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Quatro anos de "guerra" e de Luta![]() Hoje faz quatro anos que o norte-americanos, comandados por George "War" Bush, lançaram os primeiros mísseis sobre o Iraque, dando início a uma "guerra" desigual. Quatro anos que causaram, como conseqüência, a morte de cerca de 60 mil civis iraquianos, 6 mil militares daquele país e mais de 3 mil soldados norte-americanos. Mesmo esses números podem ser até dez vezes maiores e a quantidade de feridos é incalculável. Isso sem falar na completa destruição de casas, prédios (cidades!), monumentos históricos e sítios arqueológicos de valores inestimáveis. Os iraquianos vivem há Q-U-A-T-R-O anos num completo caos, com ataques diários, vindos de terroristas oficiais e não-oficiais. Submetidos às ordens de uma coligação de governantes encabeçada pelos norte-americanos, que determinou que três quartos do lucro das minas de petróleo do país fossem para as mãos de estrangeiros invadisores. Enfim. A injustiça e crueldade desses fatos é inegável. Não é à toa que até hoje o dia 20 de março é marcado por manifestações de protesto em todo o mundo, por vozes dissonantes de cabeças pensantes. E também é por isso que Bush não foi bem recebido nos países da América Latina por onde passou, inclusive no Brasil. Falo mais sobre isso, relembrando outras invasões históricas, no artigo publicado aqui no dia 14 de janeiro deste ano. Não tenho muito mais a acrescentar por enquanto. Mas pelo menos para uma coisa essa "guerra" prestou: inspirou duas jovens a criarem um blog, cheio de indignação, junto aos milhares de outros blogs que pipocaram na mesma época. O aniversário da Guerra do Iraque é também o 4º aniversário do Tamos com Raiva. Evitando muita festa e comemoração num dia sangrento como este, me limito a dividir com vocês, raros leitores, a história deste blog. Espero que gostem: O Tamos com Raiva surgiu, como muitos outros blogs pelo mundo afora, para protestar contra a invasão norte-americana no Iraque. Não é coincidência, portanto, que o nascimento deste blog tenha sido em 20 de março de 2003, exatamente o dia em que a Coligação entre EUA, Inglaterra e outros países lançou mísseis sobre Bagdá, dando início à ¿guerra¿. Minha amiga Maria Tereza Novo Dias (dos tempos de colégio Santo Antônio, embora já nos conhecêssemos de vista na Escola Estadual Barão do Rio Branco) me ligou naquela noite de quinta-feira e propôs que fizéssemos um blog, já que nós duas sentíamos que alguma coisa deveria ser feita. Entramos no (famoso à época) ICQ e combinamos os detalhes do trabalho, que tinha um design gráfico padronizado pelo Blogger, se chamava, à época, Foice e Martelo Branco (uma mistura tosca dos meus pensamentos pseudo-comunistas com a cor simbólica da paz), e já era acessado pelo mesmo endereço de hoje, sugerido por mim (que acabou se firmando, mais tarde, como o nome do blog, quando decidimos ampliar os temas de discussão). O primeiro dia teve seis posts, entre eles o poema A Bomba, de Carlos Drummond de Andrade (¿A bomba pula de um lado para outro gritando: eu sou a bomba/A bomba é um cisco no olho da vida, e não sai (...)/A bomba quer é manter acordados nervosos e sãos, atletas e paralíticos/ (...) A bomba gostaria de ter remorso para justificar-se mas isso lhe é vedado/A bomba pediu ao Diabo que a batizasse e a Deus que lhe validasse o batismo (...)/A bomba não admite que ninguém se dê ao luxo de morrer de câncer/A bomba é câncer (...)/A bomba não destruirá a vida/O homem (tenho esperança) liquidará a bomba.¿), On The Turning Away do Pink Floyd e uma lista dos países bombardeados pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial (China, 1945-46; Coréia, 1950-53; China, 1950-53; Guatemala, 1954; Indonésia, 1958; Cuba, 1959-60; Guatemala, 1960; Congo, 1964; Peru, 1965; Laos, 1964-73; Vietnã, 1961-73; Cambodja, 1969-70; Guatemala, 1967-69; Granada, 1983; Líbia, 1986; El Salvador, anos 80; Nicarágua, anos 80; Panamá, 1989; Iraque, 1991-__; Sudão, 1998; Afeganistão, 1998; Iugoslávia, 1999; Afeganistão, 2001), seguida de uma pergunta impertinente: ¿Em quantos desses países, os bombardeamentos fizeram emergir um governo democrático, respeitador dos Direitos Humanos?¿. Já mostrávamos a que vínhamos! Mas, à época, éramos apenas meninas recém-saídas do colégio, sem muitas idéias na cabeça além da rebeldia necessária dos jovens. O primeiro texto de apresentação do blog mostra um pouco disso: ¿Este blog foi feito por duas garotas indignadas - pra não dizer PUTAS - com essa situação da geopolítica internacional. Não aguentamos mais ficar sem fazer nada, assistindo a felicidade da Fatima Bernardes pela TV ... Queremos agir! Sair às ruas, chocar, explodir a casa branca, ou envenenar o chá do Bush e do Blair . Enfim, queremos fazer alguma coisa para demonstrar nossa raiva ao mundo!... queremos PAZ agora! Ou, pelo menos JUSTIÇA...¿. Já em abril decidimos mudar o visual do blog pela primeira vez, colocando um vermelho mais forte, mas uma parte de textos mais clean. O blog já tinha conseguido os primeiros leitores fiéis e, por meio de uma enquete, definia se o foco das discussões deveria permanecer no Iraque/assuntos internacionais, ou se deveria ser ampliado para outras questões importantes. A segunda opção venceu. Foi em maio ou junho que decidimos mudar o texto de apresentação do blog, já um pouco mais maduro e sereno do que o primeiro: ¿Tudo aquilo que nos deixa indignadas. Estar com raiva não é sempre um sentimento negativo - também serve para despertar a consciência política nas pessoas, despertar um desejo de que as coisas mudem para melhor. Este blog, que começou como um espaço pacifista , prossegue com ideais de Justiça e Paz. Principalmente de paz de espírito - aquela só alcançada quando não temos mais motivos para estar com raiva. Esperamos alcançar não só os que querem nos ouvir, mas principalmente os que costumam tapar os ouvidos para nós.¿ É o mesmo texto que existe até hoje, também escrito por mim. Na época, não só postávamos diariamente, como às vezes escrevíamos vários textos num mesmo dia. Textos nossos ou de outras pessoas, e isso acontecia mesmo quando o tema do blog era só o Iraque. Não é à toa que fomos ficando conhecidas e nosso GuestMap conseguiu 37 assinaturas, de pessoas ao redor do Brasil e do mundo. Foi mais ou menos por esta época que o colunista do Jornal do Brasil Marcus Barros Pinto divulgou nosso blog em seu artigo e a revista digital Nova-e colocou nosso link em seu espaço de "parceiros". Formamos uma rede virtual de blogs amigos. E assim fomos enriquecendo o debate, trazendo idéias de outros sites. Tudo servia de pauta, mesmo os assuntos mais esquecidos: as crises na África, a Sudene, os grupos direitistas como o Ku Klux Klan. É difícil achar um assunto do qual não tenhamos falado, até com certa profundidade. Em agosto de 2003 diminuímos consideravelmente o número de posts, que deixaram de ser diários. Mas que aumentaram de freqüência no mês seguinte, quando comemoramos seis meses de vida do blog. Já contávamos com a colaboração de dois colegas do Jornalismo: o Leonardo Ladeira e a Zirlene Lemos. Até tentamos concorrer no iBest (sem sucesso). Em março de 2004 fizemos nossa segunda reforma do blog, que durou mais de dois anos. A mudança, principalmente estética, veio em comemoração ao primeiro ano de vida da página. "Tamos Com Raiva" virou, finalmente, o nome oficial do site, exatamente como o nome do endereço já era desde o início. A outra principal mudança foi a criação de colunas com periodicidade definida, produzidas por colaboradores especiais. Na segunda-feira, Leonardo Ladeira escrevia sobre os pontos positivos do governo Lula; na terça, o jornalista José de Castro falava dos pontos negativos da política nacional; nas quartas, a estudante de relações internacionais Alice Quintão discutia política internacional; na quinta o estudante de História Fernando Pureza relacionava os fatos atuais com os históricos; nas sextas-feiras era dia de humor, com a ajuda do personagem Edgar (criado por meu amigo publicitário Pedro "Schelotto" Abreu) e de charges diversas; e os fins de semana traziam matérias especiais feitas por mim e pela Maria Tereza. Além disso, colocávamos as manchetes de 13 jornais, do Brasil todo e de outros três países, na coluna da esquerda do blog. A mudança no visual incluía um novo logotipo (criado pelo meu colega de faculdade, o publicitário Fábio Schmidt) e o nome do blog em arte, criada por mim no Photoshop. Também tiramos os vermelhos, para trazer mais leveza à página e fiz um novo manifesto, para substituir o texto do José Saramago que usávamos até então. Foi o auge da página, com posts cheios de comentários e discussões, às vezes mais esquentadas, como no dia em que criei polêmica falando da Páscoa (o que rendeu 22 comentários!). A média era de 10 comentários por post. Infelizmente, a festa durou pouco: os colunistas foram desanimando, perdendo os compromissos, atrasando na entrega dos artigos. Eu e a Maria Tereza idem. Tanto que, em agosto de 2004, eu fui a única a publicar algum texto. E continuou assim até 5 de setembro, quando Maria Tereza se despediu do Tamos com Raiva, num texto chamado "A Bailarina Russa": "Se alguém estava no planeta terra durante a última semana acompanhou os confusos acontecimentos em Ossétia do Norte na Rússia, a confusão proposital das informações divulgada pelas forças policiais, a relativa demora na apuração dos fatos. Sexta-feira, ao meio dia, pego o jornal pela primeira vez, 26 reféns foram libertados, a imagem da criança nua no colo do soldado me fez sentir algo que variava entre desespero e alívio, ainda havia mais de 300 em pior situação, só não sabia que seriam muito mais que o ¿previsto¿. Entrei na internet e vi a notícia: Polícia Russa invade escola. Já imaginei o pior, de minuto em minuto eu atualizava e eram também atualizados os números de mortos, e, o número de reféns, mais de 1000. 156 crianças mortas. Onde está o erro? O problema está na ação de Putin, o governo em geral, mas será? A situção está na Tchetchênia? A situação está na al qaeda? Islamismo? Bush? Não me sinto apta a criticar, ou a opinar, estou estudando e tentando entender a lógica do mundo, não acredito mais em soluções revolucionárias, não acredito mais em ideologias, não acredito em verdades e não acredito em deus. Alguns são motivos pelos quais deixei o tamos com raiva. (...) As soluções não são mágicas, e, para mim, as críticas se tornam cada vez mais vazias à medida que não vêm acompanhadas por nenhum plano prático. Não quero contagiar ninguém com o meu pessimismo, deixo um ¿até mais¿ sincero, esperando que adiante algo me faça mudar de idéia." O pessimismo da amiga e o desânimo dos colaboradores acabaram me contagiando, tanto que em outubro de 2004 só publiquei dois textos, em novembro postei três, em dezembro e em janeiro de 2005 foi apenas um. Fevereiro de 2005 não teve nenhuma publicação no blog. E em março, "por influência da Páscoa", resolvi ressuscitar o Tamos com Raiva com uma publicação. Fui retomando o ritmo muito devagarzinho, tentando reconquistar os leitores perdidos (cansados de entrar numa página sem atualização). Para contornar o problema da baixa freqüência de posts (decorrente, principalmente, da vida muito atarefada que eu estava levando), resolvi me aprofundar mais nos assuntos, escrevendo textos mais longos e completos. Assim, mesmo fazendo menos posts, fui conseguindo mais comentários (em junho/2005 foram só dois textos, mas um com 22 comentários e o outro com 15). Estabeleci um formato fixo que criasse um padrão para o blog, sem abuso de cores, com apenas uma pequena ilustração embaixo de cada título bem-humorado, com tamanhos e fontes definidos. Meu objetivo era criar uma identidade para o Tamos com Raiva, que já havia passado por tantas mudanças. O segundo grande salto do blog veio em outubro de 2005, com uma série especial sobre o Referendo para a proibição das armas de fogo. Em vinte dias, publiquei 15 textos: seis defendendo o voto a favor da proibição (a minha posição pessoal, explicitada aos leitores), quatro defendendo o voto contra, dois em favor do voto nulo e três com informações imparciais, do Ministério da Justiça, por exemplo. Todos os posts foram muito bem comentados, e o número de visitantes do blog cresceu vertiginosamente. Isso serviu para me incentivar a continuar com o projeto e investir algumas horas do meu tempo nele. Me animou, por exemplo, a fazer um histórico de tudo relacionado ao "Mensalão" ou de toda a biografia de Evo Morales. A partir de agosto de 2006, comecei a publicar artigos sobre os candidatos a deputados e senadores (com a preciosa colaboração do meu pai, José de Souza Castro, que até ganhou uma homenagem especial de dia dos pais), além de fazer textos sobre o Aécio Neves e um apanhado geral sobre Cristóvam Buarque, Heloísa Helena, Geraldo Alckmin e Lula - que alavancaram ainda mais o número de visitas do blog, ultrapassando 300 visitantes por dia (número alcançado só nos tempos áureos de 2004). Esse segundo salto, que totalizava quase 70 mil visitantes em três anos e meio, me incentivou a investir mais uma vez no blog, com as publicações especiais no segundo turno das eleições 2006. Em 23 dias do mês de outubro, publiquei nada menos que 25 textos. Seis com os podres de Geraldo Alckmin; dois com comparações objetivas e estatísticas entre o governo Lula e a era tucana; dois sobre as políticas sociais e outros investimentos positivos do governo Lula; dois sobre o preconceito por trás das campanhas contra o Lula; quatro sobre a crise do dossiê e o golpe bem articulado em torno dela; além de nove artigos e entrevistas de pessoas respeitadas no pensamento político, com reflexões sobre tudo isso. O coroamento desse esforço foi a visita de quase 2 mil leitores e posts com até 12 comentários (o que, para um dia, num blog, é MUITA coisa). A vida ficou ainda mais corrida nos últimos meses, mas o Tamos com Raiva continua firme e forte. Graças aos leitores que ainda insistem em aparecer, opinar e divulgar as notícias indignantes que publicamos. Numa sociedade do comodismo, nossa arma maior ainda é a raiva e todo o potencial efervecente que ela carrega em si. Fiquemos com raiva, portanto, dos corruptos, dos hipócritas, dos invasores, das balas perdidas, dos milionários e dos preconceitos! Outros aniversários virão. (Cristina Castro) -------------------------------- Em breve: análise sobre a redução da maioridade penal, com direito a entrevistas com várias pessoas envolvidas na questão.
Frase do Dia:
Tirada do Estado de Minas de hoje, charge do Son Salvador. Links para ler com atenção, em boas-vindas ao querido Bush: "As mentiras do Terrorista George Bush", por Altamiro Borges. "O pontos de inflexão", por Chico Villela. "A Guerra do Petróleo", por Cristina Castro (mim!). "Os negócios ilícitos da dinastia Bush", por Altamiro Borges. "Vamos exorcizar 'el diablo Bush'", por Altamiro Borges. "George Bush, o chefão do terrorismo internacional", por A.B. Fiquemos atentos! O álcool é o de menos! ![]() |
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