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José de Castro não dá descanso aos deputados milionários que ganharam as eleições e vão nos representar por mais quatro anos no Congresso. Neste excelente artigo, ele fala dos gastos de campanha de cada um deles, que dizem muito, inclusive, da vitória dos ricaços na política. Confiram!
Nossos deputados milionários e seus gastos inexplicáveis de campanha![]() As voltas que a política dá para nos pegar desprevenidos numa curva do caminho! O PSDB nasceu em junho de 1988, resultado da reação de oposicionistas históricos do golpe de 64, como Mário Covas e Franco Montoro, ao desvirtuamento do PMDB, que foi assaltado por arrivistas de todas as espécies durante o governo Sarney. Em Minas, os melhores nomes do PMDB, como Pimenta da Veiga, sentiam-se expulsos do partido que ajudaram a fundar, devido ao domínio que sobre ele exercia o governador Newton Cardoso, notório corrupto. O PSDB teve também seu momento de PMDB, durante os oito anos de Fernando Henrique Cardoso. No governo, não soube fechar a porteira a muita gente que faz da política uma escada para o sucesso pessoal, sobretudo econômico. É o que se vê também, nos últimos quatro anos, em Minas, com o governo de Aécio Neves - aliás, um homem que relutou muito em deixar o PMDB de Newton Cardoso, só ingressando no PSDB mais de um ano depois de sua fundação. Agora, não se observa qualquer diferença entre o PMDB e o PSDB em Minas. Um fenômeno que começa a alcançar também o PT, que teve entre seus deputados federais eleitos em outubro passado até um milionário: o advogado Juvenil Alves, que declarou à Justiça Eleitoral bens no valor de mais de R$ 6,48 milhões, e que afirma ter gastado na campanha R$ 447,6 mil. Foi o mais votado do PT mineiro, com 110.651 votos. É o 18º no ranking dos 53 eleitos. O campeão dos gastos para se eleger à Câmara dos Deputados, porém, é o presidente do PSDB mineiro, Nárcio Rodrigues, que declarou bens de cerca de R$ 566 mil e, na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral, afirma ter consumido em sua campanha R$ 1,496 milhão. Ficou entre os três mais votados, com 152 mil votos. O mais bem votado de todos foi Rodrigo de Castro, do PSDB, com 294 mil votos. Um estreante na política, ele herdou o curral eleitoral do pai, o deputado federal Danilo de Castro, secretário de Governo de Aécio Neves e coordenador da campanha do governador à reeleição. Rodrigo é um advogado que, aos 35 anos de idade, declarou ao TRE bens de mais de R$ 685 mil e diz ter gastado na campanha R$ 1,465 milhão. Depois dos tucanos Nárcio e Rodrigo, quem mais gastou na campanha, segundo as prestações de contas feitas à Justiça Eleitoral, foi o pemedebista Leonardo Quintão, que afirma ter bens de R$ 982 mil e ter gastado R$ 1,32 milhão. O PFL, que já foi o partido dos políticos ricaços, nos bons tempos de herdeiro da Arena, tem no ex-ministro Carlos Melles, o seu mais notório representante nessas eleições mineiras. Com bens declarados de R$ 2,138 milhões, ele gastou cerca de R$ 1,229 milhão. Elegeu-se com 118 mil votos, o 15º na classificação geral. Na lista dos grandes gastadores na campanha, o 6º e o 7º lugares pertencem a dois candidatos de outro partido herdeiro da velha Arena, o PPS. Alexandre Silveira, que declarou bens de R$ 950 mil, gastou R$ 1,195 milhão. E Paulo Piau, com bens declarados de R$ 240 mil - é difícil acreditar, mas isso é problema do TRE, que não fiscaliza as declarações apresentadas pelos candidatos -, afirma ter gastado R$ 1,161 milhão. Mesmo assim, ficou em 47º lugar. Parecido com o Piau é o petista Virgílio Guimarães, que se reelegeu com 101 mil votos, tendo declarado bens de apenas R$ 184,4 mil e gastado na campanha R$ 1,002 milhão. Virgílio é um político profissional petista. Já foi deputado estadual, candidato a governador, a prefeito da capital, e está há três legislaturas (12 anos) na Câmara dos Deputados. O pai era um rico pecuarista de Curvelo, ex-secretário da Agricultura de Minas. Se a declaração de bens dele está correta, esse petista gasta tudo o que ganha no exercício do cargo nas campanhas eleitorais ou é um perdulário. Deve ser o caso também da ex-prefeita de Betim e ex-presidente do PT mineiro, professora Maria do Carmo Lara, que é deputada federal desde 1999 e se reelegeu com 86 mil votos. Ela gastou na última campanha R$ 318 mil e declarou bens de R$ 29 mil. Curiosamente, essa pobre deputada gastou mais do que a candidata mais rica de Minas, Maria Lúcia Cardoso, do PMDB, que declarou bens de apenas R$ 1,856 milhão, embora seja casada com o ex-governador Newton Cardoso, cuja fortuna é incalculável. A ex-primeira dama mineira gastou R$ 301 mil, teve 78 mil votos e ficou no 43º lugar. Precisa aprender com ela o deputado José Santana, do PL, que gastou R$ 1,077 milhão (quase o mesmo valor de seus bens, de R$ 1,195 milhão) e ficou em 19º lugar. Craque mesmo é o empreiteiro de obras públicas Ciro Pedrosa, do PV, que estreou na política neste ano, depois de amealhar bens avaliados por ele em R$ 9,873 milhões, e foi o 11º mais bem votado para a Câmara dos Deputados, tendo gastado na campanha menos de R$ 679 mil. Outro milionário que não brinca com dinheiro é Edmar Moreira, do PL, que declarou bens de R$ 9,507 milhões e se reelegeu com apenas R$ 203 mil gastos na campanha. Desse time de "economistas" faz parte o deputado Lael Varella (PFL), dono de uma fortuna declarada de R$ 5,751 milhões e que gastou pouco mais de R$ 589 mil. Como já mostramos num artigo divulgado anteriormente neste Tamos com Raiva, dos 53 eleitos em Minas 25 declararam bens acima de R$ 1 milhão. E um levantamento feito pelo repórter Leonardo Augusto, do jornal Estado de Minas, mostra que oito gastaram mais de R$ 1 milhão na campanha. O gasto médio dos eleitos ficou em R$ 550 mil. Eles vão representar uma população que ganha por mês, em média, menos de dois salários mínimos. Além disso, não deixa de ser espantoso um candidato gastar R$ 1,496 milhão na campanha, como fez o presidente do PSDB mineiro, sabendo que o salário bruto do deputado federal é de cerca de R$ 12,8 mil por mês, ou 36,5 salários mínimos. Em quatro anos de mandato ganho com esse investimento, ele vai embolsar de salários R$ 665.600,00 brutos. Parece um mau investimento, não? Parece, mas não é. Esses políticos sabem retirar do mandato outras remunerações que não aquela que vem do salário. Não adianta perguntar a eles, pois não dirão como fazem o milagre da multiplicação dos pães. Mesmo porque muitas dessas remunerações são ilegais, e se saírem por aí revelando sua mágica podem parar na cadeia, terminado o mandato. Enquanto permanecerem deputados, são intocáveis. Só podem perder o mandato se forem cassados pelos colegas... Mas, a protegê-los existe o coleguismo, o espírito de corpo, o é dando que se recebe. Portanto, não é de se espantar que os políticos profissionais invistam tanto nas campanhas para continuarem gozando da imunidade parlamentar. O eleitor que se cuide. Quanto mais cedo despertar para a realidade de nossa representação legislativa, melhor será para a democracia brasileira. E para os pobres e para a classe média deste país. ![]() |
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