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Resumão: por que vou votar em Lula
Depois de quase um mês escrevendo sobre o assunto no blog, consegui acumular uma quantidade de informações sobre os candidatos Lula e Alckmin que eu dificilmente encontraria só na leitura diária de jornais. Primeiro porque, a cada post que publicava, vários comentários foram se juntando, trazendo mais informações. E a quantidade de e-mails que recebi, com novidades contra e pró-Lula, contribuíram ainda mais para o clareamento das minhas idéias. Até pelo nível dos e-mails pró-Alckmin, pude tomar uma posição no debate. A maioria deles tinha uma carga de preconceito e de boatos sem provas, que esvaziava a campanha do tucano, enquanto os e-mails sobre Lula geralmente traziam dados, estatísticas, argumentos embasados e de fontes variadas.
Ao todo, durante os últimos 23 dias, publiquei 25 textos além deste. Foram seis textos contando os podres inquestionáveis de Geraldo Alckmin; dois com comparações objetivas e estatísticas entre o governo Lula e a era tucana; dois sobre as políticas sociais e outros investimentos positivos do governo Lula; dois sobre o preconceito por trás das campanhas contra o Lula; quatro sobre a crise do dossiê e o golpe bem articulado em torno dela; além de nove artigos e entrevistas de pessoas respeitadas no pensamento político, com reflexões sobre tudo isso.
No primeiro turno, votei em Cristovam Buarque. Por vários motivos: sempre tive uma simpatia pessoal pelo discurso desse político, seu posicionamento social e seus projetos de educação sempre me encantaram, suas realizações no governo de Brasília se assemelham às melhores qualidades do governo Lula (ver último post antes do primeiro turno das eleições, em que fiz um apanhado sobre a vida dos quatro principais candidatos à presidência). Além disso, eu queria levar Lula para o segundo turno, porque considero as eleições de dois turnos muito mais democráticas, considero as polarizações muito saudáveis para os debates políticos e acho que o candidato que só consegue levar no segundo turno entra no poder com mais humildade (aí concordando com o que o próprio Cristovam declarou no dia 1º de outubro).
Quando comecei a escrever, entre 6 de outubro e hoje, portanto, minha antipatia por Alckmin era ainda maior que minha simpatia por Lula. Mas, à medida que fui destrinchando os dois governos, dissecando-os para o leitor, fui descobrindo, eu mesma, o abismo político que existe entre Lula e Alckmin. Importante destacar: embora eu tenha ojeriza ao PSDB, nunca fui petista. Mas não há como negar que o posicionamento político histórico da legenda 13 sempre se aproximou das minhas próprias convicções.
Nesse último mês, de tanta pesquisa e de tantos textos publicados, descobri motivos bem fortes para preferir Lula a Alckmin. Que resumo para vocês, principalmente para aqueles que, em pleno dia de votação, ainda não estão convictos de seu voto. Anular o voto não é uma solução muito coerente com quem pretende cobrar um país melhor para os próximos quatro anos. Então, já que está muito em cima da hora para ler tudo o que publiquei no último mês, sugiro que leiam este resumo, que escrevo livremente, sem citar fontes, mas que está arquivado no histórico do blog.
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Por que não voto Alckmin:
- É ultraconservador, membro ou simpatizante da Opus Dei, espécie de seita católica que apoiou todas as ditaduras do século XX (inclusive as fascistas) e todos os atrasos no que diz respeito a comportamento e moral. Sobre ela, o jornalista José de Castro comentou, no meu post de 7 de outubro: "nesses nossos tempos, os que ingressam em seus quadros agem de outra forma. A fogueira das bruxas, apagada pelos avanços da ciência, foi deixada de lado. Não renegam, porém, os porões da política. Na Espanha e Portugal, apoiaram as ditaduras franquistas. No Brasil, o golpe de 64. Sua face se mostrou também aqui, na década de 30, com os integralistas de Plínio Salgado, a apoiar Hitler e Mussolini. No momento atual, além de ter cooptado o Geraldo, a Opus Dei atua fortemente na imprensa, por meio de seu braço especializado espanhol, a Universidade de Navarra. A Opus Dei é tão forte dentro da igreja, que consegue silenciar os que a ela se opõem, como Leonardo Boff." Demoramos quatro séculos para tornar nosso estado laico, separado da religião. Vamos voltar à época sombria em que a Igreja Católica ditava as normas e o preconceito contra outras formas de religião ou espiritualismo era evidente?
- É partidário da política de privatizações, que no governo FHC, além de ter sido infestada de escândalos e corrupções (seriamente esquecidos pelos atuais eleitores), como no caso das Teles, vendeu patrimônios e fontes de renda nacionais a preços de banana. A Vale do Rio Doce hoje é a segunda maior mineradora do mundo e acabou de comprar, por mais de 17 bilhões de dólares, a Inco. Foi vendida por FHC por cerca de 3,3 bilhões de dólares em 1997. Alckmin é igualzinho: tirou do controle do Estado as Centrais Elétricas de São Paulo (Cesp), a Eletropaulo, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e a Comgás, além de negociar concessões das principais rodovias estaduais e privatizar o Banespa.
- Não investe em social e acha que agir como um "linha dura" vai acabar com os problemas de segurança pública de São Paulo. Em vez de criar programas pacíficos contra a violência, unindo políticas sociais ao sistema prisional, ele aumentou o efetivo policial e amontoou os jovens nas cadeias e na Febem. Resultado: motins do PCC e 492 pessoas mortas por arma de fogo, só entre 12 e 20 de março deste ano e só em São Paulo. Quando entrevistado sobre isso por uma TV australiana, ele apenas se levantou, irritado, e foi embora, sem dar respostas (ver vídeo que postei em 14/10).
- Esteve envolvido diretamente em escândalos de corrupção, como o "mensalinho", os gastos com o trecho oeste da Rodoanel, as ingerências na gestão da Nossa Caixa, irregularidades no empréstimo à Eletropaulo, compra de parlamentares, irregularidades nas obras da CDHU, irregularidades no programa Viva-Leite, na cessão da fazenda Canção Nova, entre vários outros. A diferença básica é que seu governo não admite investigações, a mídia é conivente e não divulga, e as CPIs viram pizza. Ao todo, foram 69 CPIs barradas e engavetadas (a lista de todas está no post de 9/10). Ele aprendeu bem com FHC, que tinha um Engavetador-Geral da União a seu dispor. E me vem falar de ética com aquela cara mais lavada?!
- Esteve envolvido diretamente no tal "escândalo do dossiê". Isso não é uma afirmação que posso provar, mas o post de 17/10 me inspirou a deduzir. E a fazer a seguinte pergunta: quem mais se beneficiou com a tal compra do dossiê? Os buracos desse episódio são tão grandes que muito me assombra o fato de a imprensa insistir em bater apenas na tecla da compra do dossiê (que, aliás, sequer é um crime, embora possa ser considerado antiético). Por exemplo, por que o delegado Bruno divulgou aquelas fotos do dinheiro da compra do dossiê na véspera do primeiro turno? A quem ele atendia? Que interesses tinha? Seriam interesses financeiros? Pagos por quem? Não é à toa que muitos pensadores que li nesse último mês afirmaram, com convicção, que o caso do dossiê foi um golpe. Muito bem elaborado, por sinal, porque abalou profundamente a campanha de Lula.
- Votou contra causas sociais e em favor dos trabalhadores quando participou da Constituinte. Na época, ele era do "baixo clero" e, portanto, seus votos não chamavam muito a atenção e ele podia votar livremente no que acreditava e desejava realmente implementar. E isso é importante quando pensamos em Alckmin como presidente, porque é o que realmente mostra seus valores, por detrás da fachada publicitária das campanhas eleitorais. No post de 22/10: "Ele se posicionou contrário à nacionalização do subsolo brasileiro e também votou contra a licença-paternidade de cinco dias, contra a jornada de trabalho de 40 horas e contra a proteção aos trabalhadores com mais de 45 anos nas empresas."
- Muita gente gosta e defende as posições econômicas dos tucanos, mas foi Alckmin quem deixou um rombo de 1,2 bilhão nas contas do Estado de São Paulo, segundo seu próprio substituto, Cláudio Lembo, do PFL. Se até os aliados dizem isso, por que eu desacreditaria? Também vale lembrar que a era FHC foi a de menor crescimento econômico da história do Brasil. E agora Alckmin fala nos debates, com a boca cheia, que Lula não conseguiu fazer o Brasil crescer. Só pra comparar: a inflação anual do governo Lula foi de 2,8%, contra 12,53% de FHC. A dívida com o FMI era de 13,7 bilhões de dólares na era tucana, agora está paga. A dívida externa era de 12,45%, contra os 2,41% atuais. As exportações cresceram de 60,4 bilhões para 118,3 bilhões. O saldo da balança comercial, que no goerno FHC era de 8,4 bilhões negativos, hoje é de 103,3 bilhões de dólares (positivos). FHC criou 700 mil novos empregos, enquanto Lula criou 6 milhões. Só isso.
- Outras comparações entre os governos tucanos e o que aconteceu nos últimos quatro anos de Lula foram publicadas nos posts dos dias 15 e 16 de outubro. O que me leva ao outro lado da moeda:
Por que voto Lula:
- Realmente fez políticas sociais, que conseguiram, mesmo a passos lentos, mudar inclusive problemas estruturais do Brasil (a quantidade de miseráveis caiu de 26,23% para 25,08%; de pobres caiu de 34,34% para 33,57%; a participação dos mais pobres na renda subiu de 14,4% para 15,2%; a transferência de renda passou de 2,3 bilhões para 7,1 bilhões). Um exemplo foi o investimento pesado no Vale do Jequitinhonha, uma das três regiões mais pobres do país, como mostrou meu post de 14/10.
- Foram feitas 183 operações contra corrupção, crime organizado e lavagem de dinheiro no governo Lula (contra 20, da era FHC).
- Os "escândalos" estão sendo muito mais investigados e nenhuma CPI foi barrada, ao contrário da tradição de engavetamento de processos de Alckmin e FHC. Apenas em 2005, foram realizadas as seguintes operações da PF, especificamente no combate ao crime organizado e corrupção: Operação Alcatéia, Operação Preadador, Operação Petisco, Operação Pretorium, Operação Big Brother, Operação Clone, Operação Terra Nostra, Operação Coroante, Operação Ajuste Fiscal, Operação Dragão, Operação Buritis, Operação Tango, Operação Guabiru, Operação Spectro, Operação Curupira, além das operações Hidra, Castanhola, Anjo da GuardaC, Panorama, Cevada, Tentáculos, Tamara, Mercúrio, Monte Éden, Narciso, Confraria, Lion Tech, Falsário, Macunaíma, Babilônia, Matinta Perêra, Encaixa, Caá Ete, Curupira II, Serraluz, Pégasus, Roupa Suja, Trevo, Anjo da Guarda II, Fronteira Legal, Mercado Negro, Tentáculos III, Bye Bye Brasil, Canaã, Overbox, Trevo II, Dublê, Mandrake, Pedra Bonita, Bloqueio, Campus Limpo, Ouro Verde, Argus, Corona, êxodos, Plata, Centurião, Rio Pardo, Ponto Com, Canil, Breakdown, Terra Limpa, Canil, Firula, Anfíbio, Trinca-Ferro e Crepúsculo.
- Todos os principais envolvidos (da alta cúpula do PT) nas crises que estouraram nos últimos quatro anos foram demitidos. Dirceu, Palocci, Benedita, Berzoini e Genoíno são alguns exemplos.
- O post de 16 de outubro mostra dados, tirados do IBGE, IBGE/Pnad (Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar - desde 1994); ANEEL; Bovespa; CNI; CIESP; Ministérios Federais e Agências Regionais; SUS; CES/FGV; jornais Folha de S. Paulo e O Globo, comparando os investimentos do governo Lula e os realizados por FHC e pelos tucanos. Vale a pena ler todos, mas vou citar aqui no meu resumão apenas alguns: Empréstimo para habitação (em reais): Lula: 4,5 bilhões X PSDB: 1,7 bilhões; Crédito para a agricultura familiar: Lula: 6,1% X PSDB: 2,4%; Crescimento real do salário mínimo: Lula: 25,3% (Ganho real de 25,7% em três anos) X PSDB: 20,6%; Valor do salário mínimo em dólares: Lula: 152 X PSDB: 55; Pró-jovem - estudo subsidiado: Lula: 93 mil (18 a 24 anos) (100 reais por mês de subsídio a cada estudante) X PSDB: não havia programa, nem registro; Compra de terras para Reforma Agrária: Lula: 2,7 bilhões (2003 a 2005) X PSDB: 1,1 bilhão (1999 a 2002); Investimento anual em saúde básica: Lula: 1,5 bilhão X PSDB: 155 milhões. Parece que não tem uma única área em que o governo Lula não tenha batido (com grande vantagem) o governo tucano: moradia, saúde, segurança, crescimento, relações internacionais, emprego, agricultura... Para dados mais detalhados só sobre Minas Gerais, ver o penúltimo post.
Enfim, a participação dos pobres na economia está crescendo. Eles estão tendo, pela primeira vez na vida, acesso à informática, a automóveis mais baratos, crédito habitacional, e outros luxos elitistas. Se um governo conseguiu essa proeza em quatro anos, quero que continue fazendo isso por mais quatro. Certamente ele é um governo com vários problemas, que passou por muitos percalços, que se sujou com muita lama. Mas tem investigado, tem punido e conseguiu superar toda uma mídia e um preconceito de classe evidentes contra a figura do Lula. Se ele tem defeitos - e como os tem! -, a função do eleitor é criticá-los. E é isso mesmo que este blog vai voltar a fazer a partir de amanhã, seja quem for o vencedor da disputa.
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Relembrando::::
Pouco antes do primeiro turno, publiquei um apanhado dos quatro principais candidatos à presidência. Um das informações era sobre as coligações e os escândalos em que os candidatos e seus aliados estariam envolvidos. O que mais manchou o governo Lula foi o caso do mensalão, dos correios e das ambulâncias (me recuso a falar do misterioso caso do dossiê, que foi armação das mais grosseiras). Alckmin enche a boca para dizer que os petistas são sujos, corruptos, etc. O PFL, o PP, o PTB e outros aliados históricos dos tucanos também fazem o mesmo. Mas será que existem mais petistas envolvidos nesses escândalos "do governo Lula" do que tucanos e pefelistas? Vejamos os dados:
Coligação Por um Brasil Decente = PSDB + PFL
* Dos 19 deputados formalmente acusados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, nenhum é do PSDB e um é do PFL (Roberto Brant).
* Dos 72 parlamentares acusados pela CPI dos Sanguessugas, um é do PSDB (Paulo Feijó) e sete são do PFL.
* Dos 94 parlamentares sob investigação no Ministério Público (lista divulgada pela Veja em 12 de julho), 13 são do PSDB e sete são do PFL.
(Quanta decência!)
Coligação A Força do Povo = PT + PcdoB + PRB
* Dos 19 deputados formalmente acusados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, sete são do PT, nenhum dos outros dois partidos da Coligação.
* Dos 72 parlamentares acusados pela CPI dos Sanguessugas, dois são do PT, nenhum do PCdoB e um do PRB.
* Dos 94 parlamentares sob investigação no Ministério Público (lista divulgada pela Veja em 12 de julho), cinco são do PT, nenhum do PcdoB e um do PRB (Marcelo Crivella).
A soma dos parlamentares da coligação tucana envolvidos com corrupção é de 29 políticos. Já na coligação petista, são 16. Quase metade...
Outra coisa, só pra constar: resumão dos escândalos no governo FHC.
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Conclusão:::::
Na enquete que promovi nessas últimas três semanas, perguntando em quem os leitores do blog pretendiam votar, Lula ganhou de lavada: até o momento, ele teve 91 votos (66 %) contra 35 (26%) para o Alckmin, 8 (6%) nulos e 3 (2%) brancos. Ao todo foram 137 votos e cada um só pôde registrar uma vez. A última pesquisa de intenção de voto divulgada pelo DataFolha ontem à noite também dá vitória ao Lula: ele tem 61% dos votos válidos, contra 39% de Alckmin (mesmos dados da pesquisa de terça, o que mostra que os últimos debates não modificaram os posicionamentos do povo). Minha esperança é de que isso se concretize nos resultados das apurações e que eu traga boas notícias no fim do dia de hoje e nos próximos quatro anos. O que, de modo algum, vai prejudicar o senso crítico deste blog.
Domingo, Outubro 29, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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MANIFESTO
Sobretudo, não votar em Alckmin
Abaixo, um Manifesto que recebi por e-mail e publico na íntegra. Que é completo, por trazer argumentos indiscutíveis até para o tucano mais fervoroso. E desafio algum desses a provar o contrário!
"Diante da proximidade do final do primeiro turno das eleições presidenciais [O Manifesto foi escrito no final de setembro; atualizo a mensagem para "diante da proximidade do segundo turno das eleições". As reticências que eu coloquei no texto dizem respeito a referências temporais], faz-se necessário vir a público a fim de dizer que não há razão alguma para votar no candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Fatos recentes relativos a dossiês e novos personagens envolvidos com o escândalo das sanguessugas aumentaram a temperatura da, até então, mais "morna das eleições" entre tantas ocorridas desde a redemocratização. Editoriais, diretores de redação de jornais e revistas, articulistas que se apresentam como "formadores de opinião pública", todos comprometidos com o chamado "jornalismo investigativo e independente", têm vindo a público defender o voto em Alckmin (...). No entanto, vale a pena lembrar que a forma mais cínica de totalitarismo é a moralidade seletiva.
Desde a eclosão do escândalo dos sanguessugas pairam enormes dúvidas sobre a conivência ou não dos ex-ministros da saúde com o esquema de superfaturamento das ambulâncias. Nesse caso, o tucano José Serra aparece com indícios fortes de implicação direta ou, no mínimo, conivência. Mais de 70% das ambulâncias superfaturadas foram liberadas em sua gestão no Ministério, várias para o Estado de São Paulo, do então governador Geraldo Alckmin.
Estranho, para não dizer surpreendente, que o "jornalismo investigativo e independente" de nosso país, não tenha se atentado para essas questões (...). Será que estão satisfeitos com a nota publicada por Serra nos jornais se inocentando e dizendo que nada sabia? Por que para o "jornalismo independente e investigativo" o peso do "nada sabia" de Serra vale como declaração de idoneidade?
Esta "dupla medida" em relação à corrupção tucana indica o que acontecerá em um provável governo Alckmin. Pois, a respeito de Alckmin, não seria difícil lembrar aqui que, durante toda a campanha, o candidato tucano contentou-se em remixar um discurso arcaico de direita, com direito a bravata contra impostos, "gastança" pública, promessa de redução do Estado, de reformismo infinito da previdência e laivos de indignação contra a corrupção (na qual seu próprio partido está organicamente envolvido).
Ou seja, nada mais do que um candidato de direita em qualquer parte do mundo faria desde o início do século XX. Acrescenta-se a isto uma simpatia temerária por entidades proto-fascistas como a Opus Dei. Mas vale a pena tecer algumas considerações demoradas sobre os seus dois maiores pilares: ética e competência.
Podemos claramente imaginar o que acontecerá se Geraldo Alckmin ganhar a eleição. Ele irá impor uma lógica de abafamento e impedimento de CPIs que funcionou maravilhosamente bem na Assembléia Estadual de SP. Uma lógica a respeito da qual seu partido é especialista, já que os oito anos FHC foram marcados pela impossibilidade de investigar a fundo todos os escândalos que marcaram o governo. Quem não se lembra da presteza do chamado "engavetador-geral da República", Geraldo Brindeiro?
Alckmin aprendeu muito bem esta lógica, tanto que nada foi investigado a respeito das suspeitas de compra de deputados estaduais via Nossa Caixa, das suspeitas de corrupção em órgão públicos como a CDHU, o Rodoanel, as privatizações de São Paulo, as doações de vestidos à sua mulher, a subvenção à revista de seu acumputurista, entre outros tantos. São mais de 60 CPIs arquivadas. Número dificilmente superável.
O Brasil quer voltar a esta época da corrupção silenciosa e "profissional"? Basta ver que sempre quando um tucano está em linha de mira, quando um mensaleiro tucano é descoberto (Azeredo), quando uma ligação com os sanguessugas é desvendada (Serra, Antero Paes de Barros), quando esquemas de financiamento ilegal são apontados (Furnas), as investigações param, tomam outro rumo e a imprensa perde gradativamente o interesse.
Ou seja, nenhuma indignação ética pode justificar um voto em Geraldo Alckmin e seu partido. Alckmin é aquele que, diante do fato de até mesmo FHC reconhecer que seu partido não teve a mínima dignidade ética ao fazer tudo para livrar a cara de Eduardo Azeredo, respondeu nada querer falar sobre o assunto. É com este silêncio que ele tratará todos os escândalos que envolveram seu partido nos últimos dez anos. Por outro lado, sua alegada competência não resiste a uma análise isenta. Sua política desastrada de segurança pública alimentou a criação do PCC.
Ao ver o resultado desastroso de sua política de segurança, baseada apenas na truculência, no Encarceramento e no extermínio, Alckmin foi sequer capaz de uma mínima auto-crítica: "Se houvesse algum problema, eu já teria identificado", foi o que ele disse a este respeito. Retrato clássico da arrogância de quem não consegue aprender com os próprios erros. Ao contrário, ele preferiu transferir responsabilidades dizendo que o culpado era o governo federal, chegando a insinuar que algo como o PCC só poderia existir devido a algum conluio eleitoral, como se ele nada tivesse a ver com o problema. Isto a ponto de um jornalista ter-lhe dito: "Então tudo deu errado porque o senhor fez tudo certo?". Como se não bastasse, este "tocador de obras" conseguiu atrasar as datas de entrega de todas suas grandes obras. Sua política de educação colocou as universidades estaduais à míngua, algumas não têm sequer condição de pagar contas correntes. Seu secretário de Educação (Chalita) chegou mesmo a maquiar números a fim de tentar esconder os resultados calamitosos de sua política.
Não é por outra razão que, mesmo em seu Estado, Alckmin passou toda a campanha política em segundo lugar. Quem conhece Alckmin não parece disposto a votar em Alckmin. As razões acima e as dúvidas não respondidas nem pelos candidatos nem pelo "jornalismo investigativo e independente" dão a certeza de que o voto em Alckmin, de modo algum, representa o resgate da moralidade pública e, muito menos, o avanço das instituições democráticas republicanas.
Ao contrário, ele representa a volta da corrupção silenciosa, da complacência da mídia, da criminalização dos movimentos sociais e da agenda direitista mais pura e dura. Por isto, vários movimentos sociais, como o MST, a UNE e a CUT, dizem: sobretudo, não votar em Alckmin."
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Algumas coisas eu já destaquei em negrito, mas acho que vale realçar mais ainda, para o leitor pouco atento. Este Manifesto deixa os tucanos numa sinuca danada. Numa tacada só, sem enrolação, mostra que Alckmin é, ele próprio (além de todos os aliados a ele), um político corrupto, que não deixa que nenhuma investigação seja feita sobre sua corrupção (semelhanças com Aécio não são meras coincidências), que participou diretamente do escândalo das sanguessugas, que também diz que "nada sabe", que é conservador de direita, simpatizante da Opus Dei, antipático a movimentos sociais e populares, e que não investe em educação e segurança. Não quer votar em Lula? Tudo bem, mas, sobretudo, não vote em Alckmin. Você não pode fazer isso com sua consciência.
Sábado, Outubro 28, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Lula e Minas Gerais
Alguns dados sobre o que Lula fez por Minas Gerais em quatro anos. Só alguns:
- Mais de R$ 150 milhões em habitação
- R$ 3 milhões para revitalizar a Praça da Estação
- R$ 53,4 milhões para a avenida Antônio Carlos
- R$ 15 milhões para o Centro de Especialidades Médicas (ex-Cardiominas)
- R$ 57,5 milhões para o Anel Rodoviário
- R$ 18 milhões para o desassoreamento da Lagoa da Pampulha
- R$ 2 milhões para reformar Avenida Vilarinho
- R$ 123 milhões para o programa Saneamento para Todos
- R$ 138 milhões para o programa Vila Viva (aglomerado da Serra)
- R$ Mais R$ 42,8 milhões em obras de urbanização de Vilas e Favelas
- R$ 100 milhões para o Programa de Saneamento Ambiental de BH (Drenurbs)
- R$ 42,4 milhões em obras viárias (BHBus)
- R$ 14,3 milhões em outras obras e investimentos
- Um milhão e 200 mil famílias mineiras no Bolsa Família
- 16 mil pessoas diariamente nos Restaurantes Populares de Minas
- 113.782 crianças e adolescentes praticando esporte gratuito depois da aula
- R$ 396,31 milhões para turismo e pequenas obras de infra-estrutura
- R$ 16,8 bilhões para agricultura entre janeiro de 2003 e junho de 2006
- Crédito para agricultura familiar de R$ 762 milhões só na safra 2005/2006
- Mais de 20 mil jovens atendidos pelo Projovem, Agente Jovem e Consórcio Social da Juventude
- 213.271 jovens e adultos mineiros aprenderam a ler e escrever no programa Brasil Alfabetizado
- 22,4 mil Agentes Comunitários de Saúde e 3.286 equipes de Saúde da Família atendendo milhões de mineiros pelo programa Saúde da Família.
- 1.301 equipes de Saúde Bucal atuando no estado e 71 Centros de Especialização Odontológica instalados pelo programa Brasil Sorridente
- 35.600 crianças mineiras retiradas do trabalho infantil e recebendo bolsa
- 488 mil mineiros ganharam acesso à energia elétrica e outras 211 mil terão o benefício até o final deste ano, pelo programa Luz para Todos
- R$ 3,4 bilhões investidos em habitação, beneficiando 207,9 mil famílias e gerando 220 mil empregos na construção
- R$ 1,7 bilhão de investimentos em abastecimento de água e coleta e tratamento de esgotos
- R$ 2,24 milhões na construção da Penitenciária Padrão do Sul de Minas, em Pará de Minas, e R$ 57,74 milhões no aparelhamento da PM mineira.
E esses dados se referem somente a Minas Gerais.
Sábado, Outubro 28, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Eleição é comparação. Vamos comparar?
Complementando todos os motivos dados por José de Castro no último post, o professor de Ética e Filosofia Política da USP Renato Janine Ribeiro traz mais motivos para votar em Lula. E fala tudo, de maneira completa, numa linguagem simples e inquestionável. Um texto mais que adequado para se ler na véspera das eleições. E divulgar! O artigo foi publicado na Folha de S. Paulo de 1º de outubro, dia das votações no primeiro turno.
POR QUE VOTO EM LULA - Democracia é maior que qualquer um de nós
Eleição não é luta do bem com o mal. É comparação. Voto em Lula porque, a meu ver, seu governo melhorou o Brasil. Ele recebeu o país com uma agenda ditada pela direita, que reduzia quase tudo à política econômica, ou pior, à monetária e à fiscal; um país que, no fim de 2001, não cumpria mais o Orçamento, sem dinheiro nem para pagar passagens de ministros, com o dólar a R$ 4 e um risco-Brasil enorme. Ora, o governo de centro-esquerda foi capaz de acalmar a economia, de baixar o risco, de aumentar as exportações, enfim, de cumprir uma agenda econômica que não era sua prioridade, nem a dos movimentos populares, e isso sem privatizar nada, sem desfazer o patrimônio público.
Mais, ainda: Lula colocou na política brasileira, de modo definitivo, uma agenda social importante. E com êxito. Segundo Maria Inês Nassif ("Valor Econômico", 24/8), o maior rigor em programas como o Bolsa-Família e os do Ministério das Cidades "desintermediou o voto da população pobre, que antes passava pelo chefe local". Se isso é certo, não há paternalismo na atual política de promoção social. Não adianta ficar inventando que Lula se proclamou "pai dos pobres". Alguns jornalistas dizem isso, mas nunca informam quando o presidente teria usado uma linguagem tão contrária a suas crenças para se referir a si próprio. Tudo indica que há menos paternalismo agora do que antes.
É engraçado: quando se banhava de dinheiro o grande capital (empréstimos do BNDES a juros baixos para privatizar estatais), a opinião dominante chamava isso de progresso, mas, quando se dá dinheiro aos mais pobres, para comerem e se vestirem melhor, a mesma opinião dominante entende que dinheiro nas mãos de pobres não presta. Discordo disso.
Quero uma sociedade democrática. Isso significa, em primeiro lugar, o fim da miséria, a redução da desigualdade social. No horizonte político brasileiro, não vejo força melhor que a coligação de esquerda para promover esse salto qualitativo. Ela tem sido capaz de melhorar as condições sociais com uma temperatura baixa de conflitos, ao contrário do que diziam seus detratores. O país não pegou fogo. O saldo do governo é positivo: a questão social está sendo bem orientada.
Agora vamos à questão ética. No governo atual o procurador-geral não engaveta processos, a Polícia Federal age, CPIs funcionam. Já seu principal adversário impediu 60 CPIs de funcionar na Assembléia paulista, deixou uma política de segurança prepotente e ineficaz (porque acabamos sob o domínio do PCC) e uma política de educação que não é das melhores. Eleição é comparação. Não vejo no governo Alckmin superioridade ética sobre o governo Lula.
Contudo, há satisfações que o PT deve à sociedade. Os escândalos mostram que ele é um partido mais "normal" do que imaginava ser. Humildade não faz mal. O PT tem seus defeitos. Deve contas ao Brasil. Tem de fazer uma faxina interna e punir quem errou. Mas, ainda assim, consegue governar melhor que os outros. Aliás, seria bom o país todo fazer um exame de consciência. Com o financiamento privado de eleições, a porta se escancara para a negociata. Deveríamos priorizar em 2007 a reforma política, com fidelidade partidária, condições mais equilibradas de financiamento às candidaturas e talvez até o voto distrital.
Uma eleição não é uma guerra. Amanhã e sempre, teremos de conviver, quem votou em Lula ou nos outros candidatos. Precisa cessar o terror discursivo, a ameaça ao voto universal. Este é o segundo ponto em que desejo uma sociedade democrática. Democracia significa respeitar o discurso do outro. Nas eleições, as pessoas se exaltam, mas é desonesto deformar o que o outro disse.
Muito do que hoje se conta sobre o PT ou sobre quem o apóia, como eu, é uma enorme caricatura. Isso amesquinha a política, que deve ser arena de adversários, não de inimigos.
Esse clima envenenado não ajuda o de que mais precisamos, não nós da esquerda, mas nós brasileiros: construir alianças, trabalho em conjunto, convergências. A sociedade é maior que a política. O Brasil é maior que os partidos. A pequena ambição não pode erodir nossas oportunidades.
Podemos enfrentar a miséria, melhorar a educação e a saúde, integrar os excluídos. Penso que Lula é o mais adequado, hoje, para dirigir o governo neste rumo mas penso também que este tem de ser um projeto de sociedade, e não apenas de governo. Não estamos, hoje, terceirizando a solução de nossos problemas. Estamos elegendo o mais apto a dirigir um esforço que deve ser maior do que ele e do que qualquer um de nós.
Sábado, Outubro 28, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Já decidi: voto em Lula
No primeiro turno, votei em Cristovam Buarque. Agora, já decidi: não voto em Geraldo Alckmin.
Tenho muitas razões para isso. Uma delas, o fato de ele ser do PSDB e ter participado, com entusiasmo, no processo de privatização que transferiu boa parte da riqueza brasileira - sobretudo a riqueza mineral - para o capital estrangeiro. Ou então para o capital privado nacional subordinado ao capital estrangeiro, um caminho sem volta, mas ainda incompleto, pois a Petrobrás continua sob o controle da União.
Geraldo é um político do PSDB, o mesmo partido de Fernando Henrique Cardoso, que em maio de 1997 vendeu o controle da Companhia Vale do Rio Doce, maior mineradora de minério-de-ferro do mundo, por R$ 3,3 bilhões, ou cerca de 3,3 bilhões de dólares. Nesta semana, a Vale anunciou a compra da Inco, segunda maior produtora mundial de níquel, por mais de 17 bilhões de dólares. Com isso, a Vale se torna a segunda maior mineradora do mundo. Mas não há motivos para oba-oba, pois tudo indica que a Vale hoje pertence de fato ao capital estrangeiro.
A composição acionária da Vale é uma caixa-preta que existe desde o leilão de privatização: o Bradesco, que não podia participar do leilão, por ter feito parte do consórcio que avaliou a Vale e fixou aquele preço ridículo, é dono, por intermédio do Bradespar, de 17,4% do Consórcio Valepar, que comanda a Vale, por ter maioria das ações ordinárias, com direito a voto. O Valepar detém apenas 32,5% do capital total da Vale e desse consórcio faz parte a japonesa Mitsui, com 15% de participação. Dos restantes 67,5% do capital social, o governo federal tem 5,5%, e investidores estrangeiros 41%. Nada menos que 62% das ações totais são negociadas nas bolsas de valores de Nova York e São Paulo, onde qualquer um - brasileiro ou não - pode comprar e vender livremente.
O valor de mercado das ações da Vale, antes da aquisição da Inco, era estimado em quase 60 bilhões de dólares (era a segunda mais valiosa empresa brasileira, atrás apenas da Petrobrás) e ninguém sabe calcular o valor de suas reservas em minério. Fala-se em mais de 1 trilhão de dólares.
Mas não é apenas o viés econômico privatizante de Geraldo que me preocupa. Nas entrevistas, ele tem-se mostrado um tanto superficial, sem argumentação profunda, mais estatístico e polêmico. De um governante, espera-se que explicite o exercício do poder em benefício da causa pública, dentro de prioridades que têm de obedecer a uma hierarquia de valores - como me disse alguém cujo pensamento e experiência de vida eu respeito.
Se não voto em Geraldo e não anulo meu voto e nem voto em branco, voto então em Lula. Mas voto de olhos bem abertos. Conheço boa parte de seus defeitos e algumas de suas virtudes. Li e reli o que foi dito de seu governo e de seu partido, para o bem e para o mal. Sobretudo nesta campanha em prol da candidatura Lula, feita neste Tamos com Raiva pela Cris - que também não é petista.
Sei que Lula vai ter pela frente, nos próximos quatro anos, uma tarefa quase impossível para cumprir a necessária promessa de transferir bens dos ricos para os pobres, neste país que é o campeão mundial de desigualdade social e perito em transferir seus bens minerais para capitalistas estrangeiros.
No último domingo, a Folha de S. Paulo publicou levantamento, mostrando que um em cada três deputados federais eleitos no começo de outubro é milionário. Ou seja, dos 513 parlamentares que assumem o cargo em janeiro do ano que vem, 165 declararam ter patrimônio superior a R$ 1 milhão. Eu já havia feito levantamento, publicado aqui, que revela ser a situação da futura bancada mineira na Câmara ainda pior: quase 50%, ou 25 dos 53 futuros deputados federais mineiros 25 são milionários.
Em todo o país, segundo a Folha, "são 49 milionários eleitos a mais do que em 2002 (quando foram eleitos 116 milionários). Dos 165 deputados com mais de R$ 1 milhão, 74 são novatos e 91 estão na atual legislatura. O patrimônio médio do parlamentar eleito também aumentou: foi de R$ 2,2 milhões para R$ 2,5 milhões. No total, os 513 parlamentares têm juntos R$ 1,2 bilhão - R$ 128 milhões a mais que os eleitos para a Câmara há quatro anos".
Com tal bancada poderosa de milionários, que têm muitos motivos para defender seus privilégios, é possível prever o que Lula terá pela frente. Por outro lado, não há dúvida que tal poderosa bancada tudo faria para reforçar a predisposição de Geraldo, caso este seja eleito, para trabalhar em favor dos ricos.
Para se contrapor a esse poder endinheirado na Câmara dos Deputados, Lula terá que reforçar seu próprio partido, que também já foi, de certa forma, cooptado pelos milionários. Em Minas, o candidato petista mais votado para a Câmara dos Deputados, com 110 mil votos, é um novato na política. Trata-se do advogado Juvenil Alves Ferreira Filho, 47 anos, que declarou bens de R$ 6,48 milhões. É a primeira vez que um milionário se candidata pelo PT mineiro.
No primeiro mandato, Lula governou com a ala mais à direita do PT, formada pelos defensores, antigamente, do chamado PT de Massas, em oposição ao PT mais à esquerda, que defendia a luta pelo socialismo. Para dirigir o PT, foi criada nos últimos dez ou quinze anos uma burocracia profissionalizada fiel aos dirigentes (sobretudo a Lula, José Dirceu e José Genoíno). Essa burocracia petista empenhou-se, nos últimos quatro anos, em vencer a briga pelo espaço público. A conquista do poder "deixou a todos envaidecidos e cheios de si", como definiu uma cientista política e fundadora do PT, em livro que será publicado em breve.
Portanto, além de promover mudanças no PT, Lula terá que cooptar os melhores quadros dos demais partidos, inclusive do PSDB. Se conseguir fazer uma reforma partidária, poderá até constituir um novo partido que congregue o que temos de melhor na política.
Não será uma tarefa fácil, mas Lula parece que já aprendeu que não será mais possível governar à base do mensalão. A imprensa, mais do que nunca, com os olhos voltados para 2010, estará atenta a qualquer escorregão de seu governo. Mais uma vez, a imprensa brasileira orientada pelo poder econômico tentará impor a volta do PSDB ao poder daqui a quatro anos.
Aliás, mais um bom motivo para votar em Lula, pois, ganhando Geraldo, correremos o risco de ter, em nível nacional, o que se assiste em Minas com o governo Aécio Neves e, em São Paulo, com o governo Alckmin e o atual governo paulista - uma imprensa totalmente avessa a expor os erros do governo estadual, para não atrapalhar a expectativa do governador de chegar ao Palácio do Planalto.
Para não cansá-los mais ainda, fico por aqui. Acho que o exposto já justifica meu voto em Lula.
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Realmente, motivos não faltam...
Sexta-feira, Outubro 27, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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O que está em jogo também?
Agora a resposta do teólogo e escritor Leonardo Boff, que também dispensa maiores apresentações.
"Quem derrotou Lula não foi Geraldo Alckmin mas o próprio partido do Presidente, o PT. O destemor insano de altos dirigentes petistas pôs a perder uma vitória garantida de Lula já no primeiro turno. O que pesou mesmo não foi tanto o escândalo do dossiê contra o candidato Serra, pois dossiês sempre existiram, fabricados por políticos afeitos à intimidação e ao manejo da mentira como arma política. A ausência de Lula no debate final contou negativamente mas não foi o decisivo.
O que destroçou o PT e atravancou o caminho da vitória foi a mostragem por todos os meios de comunicação da montanha de dinheiro para a compra do dossiê. Mais de 30% da população trabalhadora não ganha mais que um salário mínimo. Quando vê toda essa dinheirama se enche de auto-vergonha e pensa: meu trabalho não vale nada mesmo; nem que vivesse duas vidas acumularia tanto dinheiro quanto aquele mostrado aí. E esses corruptos tiraram de onde esse dinheiro? A indignação não tem tamanho. Políticos que usam esses expedientes mereceriam a excomunhão política e religiosa, tão grande é seu pecado contra o povo, sua dignidade e a economia popular.
Pode ocorrer um impasse jurídico, policial e institucional nas investigações do dossiê, especialmente se seu conteúdo for revelado, coisa que ainda não se fez e que pode eventualmente incriminar a gestão do PSDB quando começou a corrupção das ambulâncias. Mesmo assim o segundo turno traz também lá a suas vantagens: finalmente se criará a oportunidade de confrontar dois projetos de Brasil.
Geraldo Alckmin representa o velho projeto das classes dominantes. Não sem razão os banqueiros e os grandes industriais o apoiaram, pois sentem afinidade de classe e comunhão de propósitos: garantir políticas ricas para os ricos e pobres para os pobres. Notoriamente não possui carisma e não apresenta nada de realmente inovador, capaz de suscitar uma nova esperança. A retórica que usa é despistadora. Mas cabe à análise pôr à luz os interesses de classe ocultos. A macroeconomia que enfeudou a política, seguirá seu curso neoliberal deixando fatalmente anêmica a política social. Sua vitória representará o retorno daqueles que sempre construíram um Brasil para si, sem o povo ou contra o povo.
Lula dá corpo a um projeto de mudança. Apesar dos constrangimentos encontrados num ambiente hegemonicamente neoliberal, tentou, com relativo sucesso, fazer a transição de um estado elitista e privatista para um estado republicano e social. Agora ele se vê obrigado a definir claramente seu projeto: dar a centralidade ao povo destituído, garantir seus meios de vida e sua inclusão cidadã. Para isso ele precisa se reaproximar de sua base real de sustentação: os movimentos sociais organizados e a imensidão dos excluidos. Esses poderão inviabilizar qualquer ameaça de impeachment. Tirar Lula é tirar nosso poder, dirão, é anular nossa vitória, é abortar nossa esperança.
Para se diferenciar claramente de Alckmin, Lula deverá mexer em pontos importantes da macroeconomia para que ela seja de fato o sustentáculo de uma política social maciça. Deverá ter a coragem de colocar um gesto fundador de um novo Brasil: retomar o projeto de Plínio Arruda Sampaio, um dos que melhor entende de reforma agrária, e realizá-lo integralmente a fim de fixar o camponês no campo e desinchar as cidades favelizadas. Aí sim se consolidará seu governo, inaugurando a transformação social possível para o Brasil."
Quinta-feira, Outubro 26, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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O que está em jogo?
A Agência Carta Maior propôs um debate com a seguinte questão: O que está em jogo no 2º Turno? Alguns pensadores respeitados responderam. O primeiro que posto hoje, para nossa reflexão, é Emir Sader, que dispensa apresentações. Ele escreveu no dia 2 de outubro e trouxe ao nosso debate questões novas, como a política internacional de Lula e de Alckmin. Bom proveito:
"O que está em jogo no segundo turno não é apenas se a Petrobrás vai ser privatizada - como afirma o assessor de Alckmin, Mendonça de Barros, à revista Exame - e, com ela, o Banco do Brasil, a Caixa Economia Federal, a Eletrobrás.
O que está em jogo no segundo turno não é apenas se os movimentos sociais voltarão a ser criminalizados e reprimidos pelo governo federal.
O que está em jogo no segundo turno não é apenas se o Brasil seguirá privilegiando sua política externa de alianças com a Argentina, a Bolívia, a Venezuela, o Uruguai, Cuba, assim como os países do Sul do mundo, ao invés da subordinação à política dos EUA.
O que está em jogo no segundo turno não é apenas se retornará a política de privataria na educação.
O que está em jogo no segundo turno não é apenas se a política cultural será centrada no financiamento privado.
O que está em jogo no segundo turno não é apenas se teremos menos ou mais empregos precários, menos ou mais empregos com carteira de trabalho.
O que está em jogo no segundo turno não é apenas se haverá mais ou menos investimentos públicos em áreas como energia, comunicações, rodovias, saneamento básico, educação, saúde, cultura.
O que está em jogo no segundo turno não é apenas se seguiremos diminuindo as desigualdades no Brasil mediante políticas sociais redistributivas - micro-crédito, aumento do poder aquisitivo real do salário mínimo, diminuição do preço dos produtos da cesta básica, bolsa-família, eletrificação rural, entre outros - ou se voltaremos às políticas tucano-pefelistas do governo FHC.
O que está em jogo no segundo turno é tudo isso - o que, por si só, é de uma enorme proporção e já faz diferença entre os dois candidatos. O que está sobretudo em jogo nos segundo turno é a inserção internacional do Brasil, com conseqüências diretas para o destino futuro do país.
Com Lula se manterá a política que privilegia a integração regional e as alianças Sul/Sul, que se opõem à Alca em favor do Mercosul. Com Alckmin se privilegiariam as políticas de livre comércio: Alca, assinatura de Tratado de Livre Comércio com os EUA, isolamento da Alba, debilitamento do Mercosul, da Comunidade Sul-Americana, das alianças com a África do Sul e a Índia, o Grupo dos 20.
O que está em jogo no segundo turno é a definição sobre se o Brasil vai subordinar seu futuro com políticas de livre comércio ou se o fará em processos de integração regional. Isso faz uma diferença fundamental para o futuro do Brasil e da América Latina. Adotar o livre comércio é abrir definitivamente a economia do país para os grandes monopólios internacionais - norte-americanos em particular -, é renunciar a definir qualquer forma de regulamentação interna - de meio ambiente, de moeda, de política de cotas, etc. É condenar o Brasil definitivamente à centralidade das políticas de mercado, com a perpetuação das desigualdades que fazem do nosso o país mais injusto do mundo.
O que está em jogo no segundo turno então é se teremos um país menos injusto ou mais injusto, se teremos um país mais soberano ou mais subordinado, se teremos um país mais democrático ou menos democrático, se teremos um país ou se nos tornaremos definitivamente um mercado especulativo e nos consolidaremos como um país conservador dirigido pelas elites oligárquicas (como um mistura de Daslu mais Opus Dei). Se seremos um país, uma sociedade, uma nação - democrático e soberanos - ou se seremos reduzidos a uma bolsa de valores, a um shopping center cercado de miséria por todos os lados.
Tudo isto está em jogo no segundo turno. Diante disso ninguém pode ser neutro, ninguém pode ser eqüidistante, ninguém pode ser indiferente."
Quarta-feira, Outubro 25, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Outro Chico vota em Lula
Depois de lermos o depoimento do Chico Buarque, é a vez de conhecer as idéias do respeitado sociólogo pernambucano Chico de Oliveira. Filiado ao PSOL, ele votou em Heloísa Helena no primeiro turno, mas decidiu não anular seu voto agora e declarou o apoio ao Lula. A entrevista foi concedida a Flávio Aguiar e Gilberto Maringoni, em 18 de outubro, na Carta Maior. O gabarito desse Chico vocês podem ver no perfil traçado pelos jornalistas, antes da entrevista propriamente dita.
"Agora voto em Lula"
Chico de Oliveira, 72 anos, é um dos mais respeitados sociólogos brasileiros. Pernambucano de Recife, ele é professor titular aposentado do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP e coordenador do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da mesma faculdade. É autor, entre outros, do hoje clássico "Crítica à Razão Dualista/O ornitorrinco" (Boitempo). Co-fundador do PSOL depois de ter deixado o PT no ano passado, Chico fala nesta entrevista dos impasses do governo Lula, das diferenças de projetos entre as candidaturas do PSDB e do PT e explica porque, depois de votar na senadora Heloísa Helena, agora vai de Lula. A seguir, os principais trechos de sua entrevista.
Carta Maior - O que está em jogo nestas eleições?
Chico Oliveira - Há duas coisas em disputa. Há uma corrida feroz em direção aos fundos que o Estado ainda controla, como os recursos do BNDES e do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). O BNDES é o maior banco de investimentos do mundo e deixa bem para trás o Banco Mundial. O Estado orienta os fundos de pensão. E há disputa pelos benefícios gerados a partir da dívida pública, que beneficiam cerca de 20 mil famílias, segundo pesquisa do professor Márcio Pochmann, da Unicamp. Essas 20 mil famílias lucram com a dívida pública, mas não a gerem. Que gere é o Estado. A diferença maior entre as orientações de Lula e de Alckmin, em termos amplos, é que o segundo promoveria uma privatização acelerada do que resta de ativos em mãos do estado. Lembremo-nos que, segundo os levantamentos de Aloysio Biondi, em dez anos, entre os governos Collor e FHC, privatizou-se cerca de 15% do PIB.
CM - Mas não há uma continuidade do projeto do governo FHC na gestão Lula? Qual a disputa real?
CO - A continuidade faz parte da disputa pela hegemonia na sociedade. Se nos lembrarmos da lição gramsciana, hegemonia é 80% consenso e 20% violência. Há um projeto em andamento na sociedade, que atrai os setores do topo e os setores miseráveis e o povão. Se Lula tem esse projeto político na cabeça, trata-se de um gênio político. Eu acho que ele não tem, pois age muito mais por intuição do que por planos pré-definidos. Ele atua levando as práticas do movimento sindical para uma esfera maior. Como se trata de disputa de hegemonia e não de uma revolução, é natural que ele não queira acirrar os ânimos em muitas situações de conflito. Ambos ¿ PT e PSDB - têm projetos capitalistas, mas diferentes em sua forma.
CM - A elite não tem como suportar a chegada do povo sequer aos jardins da casa grande, não?
CO - Não, porque construímos um país de desigualdade abissal. Com uma situação dessas, só é possível exercer a dominação de classe sem mediações. Por isso nós tivemos, na média, durante o período republicano, um golpe ou tentativa de golpe a cada três anos. As próprias classes burguesas estão a uma distância muito grande do povo. Nessa situação, o sistema político e os partidos perdem totalmente seu sentido. Isso explica muito a aliança de Lula com Jader Barbalho, os elogios feitos a Delfim Neto e outros. É claro que os movimentos circunstanciais explicam esse tipo de aliança. Mas ela está construída num projeto mais amplo. Talvez o projeto não esteja pré-definido e venha sendo construído pelo Lula intuitivamente. Quando ele afirma ficar chateado pelo fato de os ricos não gostarem dele, está expressando esse projeto de hegemonia, de ligar dois extremos sociais. A aproximação com o Jader está dentro disso.
CM - Como o sr. vê a mudança tática que o Lula fez nas duas últimas semanas de campanha? Ele conseguiu sair do terreno que o Alckmin queria colocar o embate - o do moralismo - e passou para o da política, através do debate das privatizações.
CO - Sem dúvida ele é um tático muito bom, não sei se é um estrategista. Não sei se ele tem alguma coisa mais consistente por trás. Se tiver, repito, trata-se de um gênio político. Mas acho que tudo funciona através da intuição.
CM - Com tudo isso, por que considerar a possibilidade de se votar em Lula no segundo turno?
CO - Acho que a reeleição é uma nova eleição. Os espaços que tínhamos em 2002, de outra forma, voltam a se apresentar, como a questão das privatizações. Esse era um tema proibido durante o governo Lula e ainda mais na era de FHC. Os que dissentiram foram marginalizados. Por que esse tema volta agora a ser central? Por que se abre uma nova disputa. Por isso, eu considero a possibilidade de se votar em Lula. Várias forças que atuaram dentro do PT voltam a ter chance de disputar esse governo. Estou disposto a voltar a correr esse risco, embora o governo não me agrade, seja capitalista e poderia ter avançado muito mais.
CM - Como o sr. vê a campanha pelo voto nulo?
CO - Acho um equívoco e não por questões morais. Há um espaço que pode se alargar. Há diferenças entre o governo Lula e um possível governo Alckmin. Não espero mudanças na política econômica, ela continuará mesma. Mas há uma pequena chance de mudança. Por isso voto em Lula agora. E devemos usar oportunisticamente o fato de Lula precisar de votos agora, para colocar reivindicações que seu governo soterrou. Temos de atacar pelo lado social.
CM - O sr. filiou-se ao PSOL e seu partido tem outra posição...
CO - Há um equívoco no PSOL neste caso. Votei no primeiro turno em Heloísa Helena. Mas logo ela começou a desandar. Ela perdeu o voto de minha mulher quando, numa entrevista para a Globo disse, sobre o tema do PCC, que multiplicaria por dez o número de prisões. Minha mulher virou-se para mim e disse: "Aqui acabou meu apoio".
CM - Que mudanças o sr. espera de um futuro governo Lula?
CO - Se depender apenas das forças que apóiam Lula e da dinâmica que ele ganhou em quatro anos, não haverá mudança. Dependerá de nós, de um impulso vindo de fora. Há uma crença arraigada no Brasil de que é nos manches do estado que as coisas se solucionam. Em parte é verdade. Mas para se realizarem mudanças reais é necessário ativar a sociedade civil. Temos de incentivar muita coisa para influir. Não gosto muito de usar a expressão "movimentos sociais", porque, fora o MST, não sei onde eles estão. Temos literalmente de encher o saco de um segundo mandato de Lula. Não podemos deixar em paz um próximo governo Lula. Se ele conseguir realizar seu projeto hegemônico com as orientações atuais, o futuro será sombrio. Teríamos de construir uma plataforma mínima, com alguns pontos básicos, como dar ao Bolsa-família o status de emenda constitucional e entrega-la à Previdência social, um dos órgãos públicos mais sérios deste país. Nas privatizações, há que se auditar e reestatizar algumas atividades. Mas eu não quero colocar condicionalidades para a votar em Lula, porque ele não vai ligar para isso. Precisamos é de uma pauta para orientar nossa ação.
Terça-feira, Outubro 24, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Voto contra o preconceito - parte II
Mais um texto sobre esse assunto, publicado no mesmo site, no dia 14 de outubro, por Cláudio González. É um artigo bastante completo, rico de informações sobre o preconceito contra Lula (na mídia, entre candidatos, entre o povo, etc), em suas várias facetas (étnico, de classe, regional, etc). Apesar de grande, vale muito a pena ler e divulgar! Para enriquecer nossa reflexão:
Discurso preconceituoso e racista ganha força na campanha anti-Lula
Luiz Inácio Lula da Silva tem sido vítima e discursos preconceituosos desde que disputou pela primeira vez um cargo executivo (em 1982). Mas na atual disputa eleitoral, com o crescente protagonismo da internet na campanha, o nível de baixaria e preconceito contra Lula chegou a níveis nunca antes observados numa eleição presidencial.
O portal de relacionamentos Orkut foi alvo, recentemente, de processos judiciais que denunciam a utilização do site para a propagação de idéias racistas, preconceituosas e moralmente ofensivas. Como reação às denúncias, a Google Inc., controladora do Orkut, determinou a retirada de todas as comunidades que contivessem conteúdo inapropriado.
Mas o que a Google não se deu conta ainda é que o "perigo" mora também em ambientes onde não se imagina que o preconceito e o racismo vão prosperar. Comunidades criadas no rastro do processo eleitoral, como as que são dedicadas às candidaturas presidenciais, são diariamente bombardeadas com mensagens de ódio e preconceito. Na comunidade "Nós votamos LULA Presidente 13", a todo momento são denunciadas mensagens de conteúdo racista e preconceituoso, em geral disparadas por pessoas que se auto-declaram anti-Lula e de alguns que se definem como apoiadores da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB).
É preciso ressaltar, porém, que o site oficial do candidato Geraldo Alckmin, em nenhum momento reproduziu, repercutiu ou incentivou qualquer mensagem deste tipo.
"Pobre", "nordestino" "ignorante"...
Um dos comentários mais polêmicos foi de um usuário do Orkut que proclamou que Alckmin "não irá precisar dos nordestinos" se for eleito presidente. Um outro usuário chegou a espalhar uma imagem propondo a divisão do país em duas partes: o Norte e Nordeste ficaria sob a presidência de Lula e o Sul, Sudeste e Centro-Oeste sob o comando de Alckmin. Outro usuário, escreveu "o pobre é burro por natureza, ele vota no Lula para continuar pobre".
Devido à enorme quantidade, seria impossível listar todas as mensagens de cunho preconceituoso que percorrem o Orkut diariamente, mas o tom de todas elas é sempre muito parecido.
As "peças" de propaganda anti-Lula não ficam restritas ao Orkut. Elas se espalham pela Internet com uma velocidade espantosa. É difícil encontrar um usuário de internet que não tenha recebido em sua caixa postal eletrônica pelo menos uma mensagem que qualifica o presidente como "ignorante", "iletrado", "nordestino burro", "operário cachaceiro" e outras tantas de calão ainda mais baixo. E nos últimos tempos, esta adjetivação deplorável passou a ser estendida também aos eleitores do presidente.
Uma das mensagens que mais se propagaram através de e-mails foi uma falsa carta atribuída, também falsamente, a uma pessoa de nome Otacílio na qual se registrava: "Senhor Lula, o senhor foi colocado onde está por pessoas tão ignorantes quanto o senhor".
Mas a difamação é tamanha que a campanha de Lula precisou criar um boletim chamado "Boletim anti-vírus", destinado a desmentir e criticar as mensagens espalhadas pela Internet. Segundo texto deste boletim, parte significativa das mensagens anti-Lula que circulam na Internet é constituída de charges, piadas, fotos e frases depreciativas contra o presidente da República. Há de tudo: de mentiroso a analfabeto, passando por bêbado.
"Claro que se trata de grosseria, pura e simples. Mas, no fundo, estamos diante de um velho e lamentável conhecido: o preconceito de classe. Numa de suas variantes, o trabalhador não teria condições de governar o país, porque não teria a "alta cultura" exigida para tanto", diz o boletim.
Deficiência vira motivo de piada e peças de campanha
Fora da Internet (mas alimentada por ela) o preconceito ganha forma através de peças de campanha como adesivos e panfletos apócrifos. Na região Sul, apoiadores de Alckmin distribuíram nas últimas semanas adesivos mostrando a figura de uma mão, com quatro dedos, dentro de um círculo cortado pela tarja símbolo de "proibido".
A militância pró-Lula reagiu à ofensa e criou um outro adesivo, que mostra o desenho de uma mão aberta em "L", símbolo das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado dos dizeres "Sou contra o preconceito, sou Lula". A iniciativa foi do deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que mantém em seu site modelos do adesivo e comentários sobre a campanha preconceituosa dos adversários de Lula.
O presidente perdeu o dedo mínimo da mão esquerda num acidente de trabalho, quando era torneiro mecânico em fábrica do ABC paulista. Também a Associação Paranaense de Deficientes se mostrou indignada com a imagem, que incentivaria o preconceito.
Segundo o assessor da campanha de Lula no Paraná, Fernando César de Oliveira, o adesivo está disseminado em Curitiba e no interior do Estado. O material também foi visto em Goiânia e São Paulo. Em Porto Alegre, o mesmo material foi apreendido no último domingo. Ele era distribuído por correligionários da coligação Rio Grande Afirmativo, de Yeda Crusius (PSDB). A juíza eleitoral Ângela Maria Silveira determinou busca e apreensão dos adesivos por considerar que promoviam manifestação preconceituosa em relação ao presidente.
Um leitor do Vermelho que prefere não se identificar, enviou uma mensagem ao portal lamentando a campanha anti-Lula que explora a deficiência do presidente. Ele afirma que, na empresa onde trabalha, recebeu um e-mail contendo uma imagem explorando de forma jocosa os quatro dedos de Lula. "Além de confundir o eleitor mais simples, é extremamente preconceituoso. Recebi este e-mail do meu gerente e fiquei chateado, pois também perdi parte do indicador e médio da mão direita", protesta.
Lideranças derrapam em comentários polêmicos
Mas o discurso preconceituoso não está impregnado apenas na "militância" que faz a campanha de Alckmin acontecer. Lideranças
importantes do PSDB, como o recém-eleito governador de São Paulo, José Serra, e até o vice na chapa de Geraldo Alckmin, o senador José Jorge (PFL-PE), já foram flagrados em comentários polêmicos. Isso sem falar na já clássica frase do pefelista Jorge Bornhausen sobre "acabar com essa raça" de petistas.
No último dia 16 de agosto, durante uma entrevista ao programa SPTV, da Rede Globo, José Serra afirmou que parte da culpa pelos maus resultados da educação no estado de São Paulo seria dos migrantes. "Diferentemente dos Estados do Sul [que foram os primeiros colocados na avaliação], São Paulo tem muita migração. Muita gente que continua chegando... Este é um problema", afirmou Serra.
Já o vice de Alckmin, senador José Jorge, comentou que a votação de Lula no primeiro turno seria prejudicada por causa dos eleitores nordestinos que, segundo insinuação do senador, não sabem votar direito. "No Nordeste, onde o Lula tem a maioria, o aproveitamento do voto é menor, porque as pessoas erram mais", afirmou José Jorge.
E não apenas os tradicionais aliados apelam para o preconceito, mas também os novos aderentes da candidatura tucana, como o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, dão sua cota de contribuição para difamar o adversário a partir de comentários discriminatórios. Em texto publicado nesta quarta-feira (11), Garotinho, que é evangélico, repudiou os rituais de religiões afro-brasileiras. Além da manjada tradição de citar os recentes escândalos no governo, Garotinho diz que o presidente Lula fez vodu na África e "tomou banho de pipoca na Bahia". "Sempre fui um defensor da liberdade religiosa. Mas é inadmissível que um cristão renomado, que conheça a palavra de Deus, vote em Lula, sabendo o que ele faz para ganhar voto", cita Garotinho no texto.
Mídia grande também destila seu veneno
Setores da mídia conservadora também ajudam a colocar lenha nesta fogueira. Basta lembrar a lamentável reportagem da revista Veja, na qual o semanário estampou na capa a foto de uma mulher negra, título de eleitor na mão e a manchete espalhafatosa: "Ela pode decidir a eleição". A chamada de capa ainda trazia a maldosa descrição: "Nordestina, 27 anos, educação média, R$ 450 por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro". Segundo o jornalista Altamiro Borges, "o intuito evidente da capa e da reportagem interna era o de estimular o preconceito de classe contra o presidente Lula, franco favorito nas pesquisas eleitorais entre a população mais carente".
Algum tempo depois, foi a vez do jornal O Estado de São Paulo alimentar o mesmo dicurso. Em matéria do dia 25 de setembro, o Estadão afirma que "eleitor do Nordeste expressa maior tolerância com desvios do que o do Sudeste". O tom preconceituoso da matéria chocou até mesmo profissionais da grande imprensa. O jornalista Franklin Martins escreveu em seu site um texto no qual afirma que "Jogando com números de uma pesquisa do Ibope que não prova nada, a matéria tenta sustentar a tese de que os nordestinos, os pobres e os negros dão menor valor à questão ética do que os habitantes do 'Sul Maravilha', os ricos e os pobres." ... "Mas há mais. O Estadão avalia também que a pesquisa do Ibope permite estabelecer relação entre cor de pele e rigor moral: 'Os que se autodeclaram brancos são mais implacáveis com a ética: 88% não votariam num corrupto; os que se autodeclaram pardos cobram menos e 85% não votariam em indiciados por corrupção; mas os que se autodeclaram pretos são os menos rígidos com a ética: só 82% negam o voto a corruptos'. Queira-se ou não, a idéia que se passa é de que, quanto mais escurinha for a cor da pele, maior será a frouxidão com valores éticos"..."Tenha a santa paciência...", protesta Martins, certamente externando uma indignação que é de todos os brasileiros de bom senso.
Já a Folha de S. Paulo é mais cuidadosa em relação a matérias que envolvem conceitos étnicos e raciais, mas é adepta de outro tipo de preconceito: o que atinge pessoas com pouca escolaridade. Exemplo claro disso é a lista de perguntas que o jornal da família Frias havia preparado para o presidente Lula caso ele tivesse aceitado participar da sabatina agendada pelo jornal durante o primeiro turno das eleições. Entre as 50 perguntas que poderiam ser feitas, estavam algumas do tipo: "Como o sr. responde aos que o consideram um deslumbrado com o poder?", "Qual o último livro que o sr. leu? Poderia comentá-lo?" e "O sr. é extremamente católico. Já foi criticado por uma espécie de discurso messiânico. O sr. de fato considera que é melhor que seus antecessores, que é predestinado? Por quê?".
Desabafo de um eleitor
Em artigo publicado no site AfroPress, o cineasta Joel Zito de Araújo desabafa: "Para nós que temos sensibilidade e faro para o preconceito e o racismo, não será evidente o quanto de preconceito étnico (nordestino) e de classe está por trás da campanha anti-lula?"
Confesso que, também por uma questão racial e de classe, sinto nojo do que leio na imprensa e ouço da classe média que circulam em torno de mim. Não sinto nenhuma intimidade e identidade com os articulistas da Folha, de O Globo, e com esse enorme clamor udenista da classe média pela punição ética do Lula.
Esse é o mesmo povo elitista de sempre, de mentalidade colonizada que odeia a nossa luta política, as proposições de cotas, o povo real que temos. E, que nos odeiam e nos vêem como porta-vozes do atraso e do ressentimento. Vejam onde estão os principais nomes que combatem as cotas?
É por tudo isto, e pelas coisas positivas que Lula fez no campo da cultura, no campo racial, na diminuição do sofrimento daqueles que são realmente pobres, na política de estreitamento de relações sul-sul, inclusive com a África, que decidi o meu voto. Embora tudo isto que nomeio como positivo seja passível de muita crítica. Nada foi feito de forma irretocável. Mas foi um avanço.
Essas são as razões que decidi pelo voto no Lula, e que me levaram a escrever este artigo, desejando ardorosamente que esta novela ridícula acabe no próximo domingo.
Segunda-feira, Outubro 23, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Voto contra o preconceito
Desta vez, trago para nossa reflexão um texto do jornalista Luiz Manfredini, publicado em 13 de outubro no Vermelho. Ele traz colocações bastante pertinentes sobre o preconceito contra Lula por trás do voto em Alckmin, a partir das idéias de Chico Buarque a da professora Andréa Caldas, da Universidade Federal do Paraná. Vale a pena ler e pensar a respeito.
De volta à senzala
Começou a circular, no último final de semana, em Curitiba, um adesivo com o desenho de uma mão com os dedos indicador e polegar formando um "L" e os dizeres "Sou contra o preconceito. Sou Lula". O adesivo é resposta a um outro, apócrifo, que estampa o desenho de uma mão aberta, amputada do mindinho, dentro de um círculo e atravessada por uma tarja de proibido, em diagonal, com a palavra-de-ordem "Fora Lula". Esse adesivo circula desde o final do primeiro turno, ao que se sabe em várias capitais do País.
A coordenação da campanha de Lula no Paraná requereu à Justiça Eleitoral a apreensão do adesivo e uma investigação de autoria. O juiz Roberto Bacellar, no entanto, indeferiu o pedido, alegando não ver conotação política na peça.
O adesivo, flagrantemente preconceituoso, soma-se às mensagens pela Internet, a certo noticiário da mídia e a um discurso com livre trânsito na classe média, tudo isso execrando nem tanto o governo, como a figura de Lula, seus gestos, sua indumentária, seu histórico, suas palavras, sua escolaridade, sua qualificação intelectual, etc., etc., etc. É miúdo - quase inexistente - o debate sobre a ação governamental propriamente dita. É superlativo o, digamos, nojo com que certos segmentos médios da sociedade tratam o Presidente da República e candidato à reeleição. Em outras palavras: não há argumentos, há preconceitos.
Vamos ao velho e sábio Houaiss: Preconceito - 1) qualquer opinião ou sentimento, quer favorável quer desfavorável, concebido sem exame crítico; 2) atitude, sentimento ou parecer insensato, especialmente de natureza hostil, assumido em conseqüência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.
Então é isso: nada de reflexão, de debate, de racionalidade; tudo de ojeriza à figura do Presidente. Ou seja: não conheço, mas não gosto. O preconceito é assim.
No caso de Lula, a aversão de que é vítima nos extratos superiores e médios da sociedade, contém um sentido nitidamente de classe. Não tenho registro de tanto preconceito de classe num confronto político-institucional como o que cerca a atual sucessão.
Os confrontos anteriores, por mais virulentos, costumavam envolver membros das classes dominantes portadores de orientações políticas conflitantes. Getúlio e Jango, dois personagens emblemáticos do confronto político brasileiro no século 20, eram estancieiros que, a partir de determinadas circunstâncias, ergueram bandeiras favoráveis aos trabalhadores e à soberania nacional. A direita golpista os massacrou como que diante de ovelhas negras de uma mesma família que se atreveram a defender alguns interesses distintos de sua classe.
Agora, diante de Lula, egresso dos retirantes nordestinos, das metalúrgicas do ABC e dos embates sindicais, a reação difere em
extensão e ferocidade. Lula, afinal, não é a ovelha negra que, eventualmente, se desgarrou. Não. É o líder de outra classe, que reúne
em torno de si classes e sub-classes estruturalmente opostas às oligarquias e à grande burguesia avassalada ao capital internacional.
Há pouco, o sempre lúcido Chico Buarque declarou: "O preconceito de classe contra Lula continua existindo - e em graus até mais elevados. A maneira como ele é insultado eu nunca vi igual. Acaba inclusive sendo contraproducente para quem agride, porque o sujeito mais humilde ouve e pensa: 'Que história é essa de burro? De ignorante? De imbecil?' Não me lembro de ninguém falar coisas assim antes, nem de Collor. 'Vagabundo! Ladrão! Assassino!' - até assassino já ouvi."
Não se pense que este óleo do preconceito provém apenas do rasteiro dessa tal classe média. Há uma certa intelectualidade que procura conferir suporte teórico ao senso comum.
A esse propósito, recebi e desejo repercutir entre os milhares de brasileiros que acessam diariamente o Vermelho, o artigo "A crise da intelectualidade e o resultado eleitoral", da professora Andréa Caldas, do setor de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR). É reflexão breve, mas bastante oportuna, relevante para quem procura compreender os imbróglios da atualidade política brasileira.
Escreve Andréa Caldas:
"Desde D. Pedro I, inspirado por idéias liberais num país semi-feudal até a 'Ordem e Progresso' emprestada do positivismo, que vaticina a prevalência da teoria sobre a prática, grande parte dos intelectuais brasileiros parecem vocacionados ao distanciamento do povo".
E prossegue:
"A votação em Lula, em 2002, por parcela desta intelectualidade, pode ser interpretada pela combinação da decepção com o presidente sociólogo, que vendeu boa parte do patrimônio nacional, comprou a emenda da reeleição e se aliou aos coronéis (incultos) do nordeste, com um certo romantismo pequeno-burguês que viu em Lula, a figura de Carlitos, imortalizado nas telas de cinema: autêntico e ingênuo. Parte desta autenticidade consistiria no fato de saber seu lugar, ou seja, jamais desafiar as teses dos 'cultos'."
Segundo a professora da UFPR, "as denúncias de corrupção entre integrantes do governo, investigadas ineditamente pela Policia Federal e consubstanciadas pelo Procurador Geral da República (indicado por Lula), destravaram a ira de parte desta 'intelectualidade' e abriram espaço livre para o preconceito ...".
"A pequena-burguesia", acrescenta Caldas, em seu texto, "reeditou o discurso udenista, nas suas vertentes esquerdista e conservadora, e fez da bandeira da ética a prima-irmã do preconceito de classe. No começo tímidos e depois escancarados, avolumaram-se os discursos contra a falta de diploma de Lula. Nos jornais, nas revistas e na Internet (veículo preferencial de organização da classe média desenraizada), charges, piadas e comentários maldosos, alavancaram a reedição do discurso tecnocrata da ditadura militar, escudado indelevelmente pela regra da competência...".
Caldas afirma, com Chico Buarque, que, para os setores conservadores, "era chegada a hora de mandar o empregado de volta para a senzala, depois da concessão generosa de ter desfrutado da sala de visita, por um certo tempo". Para tanto, a grande imprensa se auto-investiu da missão sagrada de esclarecer a população sobre o maior escândalo de corrupção do país (sic) ... já divulgado e investigado...".
Como a população dava mostras de não estar captando o recado da mídia - erigida em porta-voz do súbito moralismo papagaiado pela direita - e, por extensão, andava distante das "análises" emitidas pela "intelectualidade", "os discursos começaram a ficar mais exaltados e deu-se livre curso, enfim, ao preconceito ...".
Caldas faz uma sumária, porém acerba crítica à perplexidade da classe média, "que um dia ouviu o canto da sereia do capitalismo e acreditou que se conquistasse um diploma poderia ascender e se aproximar dos donos do capital, e agora não pode se conformar que um sem diploma governe o país, seja recebido em todos os países com respeito, enquanto os seus filhos diplomados não consigam a tão prometida ascensão social. Ao invés, de entender que o capitalismo, cada vez mais concentrador e oligopolista, há muito tempo não abre espaço para a ascensão, prefere culpar o povo".
A autora conclui seu artigo citando Gramsci: "O erro do intelectual consiste em acreditar que se possa saber sem compreender e,
principalmente, sem sentir e estar apaixonado (...) isto é, em acreditar que o intelectual possa ser um intelectual ( e não um mero
pedante), sem sentir as paixões elementares do povo, compreendendo-as e, assim, explicando-as e justificando-as em determinada situação histórica, bem como relacionando-as dialeticamente a uma concepção do mundo superior."
Nada a acrescentar. Tudo a refletir.
Segunda-feira, Outubro 23, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Basta! Vou votar no Alckmin!
Um texto bem-humorado e irônico que nos dá algumas "boas" justificativas para votar no Geraldo Alckmin. Ou, se for filtrado o sarcasmo do autor, nos dá excelentes justificativas para tirar o Alckmin da jogada. Recebi por e-mail, dizendo que foi escrito por Sebastião Tolentino de Freitas.
Basta!! Cansei... Basta!! Vou votar no Geraldo Alckmin, da coligação PSDB-PFL.
Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou, e qualquer um agora se mete a comprar hambúrguer e iogurte.
Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite.
Cansei dessa demagogia. O governo reduziu os impostos para os computadores. A Internet virou coisa de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure agora navega...
Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro a 0,99%, todo mundo tem carro, até a minha empregada. É uma vergonha, como dizia o Boris Casoy.
Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma confecção. Tem até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo da Oscar Freire agora se vende até no camelô da 25 de Março.
Vergonha, vergonha, vergonha... Cansei dessa coisa de biodiesel, de agricultura familiar. O caseiro do meu sítio agora virou "empreendedor" em Três Marias (Three Mary Beach). Pode?
Cansei dessa coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia ser utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação. A coitada da "Veja" passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em Pernambuco.
É o fim do mundo. Cansei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos sem berço na universidade. Até índio agora vira médico e advogado. É um desrespeito... Meus filhos, que foram bem criados, precisam conviver e competir com essa raça.
Cansei dessa história de Luz para Todos. Os capiaus agora vão assistir TV até tarde. E, lógico, vão acordar ao meio-dia. Quem vai cuidar da lavoura do Brasil? Diga aí, seu Lula...
Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa própria. E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que será deles?
Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar!
Por tudo isso, vou votar no GERALDO...
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Para não criar confusão, vou fazer como o Millôr Fernandes: explicitar. Óia, tucanos, estou sendo irônica, tá?
Domingo, Outubro 22, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Papo Furado sobre aerolula
Duas matérias sobre a conversa-pra-boi-dormir que Alckmin tem usado nos debates pra falar sobre o aerolula. A primeira, da Folha de S. Paulo, a segunda do Hoje em Dia (10/10/2006).
Proposta de Alckmin de vender o AeroLula para criar cinco hospitais não se sustenta
Alckmin, que insistiu no discurso de choque de gestão e rigor fiscal, apresentou como proposta mais marcante uma medida que contraria princípios básicos do gasto público fixados na Lei de Responsabilidade Fiscal. "Vou vender esse AeroLula. Vou vender e vou fazer cinco hospitais com esse dinheiro", prometeu, referindo-se ao avião oficial do Planalto, adquirido pelo atual governo.
Se levada a sério, a idéia significa, na prática, criar uma despesa permanente com base em uma receita transitória. Ainda que a venda do avião, que custou aos cofres públicos cerca de R$ 125 milhões, seja suficiente para as obras (um hospital inaugurado em agosto em Juiz de Fora custou R$ 37 milhões, mas há opções mais baratas), faltariam recursos para manter posteriormente os hospitais em funcionamento.
Além disso, os deslocamentos presidenciais poderiam ficar mais caros, a longo prazo. Segundo dados da Aeronáutica, o aluguel de um avião privado para o transporte do presidente no governo FHC custava US$ 12 mil por hora voada, contra US$ 2.100 no uso do AeroLula.
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Compra de avião usado por Lula foi aprovada em 2000
O Airbus Corporate Jetliner comprado pelo Governo federal para viagens internacionais do presidente da República, conhecido como Aerolula, estava previsto para ser adquirido no plano de reaparelhamento da Força Aérea Brasileira (FAB) aprovado pelo Congresso em julho de 2000, no Governo Fernando Henrique Cardoso. O avião custou R$ 167 milhões e foi pago com dinheiro do Orçamento da FAB. Durante o debate de domingo, o candidato tucano Geraldo Alckmin questionou a necessidade da compra do aparelho.
O Airbus pertence à Aeronáutica e não à Presidência da República e permite ao presidente despachar de seu interior. O brigadeiro Francisco Joseli Parente Camelo, coordenador das viagens internacionais da Presidência da República, disse que a compra do Airbus foi um excelente negócio.
Ele disse que, entre fevereiro de 1999 a abril de 2001, o Governo gastou US$ 5 milhões em aluguel de aviões para algumas das viagens internacionais do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
"Com a média do número de viagens de Fernando Henrique e do presidente Lula o que foi gasto com o novo avião vai estar pago em dez anos. Seu tempo útil de vida é de 30 anos. Foi um negócio excelente. O avião não é do Lula, é do Estado brasileiro."
É difícil calcular quantos hospitais Alckmin conseguiria construir se vendesse o Aerolula. O preço varia muito, dependendo da
finalidade. O atual Governo inaugurou uma unidade do Instituto Nacional do Câncer no Rio que custou R$ 6 milhões. Há dois meses, o Ministério da Saúde inaugurou um hospital em Juiz de Fora (MG), ao custo de R$ 30 milhões.
Domingo, Outubro 22, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Um lado sombrio fora das propagandas
O texto abaixo está em vários sites, um deles é o Portal Vermelho, ligado a instituições de esquerda brasileiras. É bom, para a gente conhecer quais eram os interesses de Alckmin na época em que ele participou da elaboração de nossa Constituição. Isso mostra seus valores e prioridades, que agora ele acoberta nas propagandas eleitorais, quando diz que vai fazer de tudo pelo trabalhador brasileiro. Abre o olho, moçada!
Alckmin atuou contra trabalhador na Constituinte
Quando foi deputado Constituinte, o candidato tucano Geraldo Alckmin (PSDB) votou sistematicamente contra os interesses soberanos do país e contra os interesses dos trabalhadores. É o que mostra o livro "Quem foi Quem na Constituinte", do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar - DIAP.
Ele se posicionou contrário à nacionalização do subsolo brasileiro e também votou contra a licença-paternidade de cinco dias, contra a jornada de trabalho de 40 horas e contra a proteção aos trabalhadores com mais de 45 anos nas empresas.
"É esse o que agora se diz defensor dos interesses nacionais e do povo brasileiro?", questionou ontem o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) no plenário da Câmara.
Na Constituinte houve uma votação histórica, na qual se propunha a nacionalização do subsolo brasileiro. É por demais óbvio entender a importância estratégica para o país da nacionalização para que houvesse a garantia constitucional de que a pesquisa e a lavra de recursos e jazidas minerais, bem como a exploração dos potenciais de energia hidráulica, são patrimônios da União e só serão explorados por empresa nacional. O atual candidato Alckmin e o seu vice, José Jorge, votaram contra, votaram contra os interesses nacionais.
"Entreguistas! Está aqui no Diário da Constituinte", afirmou o líder do governo. Ele lembrou que o candidato Alckmin nega sua história porque diz que não está no programa dele "privatizar nada", "como nunca esteve no programa do PSDB privatizar as estatais paulistas". "Mas foi o ainda vice-governador Geraldo Alckmin que coordenou o programa de desestatização do Estado de São Paulo. Privatizaram a Eletropaulo, privatizaram a CPFL, e só não privatizaram a CESP porque a endividaram tanto e não conseguiram, e agora acabaram de privatizar a CETEEP", rebateu Chinaglia.
Arlindo Chinaglia destacou ainda a tentativa da aprovação na Constituição brasileira da proteção aos trabalhadores com mais de 45 anos nas empresas.
"Cinco por cento das vagas das empresas seriam destinadas a trabalhadores de 45 anos ou mais. Fomos derrotados, com o voto do Alckmin, entre outros. Lula e Olívio Dutra votaram a favor", afirmou.
Jornada de trabalho
"O 1º de maio surgiu de uma luta de 8 horas de trabalho, 8 horas de lazer e 8 horas de descanso, e operários foram fuzilados. Alckmin votou contra a jornada de 40 horas semanais. Eles derrotaram essa proposta na Constituinte. Seguiu-se com a jornada de trabalho de 42 horas semanais. Já que os trabalhadores perderam naquela votação de 40, houve uma segunda tentativa. Fomos derrotados. Quem votou contra? Geraldo Alckmin e José Jorge", reforçou o deputado petista.
"Por isso, é bom que o povo brasileiro fique esclarecido exatamente sobre aqueles que vestem pele de cordeiro para esconder suas unhas", alertou.
Domingo, Outubro 22, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Crônica de um golpe anunciado
Mais uma reflexão sobre o caso do Dossiê, que o jornalista Lula Miranda também considera um golpe. O artigo foi publicado na Agência Carta Maior, em 19 de setembro, e selecionei alguns trechos. A íntegra pode ser lida pelo link. O texto é bom, apesar do excesso de aspas.
(...) Os velhos "donos do poder" (utilizando-se de expressão cunhada por Faoro) desejam a chefia do executivo federal de volta às suas mãos de qualquer jeito - pois o poder seria deles "de direito", algo que lhes seria devido, inato. Como a candidatura do "decepcionante" Alckmin não decolou, a última cartada seria mesmo "ganhar no tapetão".
(...) Na semana do feriado de 7 de setembro, começaram a circular boatos de que uma "bomba" envolvendo o presidente Lula estava por ser detonada pela oposição - envolveria pessoa muito próxima ao presidente e seria avassaladora. Como esse tipo de "chantagem", boatos e ameaças são comuns ao jogo eleitoral, não lhes dei muita atenção e importância. Na semana seguinte ao 7 de Setembro, já na segunda-feira, 11, porém, os boatos começaram a se intensificar.
Foi quando, para minha surpresa, no dia 14, surgiu pela primeira vez na "blogosfera", mais precisamente no blog do Noblat, a notícia de que vinha, sim, uma bomba, mas era, ao contrário do esperado, um artefato que explodiria no colo da candidatura de José Serra: em entrevista os Vedoin (pai e filho) comprometiam José Serra com a chamada máfia dos "sanguessugas", mostrando, inclusive, farta documentação comprobatória. Noblat postou essa notícia às 21h12 do dia 14 como já dito. Acompanhei a repercussão dessa notícia, durante todo o dia 14, nos sites das grandes empresas jornalísticas. Não houve. Não saiu uma nota sequer. No dia seguinte, procurei nos jornais dos grandes grupos de comunicação: nem uma notinha de pé de página (registro que o "blog do Noblat" é acolhido pelo grupo O Estado de São Paulo (...)). Curiosamente, a notícia, inicialmente postada pelo Noblat, só começou a ser veiculada na Folha e em outros "jornalões" quando já se tinha a notícia de que duas pessoas supostamente ligadas ao PT haviam sido presas com R$1,7 milhão que seriam utilizados para comprar um tal dossiê envolvendo José Serra e Geraldo Alckmin (esse seria supostamente o ingrediente novo: o envolvimento de Alckmin) com a máfia das ambulâncias (...). O que antes parecia algo restrito a atingir a candidatura de José Serra ao governo do estado de São Paulo, também resvalava em Alckmin. Na verdade, comprovar-se-ia depois, a intenção daquele episódio todo era atingir a candidatura Lula - agora, com a citação em depoimento de um assessor do presidente isso ficou evidenciado. Bingo! O petardo havia então acertado o alvo. O foco central, a notícia sobre o envolvimento de Serra com a máfia dos "sanguessugas", foi abandonado, deixado de lado. O foco da notícia agora passava a ser o Partido dos Trabalhadores e o governo Lula. O PT e Lula estavam de volta ao patíbulo.
O que estava ocorrendo, afinal? (...) Compraram alguns "petistas" na bacia das almas? - na verdade, pessoas infiltradas no partido, Ou seria mais uma "tremenda vacilada" de algum petista incauto? Para quem ainda se lembrava do inverossímil episódio dos tais dólares na cueca, tudo era possível. Mas, algumas perguntas restam ser respondidas, pois há indícios sérios, mais ou menos evidentes, que nos causam estranheza ou, no mínimo, desconfiança de uma armação.
1. Por que um dos cidadãos detidos foi logo dizendo, de imediato, que era do PT? Só faltou, para ficar bem na foto, a camisa do PT vestindo o meliante. Lembram do seqüestro de Abílio Diniz - hoje com Lula? Não seria esperado que ele, o cidadão detido em flagrante, caso estivesse realmente a serviço do partido, não revelasse essa informação nem sob tortura?
2. Por que supostos petistas comprariam por, repito, R$1,7 milhão um "dossiê" que continha fatos e informações que não valiam nem um tostão furado - disseram que pediram inicialmente R$20 milhões? Aquelas fotos já haviam saído na imprensa e sido amplamente divulgadas.
3. Por que os petistas, sabendo que os Vedoin estavam sob investigação da Polícia Federal e do Ministério Público, não avisariam a própria PF e ao MP sob a tentativa dos indiciados de vender-lhes essas provas? - assim eles obteriam as provas graciosamente e ainda incriminariam mais os verdadeiramente envolvidos com a máfia (os Vedoin e agora, ao que parece, José Serra).
4. Por que só agora resolveram denunciar José Serra? Estavam negociando o dossiê antes com o PSDB?
5. Por que envolveram, de imediato, um assessor da Presidência da República nessa mal contada história - se o depoente não sabia sequer precisar o nome da pessoa? Por que na acareação o acusador tão falante até então, calou-se?
6. Afinal, quem negociou por parte do PT foi o Diretório Estadual, como se disse no início, ou o Nacional, como se diz agora? Não é estranho que um militante recém-ingressado no partido (filiou-se em 2004) seja destacado para tão importante, delicada e "suicida" missão às vésperas da eleição?
7. E esse novo episódio do grampo nos telefones dos ministros do TSE? Não lhes parece estranho? Por que a varredura foi feita? Por que foi divulgada sem que antes houvesse uma necessária investigação? A quem interessaria a essa altura conturbar o processo eleitoral? É da democracia que o presidente do TSE reúna-se com políticos da oposição para estudarem juntos uma forma de impugnar a candidatura do presidente em exercício? Certamente que não!
Enfim, prezado leitores, é tão absurda e impensável toda essa situação que só mesmo aguardando uma competente e acurada investigação da Polícia Federal. Não precipitemos o julgamento. Foi armação? Teria sido uma contramedida de uma dos "gestapos" incrustados no Estado para favorecer José Serra - lembram-se do caso Lunus, que destruiu a candidatura de Roseana Sarney? Lembram do Dossiê Cayman - era verdadeiro ou não? E a lista de Furnas? E a pasta rosa? Há uma vasta oferta de Dossiês no mercado negro da política.
(...) E que não insistam em velhas receitas e estratégias golpistas, pois, essa democracia que aí está, com toda sua fragilidade e podridão, hipocrisia e "gansgsterianismo" das máfias políticas, é a que temos, por enquanto, enquanto a tão necessária reforma política não vem. E se o "rei" tentar derrubar o "peão" "no tapetão" sairemos todos às ruas para, como nas Diretas-Já, fazer valer a vontade do povo.
Sexta-feira, Outubro 20, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Golpe?
Um texto do jornalista Mauro Carrara, que tirei do Boletim Mineiro de História, caracteriza o "escândalo do dossiê" como um golpe. Suas razões estão abaixo, num artigo em que pede a mobilização da sociedade contra o esquema:
Mobilização popular contra o golpe
A oposição criminosa de Jereissati e ACM, os fanáticos onanistas da extrema direita e os barões da imprensa movem neste momento uma ação explícita de golpe contra a democracia e o Estado de Direito. O ridículo "escândalo do dossiê" contra José Serra e o PSDB está sendo utilizado como pretexto para melar a eleição e criar um clima de desordem institucional, inclusive com a promoção da baderna nas duas casas do Parlamento.
O momento é gravíssimo, marcado por uma agressiva ação coordenada de toda a grande mídia. (...) A ordem geral, segundo o "consenso de mídia", grupo fortemente influenciado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, é explorar ao máximo tudo que seja desfavorável ao governo. Simultaneamente, trabalha-se pela santificação da oposição, desenhada como vítima das "vilanias" petistas.
Vale nos conscientizarmos todos de quatro pontos fundamentais nesta guerra:
1) A compra pura e simples de informação não se constitui em crime. Pode-se admitir a prática de delito apenas em caso de uso ilegal do conteúdo, e desde que se configure em injúria, calúnia ou difamação contra instituição ou cidadão. O material supostamente oferecido pelos Vedoin comprova, sim, a coexistência pacífica entre José Serra e os sanguessugas. Há duas opções: ou ele era partícipe do esquema ou foi incompetente para detectar os graves desvios cometidos no Ministério da Saúde.
2) Todo o esquema para a compra do dossiê foi abortado pela própria PF, o que mostra que o governo não tem utilizado os aparatos policiais do Estado em benefício próprio.
3) O grande réu neste caso é José Serra e seu partido, o PSDB. Depoimentos do criminoso Comendador Arcanjo e dos donos da Planam atestam a parceria entre o PSDB de Mato Grosso e as máfias locais. A manipulação vergonhosa da imprensa brasileira está desviando o foco do debate. É Serra e seu partido de delinqüentes que devem explicações à sociedade brasileira.
4) O Excelentíssimo Senhor Marco Aurélio de Mello, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, extrapola suas funções ao emitir pareceres pessoais e políticos sobre os casos levados a sua magistratura. É de se espantar a alegre e sinistra reunião que fez com os líderes da oposição, no dia 18, desprezando a isenção que deveria nortear seu trabalho.
Portanto, neste momento, é importantíssimo que escrevamos imediatamente para todas as redações de jornais, revistas, TVs e emissoras de rádio para mostrar que não nos calaremos diante da tentativa de golpe. O mesmo se aplica do TSE, que deve saber de nosso alarme com o desvirtuamento da instituição.
Nesta hora, cada um tem assumir a luta em sua trincheira. Cada um tem que oferecer sua parcela de contribuição. Escrever para todos os amigos e familiares, especialmente para aqueles que não se ligam diretamente na luta política. São eles os principais alvos da campanha do golpe.Esta é uma tarefa para ontem. É começar já!
Quinta-feira, Outubro 19, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Motivações políticas por trás de uma foto
Um dos grandes motivos para o salto que Alckmin deu às vésperas do primeiro turno foi a divulgação de um CD com fotos do dinheiro usado para a compra do Dossiê. As fotos foram divulgadas - estrategicamente - a dois dias das eleições. Com tanta imagem de dinheiro sujo, os eleitores não tiveram muito tempo de pensar questões como "sobre o que era o dossiê?, ou sobre quem?, quem saiu prejudicado com a divulgação dessas fotos?, quem foi beneficiado?", etc. Depois de passada a votação, o policial responsável pela divulgação das fotos mostrou sua cara e veio à imprensa dizer que não agiu por motivações políticas. É o que informou a Agência Estado: "O delegado Edmilson Pereira Bruno, que divulgou na ultima sexta-feira o CD com fotos do dinheiro apreendido de dois integrantes do PT (Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha) que seria destinado para pagar dossiê contra José Serra, elaborado pelos Vedoin, afirmou que não teve motivação política." A pergunta mais mínima que devemos fazer, nessas horas, é a seguinte: SERÁ ????? Lendo o texto seguinte, publicado pelo editor-chefe da Agência Carta Maior Flávio Aguiar, podemos chegar a uma resposta negativa, sem esforço:
O dossiê do dossiê Vedoin/Serra/Barjas
Seguimos os rastros de um dossiê, e dos crimes cometidos. À irresponsabilidade dos petistas envolvidos, soma-se o crime acobertado pela imprensa cúmplice.
- Flávio Aguiar
Meu implacável amigo Saul Leblon traçou o seguinte roteiro:
"1. Na sexta-feira, 15 de setembro, data marcada pelos Vedoins para entrega do dossiê Serra/Sanguessuga a um grupo de petistas, num hotel em SP, o delegado de plantão na PF na capital paulista era Edmilson Pereira Bruno.
2. O delegado prendeu os petistas em flagrante no hotel Ibis.
3. Antes mesmo que os presos fossem conduzidos à sede da PF, em SP, uma equipe de TV da produção do programa do candidato Geraldo Alckmin já estava a postos no local, para filmar a chegada dos detidos e usar as imagens no horário eleitoral do tucano. A equipe de Alckmin demonstrou agilidade superior a de qualquer órgão da grande imprensa, no principal centro jornalístico do país.
4. No dia 18, três dias depois desses acontecimentos, o delegado Bruno foi afastado do caso após declarar que o suposto dossiê Serra/Sanguessuga continha mais de duas mil folhas e implicava todos os partidos. Na verdade, o que tinha mais de duas mil folhas era o inquérito que investigava a ação dos sanguessugas em Cuiabá.
5. Dez dias depois, na quinta-feira, dia 28, o mesmo delegado Bruno invade uma sessão de perícia na qual dois técnicos da PF fotografavam o dinheiro supostamente utilizado para comprar o dossiê Serra/Sanguessuga.
6.O delegado Bruno alega aos peritos que havia sido reconduzido ao caso. Enquanto eles realizavam seu trabalho, o delegado sacou uma máquina digital e fez 23 fotos do dinheiro.
7. Nos dias anteriores, na medida em que se aproximava a data do pleito e a vitória de Lula no primeiro turno mostrava-se cada vez mais provável, o candidato Alckmin e todo o PSDB, bem como seus ventríloquos na mídia, elevaram o tom das cobranças. A artilharia tucano-pefelê-midiática, centrava fogo em duas cobranças: a liberação das fotos do dinheiro pela PF e a presença de Lula no debate da Globo, marcado para o dia 28, quinta-feira, à noite.
8. Lula, na última hora, decidiu não ir ao debate prevendo um "massacre orquestrado" da oposição contra o seu governo.
9. O Presidente escapou do massacre, que de fato ocorreu, e teve ampla repercussão no JN e nos diários. Mas não escapou das fotos.
10. Na sexta-feira, dia 29, pela manhã, o delegado Bruno pessoalmente entregou cópias em CDs das fotos que havia feito a três jornalistas em frente do prédio da PF, em SP. Sequer marcou um encontro em local mais discreto. Segundo o jornalista Bob Fernandes do site Terra Magazine, teria explicado assim seu gesto aos repórteres: "Quero f... com o Lula e o PT".
11. No mesmo dia, quando as fotos já circulavam na Internet - divulgadas pela Agência Estado - o delegado procurou superiores e informou: "Estou desesperado. Pegaram uma cópia das fotos que eu havia feito".
12. Pouco depois, em entrevista à mesma Agência Estado que havia distribuído as fotos e sabia sua origem, o delegado Bruno afirmou: "Estão veiculando que eu cedi o CD. Eu não cedi este CD. Eu não sei se é para me prejudicar ou não. Não sei quem foi o autor do crime, mas não fui eu que distribuí o CD". O delegado afirmou ainda nessa entrevista, divulgada amplamente por um veículo que sabia de antemão a versão verdadeira, que as fotos haviam sumido do seu arquivo pessoal.
13. No sábado, dia 30, as fotos dominaram o noticiário das TVs e as primeiras páginas de todos os jornais. No Globo, a foto ocupou mais de metade da página frontal. A Folha foi além e optou por uma composição grotesca. Sob a pilha de dinheiro colocou uma foto de Lula encapuzado, enquanto vestia um casaco. Uma mão apertada sobre o seu ombro sugeria um caso de detenção. Um truque de composição fotográfica reduziu, assim, o Presidente e induzia os leitores a enxergarem-no como um marginal preso em flagrante, a 48 horas do pleito presidencial.
14. Todos os jornais publicaram as imagens do dinheiro sem identificar a origem das fotos. Nenhum informou as palavras ditas pelo ofertante - ainda que sua identidade fosse mantida em sigilo: "quero fu.. com Lula e com o PT".
15. No domingo, finalmente, os jornais traziam uma entrevista do delegado Bruno. Nela, o policial admite que fez e distribuiu as fotos - o que antes havia negado peremptoriamente, e os jornais - embora sabendo que era uma mentira - publicaram e atestaram a verdade. O delegado, porém, insiste, desta vez, que seu gesto não teve motivação política e nega qualquer ligação com a campanha tucana. Os jornais de novo publicam suas declarações, sem contextualizá-las.
16. No mesmo domingo, dia do pleito, os jornais afirmam que o desgaste desse episódio reduziu dramaticamente a vantagem anterior de Lula nas pesquisas de intenção de voto, referentes ao primeiro turno. Segundo as novas enquetes, mesmo no segundo turno, a reeleição do Presidente agora se tornara incerta.
17. Tudo fica como dantes no quartel do Abrantes. A imprensa continua a acobertar e a ser cúmplice do crime de violação do segredo de justiça. Por quê? Porque ao invés dos eventuais crimes cometidos por petistas, desta vez os crimes a interessam, e favorecem seu candidato, Geraldo Alckmin".
Eh, Leblon bom de bola!
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Le Carré já nos havia ensinado a questionar certas coisas (ver post de ontem). Então, levanto as seguintes questões: por que o delegado Bruno resolveu divulgar essas fotos? Eram só motivações político-ideológicas, ou ele havia recebido dinheiro para agir assim? De quem veio esse dinheiro? Talvez do candidato que estava perdendo nas pesquisas? Se houve dinheiro, quanto foi? Será que supera os 1,7 milhão atribuídos à compra de um dossiê? E, a propósto, que espécie de conteúdo arrebatador faria um dossiê custar tanto dinheiro? Por que ninguém investiga tudo isso?!
Quarta-feira, Outubro 18, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Para pensar no Dossiê
Jorge Luís Marques Lima, em artigo publicado no Observatório da Imprensa em 26.09.2006, faz uma interessante analogia para o caso do Dossiê (que coloco em letra maiúscula, na falta de um nome adequado). Ele nos faz refletir quem seria o maior interessado nessa crise às vésperas do primeiro turno das eleições, quem foi o maior prejudicado com a história, quem se deu bem. Podemos ir além: por que a mídia só fala do dinheiro usdo na compra do dossiê?, por que não nos explicam o conteúdo do tal dossiê?, por que não falam o quanto Alckmin subiu vertiginosamente nas pesquisas depois do aparecimento desse último "escândalo"? Nós não temos respostas para tantas perguntas; elas vão surgindo com as investigações - ou com a História. Mas também não somos burros de engolir qualquer jorrada de informação mal explicada. Sejamos espiões: pensemos!
As lições de Le Carré ou Eva e a serpente
- Jorge Luis Marques Lima
Sou fã de livros de espionagem. Meu escritor favorito é John Le Carré e, entre seus personagens, prefiro o baixo, gordo e desiludido George Smiley. Antítese dos espiões de histórias de aventuras, Smiley é, para mim, o personagem mais verossímil como agente de inteligência, pois não utiliza armas futuristas, não vive situações rocambolescas e, como "espião", só é reconhecido por seus colegas e pelo "Centro de Moscou", gíria do serviço de inteligência inglês, do qual Le Carré foi agente, para a hoje extinta KGB.
Toda essa história de "dossiegate" me trouxe à lembrança uma história de John Le Carré, em que é mencionada uma aula para novos agentes. Nessa aula, o instrutor utiliza a história bíblica do fruto proibido para ensinar que não se deve aceitar nada pelas aparências.
Segundo o veterano agente, deve-se indagar:
a) Eva comeu a maçã?;
b) Tendo comido, por que o fez? b-1) Estava entediada?; b-2) Desejava desafiar a autoridade divina? b-3) Havia sido cooptada por alguém que pretendia atingir Deus?; b-4) Esperava recompensa de algum tipo? b-5) O desafio à autoridade divina tinha motivação ideológica?; b-6) Eva se sentia preterida e desejava vingar-se de Deus?
c) Qual a motivação da serpente no recrutamento de Eva?; c-1) A serpente só queria se divertir?; c-2) A serpente agia por conta própria ou estava a serviço de terceiros?; c-3) A serpente estava a serviço de alguma potência inimiga? c-3) Se estava a serviço de uma potência inimiga, qual sua motivação? c-3.1) Ideológica?; c-3.2) Promessa de vantagens?; c-3.2.1) A serpente tinha dívidas que desejava que fossem perdoadas?; c-3.2.2) A serpente havia cometido crimes que desejava que fossem esquecidos em caso de sucesso da operação?
Todas estas questões, com a devida adaptação, podem ser argüidas no caso da desastrada compra do tal dossiê. Esperemos, todos nós que queremos o completo esclarecimento desse imbróglio, as respostas a essas perguntas. Saberemos, então, se o que ocorreu foi obra de incompetentes ou uma magistral operação de desacreditamento executada por agente provocador. Façam suas apostas.
Terça-feira, Outubro 17, 2006 [ Fala aí: ]EMAIL
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Governo Lula X Governo tucano - parte II
Dados nunca são suficientes para provar uma tese. Acrescento mais alguns, já que, como já dito no último post, comparar é muito válido nesse momento. Minha fonte foi o Boletim Mineiro de História, do professor Ricardo Faria. A fonte dele foi ainda mais completa: IBGE, IBGE/Pnad (Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar - desde 1994); ANEEL; Bovespa; CNI; CIESP; Ministérios Federais e Agências Regionais; SUS; CES/FGV; jornais Folha de S. Paulo e O Globo. Os valores são totalizados considerando 8 anos de governo PSDB e 3,5 anos de governo Lula. Leiam com cuidado e tirem suas próprias conclusões.
* Número de policiais federais: Lula: 11 mil X PSDB: 5 mil
* Operações da PF contra a corrupção, crime organizado, lavagem de dinheiro, etc...: Lula: 183 X PSDB: 20
* Criação de empregos: Lula: 6 milhões (4 milhões com carteira assinada) X PSDB: 700 mil
* Média anual de empregos gerados: Lula: 1,14 milhão X PSDB: 87,5 mil
* Média mensal de empregos gerados: Lula: 95 mil X PSDB: 8,7 mil
* Taxa de desemprego nas regiões metropolitanas: Lula: 8,3% X PSDB: 11,7%
* Desemprego em SP: Lula: 16,9% X PSDB: 19,0%
* Exportações (em dólares): Lula: 118,3 bilhões X PSDB: 60,4 bilhões
* Balança comercial (em dólares): Lula: 103,3 bilhões (positivos) X PSDB: - 8,4 bilhões (negativos)
* Transações correntes (em dólares): Lula: 30,1 bilhões (positivos) X PSDB: - 186,2 bilhões (negativos)
* Risco-país: Lula: 204 (No governo Lula, o país atingiu o patamar mais baixo da história) X PSDB: 2.400 (!!)
* Inflação em 2006: Lula: 5% X PSDB: 12,53%
* Dívida com o FMI (em dólares): Lula: dívida paga X PSDB: 14,7 bilhões
* Dívida com o Clube de Paris (em dólares): Lula: dívida paga X PSDB: 5 bilhões
* Dívida pública: Lula: 34,2% X PSDB: 35,3%
* Dívida externa (em %): Lula: 2,41% X PSDB:12,45%
* Dívida externa: Lula: 165 bilhões PSDB: 210 bilhões
* Investimento em desenvolvimento (em reais): Lula: 47,1 bilhões X PSDB: 38,2 bilhões
* Empréstimo para habitação (em reais): Lula: 4,5 bilhões X PSDB: 1,7 bilhões
* PIB: Lula: 2,6% ao ano (até 2005) X PSDB: 2,3% ao ano
* Crescimento industrial: Lula: 3,77% (O lucro líquido das grandes empresas com ações em Bolsa quase triplicou nos três anos e meio de governo de Lula em relação ao período da segunda gestão de FHC, de 1999 a 2002. Folha de S. Paulo - 20/08/2006) X PSDB: 1,94%
* Produção de bens duráveis: Lula: 11,8% X PSDB: 2,4%
* Aumento na Produção de veículos: Lula: 2,4% X PSDB: 1,8%
* Crédito para a agricultura familiar: Lula: 6,1% X PSDB: 2,4%
* Crescimento real do salário mínimo: Lula: 25,3% (Ganho real de 25,7% em três anos) X PSDB: 20,6%
* Valor do salário mínimo em dólares: Lula: 152 X PSDB: 55
* Poder de compra do salário mínimo em relação à cesta básica: Lula: 2,2 cestas básicas X PSDB: 1,3 cesta básica
* Aumento do custo da cesta básica: Lula: 15,6% X PSDB: 81,6%
* Índice de Desigualdade social: Lula: 0,559 X PSDB: 0,573
* Participação dos mais pobres na renda: Lula: 15,2% X PSDB: 14,4%
* Número de pobres: Lula: 33,57% X PSDB: 34,34%
* Número de miseráveis: Lula: 25,08% X PSDB: 26,23%
* Transferência de renda (em reais): Lula: 7,1 bilhões X PSDB: 2,3 bilhões
* Média por família: Lula: 70 reais X PSDB: 25 reais
* Atendidos pelo programa Saúde da Família: Lula: 43,4% X PSDB: 30,4%
* Atendidos pelo programa Brasil Sorridente (atendimento odontológico): Lula: 33,7% (15 milhões de brasileiros foram pela primeira vez ao dentista) X PSDB: 17,5%
* Mortalidade infantil indígena (por 1000 habitantes): Lula: 21,6 X PSDB: 55,7
* Número de turistas que vêm ao Brasil: Lula: 4,6 milhões X PSDB: 3,8 milhões
* Pró-jovem - estudo subsidiado: Lula: 93 mil (18 a 24 anos) (100 reais por mês de subsídio a cada estudante) X PSDB: não havia programa, nem registro
* Bolsa Família: Lula: 11,1 milhões de famílias (Educação e subsídio alimentar) X PSDB: o programa era o Bolsa Escola com menos atendidos e atendimento mais limitado.
* Incremento no acesso a água no semi-árido nordestino: Lula: 762 mil pessoas e 152 mil cisternas X PSDB: zero, não havia programa
* Distribuição de leite no semi-árido (sistema pequeno produtor): Lula: 3,3 milhões de brasileiros X PSDB: zero, não havia programa.
* Áreas ambientais preservadas: Lula: incremento de 19,6 milhões de hectares (2003 a 2006) X Do ano de 1500 até 2002: 40 milhões de hectares
* Apoio à agricultura familiar: Lula: 7,5 bilhões (safra 2005/2006) (O governo Lula investirá 10 bilhões na safra 2006/2007) X PSDB: 2,5 bilhões (último ano de governo)
* Compra de terras para Reforma Agrária: Lula: 2,7 bilhões (2003 a 2005) X PSDB: 1,1 bilhão (1999 a 2002)
* Investimento do BNDES em micro e pequenas empresas: Lula: 14,99 bilhões X PSDB: 8,3 bilhões
* Investimentos em alimentação escolar: Lula: 1 bilhão X PSDB: 848 milhões
* Investimento anual em saúde básica: Lula: 1,5 bilhão X PSDB: 155 milhões
* Equipes do Programa Saúde da Família: Lula: 21.609 X PSDB: 16.698
* População atendida pelo Prog. Saúde da Família: Lula: 70 milhões X PSDB: 55 milhões
* Porcentagem da população atendida pelo Prog. Saúde da Família: Lula: 39,7% X PSDB: 31,9%
* Pacientes com HIV positivo atendidos pela rede pública de saúde: Lula: 151 mil X PSDB: 119 mil
* Juros: Lula: 16% X PSDB: 25%
* BOVESPA: Lula: 35,2 mil pontos X PSDB: 11,2 mil pontos
* Relação Dívida/PIB: Lula: 51% X PSDB: 57,5%
* Desemprego no país: Lula: 9,6% X PSDB: 12,2%
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