire. Pior que ele é seu suplente, Clésio Andrade, vice de Aécio no primeiro mandato, afundado até o pescoço em complicações na Justiça. E, afinal, a própria Justiça não é das mais confiáveis, como veremos ao final do artigo.





Nosso velho candidato ao Senado e seu suplente vivaldino





Pesquisa do Ibope, divulgada anteontem, mostra o avanço da candidatura de Eliseu Resende (PFL) ao Senado, pela coligação "Minas não pode parar", do governador Aécio Neves (PSDB), que tem aparecido muito na campanha eleitoral do candidato. Esse avanço pode representar a derrota do ex-governador Newton Cardoso (PMDB), que tem o apoio do PT e, sobretudo, de Lula. Além do presidente da República, têm aparecido na campanha no rádio e na tevê, pedindo votos para Newton, o vice-presidente José Alencar (PRB), o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), e dois petistas: o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o ministro de Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, ex-prefeito da capital mineira. As intenções de voto para Newton caíram de 27 para 25%, desde 31 de agosto, enquanto subiam, para Eliseu, de 19 para 35%.

Newton é um péssimo candidato, como demonstramos neste blog, mas não há motivos para comemorar a possibilidade de ele ser derrotado por Eliseu Resende. Sua campanha eleitoral baseia-se muito nas obras feitas quando Eliseu Resende ocupava cargos importantes no governo federal, durante a ditadura militar, o que levou Newton a ressaltar: as obras não foram feitas por ele, mas pelos militares.

Formado em Engenharia pela UFMG, com doutorado em Matemática pela Universidade de Nova York, Eliseu Resende, a partir de 1964, foi diretor geral do Departamento de Estradas de Rodagens de Minas Gerais (DER-MG) e do DNER (hoje DNIT). Em setembro de 1975, chegou a ter suas contas contestadas pelo Tribunal de Contas da União, por causa dos aditivos contratuais e da não publicação dos contratos no Diário Oficial. Ele alegou que a autarquia era dispensada de publicação, e ficou por isso mesmo. Em plena ditadura, o TCU apenas fazia de conta que fiscalizava o governo...

Em 1979, já no governo Figueiredo, Eliseu assumiu o Ministério dos Transportes e apresentou como um dos seus principais projetos concluir a Ferrovia do Aço, lançada cinco anos antes pelo general Dirceu Nogueira, então ministro dos Transportes, com a promessa de que a obra seria concluída em mil dias. Passados quase dois mil dias, Eliseu verificou, em junho de 1979, que apenas metade da terraplenagem havia sido feita em cinco anos e somente 30% das obras de arte (viadutos, pontes e túneis) estavam construídos. Eliseu planejava gastar 916 milhões de dólares, em quatro anos, na construção da Ferrovia do Aço, mas admitia que era grande desafio ser ministro quando falta dinheiro. E não cumpriu a promessa de concluir a obra.

Em 1982, deixou o Ministério para candidatar-se ao governo de Minas, como candidato oficial. Seu principal concorrente era Tancredo Neves, de 72 anos de idade. No calor da campanha, Eliseu, então com 53 anos, chamou Tancredo de velho e, por isso, sem condições para governar o estado. Gastou um dinheirão na campanha, mas perdeu as eleições para o velho Tancredo, avô de Aécio Neves. Agora, com 77 anos e sete meses, quer ser senador. O primeiro suplente de Eliseu é o vice-governador de Minas, Clésio Andrade, do PL, que tem hoje 54 anos.

Se Eliseu vencer, ele, Clésio, tem grande chance de ser senador nos próximos oito anos. Em 2015, quando terminar o mandato do senador, se for eleito dia 3 de outubro próximo, Eliseu estará com 85 anos. Antes disso, poderá ter morrido ou ter sido nomeado para um cargo em que possa fazer o que mais gosta - tocar obras -, deixando a vaga de senador para Clésio, que muito precisa de imunidade parlamentar.

Por que ele busca a imunidade?

Clésio Soares de Andrade, que começou a vida como trocador de ônibus, parece ter muita coisa a esconder da justiça, a começar pelos bens declarados à Justiça Eleitoral. O site do TSE mostrou o valor total dos bens declarados por ele: R$ 5,035 milhões, assim discriminados: 1. Ações da União Brasil Part. S/A, R$ 4,16 milhões; 2. Quotas da Tagua Agrop. E Part. Ltda, R$ 475 mil; 3. Um imóvel residencial na Av. Alfredo Camarati, 240, Bairro São Luiz, em Belo Horizonte, R$ 400 mil.

Três itens apenas. Eliseu Resende detalhou melhor sua declaração de bens, embora os imóveis tenham sido apresentados com valores históricos. Por exemplo, sua mansão no Bairro Santa Amélia, região da Pampulha, consta com o valor de R$ 37.752,11. No mesmo bairro, ele declara seis lotes na quadra 29, a R$ 47.884 (o preço total para os seis), e dois na quadra 83, a R$ 16.100,15 os dois. Não sei se ele vende por esse preço, se alguém estiver interessado em comprar... Mas Eliseu, que tem também um apartamento na Av. Atlântica, no Rio, por R$ 416.383,66, não teve como declarar valores históricos para suas aplicações financeiras, que somam R$ 1,429 milhão. A soma dos bens declarados é de R$ 2.918.546,50. E uma curiosidade: ele declarou possuir R$ 138.794,55 em obras de arte (quadros, pinturas, tapetes). Se for valor histórico também e, entre esses quadros, houver algum Picasso...

Não há de se negar o sucesso desse doutor em Matemática que nasceu de uma família pobre no interior de Minas e passou a maior parte da vida profissional em cargos públicos. Mesmo assim, na minha opinião, os eleitores deveriam indicar-lhe o caminho da aposentadoria. Sobretudo, por que, ao elegê-lo senador, poderão, sem o saber, estar conduzindo ao Senado a controvertida figura de Clésio Andrade.

Dirão que é má vontade minha contra o vice-governador mineiro. Porém, não consigo esquecer que, em 2004, o Ministério Público Federal (MPF), no rastro das investigações da Polícia Federal contra doleiros, acabou pedindo a quebra do sigilo bancário de Clésio Andrade e de sua mulher, Adriene Barbosa de Faria Andrade, então prefeita de Três Pontas e presidente da Associação Mineira de Municípios. Reportagem publicada no dia 29/8/2004 pela "Folha de S. Paulo" revelava: o MPF investiga suspeita de lavagem de dinheiro para financiamento de campanha eleitoral em operações realizadas por duas instituições dirigidas pelo vice-governador de Minas, Clésio Andrade. São elas: Instituto de Desenvolvimento, Assistência Técnica e Qualidade de Transporte (Idaf), vinculada à Confederação Nacional de Transportes (CNT), presidida por Clésio desde 1993, e Instituto J. Andrade, de Juatuba, cuja entidade mantenedora é também presidida por Clésio. O juiz Jorge Macedo Costa, da 4ª Vara Federal em Belo Horizonte, determinou em 27/7/2004, a quebra do sigilo bancário dos dois institutos, mas, antes que isso ocorresse, foi obrigado a remeter o processo ao Superior Tribunal de Justiça, por causa do cargo de vice-governador. O processo corre ali em segredo de justiça.

Clésio Andrade está sendo também processado pelo Ministério Público mineiro, num caso envolvendo a privatização do Credireal. Ele foi acusado de ter-se aproveitado de "crescente prestígio econômico e político" para obter, em outubro de 1996, a quitação de dívida de R$ 1,8 milhão da SMP&B Publicidade, da qual era sócio, no Credireal. Andrade teria oferecido uma fazenda comprada, um ano antes, por R$ 140 mil pelo pai, o pecuarista Oscar Soares Andrade, que depois se elegeu prefeito de Juatuba, a 40 quilômetros de Belo Horizonte.

O Banco Central exige pelo menos três avaliações, em caso de recebimento de bens para pagamento de dívida. De acordo com a acusação do Ministério Público, a diretoria do Credireal contentou-se com um único laudo, que avaliou a fazenda Santa Rosa em R$ 2,4 milhões. Entre abril e junho de 2001, já incorporada ao patrimônio do Estado, a fazenda foi avaliada em R$ 264 mil, R$ 320 mil e R$ 337 mil, conforme reportagem da Folha de S. Paulo, de 22/4/2005.

O Ministério Público afirmou, na denúncia, que Clésio Andrade e o pai se aproveitaram da "iminente privatização do Credireal", o que "camuflaria a transação fraudulenta", para convencer os diretores do banco a aceitarem sua proposta.

Como se vê, há motivos para Clésio querer a imunidade proporcionada pelo cargo de senador.

E Clésio Andrade está-se tornando um perito em galgar cargos públicos como vice. Em 1998, não deu certo. Era candidato a vice-governador na chapa de Eduardo Azeredo, que não conseguiu reeleger-se. Azeredo disputou o segundo turno com Itamar Franco (cujo vice era Newton Cardoso) e recebeu apenas 42% dos votos válidos. Nas eleições seguintes, Azeredo elegeu-se senador e, depois que José Serra foi eleito prefeito de São Paulo, assumiu a presidência do PSDB, que deixou por causa do escândalo do financiamento da campanha eleitoral, que teve importante participação da SMP&B e de seu sócio-proprietário Marcos Valério. Enquanto isso, Clésio via seu esforço coroado ao eleger-se, em 2002, vice do governador Aécio Neves. Agora, porém, buscando a reeleição, Aécio preferiu livrar-se do vice, empurrando Clésio para os braços cansados de Eliseu Resende.

Está agora nas mãos dos eleitores resolver a questão. Eu já decidi: não voto em Newton Cardoso, nem em Eliseu Resende. Talvez vote na candidata do PSOL, Maria da Consolação Rocha. Confesso que ainda não a conheço. Sei que nasceu em Belo Horizonte de família pobre e hoje, aos 43 anos, é professora de ensino superior. Mas não subiu muito, em termos de riqueza, a julgar por sua declaração de bens à Justiça Eleitoral: 42.100 reais (um carro Escort de 7.100 e uma casa de 35 mil). Ela informou ao TSE que vai gastar na campanha até 300 mil reais, contra os 8 milhões de Newton Cardoso e os 6 milhões de Eliseu Resende.

Espero que nenhum dos três receba doações no montante esperado. Dificilmente Maria da Consolação terá os 300 mil, pois seus eleitores não têm dinheiro sobrando e não vejo empresas jogando dinheiro fora. Elas só doam para candidatos viáveis e com retorno garantido. Mas, qualquer que seja o valor que gastar, cuide bem de apresentar à Justiça Eleitoral uma prestação de contas incontestável, porque ela tem-se mostrado implacável com esse tipo de candidatura.

É uma justiça que cassa a candidatura de Rui Pimenta à presidência da República pelo PCO e registra a de Paulo Maluf, do PP, que busca a imunidade na Câmara dos Deputados. Já não está valendo a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que em novembro de 2005 determinou que os direitos políticos dos ex-prefeitos Paulo Maluf e Celso Pitta fossem cassados. A decisão resultava de uma ação por improbidade administrativa. Na ação, Pitta e Maluf foram acusados de simular que a arrecadação da cidade de São Paulo era superior ao real e, com isso, gastar além do permitido. No dia 10 de setembro do ano passado, Maluf e o filho Flávio foram presos pela Polícia Federal em São Paulo, acusados de cinco crimes: evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, formação de quadrilha e peculato ou apropriação de dinheiro público. Quarenta dias depois, foram postos em liberdade, por decisão do Supremo Tribunal Federal, para felicidade de Newton Cardoso e de tantos outros que fazem política na mesma linha de Maluf. É por essas e por outras que tamos com raiva!

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Não ignore! Divulgue! Ainda há tempo de derrubar essa candidatura!

Fotos: de Clésio aplaudindo, à esquerda, www.netmarinha.com.br; de Eliseu Resende, à direita, www.camara.gov.br.

Domingo, Setembro 17, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL

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O artigo abaixo dispensa comentários: é completo. Quem já conhecia as falcatruas do candidato do PMDB ao Senado poderá aquecer a memória curta. Quem não conhecia, terá um balanço sintético dos últimos 35 anos (pelo menos). O leitor poderá entender, então, porque Nilmário Miranda (que hoje inexplicavelmente apóia Newtão) pediu o impeachment do então governador, em 1989. E ficará sem entender porque esse Cardoso, que eu tomava por defunto político, já está com a vitória ganha como senador mineiro.




Nosso pobre candidato ao Senado pelo PMDB





No dia 14 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) deferiu o pedido de registro de candidatura do ex-governador Newton Cardoso ao Senado, pelo PMDB mineiro. Ele ganhou também, do TRE, direito de resposta a um comentário feito pela candidata ao Senado Maria da Consolação Rocha, do PSOL, em entrevista ao jornal O Tempo, em que ela associava o adversário à prática de corrupção na administração pública.

Depois disso, é de se prever que os jornais mineiros ficarão ressabiados, e Newton Cardoso chegará às urnas como o favorito nas pesquisas, sem que a maioria dos eleitores seja informada devidamente a respeito dele. Por isso, este blog vai fazer a sua parte, mesmo sabendo que é uma gota no oceano. E se a assessoria de Newton Cardoso quiser direito de resposta, nem precisará pedir ao TRE. Desde já, o blog declara-se aberto ao contraditório.

Vou começar com o que disse no dia 30 de agosto o jornalista Mauro Malin, no Observatório da Imprensa:

"Nem Lula, nem o programa do PT, nem Fernando Henrique Cardoso. Quem colocou a questão da corrupção no tom certo ontem foi o ex-governador Orestes Quércia, sabatinado na Folha de S. Paulo. Ele disse que praticou caixa dois em todas as eleições de que participou. A primeira foi antes do golpe de 1964. A ditadura se apresentou como 'redentora' e só piorou as coisas, porque gradualmente impôs a censura à imprensa e deixou poucas brechas para denúncias. Na redemocratização, quem não tinha participado da festa teve sua oportunidade. Com as honrosas exceções de sempre.

Quércia deu uma sintética e preciosa aula de História na primeira pessoa."

Malin concluiu seu artigo deste modo:

"[*] O leitor José de Souza Castro forneceu (comentário enviado em 28/8) informações interessantes sobre outro ex-governador, Newton Cardoso, política e fortuna:

'A fortuna de Newton Cardoso foi criada em dois momentos principais: quando ele foi prefeito de Contagem por dois mandatos, nas décadas de 70 e 90, e quando foi governador de Minas entre 1987 e 1990. O atual candidato ao senado pelo PMDB mineiro apoiado por Lula começou a ficar rico quando se elegeu prefeito de Contagem pelo MDB e se tornou nacionalmente conhecido, em 1975, quando tentou fechar a fábrica de cimentos Itaú, para cortar uma das fontes de poluição do município, sendo impedido por Geisel. Em 1977, depois de deixar o cargo, Newton foi nomeado presidente da Cuco, uma empresa urbanizadora municipal criada por ele para vender terrenos industriais. Ele enviou declaração de bens à Câmara Municipal. Tinha 306 hectares de terras. Em 1986, quando se elegeu governador, já era dono de 9.024 hectares. Três anos depois, em junho de 1989, o jornal Estado de Minas, que lhe fazia oposição, publicou uma série de reportagens vencedora do Prêmio Esso regional mostrando a evolução da fortuna do governador. Ele já possuía 25 mil hectares de terras, entre outros bens e empresas. Só as terras eram avaliadas pelo jornal em 30 milhões de dólares. A revista Veja desta semana avalia as fazendas em R$ 17 milhões. Na declaração de bens apresentada ao TRE, o candidato ao senado as avalia em R$ 60 mil. O nebuloso Newtão é o título da reportagem. A Veja foi até modesta...'"

Quando Newton Cardoso era governador de Minas, Quércia governava São Paulo. As denúncias de enriquecimento ilícito contra os dois eram tantas, que gerou até uma piada que fazia sucesso na época:

Newton recebia a visita de Quércia em Minas, e levou-o a ver algumas de suas obras. No meio do caminho, perguntou:
- Está vendo aquele viaduto ali? 50% dele estão aqui - disse, batendo no bolso.
Quando foi a São Paulo, Quércia retribuiu a gentileza, e num determinado local, perguntou:
- Está vendo aquela escola ali?
NC olhou e não viu nada.
Quércia riu, batendo no bolso:
- Cem por cento dela está aqui!

Na época, o governador Newton Cardoso estava gastando muito dinheiro para construir a Penitenciária de Segurança Máxima de Contagem. Quando a obra estava quase concluída, foi visitá-la. Waldemar Sabino ia junto. Ele era fotógrafo da sucursal mineira do Jornal do Brasil e eu chefiava a redação. Antes de sair, pedi-lhe:

- Tira a foto do governador atrás das grades.

Nosso bravo fotógrafo levou a brincadeira a sério. Antecipou-se à comitiva e ficou esperando o governador, atrás da grade de uma cela. Quando Newton Cardoso ia passando pelo corredor em frente, chamou:

- Governador! Governador!

Newton, distraído, agarrou-se na grade de aço para ver quem o chamava. Clic, clic, clic! Publicada com grande destaque pelo JB, a foto serviu de inspiração para a charge de Millôr Fernandes, no dia seguinte. Naquele tempo, o humorista tinha espaço na página de opinião do JB.

O sonho dos brasileiros foi sempre ver um político desonesto atrás das grades, mas sempre os viu aboletados em cargos importantes no governo e no Legislativo.

A penitenciária, como ficou demonstrado repetidas vezes nos anos seguintes, era de segurança mínima. Traficantes de drogas e bandidos ricos fugiam dali até pela porta da frente...

Em junho de 1987, o jornal Estado de Minas publicou uma série de reportagens sobre as fazendas de Newton Cardoso. Ela foi apurada - mas não assinada, para evitar represálias do governador - pelo repórter especial Djalma Gomes, primo do escritor Fernando Morais. O trabalho foi recompensado com o Prêmio Esso de Jornalismo.

Foi este o texto de abertura da série de reportagens:

"Em junho de 1986, o então candidato ao governo de Minas pelo PMDB, Newton Cardoso, tinha uma queixa a fazer. A Fazenda Rio Rancho, a principal de suas propriedades, localizada no município de Pitangui, amargava um prejuízo que já se arrastava há 21 anos, desde que era ainda um modesto sítio de 9 hectares. Três anos depois, e ao contrário dos fazendeiros que vivem exclusivamente da produção de suas terras, o atual governador e por duas vezes prefeito de Contagem não tem mais do que se queixar.

Revelando uma incomum habilidade para gerir seus próprios negócios em meio a uma crise que faz minguar a economia do Estado em proporções contrárias à do seu enriquecimento pessoal, em apenas 36 meses o fazendeiro Newton Cardoso praticamente triplicou seu patrimônio em terras e ostenta hoje um domínio territorial 90 vezes maior que em 1977, quando assumiu a presidência da Companhia Urbanizadora de Contagem (Cuco) e começou a consolidar sua fortuna, avaliada hoje em cerca de 30 milhões de dólares apenas em propriedades rurais. Naquele ano, conforme declaração de bens encaminhada à Câmara de Vereadores de Contagem, o novo presidente da Cuco tinha 306 hectares de terra em Minas. Em 1986, já eram 9.024, reforçados principalmente com a incorporação de uma fazenda de 6.870 hectares em Taiobeiras, no Nordeste do Estado, numa polêmica aquisição que ainda hoje se arrasta na justiça.

No dia 11 de maio último, com a compra de mais três fazendas em Luz, no supervalorizado Vale do Rio São Francisco, o fazendeiro Newton Cardoso ampliou um império que o coloca atualmente na impressionante condição de proprietário de cerca de 25 mil hectares e senhor de terras equivalentes a 140 territórios do Principado de Mônaco, a 10 arquipélagos de Fernando de Noronha ou a uma extensão igual à formada, juntos, pelo Vaticano, Mônaco, San Marino, Bermudas e Liechtenstein. Ou, ainda, a quase metade de Cingapura".

O governador tentou refutar as acusações, em 26 de agosto de 1989, depois de obter na justiça o direito de resposta. O juiz Paris Peixoto Pena, da 7ª Vara Criminal, determinou vários cortes no texto apresentado pelos advogados do governador.

A ação do governador contra o jornal limitou-se àquele direito de resposta, e o Ministério Público estadual não levou as denúncias adiante.

Newton Cardoso não foi tão feliz na ação popular proposta pelo deputado Federal Carlos Cotta, em março de 1990, contra a venda do Banco Agrimisa, durante o seu governo. A venda foi declarada nula pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais e Newton Cardoso foi condenado no Superior Tribunal de Justiça a indenizar o Estado. O advogado Genival Tourinho, que patrocinou a ação, calculou há quatro anos que o ex-governador deveria repor ao governo mineiro, em valores atualizados, R$ 50 milhões, como reparação dos prejuízos causados ao Estado com a venda do banco. Mas essa ação é controvertida e depende, para encerrar, de julgamento do Supremo.

Enquanto isso, Newton não paga e pode concorrer ao Senado.

De qualquer forma, mesmo se for condenado a ressarcir o Estado, Newton Cardoso não vai falir por isso. Ele declarou ao Tribunal Regional Eleitoral que deve gastar na campanha eleitoral no máximo 8 milhões de reais. A declaração de bens apresentada por ele ao TRE traz valores históricos. Mesmo assim, os bens declarados somam mais de R$ 10,9 milhões. São eles:

Apartamento em Nova Lima = R$ 30.000,00; apartamento 201 - BH = R$ 179.541,02; automóvel Volvo 1999 = R$ 160.000,00; casa em Cambuçu - Bahia = R$ 30.000,00; fazenda no município de Berizal - MG = R$ 30.000,00; lote terreno - Alto Santa Lúcia = R$ 31.500,00; propriedade rural em Caravelas - Bahia = R$ 30.000,00; dois lotes no Jardim Canadá, em Nova Lima = R$ 36.000,00; cem cotas da empresa Re Construções Ltda = R$ 129,00; 67.825 ações da empresa NC Participações e Consultoria S/A = R$ 5.369.101,50; 81 ações da empresa Agropecuária Rionorte S/A = R$ 5.000;13 990 cotas da empresa Pitangui Agroflorestal = R$ 9.900,00; mútuo a receber com a empresa Agropecuária Rio Norte = R$ 28.654,24; mútuo a receber com a empresa Bagatelli = R$ 779.870,19; mútuo a receber com a empresa NC Participações e Consultorias S/A = R$ 72.612,39; mútuo a receber com a empresa Rio Rancho Agropecuário = R$ 3.144.286,75; mútuo a receber com a empresa RR Construções Ltda = R$ 651.800,00; participação acionária na empresa Cia. Siderúrgica de Pitangui = R$ 55.375,00; prêmio em VGBL Banco do Brasil = R$ 8.601,70; salas duplas no bloco comercial Belo Horizonte = R$ 33.572,32; saldo aplicações financeiras BB-R fixa Banco do Brasil = R$ 20.153,16; saldo aplicações financeiras BB-R fixa Banco do Brasil = R$ 100.858,03; saldo de aplicação financeira em fundo de investimento do Bradesco = R$ 49.198,73; saldo de aplicação Ourocap - BB = R$ 1.610,24; saldo em aplicação financeira banco Bradesco = R$ 45.086,56; saldo em conta corrente Banco do Brasil = R$ 4.259,05; um apartamento no São Francisco Flat Hotel = R$ 15.800,00.

Chama atenção, nessa declaração de bens, o valor das cotas de participação do candidato ao Senado pelo PMDB em dezenas de fazendas (que a revista Veja avalia em 17 milhões de reais) e numa siderúrgica de Pitangui (avaliada por ele em apenas R$ 55.375,00). É uma das maiores guseiras de Minas e deve valer milhões de reais.

O grave, nestas declarações com valores não corrigidos e, mesmo assim, aceitas sem contestação pelo Tribunal Regional Eleitoral, é que os candidatos já começam, por aí, a enganar os eleitores e a justiça.


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Não ignore! Divulgue! Ainda há tempo de derrubar essa candidatura!

Sexta-feira, Setembro 01, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL

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